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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Fev21

PowerPoint foi feito em meio a ironias na Lava Jato e Dallagnol escreveu: 'Tá ficando shou'

Talis Andrade

Deltan Dallagnol

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247 - Em nova petição apresentada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quarta-feira (17), um diálogo de procuradores da Operação Lava Jato em grupo no aplicativo de mensagens Telegram mortra claramente: a apresentação em PowerPoint de Dallagnol contra Lula, que se tornou um dos símbolos da Lava Jato, foi elaborada pelos procuradores em clima de deboche e ironias. Deltan Dallagnol escreveu, em 13 de setembro de 2016, véspera da famosa coletiva de imprensa, entre risos: "Tá ficando shou".

As mensagens foram obtidas pela defesa de Lula no âmbito da Operação Spoofing, responsável por investigar o acesso a celulares dos procuradores da Lava Jato. O teor das conversas foi publicado em reportagem do portal Uol.

Em 13 de setembro de 2016, o procurador Deltan Dallagnol escreveu: "melhor não usarmos a imagem do Lula, mas um quadrado escrito LULA simplesmente". "Ou uma imagem de pessoa como as demais do gráfico, e embaixo LULA. Tá ficando shou", disse.

A denúncia envolveria o tríplex no Guarujá e foi apresentada à imprensa no dia seguinte, 14 de setembro de 2016. Dallagnol chegou a dizer que Lula seria "o comandante máximo" de esquemas de corrupção e pelo diagrama no PowerPoint.

Sobre o uso da imagem de Lula na apresentação, um interlocutor identificado como "Douglas Prpr" disse, em 13 de setembro, que, durante a criação do gráfico, a foto fora incluída como uma brincadeira "só para tirar onda. Já falei que não podemos deixar". Na sequência, Deltan escreveu "kkk". 

No dia seguinte, após a repercussão do anúncio da denúncia, Douglas escreveu: "as bolinhas fizeram sucesso...". Deltan respondeu com um novo "kkk".

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O ex-presidente Lula foi condenado sem provas no processo do triplex em Guarujá, acusado de ter recebido um apartamento como propina da OAS. 

No ano passado foi divulgada um documento mostrando que a consultoria Alvarez & Marsal (EUA) apareceu na Lava Jato, em 2017, numa petição da defesa de Lula, com documentos comprovando o tríplex como imóvel de propriedade da OAS e não do petista. 

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08
Set20

CNMP aplica censura a Dallagnol por posts contra Renan Calheiros

Talis Andrade

 

Todos esquecem que a família Dallagnol possui latifúndios na Amazônia, e preferia um senador que bem representa o agronegócio na floresta.  Renan Calheiros é das Alagoas. Deltan, uma raposa que já nasceu velha. 

Escreve Tiago Angelo: 

Cabe aos membros Ministério Público zelar pela lisura dos processos eleitorais, sendo esperada da instituição postura isenta. Assim, os integrantes do parquet não podem se manifestar a favor ou contra determinado candidato ou partido político.

Com base nesse entendimento, o Conselho Nacional do Ministério Público, por maioria, aplicou pena de censura ao procurador Deltan Dallagnol por publicações contra o senador Renan Calheiros. A decisão foi proferida nesta terça-feira (8/9)

O CNMP entendeu que as manifestações de Dallagnol buscaram interferir nas eleições para a presidência do Senado, que ocorreram em 2019, ultrapassando os limites da simples crítica e da liberdade de expressão. 

O relator do caso foi o conselheiro Otavio Luiz Rodrigues Jr. Seguiram o voto condutor os conselheiros Oswaldo D'Albuquerque; Sandra Sandra Krieger; Fernanda Marinela; Luciano Nunes; Marcelo Weitzel; Sebastião Caixeta; Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho; e Reinaldo Reis. 

Apenas o conselheiro Silvio Roberto Oliveira de Amorim Junior divergiu. Segundo ele, o caso já foi apreciado pela Corregedoria do MPF. Assim, a reapreciação configuraria bis in idem.

"Reduzir esse caso a um debate sobre liberdade de expressão é ignorar os imensos riscos à democracia quando se abrem as portas para agentes não eleitos, vitalícios e inamovíveis, disputarem espaços, narrativas e o poder com agentes eleitos. Nada impede que os primeiros deixem o conforto dos seus cargos públicos e entrem na arena partidária, disputando votos, espaços na mídia, sem a proteção reputacional que a toga e a beca quase sempre emprestam. Não é possível ser titular da ação penal e, ainda assim, ser um político", afirmou o relator em seu voto. 

