Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

27
Jun22

Colunas de fofoca e a irresponsabilidade com a vida privada: Leo Dias e Klara Castanho

Talis Andrade

 

klara.png

Em carta aberta divulgada em seu perfil no Instagram na noite de sábado (25), Klara faz o relato sobre a violência que sofreu

 

por Natália Huf /objETHOS

Uma menina de 11 anos grávida de um estuprador, o fim do direito ao aborto nos Estados Unidos após uma decisão da Suprema Corte do país, o direito à privacidade e sigilo de justiça da atriz Klara Castanho violados: ser mulher não é fácil, mas a última semana provou que sempre pode piorar.

Em meio a tantos acontecimentos amplamente noticiados pela mídia brasileira, quero me ater ao último: a história de Klara Castanho, atriz de 21 anos que descobriu uma gravidez resultante de um estupro e tomou a decisão de entregar voluntariamente a criança para adoção. Em carta aberta divulgada em seu perfil no Instagram na noite de sábado (25), Klara faz o relato sobre a violência que sofreu e a descoberta da gestação: “Meu ciclo menstrual estava normal, meu corpo também. Eu não tinha ganhado peso nem barriga”. 

Todas as informações que constam no relato de Klara – o medo, a violência obstétrica sofrida no atendimento médico, a decisão de dar a criança para adoção, o que ela sentiu e como lidou com tudo isso – se tornaram públicos não por escolha da atriz, mas como uma forma de “se explicar” perante os ataques que passou a sofrer após o colunista Leo Dias, do portal Metrópoles, e a youtuber e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos/RJ Antonia Fontenelle exporem publicamente a gravidez e a decisão de Klara.

Em sua coluna no portal Metrópoles, Leo Dias publicou um texto intitulado “Estupro, gravidez indesejada e adoção: a verdade sobre Klara Castanho”, que foi excluído após a repercussão negativa nas redes sociais. Mas, cerca de dez dias antes de expor Klara, o colunista disse, em entrevista ao The Noite – programa de entrevistas do SBT comandado por Danilo Gentili – que sabia de informações “inacreditáveis” sobre uma atriz (sem citar nomes) e que “a conta dela iria chegar, pois envolve mexer com vidas”. Então, na última semana, divulgou a matéria no espaço da coluna.Klara Castanho? Leo Dias disse que atriz teria 'carma' por 'maldade'

Leo Dias no programa The Noite. Foto: Reprodução/YouTube

 

Uma gravidez indesejada resultado de estupro e a decisão de fazer a entrega voluntária do bebê para adoção são parte da vida privada, e não da vida pública da atriz. Inclusive, o processo de entrega voluntária, previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é sigiloso e protege a privacidade tanto da mulher quanto da criança. No caso de Klara Castanho, o primeiro “desvio ético”, para usar um eufemismo, foi de uma profissional da saúde – a enfermeira que a abordou após o parto, fazendo perguntas e ameaças, como ela relata na carta aberta: “Imagina se tal colunista descobre essa história”. O hospital divulgou o nome de Klara, o local e o horário de nascimento da criança, todas informações que deveriam estar sob proteção legal. Mais uma para a série de violências que uma jovem de 21 anos vem sofrendo.

Assim como o texto da coluna, as publicações promovendo a história publicada no portal também foram removidas do perfil no Instagram do colunista. No Twitter, a diretora de redação do Metrópoles, Lilian Tahan, se pronunciou na noite de sábado (na imagem abaixo), mas foi questionada por colegas por ter curtido comentários críticos à matéria, como mostra a Revista Fórum.

Tweets da diretora de redação do portal Metrópoles. Foto: Reprodução/Twitter

 

A youtuber Antonia Fontenelle, em post no Instagram, escreveu: “Meus B.Os eu assumo, meus filhos também. Parir uma criança e não querer ver e mandar desovar pro acaso É CRIME SIM, só acha bonitinho essa história de adoçao quem nunca foi em um abrigo, ademais quando se trata de uma criança negra. O nome disso é ABANDONO DE INCAPAZ” [sic]. Uma hora depois, Klara Castanho divulgou a carta aberta com seu relato. Em meio ao entretenimento, a cultura de celebridades, a busca por likes e engajamento, onde fica a ética profissional e o cuidado com a vida privada das pessoas?

