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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Out19

Advogado que foi rei das delações na Lava Jato é suspeito de receber mesada de doleiro

Talis Andrade

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Dario Messer, o doleiro que Sergio Mero esqueceu desde os tempos do assalto ao BanEstado

 

247 - A operação Lava Jato no Rio de Janeiro está investigando a suspeita de que membros da Polícia Federal e do Ministério Público Federal do Rio tenham dado proteção a um investigado da operação o doleiro Dario Messer. 

Segundo reportagem de Vinicius Konchinski, no UOL, dois operadores que já trabalharam para Messer, conhecido como o "doleiro dos doleiros", afirmaram em delação premiada feita ao próprio MPF-RJ que pagaram US$ 50 mil por mês (mais de R$ 200 mil, na cotação atual) entre 2005 e 2013 para que ele fosse protegido de operações da PF e do MP.

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Vinícius Claret, o segundo intocável

 

Segundo os delatores, Vinícius Claret, conhecido como Juca Bala, e Cláudio de Souza, o Tony, os pagamentos da suposta taxa de proteção foram feitos ao advogado Antonio Figueiredo Basto, que já defendeu Messer.

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Basto, entretanto, nega veementemente ter recebido qualquer valor para negociar uma suposta proteção ao seu ex-cliente. "Já entreguei espontaneamente meu sigilo fiscal, telefônico e telemático a autoridades", disse ele, a respeito da investigação. "Esclareci todos os fatos."

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O rei das delações premiadas

 

Além de Dario Messer, Antonio Figueiredo Basto já defendeu também  outros investigados da Lava Jato que fizeram delação, como o doleiro Alberto Youssef e o ex-senador Delcídio do Amaral. 

Juca Bala e Tony, que falaram do pagamento da taxa de proteção de Messer, já colaboraram com o MPF-RJ em investigações contra o doleiro. Os depoimentos de Juca Bala e Tony foram essenciais para a deflagração da operação "Câmbio, Desligo", a maior fase da Lava Jato em todo país, em maio de 2018. 

Com base nas investigações dessa operação, 62 pessoas, incluindo Dario Messer, foram denunciadas por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

 

 

16
Ago18

Dallas Dallagnol, que fez jejum pela prisão de Lula, é o DD da propina de Tacla Durán?

Talis Andrade

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O juiz Sérgio Moro corre dessa denúncia, porque Rodrigo Tacla Durán é acusado de ser de uma quadrilha da qual faz parte o ex-governador Beto Richa e um parente de Rosangela Moro. 

 

Até hoje se desconhece o grau de parentesco: se tio, ou primo-irmão da esposa de Sérgio Moro.

 

Acusado de lavar mais de R$ 50 milhões, o ex-advogado da Odebrecht e da UTC Rodrigo Tacla Durán clareou os escuros porões da Operação Lava Jato.

 

Em depoimento no fim de novembro à CPI da JBS, Durán incrimina o advogado Carlos Zucolotto Jr, ex-sócio da esposa do juiz federal Sergio Moro e padrinho de casamento do casal, de oferecer delação premiada com pagamento de caixa 2. O acordo reduziria a multa de US$ 15 milhões para US$ 5 milhões, com a condição de Durán pagar US$ 5 milhões "por fora", a título de honorários, porque "havia o pessoal que ajudaria nessa tarefa". Nesse pacote constaria ainda a prisão domiciliar em lugar do regime fechado.

 

Denunciou e comprovou para a CPI: Que os procuradores Júlio Noronha e Roberson Pozzobon lhe enviaram o esboço da colaboração, conforme os termos propostos por Zucolotto. O réu apresentou à CPI imagens periciadas da conversa com o advogado.

 

Por considerar que estava sendo extorquido, além do risco de ser preso preventivamente, Durán decidiu não aceitar o negócio e se mudou para a Espanha, onde tem dupla cidadania, com a família.

 

Tacla Durán também acusa o ex-procurador Marcello Miller de oferecer colaboração "à la carte": uma lista de políticos que poderia incriminar. A cooperação não pode ser induzida.

 

Marcello Miller fechou as delações premiadas que forneceram os testemunhos para Moro condenar Lula sem provas. Tacla acertou: Miller hoje está sendo investigado por corrupção. Faltam os outros comparsas. 

 

Presos autorizados a fazer até seis viagens internacionais

 

Em delação premiada, na última semana, Vinícius Claret e Cláudio de Souza afirmaram que pagavam US$ 50 mil mensais ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção, confirmando depoimento de Tacla Duran. Antonio Figueireo Basto fez fortuna advogando colaborações de delatores,.

