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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Jun21

Imprensa internacional destaca decisão de realizar Copa América no Brasil em plena pandemia

Talis Andrade
Pichações dizem "Copa América não" e "Sem paz, sem futebol" na parede de um estádio em Bogotá em 19 de maio de 2021.
Pichações dizem "Copa América não" e "Sem paz, sem futebol" na parede de um estádio em Bogotá em 19 de maio de 2021. DANIEL MUNOZ AFP/Archives
29
Mai21

Despreparada, a CPI da Pandemia vira um fiasco

Talis Andrade

Charge do Dia: Charge do Dia: CPI da Covid | Tribuna Online

 

por Alexander Busch

É um grande circo político o que está ocorrendo em Brasília neste momento - mas com um pano de fundo sério demais para ser visto com diversão. Há exatamente um mês, uma comissão de investigação se reúne no Senado para documentar sistematicamente as falhas do governo na pandemia. Muitos na imprensa disseram que não havia necessidade da CPI. O argumento dos críticos é de que seria do conhecimento geral que o governo do negacionista pandêmico Jair Bolsonaro fracassou em todas as frentes, com 450 mil mortes até agora.CPI do Genocídio: Bolsonaro cada vez mais vulnerável - Outras Palavras

E de fato, com suas tiradas ofensivas diárias e aglomerações dominicais, o presidente continua a não deixar dúvidas de que não está nem aí para vacinação, uso de máscara ou isolamento social, e de que o destino de seus compatriotas lhe é bastante indiferente.

Mas depois de um mês, pode-se dizer: a CPI também é um fiasco. Ela não conseguiu atingir seu objetivo. Os resultados são vergonhosamente escassos. Após quatro semanas, o governo pode se vangloriar de ter lidado bem com uma situação arriscada. Depoentes aliados ao governo mentem sem restrições. Eles passam horas apresentando sua versão da realidade. Mas isso é de se esperar. Réus fazem isso para salvar suas peles.

O surpreendente, porém, é como aparecem os senadores e senadoras, despreparados e sem criatividade. Parece que eles não têm interesse real em reunir fatos que provem em detalhes que o governo está fracassando na pandemia. Por que eles não convocam representantes dos produtores de oxigênio para provar que o governo não se preocupou em fornecer tanques de oxigênio? Por que eles não entrevistam técnicos dos ministérios que podem fornecer provas detalhadas de que a encomenda de vacinas dos fabricantes foi boicotada a partir do topo? Esta lista de perguntas não respondidas poderia ser alongada o quanto se quiser.

Os senadores da "oposição" concentram-se na convocação dos representantes mais conhecidos e polêmicos do governo, que só fizeram uma coisa antes no cargo: mentir, seguir ordens e manter a boca fechada diante dos absurdos que o presidente e seus confidentes dizem diariamente.

Os senadores e as senadoras utilizam a CPI e a imprensa principalmente para a autopromoção. Muitas vezes, não fazem perguntas, e sim apelos vãos para si mesmos e para sua base - e concluem no final com uma pergunta simbólica. Perguntas rápidas rebatendo, contrainterrogatório de testemunhas, confronto com fatos? Isso não existe na comissão.

Parece que foi feito um acordo amigável nos bastidores para os participantes da CPI esquecerem sua ferocidade e tenacidade. Afinal de contas, as senhoras e senhores do Senado, de outra forma, provam quase diariamente nas lutas políticas internas no Congresso que podem ser astuciosos quando querem ser. Mas 2022 é ano de eleições, e eles precisam de fundos e projetos para seus bastiões eleitorais.

Tudo isso é um triste espetáculo. Especialmente quando se considera o que poderia ser feito. O Congresso é uma das câmaras legislativas mais caras do mundo. Cada um dos 81 senadores tem uma equipe média de 37 pessoas. Renan Calheiros, o relator da CPI, sozinho tem 51 assistentes e funcionários. Será que eles não poderiam pensar em nada para se perguntar na comissão?

Brasil 247 on Twitter: "Quem tem medo da CPI da Covid-19? | Por  @LatuffCartoons… "

12
Mar21

Pode isso, “Dr. Judiciário”?

Talis Andrade

“A história nega as coisas certas. Há períodos de ordem em que tudo é vil e períodos de desordem em que tudo é alto. As decadências são férteis em virilidade mental; as épocas de força em fraqueza de espírito. Tudo se mistura e se cruza, e não há verdade senão no supô-la.”

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego

 

Era uma segunda-feira, 17 de março de 2014, quando o telefone tocou cedo. Uma operação da Polícia Federal. Nesses casos, a gente sempre espera para ver a dimensão da operação antes de aceitar qualquer cliente. Logo em seguida, 3 dias depois, foi preso Alberto Youssef. Mal sabíamos que ali seria o início da Operação Lava Jato, importante operação que viria movimentar o país, com resultados surpreendentes até virar uma operação política, conduzida por um juiz determinado a ser presidente da República, instrumentalizando o Poder Judiciário e tendo como pupilo um grupo de procuradores da República que instrumentalizavam o Ministério Público. Tudo isso com apoio da grande mídia e um forte esquema de marketing coordenando as ações e divulgações. Começava ali a maior fraude ao sistema de justiça do Brasil.

Dos três clientes que me procuraram, optei por advogar para Alberto Youssef. Já sabia quem ele era, bem como tinha conhecimento de quem eram Moro e seus pupilos procuradores, pois eu havia atuado na Operação Sundown, impingindo ao grupo de Curitiba a maior derrota que eles até então haviam sofrido. Conhecia a indigência intelectual e moral do grupo, que fazia tudo pelo poder. Mas agora, a briga seria muito maior. Os caipiras estavam com poder midiático de fogo e queriam ainda mais poder. A qualquer custo.

