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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Out21

Deputados defendem prisão de Dallagnol após revelação de que ele manipulou delação e disse: "abaixo a república"

Talis Andrade

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Deltan Dallagnol redigiu a delação de Pedro Barusco e incluiu o PT "com fins políticos", o que revoltou parlamentares

247 – A revelação de que o procurador Deltan Dallagnol manipulou a delação de Pedro Barusco, ex-diretor da Petrobrás, para incluir o Partido dos Trabalhadores e derrubar a república, como revelam mensagens da Operação Spoofing, revoltou parlamentares, que passaram a defender sua prisão. Confira e saiba mais:

Rogério Correia
É preciso prender ⁦@deltanmd⁩ o cretino e para isto o ⁦@cnmp_oficial⁩ precisa abrir investigação contra ele e não proteger seus crimes! Exclusivo: Dallagnol escreveu parte da delação de Barusco e incluiu PT por "fins políticos"
Paulo Pimenta
Dallagnol se comportou todo o tempo como chefe de quadrilha, nunca como um procurador da república. O que foi revelado hj pelo é um escárnio: "Abaixo a república… KKK”, disse Dallagnol após escrever a delação de Barusco e incluir o por fins políticos.
Deputado Alencar
A ficha corrida do mafioso só não é maior que a hipocrisia dele, um falso cristão que tem lugar cativo no Nono Círculo do inferno, destinado aos traidores da pátria. Dallagnol escreveu delação de Barusco e incluiu PT por “fins políticos”

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Diálogos travados entre os procuradores Deltan Dallagnol e Athayde Ribeiro Costa, da operação Lava Jato, redigiram uma nova versão da delação premiada do ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, no início do ano de 2015. O objetivo era incluir o Partido dos Trabalhadores entre as figuras delatadas, com a intenção manifesta de atingir fins políticos e “derrubar a República”.

É o que revelam mensagens analisadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Spoofing, divulgadas em reportagem do DCM. Os integrantes da força-tarefa da Lava Jato também propuseram cláusulas extras e negociaram os termos da delação.

07
Dez20

Gula sem fim: PGR descobre R$ 270 mi da JBS para “ONG da Lava-Jato”

Talis Andrade

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Moro tem R$ 8,5 da Odebrecht, sendo R$ 6,8 bilhões para seis procuradores

por Fernando Brito

- - -

Conjur publica que o Procurador Geral da República, Augusto Aras, pediu a anulação de cláusula do acordo de leniência da JBS que previa a entrega, pela empresa de R$ 270 milhões para uma “ONG” criada pela Força Tarefa da lava Jato com a Transparência Internacional para a fundação de uma entidade “para atender a imposição de investimentos sociais” das obrigações impostas ao frigorífico.

É uma espécie de “replay” do que a Lava Jato tentou fazer com os recursos que a Petrobras pagou nos EUA por um acordo de leniência com o Departamento de Justiça daquele país, num acordo bem mais “gordo”, que daria aos procuradores poderes sobre e como destinar R$ 2,5 bilhões.

O dinheiro da JBS – que não tem sequer nada a ver com a Lava Jato – ia servir para uma “campanha educativa contra a corrupção”, certamente desenvolvida pelos “reizinhos” de Curitiba, em parceria com o diretor-executivo da filial brasileira da Transparência Internacional, Bruno Brandão, destinatário de pedidos de Deltan Dallagnol para produzir manifestações de apoio à Lava-Jato, como revelaram as mensagens publicadas pelo The Intercept e pela Agência Pública.

É espantoso que continue a existir este cancro que é a Força Tarefa da Lava Jato. Usar a função de fiscal da lei, paga pelo dinheiro do contribuinte, para arquitetar negócios escusos só é menos escandaloso do que o escãndalo de continuarem impunes nos seus cargos.

