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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

22
Abr22

Parlamentares denunciam golpe de Bolsonaro

Talis Andrade

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Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ) - "O decreto de Bolsonaro é uma afronta ao STF e à separação de Poderes! Além de não se sustentar juridicamente, por desvio de finalidade, o indulto de Daniel Silveira permite que aqueles que atentam contra a nossa democracia não sejam devidamente responsabilizados. Daniel Silveira defendeu o AI-5, incitou a população a invadir o STF, ameaçou ministros e fez diversas falas atentando contra a democracia. O perdão de Bolsonaro para esses crimes é, na verdade, uma aposta na ruptura das instituições democráticas. Em outras palavras, golpe! A liberdade de expressão tem como fundamento a proteção da democracia e não o ataque a ela. A aposta de Bolsonaro e Daniel Silveira na ruptura das instituições não é um direito, é um crime, pelo qual devem deve ser devidamente responsabilizados."

Ciro Gomes, pré-candidato a presidente da República (PDT) -"Acostumado a agir em território de sombra entre o moral e o imoral, o legal e o ilegal, Bolsonaro acaba de transformar o instituto da graça constitucional em uma desgraça institucional. Tenta, assim, acelerar o passo na marcha do golpe. Mas não terá sucesso. Seu ato espúrio de favorecimento absurdo e imoral a Daniel Silveira, ou qualquer outro tipo de desvio autoritário, serão rechaçados pelos defensores do estado de direito. Amanhã o PDT entrará com medida no STF para anular mais este desatino."

Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul (PSDB-RS) -"Defender invasão ao STF e agressão a ministro não é liberdade de opinião, é crime. Garantias constitucionais não podem ser escudo p atacar a democracia e a CF. O indulto presidencial ao condenado afronta ao STF, à democracia e aos brasileiros q respeitam os limites constitucionais. As liberdades democráticas não podem servir para elas próprias serem atacadas. A democracia não pode ser autofágica."

Fabiano Contarato, senador (PT-ES) - "Bolsonaro debocha das instituições e dá passe livre para os detratores do STF. Não passará: exigiremos a suspensão dessa medida, por decreto legislativo. Além disso, nada mudará a inelegibilidade do condenado!"

Gleisi Hoffmann, deputada federal (PT-PR) - "Se Bolsonaro tivesse agido tão rapidamente para enfrentar a pandemia, a inflação e o desemprego, como foi para salvar a pele de seu cúmplice condenado por atentar contra a democracia, o Brasil e o povo não estariam sofrendo a maior crise da história."

Guilheme Boulos, ex-candidato do PSOL à Presidência da República -"Bolsonaro jamais cogitou dar indulto para a mulher que foi presa em 2021 por furtar um pacote de macarrão para os filhos. Mas assinou hoje o 'perdão' para Daniel Silveira, deputado do seu partido que prega a ditadura e o fechamento do STF. São os milicianos no poder!"

Humberto Costa, senador (PT-PE) - "Bolsonaro afronta o STF com perdão a deputado que ameaçou ministros e pregou golpe de estado. Está em busca de pretextos para tentar golpear a democracia. O Congresso Nacional precisa se manifestar."

Ivan Valente, deputado federal, (PSOL-SP) - "URGENTE! Bolsonaro desafia a justiça e diz que vai conceder o indulto da graça a Daniel Silveira, perdoando os crimes de ameaça contra as instituições democráticas, sentenciados ONTEM pelo STF. O genocida está num delírio autoritário que precisa ser interrompido."

Jean Paul Prates, senador (PT-RN), líder da minoria no Senado - "Governos autoritários alimentam sempre o germe da corrupção. Bolsonaro acha que pode tudo enquanto estiver no cargo que ocupa, mas há limites! Esconder os mal feitos da parentalha e dos aliados já estávamos acostumados, infelizmente, e para isso ele emporcalhou as instituições que deram guarida a seus desejos. Como já alertava Tancredo Neves, o desfiguramento das instituições termina por desfigurar o caráter do cidadão. Mas tenho a certeza de que o povo brasileiro ainda não foi atingido por esse processo e deve repudiar com veemência mais essa atitude de um homem incapaz de honrar a cadeira de presidente da República."

Natália Bonavides, deputada federal (PT-RN) - "O chefão da quadrilha que faz de tudo para salvar os filhotes delinquentes, agora avança no golpismo e anula a prisão de um dos seus capangas que atentou contra a democracia. É isso, ou derrotamos o bolsonarismo agora, ou não restará mais nada desse país. Para os problemas reais do país (pessoas passando fome, catando osso no lixo, pessoas morrendo sem ar pelo covid), o presidente só dedica deboche. Já para proteger um delinquente Bolsonaro não perde tempo. Derrotaremos esses criminosos nas urnas e nas ruas."

Marcelo Ramos, deputado federal (PSD-AM) e vice-presidente da Câmara - "Bolsonaro sabe que o decreto é absolutamente inconstitucional. Não cabe indulto pra anular processo que não transitou em julgado. Só quer mobilizar os minions e desviar a atenção do que ele é a incapaz de dar respostas: a fome, o desemprego, a inflação e a corrupção no governo dele."
 
Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS) - "O anúncio de indulto ao condenado Daniel Silveira é início de uma ruptura institucional. A extrema-direita mostra que não pretende cumprir a lei e aceitar a derrota nas urnas em 2022. As instituições precisam reagir uníssonas contra essa ameaça e derrotar a ameaça de novo golpe. Está nítido para você quem defende bandido? Mas trabalhar para o Brasil ele não trabalha. Que fiquem abraçados na cadeia."
 