 

Transcrevo do Vio Mundo

O advogado denuncia vantagens concedidas pelo MPF aos executivos Luiz Augusto França, Marco Bilinski e Vinicius Borin: apesar de movimentaram U$ 2,6 bilhões em esquemas de lavagem de dinheiro no Meiln Bank, eles se livraram das acusações mais graves, receberam pena máxima combinada de 8 anos em regime fechado e pagaram multa que somou apenas R$ 3,4 milhões.

 

Além disso, foram autorizados a fazer até seis viagens internacionais durante o cumprimento da pena, desde que com autorização judicial.

 

Durán sugere que, nas viagens, os executivos teriam a oportunidade de apagar rastros e fazer outras operações em defesa de interesses pessoais ou até da Odebrecht.

 

A panela de Curitiba e a indústria de delação premiada 

 

Tacla Durán também reafirmou suas denúncias contra a chamada “panela de Curitiba”, que envolveria escritórios de advocacia e procuradores da Lava Jato em acordos informais.

 

Seria a “indústria da delação premiada”, oferecendo vantagens em troca de denúncias específicas ou mesmo arquivando delações.

 

Durán deu como exemplos o doleiro Dario Messer e seus associados.

 

Embora delatados e alvos da Operação Câmbio, Desligo, da Polícia Federal, o chamado “doleiro dos doleiros” e seus sócios não são alvo de processos na Justiça Federal do Paraná.

 

Segundo Tacla Durán, o Messer tinha acesso aos sistemas internos da Odebrecht e usava o codinome Flexão.

 

O doleiro está foragido.

 

Como lembrou o colunista Jeferson Miola, o “sumiço” de Messer é suspeito:

 

A fuga e o desaparecimento de Dario Messer adquire ainda maior relevância e valor investigativo depois da denúncia feita por doleiros acerca da existência de esquema mafioso mediante o qual o advogado Antônio Figueiredo Basto recebia US$ 50 mil dólares mensais como “taxa de proteção” para garantir que “eles [doleiros] seriam poupados nas delações decorrentes do caso Banestado, que correu na jurisdição de Sergio Moro”.

 

Em seu depoimento, Tacla Durán fez uma conta: considerando que Messer e quatro de seus associados teriam sido protegidos desde 1996 por Figueiredo Basto, o esquema poderia ter rendido ao advogado U$ 25 milhões.

 

Para Durán, a inexistência de ações contra Messer em Curitiba sugere que o suposto esquema do advogado Figueiredo Basto, originário do escândalo do Banestado, de fato funcionou.

 

Basto é um dos acusados por Durán de fazer parte da “panela de Curitiba”, de advogados que teriam ‘facilidades’ junto a integrantes da Lava Jato.

 

Tacla Durán também estranhou que, apesar de delações feitas pelos executivos Benedito Jr. e Henrique Valadares, da Odebrecht, não houve investigação sobre o jornalista Diogo Mainardi — que teria testemunhado um ato de corrupção — nem das empresas PVR Marketing e Propaganda e Empiricus, que teriam sido beneficiárias de dinheiro da empreiteira.

 

“Não sei se é o caso de proteção ou não, mas trata-se de seletividade. Há o caso do jornalista Diogo Mainardi, do Antagonista, que foi delatado por um funcionário de alto escalão da Odebrecht que é o Henrique Valadares. Nós não vimos nenhuma investigação aberta contra o jornalista ou contra a PVR ou contra a Empiricus em Curitiba. Existem pagamentos mapeados por perícias da Polícia Federal e o próprio video do Henrique Valadares que envolve o jornalista e isso nunca foi investigado”, testemunhou o advogado.

 

Tacla Durán acusa a indústria de delações premiadas. São mais de mil. Precisamente 1. 063. É um catálogo de telefone. Até hoje ninguém cobrou uma relação nominal, apesar da liberação dos depoimentos seletivos para imprensa. 

 

Em novembro de 2017, Tacla Duran denunciou que Carlos Zucolotto Júnior menciou um mediador de codinome DD entre os que seriam beneficiados com a propina de cinco milhões de dólares.

 

Repetindo: Na ocasião, Zucolotto mencionou que um interlocutor com a sigla DD [na Lava Jato só se conhece Deltan Dallagnol com estas iniciais] seria o avalizador final do acordo.

