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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Mai21

Bolsonaro e Pazuello debocham de comandantes militares

Talis Andrade

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247 - A jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, escreve artigo nesta sexta-feira (28) afirmando que há uma relação de “deboche” de Jair Bolsonaro e o ex-ministro Eduardo Pazuello com o Alto Comando do Exército, após o ex-titular da Saúde participar de um ato político bolsonarista, ação que é proibida no Exército. 

“O artigo 45 do estatuto militar é claro: ‘São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político.’; E o que fez Pazuello no último domingo?; Foi ao Rio de Janeiro, embrenhou-se na multidão até chegar ao palanque de Jair Bolsonaro e subiu. Uma vez em cima do palco, tirou a máscara, colou-se ao presidente da Republica, que o apresentou como um ‘gordo do bem’, ‘ministro que conduziu com muita responsabilidade os últimos meses aí’, e lhe passou o microfone; Entre risos, aplausos para o povo e sinais de positivo, Pazuello bradou em tom de animador de auditório. Fala galera! Eu não ia perder esse passeio de moto de jeito nenhum.Tamo junto! Parabéns a vocês, parabéns a galera que tá aí prestigiando o PR (Presidente da República)! PR é gente de bem! Abraço galera!”, relembra a jornalista.

 

Malu ainda destaca em seu artigo que, “ainda assim, ao longo desta quinta-feira, brotou no bolsonarismo e foi sustentada pelo ‘PR’ a tese de que o tal ato não era político. Pazuello inclusive sustentou nesse argumento sua defesa no procedimento disciplinar do Exército; Não vale nem a pena gastar caracteres debatendo tamanha asneira. Mas, ainda que fosse verdade, não bastaria para resolver o problema de Pazuello com os comandantes militares; Basta confrontar a regra para saber que o ato de insubordinação foi inequívoco. Tanto o capitão Bolsonaro como o general de intendência Pazuello sabem disso. E não apenas sabem como ignoraram deliberadamente os códigos da caserna, para depois debochar deles como quem tem a certeza de que não haverá maiores consequências”. 

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15
Mai21

Uma CPI em defesa dos que se foram

Talis Andrade

Charge - Subnotificação coronavirus brasil - Blog do Gilmar - UOL

 

País segue no caminho da barbárie
Investigação honra vítimas da covid
Legislativo retoma espaço que é seu
CPI deve embasar o impeachment

Todos somos iguais na capacidade para o erro e para o sofrimento. Só não passa quem não sente; e os mais altos, os mais nobres, os mais previdentes, são os que vem a passar e a sofrer mais do que previam e do que desdenhavam. É a isto que se chama Vida!
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego.

O Brasil é um país onde não se pode sofrer em paz. Quando nos entregamos a dor das quase 430 mil mortes pela pandemia, na vã ilusão de que nada mais pode nos tirar do sério, ainda nos deparamos com uma chacina que vitimou 28 pessoas na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Não é possível organizar minimamente nossa cabeça para enfrentar a realidade brasileira. A realidade supera sempre qualquer hipótese de fantasiar a vida.Polícia Mata 13 no Alemão e Realiza Operações em Várias Favelas do Rio, em  Meio à Pandemia - RioOnWatch

aqui e acolá, gritos de socorros são emitidos em uma linguagem sensorial que interessa a quem quer entender. E vinho. E mais poesias.

No meio das diversas tentativas de encontrar caminhos que nos mantenham na estrada, decidimos que acompanhar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pandemia é uma porta que tem que ser mantida aberta para que possamos tentar contribuir para sair do abismo, que parece ser, neste momento, o leito natural do Brasil. E aí, é necessário reconhecer: o país se supera. Recorro-me ao eterno Mia Couto, no poema Estrada de Terra na Minha Terra:

“Na minha terra
Há uma estrada tão larga
Que vai de uma berma a outra.
Feita tão de terra
Que parece que não foi construída
Simplesmente descoberta.

Estrada tão comprida
Que um homem
Pode caminhar sozinho nela.

É uma estrada
Por onde não se vai nem se volta
Uma estrada
Feita apenas para desaparecermos.”

Alguns senadores, ainda na ânsia indômita de agradar ao poder, continuam defendendo a cloroquina, com exemplos bizarros e infantis. Seria até cômico, mas é criminoso. Uma deputada estranha invade o Senado e pronuncia impropérios desconexos, provavelmente para alguma gravação de propaganda e o mais dramático é o nível dos depoimentos dos agentes públicos. Felizmente, não os depoimentos técnicos, mas os políticos são de fazer corar os santos de igreja.

A impressão que resta é que, como vivem em um mundo irreal onde os 430 mil mortos são números e não pessoas, onde a falta de vacina é uma criação da esquerda, onde a necessidade de isolamento social e do uso de máscara são uma criação comunista, eles podem mentir, podem omitir. O papel ridículo que fazem não lhes atinge, pois desconhecem a força do sentir-se ridículo.Charge - Brasil atinge marca de 100 mil mortos por Covid-19

E fora do âmbito da CPI, o país segue sua sina rumo ao precipício e à barbárie. A discussão sobre a chacina leva, cada vez mais, à hipótese de execução sumária com mortes planejadas. O espectro da milícia ronda de maneira macabra. E a operação, dita como exceção, é agora alvo de investigação de uma força-tarefa criada pelo MP (Ministério Público) para apurar os abusos. Vale lembrar de Manuel Bandeira, no poema Noturno do Morro do Encanto:

Este fundo de hotel é um fim do mundo!
Aqui é o silêncio que tem voz.

Ouço o tempo, segundo por segundo,
Urdir a lenta eternidade.

Falta a morte chegar….
Ela me espia,
Neste instante talvez,
Mal suspeitando
Que já morri quando o que eu fui morria.”

O governo Bolsonaro continua como se estivesse num parque de diversões: presidente passeia de moto aglomerando sem máscara, realiza live imitando uma pessoa com falta de ar em cena constrangedora que demonstra absoluta falta de empatia ou solidariedade, faz críticas ao seu ex-ministro da Saúde, chamando-o de canalha em clara jogada de marketing eleitoral.

Porém, o mais grave é a notícia de que acabou o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) chinês no Brasil, o que significa que as vacinas deixarão de ser fabricadas. A imputação, gravíssima, é que as críticas do governo brasileiro à China fizeram com que o país revidasse. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), expressamente imputou a falta dos insumos ao mal-estar diplomático causado pelas agressões do governo ao país fornecedor.

Na prática, o país não precisaria de uma CPI para investigar a responsabilidade criminal e os inúmeros crimes de responsabilidade por parte do presidente da República e sua equipe. É cruel e sádico que os crimes continuem sendo cometidos mesmo durante as investigações, em claro acinte ao Senado, ao Congresso e, principalmente, ao povo brasileiro. Mas a CPI é instrumento necessário para que a investigação se dê cercada de todos os direitos e garantias constitucionais. É assim que se opera em um Estado Democrático de Direito.

Essa poderosa força de investigação e de fiscalização dos atos do Executivo tem poderes inerentes ao Judiciário e ampla liberdade para apurar e propor mudanças legislativas. É chegada a hora do Legislativo voltar a ocupar o espaço que é dele em um regime democrático. A excessiva criminalização do poder político, fenômeno que está na base da ascensão do proselitismo fascista de extrema direita, debilitou as bases de um Congresso altivo e independente.

Com o debacle e o desnudamento do grupo fascista que assumiu o vácuo de poder, é chegada a hora do resgate da independência do Legislativo. Uma CPI bem trabalhada, levada a efeito com seriedade e dignidade, que seja técnica e minuciosa no enfrentamento dos crimes cometidos pelos agentes públicos, inclusive, pelo presidente da República, deverá resgatar a autoestima do congressista que se orgulha da política e que sabe o espaço que ela ocupa na manutenção do equilíbrio democrático.