Não demorou para eu deixar a advocacia de Youssef pois, em setembro daquele ano, os procuradores, com medo de uma derrota, exigiram que Youssef desistisse de um habeas corpus lque impetrei para tratar da liberdade. Atitude canalha e covarde dos procuradores que se aproveitaram do momento de fragilidade de um cidadão preso. Ali, comecei a ver e a sentir os abusos daquela República de Curitiba que, cega pela mídia, se julgava salvadora da pátria. Escândalo anunciado e tragédia certa. Mas ainda não imaginávamos o estrago que seria causado à credibilidade da justiça brasileira. A grande Cecília Meirelles sempre nos salva:

“O rumor do mundo vai perdendo a força
E os rostos e as falas são falsos e avulsos.
O tempo versátil foge por esquinas de vidro, de seda de abraços difusos.”

Sentindo o cheiro dos abusos, vendo e ouvindo os personagens lúgubres que coordenavam o circo, criando fortes laços com a barbárie e com um golpe ao estado democrático, resolvi resistir. Eram muitos os absurdos: excessos de prisão, estupro das delações premiadas, achaques, juiz com jurisdição nacional, juiz parcial, enfim, o caos.

Um grupo de advogados resolveu debater, questionar, enfrentar o que já se anunciava como um bando de delinquentes. Sem maiores acessos à grande mídia, que até assessorava a gangue, resolvi cair no mundo e, 2 ou 3 vezes ao mês, ao longo dos últimos 5 anos, corri o Brasil de norte a sul para discutir o direito, a Constituição, as garantias, sempre recitando poesia depois dos debates para ridicularizar os bárbaros. Eles têm medo da literatura. Tive plateias de 4000 pessoas, outras de 200, pouco importava. Sem ser dono da verdade, seguia falando e desmontando esse grupo de golpistas, incultos, banais. Em cada cidade, após as palestras, sempre surgia um convite para entrevistas nos jornais locais, rádios, programas de TVs. Se era para apontar o esquema criminoso engendrado pela “gangue de Curitiba”, eu aceitava o convite.

E o bando se especializou em fraudar não só o sistema de justiça, mas em vender uma imagem de salvadores da pátria. Em 9 de setembro de 2015, escrevi um artigo na Folha de São Paulo, “QUE PAÍS QUEREMOS?”. Já em 2015, afirmei que não admitia que absolutamente ninguém, juiz, procurador ou policial, pudesse dizer que quer o combate à corrupção mais do que eu, mais do que qualquer cidadão sério. Mas, repetia eu um conceito que se transformaria num mantra: esse combate tem que ser dentro das garantias constitucionais, do devido processo legal e com a ampla defesa assegurada. A resposta a essa pergunta está no voto do Ministro Gilmar Mendes, proferido no julgamento da última terça-feira.

Muitas vezes, sentia o peso avassalador dos grandes interesses querendo nos esmagar. A verdadeira guerra travada na discussão que levou à vitória da presunção de inocência, no Supremo Tribunal, mostrou que o Brasil não é um país para amadores.

A força econômica, a grande mídia, o punitivismo exacerbado, a criminalização da política, a substituição de parte da política por uma proposta de não políticos, o controle da narrativa por parte dos medíocres de Curitiba, a falsa crença de que nós éramos contra o combate à corrupção e a favor da impunidade fizeram com que andássemos pelo País em busca de um sonho que a realidade insistia em negar.

Mas o debate e a palavra têm uma força devastadora quando nós sentimos a justiça do nosso lado, mesmo que grupelhos se apoderem inescrupulosamente da narrativa simbólica entre os “maus e os homens de bem.” Bando de medíocres que não se vexaram em brincar e zombar com a liberdade e as garantias constitucionais em nome de um projeto de poder. Lembro-me de Mário de Sá-Carneiro, no poema A Queda:

“E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la

Peneiro-me nas sombras- em nada me condenso…
Agonias de luz eu vivo ainda entanto.
Não me pude vencer
mas posso me esmagar.
– Vencer as vezes é o mesmo que tombar-

Tombei …
E fico só esmagado sobre mim.”

Na sina, na busca incessante por um mundo mais livre, mais justo e igual, começamos a ver cair os pilares de um projeto hipócrita, com viés fascista e demolidor, de um direito que representa a dominação e o obscurantismo. No julgamento da parcialidade do juiz e da força-tarefa de Curitiba, parecia que passava um filme dos melhores momentos dos últimos anos. Algumas frases dos votos nos remetiam a plateias espalhadas, ao longo de 5 anos, pelo imenso Brasil. Eu me reconheci ali naquelas frases, naqueles votos.

A decisão do Ministro Fachin anulando os processos por uma chapada incompetência do juiz nos remete às centenas de críticas feitas à jurisdição nacional ou universal de Curitiba. Nunca o óbvio demorou tanto a vir à tona. Mas veio, e lembrei-me do poeta: “é tarde, mas ainda é tempo”.

Agora, o projeto de poder desse grupo que procurou deslegitimar a política, que criminalizou os políticos e a advocacia, que corrompeu o sistema de Justiça e abalou a crença em um poder Judiciário justo, começa a ser realmente desnudado. O juiz e seus asseclas, os procuradores, delegados e advogados de araque que lhe eram submissos, devem também ser responsabilizados.

