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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

10
Set21

A elite que ama a mentira

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

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É unânime: o “recuo” de Jair Bolsonaro é insincero e tático, pois a ele se sucederá outro avanço, e não demora.

É chocante: a transição de “sai daí, canalha” para “professor e jurista” que o presidente fez nos seus conceitos sobre Alexandre de Moraes só é possível para alguém que não tem o menor traço de caráter e coerência.

É aterrador: tudo isso se dá sem que haja, salvo exceções – reação à altura de instituições e personagens da vida política e econômica do país.

Por vezes, o país parece estar nas mãos de adolescentes malcomportados, que brigam e “fazem as pazes” com a facilidade de quem troca de roupa.

Houve um ensaio de golpe e fica tudo bem: saem os manifestos em defesa das instituições da democracia, entram as louvações ao diálogo que, neste caso, só podem ser acertos de interesses de mando, não os do país.

Como se pode defender os organismos políticos se, em meio ao confronto entre poderes se, esquecidos de tudo, largam a crise e vão votar a toque de caixa mudanças na lei eleitoral?

Como se pode falar em altivez e independência de quem é chamado de canalha num dia e no outro já está recebendo conversinhas sem “o calor do momento”?

Na vida pessoal e na vida pública, recomposições acordos só podem (e devem) existir com dois fundamentos: o tempo e os fatos.

Não houve nem um nem outro, mas um conchavo, costurado pelo “patrono” de Moraes, Michel Temer, alguém repelido pela opinião pública justamente por, em madrugadas e subsolos, fazer acordos para “manter isso”.

Aliás, que vergonha ambos admitirem que a “carta” do atual presidente é, na verdade, do ex-presidente, que deixou o Planalto sob a rejeição quase total do povo brasileiro.

Foi, de fato, uma “usurpação consentida” do poder que, certamente, não terminará no texto.

A satisfação das elites não é, certamente, o sentimento da população, que não vê ações e só declarações hipócritas para dizer que este país precisa funcionar.

Fica-lhe, com razão, a ideia de que só importa às nossas camadas dirigentes – na política e economia – a continuidade do funcionamento das máquinas de ganhar dinheiro, favores e privilégios.

Compreende-se: é a razão da vida desta gente, mas não é o suficiente para que, por isso, o país continue descendo ladeira abaixo, desgovernado, como um trem doido.

Pior: de deformar este país à esta face monstruosa, onde facínoras recalcados, intolerantes, no grito e na chantagem, dobram facilmente as instituições nacionais com seu espinhaço de borracha, com um simples “foi no calor do momento”.

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03
Out20

O Estadista

Talis Andrade

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por Joelma Lúcia Vieira Pires/ GGN

- - -

O estadista modélico é sujeito histórico constituído na política que reafirma a esfera pública, é descendente da pluralidade e defende a liberdade como o direito de luta contra todas as formas de tirania para a construção da democracia fundamentada na cultura da cidadania do mundo comum e humano. O estadista é homem público infenso à escravização por seus desejos particulares, não é prisioneiro de demandas da vida privada em desprezo da pública, pois tem o discernimento de que a constituição da sua condição humana e a dos seus tem intrínseca relação com a de todos os outros em amplitude universal.

Tal estadista possui a habilidade de identificar o grupo de indivíduos que baliza suas ações consoante referenciais alheios aos interesses da esfera pública objetivando ampliar as suas vantagens na esfera privada sob a forma de benefícios e privilégios. O estadista modélico é excluído desse grupo de conluio por não ceder às tentações de apequenamento ao preço de interesses nefastos. Tal distanciamento é assimilado pelo estadista modélico com orgulho, pois revela a sua posição indisponível à corruptibilidade ordinária, e que tem na coerência a narrativa de vida.

O estadista modélico se posiciona contra a tirania dos que reproduzem práticas afins com as distorções impostas pelas iniciativas de maximização de lucros e benefícios típica da esfera privada. Ele tem o reconhecimento dos que pertencem ao mundo que prioriza a democracia como conflito que possibilita a criação de direitos iguais aos diferentes na garantia da justiça social. O estadista modélico tem projeto que considera o desenvolvimento econômico, social e cultural como benefício da humanidade, sempre prioriza o exercício de cidadania de todos e o direito de participação efetiva do povo trabalhador, em um pacto social de autonomia e cooperação fundamentado no reconhecimento do potencial e capacidade de independência do seu país.