Para tanto, é necessário que todos nós acompanhemos e participemos. E é hora de encontrarmos mecanismos de cobrar das autoridades constituídas. Um relatório bem fundamentado por todas as provas que estão até agora evidenciadas, e as que surgirão inexoravelmente, tem que cumprir o duplo papel: dar o pontapé para o impeachment e servir de sustentáculo para a formalização de uma acusação criminal.

Cabe a nós criar mecanismos jurídicos e legislativos para que o presidente da Câmara apresente ao plenário da Casa o pedido de impeachment e para o procurador-geral da República cumpra seu papel constitucional ao apresentar ao Supremo Tribunal Federal uma fundamentada denúncia.

Não é pouca coisa, mas é o que merecem os milhões de amigos, pais, filhos, primos, enfim, todos os que sofreram e choraram as dores infinitas das perdas de quase 430 mil brasileiros. E é uma doce homenagem aos que se foram, vencidos pelo vírus, mas também pela incompetência, pela irresponsabilidade, pela falta de seriedade e pelo uso político do vírus. Banditismo mesmo. Devemos isso a nós, mas, principalmente, devemos a eles. No ensinamento do velho Li Po, na tradução de Cecília Meirelles:

No momento em que se afastava da praia
O barco que me conduzia,
eu ouvi-eu, Li Po- uma canção de dilacerante doçura.

O mar já tinha mil pés de profundidade,
Mas o afeto que te fez cantar por mim,
Wang- Luen,
era ainda mais profundo.”

15
Mai21

Solidariedade internacional aos pesquisadores e cientistas no Brasil e ao povo brasileiro

Talis Andrade

 

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O presidente deve ser responsabilizado pela condução da crise sanitária no Brasil, que não somente fez explodir o número de mortes mas acentuou as desigualdades no País

Carta reúne pesquisadores do mundo inteiro, entre eles três ganhadores do Nobel, e pede a responsabilização sobre a crise sanitária no País

Pesquisadore(a)s do mundo todo,

O Brasil registra 4.195 mortes pela covid. Ao todo, são mais de 340 mil óbitos contabilizados desde o começo da pandemia. Se o coronavírus afeta todos os países do globo, a amplitude da catástrofe sanitária que acomete o País não pode ser dissociada da gestão desastrosa do presidente Jair Bolsonaro. O presidente deve ser responsabilizado pela condução da crise sanitária no Brasil, que não somente fez explodir o número de mortes mas acentuou as desigualdades no País.

Em inúmeros momentos, o dirigente da república brasileira se referiu à covid-19 como « gripezinha», minimizando a gravidade da doença. Bolsonaro criticou as medidas preventivas, como o isolamento físico e o uso de máscaras, e por diversas vezes provocou aglomerações. Chegou a propagar o uso da cloroquina, embora cientistas alertassem para os efeitos tóxicos do uso do fármaco para combater a covid. Pesquisadores que publicaram estudos que demonstravam que o uso do medicamento aumentava o risco de morte em pacientes com covid chegaram a ser ameaçados no Brasil.

Bolsonaro desencorajou ainda a vacinação, chegando a sugerir, por exemplo, que as pessoas poderiam se transformar em «jacaré». Em meio ao negacionismo, proliferação de falsas informações e ataques à ciência, em plena crise sanitária, o presidente chegou a mudar quatro vezes de ministro da Saúde.

A ciência brasileira está sofrendo diversos ataques: cortes e mais cortes orçamentários que ameaçam pesquisas e colocam o trabalho de cientistas em xeque ; instrumentalização da ciência a fins eleitoreiros, como bem mostram as declarações do presidente descredibilizando o trabalho de cientistas durante a crise sanitária. Esses ataques, no entanto, vão além do contexto da covid-19. Basta lembrar os ataques feitos por Bolsonaro ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em um contexto alarmante diante dos níveis de desmatamento da Amazônia.

Ao desmentir a ciência, Bolsonaro não somente fere a comunidade científica, mas toda a sociedade brasileira: são diários os recordes de mortes pela covid, dados da Fiocruz indicam, por exemplo, a circulação de 92 cepas do coronavírus no Brasil, o que torna o país uma gigantesca fábrica de variantes; para além temos ainda os impactos sobre o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e no clima global.

Em um contexto de crise sanitária, de agravamento das desigualdades, de mudanças climáticas, este tipo de conduta é inaceitável e o autor deve ser responsabilizado. Nós nos preocupamos com o agravamento da crise sanitária no Brasil, com os ataques à ciência, e por meio desta carta aberta nós, acadêmico(a)s de todo o mundo, demonstramos nossa solidariedade com os/as colegas no Brasil, cujas liberdades estão ameaçadas e com a população brasileira que é afetada diariamente por essa política destrutiva.