Segundo o conselheiro, além de Dallagnol interferir na eleição para a presidência do Senado, afirmando que, se Calheiros vencesse, dificilmente o Brasil teria uma reforma contra a corrupção, o procurador alavancou uma campanha contra o sistema de votação fechado, dizendo que o pleito deveria ser aberto para que todos soubessem quem votou em Calheiros.

"Um membro do MP se sentiu no direito de interferir no processo eleitoral do Senado. Ele incentivou uma campanha contra o sistema de votação da câmara alta do parlamento, em seus atos internos, sob o argumento de que agir contrariamente equivaleria a fomentar a corrupção no país. O membro violou o dever funcional de guardar decoro pessoal, previsto no artigo 236, inciso X, da Lei Complementar 75", disse Rodrigues. 

O conselheiro também destacou que, ao atacar um senador da República, Dallagnol acabou por atacar todo o Poder Legislativo, violando o direito à integridade moral de terceiro e a imagem moral do parlamento. 

A penalidade de censura é a segunda mais branda aplicada pelo Conselho, depois da advertência, que é apenas uma admoestação por escrito. A censura atrasa a progressão na carreira e serve de agravante em outros processos no CNMP. Além dessas sanções, os procuradores também podem ser punidos com suspensão, demissão ou cassação da aposentadoria.

Postergação

Crítico feroz da prescrição, Dallagnol quase se beneficiou, mais uma vez, dela. Isso porque pois a pretensão punitiva referente à pena de censura iria prescrever já nesta quinta-feira (10/9). Ainda assim, a defesa não poupou tentativas para postergar a apreciação do caso no CNMP. 

Foi solicitada, por exemplo, a anulação da decisão que instaurou o processo administrativo disciplinar (PAD). A defesa do procurador alegou violação ao direito de defesa, afirmando que não teve acesso aos votos de dois conselheiros que divergiram sobre a abertura do PAD. 

Em seu relatório, Rodrigues destacou que nenhum direito foi violado e que a defesa sabe que não há registro por escrito dos votos divergentes. Também ressaltou que as manifestações dos dois conselheiros, que não fazem mais parte do CNMP, podem ser encontradas por qualquer pessoa no Youtube, uma vez que as sessões ficam disponibilizadas na plataforma.

"Quanto à questão da juntada de votos de dois conselheiros, deixei evidente que não há votos escritos. Em qualquer circunstância, não haveria lastro para o acolhimento da preliminar de nulidade", disse. 

O relator também rejeitou o argumento de que o CNMP não poderia julgar o PAD, levando em conta que em 2019 o corregedor Oswaldo Barbosa Silva arquivou uma representação contra Dallagnol formulada por cidadão comum. Segundo Rodrigues, há competência concorrente para a instauração de processo disciplinar em face de procuradores.

"Não se pode esquecer que a criação do CNJ e do CNMP deu-se em larga medida como efeito de uma sensação social de generalizada impunidade de membros do Judiciário e do MP, favorecida por órgãos correicionais ineficientes, desorganizados e muitas vezes coniventes. Retardo na apuração de fatos, prescrição de pretensões punitivas, informações desencontradas sobre a mesma situação de fato, que é descrita de maneira diferente ou contraditória pelo mesmo órgão, quando instado a se manifestar diante de outras instituições, compadrio entre colegas de carreira, eis apenas uma amostra que levou ao descrédito do antigo sistema de sindicabilidade dos atos funcionais de juízes e membros do MP. Refazer o trabalho que é mal concluído ou mal feito pelas corregedorias é um dos trabalhos mais importantes do CNMP", disse o relator. 

Em 18 de agosto, atendendo a um pedido da defesa de Dallagnol, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar para determinar a suspensão desse processo contra Dallagnol no CNMP.

A decisão valeu-se basicamente de três pilares: respeito ao devido processo legal; vedação do bis in idem; e princípios da independência funcional e do promotor natural.

