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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

17
Jun21

Em tempos da peste, governo militar de Bolsonaro defende dar restos de comida aos pobres contra a fome

Talis Andrade

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O impiedoso e cruel e desumano ministro da Economia do governo militar de Bolsonaro, o pinochetista Paulo Guedes, defendeu nesta quinta-feira (17) dar restos de comida aos pobres – “pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas”, como política de combate à fome no Brasil. 
 
A fome mata. A fome acabou se agravando na pandemia. Em 2020, 19 milhões de pessoas viviam em situação de fome no país, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da covid-19 no Brasil. Em 2018 (governo Michel Temer), eram 10,3 milhões. Ou seja, em dois anos houve um aumento de 27,6% (ou quase 9 milhões de pessoas a mais).
 
"Quem quer que tenha sido o pai de uma doença, a mãe foi uma dieta deficiente", diz o médico Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), em referência a um lema da nutrologia.
 

Temos que usar máscaras porque elas diminuem a transmissão da Covid-19, visto que o contágio é feito através de gotículas expelidas por nariz ou boca de uma pessoa contaminada, e com contato direto ou indireto, acabam entrando no organismo de uma pessoa saudável através de seus olhos, nariz ou boca. 

Agora Paulo Guedes, que foi contra o auxílio emergencial de 600 reais, quer contaminar o pobre com restos de comida. Com sobejos.

Durante participação em evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Guedes afirmou que os desperdícios da cadeia produtiva precisam ser mais bem aproveitados para acabar com a fome no país.

“O prato de ‘um classe média’ europeu é pequeno, no nosso, há uma sobra enorme. Precisamos pensar como utilizar esse excesso no dia a dia. Aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas. É muito melhor que deixar estragar”, disse o ministro. Para enganação dos bolsonaristas pobres, mente Paulo Guedes: o europeu come pouco, passa fome. 

“Como utilizar esses excessos que estão em restaurantes e esse encadeamento com as políticas sociais, isso tem que ser feito. Toda aquela alimentação que não for utilizada durante aquele dia no restaurante, aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados. É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda”, completou Paulo Guedes. 

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que também participou do evento, fez coro defendendo comprar alimentos fora da validade. Cousa que também mata. Ser bolsonarista é defender um governo da fome, da peste, da morte na fila dos hospitais sem direito a uma maca, a um leito hospitalar, da morte por asfixia, da guerra, a defesa de uma ditadura, de um governo militar, de um governo armamentista, de um governo que defende a tortura, as milícias e os motins das polícias militares. Ainda bem que Paulo Guedes reconhece que o Brasil é um país de "pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados". Para estes brasileiros sem teto, sem terra, sem nada, os restos de comida. 

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22
Mai21

Massacre do Jacarezinho, mais um capítulo do racismo e do genocídio negro brasileiro

Talis Andrade

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Por Sheila de Carvalho, Douglas Belchior e Jaime Alves /Folha de S. Paulo

Situação exige posicionamento da sociedade civil, da comunidade internacional e do sistema ONU; Coalizão Negra por Direitos convoca protestos 

Em 1951, o movimento pelos direitos civis nos EUA acusava aquele país de genocídio de sua população negra por meio da histórica petição “We Charge Genocide”. O documento fazia um paralelo entre “o assassinato bárbaro de milhōes de judeus” e “os negros mortos por causa de sua raça”. Também na África do Sul ativistas negras e negros sul-africanos chamaram a atenção do mundo por mais de quarenta anos para o terror racial do apartheid, levando a ONU a condenar o regime em 1973 e declarar sanções econômicas nos anos seguintes.

O movimento negro brasileiro tem sistematicamente pedido a solidariedade do mundo para denunciar o genocídio antinegro colocado em curso pelo Estado brasileiro. É genocídio! Tomando a definição da ONU, da qual o Brasil é signatário, “entende-se por genocídio (…) atos cometidos com a intenção de destruir no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Quando se olha para o número de mortes de negros pelo Estado brasileiro, evidencia-se esse processo. Somente no ano de 2020, mais de 5.600 pessoas foram mortas pelas polícias no Brasil. Há mortes sistemáticas de jovens negros e negras nas periferias brasileiras. Pelo menos 75% das vítimas do terror policial pertencem a esse grupo racial.

chacina do Jacarezinho contabiliza, até o momento, ao menos 29 mortes. Vidas e histórias exterminadas pelas forças do Estado, sem respeito e nenhum direito previsto em lei. Corpos cuja humanidade e cidadania são negadas na vida e na morte. Assassinatos resultantes de uma operação policial ilegal e proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Desde junho de 2020 até março deste ano, mais de 823 pessoas foram mortas em operações policiais, mesmo com a proibição da Suprema Corte (ADPF das Favelas).

