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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

10
Nov23

“Não há dúvidas de crime humanitário nos bombardeios na Faixa de Gaza”

Talis Andrade

Vídeos: Em uma entrevista exclusiva à NINJA, o jornalista internacional Jamil Chade, trouxe à tona preocupações cruciais sobre a atual crise humanitária na Palestina ocupada. Economia de Israel pode entrar em colapso com a guerra, informa Eduardo Moreira. Brasileiros em Gaza: Fala de embaixador mostra que é Netanyahu quem decide lista, diz Reinaldo Azevedo

Foto: UN Photo/Jean Marc Ferré

 

Em uma entrevista exclusiva à NINJA, o jornalista internacional Jamil Chade, trouxe à tona preocupações cruciais sobre a atual crise humanitária na Faixa de Gaza, destacando desafios significativos da diplomacia internacional nos pedidos para que Israel pare os bombardeios e autorize ajuda humanitária chegar até Gaza.

Em meio ao conflito em andamento entre Israel e Gaza, Chade deixou claro que não há espaço para dúvidas em relação às violações das leis internacionais humanitárias e dos direitos humanos por parte de Israel. Ele enfatizou que essa é uma questão inegociável e que as ações de Israel estão em flagrante desacordo com o direito internacional.

Na última semana, mais de 150 países, incluindo o Brasil, condenaram as ações de Israel contra a Faixa de Gaza, e, em um documento oficial, pediram o imediato cessar fogo e a abertura de corredor humanitário. Israel ignorou este pedido, o que foi duramente criticado pela comunidade internacional.

O jornalista, que mantém uma coluna no UOL, também ressaltou a importância de manter relações diplomáticas com todas as partes envolvidas no conflito. Ele argumentou que, para desempenhar um papel significativo na cena internacional, o Brasil deve manter diálogo com todos os atores, independentemente de concordância ou simpatia.

Mediação não significa concordar. Se o Brasil quer ser um ator que pode dialogar com todos, ele precisa manter relação com todos”, afirma Jamil Chade.

O jornalista apontou as limitações dos Estados Unidos e da Rússia como mediadores no conflito entre Israel e Palestina. Segundo Chade, outros países, como o Brasil, têm um papel a desempenhar na mediação, mesmo que isso envolva críticas a ações específicas. Ele destacou que a paz é uma necessidade urgente, e a comunidade internacional não pode depender apenas das superpotências tradicionais para facilitar o diálogo.

“No fundo, o Brasil fez a mesma coisa na Ucrânia. O Brasil manteve relações com a Rússia, mas nunca deixou de votar na ONU uma resolução que condenava a invasão. O Brasil votou a favor da resolução que condena a invasão da Ucrânia e, ao mesmo tempo, mantém relações diplomáticas com ambos. Essa é uma tentativa de equilíbrio que não é fácil”, disse Chade para NINJA.

Além disso, Chade observou a grave deterioração da situação humanitária em Gaza devido ao conflito. Ele expressou preocupações sobre o trauma psicológico enfrentado pelas crianças palestinas, que crescem em um ambiente de medo e perda constante.

Na última semana, o sociólogo e ativista palestino Baha Hilo concedeu uma entrevista para NINJA, e ofereceu uma visão intensa sobre a atual crise em Gaza, onde as pessoas estão enfrentando ataques implacáveis de Israel e a comunidade internacional está se mobilizando em apoio à Palestina, sob pressão de protestos. Até o momento, mais de 10 mil palestinos foram mortos. 

Foto: Motaz Azaiza

 

A discussão também incluiu o contexto geopolítico, destacando que a atual situação é complexa e desafiadora. Israel ignora tradicionalmente as resoluções da ONU, sabendo que conta com o apoio dos Estados Unidos, um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Chade alertou para o impasse no Conselho de Segurança, que muitas vezes fica imobilizado devido a vetos.

“Existe uma pressão muito grande hoje, inclusive na Europa. Isso não é uma questão só dos países em desenvolvimento. Não é só uma questão dos aliados da causa palestina. Você tem vários governos, inclusive os europeus, muito preocupados com o nível de violência de Israel em Gaza. Esse nível de violência obviamente cria uma situação de muito risco internacional”, afirma Chade.

O jornalista levantou questões sobre a viabilidade de uma solução de dois estados, citando desafios práticos, como o deslocamento de colonos israelenses. Ele também mencionou a importância do Tribunal Penal Internacional em investigar potenciais crimes de guerra.

