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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

20
Abr21

Estudo conclui que hidroxicloroquina está associada a maior mortalidade de pacientes com Covid-19

Talis Andrade

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Pesquisa assinada por mais de 90 cientistas e analisou 28 ensaios clínicos publicados, nos quais participaram 10.319 pacientes

 

 

Estudo metanalítico publicado, na quinta-feira, 15, na revista científica britânica "Nature", concluiu que o uso da hidroxicloroquina em tratamento de pacientes com Covid-19 está associado a uma mortalidade maior. 

Segundo o estudo, a cloroquina - tão divulgada por Jair Bolsonaro no Brasil - não apresenta benefícios no tratamento contra o vírus.

A pesquisa foi assinada por mais de 90 cientistas e analisou colaborativamente 28 ensaios clínicos publicados ou não, nos quais participaram 10.319 pacientes.

Os pesquisadores também ressaltam que "centenas de milhares de pacientes têm recebido HCQ e CQ fora de ensaios clínicos, sem evidência de seus efeitos benéficos. O interesse público é sem precedentes, com fraca adiantada evidência apoiando méritos da HCQ sendo amplamente discutida em mídias e redes sociais — apesar dos resultados não favoráveis por um largo ensaio clínico randomizado".

"Nós descobrimos que tratamento com hidroxicloroquina é associado com aumento da mortalidade de pacientes com Covid-19, e não há benefício da cloroquina", afirma a pesquisa.

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06
Abr21

Bolsonaro pode ter que indenizar quem acreditou na cloroquina, diz jurista

Talis Andrade

 

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por Leonardo Sakamoto
 

Após casos de efeitos colaterais graves e óbitos relacionados ao uso de medicamentos do "kit covid", o presidente Jair Bolsonaro pode vir a ser responsabilizado judicialmente por ter sido garoto-propaganda de produtos sem eficácia comprovada para a doença. E desembolsar indenizações.

A avaliação foi feita pela jurista Eloísa Machado, professora da FGV Direito-SP e coordenadora do centro de pesquisas Supremo em Pauta, à coluna, nesta segunda (5) - dia em que o Brasil registrou mais 1.623 mortes, totalizando 333.153 óbitos por covid-19.

Isso, claro, não afasta a possibilidade de o crime de responsabilidade por ter se omitido na segunda onda do coronavírus em Manaus, quando a falta de oxigênio hospitalar levou brasileiros à morte por asfixia, ser julgado. O governo federal, ao invés de fornecer o insumo hospitalar, enviou uma equipe para despejar cloroquina na cidade.

"Como o presidente da República tem um papel especial na movimentação de toda a máquina pública para fazer propaganda de um tratamento que, além de não ser comprovadamente eficaz para covid-19 também gera outros efeitos colaterais para quem toma, ele pode sim responder pelos danos que acometeu nesse papel", avalia Machado. "Já temos, neste momento, vítimas fatais do uso equivocado desses medicamentos."

As notificações de efeitos colaterais decorrentes do uso dos remédios do "kit covid", como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, dispararam em 2020 em relação a 2019, com nove mortes registradas após março do ano passado. As informações são de reportagem de Leandro Prazeres e Paula Ferreira, no jornal O Globo desta segunda (5).

Só as notificações relacionadas à cloroquina foram de 139 para 916, um salto de 558%. Os dados são do Painel de Notificações de Farmacovigilância mantido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nenhuma morte havia sido registrada por uso de hidroxicloroquina e de sulfato de hidroxicloroquina em 2019. Em 2020, ano em que Bolsonaro ofereceu os produtos até para as emas do Palácio do Alvorada, foram oito óbitos. Os principais efeitos foram taquicardia, náuseas, vômito e tontura. Vale lembrar que o uso do vermífugo ivermectina para prevenir a doença causou lesões no fígado de brasileiros. Pelo menos cinco estão esperando, hoje, um novo órgão na fila do transplante.Em cruzada pela cloroquina, Bolsonaro mostra remédio... às emas do AlvoradaVídeo: Bolsonaro é bicado na mão ao alimentar emas do Alvorada neste sábadoEma | Humor Político – Rir pra não chorar

Marketing do 'tratamento precoce' inexistente

"Se não tem alternativa, por que proibir [a cloroquina]? Ah, não tem comprovação científica que seja eficaz. Mas também não tem comprovação científica que não tem comprovação eficaz [de eficácia, provavelmente]. Nem que não tem, nem que tem." Bolsonaro usou uma live, no dia 16 de julho do ano passado, para defender fervorosamente o uso de medicamentos do 'kit covid'. "

"É uma realidade: tem muita gente quando toma, como meu caso, no dia seguinte tava bom, pô! Foram embora os sintomas", afirmou. "Por que negar [a cloroquina]? Não tem outra alternativa."

Sentindo-se protegidos pela existência de um "tratamento precoce" que promete resolver a covid logo no início e que, ainda por cima, tem como garoto-propaganda o próprio presidente da República, cidadãos rompem o isolamento social, se contaminam e contaminam os outros.

Dois médicos que estão na linha de frente, um de um hospital público do interior de São Paulo e outro de um hospital particular na capital paulista, afirmaram à coluna que pacientes chegam ao pronto-socorro com baixa oxigenação e pulmões comprometidos após terem se automedicado por dias. Em comum nas histórias, o fato de que davam entrada dizendo que não sabiam a razão de terem ficado tão doentes. "Fiz tudo direitinho, tomei o kit covid desde cedo", ouviu um deles.

Por acreditar em Bolsonaro, pacientes continuam usando o produto e não vão para o hospital. Até que seja tarde demais.

Eloísa Machado afirma que, como o presidente, também podem responder o Conselho Federal de Medicina, que não regulamentou devidamente essa matéria quando provocado, e os médicos que, sabendo dos riscos e da ineficácia para tratamento de covid, seguiram prescrevendo tais medicamentos.

