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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

09
Abr22

O PERFIL PSICOLÓGICO DOS ASSASSINOS EM SÉRIE E A INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

Talis Andrade

serial killer palhaço.jpeg

 

por GUIMARÃES, Rafael Pereira Gabardo

Resumo:

O objetivo deste trabalho é identificar e compreender a origem do comportamento do assassino em série e destacar as características comuns entre os serial killers. O trabalho faz uma abordagem dos métodos de investigação aplicados nos crimes praticados pelos assassinos. Foram utilizados na confecção do presente trabalho pesquisas em doutrinas, notícias veiculadas pela imprensa e internet, além de seguir o método dedutivo para o desenvolvimento do texto ora apresentado.

 

Abstract:

The purpose of this work is to identify and understand the origin of the serial murderer behavior, emphasize common characteristics between serial killers. The work approaches with investigation methods applied in the solution of crimes perpetrated by the killers. It has been used for elaboration of this present work doctrines research, news thrown by the press and internet, and also deductive system for the development of the study now introduced.

 

Introdução:

"As emoções humanas são um presente de nossos ancestrais animais.
Crueldade é um presente que a humanidade deu a si mesma”
Hannibal Lecte
r

 

Ainda não é de fácil compreensão o que impulsiona certas pessoas a adotarem uma postura que vai de encontro à lógica da preservação da vida, ou seja, indivíduos cujo objetivo é justamente o oposto, qual seja, o de exterminá-la. A origem desse comportamento geralmente é atribuída à determinada psicopatia, malformação mental, herança genética ou algum episódio violento ocorrido durante a infância ou adolescência. Tais indivíduos, ao cometer crimes contra a vida, são comumente reconhecidos pela alcunha de serial killers ou assassinos em série.

Algo que frequentemente deixa as pessoas surpresas é descobrir que essa espécie de homicidas tem vidas com aspectos comuns: possuem famílias, empregos, namoram, conversam com os vizinhos, leem livros, assistem filmes e etc. Aparentemente são pessoas normais que esconderam de todos, durante muito tempo, a sua verdadeira identidade maligna secreta. E isso realmente é assustador.

Há uma falsa noção de que os serial killers são produtos recentes das sociedades modernas, muito por conta da exploração midiática dos casos pelo jornalismo sensacionalista e cinema dos Estados Unidos no século passado e dias atuais. No entanto, ao longo da história da humanidade, verifica-se que eles sempre estiveram presentes em vários tipos de culturas e localidades diversas, porém, num primeiro relance passam despercebidos, já que a denominação serial killerfoi criada somente há algumas décadas atrás.

Na Idade Antiga e Idade Média, por exemplo, os guerreiros e cavaleiros, muitas vezes eram psicopatas que podiam livremente dar vazão aos seus objetivos homicidas sem se importar com qualquer forma de repreensão moral, uma vez que a única preocupação era apenas aniquilar o inimigo, independente da forma que isso ocorresse, ou seja, tinham plena liberdade para agir sem preocupação com as consequências dos seus terríveis atos. Por isso, não há dúvidas em se afirmar que os assassinos em séries permeiam a humanidade desde sempre.

E justamente diante desta afirmação é que surge uma grande perplexidade: os serial killers sempre estiveram por aí e a humanidade não conseguiu suprimir esse comportamento tão maligno da nossa convivência. Contudo, no último século, o avanço na área da psicologia, criminologia e investigação policial propicia fundamentos para uma mudança nesse panorama.

 

1. Serial Killers:

"O anjo caído torna-se um diabo maligno"
Mary Shelley

 

1.1 Origem do termo e definição:

A expressão serial killer é de certa forma recente, o que leva muitas pessoas a acreditar que esta espécie de indivíduo tenha surgido tão somente nas últimas décadas, pois anteriormente não se ouvia falar nesse termo.

Tal denominação foi criada nos anos de 1970 por Robert Ressler, agente especial do Federal Bureau of Investigation (FBI), membro fundador da Unidade de Ciência Comportamental. Segundo ele, ao assistir a palestra de um colega que se referia à sequência de roubos, estupros e assassinatos como “crimes em série”, ficou tão impressionado com a força da expressão, que passou a usar o termo serial killer para descrever o comportamento do homicida que reitera a prática de homicídios.

No entanto, vozes em contrário afirmam que Robert Ressler apenas adaptou o termo “homicida em série” (serial murderer), utilizado uma década antes por um crítico alemão chamado Siegrfried Kracauser. No entanto, não se pode por em descrédito a inovação de Robert Ressler ao introduzir uma palavra tão impactante na cultura mundial.

Mas como se define o serial killer? Essa é uma questão que não encontra harmonia entre os especialistas. Segundo o FBI, os assassinos em série são indivíduos que matam três ou mais pessoas, em locais diferentes e com um intervalo entre eles. Portanto, essa definição usa três critérios para identificar o serial killer, quais sejam: quantidade, lugar e tempo.

Contudo, a definição oficial do FBI sofre diversas críticas, pois ora seus elementos são muitos abrangentes, ora muito específicos. Por exemplo, muitos especialistas indicam que o serial killer pratica seus crimes sempre tendo uma forte conotação sexual em seus atos, e alguns outros criminosos não agem com essa finalidade, como por exemplo sequestradores, matadores de aluguel, mas se for considerado o critério objetivo da quantidade, todos se enquadrariam como assassinos em série.