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• Glenda Santana de Andrade – ATER em Ciências Políticas na Université Paris-Nanterre & doutoranda no Centro de Pesquisas sociológicas e políticas de Paris (CRESPPA-GTM), Université Paris 8, França
• Sylvie Chiousse – Diretora científica da revista Esprit critique, França
• Juliana Kiyomura Moreno – Doutoranda em cotutela Université Paris 8/Universidade de São Paulo-USP, Brasil/França
• Michelle Franco Redondo – Membro do Laboratoire d’Études de Genre et de Sexualité (Legs), França
• Pierre Veltz – Professor Emérito, École des Ponts ParisTech, França
• Angelo Soares – Professor titular, Université du Québec à Montréal, Canadá
• Alladatin Judicaël – Professor, Université Mohammed VI Polytechnique, Marrocos
• Zoé Tinturier – Doutoranda IEP de Bordeaux, França
• Eddine Bouyahi – Doutorando, Northwestern University/SciencesPo, França
• Soma Rostampour – Doutoranda, CRESPPA-GTM, França
• Sevilla Ariel – Mestre de conferências, Université de Reims, França
• David Dumoulin – Professor Sociologia, Université Sorbonne Nouvelle – IHEAL, França
• Papa Sakho – Professor, diretor do Laboratoire de Géographie Humaine, Université Cheikh Anta Diop, Dakar, Senegal
• Momar Diongue – Mestre de conferências, Université Cheikh Anta Diop de Dakar, Senegal
• Pierre Salama – Professor Emérito, Université Sorbonne-Paris Nord, França
• Solène Marié – Chefe de Cooperação Internacional, CNRS-InSHS, França
• Francisco Alambert – Professor, USP, Brasil
• Evelyn Nakano Glenn – Professora, Universidade da Califórnia, Berkeley, Estados Unidos
• Paola Diaz – Socióloga, COES-CEMS, França
• Maria Montanez – Pesquisadora, Bélgica
• Jean-Pierre Durand – Professor, Universidade de Evry Paris-Saclay, França
• Valeria Ribeiro Corossacz – Università di Modena e Reggio Emilia, Itália
• Isabelle Charpentier – Professora universitária em Sociologia – Universidade da Picardia – Júlio Verne, Amiens – França
• Maria Vicenta Haro Matas – Doutora, EHESS, Paris, França
• Yasmine Siblot – Professora de sociologia, Universidade de Paris 8, França
• François Boureau – Doutorando em sociologia, Universidade de Paris 8, França
• Antoine Guégan – Doutorando, Universidade de Lyon, França
• Emmanuelle Picard – Mestre de conferências, ENS de Lyon, França
• Cornelia Moser – Pesquisadora, CNRS, França
• Samantha Joeck – Doutoranda, EHESS, França
• Brigitte Chamak – Pesquisador, Universidade de Paris, França
• Mirjana Morokvasic Muller – Diretora de Pesquisa Emérita, CNRS, França
• Wenceslas Lizé – Sociólogo, Universidade de Poitiers, França
• Juan Felipe Duque – Doutorando, Sciences Po Grenoble, França
• Monish Bhatia – Professor de Criminologia e Justiça Criminal, Birkbeck, Universidade de Londres, Reino Unido
• Victoria Canning – Mestre de conferências, University of Bristol, Reino Unido
• Francesca Esposito – Pesquisadora, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Portugal
• Danielle Ranciere – Filósofa, Educação Nacional, França
• Daniel Altmann – Professor, Faculdade de Medicina, Imperial College London, Reino Unido
• Carolina Adaros – Doutoranda, Birmingham City University, Reino Unido
• Jacques Rancière – Professor honorário, Universidade de Paris 8, França
• Catherine Marry – Sociólogo, CNRS, França
• Jules Falquet – Professor de Sociologia, Universidade de Paris, França
• Felipe Kaiser Fernandes – Doutorando (IIAC EHESS) – CEFRES, França
• Marie-Laure Basilien-Gainche – Professora de Direito, Jean Moulin Lyon 3 University, França
• Danièle Linhart – Socióloga, diretora de Pesquisa Emérita, CNRS, França
• Angeliki Drongiti – Doutor em sociologia, Cresppa-CSU, França
• Leandro França – Doutorando, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
• Johann Cailhol – Universidade Paris 13, UR3412, França
• Anaenza Freire Marescs – Médico de doenças infecciosas APHP Paris, França
• Yannis Papadopoulos – Pesquisador, IMS-FORTH, Grécia
• Izadora Xavier – Doutora, Freie Universität, Alemanha
• Odile Henry – Professora universitária, Paris 8, França
• Helena Hirata – Diretora Emérita de Pesquisa, CRESPPA-GTM-CNRS, França
• Gustavo Beritognolo – Professor, Universidade de Ottawa, Canadá
• Luc Bouganim – Pesquisador, Inria, França
• Mariana Ramos Pitta Lima – Doutoranda em Saúde Pública, Universidade Federal da Bahia, Brasil
• Valeria Ingenito – Doutoranda, Università di Napoli L’Orientale, Itália
• Fanny Jedlicki – Mestre de conferências, Rennes 2 University, França
• María Mercedes Di Virgilio – Pesquisadora, Universidade de Buenos Aires / CONICET, Argentina
• Gaide Aden – ATER em sociologia, Université de Tours, França
• Blandine Destremau – Diretora de Pesquisa, CNRS, França
• Hélène Nicolas – Professora associada, Universidade de Paris 8, França
• Emilie Blanc – ATER, Universidade de Lyon 2, França
• K. Mariquian Ahouansou – Professor, American University of Paris, França
• Sara Garbagnoli – Pesquisador em estudos de gênero, Legs, França
• Soraya Silveira Simões – Professora, UFRJ, Brasil
• Engin Isin – Professor, Mary University of London, Reino Unido
• Atenea Rosado – Doutorando, Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos
• Bruno Dupeyron – Professor, University of Regina, Canadá
• Helen Hintjens – Mestre de conferências, Instituto Internacional de Estudos Sociais (Universidade Erasmus), Haia, Holanda
• Emmanuel Bellanger – Diretor de Pesquisa, CNRS, França
• Susan McGrath C.M. – Professora Emérita, York University, Canadá
• Richard Toppo – Doutorando, ISS, Haia, Holanda
• Yukari Sekine – Doutorando, Instituto Internacional de Estudos Sociais, Holanda
• Ana Carolina Maciel – Pesquisadora, UNICAMP, Brasil
• João Ribeiro Medeiros – Doutorando, CBPF, Brasil
• Federica de Cordova – Pesquisadora, Università di Verona, Itália
• Benjamin Leclercq – Doutorando, Paris 8 University, França
• Nouria Ouali – Professora da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica
• Florent Pasquier – Mestre de conferências, Université Sorbonne, França
• Patricia Lambert – Professora, Ecole Normale Supérieure de Lyon, França
• Mathilde Moaty – Doutorando em LATTS, Universidade Gustave Eiffel, França
• Nadia Vargaftig – Professora associada, Universidade de Reims, França
• Marie Segonne – Doutoranda, Paris 8 University, França
• Odile Hoffmann – Diretora de Pesquisa, Instituto IRD de Pesquisa para o Desenvolvimento, França
• Daniela Andrade – Doutoranda, Instituto de Estudos Sociais, Holanda
• Nina Gren – Mestre de conferências, Lund University, Suécia
• Doi Ra – Doutorando, Instituto de Estudos Sociais, Mianmar
• Romain Gallart – Pesquisador associado, Universidade Paris Nanterre, França
• Marie-Pierre Julien – Professora associada, Universidade de Lorraine – Nancy – França
• Laurine Sézérat – Pesquisador, Universidade Paris 8, França
• Laura Madrid Sartoretto – Professora, UFRGS, Brasil
• Diego Lasio – Pesquisador, Universidade de Cagliari, Itália
• Marie Walter-Franke – Doutoranda, Universidade Livre de Berlim, Alemanha
• Julianna Colonna – Doutoranda, Universidade de Pau, França
• Renata Cavalcanti Muniz – Doutoranda, ISS – Erasmus University Rotterdam, Holanda
• K Cheney – Mestre de conferências, Inst. Internacional de Estudos Sociais, Haia, Holanda
• Armelle Jacquemot – Professora-pesquisadora, Universidade de Poitiers, França
• Luin Goldring – Professor de Sociologia, York University, Canadá