"Na minha opinião, todas essas instâncias podem sim serem responsabilizadas civilmente pelos danos que causaram às pessoas. E também aos familiares de eventuais vítimas fatais", explica.

Charlatanismo

O médico e advogado sanitarista Daniel Dourado, pesquisador do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (Cepedisa/USP) e do Institut Droit et Santé da Universidade de Paris, disse à coluna que fazer propaganda enganosa e abusiva de um medicamente é também uma infração sanitária e, portanto, passível de multa.

Dourado lembra que anunciar cura que não existe é crime de charlatanismo, com pena de três meses a um ano de detenção.

Para julgar criminalmente o presidente, tanto no caso do tsunami de cloroquina que ele derramou sobre o país quanto pelo crime de charlatanismo, a Procuradoria-Geral das República teria que apresentar denúncia ao Supremo Tribunal Federal e a Câmara dos Deputados teria que autorizar a abertura do processo.

Como Augusto Aras tem evitado mover ações contra o presidente, que tem outro aliado na cúpula da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), isso é bastante improvável neste momento.

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01
Abr21

Gasto com kit Covid permitiria comprar 5,9 milhões de doses de vacina

Talis Andrade

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Investimentos federais com remédios sem eficácia comprovada também poderiam bancar a abertura de 3,7 mil leitos de UTI

 

Metrópoles - Hoje lutando para evitar o desabastecimento nacional de insumos para tratamento hospitalar de pacientes graves da Covid-19, o governo federal destinou R$ 89 milhões apenas para compra de remédios sem eficácia comprovada na recuperação de infectados. Com o montante gasto nos medicamentos, seria possível financiar a aquisição de 5,9 milhões de doses de vacina contra o novo coronavírus.

Cada vacina distribuída pelo governo federal teve custo unitário de R$ 15,12, conforme dados do Ministério da Saúde. O dinheiro seria capaz, então, de financiar quase 6 milhões de imunizantes. O total de doses é suficiente para vacinar completamente toda a população adulta do Distrito Federal.
 
A quantia usada pelo Executivo na compra dos remédios usados no chamado “kit Covid” (azitromicina, ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e oseltamivir) também permitiria a abertura de, pelo menos, 3,7 mil leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) para hospitalização dos infectados.
 

Isso porque, de acordo com dados do Ministério da Saúde, os custos para a contratação de 10 leitos de UTI estão estimados entre R$ 239 mil e R$ 299 mil. Os R$ 89 milhões, portanto, financiariam entre 298 e 372 dezenas – o que equivale a 2.980 leitos no maior valor e 3.720, no menor.

 

Kit intubação e máscaras

 

Mais do que a falta de leitos para pacientes, a rede de saúde, pública e particular, enfrenta o risco de desabastecimento geral de remédios utilizados para intubação. Segundo levantamento realizado pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, com base no Painel Covid, um terceiro destino possível para este montante seria a compra de medicamentos usados para intubar pacientes em situação grave por conta do coronavírus.

Um dos insumos necessários para o procedimento é o propofol. No último pregão registrado no Painel Covid, o preço por ampola da substância usada para a sedação de pacientes a serem intubados foi de R$ 31. Os R$ 89 milhões seriam suficientes para a compra de quase 2,9 milhões de unidades do sedativo.

Outra finalidade para o dinheiro poderia ser a aquisição de máscaras de proteção do tipo N95, cujo uso é recomendado por especialistas. A reportagem encontrou dois pregões para aquisição do produto – um com o preço unitário de R$ 3,59 e outro com valor por unidade de R$ 8,65. Assim, entre 10,3 e 24,8 milhões de máscaras poderiam ter sido adquiridas com os recursos gastos em remédios sem eficácia contra a Covid-19.

 

Gastos injustificáveis

 

Para Francisco Antônio Coelho Júnior, professor do curso de pós-graduação em administração pública da Universidade de Brasília (UnB), o governo não cumpriu com a “hierarquização dos gastos para o atendimento de demandas mais emergenciais”.

“Não sei as bases em que essa decisão [de investir R$ 89 milhões em remédios sem eficácia comprovada] foi tomada. Não diria que houve uma falha, mas a prioridade foi assentada em outras premissas que não a resolução de problemas imediatos e emergenciais.”

O especialista em administração pública avalia que a decisão do governo federal não considera a necessidade prioritária da população.

“Se você tem toda uma demanda emergencial para resolver e investe em outra finalidade, como nesses kits de tratamento precoce, as bases para essa tomada de decisão não consideraram a priorização da necessidade. Há uma hierarquia de necessidades para o atendimento do bem comum da população – que não foi cumprida, nesse caso”, disse.

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“Viés político”

 

Na última quarta-feira (31/3), a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a recomendar que pacientes não utilizem e profissionais de saúde não receitem o uso de ivermectina para tratamento da doença, com exceção do uso para estudos clínicos.

Em nota, a OMS afirmou que o antiparasitário apresenta “muito baixa evidência” sobre sua eficácia no combate ao vírus pelo organismo. A ivermectina é apenas um dos vários remédios receitados por médicos no tratamento com o kit Covid.

O médico infectologista do EuSaúde Luis Gustavo Santos classifica que o uso do medicamento extrapolou o âmbito científico e adotou “viés político”.

“Quando a doença surgiu, tudo foi buscado no âmbito do tratamento para o vírus, e a ivermectina já tinha mostrado atividade antiviral em estudos in vitro, que possuem grande diferença para os estudos in vivo. Os resultados foram obtidos com dosagens extremamente elevadas, não recomendadas em bula pela produtora do remédio”, explicou.