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Nota deste correspondente: Por um manjado acordo de leniência, assinado por Sergio Moro, a Odebrecht ficou de pagar uma botija mais gorda. Para a fundação de Dallagnol e mais cinco procuradores associados: 6,8 bilhões de uma multa de 8,5 bilhões. Isso aconteceu em 2016. Foi denunciado em 2019. A imprensa aplaudiu. A oposição ficou calada. Os três poderes nem aí.  Confira reportagem de Pedro Canário aqui

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Sergio Moro, agora sócio diretor da Alvarez & Marsal, que administra a Odebrecht em recuperação judicial, vai ordenar o quê? 

Ordem de pagamento é dinheiro no bolso de Moro (Para isso ele é sócio. Acima o documento com as assinaturas dos seis procuradores do fundo de 2,5 bilhões da Petrobras)

Ordem de não pagar bem que ajuda a Odebrecht.

Oito bilhões e quinhentos milhões ... será que Moro, quando conversou essa bufunfa, já pensava ir para a A&M, ou estava apenas de olho na fundação da Lava Jato, que aparece sem nome como fundo, como ong, como uma sociedade para fazer caridade a torto e a direito & as campanhas Moro presidente e procuradores governadores e senadores no Brasil lavajatista. Acontece que deu Bolsonaro em 2018. E da criminalização da política surgiram vários senadores e governadores. Principalmente no Sul e Sudeste. 

 

06
Set20

Basta de mentiras e crimes da Lava Jato

Talis Andrade

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por VioMundo

Faça sol ou chuva, toda quarta-feira, advogados, lideranças políticas, sindicais e ativistas sociais se reúnem no horário do almoço na frente da sede da autodenominada Lava Jato ou Liga da Justiça da República de Curitiba. 

O prédio (separado do MPF) abriga os integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato (O MPF tem mania por prédios luxuosos e alugados)

O objetivo dos encontros é protestar contra as afrontas ao devido processo legal praticadas pelos procuradores federais que integram a operação.

Esses encontros semanais começaram após o site Intercept BR revelar conversas comprometedoras, através do aplicativo Telegram, entre o ex-juiz Sérgio Moro e integrantes da Lava Jato, entre os quais o promotor Deltan Dallagnol, que era seu coordenador.

A Vaza Jato, termo pelo qual o vazamento ficou conhecido na imprensa brasileira, teve início em junho de 2019.

“Com a pandemia, a partir de março, o número de participantes diminuiu e o de faixas aumentou”, conta a advogada Ivate Caribé, que está presente semanalmente.  “Nós, então, nos cotizamos para fazer mais faixas!”.

Nessa terça-feira, 01/09, Dallagnol anunciou que está deixando a Lava Jato. Alegou a necessidade de se ocupar da saúde da filha.

Por isso, nessa quarta, 02/09, o convite para manifestação teve outro foco: “Venha dar adeus a Deltan Dallagnol”.

O jovem fotojornalista Eduardo Matysiak, de Guarapuava,  hoje residente em Curitiba, registrou tudo.

Dallagnol protagonizou um dos episódios mais infames da Lava Jato: a farsa do powerpoint contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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04
Set20

Dallagnol deixa legado de abusos e crimes

Talis Andrade

 


Para o professor da faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Rogério Dultra dos Santos, o procurador Deltan Dallagnol abandonou o comando da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, porque “a maré virou”.

Em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (2), Dultra avaliou que a Lava Jato não exerce mais a “liderança moral” de outrora sobre os rumos da política no país. Apesar de Dallagnol ainda contar com uma “blindagem” capaz de evitar a abertura de processos administrativos no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
 
“Consolida-se na opinião pública uma crítica muito grande ao tipo de condução que ele (Dallagnol) realizou na operação Lava Jato. Eivada de ilegalidades, abusos e perseguição política, especialmente ao ex-presidente Lula“, disse o jurista.

Degradação

Dultra afirmou que a Lava Jato é responsável pela “degradação institucional” do Ministério Público Federal (MPF). O modelo de força-tarefa dispendioso, porque os procuradores descolados das suas funções originais recebem diárias para atuar. Além disso, esse modelo alimenta uma promiscuidade entre procuradores, policiais federais e o juiz responsável. “A lógica da operação acaba juntando investigação com acusação, o que não é correto, de acordo com a processualística penal”.
 
