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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Jul20

O discurso fake dos deputados bolsonaristas

Talis Andrade

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II - Quem é quem na rede de páginas e perfis pró-Bolsonaro derrubados pelo Facebook

por BBC News

Anderson Moraes

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Quem é? O empresário Anderson Moraes ingressou na política em 2016, mas não conseguiu se eleger ao cargo de vereador de Nova Iguaçu, onde sua mãe ocupou o mesmo posto. Dois anos depois seria eleito deputado estadual pelo PSL na esteira da vitória de Jair Bolsonaro, com 41 mil votos. Sua plataforma inclui bandeiras do movimento que lidera, o Ideologia Brasil, como flexibilização do porte de armas, defesa da ditadura militar e combate à corrupção.

Quais páginas/perfis associados a ele pelo Facebook foram derrubados? ideologiabrasil, bolsonaroni, Anderson Luis, Anderson LM, Rodrigo Weikert, artilhariadobem

O que diz o relatório? Novamente, segundo o levantamento, o maior núcleo da rede derrubada era ligada aos parlamentares do PSL do Rio de Janeiro por meio de seus assessores parlamentares - Vanessa Navarro, no caso de Anderson Moraes.

O que ele diz sobre a acusação? Moraes falou em perseguição política em entrevista à CNN Brasil. Sobre a assessora Vanessa Navarro, o parlamentar disse que ela defende ideias dela que vão de encontro às ideias do presidente e que teve sua conta excluída só por “expor seus pensamentos na internet”. Moraes também criticou a derrubada da conta do movimento que lidera, o Ideologia Brasil. Ele falou em censura, atentado à liberdade de expressão, perseguição à direita e ação ilegal contra o contraditório e a ampla defesa. O parlamentar disse que vai recorrer à Justiça.

Paulo Nishikawa

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Quem é? Coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, Paulo Nishikawa atuou em cargos de confiança de gestões estaduais e municipais. Em 2018, se elegeu deputado estadual pelo PSL-SP com 23 mil votos. Em 2019, passou a ser investigado pelo Ministério Público sob suspeita de montar um esquema de rachadinha em seu gabinete, prática ilegal na qual assessores devolvem parte do salário para o parlamentar. Nishikawa afirmou à época que a acusação era infundada.

Quais páginas/perfis associados a ele pelo Facebook foram derrubados? Jonathan William Benetti (perfis de seu assessor no Facebook).

O que diz o relatório? O deputado Nishikawa é apontado no levantamento de forma indireta por empregar o assessor Jonathan William Benetti, acusador de gerenciar perfis falsos para impulsionar conteúdo favorável a Nishikawa e a Bolsonaro.

O que ele diz sobre a acusação? Não foi localizado pela reportagem para comentar a medida do Facebook.

10
Jul20

Facebook suspende rede de desinformação ligada a assessores de Bolsonaro e filhos

Talis Andrade

 

10
Jul20

Quem é quem na rede de páginas e perfis pró-Bolsonaro derrubados pelo Facebook

Talis Andrade

fake contas falsas.jpg

 

por BBC

O Facebook tirou do ar nesta semana dezenas de perfis, páginas e contas da plataforma e do Instagram, sob acusação de que a rede era usada para espalhar conteúdo falso e favorável ao presidente da República, Jair Bolsonaro.

Segundo a rede social, entre os operadores da rede há servidores dos gabinetes ligados à família Bolsonaro. Além disso, foram derrubadas contas de assessores de deputados próximos do clã no Rio e em São Paulo, por usarem uma "combinação de contas duplicadas e contas falsas" para burlar as regras de uso da empresa.

A plataforma de rede social afirmou que as páginas derrubadas eram seguidas por 883 mil pessoas no Facebook, e por 917 mil no Instagram. Cerca de US$ 1,5 mil (R$ 8 mil) foram gastos para promover as páginas que integravam a rede de desinformação.

Veja abaixo quem é quem na rede de contas falsas apontada pelo Facebook e pelo Atlantic Council, um centro de estudos que mantém parcerias com a plataforma e que foi em parte responsável pela investigação.


Parlamentares aliados da família Bolsonaro

Alana Passos

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Quem é? Sargento do Exército filiada ao PSL, Alana Passos conhece a família Bolsonaro há anos e ganhou projeção durante a eleição de 2018, quando se tornou a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, com 106 mil votos.

Em suas páginas oficiais na internet, a parlamentar se descreve como evangélica, conservadora convicta, fiel escudeira e “a 01 de Bolsonaro”.

Quais páginas/perfis associados a ela pelo Facebook foram derrubados? AlanaOpressora (no Facebook e no Instagram), artilhariadobem, tvanticomunismobrasil e Fabio Muniz.

O que diz o relatório? Segundo o levantamento, o maior núcleo da rede derrubada era ligado a dois parlamentares do PSL do Rio de Janeiro por meio de seus assessores parlamentares: Vanessa Navarro, do gabinete de Anderson Moraes, e Leonardo Rodrigues, ex-assessor de Alana Passos. Não há referências diretas à atuação desses dois deputados.

O que ela diz sobre a acusação? Em nota, Alana Passos disse que não foi notificada pelo Facebook sobre nenhuma irregularidade ou violação de regras em suas próprias contas.