Omar Aziz, senador (PSD-AM) - "O presidente deu mais uma demonstração de total falta de respeito à democracia e ao Estado Democrático de Direito. Ao conceder indulto a Daniel Silveira, mostra que seus asseclas podem cometer crimes, ofensas e desrespeitos em série, contra qualquer um, que serão acolhidos sob a sombra obscura de sua proteção. Na democracia não é assim, presidente! Todo ato tem consequências. Se há crime, deve haver punição. (...) Agindo dessa forma, o presidente deu um passo em direção à ditadura que tanto almeja. Mas não conseguirá êxito. Há brasileiros que defenderão a democracia até a última instância (...). Agora, mais do que nunca, sem pensar nas eleições, o País precisa se unir para manter a democracia e o espírito de nação."

Perpétua Almeida (PCdoB-AC), deputada federal - "Quem se calar frente a essa ilegalidade e insulto de Bolsonaro contra o STF, é igual ou pior que ele. Bolsonaro acaba de anunciar decreto p anular decisão do Supremo que, por 10 a 01, condenou o dep Daniel Silveira à prisão."

Randolfe Rodrigues, senador (Rede-AP) - "Bolsonaro quer atear fogo no Brasil, concedendo graça a um delinquente condenado a mais de 8 anos, antes mesmo do trânsito em julgado! Crimes contra a ordem constitucional não podem ser passíveis deste benefício (art. 5•, XLIV) e iremos ao STF, para derrubar esse desmando por meio uma ADPF! Além do mais, a concessão de graça ou indulto não altera a inelegibilidade da Ficha Limpa e Daniel Silveira seguirá banido da vida pública, caso se livre da cadeia!"

Renan Calheiros, senador (MDB-AL) - "Bolsonaro é um golpista que atenta contra os poderes o tempo todo. O indulto beneficiando Daniel Silveira é afronta ao STF e claramente inconstitucional. Entrarei com medida judicial ainda hoje contra o decreto ilegal.O fascismo não passará. O Congresso precisa se manifestar."

Sâmia Bomfim (PSOL-SP) - "Vamos entrar com um Projeto de Decreto Legislativo para anular o indulto dado a Daniel Silveira por Bolsonaro. Também recorreremos ao Supremo. Ele aparelha as instituições para defender seus aliados criminosos e estimula o enfrentamento e polarização de sua base contra o STF."

Simone Tebet, senadora e pré-candidata à Presidência da República (MDB-MS) - "Dar graça, por decreto, a um condenado pelo STF por atentado à democracia, é desvio de finalidade e um ato inconstitucional. O PR violou, ele próprio, a Constituição. Um golpe contra a democracia. Crime de responsabilidade."

Talíria Petrone, deputada federal (PSOL-RJ) - "Bolsonaro assinou decreto que dá indulto a Daniel Silveira, um dia após o STF decidir por sua prisão. O presidente quer blindar mais um aliado que se utiliza do ódio para atacar as instituições democráticas e insultar a memória de Marielle Franco. Inadmissível e escandaloso!"

Veneziano Vital do Rego, senador (MDB-PB) - "Por linha oblíqua o Presidente da República fechou o STF. Essa atitude dele se aproxima das violentas agressões de setembro de 2021. Definitivamente, autoriza o anarquismo comportamental."

20
Abr22

Ciro reforça ataque contra a esquerda e mira Psol, PCdoB e CUT

Talis Andrade

Sinuca tática pode isolar Ciro Gomes

 

Ciro Gomes todo santo dia arranja um Cristo para bater. Bate mais que Bolsonaro, um extremista da direita.

A Terceira Via seria um opção entre estremistas.

Lula não vem batendo, conciliou com Alckmin, que representa a direita cristã, aguada, com gosto de chuchu. 

Ciro ora assume o discurso de Bolsonaro, ora o de Alckmin quando estava no PSDB de Fernando Henrique, de Serra, de Aécio. 

Pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro fez mais um ataque à esquerda na noite desta terça-feira (19). Ele classificou o Psol e PCdoB como "esquerda de goela" e disse que a CUT (Central Única dos Trabalhadores) é formada por um "bando de pelegos".

Tanto o Psol e PCdoB quanto a CUT estão na base de apoio à pré-candidatura do ex-presidente Lula (PT), personagem que tem sido atacado recorrentemente por Ciro Gomes.

Lula é o favorito para vencer o pleito, liderando todas as pesquisas de intenções de voto. Ciro Gomes sequer alcança os dois dígitos nos levantamentos. Ciro perde para qualquer candidato da terceira via. Não tem rumo nem votos. O certo seria ir para o segundo turno contra Lula. Agora não. A estratégia única seria derrotar Bolsonaro no primeiro turno. O segundo turno é uma nova eleição. Os bolsonaristas derrotados no dia 2 jamais votariam em Lula no dia 30 de outubro próximo [A partir de uma notícia do Brasil 247]

Espalhadores de brasa
15
Abr22

“Não falarás mal dos outros enquanto recebes diárias e passagens indevidamente”!

Talis Andrade

 

 

 

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Lenio Luiz Streck
TCU condenou Janot e Dallagnol pelo pagamento indevido de R$ 2 milhões em diárias e passagens a procuradores da Lava Jato. A farra das diárias! A Bíblia condena. Está em Moralisticus et Cuecas, 17,1: “Não falarás mal dos outros enquanto recebes diárias e passagens indevidamente”!Janot e Deltan devem R$ 2 mi ao MP. Haja vaquinha... - TIJOLAÇO
Reinaldo Azevedo
“Ai, que preguiça!”, como diria Macunaíma. E pensar que fez o estrago que fez no Brasil. Com o apoio cúmplice de boa parte da imprensa até outro dia.
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Dona Rosângela Moro se esforça pra provar que o casal mora em SP, novo domicílio eleitoral de quem tinha tanto orgulho da República de Curitiba…
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Que fique claro: a 2ª Câmara do TCU já considerou os pagamentos ILEGAIS. Agora vem a fase de atribuição de responsabilidades. Risco de Deltan se tornar inelegível pela Lei da Ficha Limpa, q eles sempre defenderam, é enorme.