• Anne Sauvagnargues – Professora de Filosofia, Universidade de Paris Nanterre, França
• Alexandra Mirowski Rabelo de Souza – Doutoranda, York University, Canadá
• João Villaverde – Doutorando em Administração Pública e Governo, EAESP-FGV, Brasil
• Leonardo Bueno – Pesquisador, FGV-EAESP, Brasil
• Mi Medrado – Doutoranda, Ucla, Estados Unidos
• Octavio de Barros – Economista, fundador da associação República do Amanhã-Brasil, Brasil
• Grace Barakat – Doutoranda, York University, Canadá
• Luana da Silva Ribeiro – Doutoranda em Economia, UNESP – Brasil
• Marcos Roberto dos Santos – Professor, FAMP, Brasil
• Virginie Baby-Collin – Professora de Geografia, Universidade de Aix-Marseille, França
• Oane Visser – Mestre de conferências, ISS da Erasmus University Rotterdam, Holanda
• Brian C.J. Singer – Professor, Glendon College, York University, Canadá
• Fabio Pucci – Doutorando, UFSCar, Brasil
• Barbara Poggio – Professor, Universidade de Trento, Itália
• Amber-Lee Varadi – Doutoranda, York University, Canadá
• Roberto Leher – Professor, UFRJ, Brasil
• Jean-Marc Pétillon – Pesquisador, CNRS, França
• Georges Flexor – Doutor, UFRRJ, Brasil
• Liliana Petrilli Segnini – Professora de Sociologia, Unicamp, Brasil
• José Artur dos Santos Ferreira – Professor, UFOP, Brasil
• Herb Arst – Professor Emérito de Genética Microbiana, Imperial College London, Reino Unido
• Laura Corradi – Socióloga, Università della Calabria, Itália
• Nicolas Bautes – Professor-pesquisador, geógrafo, França
• Stéphanie Deboeuf – Pesquisadora, CNRS, França
• Martinet Gilles – ATER na UPEC, França
• Georges Benguigui – Pesquisador, CNRS, França
• Christophe Baticle – Socioantropólogo, UPJV, França
• Anny King – Fellow, Churchill College, University of Cambridge, Reino Unido
• Benvindo Manima – Mestre, Universidade Federal Fluminense, Brasil
• Héloïse Nez – Professora de Sociologia, University of Tours, França
• Tulio Matencio – Professor Titular, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
• Luís Carlos Moro – Secretário-geral / American Association of Jurists / Continental
• Laurent Gil – Professor, UFOP, Brasil
• Michel Mayor – Professor Emérito, Universidade de Genebra, Suíça / Nobel de Física 2019
• Cecile Lefevre – Professora, Universidade de Paris, França
• Claudio Luis Donnici – Professor, UFMG, Brasil
• Sophie Pène – Professora, Universidade de Paris, França
• Marilia Oliveira Fonseca Goulart – Professora da Universidade Federal de Alagoas, Brasil
• Sandra Sawaya – Professora, USP, Brasil
• Charles Rice – Professor, The Rockefeller University, Estados Unidos / Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2020
• Cristiane Maria Cornelia Gottschalk – Professora, USP, Brasil
• Danièle Kergoat – Socióloga, CNRS, Paris
• Ricardo Olimpio de Moura – Professor, Universidade Estadual da Paraíba, Brasil
• Luciana dos Santos Duarte – Doutoranda, Universidade Federal de Minas Gerais / Instituto Internacional de Estudos Sociais – Brasil / Holanda
• Steffen Fischer – Pesquisador, Greenside Design Centre (Johannesburg), África do Sul
• Janaína Vieira – Mestranda, USP, Brasil
• Marco Bacio – Doutorando, Universidade de Milão, Itália
• Heike Drotbohm – Professora de Antropologia, Universidade de Mainz, Alemanha
• Luc Bonte – Presidente do FONCABA asbl, Bélgica
• Peter Wagner – Professor-pesquisador, ICREA e Universidade de Barcelona, Espanha
• Christian Lavault – Professor Emérito, Sorbonne University Paris 12, França
• Simonne Teixeira – Professora, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil
• Renee Sylvain – Professora, Universidade de Guelph, Canadá
• Paulina Garcia Del Moral – Mestre de conferências, Universidade de Guelph, Canadá
• Marie Chenet – Mestre de conferências, Université Panthéon-Sorbonne, França
• Marina Cadaval – Doutoranda, ISS-EUR Holanda, Holanda
• Romain Busnel – Doutor em Ciências Políticas, Universidade de Lille, França
• Artemisa Flores Espinola – Mestre de conferências em sociologia, Universidade Paris-Est Créteil, França
• Daniela Cherubini – Pesquisadora, Università Degli Studi di Milano Bicocca, Itália
• Yolande Benarrosh – Professora de Sociologia, Universidade de Aix-Marseille, França
• Vicente Martínez Barrios – Professor associado, Universidade de Brasília, Brasil
• Daniel Cefai – Diretor de estudos da EHESS, França
• Gianmaria Colpani – Doutor, Universidade de Utrecht, Holanda
• Stefania Voli – Pesquisadora, Università di Milano Bicocca, Itália
• Carlos Corredor – Reitor, Universidad Simón Bolívar, Colômbia
• Aurélie Damamme – Professora, Universidade Paris 8, França
• MF Deligne – IE / CNRS / França
• Chantal François – Pesquisador, INSERM, Paris, França
• Matteo Botto – Doutorando, Universidade de Gênova, Itália
• Rita Monticelli – Professora, Universidade de Bolonha, Itália
• Carmela Ferrara – Doutoranda, Universidade de Napoli Federico II, Itália
• Maria Peixoto – Doutoranda, OntarioTech University, Canadá
• Chiara Paglialonga – Doutoranda, Universidade de Pádua, Itália
• Yazid Ben Hounet – Pesquisador do CNRS, Laboratoire d’Anthropologie Sociale, Paris, França
• Claude Calame – Professor. dr., Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais, Paris, França
• Rose-Marie Lagrave – Diretora de estudos da EHESS, Paris, França
• Christelle Rabier – Mestre de conferências, EHESS (Marselha), França
• Sophie Bobbé – Antropóloga, Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais, França
• Carmen Lucia Soares – Professora, UNICAMP, Brasil
• Angela Aisenstein – Professora, Universidad Nacional de Luján, Argentina
• Rocio Guadarrama Olivera – Professora-pesquisadora, Universidad Autónoma Metropolitana, México
• Geraldine Jourdain – Doutoranda, Universal Technical Institute, Japão
• Giuseppe Burgio – Professor, Università “Kore” di Enna, Itália
• Zeynep Kaşlı – Mestre de conferências, Instituto Internacional de Estudos Sociais, Holanda
• Manuel Moreno – Professor, Universidad Nacional de Luján, Argentina
• Brigitte Morand – Professora-pesquisadora, Clermont Auvergne University, França
• Vincenza Perilli – Pesquisador precário – Itália
• Fernando Bomfim Mariana – Professor, Universidade de Brasília, Brasil
• Maria Arminda do Nascimento Arruda – Professora titular de Sociologia, USP, Brasil
• Conor Douglas – Mestre de conferências, York University, Canadá
• Julie Sedel – Professora, Université de Strasbourg, França
• Laura Lucia Parolin – Mestre de conferências, University of Southern Denmark, Dinamarca
• Yolaine Gassier – Doutoranda, Universidade de Aix-Marseille, França
• Sharie Neira Rios – Doutoranda, Universidade de Paris, França
• Pierre Bataille – Mestre de conferências, UGA , França
• Frédéric Lebaron – Professor de Sociologia ENS Paris-Saclay, França
• Inês Bragança – Professora, UNICAMP, Brasil
• Kaja Antlej – Mestre de conferências, Deakin University, Austrália
• Alberica Bazzoni – Pesquisadora, ICI Berlin Institute for Cultural Inquirt, Alemanha
• Peter Ratcliffe – Diretor de Pesquisa Clínica, The Francis Crick Institute, Londres, Reino Unido / Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2019
• Sandra Challin – Pesquisadora, CNRS, Paris, França
• Romain Leclercq – Doutorando, Université Paris 8, França
• Maira Abreu – Pós-doutoranda USP/Cresppa, Brasil/França
• Elodie Picard – CNRS / OpenEdition – France
• Urbano Nojosa – Professor de Jornalismo, PUC/SP, Brasil
• Simonne Teixeira – Docente, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil

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15
Mai21

Apoiadora pede para mostrar vídeo de pai que morreu e Bolsonaro debocha (vídeo)

Talis Andrade

Bolsonaro

 

247 - Uma apoiadora pediu a Jair Bolsonaro para mostrar a ele um vídeo de seu pai, que faleceu no último dia 6.

A reação do presidente - que demonstra o que de fato ele pensa de seus eleitores - é o desprezo completo.

“Quanto tempo leva esse vídeo aí?”, pergunta, provocando risadas dos presentes. Ela responde: “um minutinho”. Em seguida, Bolsonaro debocha, de forma machista: “1 minutinho… se for nesse 1 minutinho de mulher eu viajo amanhã”.

Bolsonaro viajou nesta sexta para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde fez novos ataques ao ex-presidente Lula. O episódio com a eleitora aconteceu em Brasília, onde ele se reuniu com apoiadores em frente ao Alvorada.

Assista o vídeo aqui

14
Mai21

Capitã Cloroquina concluiu em 24 horas que problema de Manaus era falta de “tratamento precoce”

Talis Andrade

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Com a militarização do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro passou a ser apelidada de "capitã"

 

Oxfam: Autoridades optaram pelo negacionismo, pela falta de ação e, em alguns casos, pelo “deboche” da pandemia

Escolhida por Eduardo Pazuello como a responsável do Ministério da Saúde a comandar missão de reconhecimento em Manaus em janeiro, a secretária Mayra Pinheiro precisou de menos de 24 horas para emitir diagnóstico sobre o desmoronamento do sistema de saúde local: falta do tratamento precoce, composto pelo chamado kit covid, um conjunto de medicamentos sem eficácia contra a doença, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. 

Conhecida como "capitã cloroquina", Mayra Pinheiro desembarcou na capital do Amazonas em 3 de janeiro como primeira representante do ministério no local. No dia seguinte, produziu um relatório para o ministério, com "conclusões técnicas" a respeito de Manaus, e no primeiro item explicou que o caos local derivava da falta de tratamento precoce, entre outros motivos, destaca a coluna Painel da Folha de S.Paulo.

Mayra Pinheiro confirmou, em depoimento obtido com exclusividade pelo GLOBO, que ela foi a responsável pelo planejamento de uma comitiva de médicos que difundiu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 em Manaus dias antes de o sistema de saúde do Amazonas entrar em colapso, em janeiro último. O depoimento foi dado ao Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas.

A promoção de remédios sem eficácia e as ações do Ministério da Saúde antes e durante o colapso em Manaus são alvo das investigações da CPI da Covid no Senado.

Mayra é uma das seis pessoas que respondem a uma ação por improbidade administrativa movida pelo MPF no Amazonas por conta da ação dos governos estadual e federal durante o morticínio de Manaus. Além dela, são alvos da ação o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta Élcio Franco, entre outros.

Em 15 de janeiro último, a Oxfam Internacional divulgou nota oficial, assinada por Katia Maia, denunciando o morticínio de Manaus:

A Oxfam Brasil apela ao sistema judiciário para que as autoridades envolvidas na atual crise que o país enfrenta sejam investigadas e devidamente responsabilizadasCom o crescimento de mortes causadas pela pandemia do coronavírus, a Prefeitura de Manaus decidiu adotar o sistema de trincheiras para enterrar vítimas da covid-19 no Cemitério Público. Foto Michael Dantas/AFP

A Oxfam Brasil repudia a inação, o descaso e a negligência de autoridades públicas brasileiras diante da pandemia e do novo morticínio em Manaus, tragédia anunciada que poderá se espalhar rapidamente para outras cidades brasileiras.

Em vez de cumprirem os protocolos científicos e sanitários aprovados internacionalmente, autoridades e lideranças do governo federal, bem como parlamentares e até mesmo autoridades estaduais, optaram pelo negacionismo, pela falta de ação e, em alguns casos, pelo “deboche” da pandemia. A população brasileira está sendo empurrada para uma verdadeira roleta-russa, com estímulos às aglomerações, a ausência de um plano consistente de vacinação e pela irresponsável recomendação de um tratamento com remédios ineficazes e enganosos no lugar da infraestrutura necessária a hospitais. Atitude, aliás, verificada esta semana em Manaus, com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, visitando a cidade para reforçar a obsessão governamental com sua oferta de cloroquina, um dos medicamentos sem respaldo científico no mundo para a covid-19 e distribuído pelo governo. Pazuello reconheceu a falta de oxigênio nos hospitais e tardou para atender à necessidade da cidade, com uma informação, a ser verificada, de falta de aviões.

Estamos em meio a uma crise humanitária que poderia ter sido evitada caso fossem tomadas as medidas necessárias pelos governos das três esferas – municipal, estadual e federal. Não é verdade que o lideranças do governo tenham sido surpreendidas pelo que acontece em Manaus e pela grave situação em outras cidades brasileiras.

A Oxfam Brasil apela ao sistema judiciário para que as autoridades envolvidas na atual crise que o país enfrenta sejam investigadas e devidamente responsabilizadas. Basta de disputa política e ideológica. Urge a adoção de medidas jurídicas severas e a adoção definitiva dos protocolos internacionais e científicos para a proteção mínima da população brasileira.  A Justiça tem que atuar e punir exemplarmente os responsáveis pela tragédia que o país vive. Antes que seja tarde demais.

Katia Maia

Diretora executiva da Oxfam Brasil

 

24
Fev21

“Fachin foi coisa de Deus”, disse Deltan Dallagnol subchefe da lava jato

Talis Andrade

Deltan Dallagnol: "Aha, Uhu, o Fachin é nosso" - O CORRESPONDENTE

 

Por Kiko Nogueira

Novas mensagens entre procuradores da República mostram que a Lava Jato confiava no ministro Edson Fachin para resolver seus problemas.

Os diálogos foram apreendidos pela PF na Operação Spoofing e enviados pela defesa de Lula ao ministro Ricardo Lewandowski nesta segunda-feira, dia 22.

No dia 2 de fevereiro de 2017, um dos integrantes da força faz um alerta a Dallagnol.

“Te liguei mais pra te preparar sobre a morte da Marisa Letícia: acredito que o PT está planejando como capitalizar sobre a morte dela e também acredito que eles irão colocar a culpa em vocês e principalmente em você”, escreve.

“Vão com certeza rsrsrs”, responde Deltan. “Fachin foi coisa de Deus”.

A mulher do ex-presidente tinha 66 anos e estava internada depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral hemorrágico provocado pelo rompimento de um aneurisma.

Matéria do Intercept já registrava o deboche lavajatista sobre a morte de Marisa. “Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal”, afirmava Deltan.

Também já se conhecia, através do Intercept, o teor de uma manifestação de Deltan no grupo do Telegram depois de um encontro com o magistrado no Supremo em 13 de julho de 2015.

“Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”, vibrou.

Edson Fachin substituiu Teori Zavascki como relator da Lava Jato no Supremo.

Na última edicação da Veja, deixou clara sua posição — absurda para um juiz, acrescente-se — pró-Moro e cia.

“O contexto é preocupante: forma-se uma frente ampla contra a democracia e a favor da não apuração nem punição a quem se imputa, no devido processo, a prática de delitos como corrupção, lavagem de direito e organização criminosa”, declarou.

Publicado no DCM /PRERRÔ

16
Fev21

Gilmar reage ao deboche do general Villas-Bôas: "ditadura nunca mais"

Talis Andrade

democracia demo presidente zé de abreu guaibó

 

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, reagiu a um tuíte do general Eduardo Villas Bôas debochando do ministro Edson Fachin, que comentou em uma publicação do general da reserva, de abril de 2018, pressionando a Corte a não conceder habeas corpus ao ex-presidente Lula.

Nesta terça-feira (16), Villas Bôas comentou "três anos depois" em uma publicação de uma matéria sobre a reação tardia de Fachin.

Gilmar reagiu com duras palavras: "Ao deboche daqueles que deveriam dar o exemplo responda-se com firmeza e senso histórico: Ditadura nunca mais!"

Gilmar Mendes
A harmonia institucional e o respeito à separação dos poderes são valores fundamentais da nossa república. Ao deboche daqueles que deveriam dar o exemplo responda-se com firmeza e senso histórico: Ditadura nunca mais!