Não é hora de comemorar, pois estamos no pior momento deste horror da crise sanitária. O grupo fascista e orientado pela necropolítica, que cultua a morte, foi eleito e é filho legítimo da gangue de Curitiba, responsável pela dimensão da catástrofe. A visão covarde, canalha e negacionista levou o país a inacreditáveis 2.349 mortos em um só dia. Números oficiais, pois a subnotificação é brutal. Mais de 270 mil mortos. A banalização da morte, a ridicularização da dor da perda dos que sofrem, o sadismo e falta de empatia são a marca desses desalmados. Uma enorme e densa nuvem cegou a todos os que queriam ver. Uma nuvem que nos abraça, não o abraço da solidariedade, mas o que nos imobiliza e nos sufoca. Que tira nosso ar. Que, de tão densa, nos esmaga e não permite que a esperança saia e respire.

Mas, o enfrentamento dos abusos dessa operação fajuta e criminosa, que é o que se tornou a Lava Jato, há de ser um alento para o cidadão que viu a liberdade ser manietada, a dignidade ser usurpada e sentiu que um Judiciário corrompido politicamente consegue uma morte da cidadania tão angustiante como a morte física pela falta de ar. A irresponsabilidade que fez faltar o ar nos hospitais e nos pulmões é irmã siamesa da irresponsabilidade que sufocou o sistema de justiça. Escondo-me em T.S. Eliot:

“Súbito num dardo de luz solar
Enquanto a poeira se move
Aflora o riso oculto
Das crianças na folhagem
Depressa agora, aqui, agora, sempre
-Ridículo o sombrio tempo devastado
Que se estende antes e depois.”

 
 
 
 
 
 
30
Jan21

'Traidora, a Lava Jato militou contra seus concidadãos e levou o Brasil à ruína'

Talis Andrade

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247 - Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o professor Rafael Valim bateu duro na Operação Lava Jato pelas várias irregularidades reveladas nos últimos anos. 

"A Lava Jato é, sem dúvida alguma, o maior escândalo da história do sistema de justiça brasileiro. Os responsáveis por esse circo dantesco devem ser para sempre lembrados como traidores que militaram contra seus concidadãos e levaram o país à ruína", afirmou o professor.

A partir de junho de 2019, o site Intercept Brasil passou a divulgar trechos de conversas entre membros da Lava Jato e apontou que Sérgio Moro agia como uma espécie de assistente de acusação. O juiz e procuradores do Ministério Público Federal (MPF-PR) violavam a equidistância entre quem julga e quem acusa. 

Em abril de 2016, por exemplo, Moro disse ao então procurador Deltan Dallagnol que faltava uma informação na denúncia contra Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobrás.

Em fevereiro daquele ano, o então juiz também perguntou se os procuradores não tinham uma "denúncia sólida o suficiente" para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, denunciado sem provas no processo do triplex em Guarujá sete meses depois, em setembro - ao formalizar a acusação, o procurador Henrique Pozzobon admitiu que não havia "provas cabais" de que o petista era o proprietário do imóvel. 

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06
Abr20

Reinaldo Azevedo narra o grande milagre de Bolsonaro

Talis Andrade

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Podemos assistir nesta segunda, quem sabe?, ao "Grande Milagre do messias Bolsonaro".

Neste domingo, em que convocou a população a fazer jejum, o presidente dirigiu-se, como sempre, às portas do Palácio da Alvorada para conversar com apoiadores.

Provocou aglomeração, abraçou admiradores, fez selfies... Tudo o que não deve. Tudo o que não pode.

Convidado por um pastor, ajoelhou-se enquanto ouvia orações e cantos de louvor. Foi a vez, então, de o religioso determinar: a partir daquele instante, disse o homem, ninguém mais morreria de Covid-19 no Brasil porque o país estaria sendo, atenção!, abençoado por Deus e... por Bolsonaro! Leia mais aqui

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06
Abr20

Rien, por Luis Fernando Veríssimo

Talis Andrade

Representação da população parisiense realizando a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789

No dia da Queda da Bastilha (14 de julho de 1789), o rei Louis XVI da França voltou à sua casa, Versailles, depois de uma caçada matinal, tomou (presumivelmente nessa ordem) um banho e seu café, e abriu o diário em que anotava os principais acontecimentos do dia, todos os dias. Na falta de um acontecimento notável, Louis XVI escrevia um pensamento e, na falta de um pensamento, recorria a trivialidades, como o número de animais abatidos no bosque do castelo, ou alguma observação de Maria Antonieta sobre os modos da corte, ou uma indisposição digestiva do próprio rei. Naquele dia, nem detalhes da caçada, nem intrigas da corte e nem cólicas mereceram uma citação real. Depois de encarar a página em branco do diário por alguns instante, com um certo tédio, Louis XVI escreveu:

“Rien”.

“Rien”, “rien” de “rien”! A história do mundo chegava a um dos seus cotovelos, quando tudo muda de direção, e Louis XVI não julgou o fato digno de nota. Mas esta crônica não é sobre a insensibilidade dos reis ou sobre a importância da eterna vigilância em quem não quer ser pego de surpresa pela História, e muito menos sobre a incompetência de quem deveria, pelo menos, manter o rei bem informado. Esta crônica é uma proclamação de inveja. Imagine-se morando em Versailles, onde as notícias do mundo real custam a chegar. Imagine-se um Louis XVI desobrigado de saber o pior, abençoado pela ignorância.

Imagine poder escrever “rien” em todas as páginas do seu diário, hipotético ou não, que tratariam da pandemia dos coronavírus e seus estragos se não tivéssemos renunciado à vida real ou assumido a inconsciência de um rei de França, que inveja. Como não podemos nos fingir de Louis XVI, também não podemos exigir os privilégios do seu trono e estamos condenados ao assunto único, esperando que o leitor entenda.