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TCU condenou Janot e Dallagnol pelo pagamento indevido de R$ 2 milhões em diárias e passagens a procuradores da Lava Jato. A farra das diárias! A Bíblia condena. Está em Moralisticus et Cuecas, 17,1: “Não falarás mal dos outros enquanto recebes diárias e
passagens indevidamente"!
 
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Correção: TCU abre processo. Ainda não condenou. Agora vi. Peço desculpas. Usei a palavra “condenou”. Acontece. Então. Em dois meses, voltamos a falar. Vamos fazer contagem regressiva. Amanhã restarão 59 dias para o término desse processo administrativo aberto contra Deltan. Concito-vos a fazer a vigilância. De olho no TCU!!
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07
Abr22

Merval, chamado de ‘Moro’ na CBN, diz já não crer em 3ª Via’

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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A coisa está tão difícil para o “bolsonarismo sem Bolsonaro’ da 3a. Via que até os “fortes” vão cedendo.

Hoje, na CBN – curiosamente chamado de “Moro”, num ato falho do apresentador Carlos Alberto Sardenberg – Merval Pereira admite que “seria uma boa oportunidade” formar-se uma chama com Ciro Gomes e Simone Tebet, apoiada pelo União Brasil, mas que não crê que isso se consume, porque o partido de Bivar quer ficar longe das polêmicas com Lula e Bolsonaro na campanha presidencial e que o partido de ACM Netto e Luciano Bivar não aceitaria Ciro como seu candidato a presidência.

O decano do jornalismo lavajatista já jogou a toalha para seu tonteado herói e também não vê possibilidades de Eduardo Leite “derrubar Doria”e não está otimista com sua última alternativa, Ciro Gomes:

—É uma manobra complicada, assim como foi a do Moro, que não deu certo. É preciso ter uma liderança natural, que esse grupo não tem. Os únicos que se impõem são Moro e Ciro Gomes. Nenhum partido quer Moro, os políticos não querem dar força a ele. E Ciro seria uma solução, se eles quisessem realmente apresentar candidato competitivo. Mas não acredito.

Merval está num mato sem cachorro. E sem marreco, coitado.

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05
Abr22

Xadrez do Brasil na grande batalha da globalização

Talis Andrade

 

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O que estará em jogo em 2022 não será um provável 3º governo Lula, mas o desafio de manter o Brasil como Nação

03
Abr22

3ª via como discurso de ódio. E ainda: Moro, a conja e falsidade ideológica

Talis Andrade

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por Reinaldo Azevedo

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Um pequeno texto no Globo informa que Sergio Moro se encontrou neste sábado, em um hotel, com Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul e derrotado — inconformado — nas prévias do PSDB. Parece acreditar apenas em disputa que ele vence. Mas isso vem daqui a pouco. Um singelo parágrafo traz uma informação essencial:

"Moro deixou o hotel neste sábado e encerrou sua estada de dois dias em São Paulo também sem definir a qual cargo vai concorrer. Logo após sua filiação ao União Brasil, o partido anunciou em comunicado, que o ex-juiz seria candidato a deputado federal por São Paulo."

Como é? "Encerrou sua estadia de dois dias em São Paulo"? Ao se filiarem ao União Brasil, ele e sua "conja" afirmaram que têm domicílio eleitoral no Estado, o que, obviamente, é mentira. Já estreiam no partido com uma ocorrência escancarada de falsidade ideológica. Resolveram usar as terras paulistas como mero palanque, embora, como todos sabem, não tenham qualquer vínculo com a região. Ademais, entendo, tratam com menoscabo o Paraná, que, então, passa a ser considerado pequeno para o tamanho de sua ambição.

Olhem a que abismo político e moral desce a articulação disso a que pretendem chamar "terceira via". Leite perdeu a disputa interna em seu partido para João Doria. Deveria bastar. Ainda que quisesse se colocar como alternativa, isso só poderia ser feito num diálogo com o vitorioso no embate interno — na hipótese, claro!, de que ele, Leite, fosse efetivamente uma alternativa mais viável, coisa que nem os números nem as projeções mais otimistas demonstram. Não descarto nada que a física, a química ou a matemática digam ser possível. Mas reitero: se essa construção é ao menos potencialmente viável, um senso mínimo de lealdade indica que haveria de se fazer com Doria, não contra ele.

É um troço, em si, vergonhoso, pouco importa a opinião que se tenha sobre a postulação do ex-governador de São Paulo. Se Leite não consegue ser fiel a um processo de escolha de candidato definido pelo próprio partido e se a palavra que empenha junto aos seus não vale, por que a população haveria de acreditar em eventuais pactos que ele proponha como candidato? Trata-se de um despropósito talvez sem paralelo na política brasileira.

Fico com a impressão de que alguns medalhões da elite, infelizes com o que chamam, por aí, estupidamente, de "polarização", ficam zumbindo ao seu ouvido, como moscas azuis: "Vá em frente; chegou a sua vez; as prévias que se danem; vamos salvar o Brasil".