O estadista modélico respeita a cultura, a educação emancipadora e a arte como expressão da humanização do homem. Tem a sabedoria política promotora da estabilidade social e tendente ao desenvolvimento para o bem coletivo, e a sensatez dos que constroem as suas condições. Tem coragem de assumir responsabilidade com o mundo em um projeto de emancipação da humanidade e, por isso, é aclamado por manifestar amor ao mundo (amor mundi). O estadista modélico tem a tranquilidade de quem age com lealdade, a altivez de quem conhece o significado da soberania e da dignidade, assume a individualidade que fundamenta a singularidade e a imponência da subjetividade.

O estadista modélico tem a coragem como virtude política, conhece o medo mas despreza a covardia, defende a liberdade contra a escravidão, busca a emancipação de todos como caminho de superação. Aceita o sacrifício como manifestação da honra. O estadista modélico tem compromisso com a constituição do Estado republicano como forma de antiliberalismo para a garantia da coisa pública como domínio dos cidadãos em responsabilidade com o bem comum. Para tanto, aprecia e qualifica a política como decisão coletiva quanto aos interesses e direitos da sociedade. O estadista modélico reafirma a democracia como luta pela igualdade da organização humana orientada pelo princípio da justiça social e contra a dominação insana do capital. Sabe que a espontaneidade da expressão humana como liberdade impede qualquer terror. O estadista modélico luta contra a banalização do mal, suscita sonhos e possibilita o encontro de todos com a esperança de reconstrução. (Continua)

 

07
Mai20

Peça 4 – mídia e coerência

Talis Andrade

Ernesto-Araujo chanceler.jpg

 

IV - Xadrez de Moro e a mídia no país dos arrivistas

por Luis Nassif
___

Não se atribua a incoerência ao público. Mesmo o homem comum cobra coerência das pessoas. É essa cobrança que inibe o arrivismo, que causa vergonha e, assim, dificulta as mudanças de posição e garante um mínimo de comportamento ético dos entes públicos.

Mas, para cobrar coerência, há a necessidade da informação isenta. E esse produto não é oferecido pela mídia.

Analisem-se políticos que se tornaram referência na redemocratização, especialmente José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Aloysio Nunes.

Ser contra o PT faz parte do jogo político. Já abdicar de princípios é uma questão de caráter, é a marca do arrivista.

Quando os ventos mudaram, a social democracia de José Serra cedeu lugar ao candidato raivoso, que acusava a adversária de “matar criancinhas” e que aparecia na campanha eleitoral entrando na casa humilde, abrindo um exemplar da Bíblia e rezando com a família.

Como chanceler, tornou-se o Ministro que tentou comprar votos de países, para interferir na escolha da presidência do Mercosul, alimentando a guerra fria contra a Venezuela. Só parou quando a Lava Jato chegou nas contas da família, provocando problemas de coluna.

O mesmo fez Aloysio Nunes, assumindo o Ministério das Relações Exteriores e atropelando regras históricas de não-intervenção em problemas internos de outros países. Antes disso, participou da vergonhosa pantomima de ir com o ínclito Aécio Neves à Venezuela, para cobrar democracia.

Agora, Aloysio é convidado a assinar um manifesto de ex-chanceleres ao lado de pessoas sérias, como Celso Lafer, Rubens Recupero, Celso Amorim

No entanto, ambos – Serra e Aloysio – alimentaram a guerra fria que, depois, veio resultar em Ernesto, o idiota. Mas qual a diferença? Apenas o fato de Ernesto ser idiota.

bolsonaro ernesto parafuso solto.jpg

 

 

 

05
Mai20

Peça 2 – a importância da coerência

Talis Andrade

tortura vaccari.jpg

 

II - Xadrez de Moro e a mídia no país dos arrivistas

por Luis Nassif
___

Não de trate o respeito à coerência como mero moralismo. Em uma sociedade, é requisito fundamental para a consolidação de valores.

Sem essa cobrança, o sujeito pode abusar da incoerência hoje porque, amanhã, todos os pecados serão perdoados, desde que tenha senso de oportunidade para mudar de posição e cavalgar as novas ondas. Isto é, saber performar.

O princípio da Justiça de Transição para punir crimes da ditadura – “para que não se esqueça, para que não se repita” – é justamente a ideia de punir os erros do passado, para impedir a repetição no futuro.

É a coerência que permite a consolidação de valores e sua não repetição. Quem quiser enveredar pela incoerência sempre fica com a espada de Dâmocles da condenação da opinião pública pairando sobre seu pescoço.

Uma sociedade que abdica da coerência está sujeita a qualquer movimento das ondas. O defensor da política de ódio de ontem, torna-se defensor da democracia de hoje, e voltará à defesa do direito penal do inimigo amanhã, se a cobrança de coerência não for a métrica adotada.

 

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