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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

22
Ago22

Dia de Combate à Intolerância Religiosa é comemorado; entenda a escolha da data 21 de Janeiro

Talis Andrade

Intolerância Religiosa: termos como “chuta que é macumba” somam quase 55  mil menções desde 2018 nas redes sociais - Mundo NegroCombate à intolerância religiosa é ainda mais urgente no Brasil de hojeGuia de intolerância aponta para disseminação de ataques de cunho religioso  - 15/09/2019 - Cotidiano - Folha

21 de Janeiro é comemorado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído em Lei Nacional no ano de 2007. A data homenageia a baiana Gildásia dos Santos e Santos, Mãe Gilda, Iyalorixá (mãe de santo) vítima de intolerância religiosa.

No ano de 1999 a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) publicou uma reportagem no jornal Folha Universal utilizando uma foto da Mãe Gilda com a manchete "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes". Após a publicação, a religiosa foi reconhecida pela sua foto, apesar de uma tarja preta ter sido colada sobre seus olhos. A edição teve uma tiragem de 1,3 milhão de exemplares, todos distribuídos gratuitamente em todo o País.

 

Após a publicação, a religiosa foi reconhecida pela sua foto, apesar de uma tarja preta ter sido colada sobre seus olhos

Após a publicação, a religiosa foi reconhecida pela sua foto, apesar de uma tarja preta ter sido colada sobre seus olhos (Foto: Reprodução Folha Universal)
 
 

A partir de então, ela e integrantes do terreiro de Candomblé Ilê Axé Abassá de Ogum, fundado por Mãe Gilda, passaram a sofrer perseguição por pessoas de outras religiões, além de integrantes do próprio Candomblé que acreditaram que a mãe de santo estava pregando contra sua religião. Com a crescente onda de perseguição, Mãe Gilda e seu marido foram agredidos, verbal e fisicamente, dentro das dependências do Terreiro. O local também foi depredado.Busto em homenagem a Mãe Gilda é atacado por criminoso - Lab Dicas  Jornalismo

Ato lembra 'Mãe Gilda' e celebra Dia Nacional de Combate à Intolerância  Religiosa - Notícia - Bahia Notícias

Mãe Gilda já sofria de alguns problemas de saúde e o quadro agravou-se após as agressões. Ela morreu no dia 21 de janeiro de 2000. No dia anterior à sua morte, a religiosa assinou procuração constituindo seus advogados para defender uma ação contra a Iurd, movida pela família, por danos morais e uso indevido da imagem.

A Igreja Universal foi condenada, mas entrou com recursos contra a decisão por mais de uma vez, levando o caso até o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em setembro de 2008, por fim, o STJ confirmou a condenação da Iurd, que ficou obrigada a publicar retratação no jornal Folha Universal e pagar indenização de R$ 145 mil para a família de Mãe Gilda.

Além da data em comemoração ao combate à intolerância, a legislação brasileira também define como crime prática, indução ou incitação ao preconceito de religião, bem como de raça, cor, etnia ou procedência nacional pela Lei nº 9.459 de 1997. A pena é de reclusão de dois a cinco anos e multa.

No 21 de janeiro, entidades religiosas, instituições da sociedade civil e vítimas de intolerância religiosa promovem reunião no Auditório da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Ceará (UFC), homenageando Mãe Gilda de Ogum na data que marca seu falecimento.

Segundo Sebastião Ramos, representante da Associação Brasileira de Apoio às Vítimas de Preconceito Religioso (Abravipre), o evento conta com a presença de pessoas de diversas religiões, em discussões sobre a liberdade de crença, direito garantido pela Constituição. "Formamos uma comissão para darmos continuidade a esse debate em Fortaleza, porque há muitos casos de intolerância religiosa no mundo inteiro, assim como também em Fortaleza", afirma.

Para o professor do Departamento de Geografia da UFC, Christian Dennys Monteiro de Oliveira, o dia 21 de janeiro representa um marco importante na trajetória de reconhecimento governamental de que o problema da intolerância ultrapassa a condição de crimes contra a pessoa humana e contra a cidadania.

"No período dos anos 1990 foi estabelecido uma convenção da Unesco que ditava normas a respeito da importância de se ter um diálogo inter-religioso como forma de reconhecimento de que cada religião, cada credo e cada crença deve ser reconhecida pelo outro como testemunho de convívio e fraternidade Universal", justifica. Para ele, a Lei aprovada em 2007 seguia o mesmo movimento que o Brasil já trilhava com a convenção estabelecida com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O encontro em 21 de janeiro, espaço para o depoimento de entidades e pessoas presentes, "chamando atenção para situações que devem ser sensibilizadas para que se evite esse crescimento da radicalização do fundamentalismo", explicou Christian. Ao encerramento, um cortejo segue até a sede do Maracatu Solar.Mais uma charge polmica envolvendo religio agora no Brasil

21 de Janeiro: Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa – MÃE GILDA  VIVE! | SINTEFPB – Sindicato dos Trabalhadores Federais da Educação Básica,  Profissional e Tecnológica da Paraíba

 

20
Nov20

Bancada negra da Câmara de Porto Alegre denuncia assassinato brutal no Carrefour (vídeo)

Talis Andrade

bancada negra pa.png

 

 

Para a bancada negra eleita à Câmara de Porto Alegre, crime revela dimensão do racismo estrutural na cidade e no país

Marcelo Ferreira — Brasil de Fato

Na véspera do Dia da Consciência Negra, o Brasil se depara com mais um brutal assassinato de uma pessoa negra.