Segundo o profissional de saúde, “não há solução satisfatória que não uma vacina”. “Estudos descartaram que houvesse alguma melhora, no que quer que seja, dos pacientes. Vejo um viés político em um kit que é completamente inócuo”, completou.

 

Efeitos colaterais

 

O infectologista César Carranza, do Hospital Anchieta de Brasília, alerta para o uso dos remédios do kit. Segundo o médico, há risco de que os usuários do tratamento sofram com efeitos colaterais.

“Esses medicamentos podem ter efeitos colaterais potencializados. Falando, especificamente, em ivermectina há a toxicidade hepática. Pacientes estão evoluindo para a necessidade de transplante hepático. Nós temos observado que os exames se alteram mais nesse paciente que fez o uso do remédio, do que em quem não tomou”, pondera.

Já a azitromicina e a hidroxicloroquina podem levar o paciente a desenvolver arritmias cardíacas. “Se você tomar os dois, o risco é dobrado, potencialmente. Reforço aqui que o remédio é ineficaz e há grave risco de apresentar problemas futuros. O infectado, se não tomar ou se tomar [o kit Covid], vai sarar do mesmo jeito. Há um grau de efeito placebo nos remédios, pois a cura é espontânea”, finaliza.

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28
Mar21

Deputado defensor da cloroquina aguarda UTI para tratar Covid

Talis Andrade

deputado estadual Coronel Sandro

 

O deputado estadual Sandro Lúcio Fonseca (PSL-MG) foi hospitalizado para tratar de sintomas relacionados à infecção por Covid-19. Segundo comunicado de sua assessoria, o parlamentar passou mal nessa sexta-feira (26). Defensor do tratamento precoce com cloroquina, agora o parlamentar aguarda por uma UTI.

O parlamentar está na emergência do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte e aguarda por uma vaga no Centro de Terapia Intensiva (CTI).

O coronel Sandro, como é conhecido o deputado em Minas Gerais, é defensor do tratamento precoce com cloroquina e também contrário às políticas de fechamento. Por mais de uma vez ele defendeu o “isolamento vertical”, que foi descartado pelos médicos sanitárias na primeira onda da pandemia.

“Eu acho que nós temos que voltar ao trabalho, com trabalho, com responsabilidade. Eu não me prendo ao politicamente correto e ao senso comum. Pobreza, miséria e desemprego irão matar muito mais do que a Covid-19”, declarou o deputado em discurso na Assembleia de Minas Gerais.

Leia a reportagem completa na Revista Fórum.

Debora Diniz
@Debora_D_Diniz
Pastor Silas Malafaia dizia que a pandemia era coisa de “mídia esquerdista”. Está doente de covid, deixou de orar por Bolsonaro. Será que vai se tratar com cloroquina e reza?Image
 
24
Mar21

Coronavírus: Chefes de UTIs ligam ‘kit Covid’ a maior risco de morte no Brasil

Talis Andrade

 

  • por Nathalia Passarinho /BBC News Brasil em Londres

 

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REUTERS/AMANDA PEROBELLI. Médicos de centros de referência como hospital das Clínicas, Albert Einstein e Emilio Ribas explicam que efeitos colaterais de medicamentos sem eficácia estão prejudicando o tratamento de doentes graves

 

Defendido pelo presidente Jair Bolsonaro como estratégia de combate ao coronavírus, o chamado "kit covid" ou "tratamento precoce", na verdade, contribui para aumentar o número de mortes de pacientes graves, disseram à BBC News Brasil diretores de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais de referência.

Mais de um ano depois de a pandemia chegar ao Brasil, Bolsonaro continua defendendo a prescrição de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina, embora diversas pesquisas científicas apontem que esses remédios não têm eficácia no tratamento de covid-19.

"Muitos têm sido salvos no Brasil com esse atendimento imediato. Neste prédio mesmo (Palácio do Planalto), mais de 200 pessoas contraíram a Covid e quase todas, pelo que eu tenha conhecimento, inclusive eu, buscaram esse tratamento imediato com uma cesta de produtos como a ivermectina, a hidroxicloroquina, a Azitromicina", disse o presidente no início do mês.

Mas evidências científicas apontam que esses remédios não têm efeito de prevenção ou tratamento precoce de covid. E médicos de hospitais de referência ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que a defesa e o uso do "kit covid" contribuem de diferentes maneiras para aumentar as mortes no país.

O médico intensivista Ederlon Rezende, coordenador da UTI do Hospital do Servidor Público do Estado, em São Paulo, destaca que entre 80% e 85% das pessoas não vão desenvolver forma grave de covid-19. Para esses pacientes, usar o "kit covid" não vai ajudar em nada. Também pode não prejudicar, se a pessoa não tomar doses excessivas, não desenvolver efeitos colaterais, nem tiver doenças que possam se agravar com esses medicamentos.

Mas, para 15% ou 20% que precisam de internação, essas drogas, segundo ele, podem prejudicar o tratamento no hospital e contribuir para a morte de pacientes.

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Governo bolsonaro investiu R$ 90 milhões em remédios sem eficácia comprovada contra covid-19

 

"A preocupação maior é com os 15% que desenvolvem forma grave da doença e acabam vindo para a UTI. É nesses pacientes que os efeitos adversos dessas drogas ocorrem com mais frequência e esses efeitos podem, sim, ter impacto na sobrevida", diz Rezende, que é ex-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

E o "Kit covid" também mata de maneira indireta, ao retardar a procura de atendimento pela população, absorver dinheiro público que poderia ir para a compra de medicamentos para intubação, e ao dominar a mensagem de combate à pandemia, enquanto protocolos nacionais de atendimento sequer foram adotados, disseram médicos intensivistas do Hospital das Clínicas, Albert Einstein e Emilio Ribas.

