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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Abr21

As diferentes regras antipandemia na Europa

Talis Andrade

Casos de covid-19 crescem em praticamente todos os países da União Europeia. De toques de recolher à relativa normalidade, cada uma das nações do bloco adota medidas restritivas com focos e graus de rigor diversos.

por DW

Letreiro dizendo Por favor usar máscara! em alemão e dialeto plattdeutsch

Em Jever, Baixa Saxônia, "Por favor usar máscara!", em alemão e dialeto "plattdeutsch"

Alemanha: veto à "pausa de Páscoa"

A chanceler federal Angela Merkel queria restrições mais rigorosas para contenção do novo coronavírus, mas até agora os governadores dos 16 estados alemães não concordaram quanto a um novo confinamento radical em todo o território nacional.

Por motivos organizacionais e políticos, descartou-se a "pausa de Páscoa", antes considerada. Na última reunião de cúpula sobre o assunto, apenas prorrogaram-se até 18 de abril as medidas vigentes.

O uso de máscaras medicinais é obrigatório nos transportes públicos e estabelecimentos comerciais de toda a Alemanha. Ao todo, não podem se encontrar mais de cinco integrantes de duas unidades residenciais distintas.

Por outro lado, caso a incidência semanal em alguma das regiões ultrapasse os 100 novos casos por 100 mil habitantes, um mecanismo de "freio de emergência" prevê o endurecimento das regras.

Bélgica: salões de beleza fechados

Quem quer comprar artigos que não sejam de uso diário na Bélgica tem que marcar hora na loja. Escolas e universidades permanecem fechadas por três semanas, a partir da Páscoa. Cabeleireiros, salões de tatuagem e cosmética também devem manter as portas fechadas.

Seguem vigorando pelo menos até 18 de abril o toque de recolher noturno decretado há meses e as restrições abrangentes de viagens, aplicadas desde o fim de janeiro.

Plateia de casa de ópera quase vazia

Máscara e muito distanciamento na ópera de Sófia, Bulgária

Bulgária: almoço ao ar livre

Embora o número dos novos casos de covid-19 siga elevado, o governo búlgaro flexibilizou as restrições a partir de 1º de abril. Já se pode comer na área externa dos restaurantes, e os teatros voltam a abrir, embora com número reduzido de espectadores. No decorrer de abril, jardins-de-infância e escolas voltam a funcionar.

Dois homens sentados na areia da praia, olhando para o mar

Nem medo de contágio espanta turistas europeus das praias de Maiorca

Espanha: de máscara na praia

Em toda a Espanha, nativos e turistas têm que usar máscara de proteção, mesmo ao ar livre. Por outro lado, as regras sobre viagens na Páscoa são mais frouxas do que em outros países: turistas da União Europeia têm passe livre, por exemplo, para a tão apreciada ilha de Maiorca.

França: a caminho do terceiro lockdown

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no fim de março o terceiro confinamento em âmbito nacional. Regras rigorosas, já aplicadas em algumas regiões, passam a vigorar para todo o país, por quatro semanas.

Assim, a maioria das lojas permanece fechada e vale o toque de recolher a partir das 19h. Nas escolas e creches, as férias pascais serão prolongadas em uma semana.

Turistas de máscara com Partenon de Atenas ao fundo

Visita à Acrópolis de Atenas de acordo com regras sanitárias

Grécia: sair, só com bom motivo

Pelo menos até 5 de abril serão mantidas as rigorosas normas de restrição. Os cidadãos só podem deixar suas casas entre 5h e 21h, e por motivos prementes, como ir ao médico ou ao trabalho, ou levar o cão para dar uma volta. Para os que chegam à Grécia do exterior, é obrigatório o teste de covid-19 e a quarentena.

Diversos transeuntes de máscara em rua de Budapeste

Ingresso na Hungria está praticamente restrito aos cidadãos do país

Hungria: em compasso de espera

No país seriamente atingido pela pandemia, há algum tempo só podem praticamente entrar cidadãos húngaros. O ingresso é quase impossível para alemães, por exemplo. Vale o toque de recolher a partir de 20h e estabelecimentos não essenciais ficam fechados. De casamentos, só podem participar familiares mais próximos, em funerais são permitidos até 50 convidados.