 

 

 

 

 

 

 

 

31
Mai18

PARTIDOS PEDEM CPI PARA INVESTIGAR ESQUEMA DE DELAÇÕES DA LAVA JATO

Talis Andrade

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O pedido, encabeçado pelos líderes Paulo Lula Pimenta (PT-RS), Arthur Lira (PP-AL), Baleia Rossi (MDB-SP), Júlio Delgado (PSB-MG), André Figueiredo (PDT-CE), José Rocha (PR-BA), Orlando Silva (PCdoB-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ), Weverton Rocha (PDT-MA) e José Lula Guimarães (PT-CE), é assinado também por mais 181 parlamentares. A instalação da CPI só depende do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

 

“Queremos fazer uma investigação sobre a chamada indústria da delação”, disse o líder do PT na Câmara, Paulo Lula Pimenta Segundo ele, há hoje um verdadeiro esquema criminoso em torno da Operação Lava Jato, com a criação de um “suspeito mercado de delações”, tanto para reduzir penas como para evitar o comprometimento de suspeitos. Segundo o parlamentar, trata-se de uma articulada estrutura de “venda de proteções, em relações subterrâneas entre juízes, procuradores e advogados”.

 

Taxa de proteção – O ponto de partida para a CPI são as delações dos doleiros Vinícius Claret, o Juca Bala, e Cláudio de Souza, integrantes do esquema comandado por Dario Messer, chamado de “doleiro de todos os doleiros”. Em suas delações, ambos acusam o advogado Antonio Figueiredo Basto, um dos maiores especialistas do País em colaborações premiadas, de cobrar uma “taxa de proteção” de US$ 50 mil mensais (cerca de R$ 185 mil) de outros integrantes do esquema. 

 

O dinheiro, segundo pessoas que acompanham o caso, seria para proteger outros participantes de futuras delações, conforme matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em 2004, Basto intermediou a colaboração do doleiro Alberto Youssef no caso Banestado, esquema criminoso que funcionou durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) que escoou US$ 32 bilhões para o exterior de forma ilegal. Homologada pelo juiz Sérgio Moro, foi a primeira delação premiada do Brasil nos moldes atuais, mas ninguém foi punido e Youssef continuou agindo normalmente como doleiro.


Para Paulo Lula Pimenta, os últimos fatos envolvendo Moro e seu entorno só confirmam as denúncias do advogado Tacla Durán, hoje residente na Espanha. Ele tem farta documentação que coloca em xeque não apenas a totalidade das delações dos executivos da Odebrecht no âmbito da Lava Jato, mas também de todas as denúncias construídas a partir dessas delações e de outros dados coletados com base nos sistemas de informações da empreiteira.

 

Entre outros fatos, Durán denunciou o chamado “esquema Zucolotto”, em que o advogado Carlos Zucolotto – amigo próximo do juiz Sérgio Moro, ex-sócio de sua esposa, Rosângela Moro, e padrinho de casamento do casal – teria funcionado como intermediador do seu acordo de delação com o Ministério Público. Disse ainda que o amigo da família Moro foi autor de uma proposta de redução de US$ 10 milhões na multa a ser cobrada de Durán, caso ele fizesse um pagamento de US$ 5 milhões “por fora”, além de um abrandamento de pena – de regime fechado para domiciliar.

 

Antonio Figueiro Basto é conhecido como "rei das delações". Outro rei é Youssef, dos doleiros. Depois da primeira  delação premiada, Youssef espalhou que estava morto, com necrológio publicado no jornal O Globo. Reaparece na Lava Jato, com mais de cem empresas, e o tráfico de bilhões em dólares, em euros, para ser novamente premiado com o perdão da justiça da república do Paraná. 

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Youssef está de ficha limpa, e dinheiro lavado. Vivo. Vivíssimo. Leve e solto. 

 

 

 

19
Mai18

O pagamento de proteção à república do Paraná, a falsa morte de Youssef e o "exílio" no Leblon de Dario Messer outro doleiro querido

Talis Andrade

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Forum - Acusados de compor um esquema capitaneado pelo chamado “doleiro dos doleiros”, Dario Messer, dois outros doleiros – Vinícius Claret, conhecido como “Juca Bala”, e Cláudio de Souza – revelaram, em delação premiada ao Ministério Público Federal, que entre 2006 e 2013 foi montado um esquema de corrupção em Curitiba.