Vivemos em um país no qual amanhã poderemos estar mortos pelo fato de sermos negros. Seja pelo coronavírus, seja pela fome, seja pela bala, o projeto político e histórico de genocídio negro avança no Brasil. Mas a sociedade não acredita nisso, ou não se importa.

bala

Até quando as manifestações, a elaboração e os apelos do movimento negro brasileiro serão ignorados? O que vimos no Jacarezinho foram execuções sumárias de indivíduos eleitos como inimigos públicos por sua origem racial. A cor dos mortos nesta e nas inúmeras operações policiais nas periferias urbanas do país revelam a prática sistemática do genocídio da população negra brasileira.

A situação exige um posicionamento da sociedade civil brasileira, da comunidade internacional, do sistema ONU e da sociedade civil global acerca do que vivemos.

Neste 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, a Coalizão Negra por Direitos, uma aliança que reúne mais de 200 organizações de todo país, convoca manifestações em todos os estados pelo fim do genocídio negro, das operações policiais assassinas, das chacinas de todo dia e pela construção de mecanismos objetivos de controle social da atividade policial.

Nem bala, nem fome, nem Covid. Queremos viver!

Não esqueceremos a chacina do Jacarezinho.

Vidas Negras Importam.

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11
Mai21

Pesquisadores da USP debaterão políticas públicas para o combate à fome

Talis Andrade

Encontro acontece nesta quarta-feira, dia 12, das 9 às 13 horas, com transmissão via Youtube

Por Claudia Costa /Arte Camila Paim/Jornal da USP

Uma das mais graves consequências da pandemia de covid-19 é a fome. No Brasil, estima-se que esse problema afete pelo menos 19 milhões de pessoas e que 55% das residências tenham algum aspecto de insegurança alimentar. Ações assistenciais são necessárias com urgência, mas é preciso pensar em políticas públicas efetivas para combater a situação a longo prazo. Por isso, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP, com apoio do Instituto de Estudos Avançados (IEA), também da USP, vai promover nesta quarta-feira, dia 12, das 9 às 13 horas, o simpósio Políticas Públicas para o Combate à Fome. O encontro é gratuito e aberto a todos os interessados, com transmissão pelo Youtube.

O debate vai reunir pesquisadores atuantes no assunto para troca de experiências e apresentação de projetos em andamento nas áreas de saúde pública, agricultura sustentável, engenharia de alimentos, engenharia ambiental e ciências sociais. O objetivo é contribuir para a elaboração de ações efetivas e duradouras no combate à desnutrição e à fome no País. A iniciativa está relacionada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Segundo a pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária da USP, professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, o evento é uma forma de a USP se posicionar frente à situação que o País está vivendo em função da pandemia. Com o desemprego em alta, uma das consequências mais graves é justamente a fome. “Entre os assuntos sanitários e de saúde, esse é um desafio social muito grande. Não é apenas um aspecto social, mas acima de tudo humanitário”, afirma. O simpósio vai trazer, segundo ela, vários estudos que fomentam políticas ou que poderiam auxiliar os gestores públicos a estabelecer políticas que possam ser aplicadas no intuito de combater a fome. “Vamos juntos pensar realmente o que nós, como uspianos e como cidadãos, podemos fazer para combater a fome na nossa sociedade.”

 

“Entre os assuntos sanitários e de saúde, o combate à fome é um desafio social muito grande. Não é apenas um aspecto social, mas acima de tudo humanitário.”

Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado (foto Marcos Santos)

A professora comenta que os assuntos a serem discutidos no simpósio estão interligados. Uma discussão importante, segundo ela, é a vinda de pessoas do campo para as cidades, causando a superlotação e problemas inerentes a essa situação. Ela dá como exemplo comunidades onde de 10 a 15 pessoas moram num espaço de 15 metros, o que não deveria acontecer, ainda mais em uma situação de pandemia. “É preciso estimular a cultura familiar, sobretudo no interior”, aponta. Outra questão a ser abordada no evento é a sustentabilidade, incluindo a geração de lixo, seja ele orgânico ou não orgânico. “É preciso pensar não só na sustentabilidade ambiental, mas também nas pessoas que vivem da reciclagem.”

A questão da fome é um problema crucial, não só no Brasil

Para a pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão Universitária, professora Margarida Maria Krohling Kunsch, coordenadora do simpósio, a proposta é trazer para o grande debate nacional toda essa problemática. Segundo ela, a questão da fome é um problema crucial não só no Brasil, mas em outros países subdesenvolvidos. “Sabemos que uma parcela grande da população vive em extrema pobreza, sem ter o que comer”, diz. E continua: “Essa é uma questão muito comentada e, em parte, assistida por lideranças da sociedade civil e movimentos sociais, no sentido de resolver o problema imediato da fome, em uma perspectiva assistencialista”. O simpósio promovido pela USP, informa a coordenadora, tem como principal objetivo reunir grandes especialistas de diversas unidades e áreas de conhecimento que estão trabalhando com o tema e, a partir dos debates, contribuir para o estabelecimento de políticas públicas.