Se o assunto inescapável é repetitivo e trágico, acompanha-o um circo: um governo, pior do que sem cabeça, com muitas cabeças se batendo no picadeiro. Ninguém está rindo.

 

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23
Dez19

Jornalistas deviam evitar circo do Alvorada

Talis Andrade

 

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Por Ricardo Kotscho

 
O circo montado há meses por Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada foi dividido assim:
de um lado, o gradil do chiquerinho dos jornalistas, com uma plataforma de microfones, mantendo os repórteres à distância para a “entrevista coletiva”; de outro, bem ao lado, outro chiqueirinho para o “grupo de apoiadores” de camisas amarelas, que ficam batendo palmas e atiçando o capitão a bater pesado nos jornalistas.

Até hoje não entendi como as empresas e os profissionais podem se submeter a isso.

Na manhã desta sexta-feira, foi um festival de baixarias do presidente da República (!), que ficou completamente transtornado quando os repórteres lhe perguntaram sobre o caso Flávio & Queiroz.
 

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Ao ser perguntado por um repórter de O Globo se tinha comprovante do empréstimo de R$ 40 mil que teria feito ao motorista Fabrício Queiroz, ele destrambelhou de vez:

“Oh, rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?”

Muito aplaudido por meia dúzia de debilóides que urravam, Bolsonaro se empolgou e partiu para o ataque contra outro repórter:

“Você tem cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual…”

E foi por aí, até virar as costas e sair batendo o pé, indignado.

Se o presidente não se dá ao respeito, as empresas deveriam poupar seus profissionais de participar desse teatro grotesco e exigir mais civilidade nas “entrevistas coletivas”, que mais parecem bate-bocas de mesa redonda de futebol.

Não existe no mundo “entrevista coletiva” com platéia de apoiadores atrapalhando quem está ali para entrevistar o presidente sobre os assuntos quentes do dia.

Eu fui Secretário de Imprensa e Divulgação no começo do governo Lula, durante dois anos, e nunca aconteceu nada parecido a isso.

São testemunhas os repórteres setoristas que cobriam o Palácio do Planalto naquela época, que sempre foram tratados com o maior respeito pelo presidente e por mim.

Às vezes, é verdade, eu tinha que afastar algum microfone ou gravador, de algum repórter mais afoito, da boca do presidente, para colocar ordem na bagunça.

Mas nunca houve ofensa a nenhum profissional e todos tinham condições de fazer seu trabalho, repórteres e fotógrafos.

É preciso dar um basta nessa palhaçada.

Que organizem essas entrevistas no Palácio do Planalto, com regras civilizadas, sem platéia de áulicos e batalhões de seguranças intimidando jornalistas.

Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas e a Associação Brasileira de Imprensa, entidades para as quais eu já fui eleito em outros tempos, deveriam zelar pela dignidade do exercício profissional.

Chega de baixaria!

Vida que segue.
 

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02
Out19

O dilema shakespeariano de Bolsonaro de “ser ou não ser”

Talis Andrade

Um sinal de que o presidente parece perdido é que, mesmo antes do primeiro ano de sua presidência, seus filhos já estejam lançando sua candidatura à reeleição em 2022, quando ele, na realidade, ainda continua em sua campanha anterior

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por Juan Arias

El País

 

Tudo indica que o presidente Jair Bolsonaro, aos nove meses de um Governo que seria cheio de audácia, de mão dura contra a corrupção, contra a violência, contra a velha política e a favor da decolagem da economia encolhida, se encontra na verdade desorientado, entre duas águas, ou, para dizê-lo como o grande dramaturgo inglês William Shakespeare, preso entre o “ser ou não ser”.

A frase pronunciada pelo príncipe da Dinamarca, no início do terceiro ato da obra Hamlet, atravessou séculos de literatura e foi aplicada tantas vezes ao campo da política e até nos momentos de crise pessoal, quando, de reis até nós, os súditos, a vida nos obriga a escolher, a ser o que queríamos ser ou a permanecer na mediocridade do não saber escolher.

Recita o príncipe Hamlet: “Qual é a mais digna ação da alma: sofrer os dardos penetrantes da sorte injusta ou opor-se a esta corrente de calamidades e dar-lhes fim com atrevida resistência?”. O príncipe da Dinamarca segurava uma caveira na mão enquanto recitava seu “ser ou não ser, eis a questão”. E essa interrogativa de mais de 400 anos atrás volta a ser atual hoje no mundo da política e das lutas sociais e se coloca com força na política brasileira.

O dilema de saber o que queremos afeta hoje visivelmente quem comanda os destinos do Brasil presidido pelo ex-capitão Jair Bolsonaro, que o colunista Vinicius Torres Freire acaba de descrever na Folha de S. Paulo como o presidente que “além de animar a extrema-direita e de cuidar dos filhos, está sem rumo. Além do circo e da filhocracia, existe uma sensação de vazio no ar”.

E é verdade que o problema de Bolsonaro, que deveria ser aconselhado a reler o Hamlet de Shakespeare, é saber o que realmente quer. Se ser o que prometeu para conquistar os votos ou ser o que agora talvez veja que lhe é impossível, porque a realidade da política acaba por superá-lo.

Bolsonaro começou a perceber que não existem atalhos entre democracia e ditadura se se quer fazer política. E esse é o seu problema, que por um lado abomina a política na que sempre viveu e gostaria de evitar os suores de resolver os problemas sem ferir os valores democráticos, que só se conjugam com a arte do compromisso e do diálogo e não admitem saltos no vazio nem ameaças autoritárias.