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12
Fev21

Perigoso exército de incapazes

Talis Andrade

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A atual Esplanada dos Ministérios tem sido ocupada por um número exorbitante de fardados no primeiro escalão do governo

William Nozaki /Brasil de Fato
 
 

Parece que está chegando a hora de a sociedade brasileira se desfazer desses ´mitos salvadores` e devolver seus militares a seus quartéis e suas funções constitucionais. Assumir de uma vez por todas, com coragem e com suas próprias mãos, a responsabilidade de construir um novo país que tenha a sua cara, e que seja feito à imagem e semelhança, com seus grandes defeitos, mas também com suas grandes virtudes

 

(Sob os escombros, as digitais de um responsável, de José Luís Fiori)

 

 

No último dia de 2020, o professor de Economia Política Internacional da UFRJ, José Luís Fiori, publicou um artigo de grande repercussão nacional em que diagnostica o avançado processo de destruição física e moral do país nestes últimos dois anos, defendendo a tese de que o gigantesco fracasso do governo do Sr. Bolsonaro é indissociável das Forças Armadas brasileiras, que é hoje o último grande sustentáculo de um governo que é de fato, em última instância, um governo militar.

Um governo que nasceu de uma operação tutelada pelo ex-chefe das Forças Armadas à época e que depois foi literalmente ocupado por um batalhão de cerca de 8 mil militares da ativa e da reserva que vem se se demostrando absolutamente ineptos para o exercício do governo, durante este dois anos em que sustentaram no poder um “psicopata agressivo, tosco e desprezível, cercado por um bando de patifes sem nenhum principio moral, e de verdadeiros bufões ideológicos que em conjunto fazem de conta que governam o Brasil, há dois anos”, define Fiori.

Uma semana depois da publicação do artigo do professor Fiori, o próprio Sr. Bolsonaro confirmou o diagnóstico do professor, ao declarar publicamente que “o Brasil quebrou e ele não pode fazer nada”, uma das confissões mais sinceras de que se tem conhecimento da parte de um governante que reconhece seu próprio fracasso e ao mesmo tempo se declara incapaz de enfrentar a destruição provocada pelo seu governo, durante o tempo em que — em vez de governar — ele se dedicava pessoalmente a atacar pessoas e instituições e debochar do sofrimento e da morte dos seus próprios concidadãos. Uma declaração que foi feita no mesmo dia, aliás, dia em que o general da ativa e ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciava apalermado ao país que não tem data nem um plano da vacinação, mesmo que fosse só para tranquilizar psicologicamente a sociedade brasileira.

Por tudo isto, finalmente o professor Fiori conclama a sociedade brasileira a assumir em suas próprias mãos o destino do seu país, desistindo dos “grandes salvadores” e enviando de volta aos quartéis os militares, pelo seu rotundo fracasso atual e, sobretudo, porque eles não têm o menor preparo técnico e intelectual para dirigir um estado e governar uma sociedade da extensão e complexidade brasileiras. Ou seja, para o professor Fiori este governo e seu fracasso deve ser debitado na conta dos militares, e não há nenhuma possibilidade de reconstruir a democracia brasileira sem que todos os seus atores políticos abram mão em definitivo e para sempre de apelar aos militares para que façam o que não sabem e fazem muito mal..

E, de fato, desde que foi eleito, Jair Bolsonaro nunca fez questão de esconder ou omitir a sua dívida com as Forças Armadas. “O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, afirmou o presidente-capitão ao então general Eduardo Villas Boas, referindo-se à sua eleição à Presidência da República.

Crescente dependência

Nos últimos dois anos, essa dependência se intensificou. No interior do governo a ruptura do bolsonarismo com o lavajatismo jurídico, a perda de força relativa do olavismo ideológico, somado às tensões com parte da grande imprensa e o desconforto de parcela do empresariado criaram um ambiente de reacomodação de forças que resultou na ampliação dos espaços ocupados pelos militares no governo.

A cada novo embate ideológico derrotado, a cada nova suspeita de corrupção e ilícitos envolvendo o clã Bolsonaro e a cada novo erro de política pública por parte dos civis, os militares avançaram pelo menos uma casa no tabuleiro. Sendo assim, ora sob efeito da adesão irrestrita, ora sob o argumento da redução de danos, os militares se posicionaram como fiadores e tutores do governo Bolsonaro.

Esse movimento não sofreu nenhuma resistência efetiva por parte dos setores da sociedade civil e paulatinamente foi sendo normalizado e naturalizado. Enquanto parcela dos atores políticos à esquerda acreditou no mito de que os militares brasileiros seriam nacionalistas ou estatistas, parcela dos atores políticos à direita reiterou a ideia de que os militares seriam politicamente imunes à corrupção e tecnicamente superiores em matéria de gestão. Ledo engano. Essa mitologia tem sua origem no reconhecido papel exercido pelos militares na formação do Estado e no desenvolvimento da industrialização ao longo do século XX.

Os militares de hoje

Mas os militares de ontem não se equivalem aos de hoje. Desde a vitória liberal-conservadora ainda no período da ditadura, o que impera em matéria de geopolítica é a defesa do alinhamento automático ao governo norte-americano. Essa escolha desobrigou boa parte dos nossos militares de se empenhar na formulação de estratégias nacionais, liberando tempo e energia para que se concentrassem prioritariamente em interesses corporativos da caserna. Para além de “neoliberais” ou “neodesenvolvimentistas” os militares brasileiros tornaram-se corporativistas.

É com esse espírito que parte significativa dos militares têm avançado dentro do governo Bolsonaro. A atual Esplanada dos Ministérios tem sido ocupada por um número exorbitante de fardados no primeiro escalão do governo, são 11 dos 23 ministros.

Vejamos alguns dos problemas nos ministérios encabeçados por militares. Como é possível confiar na superioridade ética e moral de uma Casa Civil que conduz reuniões ministeriais tão desqualificadas quanto aquela que veio a público no último ano? Como crer na competência estratégica de um GSI que não identifica drogas em aviões da FAB e em um ministro que se deixa gravar em conversa particular pela imprensa? Como acreditar no espírito republicano de uma Secretaria de Governo que admite interferências na Polícia Federal ou em um ministro da Secretaria Geral que acolhe interesses pessoais da família presidencial? Como é possível sustentar a vocação nacional de uma pasta de Ciência e Tecnologia em desmonte acelerado e que se posiciona de maneira pouco estratégica em um tema crucial como o da tecnologia 5G? Como defender o espírito inovador de uma área de Minas e Energia impactada por desmontes e apagões? Como apostar em Transparência em um governo movido a fake news? Como admitir que a área de Infraestrutura tenha posições tão refratárias contra investimentos públicos? Como aceitar uma vice-presidência que se responsabiliza pelas relações com a China e pela Amazônia no período em que o país mais tem esgarçado o diálogo com o país asiático e tem batido recordes de desmatamento e queimadas?

Por todos esses motivos não é mais possível isentar as alas militares da responsabilidade e da cumplicidade com o desastre protagonizado por Bolsonaro. O caso do atual ministro da saúde, general Eduardo Pazuello, é dos mais emblemáticos na desmistificação da suposta aura de competência política, intelectual e administrativa dos militares.

Leia opinião de colunista sobre o tema: Os generais ressentidos

Pazuello entregou o comando da 12º Região Militar, mas se recusa a ir para a reserva, criando uma indesejável mistura entre Forças Armadas e Poder Executivo. O general não domina nem mesmo os saberes que deveriam compor seu repertório militar, não entende de geografia (ao tratar da propagação da pandemia, associou o inverno no hemisfério Norte do globo à região Nordeste do Brasil), não entende de Estado (afirmou que não conhecia o SUS), não entende de planejamento (deixou de coordenar as ações dos entes federativos), não entende de distribuição (deixou mais de 6,8 milhões de testes contra a COVID-19 vencerem em estoque) e não entende de logística (atrasou a definição sobre a compra de seringas, agulhas e insumos para a vacina).