Eis aí: "salvacionismo". Essa palavra poderia definir as articulações até aqui da chamada "terceira via", aí sem exceção. Os que se apresentam como alternativa ainda estão no estágio da deslegitimação das duas candidaturas que estão na liderança e que expressam, no momento, a vontade de 70% do eleitorado — destacando-se que a diferença entre Lula e Bolsonaro é gigantesca. Peço atenção a três questões.Image

 

A PRIMEIRA QUESTÃO: PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Não se pode simplesmente dizer que as pessoas estão erradas; que escolheram o equívoco; que, no fundo, não sabem nem votar. Há postulantes de mérito tentando um lugar nesse pleito -- não é o caso de Moro, o rei do demérito. Pois, então, que se desdobrem para evidenciar essas qualidades, indicando um caminho para o país. "Ah, mas Lula e Bolsonaro também não indicam", poderia responder alguém. Será? Dias desses, Leite afirmou que Lula remete ao passado; Bolsonaro, ao presente e que o país precisa de quem trate do futuro.

É uma frase espertinha, coisa de candidato a marqueteiro. Mas não quer dizer nada. Assenta-se, de resto, numa falácia. O "passado" que Lula evoca ainda é parte do cotidiano dos brasileiros. Todas as questões que realmente importam na campanha, na área social, são oriundas de políticas públicas implementadas pelo PT. Nem preciso enumerá-las. O "presente" de Bolsonaro traduz-se num embate ideológico que mobiliza — e não gosto disto, mas é fato — milhões. Com a conivência dos agora postulantes à "terceira via", que se juntaram a Bolsonaro em 2018, o "capitão" sequestrou o discurso liberal e conservador e o empurrou para uma espécie de guerra religiosa — a exceção é Luiz Felipe Dávila, e Ciro não se enquadra no grupo na categoria "terceira via".

Não, senhores! Lula e Bolsonaro não estão tratando de questões mortas.

 

A SEGUNDA QUESTÃO: OS "POPULISMOS"


A tentativa da "terceira via" de descontruir armadilhas populistas que Lula e Bolsonaro encarnariam costuma cair muito bem entre os brasileiros que estão com o futuro garantido. Os que vivem na incerteza -- a esmagadora maioria -- nem sequer entendem a conversa. Se vazada em grego antigo, não faria muita diferença. Rejeito, noto à margem, que o ex-presidente e o atual sejam males opostos e combinados também na economia. Aliás, acho essa suposição estúpida, mentirosa. Incluindo pessoas no mercado consumidor, o Brasil foi alçado à condição de "grau de investimento" no governo Lula. Grita-se: "A economia desandou com Dilma". É verdade. Mas, então, que se faça a crítica com os devidos matizes, tentando incluir na conversa os muitos milhões de brasileiros que veem sua condição de vida se deteriorar dia a dia.

Resta sempre a suspeita de que Lula e Bolsonaro precisam ser descartados porque só um "terceira via" teria condições de ministrar um "remédio amargo" que os outros dois rejeitariam... Como se Bolsonaro tivesse mesmo se esmerado em bondades!!! Ademais, o PT está fora do poder há seis anos. Sempre se podem evocar as vicissitudes que não decorreram de escolhas do governo — sempre existem, não? —, mas o fato é que houve uma deterioração de políticas públicas em áreas essenciais do país. E, bem..., o PT não teve nada com isso. Do MEC ao garimpo e desmatamento ilegais, passando pela paralisia do Minha Casa, Minha Vida, preciso mesmo fazer a lista?

É possível proceder à crítica informada dos governos petistas e do governo Bolsonaro. Enfiá-los no mesmo saco, declarando que são iguais, é uma mentira evidente, que o eleitorado não engoliu.

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A TERCEIRA QUESTÃO: A DEMOCRACIA


Acho essencialmente imoral que postulantes a terceira via não digam com clareza inconfundível, sem chance para leituras laterais, que Bolsonaro representa um risco para a democracia, e Lula não. Nem me limito à anunciada disposição de Bolsonaro para liderar um golpe, faltando apenas que os fardados topem a loucura. E ele insistiu na ameaça neste sábado. Além disso, há a história.

Dilma foi impichada sob a alegação de ter cometido pedalada fiscal. A propósito: reexaminei documentos e denúncia. Seu governo era muito ruim. Mas o crime não existiu, e o impeachment, que também defendi, foi um erro. Sigamos. Deixou o poder sem resistência e se submeteu às decisões das instâncias políticas e judiciais. Lula foi preso em razão de uma condenação sem provas. Ficou 580 dias na cadeia. Candidato à Presidência, está dialogando com quem ajudou a depor o seu partido e mesmo apoiou a Lava Jato, que o levou injustamente à prisão.

É imperdoável que os postulantes à "terceira via" não estabeleçam uma hierarquia moral que faça a devida distinção entre Lula e Bolsonaro no que respeita à defesa da democracia.

 

O GRANDE PATETA


O encontro entre Moro e Leite, de que trato no começo deste texto, é uma espécie de emblema de todos esses equívocos, com o peso adicional de que ambos resolveram juntar desvios personalistas ao que já não tinha rumo. Os de Leite já estão expostos. Moro, reconstituam rapidamente a trajetória, era o juiz que se comportava como o Luís 14 da 13ª Vara Federal de Curitiba. Foi servir como ministro de Bolsonaro, acumulando desastres no cargo. Chutado, escolheu -- o que é estupefaciente -- ganhar alguns milhões por nove meses de trabalho, sabe-se lá qual, na Alvarez & Marsal. Retorna ao Brasil como demiurgo do "nem-nem" e anuncia: "Juntem-se a mim os pré-candidatos". Dá tudo errado. Suas propostas para o Brasil se resumem a um tartamudeio de uma nota só. Abandona o Podemos sem nem aviso prévio e migra para o União Brasil com o compromisso firmado de que não pleiteará a Presidência. Ele mesmo faz o anúncio. No dia seguinte, muda de ideia, assegura não ter desistido e é desautorizado por parte da direção da legenda. Ainda assim, na sequência, encontra-se com Leite, aquele que não aceita o resultado de um jogo cujas regras ajudou a definir.