Também o elemento objetivo de lugares distintos é questionado, já que notórios serial killers realizavam os seus crimes em um único local, como o caso de John Wayne Gacy, que usava o porão de sua casa para torturar e esconder os restos mortais de suas vítimas. Também o caso do alemão Joachim Kroll, o “Canibal de Ruhr”, que matava suas vítimas e as cozinhava em seu apartamento, jogando partes dos corpos no vaso sanitário, o que entupiu o encanamento do prédio e fez com que fosse descoberto. Além disso, não se pode desprezar os casos em que o indivíduo foi preso antes de cometer o terceiro assassinato, pois ele deixaria de ser um serial killer somente pelo fato de sua sequência ter sido interrompida fortuitamente?

Mas será que a diferença entre um serial killer e um assassino comum é só quantitativa? Óbvio que não. O motivo do crime ou, mais exatamente, a falta dele é muito importante para a definição do assassino como serial. As vítimas parecem ser escolhidas ao acaso e mortas sem nenhuma razão aparente. Raramente o serial killer conhece sua vítima. Ela representa, na maioria dos casos, um símbolo. Na verdade, ele não procura uma gratificação no crime, apenas exercita seu poder e controle sobre outra pessoa, no caso a vítima (CASOY, 2014, p. 20).

Por conta dessas críticas, surgiu uma outra definição mais flexível, elaborada pelo Instituto Nacional de Justiça dos Estados Unidos:

Uma série de dois ou mais assassinatos cometidos como eventos separados, geralmente, mas nem sempre, por um criminoso atuando sozinho. Os crimes podem ocorrer durante um período de tempo que varia de horas a anos. Muitas vezes o motivo é psicológico e o comportamento do criminoso e as provas matérias observadas nas cenas do crime refletem nuanças sádicas e sexuais (SCHECHTER, 2013, p.18).

Essa definição mais precisa é importante para, por exemplo, diferenciar o serial killer do assassino em massa (mass murderer). Ambas espécies de criminosos somente possuem um traço em comum: se envolvem em múltiplos homicídios.

Os assassinos em massa são aqueles que, por algum motivo que lhe tirou a vontade de viver ou lhe causa revolta, realizam uma carnificina em locais públicos, geralmente sem ter um plano de fuga e na grande maioria das vezes se suicidam ao final, seja dando cabo da própria vida após levar consigo o maior número de vítimas em seu surto de violência ou provocando um confronto fatal com a polícia. Normalmente usam armas de fogo. Nessa categoria entram também os ataques terroristas, que movidos por um ideal, praticam o homicídio de várias pessoas sabendo que ao final também serão mortos.

Cabe também indicar uma espécie diversa de assassino, o chamado spree killer, os quais geralmente são franco-atiradores (snipers) e que não pretendem ser presos:

Assemelha-se ao assassino serial, mas sua ação é muito mais veloz – porque mata muitos em um breve espaço de tempo -, e suas motivações não possuem um caráter sexual. Poderíamos considerá-lo um assassino em massa, porém mais lento em seu desdobramento […/ mas diferente deste, trata de passar despercebido, fugindo do público como da autoridade. (TENDLARZ; GARCIA, 2013. p.143).

Portanto, verifica-se uma clara distinção entre as espécies de homicidas, destacando que o serial killer nunca quer ser descoberto. Seus crimes possuem sempre um tom sexual e de sadismo.

 

1.2 Quem são os serial killers: aspectos gerais e psicológicos:

A maioria das pessoas tende a imaginar o serial killer como uma pessoa louca ou doente mental, o que se verifica não ser verdade na maioria dos casos. Há, no entanto, consenso de que os assassinos seriais possuem ligações íntimas com a psicopatia e a psicose, que são desvios mentais distintos.

A psicose é uma doença mental que provoca uma alteração na noção da realidade, onde um mundo próprio se forma na mente do psicótico, ou seja, ele vive num delírio e sofre alucinações, ouvindo vozes e tendo visões bizarras. As formas mais conhecidas de psicose são a esquizofrenia e a paranoia. Apenas uma reduzida parcela dos assassinos em série se enquadra no lado dos psicóticos, o que derruba a crença popular de que todo serial killer é louco.

Por outro lado, a psicopatia afeta a mente do assassino de forma diversa. Não cria nenhum tipo de ilusão na mente, ou seja, o indivíduo vê claramente a realidade e sabe que é proibido matar, porém suas perturbações mentais os fazem ser frios e sem empatia. Basicamente o serial killer psicopata vive uma vida dupla, mantendo uma aparência voltada para a sociedade, muitas vezes sendo uma pessoa gentil, racional e que interage com o meio social, porém, sua verdadeira identidade é mostrada somente para suas vítimas: um ser dissimulado e incapaz de sentir pena e de obter satisfação com tortura, estupro e assassinato.

Explicadas as diferenças mais substanciais entre psicóticos e os psicopatas, devem se fazer outros esclarecimentos importantes. O primeiro é que nem todos os assassinos seriais pertencem sempre a um desses dois grupos, mesmo que as estatísticas indiquem que a maior parte deles se encaixa neles. Estudos recentes dizem que a porcentagem de assassinos em série psicóticos está entre 10% e 20%. A porcentagem restante é quase integralmente pertencente aos psicopatas. O segundo esclarecimento: nem todos os psicopatas têm o mesmo grau de psicopatia e, por conseguinte, nem todos acabam se transformando em criminosos e muito menos assassinos seriais. Para termos uma ideia da incidência dessa anomalia comportamental no mundo, a Organização Mundial da Saúde apontou, em 2003, que cerca de 20% da população espanhola padecia de algum grau de psicopatia. Cerca de três anos antes, havia calculado que nos Estados Unidos moravam 2 milhões de psicopatas, dos quais 100 mil moravam em Nova York (RÁMILA, 2012. p.28-29).