O problema se agrava quando observamos os demais escalões do governo. Estima-se que haja mais de 8450 militares da reserva e 2930 militares da ativa atuando em diversas áreas e níveis hierárquicos do governo, com ênfase nos setores de planejamento, orçamento e logística dos ministérios. Algumas áreas sensíveis passam por intenso processo de militarização, na gestão socioambiental há mais de 90 militares alocados em áreas como Funai, Ibama, ICMBio, Sesai, Incra, Mapa, Funasa, FCP, além do Ministério do Meio-Ambiente e do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No Ministério da Saúde apenas durante o período de pandemia, foram nomeados pelo menos 17 militares.

O quadro não é diferente nas empresas estatais e autarquias, há uma plêiade de militares nomeados em boa parte delas: Amazul, Caixa, Casa da Moeda, Chesf, Correios, CPRM, Dataprev, EBC, Ebserh, Eletrobras, Emgepron, EPL, Finep, Imbel, INB, Infraero, Nuclep, Petrobras, Serpro, Telebras, Valec. Em muitas dessas empresas a tônica segue na contramão da linha geral da política econômica do próprio governo, ao invés de desinvestimentos algumas foram brindadas com capitalização, ao invés de privatização se indica que algumas devem passar apenas por fusões.

Tal presença já garantiu aos militares importantes acordos internacionais de defesa, ratificando o alinhamento automático com os EUA, além da ampliação do orçamento do Ministério da Defesa e do fortalecimento de projetos e empresas a ele vinculadas. Mais ainda, não faltam ganhos corporativos para as armas: privilégios previdenciários, como aposentadoria integral e sem idade mínima, reajustes reais do soldo de cerca de 13%, o que não ocorreu com o salário mínimo, e aumento de adicionais, bonificações e gratificações diversas, em empresas estatais, por exemplo, o pagamento de jetons para militares subiu cerca de 9,7% em 2020, para não mencionar ganhos adicionais e cumulativos com cargos de confiança e adjacências. A amplitude dos ganhos corporativos e em proventos pessoais indica que os militares não retornarão para os quartéis de maneira automática ou voluntária, qualquer que seja o próximo governo.

Leia opinião de colunista sobre o tema: Os militares estão nus

O quadro deveria causar preocupação, inclusive, dentro das próprias Forças Armadas. Pois a boa reputação e a confiança de que desfrutam os militares na opinião pública rivaliza a cada dia com as digitais impressas pelos fardados nos erros do governo. Além disso, ao aceitarem o desgoverno da atual política externa os militares se colocam em posição subalterna para a interlocução com EUA, China, União Européia e até mesmo com alguns países vizinhos.

Sendo assim, em tempos nos quais se debatem as possibilidades de construção de uma frente ampla ou popular, a defesa de um Legislativo “livre, independente e autônomo” e a reconstrução de um Estado que promova “a vida, a saúde, o trabalho e os direitos” estamos inteirasmente de acordo com a tese de Fiori de a consolidação de uma “democracia viva e forte” no Brasil passa por um pacto que assegure o retorno dos militares aos quartéis e às suas funções constitucionais. Este não é apenas um dos termos para a retomada da soberania popular e nacional do país, é, antes disso, a premissa fundamental de uma novo país que se assuma coletivamente em suas próprioas mãos dispensando a interveção salvadora de fardas, togas batinas ou pijams como diz o Fiori no final do seu artigo.

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07
Fev21

A Lava Jato matou metade das pessoas com Covid-19 (Necrodireito)?

Talis Andrade

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por Marconi Moura de Lima

Quando me perguntam o que eu chamo por Necrodireito, resumo que se trata da institucionalização da morte nos passeios da operação do direito. O direito aqui entendido como o campo da positivação da norma, assim sendo, a ambiência judicante e a ambiência legiferante. 

Ainda é possível compreender este referente como um jogo social revestido do híbrido entre a Necropolítica mais o Lawfare. Dessa maneira, um contrato civilizatório enviesado, cujas instâncias que, por essência, deveriam conduzir a sociedade (seus humanos e sua ecologia) à vida, ao contrário, operam sistemas – escamoteados ou não – para a morte.

Pois bem! A operação Lava Jato, a mais celebrada ação policial do Estado brasileiro, tida como o evento “do século”, ou a tábua de salvação da sociedade brasileira, face que cada um de seus sub-eventos obtinham coberturas ao vivo da grande mídia, como fosse um terremoto a abalar partes significativas da Terra; contexto histórico que produziu uma espécie de “Liga da Justiça” à brasileira, isto é, pseudos heróis com espasmos vultosos de consagração, em público e no imaginário de milhões de indivíduos brasileiros, na verdade não passa – a partir da revelação de sua farsa – do maior modelo de Necrodireito, doravante, uma máquina de moer humanos e produzir mortes às montanhas.  Senão, vejamos.

A operação Lava Jato começou a ser gerida – com holofotes da Rede Globo e demais meios – em 2014 – no não-perceptível fatídico dia 17 de março daquele ano. Delações premiadas mentirosas mataram reputações, envergonhadas antes por conduções coercitivas ilegais, prisões preventivas eternizadas e todas as aberrações possíveis ao devido processo legal, sempre disfarçadas de trabalho técnico e cirurgicamente jurídico. Mas as mortes das reputações e de algumas carreiras políticas (embora parte delas merecessem de fato sumir do mapa) eram somente a cereja do bolo de um tsunami de desastres históricos ao País. (Morte do Estado de Direito.)

A Lava Jato matou a principal empresa brasileira e sua capilaridade econômica em âmbito nacional e internacional. A Petrobras perdeu bilhões e bilhões de reais em investimentos, em papeis de valorização na Bolsa, em negócios. Tal desmantelo, além de destruir empregos e a e economia brasileira (interconectada e interdependente), foi a ruptura do campo de força contra a sua privatização. Diversas subsidiárias da Petrobras e os principais poços de potência da empresa foram vendidos a preço de banana semi-podre no fim de feira. (Morte do conteúdo nacional.) 

A Lava Jato “deu posse” ao seu primeiro Presidente da República, Michel Temer, que ascendeu ao poder a partir de um Golpe (morte da Democracia) subsidiado pelos discursos e “powerpoint’s” dos procuradores, juízes e policiais federais da força tarefa, sempre apoiada pela Grande Mídia a conquistar a cognição social frágil de nossa gente.

Michel Temer conseguiu, entre outras imundícies, aprovar no Congresso Nacional o que é conhecida como Emenda Constitucional 95 que, em síntese, é a principal norma do teto de gastos. Isto é, por 20 anos, o orçamento brasileiro para saúde, educação e serviços sociais está CONGELADO (preciso dar este destaque). Ou seja: não há aumento dos recursos para, além de outros, o enfrentamento da pandemia. Os alimentos aumentam sem precedentes, contudo, os salários estão estagnados.

Lembremos que de lá para cá, dezenas de outras leis cruentas faram aprovadas com tranquilidade no Congresso Nacional. A exemplo, a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e outras. (Morte do Estado Social.)

A Lava Jato prendeu, sem qualquer prova lógica, o líder das pesquisas presidenciais em 2018. Luiz Inácio Lula da Silva, se fizesse um novo mandato igual aos dois primeiros, mesmo que não tenham sido perfeitos, ainda assim seria bem de longe, muito melhor que o atual mandatário. No mínimo, teríamos duas vezes menos pessoas mortas pelo coronavírus. (Morte da esperança.)