Choque de poderes

Para Dultra, a saída de Dallagnol também guarda ligação com a disputa de poder entre os procuradores de Curitiba, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o presidente Jair Bolsonaro. “A Lava Jato representa, politicamente, a força e a influência de Sergio Moro”. Após sair do ministério da Justiça, Moro teria se tornado um inimigo político do presidente.

A liminar da subprocuradora Maria Caetana Cíntia dos Santos que prorrogou, nesta terça-feira (1º), o funcionamento da Lava Jato por mais um ano, também teria a ver com essa disputa. A decisão poderá, ainda, ser revertida pelo procurador-geral Augusto Aras. Nos bastidores, fala-se que a saída de Dallagnol seria uma tentativa de evitar que a força-tarefa fosse dissolvida. Ele alegou problemas de saúde da sua filha pequena para justificar a decisão.
Assista à entrevista 

 

26
Ago20

Lula lamenta decisão do CNMP sobre Deltan: página de vergonha para o MP

Talis Andrade

 

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247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao resultado do julgamento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) nesta terça-feira (25) que arquivou um recurso de sua defesa para que três procuradores fossem punidos pela apresentação feita em 2016 com um PowerPoint para explicar a denúncia do Ministério Público no caso do triplex do Guarujá.

“Hoje percebi como um Conselho que foi criado enquanto eu era presidente, acreditando que poderia moralizar a Justiça, terminou por desmoralizá-la”, lamentou o ex-presidente. O processo foi julgado nesta terça após 42 adiamentos e depois que a defesa cobrou junto ao STF uma explicação sobre o atraso. O caso estava prestes a prescrever, em 13 de setembro.

Mesmo com um placar do plenário do CNMP favorável à abertura de um processo administrativo disciplinar contra Deltan Dallagnol, Roberto Pozzobon e Júlio Noronha (oito dos 11 integrantes do órgão votaram desta forma), a maioria entendeu, após uma longa discussão, que por conta do tempo as punições não poderiam mais ser aplicadas porque prescreveram.

“A decisão do CNMP, que sabe que Dallagnol é culpado, embora não tenha tido coragem de inocentá-lo, será uma página que ficará para a história como vergonha para o Ministério Público. O MP precisa compreender que toda responsabilidade que a legislação lhe deu em sua criação exige um comportamento exemplar, para merecer respeito da sociedade”, escreveu Lula ainda no Twitter.

“É uma pena que uma instituição que poderia ser tão nobre na prestação de serviço à sociedade brasileira seja empobrecida por alguns de seus membros”, completou.

20
Ago20

‘Se Dallagnol ganhar mais uma, o que restará do CNMP?’

Talis Andrade

 

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Dois processos disciplinares contra o procurador Deltan Dallagnol, eterno coordenador da autodenominada Operação Lava Jato, da Liga da Justiça da República de Curitiba, saíram da pauta do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na segunda-feira (17) as ações que tramitam no CNMP e poderiam afastar Dallagnol da função. O ministro Luiz Fux antecedeu o voto do decano do STF e suspendeu uma advertência imposta a Dallagnol pelo CNMP.

Para o jurista Lenio Streck, Dallagnol está usando todos os recursos “possíveis e inimagináveis” que sempre criticou que os outros fizessem.

“Ele está experimentando agora como é bom ter garantias a seu favor. E eu, como grande, parte da comunidade jurídica, sempre disse que ele tinha todo o direito de fazer tudo isso”, falou em entrevista à CNN.

No entanto, o jurista questiona: “se Deltan ganhar mais uma, o que restará do próprio CNMP?”

“A grande questão é saber neste momento, com a decisão de Luiz Fux e a de Celso de Melo, qual é o tamanho da desidratação do CNMP”, acrescentou.

E completou. “A questão é se, durante toda a Lava Jato, o modo de proceder da própria força-tarefa foi esse que o próprio Deltan está fazendo hoje para escapar de uma análise e até, quem sabe, de uma punição. Mostra exatamente um certo desdém pelas instituições”.

Confira a entrevista na íntegra de Lenio Streck a CNN Brasil clicando aqui.