E o que eles todos têm a dizer? Há uma frase de Moro, publicada nas redes sociais, junto com uma foto em que aparece ao lado da senadora Simone Tebet (MS), pré-candidata do MDB: "Precisamos da indignação e do apoio de todos os brasileiros de bem".

Nessa formulação, os 70% que, por ora ao menos, escolhem ou Lula (mais ou menos 45%) ou Bolsonaro (mais ou menos 25%) não são "brasileiros de bem". E seria necessário, então, que a terceira via resolvesse criar uma minoria militante e indignada — que alcançaria, no máximo, 30% nas condições de hoje — contra aquela larga maioria de "pessoas do mal".

Prestem atenção a esta conclusão: a conversa de postulantes da terceira via, nos termos em que vem sendo processada, está se transformando numa variante de "discurso de ódio".

 

 

24
Mar22

Ciro critica viagem de Moro à Alemanha: “Recebido pelo porteiro”

Talis Andrade

Ciro Gomes

O pré-candidato do PDT questionou que autoridades teriam recebido o ex-juiz no Parlamento alemão. Moro gravou no jardim em frente ao prédio

 
 
O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, usou as redes sociais para criticar o ex-juiz Sergio Moro, nome do Podemos na corrida eleitoral por um vídeo postado em frente ao Parlamento Alemão (Bundestag). Lá, Moro diz ter sido recebido por autoridades do país europeu, sem citar os nomes com quem se reuniu.
 
“A julgar pela imagem que postou, Sergio Moro foi recebido no Bundestag, o Parlamento Alemão, pelo porteiro do prédio ou pelo jardineiro. Ele gravou uma imagem na porta dizendo que tratou de assuntos importantes. Com quem?”, questionou o pedetista.
 

“Não há cenas de reuniões com parlamentares, comissões, muito menos com membros da mesa. Nada, absolutamente nada. Mas ele diz que levou ao Bundestag a posição do Brasil contra a guerra na Ucrânia”, disse Ciro Gomes.

O pré-candidato relacionou o comportamento de Moro na Alemanha com o do presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação de Ciro, Bolsonaro alimentou a notícia falsa de que havia acabado com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia ao brincar sobre o assunto, na viagem que fez à Moscou, uma semana antes da deflagração da guerra, por ordem do presidente russo, Vladimir Putin.

“É para rir deste ridículo ou se indignar com tanta farsa? O que dizer de um candidato que mente e trapaceia até em coisas tão ínfimas e ridículas? Nada, além de que é cópia fiel de seu chefe, Bolsonaro. Lembram que ele acabou a guerra Rússia-Ucrânia?”, relacionou o pedetista.

O vídeo, gravado no jardim em frente ao prédio, foi postado na terça-feira (23/3). Moro diz ter sido recebido no Bundestag onde, segundo ele, pode colocar sua posição de repúdio à invasão russa, a proposta política de meio ambiente e ainda a ideia de avançar no tratado entre o Mercosul e a União Europeia.Bolsonaro e Sérgio Moro, ex-juiz e atual pré-candidato a Presidência da República. Eles usam terno escuro e camiseta branca- Metopoles

Confira o post de Moro no Twitter:

Sergio Moro
@SF_Moro
Fomos recebidos hoje no Bundestag, o Parlamento Alemão, e deixamos clara a nossa posição em relação a temas fundamentais no cenário global. 1. Repudiamos a invasão russa. 2. Precisamos cuidar melhor do Meio Ambiente. 3. Vamos avançar no tratado Mercosul-União Europeia.
21
Fev22

Moro "beija-mão" de Temer para aglutinar golpistas na terceira via

Talis Andrade

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Reverência ocorreu no escritório de Temer em SP após Moro tentar implodir federação de Lula com Renato Casagrande, que articulou apoio do PSB ao golpe

 

Por Plinio Teodoro /Forum

 

Linha auxiliar do golpe que depôs Dilma Rousseff (PT) em 2016, dois anos antes de determinar a prisão de Lula (PT), Sergio Moro (Podemos) foi até o escritório de Michel Temer (MDB) para promover um "beija-mão" e pedir autorização para aglutinar golpistas em torno de sua candidatura na terceira via.

"Moro pediu conselhos [...] E falaram muito das reformas de Temer também, Moro elogiou bastante", disse o marqueteiro Elsinho Mouco, que estava na reunião junto com Gustavo Guedes, que foi advogado de Temer na cassação da chapa Dilma-Temer no TSE e hoje atua como coordenador jurídico da campanha de Sergio Moro.

Além de tentar implodir a pré-candidatura de Simone Tebet (MDB), Moro fez o gesto de reverência ao ex-presidente golpista após recrutar atores do processo de impeachment.

O principal deles é o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, do PSB, que tenta implodir a negociada federação da sigla com o PT e outros partido que apoiam Lula.

Casagrande negociou diretamente com Temer e trabalhou intensamente para que o PSB apoiasse o impeachment contra Dilma. Após encontro com Moro, o governador do Espírito Santo abriu fogo contra aliança, que resultou em cisão dos dois partidos, com Carlos Siqueira, presidente do PSB, insinuando que o próprio PT colaborou para golpe contra Dilma.

