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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Dez20

CEF deve vender sede e fechar Teatro da Caixa em Curitiba

Talis Andrade

Centro Cultural poderá ser transferido, mas em formato menor, para outra sede

Pelos votos de uma minoria racista, nazi-fascista, pelos votos de uma maioria branca, direitista, lavajatista e bolsonarista, Curitiba merece, o Paraná merece: 

O Teatro da Caixa e demais espaços da Caixa Cultural na sede do banco da rua Conselheiro Laurindo deverão ser fechados. O banco estatal está estudando a venda de sua sede no local e transferência de toda administração da empresa para a sede da praça Carlos Gomes.

Com isso, a cidade irá perder um de seus espaços culturais mais tradicionais. Além do espaço, a Caixa Cultural era um grande financiador da arte na capital.

A informação foi apurada pelo Plural junto a pessoas familiarizadas com o projeto.

Atualmente fechado por conta das medidas de restrição impostas pela prefeitura de Curitiba devido a Bandeira Laranja de alerta para Covid-19, o espaço cultural tem, além do teatro (que tem 125 lugares), duas galerias e um espaço para oficinas.

Oficialmente, a assessoria da Caixa não confirma a informação. E informa que o espaço será reaberto assim que a prefeitura da cidade liberar eventos e atividades culturais.

Mas o Plural ouviu três pessoas com acesso a informações internas do banco que confirmaram que na administração da Caixa em Curitiba a venda do prédio e o fechamento do teatro são dados como certos. Um estudo interno avalia a reabertura do espaço em outro local, em formato menor. Talvez só com uma galeria.

Apesar de menor que seus vizinhos do Centro Cultural Teatro Guaíra, o Teatro da Caixa é um espaço tradicional de shows e da cena teatral local e nacional. Seu palco recebeu parte das principais peças exibidas nas edições passadas do Festival de Teatro da cidade.

Além disso, o espaço é sede de um painel de Poty Lazzarotto chamado “O Construtor”. A obra foi inaugurada em 1978.Poty Lazzarotto - Monumento ao 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná - Praça 19 de Dezembro - Curitiba Space

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Nota deste correspondente: O painel está avaliado por quantos trocados? Será que ele vai como brinde? Deviam doar o painel para a autodenominada Liga da Justiça da autodenominada República de Curitiba da autodenominada Lava Jato

Poty Lazzarotto - Monumento ao 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná - Praça 19 de Dezembro - Curitiba Space

Do Paraná, o grito de José Millán-Astray: «Morra a intelectualidade traidora! Viva a morte!». Um grito profético. Para estes tempos de morte. Da necropolítica de Bolsonaro. 

 

25
Nov20

3 - Cultura

Talis Andrade

 

cultura-indigena.JPG

 

 

Programa de Governo Boulos e Erundina 2020

 

A cultura deve ter centralidade na nova forma de fazer política, pois não existe democracia real sem diversidade cultural. Nesta perspectiva, a cultura é um direito, assim como a saúde, a educação e a moradia. Ela se integra e é indispensável ao conjunto das lutas por uma sociedade sem desigualdades, sem opressões e radicalmente democrática. Além de sua importância individual e social, a cultura gera empregos, impulsiona o turismo e movimenta a economia da cidade. A cultura como direito e não como negócio inverte prioridades e faz emergir novos processos e protagonistas na produção social: cultura das periferias, urbana, de matriz africana, indígenas, de hackers, das mulheres, LGBTI+.

 

Cultura Afro Brasileira - Posts | Facebook

O Estado deve ser o agente de interesses públicos capaz de defender o que, na vida simbólica das sociedades, não pode ser comercializado. No entanto, o direito à cultura e o acesso a bens culturais não deve ser decidido apenas pelo Estado, mas a partir de práticas de co-gestão e de participação popular efetiva.

No início do século 21, a cidade de São Paulo teve um avanço na construção das políticas públicas de cultura em razão do engajamento dos movimentos de trabalhadoras e trabalhadores do setor, que a partir de 1999, com o manifesto “Arte contra a barbárie”, protagonizaram inúmeras lutas.