No último dia 4, entretanto, o ministro Gilmar Mendes, também do STF, derrubou os efeitos da decisão de Celso de Mello. Foi a determinação de Mendes que possibilitou ao CNMP a julgar nesta terça o processo contra Dallagnol. 

Recentemente, em 25 de agosto, Dallagnol se beneficiou da prescrição. O CNMP decidiu não abrir processo administrativo disciplinar no caso do PowerPoint, quando o procurador acusou publicamente Lula de chefiar organização criminosa. 

A apreciação do caso foi adiada 42 vezes. Embora tenha se livrado de eventuais punições, Dallagnol não saiu incólume, uma vez que os conselheiros o proibiram de se valer de equipamentos, instalações e recursos do MPF para fins políticos. 

1.00982/2019-48
Clique aqui para ler o relatório

19
Ago20

CNMP protege vergonhosamente os crimes e ilegalidades de Dallagnol

Talis Andrade

 

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247 - O deputado federal Paulo Pimenta foi à tribuna da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (18) para denunciar a proteção "vergonhosa" do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em relação à conduta do procurador e coordenador da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol.

Pimenta lembrou que por 40 vezes o CNMP retirou da pauta, assim como nesta terça, pela 41ª vez, o julgamento de Dallagnol pelo famoso PowerPoint acusatório contra o ex-presidente Lula e alertou que o caso prescreve no próximo mês.

"Venho a essa tribuna para mais uma vez denunciar um fato do nosso ponto de vista inaceitável, revelador da seletividade, impunidade, a maneira como o Conselho Nacional do Ministério Público e outros órgãos do sistema de Justiça protegem crimes e ilegalidades cometidas por procuradores da chamada Operação Lava Jato, em especial pelo doutor Deltan Dallagnol. Há quatro anos foi aquela famosa entrevista coletiva do PowerPoint. Na mesma semana a defesa do ex-presidente Lula fez uma representação no CNMP com um pedido de liminar. Por incrível que pareça, por mais inacreditável que seja, este tema entrou na pauta do CNMP para julgamento 40 vezes, 40 vezes a defesa se organizou, os advogados estiveram a postos e foi retirado da pauta. Em 40 oportunidades. Em 14 de setembro o assunto prescreve", disse Paulo Pimenta.

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14
Ago20

Para Dallagnol, os crimes da Lava-Jato são "equívocos"

Talis Andrade

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O procurador e coordenador do consórcio Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, admitiu - em um artigo publicado no jornal O Globo desta quinta-feira (13) - que a força-tarefa da operação cometeu “eventuais equívocos” durante as investigações, e que integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público planejam afastá-lo “compulsoriamente” sob a alegação de que o “interesse público” recomendaria sua saída.

Dallagnol chama de "equívocos" os crimes cometidos por três juízes e uma dezena de procuradores da autodenominada Lava- Jato, ou República de Curitiba, ou Liga da Justiça. 

Ser afastado não é punição, que coordenador de uma operação transitória não constitui cargo vitalício. Será que Dallagnol pretende permanecer como eterno coordenador? Ambicionava sair da coordenadoria para exercer o mandato de senador do Paraná. Parece que não contenta, falta tesão de continuar um simplório procurador, longe dos faróis da mídia. Longe dos palcos como bajulado conferencista regiamente pago. 

No mais, tirar o sofá da sala nunca foi punição, e sim o mais safado corporativismo.

“Eventuais equívocos da operação não significam que os procuradores praticaram ilícitos, pois é natural a divergência na interpretação de fatos e da lei”, escreve Dallagnol. “Nos termos em que parece estar sendo cogitado, o afastamento seria uma punição pelo trabalho contra a corrupção, tornaria letra morta a garantia de inamovibilidade de integrantes do Ministério Público e colocaria em xeque a própria credibilidade e independência da instituição”, diz ele em outro ponto do texto.

Os procuradores praticaram crimes, prenderam inocentes para arrancar delações. Uma indústria de delações que enriqueceu advogados, inclusive parentes e aderentes da corriola da Lava -Jato. Puniram inocentes sem provas. Alguns procuradores comeram propinas. Vide delações dos traficantes de moedas Tacla Duran, Dario Messer. Idem escutas ilegais e vazamentos seletivos. Que se faça justiça nos estranhos casos de delegados dissidentes. 

A Lava-Jato destruiu a Economia do Brasil, levou à falência as principais empresas do país, com a perda de milhões de empregos. 