No Estado, Moro ainda articula com o ex-governador Paulo Hartung, do MDB, que aglutinou parte do empresariado e da sociedade civil em torno do golpe - grupo que depois viria orbitar uma pretensa candidatura do apresentador da Globo Luciano Huck.

Após debate com Tebet e Felipe D'Avila, do Novo - outra frente golpista -, Moro defendeu a ideia da "aglutinação" para a construção de "terceira via". Em terceiro lugar nas pesquisas - dividindo a posição com Ciro Gomes (PDT) -, o ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) tenta abocanhar as parcas intenções de votos de outros candidatos que apoiaram o golpe.

Soma-se a isso, os conluios com movimentos golpistas, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Nas Ruas, que já fecharam questão com o ex-juiz. Sem contar a torcida e o espaço na mídia liberal, em especial na Globo, da Família Marinho.

Ao lado de Temer, Moro torna-se um "tostines" da chamada "nova política". Não se sabe mais se Moro pariu o golpe ou o golpe pariu Moro. O que é fato é que o ex-juiz busca forças para tentar, mais uma vez, tirar Lula do caminho ao Planalto. Democraticamente ou não. Como conta sua própria história.

 

Leia também:
Paulo Pimenta pede que TSE investigue Moro por palestras de R$ 77 mil

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15
Fev22

Isentão, não

Talis Andrade

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por Mirian Guaraciaba

Deu um prazer danado ler a entrevista do cantor e compositor Martinho da Vila, em O Globo desse domingo. Aos 84 anos, Martinho não se esconde. Nem na vida, nem na política. Mesma alegria ao ler declarações de Andrea Beltrão e Marieta Severo, divas do teatro brasileiro. Elas e ele são diretos, posição cristalina, pensam de fato num Brasil de esperança.

“Você vai participar da campanha do Lula?”, perguntou o repórter a Martinho. “Se ele quiser, claro. Para os amigos, faço qualquer coisa”.

Tem Chico, Wagner Moura, Caetano, Gil, Pablo Vittar, Marcelo Serrado, Bruno Gagliasso, Popozuda, José de Abreu … Juliette, Gil do Vigor… e outros mais. A magnitude do respeitável apoio desses artistas não está, certamente, na soma de votos que trarão a Lula, mas na volta por cima da democracia, soterrando anos de sufoco na mão de golpistas, família Bolsonaro e radicais extremistas.

A herança do bolsonarismo é ruinosa. Inflação de dois dígitos, o pior flagelo. Acumulada desde dezembro de 2014 a outubro de 2021, bateu 47,5%. Empobrece o trabalhador, e aumenta ferozmente a miséria extrema. Hoje, segundo a FGV, já são cerca de 30 milhões de brasileiros passando fome no Brasil.

O desemprego, em 2022, baterá recorde com Bolsonaro. Serão 13,5 milhões em dezembro, e o pior índice num ano eleitoral – contabilizadas as sete últimas campanhas presidenciais. Saúde? Bem estar? Educação? Segurança? Cultura? O espólio é catastrófico em todas as áreas. O atraso social é incontestável.

Bolsonaro bateu recorde de desmatamento da Amazônia. Garimpos ilegais proliferam na região. Há pouco tempo, O BNDES, banco de fomento para o desenvolvimento do País, emprestou quase R$ 30 milhões a fazendeiros punidos pelo Ibama por estarem desmatando. Apesar do histórico de infrações, receberam dinheiro publico com juros subsidiados. As informações são da Rede Brasil Atual.

O que esperar, num segundo mandato, de um sujeito que nega a ciência? Dizimar a população que não reza pela sua cartilha? Bolsonaro levou o País a ser o segundo em óbitos pelo coronavirus em todo o mundo, e o terceiro com mais casos confirmados, dados recentes. Somos o sexto país mais populoso e só estamos atrás dos Estados Unidos nessa macabra estatística.

É trágico na área cultural. Regina Duarte e Mário Frias, perversos. Perigosos. Que outro candidato teriam os artistas bem intencionados e que preferem não estar em cima do muro? Ciro Gomes, para Fabio Porchat, e outros tantos. Ok. Primeiro passo. Primeiro turno. Ciro é destemperado, para dizer o mínimo, fugiu do combate em 2018, não tem estratégia política, mas não se pode dizer que não se preocupa com o País.

Em numero menor, talvez, e de menor importância, certamente, é o apoio declarado de alguns artistas ao Capitão. Votos garantidos desse grupo? Há os que se dizem arrependidos. Hoje, Bolsonaro patina nos 22% da preferência nas pesquisas eleitorais, mas é cedo para dizer que o panorama está posto.

A mesma luz que ilumina Lula não alcança o Capitão. Mas é bom lembrar que ele tem a caneta e a chave do cofre. Dá sinais claros de que avançará sobre o orçamento para beneficiar grupos de interesse, e fará tudo e mais alguma coisa para tentar se reeleger. Manchete desta segunda, 14, da Folha de SPaulo diz que pressão da base no Congresso pode fazer explodir bomba fiscal de R$ 230 bilhões. Só a PEC dos combustíveis terá impacto fiscal de R$ 100 bilhões.

Com o País pegando fogo, o Capitão sem noção foi a Rússia, ignorando advertência sobre o péssimo momento de visitar um país literalmente em pé de guerra. Alegou interesses econômicos. De fato, relações desequilibradas. Enquanto o Brasil exportou, em 2021, U$ 1,6 bilhões para a Russia, os russos exportaram para o Brasil nada menos que U$ 5,7 bilhões. A conta não favorece Bolsonaro.