Portugal: tendendo à flexibilização

Depois do aumento dramático dos contágios durante o inverno, Portugal decretou confinamento. Com a subsequente queda dos novos casos, desde meados de março o governo vem relaxando as medidas mais rigorosas.

O estado de exceção vigora até 15 de abril, mas os museus já podem abrir, e, se a taxa de infecções permitir, em breve também os cinemas, teatros e estabelecimentos comerciais.

Enfermeira cuida de homem nu deitado em maca

Altos níveis de incidência alarmaram autoridades tchecas

República Tcheca: encontros, só a dois

Até poucas semanas atrás, a República Tcheca era o sétimo país em termos de incidência semanal. Em consequência, vigora em todas as regiões o mais alto dos cinco graus de alerta: excetuados membros da mesma família, só são permitidos encontros a dois.

Restaurantes, cinemas, museus e negócios não essenciais permanecem fechados. Além do toque de recolher noturno, é proibido sair da região de moradia. Nas casas de oração, um máximo de 15 pessoas pode se reunir para funerais ou casamentos.

Homem e mulher de mãos dadas na rua, com máscaras cirúrgicas

Política de pandemia liberal da Suécia tem gerado polêmica

Suécia: relativamente relaxada

Desde o começo da pandemia, o país escandinavo adotou um curso antes liberal, com diversas regras, mas poucas proibições. A partir de janeiro, o governo passou a aplicar leis mais rigorosas, porém ainda moderadas na comparação com os demais países da UE. Até quatro convivas podem se sentar a uma mesa nos restaurantes; até oito conhecidos têm permissão para se encontrar; lojas e alojamentos para turistas seguem abertos.

 
31
Jul20

Gilmar fala em número ‘macabro’ de mortes por Covid-19 e diz que “poderíamos ter tido um outro manejo da crise”

Talis Andrade

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29
Mai20

Morte por Covid-19 entre população parda no Brasil é 47% maior que entre brancos, aponta estudo

Talis Andrade

 

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Um estudo divulgado nesta quarta-feira (27) no Reino Unido aponta que critérios étnicos e sociais são um fator de peso nas taxas de mortalidade dos doentes de Covid-19 no Brasil. Segundo a pesquisa pilotada pela Universidade de Cambridge, pessoas pardas e negras, principalmente no norte e nordeste do país, têm mais chances de morrer vítima do novo coronavírus.

A população mais vulnerável ao novo coronavírus no Brasil — hoje a segunda nação mais afetada pela pandemia, depois dos Estados Unidos — pode ser identificada pela cor da pele e a região onde mora. As desigualdades sociais históricas registradas pelo país estão patentes nos números de mortos pela doença em hospitais, segundo o estudo "Variação étnica e regional na mortalidade por Covid-19 em hospitais no Brasil”, realizado pela Universidade de Cambridge, em parceira com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). 

O documento inédito alerta que negros e, sobretudo pardos, estão mais sujeitos ao risco de morte, e que as populações do norte e nordeste têm taxa de mortalidade mais alta. Eles também apresentam mais comorbidades do que no resto do país — o que explica, em boa medida, o número de óbito nestes estados.

“Ser pardo é o segundo maior fator de risco, depois da idade, no Brasil”, afirma à RFI Mihaela Van der Schaar, professora de Inteligência Artificial e Medicina do Centro John Humphrey Plummer da Universidade de Cambridge, uma das autoras do relatório. De acordo com o documento, o risco de morte entre a população parda é 47% maior em comparação com a branca.

Para a surpresa dos especialistas, embora esteja em uma faixa de desenvolvimento sócio econômico mais alta, com um percentual maior de brancos entre a população, o Rio de Janeiro mostrou-se um ponto fora da curva. O estado tem uma das mais elevadas taxas de risco de morte pela doença (1.82), semelhante às de Pernambuco (2.0), Amazonas (1.93) e Ceará (1.10), que registraram os piores indicadores para o Brasil. Quanto mais distante da média 1, maiores os riscos. O Paraná teve o melhor índice, com 0.56. 