 

Segundo Ricardo Galhardo, do Estado de S.Paulo, ambos garantiram que pagavam uma taxa mensal de proteção, no valor de US$ 50 mil (cerca de R$ 186 mil), ao advogado Antonio Figueiredo Basto e um colega, cujo nome não foi divulgado, para não serem presos. O advogado, por conta da propina, defendia os doleiros no Ministério Público e na Polícia Federal. As informações corroboram depoimentos do advogado Rodrigo Tacla Duran, ex-funcionário da Odebrecht, investigado na Operação Lava Jato, que está na Espanha.

 

Figueiredo Basto é considerado um dos principais especialistas do Brasil em colaborações premiadas. Na Lava Jato, foi o responsável por negociações e acordos de delação de Lúcio Funaro, Renato Duque, Ricardo Pessoa, entre outros. Em 2004, intermediou o primeiro acordo nesse formato no país no caso do Banestado, em nome do doleiro Alberto Youssef.

 

A taxa de proteção vinha sendo paga à república do Paraná desde os tempos da operação BanEstado - Banco do Estado do Paraná, que teve Sergio Moro como juiz, Alberto Youssef, "rei dos doleiros", e Dario Messer na lavagem de 260 bilhões de dólares.

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Até ser preso em São Luís, em 2014, Youssef era dado por morto.

 

De Dario Nasser diziam que estava exilado no Paraguai. Mas, em reportagem de Chico Otávio, datada do dia 11 último, publica a revista Época: 

 

Até um mês atrás, Dario Messer era visto com frequência circulando no Leblon, bairro da Zona Sul carioca, a bordo de uma scooter sem placa (A amigos ele não se enrubescia ao dizer que era para evitar multas, já que estacionava com frequência em locais proibidos). Era fácil reconhecê-lo. Messer nunca usava capacete. Quem o viu, geralmente vestido de bermuda, camisa surrada e chinelos, custaria a acreditar que é o mesmo homem que amealhou, em sete anos, uma fortuna de US$ 24 milhões (R$ 81,3 milhões, pela cotação do último dia 7) com a lavagem de dinheiro suspeito. Desde a semana passada, quando a Operação Câmbio, Desligo o apontou como o “doleiro dos doleiros”, Messer desaparaceu das ruas do Leblon e do mundo. Para caçá-lo, o Ministério Público Federal (MPF) está montando, com a ajuda de acordos de cooperação, uma força-tarefa internacional que também seja capaz de desmontar uma lavanderia que operou em 52 países, com cerca de 3 mil offshores, empresas montadas no exterior, no caso como fachada para negócios ilícitos.

 

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 Até recentemente a imprensa não publicava fotos de Messer. Salvo uma repetida foto apagada dele junto do pai. A família Messer era proprietária do Banco Dimensão, um banco com o jeitinho brasileiro de ser que desapareceu por encanto, pura magia

 

 

A despojada rotina do doleiro chegou ao fim depois das colaborações premiadas de Cláudio Barbosa, o Tony, e Vinícius Claret, o Juca Bala, ex-sócios de Messer, que atribuíram ao piloto de scooter o controle de “uma gigantesca rede de lavagem de dinheiro, essencial para a prática de crimes como corrupção, sonegação tributária e evasão de divisas”, como sustentou o pedido de prisão do MPF. O banco paralelo do doleiro, por onde teria passado US$ 1,6 bilhão, era sediado no Uruguai e operado do Panamá Country Club, condomínio de luxo em Hernandarias, distrito paraguaio na fronteira com Foz do Iguaçu, residência oficial de Messer.

 

Messer acreditava estar blindado nos vizinhos do Mercosul. Em 2003, transferiu as operações de lavagem para o Uruguai. Dez anos depois, quando era alvo de um inquérito iniciado pela Operação Sexta-feira 13, desencadeada pela Polícia Federal, com foco em crimes contra o sistema financeiro no Rio de Janeiro e em São Paulo, obteve cidadania paraguaia. Oficialmente, morava em Hernanderias, mas atravessava a Ponte da Amizade com frequência, embarcando na ponte aérea de Foz para o Rio. Sua cobertura na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, era palco de rega-bofes reunindo jogadores de futebol, dirigentes de escolas de samba e algumas das beldades que brilham nos desfiles da Marquês de Sapucaí.