Com a invasora ajuda dos serviços de inteligência estrangeira atentou contra a soberania nacional, participou do golpe contra a presidente Dilma Roussef, da posse de Michel Temer, da eleição de Jair Bolsonaro. 

Promoveu a posse de dois presidentes entreguistas, que transformaram o Brasil potência mundial do BRICS em país dependente, quintal do império, republiqueta de bananas. O Brasil retornou ao Terceiro Mundo.

Para Dallagnol, “o que existiram foram narrativas criadas para atacar a operação, distorcendo fatos e normas. Desde o início da Lava-Jato, investigados, réus e seus aliados, irresignados com a perspectiva de punição e sem sucesso em questionamentos perante o Poder Judiciário, tentaram utilizar o Conselho Nacional do Ministério Público como palco para retaliação ou para frear as apurações”. 

"Narrativas criadas, distorcendo fatos e normas", que começaram com o espetáculo de um powerpoint para prender o candidato a presidente Lula da Silva em 2018, para que não concorresse as eleições que elegeram presidente e vice-presidente, governadores e senadores da extrema direita.  

CNMP é um conselho corporativista. Quantos procuradores foram punidos desde sua criação? A Lava-Jato uma procuradoria paralela, o lado B, uma gangue, uma organização criminosa na classificação do ministro Gilmar Mendes. 

 

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22
Out19

Vaiado, Dallagnol passa vergonha e é humilhado em palestra sobre ética

Talis Andrade

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Procurador tentou falar para empresários na Associação Médica do Rio Grande do Sul, mas foi interrompido por uma longa e estrondosa vaia da plateia e não conseguiu concluir a palestra

Deltan Dallagnol já começa a sentir os efeitos provocados pelas denúncias da Vaza Jato, reveladas pelo site The Intercept Brasil, principalmente, em uma das atividades as quais o procurador chefe da força-tarefa da Lava Jato mais gosta: suas palestras.

Neste sábado (19), em Porto Alegre (RS), Dallagnol passou vergonha e humilhação. Ele tentou falar sobre ética para empresários na Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS). No entanto, foi interrompido por uma longa e estrondosa vaia da plateia. Com isso, ele não conseguiu concluir sua fala.

Valeu a vaia para começo de uma nova carreira: pega o safado, pega o hipócrita, pega o farsante, pela o malandro, pega o justiceiro, pega o chefe da organização criminosa (definiu Gilmar Mendes), pega o esperto tesoureiro da fundação lava mais branco, que teve um depósito de 2,5 bilhões desviados da Petrobras.

Ninguém jamais tirou tanto dinheiro da Petrobras. Nenhum presidente da Petrobras teve tanta ousadia. Nenhum diretor da empresa chegou perto do rombo de Dallagnol. O dinheiro foi depositado no dia 30 de janeiro deste ano na Caixa Econômica Federal de Curitiba. Que o BanEstado os ladrões do PSDB fecharam num grande assalto.

Informa a revista Fórum: A Vaza Jato já revelou que um dos projetos pessoais do procurador era enriquecer dando palestras sobre combate à corrupção e ética nas empresas. Além disso, também pretendia agenciar outros agentes públicos a fazer o mesmo, como colegas do Ministério Público e o ex-juiz Sérgio Moro.

Além disso, diálogos comprometedores vazados e divulgados pelo The Intercept e outros veículos parceiros mostraram que o procurador manipulava para denunciar o ex-presidente Lula com nítidos objetivos de impedi-lo de disputar as eleições de 2018.

 

 

21
Out19

Dallagnol não pode ser premiado

Talis Andrade

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Por Tereza Cruvinel
 
Ao invés de ser punido pelos muitos crimes cometidos como chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol pode ser premiado com uma promoção a procurador regional da República. Carbonizado pelas revelações da Lava Jato, em que aparece violando o devido processo legal, conspirando com Sérgio Moro para a condenação e prisão de Lula com claros objetivos políticos, e planejamento o próprio enriquecimento às custas da notoriedade obtida na operação, Dallagnol tem prazo até o final do dia de hoje para aceitar a “boia de salvação” que lhe está sendo oferecida.
 