A conjuntura é cada vez mais favorável a Lula. Dificilmente, o governador (dizem bem avaliado em SP) Doria vai decolar na disputa pela Presidência. Moro virou piada, terá enorme trabalho para convencer o eleitorado de que a fala pró-nazismo de seu apoiador Kataguiri foi apenas “uma gafe”. Simone Tebet? Pode surpreender, mas não deve superar Lula.

Ainda é cedo para dizer que estão todos fora do páreo. Mas nunca é cedo para se ter esperança de um Brasil feliz de novo. Isenção, não. Bora fazer campanha. Bora declarar voto.

É hora de se posicionar. O bolsonarismo, senhores, veio para ficar. Assim como Trump, nos Estados Unidos, será ameaça constante a nossa democracia.

O risco de reeleição de Bolsonaro – distante, mas possível – tem que ser afastado no exercício pleno da democracia: quando a pandemia permitir, campanha nas ruas. Agora, hora de ir para as redes declarar voto. Seja Lula, Ciro, Simone. Até Doria. Só não dá para enfiar a cabeça na areia. Ou ficar em cima do muro.

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08
Fev22

TRAIDORES DA PÁTRIA ENTERRAM O PROGRAMA NUCLEAR E O FUTURO DO BRASIL

Talis Andrade

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LAVA JATO PRENDEU ALMIRANTE OTHON A SERVICO DOS INTERESSES DOS EUA  (Entreguismo, parte 2)

 

Por Miguel do Rosário

Voltemos ao caso do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, herói nacional transformado em bandido pelos espiões dos Estados Unidos e traidores do Brasil.

Após o seu caso ser distribuído para o Rio de Janeiro, o almirante Othon seria condenado pelo juiz Marcelo Bretas, em sentença assinada no dia 3 de agosto de 2016, a 43 anos em regime fechado. Ainda naquele fatídico agosto, no dia 31, o Senado decidiu, por 61 votos X 20, pelo afastamento definitivo da então presidenta Dilma Rousseff. Tristes anos, em que só ouvíamos falar de prisão, destituição, paralisação. Os improdutivos, que não inventam nada, que não ganham eleições, que apenas se regozijam diante da tragédia alheia, haviam vencido.  

Na sentença que o condenou, página 44, Marcelo Bretas nos informa que, após uma minuciosa devassa na vida bancária do Almirante Othon Pinheiro, os investigadores concluíram que ele recebeu exatamente R$ 3,4 milhões de “propina”, pagos pela empreiteira Andrade Gutierrez, entre os anos de 2007 a 2015. 

A versão do almirante era de que se tratava de um acordo firmado entre ele e a empresa em 2004, um ano antes dele assumir a presidência da Eletronuclear, para a prestação de um serviço de consultoria sobre o futuro da energia nuclear no Brasil. 

Segundo o almirante, ele procurou mostrar à empresa que o modelo energético brasileiro estava obsoleto, pois desde os anos 80 o país mantinha o mesmo volume de água em seus reservatórios, ao passo que a demanda havia se multiplicado várias vezes. 

A solução que vinha sendo aplicada, de uso de termoelétricas movidas a diesel, carvão ou gás natural, acarretava em custo muito alto ao contribuinte e às indústrias nacionais, além de extremamente poluente. 

Como o Brasil possui grandes reservas de urânio, a resposta mais inteligente aos riscos de desabastecimento seria ampliar o uso da energia nuclear como o principal complemento às hidrelétricas. Quando faltasse chuva, ligava-se as termonucleares.  Enquanto isso, o Brasil poderia seguir investindo em energias ainda mais seguras e limpas que a nuclear. Ele mesmo, Othon, tinha uma ideia: o desenvolvimento de micro-hidrelétricas, que poderiam ser instaladas em pequenas quedas de água em todo país. 

Um dos pontos realmente grotescos da acusação do Ministério Público contra o almirante, e que também consta na sentença de condenação de Bretas, é o desprezo pelos conhecimentos de Othon Pinheiro enquanto engenheiro nuclear. Os procuradores declaram, e Bretas chancela, que a consultoria de Othon é superficial, inútil, e que não vale os R$ 3 milhões pagos ao longo de 11 anos!

Em 28 de janeiro de 2022, Sergio Moro, agora ex-juiz e ex-ministro, declara que ganhou o equivalente a R$ 3,5 milhões por 11 meses de trabalho para a empresa americana Alvarez & Marsal.

Diante das acusações, vindas de diversas partes, incluindo o TCU, de que esse valor poderia ser visto como uma espécie de propina, Deltan Dallagnol, que também desistiu do serviço público, o mesmo Dallagnol que outrora se mostrara tão duro com o almirante Othon, veio a público defender Sergio Moro e dizer que a Lava Jato estaria sendo “perseguida”. 

Moro pode ganhar R$ 3,5 milhões em 11 meses, sabe-se lá por que serviço, e o almirante Othon, o maior engenheiro nuclear da história brasileira, não pode auferir R$ 3,4 milhões em 11 anos?

Em 25 de setembro de 2017, a Reuters informa que, segundo publicado no Diário Oficial da União, a Eletronuclear assina o seu primeiro contrato com a Alvarez & Marsal, no valor de R$ 3,86 milhões…

Desde então, tem sido difícil seguir o quanto a Alvarez recebeu da Eletronuclear, porque novos contratos e aditamentos se sucedem frequentemente. Encontrei notícia de aditamento de R$ 503 mil, assinado em 13/09/2019, e de um novo contrato de 25 de maio de 2020, de R$ 1 milhão. Sempre com a Alvarez & Marsal. 