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi agredido até a morte em uma unidade do supermercado Carrefour localizado no bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira (19)

Os agressores, dois homens brancos, um segurança privado do estabelecimento e um integrante da Brigada Militar, foram presos em flagrante e são investigados por homicídio qualificado.

A bancada negra eleita à Câmara de Vereadores de Porto Alegre concedeu uma coletiva de imprensa onde repudiou o crime.

Bancada negra eleita repudia crime

Na manhã deste Dia da Consciência Negra, a bancada negra eleita para a Câmara de Vereadores de Porto Alegre alterou sua agenda, frente ao ocorrido, e concedeu uma entrevista coletiva a respeito do caso, em frente ao supermercado.

Os cinco vereadores eleitos manifestaram solidariedade à família de Beto e repudiaram o crime, destacando que o caso não é isolado e revela a dimensão do racismo estrutural na cidade e no país.

“Era para ser um dia que a gente se apresentava para a cidade que elegeu cinco jovens negros, a primeira bancada negra da história da Câmara de Vereadores e a gente é pego de surpresa numa noite em que a gente acorda e tem mais um dos nossos corpos atirado no chão”, disse Bruna Rodrigues (PCdoB), ressaltando que o Estado e o Carrefour precisam assumir suas responsabilidades.

Segundo a vereadora eleita, o grupo foi até o local para cobrar respostas e para dizer que todos os dias da bancada serão de luta.

“Enquanto tiver um corpo nosso atirado pela cidade a gente vai estar junto e lutando para que isso se encerre”, afirma.

“Infelizmente esses corpos pretos precisam lutar para existir”, conclui.

“Resolvemos transferir a coletiva para cá e usar essa coletiva como denúncia contra a violência policial contra negros e negras no Brasil”, explica Laura Sito (PT).

Ela também aponta que a morte do Beto não é um caso isolado.

“Nós, inclusive, nesse ano de 2020, testemunhamos vários casos, desde o menino Miguel [assassinado] por um PM até tantos jovens negros assassinados pela força do Estado ou por negligência racista de terceiros. Infelizmente a cena que nós vimos ontem é mais uma dessas”, lamenta.

A vereadora eleita destaca que essa primeira ação foi de denúncia e que os cinco se colocaram à disposição da família para o que precisarem.

“Nossa principal tarefa, que o povo nos designou, é estar nas ruas lutando por dignidade e justiça e nós nos manteremos, não só hoje, mas ao longo do próximo período.”

Matheus Gomes (PSOL) lamenta as cenas horríveis.

“As imagens dele sendo espancado dentro do supermercado estão girando o Brasil e o mundo e está nítido o que aconteceu ali, quem é homem e quem é mulher negra sabe o quão inseguro é andar dentro de um supermercado ou qualquer estabelecimento comercial”, destaca.

“Nós nunca vimos uma cena de tamanha brutalidade e desumanidade acontecer em nosso país com um corpo que não seja o nosso”, reflete.

“Essa é a dinâmica de racismo no Brasil, nenhum dia de sossego, nenhum dia de paz para a população negra da periferia”, afirma o vereador eleito. Para ele, é dever não só da população de Porto Alegre, mas de todo o Brasil, reagir ao caso.

“A gente precisa mostrar que esse tipo de ação não vai ser naturalizada, banalizada, a gente tem que reagir a essa situação. O Carrefour é o primeiro a ser responsabilizado, é reincidente em situações como essa de violência, aconteceu na dependência dessa multinacional que precisa ser responsabilizada.”

A vereadora Karen Santos (PSOL) descreve o caso como horrível, em meio à euforia da eleição da primeira bancada negra.

“Nosso papel lá dentro [da Câmara] é inclusive esse, estar ao lado, dane-se a agenda formal do 20 de novembro, não é um dia de festa, de comemoração. Não é de hoje que a gente marcha por nossos mortos porque isso é cotidiano, a gente sente. Infelizmente, mais um foi assassinado dentro de uma instituição privada, racista, pra gente conseguir mostrar de novo a importância da gente ter política”, afirma.

Para ela, o que aconteceu não pode ser naturalizado como um acidente ou uma morte qualquer.

“É um crime que acontece todos os dias dentro de shopping center, dentro de outros supermercados, é o racismo institucional e a gente precisa ter pauta para que isso não aconteça.”