Tendo ingressado na carreira em 2003, Deltan é um dos procuradores aptos a ocupar uma das 10 vagas de procurador regional da República, figura que atua junto aos tribunais regionais federais, a segunda instância da Justiça Federal. Para isso, ele deverá externar sua anuência até o final do dia. Homologada a promoção na reunião do Conselho Superior do Ministério Público no dia 5 de novembro, ele terá que deixar logo o comando da Lava Jato em Curitiba e optar por uma vaga em Porto Alegre (onde atuaria junto ao TRF-4, segunda instância da Lava Jato) ou em Brasília.

Dizem que ele resiste mas não é crível que esteja subestimando a própria situação. A outra opção será a remoção “de ofício” do comando da força-tarefa, pelo procurador-geral ou por ordem do STF, por conta dos ilícitos cometidos. Uma saída humilhante, que implicaria também na obrigação de responder a processos disciplinares junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, ou até mesmo na Justiça.

Se o arranjo da promoção vingar, estaremos assistindo mais uma vez ao triunfo da impunidade. A premiação será indulgência grande demais para quem fez tanto mal ao Brasil. À frente da Lava Jato Deltan Dallagnol não apenas atentou contra as leis e a Constituição, como contribuiu fortemente, talvez decisivamente, para a semeadura do ódio e para a criminalização da política, que foi tão nefasta à nossa democracia (ajudando a eleger o falso “anti-sistema” Bolsonaro). Sem Dallagnol e sua cruzada, a Lava Jato não teria sido santificada no imaginário popular como a luta do bem contra o mal, criando o ambiente em que tudo lhe foi permitido em nome do combate à corrupção, ambiente em que até o STF foi complacente com os crimes da Lava Jato. “Fomos cúmplices desta gente”, admitiu recentemente o ministro Gilmar Mendes.

Sem Dallagnol, as empresas brasileiras de infra-estrutura que foram investigadas pela Lava Jato (enquanto as estrangeiras eram deixas em paz) não estariam agora indo à falência, como a Odebrecht, que já foi a uma das mais bem sucedidas transnacionais brasileiras, empregando milhares de pessoas e realizando obras de grande envergadura aqui e no exterior.

Sem Dallagnol, Bolsonaro não teria sido eleito, pois que só o foi porque Moro condenou Lula sem provas e em prazo recorde, proeza repetida também pelo TRF-4, de modo a lhe imputar a inelegibilidade e vedar sua candidatura a presidente, que seria vitoriosa, segundo todas as pesquisas da época. Mas quem correu com a denúncia, mesmo sabendo da fragilidade da acusação no caso do tríplex do Guarujá, foi Dallagnol.

Ele, portanto, é um dos maiores culpados por toda a devastação que tomou conta do Brasil, na política, na economia e na vida social. E além disso, cometeu graves transgressões éticas, desonrando o cargo que ocupa com as maquinações para ganhar dinheiro fazendo palestras sobre a Lava Jato, inclusive para bancos que deveram ter sido investigados e foram poupados.

Mas, tudo indica, ele será premiado, pelo menos neste primeiro momento. Como o Brasil há de sair deste torpor em que foi mergulhado, se houver justiça, mais adiante Dallagnol há de chamado a prestar contas de tudo o que fez.
 

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Foi colega de doutorado da ministra Damares

25
Ago19

Dallagnoll e a máscara da filantropia

Talis Andrade
 

Só nos contratos que aparecem em mensagens do Telegram – reveladas pelo The Intercept e publicadas pela Folha– Deltan Dallagnoll, coordenador da Lava Jato, faturou R$ 580 mil não destinados, como ele sempre alegou, a entidades filantrópicas. Certamente há outros, que não foram transmitidos em mensagens ou, talvez, sequer registrados em recibos.

A atividade de palestras remuneradas do procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, passou por mudanças contratuais para deixar de ter a filantropia como principal destino dos valores.
Ele começou a focar o meio empresarial e arrecadou ao menos R$ 580 mil a partir de 2017, apontam diálogos e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados em conjunto com a Folha.
Mensagens, planilhas, recibos e contratos que circularam no aplicativo Telegram de Deltan indicam um contraste entre os argumentos da defesa apresentada por ele à Corregedoria do Ministério Público em junho de 2017, que levaram ao arquivamento de uma reclamação disciplinar, e a conduta do procurador em relação às palestras a partir daquele ano.