“A combinação da intensidade do surto, das falhas do governo para implementar intervenções não-farmacêuticas e da composição social e étnica complexa faz do Brasil um país particularmente importante e interessante para o estudo do impacto da Covid-19”, diz o documento.

O trabalho, que começou a ser elaborado pelos pesquisadores há quatro semanas, surgiu justamente da preocupação de avaliar a potencial vulnerabilidade de uma população tão diversa como a brasileira.

“Nosso relatório confirma que a etnicidade, infelizmente, é particularmente um risco proeminente para a mortalidade por Covid-19. Os grupos étnicos de pardos e negros em especial estão mais sujeitos a riscos”, afirma Van de Schaar.

Sistema federativo instável contribuiu com situação

O impacto do coronavírus sobre as populações menos favorecidas e de minorias étnicas não chega a ser uma novidade. As estatísticas revelam desigualdades enormes nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo. No entanto, os autores acham que o Brasil é um caso ainda mais interessante a ser estudado, dada sua diversidade racional e social. Além disso, Van der Shaar destaca que o país é dos poucos a tornarem público esses dados, o que facilita a vida dos pesquisadores.

Brasileiros hospitalizados nas regiões norte e nordeste tendem a apresentar mais comorbidades do que no Centro-Sul (Sudeste, Sul e Centro-Oeste), com proporções similares entre os vários grupos étnicos. Para os autores do estudo, os fatores de maior risco de mortalidade entre pardos e negros têm implicações sociais consideráveis e precisam ser levados a sério, uma vez que esses grupos, menos atendidos pelas redes de proteção social, têm menos possibilidades de ficar em casa ou de trabalhar a distância. Esse universo de pessoas inclui uma significativa parcela de trabalhadores das áreas de saúde e serviço social, o que implica uma questão ainda mais séria para o país, por se tratar exatamente do contingente de profissionais que estão na linha de frente do combate ao vírus.

“Contribuíram para o impacto da doença (no país) um sistema federativo particularmente instável e situação socioeconômica frágil”, destaca o texto.

No norte do país, somente asma e doenças de imunossupressão são as únicas enfermidades que matam menos de 70% dos pacientes internados. Doenças renais (81,2%), diabete (80,1%), doenças neurológicas (78,8%) e obesidade (77,6%) estão no topo da lista. Enquanto isso, na região Centro-Sul, somente as doenças renais e as neurológicas se mantêm acima de 70%, com percentuais de 72,8% e 70,3%, respectivamente.

Menos acesso ao sistema de saúde

O estudo evita especular as razões que explicam todas essas diferenças, mas lembra que a população da região norte, que apresenta o maior número de óbitos entre os pacientes hospitalizados, tem indicadores piores de saúde e um menor grau de acesso à saúde ou disponibilidade dos serviços (CTI, por exemplo) para pardos e negros.

“Parece que há diferenças étnicas substanciais na proporção de pacientes admitidos nos CTIs, e isso varia também entre as regiões Norte e Centro-Sul. Deve-se destacar ainda que a maior parcela de mortes de pacientes que não foram admitidos nos CTIs é de pardos”, diz o estudo, que prossegue: “Isso deve refletir os níveis mais altos de acesso ao sistema particular de saúde de brancos em relação aos pardos, na medida em que as políticas de admissão nos CTIs são conhecidas pelas diferenças entre as redes de hospitais públicas e privadas”.

Dados de quase 100 mil pacientes

O estudo considerou os dados epidemiológicos de 99,5 mil pacientes brasileiros, que, depois de filtrados pelos critérios desejados (etnia, idade, sexo, geografia, sintomas e comorbidades), resultaram na análise de 11,3 mil pacientes hospitalizados. Segundo Van der Schaar, esses dados vão continuar a ser atualizados durante a pandemia. “Esta uma primeira análise. No futuro, fatores culturais e socioeconômicos devem adicionar valor aos dados”, diz a professora. O documento divide em cinco as etnias brasileiras, que são autodeclaradas pela população: branca, parda, negra, amarela e indígena.

“Essa análise motiva um esforço urgente por parte das autoridades brasileiras para considerar como a resposta nacional à Covid-19 pode proteger melhor os pardos e negros brasileiros, assim como as populações nos estados mais pobres do país”, conclui a professora.

 

29
Abr20

Reação dos políticos é vital para superar pandemia

Talis Andrade

Deutschland Coronavirus Berlin Christian Drosten (picture-alliance/dpa/C. Gateau)

Estrelas da hora, virologistas fornecem expertise, mas classe política é que tem que agir

 

Decisões da classe raramente tiveram consequências tão imediatas na vida dos cidadãos como agora. Infectologistas podem acosenlhar, mas no final, os governantes é que decidem

 

por Christoph Strack

- - -

A luta contra o coronavírus, a vida em meio à pandemia e a sobrevivência a essa ameaça são uma corrida de longa distância. Isso é algo que desafiará por muito tempo tanto as sociedades como os políticos – nacional e internacionalmente. E o meio político busca conselhos de especialistas. Mas até onde isso vai?

O aplauso ostensivo das varandas e das janelas já foi há muito tempo. Destinava-se às equipes sanitárias, médicos, enfermeiros, por seu trabalho, cujo perigo ninguém pode e poderá prever. Somente na Itália, mais de 150 agentes de saúde morreram. Houve aplausos e gritos pelos heróis. Mas heróis não são suficientes, pelo menos para uma sociedade midiática. Ela procura estrelas que se pode construir, mas também derrubar. Os virologistas se tornaram as estrelas desse primeiro estágio da crise do coronavírus.

A Alemanha pode se dar por satisfeita com o que tem a oferecer em termos de cientistas e também de jornalismo científico. Assim, foram divulgadas dicas que, em sua simplicidade, que todos podem implementar: lavar as mãos, evitar multidões, manter distância física mesmo na vida privada. Portanto, houve participação na pesquisa acadêmica através da ação.

Consequentemente, também houve ganho de conhecimento em tempo real, com – e isso que pertence à ciência – tentativa e erro, com hipóteses, com sua refutação, com declarações concorrentes.

Dessa forma que a questão sobre o uso de máscaras, por exemplo, foi virada ao contrário desde março. E há muitas perguntas que os especialistas ainda não sabem responder e pedem, por elas, paciência. Independentemente disso, há muito que eles são estrelas – classificados em rankings por recepção da comunidade científica e presença na mídia. E também tendencialmente pelo fator carismático. E quem for o primeiro a desenvolver uma vacina – em Berlim ou Bonn, Oxford, Paris ou Wuhan – passará de estrela a messias na mídia.

Os políticos também são responsáveis pelo fato de os pesquisadores terem entrado nesse papel. Claro: para impor o impensável e até a restrição dos direitos civis básicos em muitas áreas, o meio político, o governo federal procurou o apoio e aconselhamento de virologistas e depois também de representantes de outras áreas científicas. Mas a ação, a questão das decisões concretas, depende do setor político – e apenas dele. Os especialistas podem fornecer expertise, a mídia pode transmitir informações, ponderar e expor opiniões. Mas a classe política é que tem que agir. É para isso que os políticos são eleitos e para isso recebem um cargo temporário.

Em um mundo cada vez mais confuso, o conhecimento especializado é importante e se torna cada vez mais importante. Existe uma variedade a perder de vista de tais grêmios. Há 20 anos, o então chanceler alemão Gerhard Schröder criou o Conselho Nacional de Ética, devido às grandes questões da biomedicina, que mais tarde se tornou o Conselho Alemão de Ética. Logo após a posse, a chanceler Angela Merkel valorizou a pouco notada Academia Nacional de Ciências, a Leopoldina. Estes são apenas dois exemplos das últimas décadas.

Certamente, que as responsabilidades do setor político incluem incertezas, decisões abertas, agir a partir do que se sabe no momento, como costuma ser dito nessas semanas. Isso não está tão longe da possibilidade de erro que integra a prática científica. Faz parte de um dos muitos momentos impressionantes do ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, o modo aberto com que ele falou  no Bundestag, em 22 de abril, sobre o possível erro de algumas decisões, pelas quais talvez seja preciso pedir desculpas posteriormente. Mostrou grandeza. Ele falou de si mesmo – não dos cientistas.

É por isso que as aparições e a competição entre os virologistas na luta contra a pandemia permanecem apenas um aspecto marginal. São importantes, mas não cruciais. Isso é coisa que o meio político pode e deve tranquilamente dizer mais claramente em tempos de uma sociedade fundamentalmente abalada. As ações dos políticos, do Bundestag e dos parlamentos permanecem decisivas. No início de um período legislativo, os presidentes do Bundestag costumam lembrar da alta responsabilidade de todos os legisladores. Eles agora também carregam uma responsabilidade. Agora até mais do que nunca.  

 

27
Abr20

No “limite da barbárie”, diz Le Monde sobre evolução da pandemia no Brasil

Talis Andrade

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O cemitério Parque Taruma em Manaus, em 17 de abril de 2020. A capital do Amazonas é duramente atingida pela pandemia de coronavírus. REUTERS/Bruno Kelly

 

O jornal francês Le Monde destaca em sua edição de sábado (25) que a pandemia se agrava no Brasil, onde o número de mortes atribuídas à Covid-19 aumenta, enquanto o presidente Jair Bolsonaro continua negando sua gravidade.

por RFI
 

“Nós estamos no limite da barbárie”, diz o título do jornal, citando as palavras do prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, em entrevista à imprensa após reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, na segunda-feira (20). Na capital do Amazonas, o número de enterros triplicou e valas são cavadas com escavadeiras. “Nos hospitais sobrecarregados, os cadáveres são colocados em filas nos corredores, e os pacientes idosos são mandados para morrer em casa”, afirma o texto. 

O Ministério da Saúde do Brasil divulgou nesta sexta-feira (24) o mais recente balanço de casos de coronavírus no país. Até o momento, foram ao menos 3.670 mortes e mais de 52 mil casos confirmados. Mas como lembra o correspondente em São Paulo, Bruno Meyerfeld, os números oficiais não são confiáveis, porque as autoridades não conseguem mais testar nem os vivos nem os mortos, e certos números da Covid-19 são informados com até 20 dias de atraso.

Segundo estimativas da imprensa brasileira, citadas no artigo, os casos de pessoas contaminadas seriam 12 a 15 vezes superiores ao número anunciado pelas autoridades. Já as vítimas mortais poderiam ter ultrapassado 15 mil, nos piores cenários.

Um cirurgião de um hospital Geral de Fortaleza, que preferiu permanecer anônimo, diz que está em “uma guerra cotidiana”, por leitos e respiradores. Segundo o médico, 100% das vagas em terapia intensiva estão ocupadas no centro de saúde.

 

O artigo também comenta a falta de luvas e máscaras para profissionais de saúde nos hospitais de São Paulo, que tiveram que usar capas de chuva e sacos de lixo para se proteger, diz Sérgio Antiqueira, presidente do sindicato de empregados do setor, ao Le Monde. Alguns médicos e enfermeiros receberam apenas uma máscara descartável durante um mês.

Sistema de saúde

Segundo a especialista do setor da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entrevistada pelo jornal, Ligia Bahia, o Brasil não está pronto para enfrentar a epidemia. Apesar de possuir milhares de leitos em UTIs, a grande maioria está no sistema de saúde particular, indisponível para a maioria da população.

Segundo Le Monde, o resultado é que, em algumas regiões, o brasileiro deve percorrer até 155 quilômetros para conseguir os complexos tratamentos demandados pelo Covid-19.

Bahia ressalta que a pandemia mostra a falência do sistema democrático brasileiro que em trinta anos, desde o fim da ditadura, não investiu para criar um sistema de saúde público eficiente para os mais pobres, que serão as primeiras vítimas. “Ele funciona primeiro para os ricos”, diz a especialista.

Novo cemitério

Le Monde lembra que apesar do drama vivido pelo país, o presidente Jair Bolsonaro, para quem o vírus não passa de uma “gripezinha”, defende um retorno rápido à normalidade. O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, considerado como submisso a Bolsonaro, “não convence ninguém”, nem mesmo seus colegas de governo.

O jornal cita o Imperial College de Londres, segundo o qual, em caso de inação, a epidemia poderia fazer mais de 1 milhão de vítimas no Brasil. Apesar dos esforços dos governos estaduais para conter a contaminação, apenas metade dos brasileiros estaria seguindo as regras do confinamento e alguns estados já pensam em flexibilizá-las.

Prevendo o pior, segundo Le Monde, o estado de São Paulo ordenou em urgência que 13 mil novas valas fossem abertas e a compra de 38 mil caixões suplementares, além da construção de um novo cemitério. Os enterros serão feitos sem público e de noite, se necessário.

 

10
Abr20

 Ministro alemão diz que Trump demorou muito para agir contra coronavírus

Talis Andrade

DW - O ministro do Exterior alemão, Heiko Maas, criticou a demora do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reagir à pandemia de coronavírus. "A China adotou medidas muito autoritárias, enquanto nos EUA o vírus foi minimizado por muito tempo", afirmou ele à revista Der Spiegel. "São dois extremos, nenhum dos quais pode ser modelo para a Europa."

Maas ainda disse esperar que Washington repense suas relações internacionais em meio à crise de covid-19, acrescentando que políticas comerciais agressivas podem prejudicar a capacidade de países adquirirem equipamentos de proteção.

Os EUA são o país com o maior número de casos confirmados de coronavírus, com mais de 460 mil ocorrências, o que corresponde a mais de um quarto de todas as infecções mundiais. Mais de 16 mil pacientes morreram devido à doença.

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06
Abr20

Reinaldo Azevedo narra o grande milagre de Bolsonaro

Talis Andrade

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Podemos assistir nesta segunda, quem sabe?, ao "Grande Milagre do messias Bolsonaro".

Neste domingo, em que convocou a população a fazer jejum, o presidente dirigiu-se, como sempre, às portas do Palácio da Alvorada para conversar com apoiadores.

Provocou aglomeração, abraçou admiradores, fez selfies... Tudo o que não deve. Tudo o que não pode.

Convidado por um pastor, ajoelhou-se enquanto ouvia orações e cantos de louvor. Foi a vez, então, de o religioso determinar: a partir daquele instante, disse o homem, ninguém mais morreria de Covid-19 no Brasil porque o país estaria sendo, atenção!, abençoado por Deus e... por Bolsonaro! Leia mais aqui

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06
Abr20

Tigre contrai coronavírus em Nova York

Talis Andrade

A tigresa Nadia, de quatro anos,

A tigresa Nadia, de quatro anos, testou positivo para o coronavírus

 

por DW 

Uma tigresa-malaia de quatro anos de idade que vive no Zoológico do Bronx, em Nova York, tornou-se o primeiro casos conhecido no mundo de um tigre a contrair o novo coronavírus. Também é o primeiro caso conhecido de um animal com o vírus nos Estados Unidos.

A tigresa começou a apresentar sintomas respiratórios em 27 de março. A suspeita é que um funcionário do zoológico – infectado com o vírus, mas assintomático  tenha transmitido o patógeno para o animal. O local está fechado para o público desde 16 de março.

O zoológico enfatizou "não haver evidências de animais desempenhem um papel na transmissão da covid-19 para humanos, a não ser no ocorrido inicialmente no mercado de Wuhan, ou de que pessoas nos EUA tenham sido infectadas por animais, incluindo cachorros e gatos domésticos".

Outros casos de covid-19 em animais foram documentados pelo mundo. Na Bélgica, um gato doméstico testou positivo para o coronavírus, assim como dois cachorros em Hong Kong. Não foram reportadas mortes de animais em decorrência do vírus.

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03
Abr20

O "bolsovírus" mata o povo brasileiro

Talis Andrade

Por Jair de Souza

O mundo está sofrendo uma tragédia com o avanço do coronavírus. Um vírus que não respeita fronteiras, que não se importa com a ideologia ou a nacionalidade de suas vítimas. Porém, como todos os vírus e todas as grandes pestes que assolam a humanidade, o coronavírus também se assanha muito mais contra as pessoas humildes, contra os mais indefesos, contra os pobres.

No Brasil, no entanto, a tragédia se mostra muito pior. Além de ter de enfrentar os ataques do coronavírus, o povo brasileiro está tendo de resistir aos ataques de um vírus ainda mais cruel, um vírus ainda mais maldoso, ainda mais perverso. O povo brasileiro está sofrendo simultaneamente as agressões de um outro vírus até mais diabólico, o bolsovírus.

O bolsovírus é impiedoso com relação aos mais necessitados, não tem nenhuma empatia para com aqueles que não detenham grandes recursos econômicos. O bolsovírus não se importa nada com a vida de gente humilde. Por outro lado, o bolsovírus não agride aos grandes potentados da economia. É muito generoso com banqueiros, com especuladores financeiros e com donos de algumas redes de hamburguerias e de lojas de departamentos que exibam a Estátua da Liberdade em sua entrada. Para estes, é capaz de disponibilizar e liberar de imediato nada menos do que 200 bilhões de reais. Mas, com referência aos necessitados e desamparados, o bolsovírus não tem essa mesma condescendência. O bolsovírus pode até ser capaz de criar travas para impedir que os pobres tenham acesso a meros 600 reais que poderiam servir para saciar sua fome nesta hora tão difícil.

Para impedir a propagação do coronavírus, os médicos e cientistas do mundo todo recomendam medidas sanitárias rigorosas e um cuidadoso isolamento social que detenha seu avanço incontrolável. Já para combater o bolsovírus e não permitir que ele siga espalhando suas desgraças, os sociólogos e todas as pessoas providas de algum sentimento humanitário são quase unânimes em ressaltar a importância de desenvolver o nível de consciência do povo para que seja o próprio povo quem isole este vírus tão maléfico e não permita que ele continue disseminando o ódio e a morte pelo país.

 

02
Abr20

O vírus somos nós (ou uma parte de nós)

Talis Andrade

Jovem em Mumbai, Índia, no primeiro dia de quarenta imposta no país diante da pandemia de coronavírus, nesta quarta-feira.Jovem em Mumbai, Índia, no primeiro dia de quarenta imposta no país diante da pandemia de coronavírus. INDRANIL MUKHERJEE / AFP

 

 

No princípio era o vírus. Coronavírus. Em menos de dois meses após a primeira morte, registrada na China em 9 de janeiro, ele atravessou o mundo a bordo de nossos corpos que voam em aviões. Tornou-se onipresente no planeta, ainda que tão invisível quanto certos deuses para olhos humanos. Hoje, 1,7 bilhão de pessoas, cerca de um quinto da população global, está em isolamento. Escolas, restaurantes, cinemas e até shoppings cerraram as portas, fronteiras de países e de continentes fecharam, aviões se esvaziaram, presidentes maníacos finalmente foram reconhecidos como presidentes maníacos, neoliberais foram vistos clamando —“cadê o Estado? cadê o Estado?” —, ardorosos defensores dos planos privados de saúde compartilharam campanhas pelo fortalecimento do SUS, terraplanistas exigiram respostas da ciência. Pelas janelas do Facebook, Twitter, Whatsapp e Instagram, pessoas decretam: o mundo nunca mais será o mesmo.

Na guerra, temos dois caminhos pessoais que determinam o coletivo: nos tornarmos melhores do que somos ou nos tornarmos piores do que somos. Esta é a guerra permanente que cada um trava hoje atrás da sua porta. Momentos radicais expõem uma nudez radical. Isolados, é também com ela que nos viramos. O que o espelho pode mostrar não é a barriga flácida. Pouco importa, já não há onde nem para quem desfilar barrigas-tanquinho. O duro é encarar um caráter flácido, uma vontade desmusculada, um desejo sem tônus que antes era mascarado pela espiral dos dias. O duro é ser chamado a ser e ter medo de ser. Porque é isso que momentos como este fazem: nos chamam a ser.

Em tempos mais normais, podemos fingir que não escutamos o chamado a ser. Cobrimos essa voz com automatismos, a vida se resume a consumir a vida consumindo o planeta. Consumidores não são, já que consomem o ser. E agora, quando já não se pode consumir, porque logo pode não haver o que consumir nem quem possa produzir o que consumir, como é que se aprende a separar os verbos? Como se faz um consumidor se tornar um ser? (Continua)

 

 

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