 

 
 
 
 
 
14
Ago20

Para Dallagnol, os crimes da Lava-Jato são "equívocos"

Talis Andrade

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O procurador e coordenador do consórcio Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, admitiu - em um artigo publicado no jornal O Globo desta quinta-feira (13) - que a força-tarefa da operação cometeu “eventuais equívocos” durante as investigações, e que integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público planejam afastá-lo “compulsoriamente” sob a alegação de que o “interesse público” recomendaria sua saída.

Dallagnol chama de "equívocos" os crimes cometidos por três juízes e uma dezena de procuradores da autodenominada Lava- Jato, ou República de Curitiba, ou Liga da Justiça. 

Ser afastado não é punição, que coordenador de uma operação transitória não constitui cargo vitalício. Será que Dallagnol pretende permanecer como eterno coordenador? Ambicionava sair da coordenadoria para exercer o mandato de senador do Paraná. Parece que não contenta, falta tesão de continuar um simplório procurador, longe dos faróis da mídia. Longe dos palcos como bajulado conferencista regiamente pago. 

No mais, tirar o sofá da sala nunca foi punição, e sim o mais safado corporativismo.

“Eventuais equívocos da operação não significam que os procuradores praticaram ilícitos, pois é natural a divergência na interpretação de fatos e da lei”, escreve Dallagnol. “Nos termos em que parece estar sendo cogitado, o afastamento seria uma punição pelo trabalho contra a corrupção, tornaria letra morta a garantia de inamovibilidade de integrantes do Ministério Público e colocaria em xeque a própria credibilidade e independência da instituição”, diz ele em outro ponto do texto.

Os procuradores praticaram crimes, prenderam inocentes para arrancar delações. Uma indústria de delações que enriqueceu advogados, inclusive parentes e aderentes da corriola da Lava -Jato. Puniram inocentes sem provas. Alguns procuradores comeram propinas. Vide delações dos traficantes de moedas Tacla Duran, Dario Messer. Idem escutas ilegais e vazamentos seletivos. Que se faça justiça nos estranhos casos de delegados dissidentes. 

A Lava-Jato destruiu a Economia do Brasil, levou à falência as principais empresas do país, com a perda de milhões de empregos. 

Com a invasora ajuda dos serviços de inteligência estrangeira atentou contra a soberania nacional, participou do golpe contra a presidente Dilma Roussef, da posse de Michel Temer, da eleição de Jair Bolsonaro. 

Promoveu a posse de dois presidentes entreguistas, que transformaram o Brasil potência mundial do BRICS em país dependente, quintal do império, republiqueta de bananas. O Brasil retornou ao Terceiro Mundo.

Para Dallagnol, “o que existiram foram narrativas criadas para atacar a operação, distorcendo fatos e normas. Desde o início da Lava-Jato, investigados, réus e seus aliados, irresignados com a perspectiva de punição e sem sucesso em questionamentos perante o Poder Judiciário, tentaram utilizar o Conselho Nacional do Ministério Público como palco para retaliação ou para frear as apurações”. 

"Narrativas criadas, distorcendo fatos e normas", que começaram com o espetáculo de um powerpoint para prender o candidato a presidente Lula da Silva em 2018, para que não concorresse as eleições que elegeram presidente e vice-presidente, governadores e senadores da extrema direita.  

CNMP é um conselho corporativista. Quantos procuradores foram punidos desde sua criação? A Lava-Jato uma procuradoria paralela, o lado B, uma gangue, uma organização criminosa na classificação do ministro Gilmar Mendes. 

 

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07
Ago20

Juristas avaliam que condenações da Lava Jato podem ser canceladas

Talis Andrade

 

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“A lava jato burlou todas as regras do processo legal, penal e constitucional”, explica Tânia de Oliveira, da Associação de Juristas pela Democracia

por Igor Carvalho

- - -

Irregularidades da Lava Jato podem levar à anulação das condenações produzidas a partir de investigações da operação. A avaliação é de juristas brasileiros, e dialogam com recentes críticas feitas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, sobre a conduta “incompatível” da força tarefa.