"Quanto a perfis de pessoas que trabalharam no meu gabinete, não posso responder pelo conteúdo publicado. Nenhum funcionário teve a rede bloqueada por qualquer suposta irregularidade. Estou à disposição para prestar qualquer esclarecimento, pois nunca orientei sobre criação de perfil falso e nunca incentivei a disseminação de discursos de ódio", disse ela.(Continua)

03
Mai20

As milícias digitais do capitão

Talis Andrade

 

quatro cavaleiros apocalipse Editorial_Ilustra_Cla

 

As informações digitais se converteram em armas e são usadas sem nenhuma ética por essa extrema direita. Pessoas são bombardeadas com desinformação sobre os “inimigos do poder”.

por Silvio Caccia Bava
Le Monde
 - - -

Não se atreva a discordar ou fazer críticas ao presidente. Você entra na mira das milícias digitais do capitão. Nem mesmo ministros do seu próprio governo escapam dessa perseguição destruidora de reputações. São ataques anônimos que veiculam mentiras, falseiam a realidade e seguem um método: primeiro sua credibilidade é atacada, depois eles te intimidam; com sua reputação minada, os ataques virtuais se transformam em ameaças físicas e aos seus familiares.

Para atacar seus desafetos, o presidente e seus filhos montaram dentro do Palácio do Planalto uma espécie de Agência Brasileira de Inteligência paralela, que elabora dossiês contra adversários e opositores.1 Essas informações vão para o Gabinete do Ódio, instalado no terceiro andar do Planalto. É aí que são produzidas as fake news e as campanhas do ódio, segundo a relatora da CPI das Fake News, deputada Lídice da Mata (PSB-BA).

Numa concepção de que estão em guerra na defesa de uma pauta de costumes e do próprio governo, e de que na guerra vale tudo, o importante é destruir os inimigos políticos, mesmo que para isso se utilizem de mentiras e ataques ultrajantes.
 

Segundo a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), o Gabinete do Ódio é coordenado pelos filhos Carlos e Eduardo, e conta com a participação do assessor especial da Presidência, Felipe Martins, e de três assessores de Carlos: Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz. Conta também com a colaboração de Olavo de Carvalho.

As informações digitais se converteram em armas e são usadas sem nenhuma ética por essa extrema direita. Pessoas são bombardeadas com desinformação sobre os “inimigos do poder”. São conteúdos racistas, sexistas, calúnias e falsas acusações. E para disseminá-los usam contas falsas e robôs.2

Desinformação é o conteúdo destinado a confundir. Cibermilícias são parte de campanhas mais inclusivas, envolvendo novos websites que parecem independentes, mas que se abastecem das mesmas fontes, todos impulsionando a mesma agenda. Um exército de trollscyborgs e bots, que se fazem passar por pessoas e replicam as mesmas mensagens.3

Ainda segundo a denúncia da deputada Joice Hasselmann, Jair Bolsonaro conta com 1,4 milhão de robôs que impulsionam seu Twitter, e Eduardo, com 468 mil.4
 

Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo analisando os apoiadores de Jair Bolsonaro no Twitter no dia 15 de março, que o homenageavam com a expressão #BolsonaroDay, identificou que, das 66 mil menções favoráveis ao presidente, 55% eram produzidas por robôs programados para viralizar suas mensagens. Foram identificadas 1.700 contas que reproduziram a mensagem #BolsonaroDay e foram desativadas horas depois da mensagem emitida. As contas foram utilizadas por robôs, bots, que emitiram 22 mil mensagens a favor de Bolsonaro.5

O Gabinete do Ódio, essa estrutura de manipulação da opinião pública, não foi montado depois da eleição. Ele foi trazido para dentro do Planalto, mas sua atuação vem de antes, e foi determinante para a própria eleição do capitão.
 

Há indícios de que a Cambridge Analytica, empresa especializada em manipular a opinião pública com base nos dados pessoais dos usuários do Facebook, teve atuação na campanha de Bolsonaro. Segundo Brittany Kaiser, ex-funcionária da Cambridge Analytica, a empresa chegou a negociar com um candidato à Presidência nas eleições de 2018.

Segundo o ex-presidente da Cambridge Analytica, Alexander Nix, as táticas de microssegmentação de anúncios podem garantir o sucesso de uma campanha política se usadas desde o início. Se o trabalho de convencimento começar dois anos antes, a vitória é praticamente garantida. Com um período de um ano a nove meses, as chances de vitória são muito boas. Mas os efeitos já se podem sentir com seis meses de trabalho, e você pode vencer o pleito.

Steve Bannon, o mentor da Cambridge Analytica, tem uma relação próxima com a família Bolsonaro. É possível que ele tenha orientado a campanha presidencial e continue apoiando a ação do Gabinete do Ódio pela via da microssegmentação das fake news.

A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as Fake News no Congresso já teve resultados curiosos. Segundo Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, com a instalação do inquérito, os ataques a ministros reduziram 80%.6 Mais uma evidência da centralização das iniciativas.

- - -

1 “Bebianno acusa Carlos Bolsonaro de montar Abin paralela para espionar opositores”, Blog do Ricardo Antunes, 3 mar. 2020. Reproduz declaração feita por Gustavo Bebianno, ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência do governo Bolsonaro, no programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo.

2 Peter Pomerantsev, “This is not propaganda – Adventures in the War Against Reality” [Isto não é propaganda – Aventuras da guerra contra a realidade], Faber & Faber, Londres, 2019.

3 Ibidem.

4 “O que é o ‘gabinete do ódio’ que virou alvo da CPMI das Fake News”, Gazeta do Povo, 23 abr. 2020.

5 Conversa Afiada, 3 abr. 2020.

6 “Ministro do STF cobra explicações de Bolsonaro”, Valor, 23 mar. 2020.

 

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