Percebe-se então que o número de psicopatas no mundo é considerável, e mesmo sabendo que nem todos psicopatas são assassinos em série, esse percentual é deveras assustador.

A característica mais marcante do psicopata é ausência de empatia, pois possuem um vazio emocional e buscam emoções fortes de forma impulsiva, desprezando as relações humanas e a consequência dos seus atos. A vítima é apenas um objeto para o assassino em série:

Quando os assassinos em série são convidados a expressar as razões dos seus crimes, suas argumentações não despertam no interlocutor confiança alguma e são consideradas, na maioria das vezes, desculpas para evitar o cárcere ou a pena de morte (TENDLARZ; GARCIA, 2013, p.156).

E o que busca o serial killer com o cometimento dos crimes? Ele busca uma posição de superioridade, quer demonstrar que tem o poder e controle e faz isso degradando e humilhando suas vítimas. Alguns sentem essa sensação com a tortura, outros com o momento do assassinato e demais com a desfiguração ou desmembramento do corpo já inanimado.

Assim, os assassinos em série são divididos em quatro tipos:

  1. visionário: são os psicóticos, que matam como resposta às vozes ou visões que lhe exigem que cometam os crimes;
  2. missionário: acredita que a sociedade deve se livrar de determinadas categorias de pessoas (homossexuais, prostitutas, mulheres, crianças), pois crê que estas são o mal do mundo;
  3. emotivo: obtém prazer no planejamento do crime e mata por pura diversão;
  4. sádico: é o que busca satisfação através do sofrimento das vítimas, mediante tortura, mutilação e homicídio, os quais lhe trazem prazer sexual.

Olhando ao passado dos serial killers geralmente se encontram sinais comportamentais comuns entre eles, quais sejam: enurese em idade avançada (urinar na cama), piromania (provocar incêndios) e sadismo precoce (normalmente torturando animais ou crianças, como se fosse um ensaio para o futuro matador). Isso não significa que se uma criança fizer alguma dessas condutas certamente será uma assassina em série no futuro. É impossível fazer uma leitura prognóstica destes sinais. Contudo, o inverso sempre se mostra ocorrente, ou seja, no passado dos serial killers esses comportamentos são frequentes.

É a chamada “terrível tríade”, que também é complementada por outras características na infância: masturbação compulsiva, isolamento social, destruição de propriedade, baixa autoestima, acessos de raiva, dores de cabeça constantes, automutilações e convulsões.

 

1.1.2 Origem do comportamento homicida em série:

O avanço da psicologia, impulsionada pelos estudos de Carl Jung e Freud, permitiu perquirir sobre a origem dos atos humanos e especialmente os atos cruéis. Somado a isso, estudiosos de várias áreas, como policiais, psiquiatras, psicólogos, tem enveredado esforços para identificar as causas do comportamento desses assassinos.

Essas causas notadamente fazem referência a abuso infantil, seja psicológico ou físico ou sexual, influência genética, desequilíbrio químico na área mental, dano cerebral, exposição a eventos traumáticos e insatisfação acerca de “injustiças sociais”.

Vale destacar novamente que nem toda pessoa que tenha vivenciado algumas dessas referências necessariamente se tornará um psicopata. Frise-se que nos casos estudados sobre os serial killers, sempre há identificação de alguns desses aspectos indicados como causa, mas não é uma correspondência sempre certeira.

Notadamente, o abuso infantil é mencionado com frequência como parte do passado dos assassinos seriais:

Os pesquisadores sobre o tema consideram que o abuso infantil, de qualquer tipo e grau, não constituem uma causa exclusiva na formação de um futuro assassino, mas sim um fator muito importante para a compreensão do tema. Eles argumentam que os pais podem ser fontes de terror para os filhos. A mãe culpa-se mais que o pai, talvez porque comumente desaparece ou diretamente nunca esteve presente. As queixas sobre a mãe (são paradoxais) se referem acerca de seu caráter superprotetor ou muito distante; também de que se trata uma pessoa sexualmente ativa ou muito reprimida. Já sobre o pai, menciona-se serem alcoólatras, agressores ou misóginos. A marginalização e a ignorância sofrida por essas crianças precede suas futuras condutas agressivas, como também poderão resultar em um fanático religioso ou em iniciativas violentas para impor disciplina (TENDLARZ; GARCIA, 2013. p.152).

Também é com frequência relatado que os serial killers passaram por algum acidente ou agressão na infância que gerou danos cerebrais ou que existe alguma alteração química na mente. Por exemplo, John Gacy, o “Palhaço Assassino”, desmaiava com frequência devido a algum tipo de anomalia cerebral. Já Arthur Shawcross, o “Assassino do Rio Genesse”, tinha duas fraturas no crânio.

Outra causa apontada pelos especialistas é a influência do meio social. Muitos indivíduos acabam catalisando os estímulos ambientais ou ficam insatisfeitos com injustiças sociais, ou aparentes incorreções sociais que só existem na mente do indivíduo. Muitos pesquisadores indicam que a violência estimulada pelas mídias pode ser um fator que estimule o aparecimento de pessoas psicopatas. A cultura da violência na televisão, cinema, jornalismo, videogames, para alguns, serve de combustão para pessoas com desordem mental.