"Alguns prefeitos distribuíram saquinho com o 'kit covid'. As pessoas mais crédulas achavam que tomando aquilo não iam pegar covid nunca e demoravam para procurar assistência quando ficavam doentes", diz Carlos Carvalho, diretor da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Entre os efeitos da procura tardia por atendimento está a intubação, quando o pulmão já está muito lesionado pelo esforço para respirar. Pacientes que recebem máscara de oxigênio ou ventilação mecânica invasiva antes de chegar à insuficiência respiratória aguda têm mais chances de sobreviver, explicam os médicos intensivistas.

"A falta de organização central e as informações desconexas sobre medicação sem eficácia contribuíram para a letalidade maior na nossa população. Não vou dizer que representa 1% ou 99% (das mortes), mas contribuiu", completa Carlos Carvalho, que também é professor da Faculdade de Medicina da USP.

Efeitos colaterais em pacientes graves

A pneumologista Carmen Valente Barbas, que atua no Hospital das Clínicas e no Albert Einstein, em São Paulo, diz que a maioria das pessoas que ela atende atualmente dizem, na consulta, que tomaram medicamentos do chamado kit covid.

"A maior parte está tomando essas medicações. Em toda videoconsulta que eu faço, as pessoas dizem que estão tomando e tomando em doses cavalares", disse à BBC News Brasil.

A maior preocupação dos médicos intensivistas é o efeito colateral desses medicamentos em pacientes que evoluem para a forma grave da covid e que já estão com o funcionamento de órgãos vitais comprometidos.

"Esses remédios não ajudam, não impedem o quadro de intubação, e trazem efeitos colaterais, como hepatite, problema renal, mais infecções bacterianas, diarreia, gastrite. E a interação entre esses medicamentos pode ser perigosa", completa Barbas, que é professora de medicina da USP e referência internacional em ventilação mecânica.

Entre os medicamentos mais defendidos por Bolsonaro para uso por pacientes com covid estão a hidroxicloroquina, a azitromicina e a ivermectina.

A hidroxicloroquina é um medicamento normalmente usado em pacientes com lúpus, artrite reumatoide, doenças fotossensíveis e malária. A ivermectina é um vermífugo usado para combater vermes, piolhos e carrapatos.

Já azitromicina é um antibiótico que, segundo os médicos, só deveria ser usado em caso de infecção bacteriana, não para previnir um vírus.

Arritmia, delírios e problema renal

O médico intensivista Ederlon Rezende chama a atenção para o risco da hidroxicloroquina causar arritmia cardíaca, um dos efeitos colaterais possíveis do remédio.

Num paciente que evolui para quadro grave de covid, esse pode ser uma efeito adverso crítico, porque a doença causada pelo coronavírus também afeta o coração, ao promover inflamações do músculo cardíaco e trombose nos vasos e tecidos.

Rezende diz ainda que tem tido problemas com pacientes que precisam ser sedados para intubação e que acordam da sedação com confusão mental mais acentuada por causa do uso abusivo de ivermectina antes de chegar ao hospital.

"O paciente, ao acordar da intubação, pode apresentar delírio. Com pacientes com covid isso é muito frequente, porque o vírus atravessa a barreira hematocefálica e afeta o cérebro, principalmente a região frontal, causando inflamação", diz.

"A invermectina é uma droga que também penetra no cérebro quando ele está inflamado, e ela deprime mais ainda o cérebro e piora a qualidade do despertar de um paciente intubado. Essa tem sido uma intercorrência frequente nos pacientes que usaram esse remédio antes chegar à UTI".

A ivermectina, diz ele, também pode provocar lesão renal, outro componente que dificulta a cura de um paciente grave de covid, já que a doença tem potencial para provocar complicações nos rins e demandar hemodiálise.

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Brasil vive pico de infecções e tem mais mortes diárias que toda a União Europeia e também América do Norte, segundo dados do Our World in Data

"Em termos de risco de morte, eu daria destaque para a cloroquina e hidroxocloroquina, com potencial para provocar arritmias fatais. E invermectina, como já comentei, com potencial de depressão do sistema nervoso central, lesão hepática, lesão renal, entre outros."

Mais recentemente, Bolsonaro passou a citar a Nitazoxanide, conhecida como Annita, como candidata a integrar o kit covid. O problema, além de não haver qualquer evidência científica de eficácia, é que as pessoas passaram a tomar esse vermífugo junto com outro, a ivermectina, intoxicando o organismo, diz médica do Albert Einstein Cármen Valente Barbas.

"A interação desses medicamentos, tomados juntos, é perigosa. As pessoas estão tomando Annita junto com ivermectina e isso é um absurdo."

Infecções mais resistentes,

aumentando risco de morte

Outro problema foi a inclusão recente, no "kit covid", de corticoides. De fato, pesquisas mostram que corticoides ajudam a reduzir a mortalidade entre pacientes graves, que precisam de ventilação mecânica por máscaras ou intubação.

Mas, no restante da população, o uso pode provocar problemas sérios.

"Para o paciente pouco sintomático ou assintomático, o corticoide pode até baixar a imunidade e propiciar outras doenças. E, muitas vezes, eles (autoridades locais) davam esse corticoide junto com antibiótico", diz Carlos Carvalho, diretor da Divisão de Pneumologia Hospital das Clínicas.

"Se, por azar, o doente piorar e tiver uma infecção, ele vai ter uma infecção mais grave por estar tomando remédio imunossupressor (coirticoide), e vai ter uma bactéria resistente ao antibiótico que ele queimou, usando inadequadamente."

O supervisor da UTI do Hospital Emilio Ribas, Jaques Sztajnbok, também diz que o uso "preventivo" de azitromicina e corticoide, como defendido pelos que advogam pelo "kit covid", causa mais mortalidade do que protege.

"Se você dá corticoide a paciente de covid sem necessidade, ele vai ter um desempenho pior. Ele morrerá mais do que se tivesse sido adequadamente tratado", disse à BBC News Brasil.