Afinal, e é absurdo que ainda seja necessário explicar isso a essa altura, não é por uma pessoa ter uma vida pública que tudo sobre ela precisa ser noticiado e virar assunto na internet, na televisão e nos jornais. A repercussão do caso está em diversos portais de notícias – Estadão, G1, Terra, entre outros -, e o que se tornou o “Caso Klara Castanho” (cartola utilizada pelo site Revista Fórum) tomou proporções colossais. O que deveria ser algo da vida privada se tornou parte do debate público após ter sido publicado por um colunista, expondo a dor de uma violência sofrida e questionando a decisão da entrega voluntária, processo que é feito legalmente e com acompanhamento psicológico, técnico e jurídico.

Em notas divulgadas na tarde de domingo (26), tanto o portal Metrópoles quanto Leo Dias pedem perdão à Klara Castanho. No texto assinado por Lilian Tahan, Priscilla Borges, Otto Valle e Márcia Delgado, consta a explicação formal do veículo: “A matéria foi ao ar por volta das 21h e retirada duas horas depois. (…) Em um veículo que publica em torno de 400 conteúdos por dia, erros, lamentavelmente, podem ocorrer. Tanto de informação, quanto de avaliação.”. Já o colunista se defende dizendo que a publicação foi feita após a divulgação da carta aberta de Klara e pede desculpas dizendo que não entende a dor que ela sentiu com todo o ocorrido. Infelizmente, o estrago já foi feito. Como dizem os editores do Metrópoles, o espaço da coluna tem autonomia, mas o veículo precisa se responsabilizar pelo que é publicado no portal. 

metrópoles.png

 

Nota divulgada pelo portal Metrópoles no domingo (26). Foto: Metrópoles/Reprodução

 

Hoje, é inegável que a cultura de celebridades permeia o dia a dia de todos aqueles que estão conectados à internet. A possibilidade de acompanhar de perto o dia a dia de famosos, interagir com ídolos nas mesma plataformas em que interagimos com os nossos amigos e o sentimento de proximidade com aqueles que Edgar Morin uma vez definiu como “olimpianos” fazem com que muita gente esqueça que o que vemos nas redes é apenas um fragmento muito bem curado do que é a verdadeira “vida real”. Nada mais sintomático disso do que a proliferação de perfis de fofoca nas redes sociais, como Twitter e Instagram, que publicam informações nem sempre verdadeiras sobre os famosos e as sub-celebridades. Mas, quando um portal de notícias dá espaço para que um colunista escreva sobre aspectos da vida privada de alguém, isso é levado para um outro patamar: se torna mais do que essa relação entre fã e ídolo, passando a fazer parte do debate público.

O que motiva um site de notícias a publicar esse tipo de conteúdo? Quais valores-notícia validam essas pautas? O objetivo aqui não é condenar e crucificar o jornalismo de entretenimento e de celebridades, e sim questionar se, em casos como esse, é possível mesmo chamar de jornalismo esse tipo de atuação de colunistas, apresentadores e outras figuras da mídia. Quando a informação não passa de uma fofoca, é simplesmente lógico que não deve ter espaço nos jornais. Quando essa fofoca impacta diretamente a vida das pessoas envolvidas, muito menos. A publicação irresponsável de informações legalmente protegidas afeta diretamente a vida da mulher e da criança em questão; essa quebra de sigilo configura muito mais do que apenas uma “exposição”. Se, como diz Fontenelle, a entrega voluntária para adoção é “abandono de incapaz”, do que podemos chamar o que o colunista da Metrópoles fez ao expor a intimidade de uma mulher de 21 anos que teve uma gravidez indesejada após um estupro?

Na mesma semana da revogação pela Suprema Corte dos EUA da decisão do caso Roe vs. Wade, que, em 1973, garantiu às mulheres grávidas a liberdade e autonomia para interromper a gestação sem interferência do Estado, situações como a exposição da vida privada de Klara Castanho e a gravidez da menina de 11 anos mostram claramente que nenhum direito é, de fato, garantido. Como bem atestou Simone de Beauvoir, “basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. A decisão da mulher – seja de abortar, entregar à adoção, ou mesmo de seguir com a gestação – parece ser sempre a escolha errada, independentemente de qual seja.