Rámila (2012) explana que a violência sempre existiu e em termos globais, inclusive as sociedades eram mais belicosas antigamente. Contudo o que ocorria era o conflito violento entre sociedades distintas. Países guerreavam um contra o outro. Mas hoje a violência está presente internamente, os conflitos ocorrem entre vizinhos e familiares. A violência é glorificada como forma de solução dos conflitos. Além disso, a pressão social em busca do sucesso a qualquer custo motiva o aparecimento do serial killer. Uma sociedade que classifica como pessoas vencedoras somente aquelas que tiveram grandes ganhos materiais acaba gerando um sentimento geral de frustração e injustiça, pois é evidente que a grande maioria não será rica ou famosa. Essa insatisfação propicia ao assassino um motivo para se rebelar e conquistar o seu “sucesso” pessoal.

No tocante à herança genética, a qual se afasta um pouco da concepção de que o indivíduo é produto exclusivo do meio, temos que, embora os assassinos em série comumente venham de lares disfuncionais, não se pode negar a possibilidade de que os mesmos genes que tornam os pais degenerados e perversos, sejam os mesmos genes passados aos filhos que futuramente se tornam assassinos:

Descobertas científicas recentes parecem confirmar que personalidades gravemente antissociais são, pelo menos em parte, produto de fatores genéticos. Experimentos mostraram que quando pessoas nascidas com ‘baixa atividade’ de certo gene (algo chamado ‘gene de monoamina oxidase A’) são submetidas a maus-tratos graves na infância, elas tem uma probabilidade muito maior de se tornar criminosos violentos do que pessoas nascidas com ‘alta atividade’ desse gene. Em suma, parece provável que tanto a educação como a natureza podem contribuir para a criação de serial killers (SCHECHTER, 2013, p.261).

Diante desse prisma, a origem do comportamento de cada serial killer é muito peculiar, porém, apresentado muitos traços comuns entre eles. Mas o certo é a tendência deles de repetir no futuro as causas da sua origem assassina, porém passando da posição de “vítima” para autor.

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Ilustração: do serial killerJohn Gacy,  que se vestia de palhaço para alegrar crianças

31
Ago19

Uma onda de insanidade invadiu o país pós-Bolsonaro

Talis Andrade

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por Ribamar Fonseca

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Alguém precisa urgentemente apresentar um projeto de lei, ao Congresso Nacional, tornando obrigatório o exame de sanidade mental para candidatos a cargos eletivos, especialmente candidatos a prefeito, governador e presidente da República, e também candidatos ao serviço público, sobretudo no Judiciário e no Ministério Público. Se essa lei já existisse certamente não teríamos hoje um governador como Wilson Witzel e um presidente como Jair Bolsonaro, bem como juízes como Sergio Moro e procuradores como Deltan Dallagnol, Pozzobom, Laura Tessler e outros integrantes da Lava-Jato. A insanidade deles é gritante, pois uma pessoa normal, em seu juízo perfeito, jamais comemoraria ou debocharia da morte de um ser humano. O governador carioca, na tentativa de capitalizar o sucesso da operação policial que interrompeu o sequestro de um ônibus na ponte Rio-Niterói, comemorou, como se fora um gol, a morte do sequestrador, um jovem de 20 anos que não feriu ninguém, apenas “queria entrar para a história”, segundo depoimento de um passageiro do ônibus. William Augusto da Silva, conforme as notícias, usava uma arma de brinquedo e foi abatido por atiradores de elite. Witzel e Bolsonaro comemoraram a morte do rapaz, uma atitude insana condenada pela grande maioria dos brasileiros. Surpreendentemente, porém, eles não são os únicos. Ainda existe muita gente que também fica feliz com a morte de alguém, um comportamento que se tornou rotineiro sobretudo entre seguidores do capitão-presidente. Será que uma epidemia de loucura se alastrou no país após a eleição de Bolsonaro?

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Um exemplo de que a insanidade parece ter tomado conta de boa parte da população foi dado pela  blogueira Alessandra Strutzel, que comemorou a morte do neto de Lula, uma criança de apenas 7 anos de idade. Bolsonaro, aparentemente, liberou, com seu discurso de ódio, os piores instintos do ser humano e, lamentavelmente, muita gente de má índole, até então contida, deu vazão às suas taras. A violência explodiu, as agressões, sobretudo contra quem não rezava pela cartilha do capitão, se tornaram rotina, o feminicídio cresceu em todo o país e os ruralistas incrementaram as queimadas, especialmente na Amazônia, considerando-se liberados pelo Presidente, inclusive para ocupar as terras dos indígenas. E o país, já classificado de lixo pelo próprio Bolsonaro, conforme pronunciamento feito durante a campanha eleitoral, se transformou num grande hospício. Hoje fala-se em matar com a maior naturalidade, como se a vida não valesse nada, sob aplausos de quem se diz religioso e evoca o nome de Deus, cujo 5º mandamento determina: “Não matarás”. O ódio, disseminado pela mídia e redes sociais e potencializado pelo capitão-presidente, contaminou parte da população, principalmente  ocupantes de cargos públicos com poderes sobre a vida das pessoas, destruindo reputações e causando enormes estragos em todos os setores de atividades. E a insanidade passou a determinar o comportamento de quem se identificou com a nova ordem implantada por um homem despreparado para ocupar o mais alto cargo da Nação e que, deslumbrado com o poder, provavelmente imagina que seria bom  renunciar à nossa soberania em favor dos Estados Unidos, o seu país do coração. 