Não é segredo que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-ministro Sérgio Moro se tornaram inimigos políticos. E desde que o ex-magistrado foi exonerado do cargo, a Lava Jato se tornou um alvo comum do presidente, de seus filhos e de outros membros do governo. Agora, foi a vez do chefe do Ministério Público Federal (MPF), Augusto Aras, criticar publicamente a operação.

“Não podemos aceitar 50 mil documentos sob opacidade. É um estado em que o PGR não tem acesso aos processos, tampouco os órgãos superiores, e isso é incompatível. Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos”, afirmou Aras, durante uma transmissão ao vivo do grupo Prerrogativas nas redes sociais.

Em outro momento, o PGR afirmou que “em todo o MPF [Ministério Público Federal] no seu sistema único tem 40 terabytes. Para o funcionamento do seu sistema, a força-tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas com seus dados depositados, que ninguém sabe como foram escolhidos.”

Para Fernando Hideo, jurista e advogado criminalista, caso a conduta dos procuradores da Lava Jato seja condenada, processos e sentenças produzidos no âmbito da operação podem ser anulados.

“O principal é que os processos penais e as condenações injustas, produzidas no âmbito dessa operação, todos os processos e condenações devem ser anulados. Todos os agentes que aturam contrários a Constituições, devem ser punidos, mas é importante que os processos sejam anulados”, explica Hideo.

Tânia Maria Saraiva de Oliveira, da coordenação executiva da ABDJ (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia), concorda que irregularidades da Lava Jato podem levar à anulação de condenações.

“A Lava Jato burlou, durante seis anos, todas as regras do processo legal, penal e constitucional. O trabalho feito pelo [Deltan] Dallagnol é lamentável, ele presta um desserviço para a credibilidade do sistema de Justiça. Tudo que está acontecendo hoje, essa briga do Aras com a Lava jato, tem um fundo político porque corresponde a disputa de Jair Bolsonaro com Sérgio Moro. Mas, na verdade, todas as irregularidades que são apontadas pelo Augusto Aras, foram efetivamente cometidas pela Operação Lava Jato.”

Ainda de acordo com Hideo, o chefe da Operação Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, e sua equipe podem responsabilizados na Justiça por possíveis ilegalidades cometidas durante a investigação.

“Os procuradores da República que atuaram na Lava Jato devem ser responsabilizados pela atuação na operação, em todas as esferas da Justiça. A condução desses procuradores não infringiu apenas as normas do Ministério Público, isso deve ter impacto na esfera cível e criminal”, finaliza Hideo.

De acordo com a CNN Brasil, um dos integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) revelou que oito dos onze conselheiros do órgão são favoráveis ao afastamento de Dallagnol da Lava Jato. O pedido de remoção do procurador foi feito pela senadora Kátia Abreu (TO).

“Passou da hora do Conselho Nacional do Ministério Público afastar Deltan Dallagnol da frente dessa operação, se é que existe algum motivo para a Lava Jato existir. Não é mais possível que ele continue à frente dessa investigação depois de tantas denúncias”, defende Tânia Oliveira.

 

 

04
Ago20

Reinaldo Azevedo: “Que dúvida! Fachin é mesmo de Dallagnol”

Talis Andrade

 

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247 - “Em junho de 2015, Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato de Curitiba, manteve um encontro com Edson Fachin, relator do petrolão no Supremo. Na sequência, enviou uma mensagem para seus pares pelo Telegram, conforme reportagem do The Intercept Brasil em parceria com a Veja: ‘Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso’. Que dúvida! Fachin é mesmo de Dallagnol”, escreve o jornalista Reinaldo Azevedo. 

Quando Fachin decide cassar a liminar concedida por Dias Toffoli que impunha o compartilhamento dos dados das “secursais” da Lava Jato com a Procuradoria Geral da República, Reinaldo afirma que ele “engrolou uma cascata de suposto rigor técnico para que tudo continue como está: a triunfar a vontade do ministro, cada uma das forças-tarefa continuará a ser um bunker de segredos, com milhares de pessoas e empresas investigadas, sem que se conheçam os critérios que determinaram o que, tudo indica, é uma devassa sem precedentes alcançando cidadãos, políticos e empresas”.