"Falsa segurança" leva à demora na busca por atendimento

Entre as contribuições "indiretas" do kit covid para as mortes no Brasil está, segundo os médicos intensivistas, a "falsa segurança" que esses medicamentos produzem, retardando a procura por atendimento médico.

Um problema recorrente nas UTIs brasileiras, dizem eles, é a chegada de pacientes em estado grave que, por se sentirem protegidos por hidroxicloroquina e afins, procuraram ajuda médica quando era tarde demais.

"Esse autotratamento dá uma falsa segurança e as pessoas tendem a retardar mais a procura de cuidados quando evolui para uma forma grave", diz Ederlon Rezende, que é ex-presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva.

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Médicos alertam que muitos pacientes sente uma procuram atendimento tarde demais, quando pulmão já está danificado

 

Entre os riscos de se procurar ajuda muito tarde está lesionar o pulmão a ponto de o problema não poder ser revertido com ventilação mecânica e intubação.

"Quanto maior o tempo decorrido entre a necessidade de terapia intensiva e a efetiva admissão ao leito de hospital, maior a mortalidade", destaca Jaques Sztajnbok, que chefia a UTI do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.

A pneumologista Carmen Valente Barbas, que coordena equipes no Albert Einstein e Hospital das Clínicas, diz que a insuficiência respiratória aguda pode evoluir rapidamente para a morte.

"As pessoas estão ficando com falta de ar em casa ou alugando oxigênio em casa. O quadro pode se agravar muito rapidamente e ela pode morrer em casa, sem ter tempo de chegar ao hospital".

Foco em cloroquina tira recursos de tratamentos comprovados

Talvez a maior causa de morte causada pelo enfoque do governo federal em defender remédios não eficazes seja o gasto de dinheiro e tempo que poderiam ser usados na compra de equipamentos, vacinas e na produção de um protocolo nacional com orientações para o atendimento de pacientes graves com covid.

Diferentemente do que ocorreu em países europeus e nos Estados Unidos, passado um ano da pandemia, o Ministério da Saúde não produziu um documento com informações para os profissionais de saúde seguirem.

"Perdeu-se tempo discutindo tratamento precoce sem qualquer evidência científica e não se investiu em disseminar informação sobre tratamentos eficazes para pacientes graves, técnicas de identificação de insuficiência respiratória, uso da posição prona e outros", avalia o pesquisador da Fiocruz Fernando Bozza, autor de uma pesquisa que revelou que 80% dos pacientes intubados no Brasil em 2020 morreram.

Além disso, recursos que poderia ter sido usados para medicamentos necessários para intubação ou para criar leitos de UTIs foram gastos na compra de cloroquina e outros itens do chamado "tratamento precoce", sem comprovação científica .

Levantamento da BBC News Brasil mostrou que os gastos do governo Bolsonaro com cloroquina, hidroxicloroquina, Tamiflu, ivermectina, azitromicina e nitazoxanida somaram quase R$ 90 milhões até janeiro deste ano. Enquanto isso, médicos e associações farmacêuticas alertam que o estoque de medicamentos necessários para intubação está perto de acabar.

A pneumologista Carmen Valente Barbas avalia que vidas poderiam ter sido salvas se os recursos fossem aplicados em soluções cientificamente comprovadas.

"É gasto que podia estar sendo usado, também, para comprar vacina", lamenta.

"As fake news e toda a disseminação de desinformação sobre tratamentos sem eficácia têm esse duplo caráter: leva informações falsas para a população e tira a oportunidade de as melhores práticas serem difundidas. Perdemos a oportunidade de investir e implementar políticas baseadas em evidências científicas que poderiam salvar vidas", completa o médico infectologista Fernando Bozza, pesquisador da Fiocruz.

24
Mar21

Médicos relatam choque com UTIs lotadas de jovens com covid-19: 'Temem perder olfato, mas perdem a vida'

Talis Andrade

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  • por Paula Adamo Idoeta /BBC News 

 

Um plantão recente do médico Matheus Alves de Lima, que atende pacientes de covid-19 em UTIs de dois hospitais de campanha no Distrito Federal e arredores, ilustra uma preocupante, mas ainda pouco compreendida mudança no perfil de pacientes graves do novo coronavírus em meio ao colapso dos sistemas de saúde do país.

"Tivemos a morte de um paciente de apenas 25 anos, o que é muito chocante", explica Alves à BBC News Brasil.

"E outro paciente, de 28 anos, não resistiu a ser extubado (processo de retirada da ventilação mecânica), precisou ser intubado novamente e fazer hemodiálise. Se não fosse a covid-19, ele provavelmente jamais precisaria fazer hemodiálise nessa idade. Nos dois últimos meses, temos visto cada vez mais pacientes entre 25 e 40 anos, o que assusta - são pacientes da minha idade. São jovens e já chegam graves, depois de ficar esperando por vagas (de UTI) em emergências lotadas. A gente intuba, intuba, e não acaba. Eles chegam precisando de diálise de urgência, às vezes em choque. Tudo isso piora muito seu prognóstico. Às vezes, chegam à UTI só para falecer."

Esse crescimento no número de pacientes mais jovens em situação grave graves foi comentado pelo secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, em uma entrevista coletiva em 1° de março.

"A pandemia retornou com uma velocidade e uma característica clínica diferentes daquela da primeira onda", afirmou Gorinchteyn.

"São pacientes mais jovens, que têm a sua condição clínica muito mais comprometida e, pior, são pacientes que acabam permanecendo um período mais prolongado nas UTIs. Na primeira onda, tínhamos (nas UTIs paulistas) percentual de mais de 80% de idosos e portadores de doenças crônicas. O que temos visto hoje são pacientes mais jovens, 60% deles de 30 a 50 anos, muitos dos quais sem qualquer doença prévia."