 

Essa blindagem, contudo, começou a apresentar trincas. Em março do ano passado, as autoridades uruguaias, tradicionalmente avessas à cooperação internacional, surpreenderam ao acolher a ordem de prisão contra Barbosa e Claret, sócios de Messer que geriam as operações naquele país. Depois de passar uma temporada atrás das grades, a dupla desistiu de lutar contra a extradição e voltou ao Brasil para denunciar o esquema do “doleiro dos doleiros”. Na semana passada, o Uruguai voltou a demonstrar boa vontade ao prender quatro compatriotas envolvidos com Messer (Francisco Muñoz Melgar, Raúl Zóboli e os irmãos Jorge e Raúl Fernando Davies Cellini).

 

O obséquio uruguaio não ocorre por acaso. As prisões foram autorizadas no momento em que o país vizinho providencia mudanças na legislação para se livrar da pecha de paraíso fiscal. O governo precisa provar ao Grupo de Ação Financeiras Contra a Lavagem de Dinheiro (Gafi), espécie de xerife do mercado financeiro internacional, que está abandonando a cultura do segredo que acobertava gente como Messer. Caso contrário, corre o risco de voltar à lista dos países lavadores, de onde foi retirado em 2016 sob a condição de mudar.

 

Como foragido, Messer foi incluído na difusão vermelha da Interpol — espécie de índex dos mais procurados do planeta. Ele não foi achado na mansão paraguaia ou na cobertura do Leblon, onde a Polícia Federal recolheu quilos de papel triturado. Como nem a mulher do doleiro, Rosane, estava em casa, as autoridades acreditam que a Operação Câmbio, Desligo vazou. Uma das suspeitas de rota de fuga seria o Paraguai. A outra seria Israel, terra de origem da família Messer.

 

O doleiro é visto no Paraguai como amigo pessoal do presidente Horácio Cartes. Em 2013, Messer integrou uma comitiva oficial de Cartes em visita a Israel. Documentos obtidos pelo O Globo mostram que ele era sócio no Paraguai, na Matrix Plus, de um primo de Cartes, Juan Pablo Jimenez Viveros. De acordo com a investigação no Brasil, Messer teria obtido a cidadania paraguaia por meio de despacho do ministro da Suprema Corte do país, Miguel Oscar Bajac. Para isso, teria apresentado um nada-consta brasileiro quando já era alvo de inquérito aberto a partir da Operação Sexta-feira 13.

 

As autoridades paraguaias, no entanto, afirmam querer colaborar com as brasileiras no caso Messer. Os procuradores da República do país vizinho chegaram a criar um grupo de WhatsApp com os colegas do Brasil para a troca de informações. As relações bilaterais, no âmbito penal, têm crescido. Recentemente, os ministérios públicos federais dos dois países se uniram para investigar os supostos crimes praticados pela Operação Condor, aliança político-militar formada por ditaduras da América do Sul nos anos 1970.

 

Messer também não deverá encontrar facilidades em Israel. Um recente acordo de cooperação com o Brasil permitiu às autoridades israelenses desbaratarem uma quadrilha internacional que atuava naquele país. Para isso, o Brasil autorizou a transferência, em duas ocasiões, do preso Yoran El Al. Ele havia sido preso em 2011, por crimes relacionados a drogas, crime organizado e lavagem de dinheiro. Sua delação, que valeu ao Brasil um elogio do Ministério da Justiça israelense, permitiu uma ampla operação policial contra a família Abergil, comandada pelo mafioso Itzak Abergil.

 

Messer não desapareceu sozinho. Dos 46 alvos da Operação Câmbio, Desligo, etapa mais recente da Operação Calicute (versão da Lava Jato no Rio), 11 continuavam foragidos até a conclusão desta edição. As fugas de Rene Loeb, Alberto Lisnovetzky, Carlos Alberto Braga de Castro, Wander Bergmann, Patricia Matalon, Bella Kayreh, Chaaya Moghrabi, Ernesto Matalon, Claudine Spiero, Richard Andrew e Augusto Rangel reforçam as suspeitas de vazamento.

 

De acordo com Barbosa e Claret, Messer era o cabeça do negócio e ficava com 60% dos lucros obtidos nas operações de lavagem. Eles contaram que, até meados de 2013, o doleiro chegou a ter um banco em Antígua e Barbuda, denominado EVG, para atender a clientela. De 2011 até 2016, segundo eles, Messer teria lucrado US$ 15 milhões. Em 2009, ano em que ele “bombou”, como sustentam os delatores, embolsou de uma só vez US$ 9 milhões. Não há registro dos ganhos em outros anos.

 

 

 

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