 

“O simpósio da USP tem como principal objetivo reunir grandes especialistas de diversas unidades e áreas de conhecimento que estão trabalhando com o tema do combate à fome e, a partir dos debates, contribuir para o estabelecimento de políticas públicas.”

Margarida Maria Krohling Kunsch (foto Cecília Bastos)

O simpósio será formado por dois painéis. O primeiro, às 9h30, Produtividade Agrícola, Segurança Alimentar, Desnutrição e Políticas Públicas de Inclusão Social, terá a participação de três pesquisadoras: Maria Elisa de Paula Eduardo Garavello, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, que possui estudos em comunidades tradicionais ou locais (quilombolas, ribeirinhos, assentados e sociedades indígenas), com ênfase na segurança e soberania alimentar, sustentabilidade e autonomia; Tereza Campello, economista e professora visitante da Faculdade de Saúde Pública da USP, primeira titular da Cátedra Josué de Castro sobre Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da FSP e ministra do Desenvolvimento Social  entre 2011 e 2016, com ampla experiência em programas de combate à fome e à pobreza; e Maria Sylvia Macchione Saes, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, coordenadora do Núcleo de Pesquisa da USP Center for Organization Studies (Cors), com estudos sobre cadeias produtivas com base na biodiversidade para geração de emprego e renda nos Estados do Amazonas e São Paulo e sobre alimentos orgânicos. O mediador e debatedor será o professor Eduardo Cesar Leão Marques, docente do Departamento de Ciências Políticas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e diretor do Centro de Estudos da Metrópole (CEM).

No segundo painel, às 11h15, o assunto discutido será O Grito da Fome: Alternativas para Políticas Públicas para Uma Alimentação Sustentável. Entre os participantes está Maria Gasalla, professora do Instituto Oceanográfico da USP e colaboradora do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, com experiência na área de ciências pesqueiras e oceanografia, e membro do grupo de especialistas em pesca da Comissão de Manejo de Ecossistemas em diversas forças-tarefas ligadas à ONU, participando em iniciativas internacionais e locais. “A costa brasileira é enorme, mas se depara com a falta de políticas públicas para otimizar esse segmento da alimentação, que, inclusive, está sendo solução para muitas pessoas que vivem da pesca”, como lembra a professora Margarida.

Outro convidado desse painel é o professor Reinaldo Pacheco da Costa, do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, coordenador do Programa Incubadora USP de Cooperativas Populares (ITCP) da PRCEU, que vem desenvolvendo trabalhos voltados para a inclusão social e a economia solidária.

A terceira convidada do painel é a professora Thais Mauad, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP,  coordenadora do Grupo de Estudos em Agricultura Urbana do IEA, que estuda os impactos gerados pela agricultura urbana e possui um trabalho de referência sobre as hortas urbanas, “um possível caminho para se pensar nas grandes metrópoles e periferias”, nas palavras da coordenadora. A mediação será da professora Elisabete Maria Macedo Viegas, diretora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, que tem experiência na área de aquicultura e recursos pesqueiros, atuando nos temas de nutrição e alimentação de peixes de água doce, processamento pós-despesca, conservação de pescado e aproveitamento de resíduos do processamento, entre outros.

Segundo a professora Margarida, o combate à fome “é um assunto que não se esgota nesses dois painéis, mas o simpósio é uma iniciativa da USP nessa direção, de contribuir com todas as suas áreas do conhecimento, uma vez que a Universidade tem um papel a cumprir junto à sociedade”. Com o evento, diz  ela, “queremos trazer à luz não só o debate, mas estimular e incentivar sobretudo os nossos estudantes para que possam replicar essas iniciativas”.

A abertura oficial do encontro, às 9 horas, terá a presença do reitor da USP, professor Vahan Agopyan, e do vice-reitor Antonio Carlos Hernandes, além dos quatro pró-reitores da Universidade, de Cultura e Extensão Universitária, de Graduação, de Pós-Graduação e de Pesquisa. 

O simpósio Políticas Públicas para o Combate à Fome acontece nesta quarta-feira, dia 12, das 9 às 13 horas, pelo canal do Youtube da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.  O encontro é gratuito, on-line e aberto a todos os interessados. Haverá emissão de certificado para os previamente inscritos que registrarem sua participação durante a transmissão. Inscrições disponíveis neste link. Mais informações estão disponíveis no site do evento.

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