Dallagnol dá como desculpa uma suposta reserva de R$ 184 mil “que diz reservar para fazer investimentos futuros em ações de combate à corrupção”, segundo suas justificativas.

Como é? Então qualquer pessoa que não tenha explicações sobre a sua renda pode dizer que tem “uma reserva” informal para investir “em ações de combate à corrupção”? Uma “caixinha” pela moralidade?

A exploração de prestígio de Dallagnol, já mais que provada pelas mensagens anteriores, agora revela também que se destinava a formar um fundo clandestino, uma espécie de “caixa 2” de uma suposta ética que é mais que imoral, é uma violação das regras de comportamento de autoridades públicas.

Não há mais como o Conselho Nacional do Ministério Público fugir de uma punição disciplinar a Dallagnoll. Uma, dentre as muitas que merece por ter, deliberada e repetidamente, violado todas as normas de conduta.

dallagnol as meninas as esposas abream as empresas

 

15
Ago19

Deltan não poupou nem os próprios colegas procuradores das suas trapaças

Talis Andrade

deltan holiday e bolsonaro

              

Deltan Dallagnol, o trapaceiro que usou o cargo de procurador da República para praticar crimes e satisfazer suas ambições pessoais e de poder, está totalmente desmascarado.

As mensagens do Intercept oferecem características suficientes para se traçar um perfil consistente e completo – psicológico, sociológico e ideológico – deste embusteiro de traços messiânicos que empregava um discurso falso-moralista em proveito próprio e, simultaneamente, em benefício de um projeto fascista de poder.

O cardápio de trapaças do Deltan é bastante diversificado. Abarca desde desvio funcional, prevaricação e fraude processual até ilegalidades, farsas jurídicas e formação de quadrilha.

O que as mensagens do Intercept também demonstram é que Deltan, um trapaceiro total e em tempo integral, não poupou nem mesmo os próprios colegas das suas trapaças.

Em 20 de outubro de 2016, depois de conter o ego e acatar o conselho do “Assessor 1” de imprensa para não participar de solenidade do Fórum de Liberdade e Democracia, do direitista Instituto de Formação de Líderes de São Paulo [IFL], na qual os “leprosos” Jair Bolsonaro e Fernando Holiday estariam presentes, Deltan sacanamente pediu que o colega Roberto Livianu o representasse para receber a homenagem.

deltan pede a livianu para substituí-lo

Livianu, outro personagem cuja vaidade é infinitamente superior à estatura intelectual e profissional, e sem ser informado por Deltan das presenças “leprosas”, aceitou representá-lo no evento.

Livianu

Envaidecido, depois da cerimônia um orgulhoso Roberto Livianu publicou o seguinte tweet: “Prêmio Liberdade 2016 do IFL para a Força-Tarefa do MPF na Lava Jato. A pedido de Deltan compareci honrado para receber em nome dos colegas.

O que Roberto Livianu não sabia, entretanto, é que Deltan o fez de tolo; soube tirar proveito da vaidade do perfumado, paulista e branco promotor.

Tempos depois, quando Livianu encaminhou a “honraria” a Curitiba pelas mãos do Roberson Pozzebon, o Robito, sócio do Deltan no lucrativo mercado de palestras, um debochado Deltan fez chacota de Livianu com seus colegas no Telegram: “Prêmio bonitão heim??? Esse é aquele em que ele [ele é Roberto Livianu, feito de tolinho] nos representou quando cancelei a ida para SP porque é um instituto liberal e estariam lá Bolsonaro e outros radicais de direita… guiness!! Kkkk kkkk”.

deltan faz chacota de livianu

Deltan, assim como seu chefe e comparsa Sérgio Moro, só sobrevivem porque, se eles caem, cai a casa da oligarquia e cai também a casa do governo miliciano.

12
Ago19

O procurador sem escrúpulos: Dallagnol é um compulsivo por dinheiro

Talis Andrade

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POR MOISÉS MENDES

O procurador Deltan Dallagnol é um compulsivo por dinheiro e enriquecimento. Nessas últimas conversas divulgadas hoje por Reinaldo Azevedo, a personagem é uma emissária da XP Investimentos, que convida Dallagnol para uma palestra confidencial em maio do ano passado.

E o que Dallagnol quer logo saber? Se tem grana, sem tem cachê, porque o procurador é movido a cachê.