Além disso, a preocupação com a “vida” é bastante relativa. Quando a vida em questão é a de uma mulher, o discurso pró-vida muda, seja uma jovem de 21 anos ou uma criança de 11. O jornalismo, que tem espaço privilegiado no debate público, tem também o poder de colocar certos temas em debate; no entanto, a responsabilidade de apurar bem a informação, ouvir as partes envolvidas e avaliar criteriosamente as pautas muitas vezes são deixados de lado na busca por cliques, comentários, retweets e burburinho. Quando um jornal como o Metrópoles autoriza a publicação de um texto como o do colunista, expondo uma informação sigilosa, irresponsabilidade é uma palavra que parece pequena para definir a situação. E quem paga o preço?

 

19
Abr21

Jornalismo criminoso e safado: Leda Nagle espalha fake news sobre tratamento precoce da Covid-19 e conspiração para matar Bolsonaro

Talis Andrade

Image

O deputado federal Ivan Valente classificou nesta segunda-feira (19) em suas redes sociais como "deplorável” a postura de Leda Nagle. A bolsonarista compartilhou fake news de um suposto delegado que revelou os planos de Lula para matar Bolsonaro.

Leda Maria Linhares Nagle (Juiz de Fora, 5 de janeiro de 1951) é uma atriz e apresentadora do programa diário Sem Censura, durante 20 anos na TV Brasil. É mãe do ator Duda Nagle.

Com tom conspiratório, ela revela a postagem, e faz seu alerta. 

Nagle foi duramente criticada pelos internautas por disparar fake news de forma irresponsável.

JornalismoWando
Lembrando que a Leda Nagle é uma das principais disseminadoras de fake news sobre o coronavírus
Alexandre Garcia, Leda Nagle, Gazeta do Povo e Pingos nos Is da Jovem Pan são alguns dos que mais espalham fake news sobre coronavírus no YouTube.
Professor Glauco Silva
Leda Nagle, Pedro Bial, Alexandre Garcia, Allan dos Santos, Diogo Mainardi, Lacombe, Rodrigo Constantino, Danilo Gentile são todos do mesmo lixo fascista que assolou esse país! Precisamos de Lula para o povo Brasileiro recuperar sua sanidade.
Ivan Valente
@IvanValente
Que papel deplorável da Leda Nagle, espalhando Fake News como quem não quer nada. Esse é o método, alimentar a base bolsonarista com teoria da conspiração para desviar o foco da responsabilidade do Bolsonaro pelo genocídio. Não cola. Não tem fake que apague os crimes do genocida.

GovernaDino
Fiquem ligados! O que a Leda Nagle e eles estão fazendo é tentar criar um QAnon tupiniquim...cheio de teorias conspiratórias esdrúxulas...
Marcio Vaccari | Humor Político – Rir pra não chorar
11
Abr21

Plano A, B, C, D…Z da direita é evitar Lula lá

Talis Andrade

voto do coronel.jpg

 

por Fernando Brito

- - - 

Sem nome, até agora, para disputar com chances a eleição do ano que vem, a direita brasileira lançou-se a um plano alucinado: lançar uma dezena de candidatos para sonhar com que, assim, vai evitar que Jair Bolsonaro chegue ao segundo turno e um dos seus e deste se faça o “Cinderelo” que poderá, num segundo turno, usar o antipetismo como bandeira para, com os votos dos bolsonaristas-órfãos, vencer o ex-presidente no 2° turno.

Sim, eles sabem que será virtualmente impossível tirar Lula da disputa final e dedicam-se agora a criar um leque de alternativas “de oposição” que impeça a classe média irritada e chocada com Bolsonaro de despejar num voto no petista o seu protesto.

O “grupo dos seis” do manifesto da “consciência democrática” é este “portfólio” de A a Z , no qual se encontrará de tudo, inclusive declarações apontando “concessões de Lula ao sistema” por parte de Ciro Gomes, que usa uma retórica mais radical para fora e conversa, para dentro, com FHC e o tucanato.

ciromancia manifesto.jpg

 

A confirmar-se a saída de Luciano Huck, favorito apenas para as tardes de domingo na Globo, inventar-se-á outra bobagem para recompor o leque, como se está fazendo agora com o desqualificado Danilo Gentili, com o apoio “fake” de Sérgio Moro, achando que isso pode levar a juventude para um voto na idiotia grosseira.