Com o organismo geralmente mais forte do que o de idosos, os mais jovens resistem melhor aos procedimentos que têm sido realizados nas Unidades de Terapia Intensiva, como ventilação mecânica e hemodiálise.

No entanto, como consequência, também acabam ocupando os leitos por muito mais tempo. Segundo Gorinchteyn, a média de ocupação de UTIs em São Paulo passou de 7 a 10 dias por paciente, para 14 a 17 dias "no mínimo".

'Acham que vão perder o olfato, mas perdem a vida'

"São as pessoas que se sentem à vontade para sair porque acham que (se pegarem covid-19) só vão perder paladar e olfato, e acabam perdendo a vida", prosseguiu o secretário.

"Outro aspecto é a gravidade com que eles chegam. Sua oxigenação baixa sem que o indivíduo sinta (se não medir com um oxímero) e, quando ele chega ao hospital, vê-se o quanto sua saturação (de oxigênio no sangue) está baixa e o quanto ele tem comprometimento de pulmão."

Embora a chegada de pacientes mais jovens com quadro mais graves seja perceptível, ela não é plenamente entendida, porque o Brasil não dispõe de dados oficiais consolidados de casos e internações de covid-19 por faixa etária, explica Marcio Sommer Bittencourt, mestre em saúde pública e integrante do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, em São Paulo.

Ele lista diversas causas que, somadas, provavelmente compõem o retrato atual.

A primeira é a mencionada por Gorinchteyn: como as populações mais novas - desde jovens adultos até 59 anos - resistem por mais tempo na UTI, a tendência é que aumente a ocupação de leitos por elas.

A segunda é o fato de a infecção por covid-19 ter aumentado exponencialmente em todo o país nos últimos meses - o que levaria, portanto, a mais infecções entre mais jovens. A incógnita é se aumentou proporcionalmente mais entre eles, diz Bittencourt.

"Além disso, os mais jovens são mais economicamente ativos do que os idosos, então saem mais para trabalhar. Isso já acontecia antes (da segunda onda), mas agora (o efeito disso) é mais perceptível."

Por fim, existe o fato de estarmos diante de variantes mais infecciosas do coronavírus, que podem também estar aumentando a gravidade dos casos.

"Provavelmente são todas essas causas juntas, mas não sabemos qual delas impacta mais o momento atual", afirma Bittencourt. "O que se sabe com certeza é que as novas cepas em circulação aumentaram o número total de internações e de casos mais graves em geral."

Sistema em colapso

O quadro é completado e agravado por um sistema de saúde em colapso, que não dá conta de atender com a rapidez necessária para prevenir que o estado de saúde dos pacientes se agrave - por exemplo, muitos passam dias em enfermarias lotadas até conseguirem uma vaga de UTI.

"Como o sistema está colapsado, as pessoas podem não estar recebendo a atenção adequada, mesmo com um esforço muito grande nosso", diz o médico intensivista Edino Parolo, que atende em UTIs de dois hospitais (um público e um privado) em Porto Alegre (RS).

"A intubação de um paciente grave, por exemplo, é algo que poucos médicos conseguem fazer de maneira segura."

Ele confirma a chegada de cada vez mais pacientes jovens nos hospitais onde atende, com internações prolongadas e "frustrantes", pelo impacto físico e emocional que impõem em pacientes, equipes médicas e famílias.

"Certamente não é só uma doença de idosos. Desde o início incomodava essa ideia (difundida) de que seria uma doença que afetaria idosos e debilitados. Minha opinião é de que isso foi combustível para vários erros e deixou os jovens saudáveis menos cuidadosos."

A avalanche de agravamento de casos começa a se formar ainda no pronto-socorro, porta de entrada dos pacientes com covid-19. "Estou abismado com a quantidade de casos graves. No último sábado, tínhamos 30 pacientes de covid-19 na emergência. Antes da segunda onda, ter 15 pacientes era (equivalente a) um plantão ruim. E hoje (terça-feira, 23/3) soube que há 48 pacientes ali", diz Lucas Barroti, médico que atende em pronto-socorro de hospital público na cidade de São Paulo.

"Não tem mais nem espaço físico. Alguns pacientes chegam a ficar três dias na emergência (aguardando transferência), e ali vão piorando: primeiro usam cateter nasal, depois máscara respiratória, depois precisam de intubação. Dá a impressão de que a progressão (piora) é amais rápida do que antes."

E ali Barroti também se assombra com a idade dos pacientes: "A maioria já não é de idosos. Tem na faixa etária de 40, 50 anos - uma parcela deles sem comorbidades, e mesmo assim em estado tão grave quanto (se tivessem)."

A perigosa aposta no 'tratamento precoce'

E há ainda os malefícios causados pela falsa crença no chamado "tratamento precoce", defendido pelo presidente Jair Bolsonaro a despeito de cientistas alertarem que não há, até o momento, nenhuma evidência de que remédios como hidroxicloroquina ajudem no enfrentamento contra a covid. Pelo contrário: médicos ouvidos em uma reportagem da BBC News Brasil diz que os efeitos colaterais dos remédios e a demora em procurar atendimento médico tornam o quadro pior.

"Muitos que acreditam na pataquada do tratamento precoce só procuram atendimento quando já estão muito graves", conclui Marcio Bittencourt.

Além disso, como a campanha de vacinação avança entre as populações mais idosas, é possível que elas comecem a estar mais protegidas que os mais jovens. Na semana passada, dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo cedidos ao portal G1 apontaram uma queda de 51,3% das mortes de pessoas entre 85 a 89 anos entre janeiro e fevereiro.

Enquanto a campanha de vacinação avança para faixas etárias menores a passos lentos e gestores estaduais e municipais tentam fazer valer restrições à circulação de pessoas, as equipes médicas ainda se veem diante de um número descomunal de pacientes.