Que o presidente ainda não sabe o que quer ser é demonstrado pelo fato de que todos os dias perde consenso entre os que o enalteceram, porque se sentem traídos por ele ao vê-lo flertando com juízes e políticos da velha guarda. Aqueles que aplaudiram quando seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, disse durante a campanha eleitoral que para fechar o Supremo Tribunal Federal “bastava um cabo e dois soldados”, lhes parece uma traição vê-lo hoje com o magistrado Antonio Dias Toffoli, presidente do Supremo, como dois velhos amigos.

Em uma reunião com políticas, deputadas e senadoras, o presidente chegou a dizer-lhes que Toffoli havia sido uma “uma pessoa excepcional” com ele. E acrescentou: “a justiça está do nosso lado”. E Toffoli confidenciou que Bolsonaro era “uma pessoa alegre e de bom humor”. Adulações perigosas, mas que deram frutos, se considerarmos que o presidente viu Toffoli lançar um decreto que permitiu que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, deixasse de ser investigado sobre suas supostas acusações de corrupção.

Bolsonaro, que havia prometido aos seus que com ele no Planalto “Lula apodreceria na cadeia”, pode, ironia da vida e da política, ver sob seu reinado o petista sair da prisão e até, talvez, ser absolvido de sua primeira condenação. Todos os dias o presidente cheio de audácia se vê mais perdido entre o ser e o não ser. E isso é grave inclusive para a direita liberal e para o centro, pois, com suas loucuras políticas, o presidente parece fazer ver que fora da esquerda, que ele abomina, não existem outras possibilidades políticas na democracia. A extrema-direita —que até ele já não sabe como administrar— está comprometendo o futuro político deste país.

Um sinal de que Bolsonaro parece perdido é que, mesmo antes do primeiro ano de sua presidência, seus filhos já estejam lançando sua candidatura à reeleição em 2022. A dinastia Bolsonaro deve ter detectado que os excessos do pai rearmaram a direita e o centro civilizados e até fazem a esquerda sonhar. Por isso querem começar já uma campanha eleitoral de três anos, quando na realidade Bolsonaro ainda continua em sua campanha anterior, que é o que ele gosta. É na campanha que podem ser lançadas as maiores barbaridades ou promessas celestiais sem medo.

Governar em paz, para todos, com respeito à democracia sem excluir ninguém, sem anátemas e sem ameaças, é outra coisa. Polônio, o velho camareiro-mor do reino, diz ao príncipe, em Hamlet: “a loucura acerta às vezes, quando o juízo e a prudência não dão frutos”. E é o juízo e a prudência que parecem faltar hoje à política brasileira. Será por isso que tantos continuam apostando e se sentem bem na loucura?

O difícil, nestes momentos em que parece não haver fronteiras entre o juízo e a loucura e onde, em meio a uma política e políticos que não sabem decidir entre o ser e o não ser, é encontrar o caminho da sensatez e da defesa de todos aqueles valores humanos e liberdades que nos redimem.

E aí entramos todos os que queremos uma política que fale, que não esconda, que ajude os mais pobres, que não degrade as conquistas sociais e as mantenha vivas. Um dos grandes silêncios de Bolsonaro e suas hostes é justamente o mundo dos excluídos, que estão deslizando abaixo da linha da pobreza. Um mundo que, quando Bolsonaro foi falar na ONU, ficou esquecido no Brasil. Seu silêncio sobre as questões sociais foi ensurdecedor.

Atribui-se a Einstein uma afirmação que quero deixar como esperança: “a crise leva ao melhor da criação e expõe o gênio do ser humano”. Oxalá que a emaranhada crise que o Brasil está vivendo e sofrendo leve, embora hoje possa parecer um sonho difícil, a uma profunda purificação da política e da cultura hoje tão desprezada.

No final, relendo Shakespeare 400 anos depois, vemos que os problemas políticos de então não eram tão diferentes dos que estamos sofrendo na era da inteligência artificial. Hamlet já se queixava de que não era fácil “suportar a lentidão dos tribunais, a insolência dos funcionários e as arbitrariedades que recebe pacífico o mérito dos homens mais indignos”.

Bolsonaro deverá se decidir a ser ou não ser, ou serão as outras forças democráticas que decidirão por ele ou sobre ele. 

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18
Set19

Ex-promotor Agassiz Almeida, aos procuradores da Lava Jato: Condenação de Lula foi “a canalhice do século”

Talis Andrade

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por Agassiz Almeida

Procuradores da Lava Jato, respondam à Nação

Srs. Procuradores,

Norteado pelos objetivos de salvaguardar a nossa Instituição, assenta em sólidos postulados constitucionais e pelos quais lutei ao lado de uma plêiade de constituintes na Assembleia Nacional Constituinte (1986-1988), encaminhei aos senhores, no dia 14 de julho do corrente ano, mensagem sob o título “Carta Aberta aos Procuradores da Lava Jato”.

Não recebi nenhuma resposta, apenas ouvi um rosnar de ameaças cujos ecos pareciam vir de algum covil de malfeitores.

No curso da vida, desde a minha juventude, caminhei à beira de abismos, e, logo cedo, a ditadura militar lançou contra mim a baba do ódio, arrastando-me ao cárcere.

Os sóis dos cariris do Nordeste me temperaram para os embates do mundo, e aprendi a não temer a turba raivosa dos lunáticos.

Em todos os tempos, os algozes e lacaios se assemelham.