“Fachin fez rigorosamente o que eu esperava que fizesse: a coisa errada! É chefe do reacionarismo penal na Corte e o líder da banda punitivista, com seu ar entre o sacristão e o chefe de cadeia. O homem resolveu devolver às forças-tarefa o destino do Brasil — o mau destino. O buraco a que nos conduziu a Lava Jato ainda é pouco para ele e para o tal grupo "Muda Senado". O conjunto da obra é uma vergonha”, acrescenta o jornalista. “E quem é o dono desses segredos? O Estado brasileiro? Não! As forças-tarefa, que não têm existência legal”, conclui.

Reinaldo ainda destaca ao longo do texto que “a campanha de Moro à Presidência já foi lançada na Internet pelos moromínions. É preciso saber se ministros do STF escolherão a lei ou se comportarão como cabos eleitorais. Fachin já fez sua escolha”.

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24
Jul20

Abram as gavetas com os segredos da fundação de Dallagnol

Talis Andrade

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por Moisés Mendes

- - -

O levantamento que a Procuradoria-Geral da República está fazendo nos arquivos da Lava-Jato em Curitiba deve ser completo e esclarecer um ponto ainda obscuro: o que Sergio Moro sabia do plano filantrópico- empresarial de Deltan Dallagnol de gerir R$ 2,5 bilhões da Petrobras numa fundação misteriosa?

Moro dava ordens a Dallagnol e ratificava todas as decisões tomadas pelos procuradores. O ex-juiz sabia do projeto benemerente anticorrupção, mesmo tendo saído antes da homologação do acordo para que a fundação fosse criada com os bilhões da estatal?

Por que Moro, que ficou cinco anos na Lava-Jato, sempre mandando em Dallagnol, como mostraram as conversas divulgadas no ano passado pelo Intercept, passou para sua substituta, Gabriela Hardt, a tarefa de homologar o acordo que iria transferir o dinheiro da empresa para uma conta da fundação que nem existia ainda?

Por que Moro deixou a 13ª Vara de Curitiba em janeiro de 2019, para ser ministro de Bolsonaro e cumprir o acordo feito com o sujeito durante a campanha, e transferiu uma tarefa grandiosa para uma juíza provisória, que assinou o acordo logo depois, em março?

Por que o ex-juiz não assinou o acordo, formalizado apenas dois meses após a sua saída, se ele mantinha controle absoluto sobre tudo o que acontecia na sua Vara e no Ministério Público, como se fosse o chefe de fato de Dallagnol?

Uma pergunta que se repete é perturbadora: Dallagnol escondeu de Moro o acordo que acabaria criando constrangimentos no MP, por causa das dúvidas sobre a real intenção do procurador? O ex-juiz só ficou sabendo da fundação depois que saiu, ou fez vista grossa e foi embora? 

Os servidores da PGR agora encarregados de fazer o levantamento das ações da Lava-Jato em Curitiba devem buscar também essas respostas.

E, se possível, devem apresentar os indícios da omissão de Moro em relação ao acordo que Raquel Dodge, ex-chefe de Dallagnol, conseguiu desfazer, com decisão ratificada depois no Supremo pelo ministro Alexandre de Moraes.

Dallagnol nunca foi investigado, e a fundação é até hoje um dos grandes mistérios da Lava-Jato. A ideia bilionária de Dallagnol não pode ser tratada como normalidade.

A própria PGR denunciou a irregularidade do projeto, ignorado pela corregedoria do Ministério Público. Nada se sabe sobre sócios gestores, formato da fundação, aplicação da dinheirama, missão, compromissos. Nada. Tudo é genérico.

A PGR não pode ter ido a Curitiba apenas para descobrir o que todo mundo sabe sobre delações suspeitas, arrancadas de investigados submetidos a prisões preventivas intermináveis.

Só os envolvidos no plano aceitam que a fundação do procurador do PowerPoint possa ser um mistério para sempre. A PGR precisa abrir as gavetas reais e virtuais onde esconderam os segredos do projeto bilionário de Dallagnol.

 

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