Hoje, ouvi Dallagnol dando entrevistas, sempre com a conversa da moralidade religiosa. E depois li as mensagens escabrosas trocadas com a moça da XP. É repulsivo, asqueroso, é imundo.

Dallagnol era informante de “conjuntura” do que acontecia em Curitiba, para que os banqueiros pudessem se programar. Um procurador, chefe da força-tarefa destinada a caçar corruptos, dava palestras para banqueiros sobre o que eles deveriam saber do andamento da operação comandada por Sergio Moro.

(Os banqueiros achavam que Dallagnol comandava tudo, quando o comandante era o juiz. O procurador enganava os banqueiros, como se liderasse tudo, e ainda ganhava por isso.)

A promiscuidade era tão grande que a própria emissária da XP esclarece que tudo seria confidencial, em voz baixa, para que os banqueiros e Dallagnol se sentissem à vontade. Os encontros eram tão secretos (teve um com Luiz Fux) que não saía uma linha na imprensa.

Quando a emissária de um setor da especulação financeira liga para um procurador federal e fala daquele jeito é porque assim os donos do dinheiro percebem as autoridades. Como indivíduos disponíveis para serem usados à vontade pelo poder financeiro.

Dallagnol era visto apenas como um prestador de serviços. A moça falava com um procurador como se tratasse da palestra de um consultor do mercado. E por quê? Porque a emissária, que se chama Débora Santos, sabia com quem estava lidando.

Débora é mulher do procurador Eduardo Pelella, que foi chefe de gabinete de Rodrigo Janot. A mulher de um procurador trabalha como consultora da área judiciária para os banqueiros e chama outro procurador amigo para que preste serviços aos seus chefes.

É nojento. Dallagnol é um sujeito sem escrúpulos. Tão sem escrúpulos que, ao conversar por mensagens com o colega Roberson Pozzobon sobre as palestras secretas, avalia o risco de ser visto ao lado de banqueiros e afirma: “Achamos que há risco sim, mas que o risco tá bem pago rs”.

Muito bem pago. Com direito a risos dos canalhas.

 

01
Ago19

Não houve eleição e não há presidente

Talis Andrade

O que vimos foi simplesmente um processo sem condição alguma de preencher critérios básicos de legitimidade. Ou seja, uma farsa

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Desde que a opinião pública brasileira descobriu a natureza das mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol ficou claro que não houve nada parecido a eleições minimamente legítimas no ano de 2018. O que vimos foi simplesmente um processo sem condição alguma de preencher critérios básicos de legitimidade. Ou seja, uma farsa, mesmo para os padrões elásticos da democracia liberal.

Como todos sabem, as mensagens demonstraram algo cuja descrição correta só pode ser uma rede de corrupção envolvendo membros do poder judiciário. Pois é corrupção do estado toda ação feita tendo em vista a distorção de procedimentos legais para benefício próprio. O sr. Moro e seus asseclas utilizaram dinheiro público como se fosse privado (no caso do pedido do sr. Dallagnol para uso de 38.000 reais da 13ª Vara para o pagamento de campanha publicitária), aproveitaram-se financeiramente da condição de servidores públicos com informações privilegiadas (ao, em meio a processo envolvendo alguns dos maiores agentes econômicos nacionais, serem pagos em palestras milionárias), tentaram tomar para si a gestão de 2,5 bilhões de reais da Petrobras por meio da criação de uma fundação privada: tudo em nome ao combate à corrupção.

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Como se isto não bastasse, o sr. Moro foi flagrado “melhorando provas”, agindo juntamente com procuradores para fazer do julgamento de um dos mais importantes casos da política brasileira uma simples encenação. Pois todos, independente de quem sejam, têm o direito a um julgamento justo e imparcial. Mas isto não aconteceu no caso que estava sob sua jurisdição.

Seus apoiadores afirmam que era necessário “quebrar as regras” para conseguir enfim combater o pior de todos os males que assola esse país desde o momento que suas terras foram invadidas por portugueses, a saber, a corrupção. No entanto, ninguém precisa acreditar nessa história cínica. Na verdade, o sr. Moro quebrou todas as regras possíveis para benefício próprio, ou seja, para prender o candidato à Presidência que impedia seu próprio projeto pessoal de se tornar presidente em 2022 [Continua]

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