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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Out20

O Estadista

Talis Andrade

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por Joelma Lúcia Vieira Pires/ GGN

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O estadista modélico é sujeito histórico constituído na política que reafirma a esfera pública, é descendente da pluralidade e defende a liberdade como o direito de luta contra todas as formas de tirania para a construção da democracia fundamentada na cultura da cidadania do mundo comum e humano. O estadista é homem público infenso à escravização por seus desejos particulares, não é prisioneiro de demandas da vida privada em desprezo da pública, pois tem o discernimento de que a constituição da sua condição humana e a dos seus tem intrínseca relação com a de todos os outros em amplitude universal.

Tal estadista possui a habilidade de identificar o grupo de indivíduos que baliza suas ações consoante referenciais alheios aos interesses da esfera pública objetivando ampliar as suas vantagens na esfera privada sob a forma de benefícios e privilégios. O estadista modélico é excluído desse grupo de conluio por não ceder às tentações de apequenamento ao preço de interesses nefastos. Tal distanciamento é assimilado pelo estadista modélico com orgulho, pois revela a sua posição indisponível à corruptibilidade ordinária, e que tem na coerência a narrativa de vida.

O estadista modélico se posiciona contra a tirania dos que reproduzem práticas afins com as distorções impostas pelas iniciativas de maximização de lucros e benefícios típica da esfera privada. Ele tem o reconhecimento dos que pertencem ao mundo que prioriza a democracia como conflito que possibilita a criação de direitos iguais aos diferentes na garantia da justiça social. O estadista modélico tem projeto que considera o desenvolvimento econômico, social e cultural como benefício da humanidade, sempre prioriza o exercício de cidadania de todos e o direito de participação efetiva do povo trabalhador, em um pacto social de autonomia e cooperação fundamentado no reconhecimento do potencial e capacidade de independência do seu país.

O estadista modélico respeita a cultura, a educação emancipadora e a arte como expressão da humanização do homem. Tem a sabedoria política promotora da estabilidade social e tendente ao desenvolvimento para o bem coletivo, e a sensatez dos que constroem as suas condições. Tem coragem de assumir responsabilidade com o mundo em um projeto de emancipação da humanidade e, por isso, é aclamado por manifestar amor ao mundo (amor mundi). O estadista modélico tem a tranquilidade de quem age com lealdade, a altivez de quem conhece o significado da soberania e da dignidade, assume a individualidade que fundamenta a singularidade e a imponência da subjetividade.

O estadista modélico tem a coragem como virtude política, conhece o medo mas despreza a covardia, defende a liberdade contra a escravidão, busca a emancipação de todos como caminho de superação. Aceita o sacrifício como manifestação da honra. O estadista modélico tem compromisso com a constituição do Estado republicano como forma de antiliberalismo para a garantia da coisa pública como domínio dos cidadãos em responsabilidade com o bem comum. Para tanto, aprecia e qualifica a política como decisão coletiva quanto aos interesses e direitos da sociedade. O estadista modélico reafirma a democracia como luta pela igualdade da organização humana orientada pelo princípio da justiça social e contra a dominação insana do capital. Sabe que a espontaneidade da expressão humana como liberdade impede qualquer terror. O estadista modélico luta contra a banalização do mal, suscita sonhos e possibilita o encontro de todos com a esperança de reconstrução. (Continua)

 

07
Mai20

Peça 4 – mídia e coerência

Talis Andrade

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IV - Xadrez de Moro e a mídia no país dos arrivistas

por Luis Nassif
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Não se atribua a incoerência ao público. Mesmo o homem comum cobra coerência das pessoas. É essa cobrança que inibe o arrivismo, que causa vergonha e, assim, dificulta as mudanças de posição e garante um mínimo de comportamento ético dos entes públicos.

Mas, para cobrar coerência, há a necessidade da informação isenta. E esse produto não é oferecido pela mídia.

Analisem-se políticos que se tornaram referência na redemocratização, especialmente José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Aloysio Nunes.

Ser contra o PT faz parte do jogo político. Já abdicar de princípios é uma questão de caráter, é a marca do arrivista.

Quando os ventos mudaram, a social democracia de José Serra cedeu lugar ao candidato raivoso, que acusava a adversária de “matar criancinhas” e que aparecia na campanha eleitoral entrando na casa humilde, abrindo um exemplar da Bíblia e rezando com a família.

Como chanceler, tornou-se o Ministro que tentou comprar votos de países, para interferir na escolha da presidência do Mercosul, alimentando a guerra fria contra a Venezuela. Só parou quando a Lava Jato chegou nas contas da família, provocando problemas de coluna.

O mesmo fez Aloysio Nunes, assumindo o Ministério das Relações Exteriores e atropelando regras históricas de não-intervenção em problemas internos de outros países. Antes disso, participou da vergonhosa pantomima de ir com o ínclito Aécio Neves à Venezuela, para cobrar democracia.

Agora, Aloysio é convidado a assinar um manifesto de ex-chanceleres ao lado de pessoas sérias, como Celso Lafer, Rubens Recupero, Celso Amorim

No entanto, ambos – Serra e Aloysio – alimentaram a guerra fria que, depois, veio resultar em Ernesto, o idiota. Mas qual a diferença? Apenas o fato de Ernesto ser idiota.

bolsonaro ernesto parafuso solto.jpg

 

 

 

05
Mai20

Peça 2 – a importância da coerência

Talis Andrade

tortura vaccari.jpg

 

II - Xadrez de Moro e a mídia no país dos arrivistas

por Luis Nassif
___

Não de trate o respeito à coerência como mero moralismo. Em uma sociedade, é requisito fundamental para a consolidação de valores.

Sem essa cobrança, o sujeito pode abusar da incoerência hoje porque, amanhã, todos os pecados serão perdoados, desde que tenha senso de oportunidade para mudar de posição e cavalgar as novas ondas. Isto é, saber performar.

O princípio da Justiça de Transição para punir crimes da ditadura – “para que não se esqueça, para que não se repita” – é justamente a ideia de punir os erros do passado, para impedir a repetição no futuro.

É a coerência que permite a consolidação de valores e sua não repetição. Quem quiser enveredar pela incoerência sempre fica com a espada de Dâmocles da condenação da opinião pública pairando sobre seu pescoço.

Uma sociedade que abdica da coerência está sujeita a qualquer movimento das ondas. O defensor da política de ódio de ontem, torna-se defensor da democracia de hoje, e voltará à defesa do direito penal do inimigo amanhã, se a cobrança de coerência não for a métrica adotada.

 

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