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No mesmo nível de insanidade estão os procuradores da Lava-Jato, à frente Deltan Dallagnol, que debocharam da morte da esposa, do irmão e do neto do ex-presidente Lula, conforme revelou o The Intercept ao divulgar os diálogos secretos dos membros da força-tarefa. Nem Freud talvez conseguisse explicar o  ódio que endureceu o coração desse pessoal. Não satisfeitos com a condenação e prisão de Lula, embora injustas porque sem provas, os integrantes da força-tarefa passaram a tripudiar sobre a sua dor, revelando uma crueldade sem precedentes na história do Ministério Público. Se pudessem eles já o teriam condenado à morte e provavelmente dariam gargalhadas histéricas quando a sentença fosse cumprida. Com mais de 70 anos de idade, o ex-presidente poderia então dizer o mesmo que disse Sócrates, que também tinha mais de 70 anos  quando condenado a beber cicuta por seus julgadores: “Se eles esperassem mais um pouco não precisariam carregar na consciência o peso da minha morte. A natureza se encarregaria de matar-me”. Todo mundo sabe que o ex-presidente foi condenado e preso como resultado de  uma verdadeira farsa, comandada pelo hoje ministro da Justiça Sergio Moro, apenas para impedi-lo de concorrer às eleições presidenciais e permitir a ascensão de Bolsonaro. Ainda assim, talvez por medo dos militares, o Supremo Tribunal Federal até hoje tem negado a sua liberdade.

O julgamento do habeas corpus de Lula e do pedido de suspeição do ex-juiz Sergio Moro vem sendo adiado seguidamente pelo presidente do Supremo, ministro Dias Tóffoli, para possivelmente agradar aos que desejam manter o líder petista na prisão mesmo conscientes da sua inocência. A sua defesa pediu agora a anulação da sua condenação, a exemplo da recente decisão que anulou a condenação de Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás, mas considerando o comportamento acovardado da Corte, duramente criticada  até pelos procuradores da Lava-Jato conforme vem revelando o The Intercept, tem-se a impressão de que mais uma vez o pedido de Lula será  negado, assim como foi negada a absolvição sumária da sua esposa Marisa Letícia, mesmo depois de morta, do processo  dirigido pelo então juiz Sergio Moro. Com essa decisão o Supremo não se mostra  muito diferente  da força-tarefa, cujos integrantes  debocharam da morte da esposa do ex-presidente, do seu irmão e do seu neto, um comportamento que expõe, de maneira assustadora, a face cruel daqueles membros do Ministério Público. E ninguém toma qualquer providência para puni-los, como se as instâncias superiores aprovassem a atitude deles. Aliás, ao contrário do esperado, o corporativismo do Conselho Nacional do Ministério Público tem arquivado, sistematicamente, todas as ações contra o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que, apesar das denúncias do The Intercept, continua intocado. Não se cogita, sequer, de uma CPI para investigar as ilegalidades cometidas pela força-tarefa, que tanto mal fez ao país.   

Sabe-se hoje, graças ao The Intercept, que o  combate à corrupção não passou de  um biombo para esconder dos olhos da sociedade  os verdadeiros objetivos políticos da Lava-Jato. E virou o melhor  pretexto para facilitar a perseguição de adversários políticos, inclusive com ações ilegais que se caracterizaram como abusos de autoridade. Consciente disso, o Congresso aprovou a chamada “Lei Cancellier”, que prevê punição para os abusos e que está dependendo da sanção do presidente Bolsonaro para entrar em vigor. Com a aprovação dessa lei muita gente, entre magistrados, procuradores e policiais – especialmente a turma da Lava-Jato – entrou   em pânico, mobilizando-se em todo o país para pressionar o Presidente a vetá-la integralmente, certamente consciente dos riscos que correrão com a sua vigência, obviamente porque sabem o que fizeram e o fazem. Nem todos os membros dessas categorias, no entanto, temem essa lei, porque se comportam dentro dos limites da legalidade. O mesmo acontece com os homens que tratam bem as suas mulheres: nenhum deles tem medo da Lei Maria da Penha.     

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27
Ago19

Ao ironizar morte de D. Marisa, procuradora revela ignorância sobre realidade feminina no Brasil

Talis Andrade

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por Denise Assis

Jornalistas pela Democracia 

Não bastasse ter sido tachada de “incompetente” pelos colegas da Lava-Jato - embora no caso deles o rótulo tenha outro significado* – a procuradora Laura Tessler aparece nas recentes revelações de conversas da turma de Curitiba, divulgadas pelo The Intercept, como uma mulher desumana, preconceituosa e machista. 

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Sua frase ao tomar conhecimento da morte da ex-primeira-dama, D. Marisa Letícia: “Ridículo… Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão… ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula”, traz à luz a sua total falta de compostura para o cargo que exerce, além de ser altamente reveladora.

Ao medir D. Marisa por sua régua, a Dra. Tessler mostra-se, além de tudo, frágil e desatualizada sobre a realidade feminina do país em que vive. Sem contar a sua total falta de “sororidade”, termo que não deve constar do seu vocabulário. 

O comentário sobre o excesso de sal na carne, remete (tal como o que foi feito pelo presidente relativo à Brigitte, a primeira-dama francesa), à idade de D. Marisa. E, quanto às “puladas de cerca”, Laura mostra-se ainda no século 19, quando Alexandre Dumas Filho fez sucesso com o romance “A Dama das Camélias”, em que a mocinha adoece, suspira e morre por amor (desculpem o spoiler).

O que a Dra. Laura Tessler ignora é que a força e a formação política de D. Marisa não permitiriam para ela esse desfecho. D. Marisa enfrentou as tropas da ditadura, realizando uma passeata com centenas de mulheres e filhos de metalúrgicos pela liberdade de seus maridos e pais. Cena impensável na vida desta senhora, habitué de gabinetes. O casal “da Silva” viveu uma trajetória de luta e cumplicidade, onde não cabem cenas de traição com “the end” de morte ou mal súbito. Reserve isto para a sua biografia, Dra. Só uma mulher muito “inha” poderia supor tal epílogo.