Nos porões do Doi-Codi da ditadura militar se ouviam gritos dos torturados.

Hoje, lá no calabouço da Lava Jato, sabe-se apenas do soluço abafado dos prisioneiros, muitos deles devastados pelo terror, como Palocci, fronteiriço a um psicopata.

Cai sobre eles a mordaça do autoritarismo togado.

Que depoimento se extrai de farrapos humanos?

No regime fardado a violência se desencadeava nas caladas da noite com prisões, torturas e desaparecimento de presos.

Na ditadura paranoica, assiste-se a espetáculos midiáticos debaixo de holofotes televisivos, durante os quais acusados são arrastados de suas residências e locais de trabalho.

A execração moral os condena sem julgamento.

A prisão de Michel Temer retrata esse drama tragigrotesco.

Procuradores!

Os senhores olharam sempre na glorificação dos seus egos, pouco importando as consequências econômicas que esta doutrina satânica causou ao país, prejuízos em torno de 300 bilhões de reais, afora milhões de desempregados.

Na escalada da insensatez, as provas processuais se fizeram instrumentos de suas ambições, a pisotear no devido processo legal.

Que audácia! Tiveram por anos a nação ajoelhada às suas vontades e as instituições, encurraladas.

Bradavam: “Quem não apoiar a Lava Jato, defende a corrupção”.

O senador Delcídio do Amaral pagou caro por sua rebeldia.

Na cruzada judicante, lançavam-se no mesmo caldeirão delitos eleitorais e crimes de corrupção.

Como epílogo do devastador tsunami praticaram, à sombra da justiça, o crime de distorção das eleições presidenciais de outubro de 2018. Que farsa!

Está sendo desmascarada.

Atualmente, que vultos movem os cordéis do poder no país? Carregados de apetites primários e despossuídos de uma mínima visão de mundo, eles são capazes de todos os caprichos, mesmo os mais insensatos.

Calígula, imperador romano, fez do seu cavalo Incitatus senador; no Brasil, Bolsonaro, o falastrão, quer fazer embaixador nos EUA, um seu pimpolho, até há poucos anos, surfista em Copacabana.

Entre o grotesco e a truculência, o bufão do Planalto encarna estas anomalias: Nero, Idi Amin Dada, Kadafi e Papa Doc.

Eles se desandam na bestialidade e na ferocidade, e o do Brasil solta esta excrecência: “Brilhante Ustra, herói nacional”.

Seu apego ao deboche o faz acolher qualquer infâmia. Charlie Chaplin, na sua obra “O grande ditador” disseca esses tipos.

Impactados pelo desatinado e raivoso dom Quixote que nos governa, a nação queda-se sem rumo numa sombria conjuntura, e se vive num cenário surrealista, em que o país se isola do contexto mundial, perdido entre o grotesco e o furor inconsequente, no meio do qual um troglodita congelou a sua mente entre a Idade Média e a guerra fria.

E nesta arena de saltimbancos ouve-se um eco imbecil, lá de Brasília: “a mulher de Macron é mais velha do que a minha” (refere-se ao presidente da França).

E nos solavancos da marcha esquizofrênica ele se proclama vencedor das hordas vermelhas, e para tanto se investe de demolidor de códigos e tratados internacionais.

Numa viagem ao Japão, ao sobrevoar a China, um pesadelo o sacode e ele grita: Sou o presidente dos Estados Unidos do Brasil e vou vencer a China.

Por estas travessuras, um fanatismo imbecilizado envolve o país aguçado por uma classe média, perdida na sua capacidade de olhar o mundo e de analisar os fatos. Idiotizou-se.

Lembro esta lenda chinesa: um homem e um boi são tangidos para o matadouro.

Ao final, ouve-se um berro; do homem, a mudez.

Procuradores, reconheçam os seus atos ilegais.

Descortina-se o obscurantismo sobre o futuro da nação e a estagnação do seu desenvolvimento quando a idiotia se apossa do poder e ri da inteligência, a estupidez renega o legado das gerações passadas, o deboche rompe todos os limites da racionalidade, atingindo líderes mundiais e até a zombar do rosto e da idade das mulheres, a agressividade violenta os mais profundos sentimentos do ser humano revolvendo satanicamente a memória de entes queridos, a disparar este absurdo: “O pai dele foi morto por seus próprios camaradas” (refere-se a Felipe Santa Cruz, presidente da OAB nacional), esfarrapa-se a justiça num balcão de vis interesses, a investigação serena cede espaço à trama criminosa dos senhores na Lava Jato, confluídos nestes fatos e vultos que se agregaram em torno de um projeto político-econômico, a alçar à presidência um desatinado dom Quixote, que empurra o país para um descaminho, cujo porvir se faz imprevisível.

Saibam os senhores, se não houver uma junção de forças para deter a incapacidade delirante direcionada por uma estratégia de deboche e ferocidade que desconhece fronteiras, então o país caminhará para o imponderável e aí ouviremos, já tardiamente, o desastrado do Planalto a rugir: “Depois de mim o dilúvio”.

Este egocentrismo vem de Luiz XV, rei da França.

Clamo como um indignado que o fardo dos anos não abateu: Onde se encontra a mobilização de entidades que historicamente se levantavam em defesa dos direitos humanos, da ordem democrática, do direito e da vida dos direitos? Embutidas no comodismo.

Calam-se quando deviam falar: Barbosa Lima Sobrinho, Sobral Pinto e Dom Helder Câmara soluçam nas suas tumbas.