Matheus Alves, o médico cujo depoimento abre esta reportagem, conta que a fila de espera por leitos de UTI em hospitais de campanha do Distrito Federal chega a cerca de 400 pacientes.

Ele tem trabalhado 72 horas por semana para dar conta de casos cuja gravidade exige cada vez mais atenção. "Uma coisa é ter uma UTI de pacientes com máscaras (de oxigênio, respirando por conta própria). Outra é ter uma só de pacientes intubados, em diálise ou choque séptico. Trabalho ligado a 200 por hora."

O caso mais marcante que atendeu até hoje foi há algumas semanas, de um paciente na casa dos 40 anos - o primeiro não idoso que Alves teve de intubar nesta segunda onda de pandemia.

"É um jovem, sem comorbidades e não obeso. Iria prestar concurso público dentro de um mês, porque sonhava em dar um futuro melhor para sua família. Ele não queria ser intubado. Os jovens resistem mais à intubação, não se conformam. Depois do procedimento nele, cheguei em casa e desabei: chorei igual a uma criança. É um homem que tinha sonhos, assim como eu tenho. Aquele medo dele entrou em mim. A maioria de nós médicos ficamos muito sensibilizados com casos tão jovens. Passado mais de um mês, o paciente continua intubado. Mas ele está resistindo."

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23
Mar21

Bolsonaro Kit Cloroquina Kit Me Engana

Talis Andrade

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Muitos têm sido salvos no Brasil com esse atendimento imediato. Neste prédio mesmo (Palácio do Planalto), mais de 200 pessoas contraíram a Covid e quase todas, pelo que eu tenha conhecimento, inclusive eu, buscaram esse tratamento imediato com uma cesta de produtos como a ivermectina, a hidroxicloroquina, a azitromicina. Presidente Jair Bolsonaro, sobre o kit covid, no início de março de 2021.

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23
Mar21

Promovido por Bolsonaro, kit covid está causando danos e matando, sustentam quatro médicos

Talis Andrade

Promovido por Bolsonaro, kit covid está causando danos e matando, sustentam quatro médicos

 

por VioMundo

- - -

kit covid está causando danos e matando. É o que disseram quatro médicos à BBC e ao Estadão.

É impossível determinar quantas pessoas morreram.

Carlos Carvalho, da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que o kit faz com que pessoas crédulas demorem a procurar tratamento.

“Alguns prefeitos distribuíram saquinho com o ‘kit covid’. As pessoas mais crédulas achavam que tomando aquilo não iam pegar covid nunca e demoravam para procurar assistência quando ficavam doentes”, diz

Para Ederlon Rezende, ex-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, o problema é mais grave para os pacientes que enfrentam casos graves, que enfraqueceram o próprio organismo tomando drogas ineficazes:

“A preocupação maior é com os 15% que desenvolvem forma grave da doença e acabam vindo para a UTI. É nesses pacientes que os efeitos adversos dessas drogas ocorrem com mais frequência e esses efeitos podem, sim, ter impacto na sobrevida”.

O Estadão menciona casos de “hemorragias, insuficiência renal e arritmias” causados pelas drogas sugeridas por Bolsonaro.

De acordo com o diário conservador paulistano, cinco pessoas entraram na fila do transplante de fígado depois de usar ivermectina e antibióticos. Quatro foram atendidos no Hospital das Clínicas de são Paulo e um no HC da Unicamp, em Campinas.

O diário cita três mortes que teriam sido causadas por hepatite.

“Quando fazemos os exames no fígado, vemos lesões compatíveis com hepatite medicamentosa. Vemos que esses remédios destruíram os dutos biliares, que é por onde a bile passa para ser eliminada no intestino.O nível normal de bilirrubina é de 0,8 a 1. Um dos pacientes está com mais de 40”, disse ao Estadão o médico Luiz Carneiro D’Albuquerque, chefe de transplantes de órgãos abdominais do HC-USP.

Para Ilka Boin, professora da Unidade de Transplantes Hepáticos do Hospital das Clínicas da Unicamp, “é uma combinação de altas dosagens com a interação de vários medicamentos. A substância desencadeia um processo em que a célula ataca outros células, levando a fibroses, que causam a destruição dos dutos biliares”.

Quem está lucrando com o kit promovido por Bolsonaro são alguns laboratórios farmacêuticos.

 

23
Mar21

Kit covid de Bolsonaro pode ter matado três em São Paulo e um em Porto Alegre; 5 precisam de transplante de fígado

Talis Andrade

Bolsonaro e seu "kit covid"

Mortes e doenças graves que levam à necessidade de transplante de fígado são duas consequências do “kit covid” de Bolsonaro e Pazuello que começam a se fazer sentir no sistema de saúde

 

247 - Os efeitos do chamado “kit covid” bolsonarista propagandeado por Jair Bolsonaro e o general-ministro Eduardo Pazuello começam a se fazer sentir. O kit de Bolsonaro-Pazuello é apontado como causa de mortes e destruição do fígado de pacientes. De acordo com médicos ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo, três pessoas morreram por hepatite em São Paulo, uma em Porto Alegre e cinco estão na fila do transplante de fígado, também em São Paulo.

Hemorragias, insuficiência renal e arritmias também estão sendo observadas por profissionais de saúde entre pessoas que fizeram uso desse grupo de drogas, que incluem hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes. Um dos remédios com efeitos mais nefastos é a ivermectina.

Números do Conselho Federal de Farmácia (CFF) mostram que o total de unidades vendidas de ivermectina, por exemplo, subiu 557% em 2020 em comparação com 2019, sendo dezembro o mês recordista de vendas da droga. O remédio, indicado para tratar sarna e piolho, não teve sua eficácia contra a covid comprovada. Seu uso contra o coronavírus foi desaconselhado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e pelo próprio fabricante do produto, a Merck.