“Eles [Governo Israelense] vão ser, pelo menos pré-investigados. Agora a gente vive aquela outra situação anterior, mesmo condenados, qual vai ser o impacto real disso, sendo que a gente tem um governo americano ainda em apoio ao governo israelense? Então é um grande teste, no fundo, para a própria credibilidade do Tribunal Penal Internacional”, conclui Chade.

09
Nov23

A jogada suja de Netanyahu e Bolsonaro para afrontar Lula e a Justiça

Talis Andrade
 
 
Image
 

por Moisés Mendes

A reunião de Bolsonaro com o embaixador de Israel, na Câmara dos Deputados, não teria acontecido se o anfitrião já estivesse preso ou pelo menos se sentisse sem cara e sem forças para aparições públicas.

Mas Bolsonaro anda por aí com desenvoltura e apareceu de terno e gravata para o encontro, dentro do Congresso, com suporte de gente da bancada de extrema direita. Foi assim que deu exposição cerimoniosa ao evento.

Bolsonaro e o embaixador afrontaram Lula, o governo, o Itamaraty, toda a diplomacia, o Ministério Público, o Judiciário, o Congresso, as instituições e o Brasil. Tudo com roteiro e liturgia e numa sala do Parlamento.

Uma afronta com um detalhe só aparentemente insignificante. Assessores e fotógrafos fizeram registros protocolares e foram retirados da sala, porque o resto ninguém poderia ver.

O Bolsonaro moribundo, que frequenta rodas de conversa no PL, cultos e entrevistas, agora se encontra em reunião fechada no Congresso com o embaixador de um país empenhado em destruir um povo.

A afronta cumpre seu objetivo de desafiar a autoridade de Lula e também o de mostrar que Bolsonaro é um fora da lei avariado, mas ainda vivo e temeroso.

A diplomacia de guerra de Daniel Zohar Zonshine ajuda na sobrevida de Bolsonaro, que se oferece como escada para que Israel tente colocar o dedo na cara de Lula.

Podem dizer que não faz sentido, se Bolsonaro não tem mandato e foi derrotado em duas tentativas de se manter no governo, numa eleição e num golpe tabajara.

A reunião executa o plano de jogar para a torcida e mantê-la acordada, ao mesmo tempo em que Benjamin Netanyahu manda dizer que seu emissário conversa com Bolsonaro.

Foi uma troca. Israel contribui para a sensação de normalidade na vida de Bolsonaro, e o sujeito lhe oferece a vitrine para o desaforo. Netanyahu mandou dizer que Bolsonaro ainda tem poder interno e de interlocução internacional.

Como foi alcançado até agora apenas pela Justiça Eleitoral, Bolsonaro é o elefante que qualquer um enxerga como quiser, apalpando isoladamente a tromba, a orelha, a barriga, o Pix ou o rabo.

Não se tem ideia do conjunto e da sua utilidade política. O que Bolsonaro ainda é capaz de fazer? O sistema de Justiça não o alcançou pelos crimes que cometeu. A inelegibilidade é um dano, mas ainda falta imobilizá-lo criminalmente.

Bolsonaro poderia estar morto politicamente, depois da eleição e da invasão de 8 de janeiro, se já tivesse sido submetido ao código penal, e não só ao código eleitoral.

A punição eleitoral é o que temos para as circunstâncias, porque a base para decisões mais drásticas é tão nebulosa quanto o poder real de Bolsonaro. Ainda não há lastro na sociedade para que ele seja condenado e contido numa prisão.

Por isso combinaram a reunião. Para que uma autoridade estrangeira também dissesse que Bolsonaro vive e circula à vontade, cumprindo compromissos, com terno e gravata, desta vez com a diplomacia de um país mergulhado no sangue de crianças palestinas.

Duas expressões do que existe de pior no mundo hoje confraternizam, numa reunião que parece não ter sentido, pela só aparente impossibilidade de efeitos práticos imediatos.

O efeito é este: o embaixador decidiu dizer aqui, como andam dizendo em outros lugares, que Israel vai manter o massacre e mantém por quanto tempo quiser os reféns brasileiros no sul de Gaza.