Não fosse suficiente todo o desrespeito com D. Marisa, a Dra. Laura Tessler ainda demonstra total ignorância sobre a vida das mulheres brasileiras, que ao se verem traídas ou abandonadas por seus pares, vão à luta pela própria sobrevivência e a dos seus filhos. De acordo com números do IBGE, o total de famílias chefiadas exclusivamente por mulheres, no Brasil, nos últimos 15 anos, mais que dobrou. O número de lares com esse formato teve um crescimento de 105% e já representa 40,5% das residências do país. Eram 14 milhões em 2001 e, em 2015, somavam 28,9 milhões. Dessas, 11,6 milhões estão inseridas no chamado “arranjo monoparental”, ou seja, composição familiar de núcleo único (sem cônjuge).

Outro aspecto distante do horizonte desta senhora Tessler, é a violência que as brasileiras enfrentam pelas ruas, país afora. Em 2018, o Atlas da Violência (Ipea/FBSP) se debruçou pela primeira vez sobre o quadro de abusos sexuais contra meninas e mulheres. Ao comparar os dados registrados pelas polícias nos estados brasileiros e no Sistema Único de Saúde, o estudo alertou que: considerando a subnotificação, estima-se que ocorram entre 300 mil e 500 mil estupros a cada ano. A mesma fonte calcula que aconteçam 135 estupros registrados por dia e ressalta que se todos os casos fossem denunciados oficialmente, isso elevaria a estimativa média para 822 a 1.370 estupros a cada dia no Brasil. Sem contar o número de vítimas femininas de assassinatos. São em média 13, diariamente.

Com toda esta tragédia diante dos olhos, Dra. Procuradora Laura Tessler, torna-se cada vez mais raro os casos de mulheres que caiam duras por uma “pulada de cerca”. Os pulos dados pelas brasileiras hoje são pelo sustento e pela preservação da vida. A senhora não tem alma e está muito demodé.

*Laura Gonçalves Tessler é uma procuradora do Ministério Público Federal que ganhou notoriedade ao passar a integrar em 2015 a força-tarefa do MPF na Operação Lava Jato, em Curitiba. É formada em direito pela Universidade Federal do Paraná e, aos olhos dos colegas procuradores, sua incompetência se deveu ao fato de não ser enfática e incisiva nos questionamentos ao ex-presidente Lula, durante o seu interrogatório.

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13
Jun18

Como um promotor e um juiz do interior de SP esterilizaram uma mulher à força

Talis Andrade

Defensoria Pública de SP aponta que apenas a mulher pode decidir sobre seu corpo; decisão em segunda instância impedindo procedimento chegou tarde demais

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Fachada da Santa Casa de Mococa, que aproveitou parto para fazer esterilização

 

Mulher e pobre, Janaina Aparecida Quirino começou a perder o direito ao próprio corpo em maio do ano passado. Foi quando o promotor Frederico Liserre Barruffini, da comarca de Mococa, no interior de São Paulo, entrou com uma ação civil pública pedindo a esterilização à força de Janaina.


Na ação, o promotor alegou que, por ser moradora de rua e usar drogas, Janaina não teria condições de criar os filhos e muito menos de tomar decisões por conta própria. Barruffini lançou mão de jurisprudência que trata da obrigação do Estado em prover dependente químico de tratamento de saúde, ainda que tenha que fazê-lo de forma involuntária.

Depois que o juiz Djalma Moreira Gomes acatou o pedido, a mãe não teve mais escolha. Quando foi à Santa Casa de Mococa para dar à luz o oitavo filho, em 14 de fevereiro deste ano, o hospital, cumprindo a ordem judicial, realizou uma cesárea em Janaina e aproveitou a mesma cirurgia para praticar nela uma laqueadura. Janaína, que entrou no pronto-socorro para ter um filho, saiu de lá estéril. Leia mais. Texto de Maria Teresa Cruz

 

03
Jun18

A importância da compaixão para mudar o Brasil

Talis Andrade

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por Mário Lima Jr

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Acordar, pegar o celular e compartilhar uma frase irônica pra debochar dos amigos "coxinhas" ou "comunistas". Geralmente acompanha a frase uma foto ou vídeo completamente fora de contexto. Mais da metade da população está presente nas redes sociais e pode ser resumida assim a manifestação política mais frequente entre os brasileiros. É pouco pra mudar nosso fracasso social. O Brasil melhora quando um cidadão do país para de pensar em si mesmo, abandona a ironia barata e reconhece que nenhuma criança brasileira deve continuar na miséria, explorada sexualmente nas comunidades ribeirinhas nem drogada com solvente nas ruas das capitais.

 

Logo aqui, onde milhões de negros e índios foram massacrados por três séculos, o sentido de urgência para eliminar a pobreza não é popular. Pelo contrário: cotas raciais e programas assistenciais são covardemente combatidos por uma parcela da população e os direitos dos povos indígenas e quilombolas são ameaçados pelo Governo Temer. Práticas tão absurdas, e cruéis, quanto restringir o uso da água para combater um incêndio.

 

Agente de transformação universal, a força da opinião pública nacional é prejudicada pela secular falta de investimento na formação do indivíduo. Como então começar a mudar o Brasil agora, embora assaltado por Temer, se não for pela compaixão e por sua sede de justiça? É esse sentimento que move qualquer pessoa dedicada ao Brasil dentro dos movimentos sociais, coletivos e organizações não governamentais (e no Congresso Federal, claro).

