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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

20
Jul21

Apóstolo Valdemiro esconde conta bancária

Talis Andrade

 

Por Altamiro Borges 

O site Metrópoles postou na sexta-feira (16) que "o pastor Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, pediu ao Tribunal de Justiça de São Paulo a decretação de segredo judicial sobre a apuração que será feita em suas contas bancárias. O pedido tramita na 4ª Vara Cível de Carapicuíba", região metropolitana de São Paulo. Uma correção: o site rebaixou o líder neopentecostal – que se autointitula “apóstolo” e não um mero pastor! 

Em junho passado, a juíza Rossana Luiza de Faria determinou que os extratos bancários do “religioso” fossem enviados à Justiça para investigar se há confusão patrimonial entre as suas contas pessoais e as da Igreja Mundial. Segundo o site, “a medida, que atinge também as informações fiscais do apóstolo, foi tomada em um processo no qual o proprietário de um imóvel em Carapicuíba, onde funcionava um templo, cobra uma dívida de R$ 248 mil entre aluguéis e encargos”. 

O advogado Carlos Alberto Pereira, que representa o locador sacaneado, afirmou à Justiça que haveria indícios de que os valores doados pelos fiéis foram “ocultados” nas contas bancárias de Valdemiro Santiago. O sinistro “apóstolo”, o mesmo que recentemente foi acusado de charlatanismo e processado por vender sementes “milagrosas” de feijão contra a Covid-19, estaria escondendo algo nas suas contas bancárias? Será?

18
Jul21

Ele voltou, o ‘sem noção’ voltou novamente

Talis Andrade

 

leite-bozo.jpg

 

 

 

por Fernando Brito

- - -

Bem disposto e bem falante, Jair Bolsonaro saiu do hospital, em São Paulo, com novos anúncios imprudentes e espetaculares.

Já de cara, sua cura velocíssima deveu-se, “talvez à viagem, talvez o sacolejar da ambulância ou a um milagre de Deus”. Pra quê medicina, né?Image

Depois, disse que, depois da obesidade, a maior causa de morte por Covid é o “medo, o pavor”. Isto é, psicológica.

Disse que vai procurar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que o Ministério da Saúde invista na promessa de uma Cloroquina- Parte II, a proxalutamida, medicamento em teste para tratamento de câncer, sobre o qual não existe nenhuma publicação científica atestando sua eficácia para o combate à Covid-19.

Não para Bolsonaro, porém. A lado do pastor Waldomiro Santiago, aquele que vendia feiões mágicos que eliminavam o novo coronavírus, o presidente garantiu que “estudou” documentos dos Centers for Diseases Control and Prevention, o CDC norte-americano e já concluiu que temos a cura para a pandemia.

Depois da baboseira farmacêutica, passou a discorrer sobre suas teorias a respeito da corrupção. Disse que, como Eduardo Pazuello estava sem paletó e gravou um vídeo cumprimentando os picaretas que foram vender vacinas Coronavac que não existiam, isso prova que não havia corrupção porque “quando [se] fala em propina, é pelado dentro da piscina”.

Espetacular. Imagina-se que o próximo a prometer acabar com a corrupção vá mandar aterrar todas as piscinas do país.

E, no final, ainda disse que o “fundão” eleitoral de R$ 5,7 bilhões saiu porque colocaram “uma casca de banana” na Lei de Diretrizes Orçamentárias, como se não tivesse sido na maior parte a sua base – e inclusive seus filhos – quem aprovou, contra o voto dos partidos de oposição.

Bolsonaro não vai mudar e, ao contrário, vai subir o tom de suas sandices e charlatanismo.

É mais fácil o feijão do Santiago curar a Covid do que o bom-senso curar Bolsonaro.

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18
Jul21

Ele voltou, o ‘sem noção’ voltou novamente

Talis Andrade

 

 

 

 

por Fernando Brito

- - -

Bem disposto e bem falante, Jair Bolsonaro saiu do hospital, em São Paulo, com novos anúncios imprudentes e espetaculares.