O produto é um dos que foram utilizados pelos cinco pacientes que entraram na fila de transplante de fígado. Todos eles haviam tido, semanas antes, diagnóstico de covid e receberam a prescrição do chamado “tratamento precoce”.

Quatro deles foram atendidos no Hospital das Clínicas da USP e o outro no HC da Unicamp. “Eles chegam com pele amarelada e com histórico de uso de ivermectina e antibióticos. Quando fazemos os exames no fígado, vemos lesões compatíveis com hepatite medicamentosa. Vemos que esses remédios destruíram os dutos biliares, que é por onde a bile passa para ser eliminada no intestino”, disse Luiz Carneiro D’Albuquerque, chefe de transplantes de órgãos abdominais do HC-USP e professor da universidade ao Estadão. “O nível normal de bilirrubina é de 0,8 a 1. Um dos pacientes está com mais de 40”, informou ele.

D’Albuquerque conta que, dos quatro pacientes colocados na fila do transplante no HC, dois tiveram doença aguda e morreram antes da operação.

Aas biópsias do fígado desses pacientes evidenciam que os casos são de origem medicamentosa e não complicações do próprio coronavírus. “A covid pode atacar o órgão, mas de uma forma diferente. Ela causa pequenos trombos (coágulos) nos vasos. Esse padrão que encontramos é de lesão por medicamentos”, disse Ilka Boin, professora da Unidade de Transplantes Hepáticos do Hospital das Clínicas da Unicamp.

Além de duas mortes de pacientes em São Paulo, um óbito por doença hepática aguda foi registrado em uma unidade particular de Porto Alegre, relata a neurologista Verena Subtil Viuniski: “Era um paciente com quadro psiquiátrico que estava agitado e confuso e marcou um encaixe no ambulatório. As enzimas do fígado estavam 30 vezes mais altas do que o normal. Dez dias antes, ele tinha tido covid e tomado remédios do kit.”

22
Mar21

Em uma semana, Brasil tem o dobro de mortos dos EUA e é alvo de exame 

Talis Andrade

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por Jamil Chade /UOL

Na pior semana da pandemia no Brasil e sem um cenário de queda no número de novos casos, o país somou 25% das mortes no mundo no período entre 15 e 21 de março. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que, no total, 60,2 mil pessoas foram vítimas da covid-19 no planeta nesse período —15,6 mil delas apenas no Brasil, país que representa apenas 2,7% da população mundial.

Os dados também revelam que, num período de uma semana, o número de mortes no Brasil foi o dobro do que foi registrado pelo segundo colocado, os EUA. Com ampla vacinação e medidas de distanciamento social, os americanos somaram 7,5 mil mortes na semana.

Os números dos demais locais de intensa transmissão da covid-19 também apontam índices absolutos mais baixos. Em terceiro lugar, o México somou 3,3 mil mortes na semana, contra 2,9 mil na Rússia, 2,7 mil na Itália, 2,1 mil na Polônia e 1,8 mil na França.

Sozinho, o Brasil representa metade das mortes no continente americano e se aproxima do total registrado na Europa, com 20 mil mortos em uma semana. O continente europeu, porém, tem uma população de 764 milhões de pessoas, mais de três vezes o total brasileiro.

No geral, o Brasil ocupa a segunda colocação entre os países que mais registraram mortes desde o começo da pandemia. Foram mais de 290 mil, contra 536 mil nos EUA.

Segundo a OMS, foram 5,3 mil óbitos oficialmente registrados no planeta no período de 24 horas. No Brasil, foram 2,4 mil mortes, contra 773 nos EUA, 608 no México, 401 na Itália ou 371 na Rússia. Mas vários países europeus não tinham submetido ainda os dados mais recentes para que uma conta completa possa ser realizada no que se refere ao período de 24 horas.

Brasil é alvo de exame por parte de peritos internacionais

Enquanto a crise brasileira se aprofunda, o país passa a ser alvo de um exame por parte do grupo criado pela OMS para avaliar como cada um dos governos reagiu à pandemia. Na semana passada, os peritos escolhidos pela agência para avaliar a resposta mundial à criseescolheram 28 países para tentar entender o que funcionou e o que fracassou.

O Brasil, segundo a coluna apurou, foi um dos selecionados para ser examinado e o Ministério da Saúde foi obrigado a submeter informações aos peritos. Confidencial, o processo apenas será concluído em maio. Mas, segundo fontes que estiveram nas reuniões, o Brasil foi usado como um exemplo de como ações foram consideradas como insuficientes.

O processo de exame da situação brasileira foi, ironicamente, resultado de uma pressão feita pelo Itamaraty contra a OMS. Em 2020, ao lado do governo de Donald Trump, o governo de Jair Bolsonaro aderiu a um projeto para exigir que a agência mundial de saúde fosse alvode uma espécie de auditoria.

O projeto foi aprovado. Mas os peritos escolhidos para realizar o exame optaram por examinar não apenas a OMS. Além da gestão de Tedros Ghebreyesus, os especialistas decidiram que iriam também avaliar como os diferentes governos responderam aos alertas internacionais, às recomendações e à declaração de emergência global, em janeiro de 2020.

Uma das primeiras conclusões aponta que, se a emergência foi estabelecida, poucos foram os governos que implementaram medidas concretas e fortaleceram seu sistema de saúde nas primeiras semanas após a eclosão da crise. 

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Rogério Carvalho 
@SenadorRogerio
Matéria destaque na imprensa hoje: Propagação da COVID-19 no Brasil foi INTENCIONAL. Com quase 300 MIL mortes no país, Bolsonaro precisa responder por crimes contra a humanidade! #ForaBolsonaroUrgente #BolsonaroGenocida
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