Além disso, as relações entre essas grandes firmas americanas de advogacia, especializadas em processos de corrupção de alcance internacional, e a comunidade de inteligência dos Estados Unidos, são profundas. 

Nossa conhecida Hogan Lovells, por exemplo, que espetou recentemente uma conta de R$ 400 milhões na Eletrobras, para “ajudar” a estatal a enfrentar os problemas que a Lava Jato gerou junto a Justiça americana, tem entre seus quadros o advogado Timothy S.Bergerer, que foi o último diretor de equipe do Comitê de Inteligência do Congresso, órgão responsável por supervisionar todos os serviços de inteligência ligados ao governo.

Bergerer foi também, durante doze anos, o chefe de gabinete do deputado democrata Adam Schiff, presidente do mesmo Comitê desde janeiro de 2019.

No dia 2 de fevereiro de 2022, 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF-2) formou maioria em favor de uma brutal redução na pena de Othon Pinheiro. 

Ao invés de 43 anos, o desembargador Antonio Ivan Athié, relator da apelação, sugeriu 4 anos e 10 meses. 

Ele foi seguido pela desembargadora Simone Schreiber. A turma tem apenas três nomes. O desembargador Flávio Lucas, o terceiro voto, pediu vistas. O julgamento deverá ser finalizado em menos de 30 dias. Procurado, o advogado Fernando Augusto Fernandes, responsável atual pela defesa do almirante, explicou que não pode se manifestar antes do resultado final. Mas apuramos junto a outras fontes que é certo que a defesa deverá pedir a anulação do processo junto ao STJ.

O argumento principal da defesa é que as acusações contra o almirante são exclusivamente baseadas em delações de empresários intimidados pelos procuradores. 

Além disso, numa outra reviravolta, o próprio juiz que condenou Bretas também foi citado por um delator, o advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho, que revelou diálogos que manteve com Bretas. Num dos diálogos, Bretas dá a entender que a severidade na condenação do almirante Othon, 43 anos em regime fechado, teria a função de assustar outros réus, para fazê-los pagar propina ao juiz, em troca de “alívio” na sentença. 

Uma outra mutreta descoberta pela defesa do almirante envolve a cooperação internacional “selvagem” entre a Lava Jato e órgãos de investigação de outros países.  Numa das denúncias contra Othon, os procuradores revelam saber o valor exato da quantia que ele mantinha numa conta no exterior, US$ 185 mil, antes mesmo de obterem autorização judicial para quebrarem o sigilo bancário do réu em eventuais contas que possuísse no estrangeiro. 

Bretas também ignorou o fato de que a referida conta foi devidamente informada ao Banco Central e à Receita Federal em agosto de 2015, antes que a denúncia fosse aceita pela justiça brasileira. 

Entretanto, o mais chocante, em todo o processo envolvendo o almirante Othon é o ódio, o desprezo, e mesmo a crueldade com que procuradores e juízes do caso tratam um cientista com um tal histórico de serviços prestados ao país.

Esse ódio ao Brasil que produz, que inventa, que desafia o mundo, é impressionante. 

A postura de tratar o almirante como inimigo público nacional é visível tanto no despacho de prisão de Sergio Moro, em julho de 2015, quanto na coletiva dos procuradores da Lava Jato, dada no mesmo dia da prisão. 

O procurador Athayde Ribeiro Costa é a voz mais estridente dessa coletiva, que recebe uma cobertura totalmente sensacionalista da grande mídia, a começar pela Globo

Costa solta frases de efeito, como a de que a corrupção no Brasil tinha se tornado uma “metástase”, ou seja, associando o almirante Othon Pinheiro a um câncer. Detalhe, naquele momento a denúncia não havia sido sequer recebida. Não havia ainda nenhuma condenação objetiva, jurídica, do almirante. Mas a condenação midiática já era definitiva, mortal. 

GDPAPE: Notícias

 

Quando o caso é distribuído ao juiz Marcelo Bretas, no Rio de Janeiro, esse ódio ao almirante é ainda mais explícito. Mesmo sabendo que o almirante era um idoso com quase 80 anos, que cuidava da esposa doente (mal de Parkison), Bretas mandou que o cientista saísse de sua prisão domiciliar e fosse conduzido a uma unidade militar, na Base de Fuzileiros Navais, em Duque de Caxias. 

Neste local, o almirante pedia para ligar para sua esposa diariamente, para saber se ela estava bem, usando um telefone da unidade. Bretas, informado disso, reagiu furiosamente, e ordenou que o almirante fosse levado a um presídio comum, Bangu 8, zona oeste do Rio. 

Para Bretas, o vice-almirante desfrutou de regalias “absolutamente incompatíveis com a custódia preventiva”. Algum tempo depois, a defesa conseguiu transferi-lo novamente para uma prisão militar. 

Em todas essas ocasiões, o Ministério Público e o juízo de primeira instância, sempre tentou, a todo o custo, manter o almirante nas piores condições possíveis. A transferência de Bangu 8 para uma unidade militar só ocorreu por decisão da segunda instância. 

O almirante então tentou o sucídio, por enforcamento, mas foi impedido por uma das oficiais de plantão na unidade militar. 

Em algum momento, a justiça será feita para o almirante Othon Pinheiro. Espera-se que isso se dê ainda em seu tempo de vida. A truculência com que ele foi tratado nos últimos anos, por servidores públicos desprovidos de qualquer senso de soberania nacional, de sensibilidade humana, e que pelo jeito sequer conhecem o Direito, não poderá ser apagada. Por isso mesmo, essa história deve ser contada e recontada, para que, no futuro, não venha a se repetir. 

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