Já de cara, sua cura velocíssima deveu-se, “talvez à viagem, talvez o sacolejar da ambulância ou a um milagre de Deus”. Pra quê medicina, né?Image

Depois, disse que, depois da obesidade, a maior causa de morte por Covid é o “medo, o pavor”. Isto é, psicológica.

Disse que vai procurar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que o Ministério da Saúde invista na promessa de uma Cloroquina- Parte II, a proxalutamida, medicamento em teste para tratamento de câncer, sobre o qual não existe nenhuma publicação científica atestando sua eficácia para o combate à Covid-19.

Não para Bolsonaro, porém. A lado do pastor Waldomiro Santiago, aquele que vendia feiões mágicos que eliminavam o novo coronavírus, o presidente garantiu que “estudou” documentos dos Centers for Diseases Control and Prevention, o CDC norte-americano e já concluiu que temos a cura para a pandemia.

Depois da baboseira farmacêutica, passou a discorrer sobre suas teorias a respeito da corrupção. Disse que, como Eduardo Pazuello estava sem paletó e gravou um vídeo cumprimentando os picaretas que foram vender vacinas Coronavac que não existiam, isso prova que não havia corrupção porque “quando [se] fala em propina, é pelado dentro da piscina”.

Espetacular. Imagina-se que o próximo a prometer acabar com a corrupção vá mandar aterrar todas as piscinas do país.

E, no final, ainda disse que o “fundão” eleitoral de R$ 5,7 bilhões saiu porque colocaram “uma casca de banana” na Lei de Diretrizes Orçamentárias, como se não tivesse sido na maior parte a sua base – e inclusive seus filhos – quem aprovou, contra o voto dos partidos de oposição.

Bolsonaro não vai mudar e, ao contrário, vai subir o tom de suas sandices e charlatanismo.

É mais fácil o feijão do Santiago curar a Covid do que o bom-senso curar Bolsonaro.

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01
Jul21

Carlos Wizard - covarde, canalha e cúmplice do genocídio

Talis Andrade

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por  Carlos Hortmann

- - -

A tragédia brasileira de 515.985 vítimas da Covid-19, sem contar a subnotificação, está cada dia mais caracterizada e comprovada como um GENOCÍDIO. Todos/as nós perdemos um parente ou um amigo próximo. Isso é não uma obra exclusivamente do genocida-mor, mas de um projeto político da classe dominante brasileira. O ocupante da cadeira presidencial só é o representante bonapartista que a burguesia encontrou para tocar a espoliação, exploração e expropriação da classe trabalhadora brasileira. Os militares (o Partido Fardado) cumprem papel fundamental e decisivo nesse processo. 

Dito isso, caro leitor/a, recuperamos a frase do senador Otto Alencar na CPI da Covid na inquirição do charlatão Carlos Martins (Wizard é uma invenção dele para parecer “gringo”): “No Brasil nenhuma riqueza ou fortuna é inocente”. Peço licença ao senador para retificar a frase: No Brasil e no mundo TODA, repito, TODA riqueza, fortuna e grandes propriedades é fruto de séculos de exploração, sangue, suor e mortes de muitos homens e mulheres trabalhadores/as. Por isso que nenhuma fortuna (acumulação) é inocente, pois ela traz consigo o sofrimento e assassinatos (sociais) de milhares e milhares de vidas. Por outras palavras, o capitalismo é um sistema (modo de produção) que produz assassinatos sociais em alta escala.