É evidente que, como “plano genial”, também este tem mais furos que um queijo suíço.

O primeiro deles é que enfraquecer Jair Bolsonaro no seu “núcleo duro” de apoio, em quase dois anos e meio de mandato, não parece ser tática que funcione. Não há sinal, em pesquisa alguma, que ele vá baixar do um terço de suporte que ostenta em qualquer pesquisa na praça.

É por isso que não se pode descartar que estes setores da direita – a mídia à frente deles – se desloque para uma posição pró-impeachment, visando retirá-lo da disputa e, assim, sonhando que o voto hoje bolsonarista migre para outros candidatos.

Arriscado, porque nada garante que o eleitorado de corte mais popular, de classe média baixa, que ainda apoia o voluntarismo bolsonariano não acabe, com algum enfraquecimento do “Mito”, por transferir-se para Lula.

É difícil a situação dos aprendizes de feiticeiro que arranjaram, em 2018, uma solução que acabou por viciá-los: um candidato surgido do “nada” político e manobras judiciais que impedissem a expressão de uma força popular real, que não é de proveta como os nomes que têm.

É por isso que todo cuidado é pouco e se deve cuidar muito da aparente indignação do “centro” com o desempenho do presidente que ajudaram – e muito – a eleger.

Há uma parte deles que é “tão” antibolsonarista que não teria dúvida de apertar 17, ou 38 ou qualquer número que venha a ter o ex-capitão, se for para impedir a volta de Lula.

lula lá disparado.jpg

 

 

21
Out18

Terrorismo de Bolsonaro: Jornalistas já foram alvo de 140 casos de violência, denuncia Abraji

Talis Andrade

Pessoas públicas, incluindo deputados eleitos, estão entre os autores de violações

 

censor censura jornalista militar indignados.jpg

O Observatório da Ética Jornalística (ObjETHOS), grupo de pesquisa e extensão do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJOR/UFSC), repudia a intensificação de ataques a jornalistas brasileiros neste período eleitoral. Conforme levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que está em constante atualização, já são 140 casos, dos quais 62 físicos e 76 por meios digitais.

 

Com nove anos de existência, o ObjETHOS tem marcado sua atuação no campo da crítica de mídia, observando dilemas éticos e deontológicos que permeiam a prática jornalística. Fiscalizamos a atuação dos veículos jornalísticos, cobrando transparência e ética de seus profissionais, mas só o podemos fazer em um ambiente onde jornalistas têm seus direitos garantidos e não são física e moralmente atacados por grupos que incitam a intolerância.

 

Liberdade de expressão e liberdade de imprensa são valores imprescindíveis para a democracia. Temos consciência de que, em regimes autoritários, a imprensa livre é uma das primeiras instituições a sofrerem retaliações. Soma-se a isso a proliferação de informações falsas (fake news) nas mídias sociais (notadamente no WhatsApp que reúne mais de 120 milhões de pessoas, no país), que induzem o eleitor ao erro de avaliação, provocando o caos no ecossistema informativo. Somente com a livre atuação de veículos tradicionais e independentes é possível informar o eleitor com notícias credíveis e confiáveis. Garantir o que está expresso na Constituição é dever de nossas autoridades e condição inegociável para o exercício do bom jornalismo.

Florianópolis, 17 de outubro de 2018.


Professor Dr. Rogério Christofoletti
Professor Dr. Samuel Lima
Pesquisadores-Responsáveis pelo Observatório da Ética Jornalística (objETHOS/UFSC)

 

NAZISTA DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO AGRESSOR

 

Figuras públicas y políticos, como el economista Rodrigo Constantino, el humorista Danilo Gentili, la periodista (y ahora congresista electa representando el partido PSL-SP) Joice Hasselmann, el congresista Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) y los fiscales Marcelo Monteiro (MP -RJ) y Ailton Benedito (MPF-GO) están entre los autores de las transgresiones. Leia in Abraji.

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2018
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2017
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub