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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

16
Ago22

Emoção pura

Talis Andrade

educacao liberdade estudante .jpg

 

Em lugar de privilegiar o berço histórico do grito do Ipiranga Bolsonaro convoca seus apoiadores e tenta enrolar as Forças Armadas em um destrambelhado comício em Copacabana

 

31
Jul22

7 de Setembro com tanques em Copacabana?

Talis Andrade

A incrível charge de Nando Motta sobre o 7 de setembro de 2021

 

por Fernando Brito

- - -

A festa dos 200 anos da Independência já estava estragada pelo devaneio golpista de Jair Bolsonaro, que resolveu transformar uma data cívica em “comício militarizado” a favor de sua reeleição.

Hoje, na convenção do Partido Republicano em São Paulo, não satisfeito, lançou a “ideia de jerico” de transferir o desfile militar de Sete de Setembro, no Rio, para a Praia de Copacabana, transformada nos últimos tempos em palco recorrente das manifestações de seus apoiadores, em lugar de fazê-la na Avenida Presidente Vargas, como é feita desde 1944.

Não há, ali, condições, como na Presidente Vargas, condições de fazer arquibancadas, no máximo é possível colocar gradis (e olhe lá) ao longo da orla, e não existem travessias alternativas à pista por onde passarão blindados e cavalarianos, com um risco imenso para as família que forem aproveitar o feriado na praia.

Tudo para permitir-lhe a cena de passar frente a bandos de alucinados, em pé em um veículo militar, simulando ser o general que jamais poderia ser.

Pouco importa a Bolsonaro: ele quer que parada militar e comício se misturem, como uma coisa só e ainda mostrar que os militares se movem para onde ele quiser.

Pouca importa que seus aliados e ministros digam que ele quer evitar confrontos, pois é exatamente o que ele mais deseja.

Tanto que seus discursos delirantes são, cada vez mais, ameaçando com “a volta do comunismo” que só um alucinado pode ter visto passar pelo Brasil.

Sete de Setembro | Charge | Notícias do dia

Image

Jair Bolsonaro mandou transferir a parada militar de 7 de Setembro da Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, para a Avenida Atlântica, na praia de Copacabana.
 
“O que o presidente Bolsonaro está fazendo, com o apoio das Forças Armadas, é sequestrar sem o menor constrangimento a comemoração do Dia da Independência em favor do candidato Bolsonaro”, disse Lauro Jardim.
 
“No caso da parada militar carioca travestida de manifestação (ou da manifestação travestida de parada militar, como se queira, pois é disso o que se trata), o Ministério da Defesa adequou até o horário aos interesses do presidente-candidato, que participará de manhã do desfile de Brasília.”
 
Ao contrário do que sempre ocorre, de fato, a parada golpista no Rio de Janeiro foi marcada para o período da tarde.

Bolsonaro disse para apoiadores que o desfile de 7 de Setembro no Rio de Janeiro terá uma novidade este ano: o evento será feito à tarde na avenida Atlântica, na praia de Copacabana.

Há décadas que a parada é realizada pela manhã na avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio. A mudança e a participação de policiais no desfile em ano eleitoral foi duramente criticada pelo general da reserva Paulo Chagas, ex-aliado do presidente. 

09
Jan22

O Canto Livre de Nara

Talis Andrade

www.brasil247.com -

 

Por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

Confesso que fui um dos que achava que Nara Leão cantava mal, que era desafinada. Depois de um tempo refiz meu julgamento e passei a curtir a Nara como ela era. Forte, apesar de parecer frágil, potente, apesar de insegura e militante, apesar de vir da classe média de Copacabana. O documentário O Canto Livre de Nara, da Globoplay ajuda a entender esse fenômeno. Nele vemos, por exemplo, o quanto a Nara passou pelos diversos movimentos da nossa música. Começou antes da bossa-nova, mudou para o samba, inaugurou a MPB e acabou naquele lugar onde o que você cantar está legal. Além disso mostra um Rio meio mágico, moderno, vivendo uma era de crescimento, de afirmação democrática e de grande criatividade.

Na época em que criticava Nara ainda não havia desenvolvido em mim o chamado senso crítico alternativo. Era um purista que jamais aceitaria, por exemplo, Nara gravar Roberto e Erasmo num lindo disco. Mas que bom que isso acontece e passa. A Nara política do show opinião, do Zé Kéti, do João do Vale é a Nara que cabia perfeitamente nela, naquele momento da nossa história. Com isso ela desloca aquela classe média pequeno burguesa para a realidade das favelas e do interior do Brasil.

O documentário nos mostra uma Nara sempre avançada, sempre moderna e muita vezes segregada por conta disso. Ela não ligava muito, mas era evidente o que acontecia. A Nara do samba também me faz tentar entender o que houve com o Rio de Janeiro.

Naqueles anos 60 o Rio era a Zona Sul que dividia o espaço de cidade com o subúrbio e a zona norte. Isso incluía a Mangueira, as favelas e o resto da cidade de origem pobre que convivia com a dita cidade rica. O que acontecia de fato? Não tínhamos informação sobre a zona norte? A zona norte e as favelas faziam parte de um folclore que esses artistas fizeram existir? A grande imprensa filtrava as informações e só líamos sobre o lado bom de tudo.

Nara e o espetáculo Opinião, além de terem sido politicamente importantes, abriram uma espécie de Túnel Rebouças, antes mesmo do túnel em si, para o que acontecia do outro lado do Corcovado. E mais, abriu a estrada para o resto do Brasil, completamente ignorado pela burguesia dominante, seja ela autoritária e fechada com o regime militar, ou bem pensante, morando na zona sul e cantando João Gilberto.

Mas o que aconteceu com o Rio é o que mais me intriga. Essa divisão ficou mais acentuada justamente depois do regime militar. Os pobres foram recolocados nos seus lugares de origem e o país foi preparado para ser conduzido e saboreado pelos ricos.

As favelas já delimitavam essa diferença e passaram a ser, depois de conduzidas e estabelecidas bem longe da zona sul, como uma espécie de campo de concentração da classe trabalhadora. Mas a arte acabou sendo mais forte e quebrando essa barreira. O Rio meio que se entregou a esse comando miliciano, mas a arte resistiu nas favelas, nas escolas de samba e hoje nas periferias.

A internet instrumentalizada ajudou a divulgar e ao mesmo tempo demonizar o que vinha de lá. O funk é o retrato de um Brasil pobre e orgulhoso. O samba resiste sempre ameaçado pela institucionalização e a nossa história vai sendo contada, e ainda bem, para que possamos ter na memória o que de fato aconteceu.

Numa época que o documentário Get Back sobre os Beatles vira fenômeno de audiência e nos ajudar e recompor essa memória, assistir O Canto Livre de Nara também ajuda. Eu, na época me aventurando com meu amigo e parceiro Zé Rodrix na carreira de compositor, fiquei extremamente feliz ao saber que uma versão que havíamos feito para um sucesso dos irmãos Gerswhin, Someone to Watch Over me, seria gravado por Nara no que acabou sendo seu último disco, My Foolish Heart, onde ela só cantava versões para grandes sucessos americanos. Eu e Zé estamos lá com “Alguém que Olhe Por Mim”. Muita alegria que até hoje me emociona.

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