Muitos leitores/as podem ficar espantados/as com a minha afirmação. Entretanto, assim como o colonialismo negava a humanidade dos povos colonizados, ou seja, considerava-os “sub-humanos”, “bárbaros” ou “não-civilizados” e afins; o capitalismo, em nome de uma “liberdade” abstrata (sem conteúdo determinado) nega o direito a uma moradia digna (basta ver quem vive nas periferias) e a soberania alimentar (pelo menos 3 refeições por dia); priva as pessoas de terem uma saúde preventiva, universal e de qualidade; poderia continuar a enumerar uma quantidade de coisas que esse sistema nega para a maioria esmagadora da humanidade, só para que 1% da população mundial possa ter quase 60% de toda a riqueza existente no planeta terra. O capitalismo é um sistema destrutivo, visto que em última instância ele priva do direito à vida de todos/as aqueles/as que não pertencem a sua classe ou não são produtivos aos capitalistas ou legitimadores dos seus interesses. 

Esse é um dos motivos que o genocida-mor adora dizer: “há algo mais importante do que a nossa vida, a nossa liberdade”. Mas ele não fala que é a liberdade dos capitalistas (não é você que tem uma loja ou pequeno comércio, mas os grandes bilionários monopolistas e banqueiros). Todo burguês/capitalista/banqueiro (bilionário ou multimilionário) tem sangue e mortes nas mãos. Repito. O capitalismo e os capitalistas são assassinos sociais. 

Você poderá estar a perguntar: “por que eles não são punidos ou não tipificados como criminosos?”. Porque o Estado de configuração liberal-capitalista (nas suas estruturas) serve aos capitalistas e não a nós da classe trabalhadora. O Direito e as formas jurídicas e políticas vigentes servem essencialmente para garantir a propriedade privada dos meios de produção (que é diferente de propriedade pessoal), a circulação das mercadorias (garantir contrato e dinheiro) e punir todos/as aqueles e aquelas que coloquem em causa esses valores que só beneficiam as pessoas como Carlos Wizard. 

O patife cagão que ficou em silêncio hoje diante dos inúmeros crimes contribuiu de forma efetiva para o genocídio no Brasil. Ele consegue encarar (no sentido ser) sem cinismo a essência (história) do que é a classe dominante. Ele tem a desfaçatez de rir das mortes de vítimas da Covid-19. Essa é a face fascista/racista da burguesia liberal-capitalista, a outra ri-se no privado e continua a ganhar rios de dinheiro com a morte de milhares de pessoas todos os dias em todo o mundo. 

Todas as pessoas que morreram porque não tiveram o que comer ou um tratamento de saúde mínimo são vítimas desse sistema. Ele tem nome e sobrenome: capitalismo! O nosso sofrimento é só mais uma forma de acumulação dos capitalistas. O bolsonarismo fascista só é a face mais autoritária e visível desse sistema. Carlos Wizard é a síntese e a essência do capitalismo. Eles nos odeiam, é um ódio de classe, eles levam a sério a luta de classes. Escrevi recentemente sobre “ódio de classe”!

Por isso companheiros e companheiras convoco a todos/as: que a injustiça não nos entristeça, mas nos radicalize. Derrubemos esse sistema de assassinato social de pobres, negros, mulheres e indígena trabalhadores/as – entre outros inúmeros tipos de opressão. Somente esmagando a cabeça do liberal-capitalismo-e-fascismo nas suas entranhas é que conseguiremos fazer nascer uma nova sociedade livre desses parasitas. 

Carlos Hortmann 
@CarlosHortmann
A burguesia é genocida, canalha, covarde, assassina social, exploradora, opressora e muitos outros adjetivos. só expressa sem cinismo a essência (histórica) da burguesia em geral. Patife cagão!

 

13
Jun21

Bolsonaro é a crise sanitária

Talis Andrade

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por Cristina Serra

- - -

Jair Bolsonaro é como o vampiro de um conto de terror, insaciável em sua sede de sangue. Ele deu prova disso, mais uma vez, ao tentar flexibilizar o uso de máscaras. Para a imensa maioria da população brasileira, que não pode se dar ao luxo do trabalho em casa e é obrigada a sair em busca do pão de cada dia, a máscara e o álcool em gel são as duas únicas medidas de proteção, enquanto não tem vacina para todos e, sabidamente, existe o risco de reinfecção.

Como fazer distanciamento social em ônibus, trens e metrôs lotados? Com o nível de contaminação no Brasil, falar contra o uso de máscaras é, praticamente, tentativa de homicídio. Bolsonaro se esmera em confundir e desinformar. Esse aspecto do descontrole da pandemia entre nós foi destacado pelo médico sanitarista Cláudio Maierovitch e pela microbiologista Natália Pasternak, em depoimento à CPI da Covid. Desinformação mata. 

Ambos assinalaram que uma pandemia só pode ser controlada com grande esforço coletivo. Daí a necessidade de campanhas permanentes de informação e esclarecimento. Bolsonaro faz o contrário. Estimula a população a ser agente de propagação da doença. 

Bolsonaro é a crise sanitária. Cada vez que abre a boca, alastra a praga, pulveriza nuvens de pestilência, espalha veneno. É como um experimento altamente tóxico que escapou aos controles do laboratório. Mas, no comando do genocídio, ele não está sozinho. Tem o inacreditável suporte do Conselho Federal de Medicina, que deveria estar na vanguarda da defesa da ciência e da população, mas que advoga uma genérica “autonomia médica”. Lava as mãos covardemente. Vai ficar por isso mesmo ? 

Quem ganhou dinheiro com a falcatrua do “tratamento precoce” também é cúmplice da carnificina. Essa é uma linha de investigação a ser aprofundada pela CPI. Bolsonaro tudo faz para derrubar o nosso sistema imune, em múltiplos sentidos. O risco que corremos é o de uma septicemia.

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11
Jun21

Natalia Pasternak debocha de Heinze sobre efeito da cloroquina: 'chazinho da vó e voltas no quarteirão também funcionam' (vídeo)

Talis Andrade

Natalia Pasternak e Luis Carlos Heinze

 

247 - Em depoimento à CPI da Covid nesta sexta-feira (11), a microbiologista Natalia Pasternak deu uma reposta cheia de ironia ao negacionismo do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que mais uma vez defendeu o suposto "tratamento precoce" contra a Covid-19, mesmo diante de dois especialistas que atestaram a ineficácia de medicamentos como a hidroxicloroquina contra o coronavírus.

Heinze citou o número de brasileiros recuperados da Covid-19 afirmando, sem citar nenhuma fonte, que tais pacientes foram medicados com remédios ditos sem eficácia contra o coronavírus. "Essas 15.670.754 têm cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, annita, ivermectina e vitaminas. Hoje tem 16 ou 17 drogas reposicionadas que foram responsáveis por essas 15 milhões de vidas salvas".

Natalia, então, destacou que tomar medicamentos sem eficácia para o tratamento da Covid-19 têm o mesmo efeito de não tomar nada. "Essas 15 milhões de pessoas também tomaram chazinho da vó, deram três pulinhos e uma volta no quarteirão, senador".

Veja mais vídeos aqui

 

17
Mai21

Deputado vacinado do RN administra grupos de WhatsApp que promovem falso tratamento precoce contra Covid-19

Talis Andrade

Albert Dickson medica remédios ineficazes para os crédulos pacientes, e se protege da covid=19 tomando vacina

 

Oftalmologista, Albert Dickson (PROS) divulga medicamentos sem eficácia comprovada; Outros participantes trocam receitas de ivermectina com assinatura do médico


por Ethel Rudnitzki /Agência Púalbertblica


* Outros médicos defensores do tratamento precoce participam dos grupos
* Usuários compartilham fake news sobre máscaras e vacinas

 

“Bom dia! Alguém pode, por favor, me informar um protocolo para minha filha de 15 anos? Todos na casa dela estão muito gripados e o padrasto dela perdeu o olfato ontem”. “Boa tarde. O que fazer se tiver contato com pessoa que testou positivo?”. “Oi grupo, boa tarde. Ontem eu passei o dia espirrando e com dor de cabeça. Hoje amanheci vomitando. Vocês acham que pode ser covid?”.