Neste momento que atravessa o país, por que a ira de entidades corporativistas contra a lei de abuso de autoridade, a decisão do STF na salvaguarda do devido processo legal (direito de defesa do acusado); contra o direito constitucional da presunção da inocência até o trânsito em julgado de sentença penal? De onde vêm esses ecos, pergunta um viandante?

Dos truculentos da Lava Jato, que, à sombra do poder afrontaram as leis e distorceram a sucessão presidencial de 2018, destruíram empresas nacionais e as substituíram por norte-americanas.

Saibam os senhores, quando o medíocre se investe no poder – vê-se na história – ele se desanda em temerárias ações propiciando a formação de fanáticos seguidores, que se fazem arautos dos novos tempos. Na política e na religião estes tipos se agigantam e proliferam. Por um trabalho do jornalismo investigativo do site The Intercept Brasil, destampou-se um monturo de iniquidades e ilegalidades. Em face deste cinismo que infesta o Brasil, relembro esta exortação de Cícero, no Senado romano, há mais de dois mil anos: Quo usque tandem abutere, Bolsonaro, patientia nostra?

Procuradores!

Foi para esse desastre nacional que os senhores e o justiceiro Moro arrastaram o país?

Ao olharmos os personagens que a obra de Shakespeare fez desfilar, difícil é encontrar onde os cavaleiros andantes de Curitiba se encarnam, talvez em Yago, Macbeth ou Brutus.

Neste desencontrado país estes tipos estão por aí a governar o povo brasileiro.

Os senhores irão responder perante o tribunal da História por estes crimes: o de lesa-pátria pela destruição de empresas nacionais; e o de lesa-soberania popular, perpetrado com ilegalidade e maquiavelismo no objetivo criminoso de fraudar o pleito da sucessão presidencial de 2018.

E nesta saraivada de crimes, inclusive o de induzir o STF a erro os senhores encarnam dupla personalidade: Sob os holofotes televisivos se vestem de vestais do moralismo público, nos sótãos e bastidores do poder judicante se movem como vilões e se dão as mãos em criminoso conluio, acusadores e julgador. Que monstrengos processuais excretaram!

Traumatiza a nação conviver com estas excrecências.

Procuradores, a que respondem os senhores a essa avalanche de iniquidades que ensombreia o processo condenatório do ex-presidente Lula, do qual cumpliciados com o justiceiro Moro, foram os carrascos de uma câmara de gás que asfixiou o povo brasileiro. Nele se escancaram as vísceras de uma trama criminosa e de uma justiça corporativista. Tenham a grandeza da humildade e reconheçam as suas culpas e crimes.

No afã de alcançar seus vis objetivos, e flagrados na urdidura criminosa, como agentes da prestação jurisdicional, cinicamente berram: “Não reconhecemos estas provas ilegais”.

Que desfaçatez! E poderiam ser legais, se os farsantes são os próprios guardiões das leis e da legalidade?

Vozes poderosas de Émile Zola e Ruy Barbosa se levantaram em defesa de Dreyfus nos séculos XIX e XX. E neste Brasil de apequenados por um oportunismo dominante, que vozes se erguem contra as indignidades judicantes desabadas contra o nordestino de Caetés?

Em meio às chamas que incendiavam Roma, Nero tocava lira; em Brasília, enquanto a floresta amazônica ardia em chamas, Bolsonaro debochava das ONGs e dos líderes mundiais.

A Lava Jato sangra a justiça coonestada pelos tribunais

Procuradores, basta!

Investidos nas funções de fiscais da Lei, os senhores se desandaram na ilegalidade dominados por excitante inebriês a que a voragem dos aplausos públicos os alçou.

No curso dos anos, lá por 2017, começaram a se antever circunstâncias e acontecimentos incompatíveis com a responsabilidade das funções investigativas.

Num certo dia, há poucos meses, eclode como um furacão, atingindo em cheio as consciências livres da nação, um jato de dejetos, tendo como epicentro os porões e bastidores da Lava Jato, em Curitiba, no qual se misturavam numa organização de pilantragem atos judiciais ilegais em que se mancomunavam acusadores fiscais da lei e julgador.

Veículos de comunicação no país e no mundo estamparam a face cruel e cretina de uma operação que devastou o país com nefastos crimes de lesasoberania popular e de lesa-pátria tripudiando na ordem democrática, instrumentalizada num balcão de vis interesses.

Procuradores!

Os senhores, face ao torvelinho de atos de iniquidades que os envolve, lançam mão deste instrumento: o cinismo.

Há poucos dias, o STF, rompendo o encurralamento de suas conveniências, já tardiamente, anulou sentença de condenação do ex-juiz Moro, sob fundamento de afronta ao direito de defesa do réu, tolhendo-o de se manifestar após depoimento do delator. Vozes do autoritarismo judicante se levantaram criticando a decisão da Suprema Corte.

Um primata, lá dos sótãos da Lava Jato berrou: “é sem fundamento a decisão do STF, não existe na legislação penal lei que a ampare”.

Panaca vá ler o clássico “A lógica das provas,” de Malatesta. Os direitos à liberdade, à vida, ao sol, ao ar integram o direito natural. Eles não estão inseridos nos códigos e tratados, pertencem ao patrimônio imaterial da humanidade.

O direito romano na obra “Institutas”, do jurisconsulto Gaio, já traçava as linhas cardeais do direito natural.

A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, manifestou-se: “a decisão do STF está equivocada, pois o processo padece de preclusão”. Ora, ilustre procuradora, os institutos da decadência, prescrição e preclusão não alcançam, no âmbito do direito penal, os direitos naturais como liberdade, vida etc., são bens imateriais e imprescritíveis.