 

Há um engasgo entre os brasileiros que impede a organização do pensamento. Um ódio contra jovens criminosos ao invés da vontade legítima de corrigir seu rumo. Em vez da reflexão e mea-culpa enquanto sociedade, o desejo de punir. Há uma angústia no ar, sofremos juntos mas buscamos soluções sozinhos, e também um clima denso e opressor de "cada um por si" refletido nas pesquisas de intenção de voto para Presidente da República, em outubro. Monstros pregadores da violência estão entre os mais votados.

 

Em dias tão negros - brasileiros voltaram a passar fome - lembrar que somos uma espécie capaz de amar equilibra uma balança cujo contrapeso é vasto: desemprego, racismo, exclusão. Oferecer abrigo ao morador de rua, um prato de comida ao faminto e até uma publicação de solidariedade no Facebook são mais dignos do que manipular o vídeo de uma entrevista com Luciana Genro e publicá-lo na Internet com o intuito de ridicularizar a Esquerda.

 

Nosso maior inimigo não é a corrupção, mas a vida nacional ter se desenvolvido em torno da pobreza e da violência e se habituado a elas ao ponto de desejarmos "bom dia" pelo WhatsApp, junto com balões e flores piscando, e logo em seguida curtirmos mensagens implorando intervenção militar no Twitter. A compaixão encerra o período de falhas seguidas da razão brasileira e derruba a ideia de antes ele, o pobre, do que eu.

 

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29
Mai18

Venda de virgindade online: prostituição ou estupro velado?

Talis Andrade
media
No começo deste mês, uma francesa de 20 anos vendeu a virgindade por US$ 1,2 milhões no site alemão Cinderella Escorts.

 

 

O fenômeno da venda da virgindade por jovens mulheres na internet não é novo, mas se torna cada vez mais comum e midiatizado. Entrevistados pela RFI, especialistas em sexo e direitos das mulheres oscilam ao classificar a prática de prostituição e estupro velado.

 

Nos últimos anos, jovens que vendem sua primeira experiência sexual na internet por quantias milionárias se multiplicam. No Brasil, Catarina Migliorini, que leiloou sua virgindade online em 2012, chamou a atenção de todo o país e foi assunto de um documentário. Na Inglaterra, no início deste ano, uma jovem recebeu um milhão de libras vendendo sua virgindade a um misterioso ator de Hollywood. Aqui na França, no início deste mês, uma jovem parisiense também atraiu a atenção da opinião pública ao anunciar ter arrematado US$ 1,2 milhão em troca de sua primeira experiência sexual.

 

Em um vídeo publicado nas redes sociais, a parisiense Jasmine, de 20 anos, explica o que a motivou a vender sua virgindade. “Quero estudar, conhecer o mundo, aprender com isso, ser uma empresária e também ajudar meus pais”, disse a jovem, alegando que tem muitas contas para pagar.

 

Segundo o site alemão Cinderella Escorts - plataforma onde a transação foi realizada -, um banqueiro de Wall Street foi quem deu o lance de US$ 1,2 milhão pela virgindade de Jasmine. Entrevistada pelo jornal britânico The Sun, a jovem classifica a experiência, que aconteceu nos Estados Unidos, de “positiva”, ressaltando que o homem foi “gentil e cuidadoso” durante o ato sexual e que eles planejam se encontrar novamente. “A maioria das pessoas trocaria um milhão de dólares por sua primeira vez se pudessem voltar no tempo”, disse.

 

A questão parece ser muito mais complexa e é alvo de duras críticas na França. As matérias publicadas pela mídia francesa questionam a prática, lembrando que se fosse na França, ela não aconteceria, já que a prostituição é ilegal no país. “Quando o hímen será cotado na bolsa?”, ironiza o jornal Libération em uma matéria publicada na semana passada, estimando que o fenômeno coloca em questão a evolução da relação com o corpo e deste rito de passagem.

 

Um fenômeno que data da Idade Média

“Esse fenômeno me dá a impressão que ainda estamos na Idade Média”, diz o sexólogo Philippe Arlin. O especialista lembra que nesta época, na França, os homens ricos tinham o direito de deflorar suas serviçais, ainda que estivessem conscientes que, tirando a virgindade delas, essas mulheres estariam para sempre afastadas da sociedade.

 

Séculos após o período “das trevas”, muitos mitos ainda permanecem no imaginário masculino. “É a ideia de possuir, de ser o primeiro, e de se apropriar da juventude de alguém – noções que foram criadas por homens e que continuam ainda hoje a perseguir as mulheres na forma de assédios e agressões sexuais”, salienta Arlin.

 

O sexólogo compara o interesse dos homens em comprar a virgindade de mulheres na internet à pedofilia. “Aceitar pagar pela prática é reconhecer o interesse em mulheres que não são sexualmente maduras”, avalia.

 

Na internet, tudo se compra

Vender a virgindade em plataformas como a Cinderella Escorts leva milhares de dólares ou euros para as contas das candidatas. Mas a exposição que recebem das mídias também é uma espécie de recompensa, em uma época em que reality shows produzem “celebridades” a granel e que a popularidade nas redes sociais é sinônimo de sucesso.

 

Por isso, a estratégia de recorrer ao método é considerado como um caminho mais curto e simples para alcançar a fama ou ganhar dinheiro, na opinião do sexólogo. “Na internet, tudo pode ser comprado e tudo pode ser vendido”, reitera Arlin.

 

Embora o método seja relativamente recente, a polêmica questão existe “desde que o mundo é mundo”, avalia a militante feminista Lorraine Questiaux, do Coletivo Francês para os Direitos das Mulheres. “O sistema patriarcal continua impondo que a mulher é uma mercadoria”, reitera.

 

Ela compara a venda da virgindade na internet ao casamento forçado, que em muitas sociedades é realizado em troca de bens ou dinheiro. Afinal, para a militante feminista, o consentimento das mulheres que vendem a virgindade é questionável. “É evidente que, em uma cultura que educa as mulheres a se tornarem objetos sexuais, vamos exigir delas que colaborem com sua própria dominação”, analisa.

 

Por isso, para Questiaux, muito além da prostituição, a venda da virgindade na internet não passa de um estupro velado e normalizado sob a ideia de que a prática tem o acordo da candidata em questão. “O que deveríamos nos perguntar é de que forma essas jovens foram condicionadas para que, aos 20 anos, elas queiram vender na internet sua primeira vez a um desconhecido”, diz.

 

Em entrevista ao jornal Libération, um responsável do site Cinderella Escorts afirma que não promove a prostituição, mas apenas proporciona uma forma segura para as mulheres ganharem dinheiro. “Elas são selecionadas sob critérios de beleza, mas também tentamos saber se elas estão seguras de sua escolha”, garante, lembrando que a quantidade de virgens no site subiu de 400 para 20 mil nos últimos dois anos.

 

 

30
Jan18

Vídeo com ‘homens nus da cintura pra cima’ pode derrubar Cristiane a protegida de Temer

Talis Andrade

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Em meio a um enorme impasse político, em função da impossibilidade de tomar posse no Ministério do Trabalho, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) resolveu aproveitar a folga e gravar um vídeo, durante um descontraído passeio de iate, acompanhada de quatro homens, para se defender: “Todo mundo pode pedir qualquer coisa abstrata na Justiça, ainda mais a Justiça do Trabalho. Eu juro pra vocês que eu não achava que tinha nada pra dever para essas duas pessoas que entraram contra mim. E eu vou provar isso em breve”.

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A posse da filha de Roberto Jefferson foi suspensa pela presidente do Supremo Tribuna Federal (STF), Cármen Lúcia. A ministra Cármen analisou uma reclamação movida por um grupo de advogados, que contestou no STF a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que havia liberado a posse de Cristiane Brasil. O grupo, o mesmo que conseguiu nas primeiras instâncias barrar a deputada de assumir a pasta, alega que a nomeação da filha de Cristiane contraria o princípio da moralidade, determinado pela Constituição, por causa de condenações que Cristiane Brasil sofreu na Justiça Trabalhista.

 

 

Cristiane Brasil quer um ministério para ajudar os descamisados de sua lancha. Por Carlos Fernandes: A caricata postulante ao ministério do trabalho do governo Temer conseguiu, em exatos 53 segundos, dar uma demonstração pedagógica acerca do pensamento classista brasileiro preservado dos tempos em que navios negreiros ainda aportavam no litoral desse país.

 

O presidente Michel Temer (PMDB) defendeu o nome da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho e criticou o fato de a posse ter sido barrada pela Justiça. 

28
Jan18

Febre amarela desata caça bárbara contra macacos no Rio e ninguém foi preso que lei no Brasil é para inglês ver

Talis Andrade
Justiça de faz de conta. Leis mais leis para inglês ver. O artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais, de 1998, prevê detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar” qualquer tipo de animal. Se houver a morte do bichinho, a pena aumenta até um terço.
 
 
A imprensa internacional registra:
Em menos de um mês, Estado registrou a morte de 132 primatas, 60% deles assassinados pelo homem.
Envenenados ou espancados, animais massacrados prejudicam o monitoramento da doença
 
Há famílias inteiras de primatas mortas. Em 22 anos de carreira como médica veterinária, Márcia Rolim nunca tinha visto nada igual. “Nunca vi uma matança tão grande contra uma espécie. Estamos todos indignados com o que estamos presenciando. De vez em quando nós temos casos de maus tratos, mas nunca nessa proporção e nem com a crueldade das lesões que estou vendo”, lamenta Rolim, também subsecretária municipal de Vigilância Sanitária no Rio.

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Há famílias inteiras de primatas mortas. Em 22 anos de carreira como médica veterinária, Márcia Rolim nunca tinha visto nada igual. “Nunca vi uma matança tão grande contra uma espécie. Estamos todos indignados com o que estamos presenciando. De vez em quando nós temos casos de maus tratos, mas nunca nessa proporção e nem com a crueldade das lesões que estou vendo”, lamenta .

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26
Jan18

Adoramos a los animales domésticos, que son, en realidad, obra nuestra

Talis Andrade

En EEUU hay 163 millones de perros y gatos que consumen el 19% de los alimentos y el 33% de las proteínas animales del país.

Acabamos “mascotizando” a todos los “vencidos”: los pobres, los indígenas, las mujeres, a los que se rinde culto como “animales domésticos” 

 

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Tolerancia, piedad y mascotismo



por SANTIAGO ALBA RICO

 

Primero murió Pan, el dios rijoso de las patas de cabra, y su último grito, según nos cuenta Plutarco, sacudió el Mediterráneo. Después murió Dios, el bueno, el celoso, el omnipotente, empujado al abismo por la ciencia y el socialismo. Después murió el Hombre, desplazado por azares integrados e invisibles relaciones de poder. A principios del siglo XXI, ¿qué queda? O mejor dicho, ¿qué vuelve? Los animales.

 

 

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