Judeus progressistas podem admitir que é constrangedor ver um embaixador de Israel sentado ao lado de uma figura que já tirou fotos com nazistas e tem parte do entorno e da base social com conexões comprovadas com essa gente.

Mas hoje nada mais constrange ninguém. A afronta está feita. O embaixador afrontou o presidente da República e as instituições brasileiras. E Bolsonaro apenas continuou afrontando o Ministério Público e o Judiciário.

Embaixador de Israel se reúne com Bolsonaro

09
Nov23

O embaixador de Israel e a deputada alemã herdeira do partido nazista na Alemanha

Talis Andrade

bandeira simbolo nazista .jpg

Manifestantes bolsonaristas pela intervenção militar, que teve em 8 de janeiro último mais uma tentativa de golpe, com a invasão do Congresso, do STF e do Palácio do Planalto, para implantar uma ditadura militar da extrema direita.

 

Governo vê embaixador de Israel em 'rota equivocada' após ato com Bolsonaro

 

por Daniela Lima

A decisão do embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, de desembarcar nesta quarta (8) no Congresso para um ato com o ex-presidente Jair Bolsonaro e alguns parlamentares de extrema direita foi interpretada pelo governo Lula como uma evidente provocação --mas não suscitará uma resposta imediata.

Daniel já foi chamado a prestar esclarecimentos ao Palácio do Itamaraty por declarações polêmicas ou equivocadas por ao menos três vezes, mas mantém o que diplomadas e auxiliares do presidente definem como "uma rota absolutamente equivocada".

O desconforto é tal que muitos avaliam, internamente, no Planalto, que ele "não é interlocutor" para essa crise.

A ordem, porém, é não responder com o fígado, emocionalmente.

Até que o grupo de 34 pessoas que tentam deixar Gaza desembarque no Brasil, a ordem é por pragmatismo.

O ministro Mauro Vieira (Relações Internacionais) enviou contato ao seu contraparte em Israel ontem, cobrando novamente uma posição sobre a saída dos brasileiros. A promessa, feita diretamente a Vieira, era a de liberação do grupo ontem, o que não aconteceu.

 

Publicação da deputada de extrema-direita Beatrix von Storch com o presidente Jair Bolsonaro — Foto: Instagram/Reprodução

Publicação da deputada de extrema-direita Beatrix von Storch com o presidente Jair Bolsonaro. Beatrix von Storch é líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD); avô foi ministro de Hitler por 12 anos. Deputada foi recebida no Palácio do Planalto.

Na visita ao Brasil, a deputada de extrema-direita também foi recebida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes.

A parlamentar alemã ainda teve reuniões com os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e Bia Kicis (PSL-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Beatrix faz selfie com Eduardo Bolsonaro

Além de se reunir com o presidente brasileiro, von Storch esteve com os deputados Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis

 

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e o Museu do Holocausto criticaram na semana passada os encontros de Von Storch com Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis.

bia kicis.jpeg

 

A Conib lamentou a recepção a representante da AfD, pois “trata-se de partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto”.

O Brasil é um país diverso, pluralista, que tem tradição de acolhimento a imigrantes. A Conib defende e busca representar a tolerância, a diversidade e a pluralidade que definem a nossa comunidade, valores estranhos a esse partido xenófobo e extremista”, disse a confederação em nota.

O Museu do Holocausto, ao comentar uma publicação de Bia Kicis nas redes sociais, citou que Von Storch é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro nazista das Finanças, e afirmou que a AfD apresenta “tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração”.

"É evidente a preocupação e a inquietude que esta aproximação entre tal figura parlamentar brasileira e Beatrix von Storch representam para os esforços de construção de uma memória coletiva do Holocausto no Brasil e para nossa própria democracia", publicou o Museu do Holocausto.

Jair Bolsonaro e Daniel Zonshine
Jair Bolsonaro e Daniel Zonshine 

por Alex Solnix

Embaixador tem que se reunir com o governo do país em que serve, não com a oposição.

É inaceitável e imperdoável o encontro do embaixador de Israel com Jair Bolsonaro, um ex-presidente inelegível, acusado de vários crimes e que faz oposição hostil ao governo Lula.

Municiar Bolsonaro com argumentos para atacar Lula é a última coisa que esse embaixador deveria pensar em fazer.

E deve ser a última mesmo. O governo deveria considerá-lo persona non grata e exigir sua expulsão do país.

Tirem esse embaixador! 

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