Por falar neste novo mandatário eleito pela Lava Jato, Jair Bolsonaro mostra-se um genocida e um sádico que debocha, literalmente, da morte de humanos. E já são milhares e milhares que se foram – antecipadamente – por força da pandemia da COVID-19, entretanto, sem qualquer intervenção em contrário do Presidente da República, que deveria ter um plano criterioso (e recursos) para combate ao coronavírus, tem na verdade um plano de negação da vacina, de prescrição (e compra milionária) de cloroquina e outras medicações que nada servem contra o vírus e um plano de aglomeração sistemática das pessoas (que deveriam estar isoladas do convívio social). Portanto, Bolsonaro, o sr. da morte, é a síntese da consequência da Lava Jato, tendo em vista que por Sergio Moro e ele próprio foi celebrado – inicialmente – um pacto de gratidão, onde o Presidente deixou claro publicamente que, graças à operação – mais imunda da história do Brasil – Lava Jato, ele, Bolsonaro, chegara ao poder. (Escopo da morte.)

Dito isto, por lógica associativa (entre os negacionistas de plantão na Esplanada dos Ministério, particularmente na Saúde, e a força tarefa citada), somadas às demais análises conjunturais e históricas que fizemos acima, a Lava Jato matou diretamente ao menos umas 160 mil vidas de brasileiros durante a pandemia que já dura um ano no Brasil, face que o País perdeu completamente o rumo (desde 2014), e passou a ser um mega-navio à deriva, pronto a afundar no oceano.

E quem acreditar que o número é especulativo, ouso desafiar fazer análise mais rigorosa que a proposta. Contudo, alerto para o risco de aumentar ainda mais o número, se avançar nos detalhes desta trágica operação de combate àquilo eles sempre foram mais que os que eles investigaram: corruptos!

A metacorrupção da Lava Jato – fator do Necrodireito – matou mais gente nestes últimos sete anos que qualquer guerra. Embora já não exista a força tarefa e os heróis tenham “morrido de overdose”, seu desdobramento é terminar de nos matar, aproveitando a pressa – como os processos que mal julgou – da COVID-19.

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02
Fev21

Procuradora ridiculariza fala de Lula no dia em que ele foi preso: “orgasmo múltiplo, para ter tesão”

Talis Andrade

Confira a charge da edição deste segunda-feira (03) do Jornal O DIA - Jota  A - Portal O Dia

 

Por Renato Rovai

Na mesma conversa o então presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) faz piada de mau gosto com avião que levaria o ex-presidente a Curitiba: “Estão dizendo que o avião eh igual ao do Teori….Mas para mim parece mais velho…kkk”

“TRF, Moro, Lava Jato e Globo tem (sic) um sonho: Que Lula não seja candidato em 2018. Não querem Lula de volta porque pobre não pode ter direito. (…) e o outro sonho de consumo deles é ter uma fotografia dele preso para um orgasmo múltiplo, para ter tesão”, escreveu a procuradora da República Lívia Tinoco no dia da prisão de Lula em chat mantido com procuradores da “Lava Jato” e da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), apreendido na “Operação Spoofing”. A procuradora em nota enviada à Fórum e que pode ser lida na sequência da matéria diz que comentava o discurso que o ex-presidente Lula fazia em São Bernardo que tinha este contexto.

No chat em que escreveu isso, Livia Tinoco interagia entre outros procuradores com o então presidente da associação, José Robalinho, que na conversa disse: “Já preparei nota defendendo a Lava Jato (Deltan e Cia).” E ainda acrescentou em relação ao avião escolhido para levar o ex-presidente da República de São Bernardo para Curitiba: “Estão dizendo que o avião eh igual ao do Teori….Mas para mim parece mais velho…kkk”. Ao que um procurador de nome Wellington responde sarcasticamente: “Uma pesquisa rápida no Google mostra que o do TZ (Teori Zavascki) era um Hawker Beechcraft King Air C 90″.

Essa mensagem consta de ofício da defesa de Lula ao ministro Ricardo Lewandowski. E tem por objetivo demonstrar que há interesse público nas conversas entre os procuradores e que por isso não se deve guardar sigilo sobre as mesmas. Os advogados de Lula afirmam no documento que essa troca de mensagem comprova o que “há tempos vem sendo denunciado pela Defesa, os diálogos desnudam um sórdido uso estratégico do Direito para fins ilegítimos (lawfare), além de um claro desprezo pela própria integridade física do reclamante, no caso, o ex-presidente Lula.”

Em contato telefônico com a Fórum, José Robalinho disse o seguinte:

“O grupo que parece vir as mensagens já foi apagado, então não tenho as mensagens aqui e não tenho nem como comprovar isso. Pelo que estão me falando, o que Livia diz foi o próprio Lula que falou, mas isso é melhor perguntar a ela.

Sobre o avião, eu não me lembrava de ter falado disso, mas quando Lula subiu no avião eu achei ele estranho mesmo. Um avião duplo-hélice. Depois me disseram que era um avião dos mais seguros do mundo.

Essa fala pode parecer uma piada de mal gosto, mas foi apenas uma manifestação de estranheza entre amigos. Não entendo de avião

Eu não tiro o direito do presidente Lula de se defender com a veemência que achar devida, mas é também do jogo que a associação defenda os seus associados. O presidente Lula fez um discurso muito duro contra o associado Deltan Dallagnol.

Os jornais estavam coalhados com manchetes todas muito duras. Fiz uma nota defendendo o Deltan. Era obrigação da ANPR de defender o Deltan.

Nesse dia quem fez o ataque primeiro foi o presidente Lula. Ele pessoalmente falou do Deltan, o que obrigou a associação em fazer uma defesa. Acho que Lula extrapolou.

Não me envolvi em nenhum momento no processo. Quando estava na ANPR estava desligado de minhas funções no Ministério. Fiquei afastado das funções de 2015 a 2019. Não chegou nada da Lava-Jato na minha mão.

Eu como presidente da associação exerci uma função de defender a Lava Jato. É papel da associação defender os colegas. Defendi contra ataques do presidente Lula, da presidente Dilma, do presidente Temer, do PP, MDB, do PT. Era meu papel defender a Lava Jato”.

Outro lado da procuradora

Tendo em vista a ampla repercussão de matérias referentes à conversa mantida em grupo de mensagens, a procuradora da República Lívia Tinôco esclarece que as falas que foram atribuídas a ela na matéria da Revista Fórum e em outros veículos, bem como no perfil do Twitter de diversas autoridades públicas, não são a expressão de sua opinião ou pensamento, mas eram mera transcrição, através de mensagens instantâneas, das palavras e opiniões emitidas pelo ex-presidente Lula em seu conhecido discurso, que acontecia ao vivo, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no dia 07 de abril de 2018, após ter sua prisão decretada pela Justiça Federal e antes de entregar-se.

As mensagens reproduzidas fora de contexto, e veiculadas por meio de manchetes incorretas e apressadas, sem a devida apuração, induzem os leitores a erro, causam desinformação e não correspondem à verdade dos fatos.

Num primeiro momento, Fórum não havia citado o discurso do presidente. Logo depois este ajuste foi feito. De qualquer maneira o texto é da procuradora no dia da prisão do ex-presidente. Não há erro facutal.

(A matéria foi atualizada três vezes durante o dia, as duas primeiras para constar o outro lado dos procuradores. Na última vez, às 20h15, para edição do título, já que de fato, a procuradora parafraseava o ex-presidente Lula que fazia um discurso televisionado antes de se entregar à PF. O contexto de deboche e comentários antiéticos, porém, não mudam. Continua a ser deprimente procuradores fazerem piadas com a morte de um ministro do STF e com investigados. )

Publicado originalmente na Revista Fórum.

 
 
 
 
 

 

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