Por isso, pede que prefeitura e governo do estado se responsabilizem e lancem medidas de criminalização.

“Não dá para colocar só nas costas dos seguranças, isso é algo reincidente dentro da rede Carrefour, então mais do que nunca, pensar o racismo institucional e como a gente vai cobrar como esse tipo de conduta seja tida como um crime e não como um fato isolado ou acidente.”

Para Daiana Santos (PCdoB), o caso demonstra o racismo estrutural da sociedade brasileira.

“É muito simbólico que nesse 20 de novembro, mesma semana que elegemos cinco jovens negros para a Câmara de Vereadores da cidade, tenhamos que estar aqui vendo mais um de nossos corpos tombarem.”

“Isso é muito um retrato do Brasil que nós temos hoje. Acho que no último domingo, de norte a sul do Brasil, nós mostramos que queremos ter voz e queremos denunciar e combater o racismo”, avalia a vereadora eleita.

“Uma agenda antirracista para o Brasil e Porto Alegre é o que nós vamos avançar no próximo período”, conclui.

Justiça por Beto

Um ato pedindo por justiça para Beto está convocado para às 18h desta sexta-feira (20), em frente à unidade do Carrefour Passo D’Areia, onde ocorreu o crime.

O protesto terá transmissão online pelas páginas no Facebook do Brasil de Fato RS e da Rede Soberania.

“Estaremos aqui por empatia e solidariedade, o que aconteceu com George Floyd aconteceu aqui dentro do nosso território, a cidade de Porto Alegre, a mais racista e segregada do Brasil, e cabe a nós também estar aqui na rua prestando solidariedade e mostrando para a sociedade que não vai passar”, afirma a vereadora Karen Santos.

Beto foi espancado na entrada da loja

O caso ganhou rapidamente as rede sociais após clientes filmarem o crime. Os vídeos circulam amplamente nas redes sociais, mostrando Beto, como era conhecido o homem, sendo espancado após ser levado para a entrada da loja.

Os agressores desferiram uma série de socos no rosto e chutes pelo corpo, deixando o homem desacordado.

Beto foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que tentou reanimá-lo sem sucesso.

O Carrefour emitiu uma nota lamentando o ocorrido e classificando o ato como criminoso.

Diz estar tomando providências para que os responsáveis sejam punidos e anunciou o rompimento do contrato com a empresa terceirizada de segurança.

Entretanto, o supermercado carrega um histórico de violência e descaso envolvendo clientes e os próprios funcionários.

Também em nota, a Brigada Militar informou que prendeu os envolvidos após ser acionada e que o policial envolvido na agressão é “temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei”.

 


 

 

 

19
Nov20

Nota de Solidariedade a Vereadora eleita de Joinville Ana Lúcia Martins que sofre ataques e ameaças racistas nas redes

Talis Andrade

O SINTE vem a público manifestar sua integral solidariedade, à Professora Ana Lúcia Martins, eleita no último dia 15/11, para o cargo de Vereadora no Município de Joinville.

A Professora Ana Lúcia é a Primeira Mulher Negra eleita para a Câmara Municipal. E ao longo de toda a Campanha, foi alvo de manifestações Racistas, com base em intimidações violentas, feitas pelas mídias sociais conforme registros apresentados.

Por essa ordem, de elevada violência simbólica, que procura segregar a População Negra, o SINTE apela para que a Sociedade reaja com indignação.

Assim como também, exija rapidez e rigor das autoridades diante deste crime de ameaça de morte, motivada por Ódio Racial.

Mais um desses crimes no Paraíso Nazista, que Santa Catarina se transformou: Lugar de inseguranças físicas e morais, para as vidas das pessoas negras.

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz "Vai ter mulher negra na câmara! Vereadora Ana Lúcia Martins 13180 e 10 தade"

19
Nov20

Nota de Solidariedade a Vereadora eleita de Joinville Ana Lúcia Martins que sofre ataques e ameaças racistas nas redes

Talis Andrade

O SINTE vem a público manifestar sua integral solidariedade, à Professora Ana Lúcia Martins, eleita no último dia 15/11, para o cargo de Vereadora no Município de Joinville.

A Professora Ana Lúcia é a Primeira Mulher Negra eleita para a Câmara Municipal. E ao longo de toda a Campanha, foi alvo de manifestações Racistas, com base em intimidações violentas, feitas pelas mídias sociais conforme registros apresentados.

Por essa ordem, de elevada violência simbólica, que procura segregar a População Negra, o SINTE apela para que a Sociedade reaja com indignação.

Assim como também, exija rapidez e rigor das autoridades diante deste crime de ameaça de morte, motivada por Ódio Racial.

Mais um desses crimes no Paraíso Nazista, que Santa Catarina se transformou: Lugar de inseguranças físicas e morais, para as vidas das pessoas negras.

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz "Vai ter mulher negra na câmara! Vereadora Ana Lúcia Martins 13180 e 10 தade"

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