Deste processo resultou uma concepção de cultura mais avançada e uma legislação consistente e inovadora – os Programas de Fomento, VAI e Programas de Formação. Entretanto, desde sua criação, estas iniciativas sofreram ataques e tentativas de desmonte.

É necessário aprovar um orçamento compatível com a importância social da cultura, avançar nas propostas construídas coletivamente no Plano Municipal de Cultura e nos programas e leis existentes, além de construir novas leis. É preciso implementar o Sistema Municipal de Cultura, construir políticas que apoiem trabalhadoras e trabalhadores do setor, promover o diálogo constante entre formação, produção e circulação artística. Além disso, criar programas e editais democráticos e desburocratizados e reativar os equipamentos públicos das diveversas regiões da cidade. 

Leia aqui as proposta do governo Boulos Erundina para a Cultura.

 

17
Fev20

Casamento sempre esteve no centro do debate entre Brasil e Vaticano

Talis Andrade

O jornal Libération destaca a relação da igreja católica com o Brasil através do casamento, nesta segunda-feira (17)

O jornal Libération destaca a relação da igreja católica com o Brasil através do casamento, nesta segunda-feira (17) 

A relação da Igreja Católica com o Brasil através do casamento é destaque no jornal Libération dessa segunda-feira (17), que traz uma entrevista com a historiadora da Universidade Paris 8, Charlotte de Castelnau-L’Estoile. Segundo ela, o casamento sempre esteve no centro dos debates entre o Vaticano e o Brasil, há mais de quatro séculos.

Castelnau-L’Estoile analisa o que considera como uma evolução da Igreja Católica no Brasil, desde o casamento cristão de escravos e de indígenas na América do Sul, a partir do século XVI, até o Sínodo da Amazônia em 2019, que teve como um dos temas a ordenação de homens casados na Amazônia. No documento oficial do Sínodo, publicado na semana passada pelo Vaticano, o Papa Francisco finalmente não aceitou a ideia, apesar da falta de religiosos na região e da concorrência das igrejas evangélicas.

O casamento é o tema de dois livros da historiadora, que realizou pesquisas em Roma, no Brasil e em Portugal. O primeiro, Páscoa et ses deux maris”, (Páscoa e seus dois maridos), é a biografia de uma escrava bígama que viveu no século 17 entre Angola, Brasil e Portugal. O segundo, um ensaio chamado Un catholicisme colonial. Le mariage des Indiens et des esclaves au Brésil” Um catolicismo colonial), fala sobre casamento de indígenas e de escravos no Brasil.

Para a historiadora, o casamento foi uma maneira de incorporação de escravos e indígenas à sociedade colonial. Para ela, apesar da violência da dominação, a igreja via o casamento como uma maneira de construir uma sociedade estável, estruturada e cristã.

Catolicismo colonial

O Vaticano sempre se interessou pelas colônias da América, e aceitou a existência de sociedades escravagistas. O papa Gregório XIII, por exemplo, decretou em 1585 que os "escravos da Etiópia, Angola e Brasil" podiam se casar com um cônjuge de sua escolha. A pesquisadora fala de "catolicismo colonial". Segundo ela, paralelamente à conquista colonial civil, os religiosos escreviam a gramática jurídica, o direito do novo mundo em matéria de casamento. Dessa maneira o Papa impôs a tradição jurídica da igreja do outro lado do oceano Atlântico.

Para a historiadora, o casamento era usado como ferramenta de controle dos escravos, mas também pode ser visto como uma forma de reconhecimento da liberdade de escolha dos escravos, o que poderia iniciar um processo de emancipação. Mas a Igreja não era anti-escravagista, lembra a autora na entrevista, e tinha uma posição ambígua. Protegia ao mesmo tempo a liberdade do sacramento e a continuação da ordem escravocrata. 

O casamento também provavelmente contribuiu para o desaparecimento de muitas culturas indígenas, segundo ela. Porque a poligamia era parte importante, tanto econômica como politicamente da sociedade tupi. Para a historiadora, o casamento e a Igreja Católica ajudaram a que o sistema escravagista no Brasil durasse tanto tempo e muitas das formas atuais de dominação e violência são heranças dessa época.

 

 

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