Procuradores, urge esta explicação.

Que prática criminosa dos senhores a exigir doações de empresários, dentre eles, Patrícia Fehrmann, na própria sede do MP, em Curitiba, destinada a uma tal fundação Mude.

Com esta peroração, despeço-me. Eu vim das caatingas do Nordeste quebrando marmeleiro, bom-nome e jurema-preta, e digo: o país precisa reencontrar o seu desenvolvimento, perdido desde 2012.

Deixo estas palavras: A História marca a condenação de Alfred Dreyfus como um erro judiciário; a do ex-presidente Lula passará à posteridade como a canalhice do século.

Atenciosamente

Agassiz Almeida

Benemérito da Comenda “Ordem e Mérito”, concedida pela Associação Nacional do Ministério Público (CONAMP)

*Agassiz Almeida é promotor de Justiça aposentado, escritor, ativista dos Direitos Humanos, ex-deputado federal constituinte, professor da UFPB. Autor das obras: “500 anos do povo brasileiro” (Ed. Paz e Terra), “A República das Elites” (Ed. Bertrand Brasil), “A Ditadura dos Generais” (Ed. Bertrand Brasil), “O Fenômeno Humano” (Ed. Contexto).

09
Set19

Moro chefiou uma brigada golpista para derrubar Dilma e fez Gilmar Mendes de bobo

Talis Andrade

gilmar-mendes.jpg

 

Sergio Moro fez de Gilmar Mendes um patinho cego. Um patinho que voou, voou, e caiu na armadilha... 

Um juiz de primeira instância fez Gilmar de bobo, de palhaço do circo da lava jato. O velhinho do pastoril ludibriado pela espionagem da polícia federal a mando de Moro.

Gilmar foi o velho que fez Dilma dançar e Lula ser preso. Moro usou Gilmar que caiu de patinho na lagoa. Gilmar o patinho feio do golpe armado por Moro, que tinha a polícia federal do seu lado. Uma polícia safada que espionou Dilma presidenta, Lula ex-presidente, que enrolou Gilmar ex-presidente do STF.

Polícia Federal, gato e sapato, de Moro. PF que prendeu Lula. PF que ajudou a derrubar Dilma. PF que prendeu Temer. PF que Bolsonaro faz bem em botar cabresto. A PF de Moro precisa ir pro brejo já. Eta PF safada a serviço do partido da república de Curitiba.

"No dia 16 de março de 2016, o juiz Sérgio Moro não só cometeu um crime. Produziu uma farsa, enganando todo o Brasil, para dar um golpe no país", diz o ex-presidente Lula, sobre o novo capítulo da Vaza Jato, que revela que a Lava Jato omitiu áudios do ex-presidente que comprovavam que sua intenção ao aceitar o convite de Dilma Rousseff em 2016 era dar governabilidade ao País – e não obstruir a Justiça. 

Diz o PT: As novas revelações sobre as conversas secretas de Sérgio Moro com os procuradores e policiais federais da Lava Jato confirmam que ele comandou uma verdadeira organização criminosa para atacar o processo democrático no Brasil. Fizeram espionagem política dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, de ministros e ex-ministros, além de grampear ilegalmente as conversas de Lula com seus advogados.

Está comprovado, mais uma vez, que o ex-presidente só aceitou a nomeação para chefiar a Casa Civil, em março de 2016, porque tinha compromisso com a pacificação do país e com a superação dos desafios econômicos e políticos do governo. Não fugiu nem tentou jamais fugir da Justiça. As conversas que a Lava Jato escondeu provam, mais uma vez, como era falsa a tese de “desvio de finalidade”, utilizada para proibir a nomeação de Lula.

Essa farsa criminosa foi urdida em conjunto por Moro, Deltan Dallagnol, o delegado Luciano Flores, atual chefe da PF no Paraná, e seus colegas das forças-tarefas. Em cumplicidade com a Rede Globo, manipularam um grampo ilegal da presidenta da República para roubar os direitos políticos de Lula, para cassar a competência de Dilma de nomear ministros e para desfechar o golpe do impeachment.

Agentes do estado mentiram para a Procuradoria-Geral da República (PGR), para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para o país, como se constata na reportagem da Folha de S. Paulo e do The Intercept Brasil. Traíram o compromisso com a Constituição, com a verdade e com o país para alcançar objetivos políticos. Não têm condições de exercer qualquer função pública e é inadiável que respondam na Justiça pelos crimes cometidos.

As revelações deste domingo somam-se aos robustos argumentos apresentados pela defesa de Lula ao STF, mostrando que é inadiável reconhecer a parcialidade de Moro e dos procuradores, anular um processo viciado desde o início e garantir o direito de Lula a um julgamento justo.

O Brasil não aceita mais conviver com a mentira e a injustiça contra sua maior liderança popular. O estado de direito não pode mais continuar suspenso para um cidadão, chamado Luiz Inácio Lula da Silva, por causa de interesses políticos, econômicos e midiáticos. E a democracia não pode mais ser refém dessa farsa, da qual tantos participaram por ação e até por omissão.

O Brasil só vai reencontrar a paz quando restabelecermos o estado de direito e a democracia na plenitude, com Lula livre. Só assim poderemos superar a gravíssima crise social, econômica, politica e de perda da soberania em que o país foi colocado pelos que prenderam Lula e abriram caminho para o governo de extrema-direita que destrói e envergonha o Brasil.

Pela Justiça, pela democracia e pelos direitos do povo!

A verdade vencerá!

Lula Livre!

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT

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