Perguntas como essas são comuns em grupos de WhatsApp que promovem o tratamento precoce contra a covid-19. A Agência Pública acompanhou por um mês oito grupos de WhatsApp que promovem o tratamento precoce. Desses, cinco são administrados pelo deputado estadual e médico oftalmologista Albert Dickson (PROS-RN). O político possui um canal no Youtube e uma página no Facebook, onde defende o uso de medicamentos sem eficácia comprovada no tratamento de coronavírus, além de realizar atendimentos por WhatsApp. 

 

Nos grupos são enviadas receitas médicas e protocolos para uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina, bromexina e suplementos vitamínicos. Tratamentos ainda mais arriscados como nebulização com cloroquina também são recomendados. Também circulam mensagens conspiracionistas sobre a pandemia, questionamentos sobre a eficácia das vacinas e rejeição ao uso de máscaras. 

A Pública apurou que o telefone celular de Dickson consta como administrador dos grupos de WhatsApp “Ivermectina é Vida”, “Ivermectina Salva”, “Trat Precoce VS RS” e dois grupos diferentes com o mesmo nome: “Covid/Tratamento Precoce”. Juntos, os grupos somam mais de 850 membros. 

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Telefone do deputado estadual Albert Dickson consta como administrador de grupos

A reportagem ainda acompanhou os grupos “Tratamento Precoce”, “Ivermectina São Paulo” e “Salvando Vidas/Covid”, cujos administradores não foram identificados.

O administrador

“Ivermectina: porque eu uso?” é o título de um dos vídeos mais assistidos do canal de Albert Dickson no Youtube, que hoje conta com mais de 200 mil inscritos. 

dr. albert.pngOftalmologista e deputado federal, Dickson mantém canal de Youtube onde divulga chamado “tratamento precoce”

Ao lado de sua esposa, a também oftalmologista e deputada federal, Carla Dickson (PROS-RN), o político grava vídeos recomendando o uso de Ivermectina – remédio utilizado no combate de verminoses – no tratamento da COVID-19 entre outros medicamentos sem eficácia comprovada. 

Por propagar informações consideradas falsas sobre a pandemia, o casal teve 12 vídeos removidos do Youtube no início do ano, mas continua na ativa. 

Dickson e a esposa começaram a postar no Youtube em 2017, mas só ganharam popularidade no ano passado, quando começaram a fazer vídeos sobre tratamento precoce. Ao final dos vídeos, o médico disponibiliza seu número de telefone para consultas por WhatsApp. Segundo reportagem da BBC, o oftalmologista pede inscrições no seu canal em troca de atendimento médico.

O casal de médicos também mantêm canal no Telegram, onde enviam links de suas lives e vídeos para mais de 2,2 mil inscritos.

Fora das redes sociais, os oftalmologistas tentam fazer com que o tratamento precoce seja ampliado no Brasil. O deputado estadual apresentou dois projetos de lei na Assembleia Legislativa de Alagoas: um determina a “disponibilização gratuita de kits de medicamentos com os remédios hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina” pelo SUS  e o outro a distribuição por planos de saúde. 

Na Câmara, a deputada Carla Dickson foi responsável por promover um debate virtual com médicos, pesquisadores e políticos em julho do ano passado sobre o uso precoce de cloroquina e ivermectina no tratamento contra coronavírus.

Evangélicos, os oftalmologistas também lutaram pela abertura de igrejas durante a pandemia. Em seus vídeos, Dickson se afirma contra o fechamento do comércio para contenção da pandemia.

A reportagem questionou Albert e Carla Dickson sobre a participação nos grupos de WhatsApp e a defesa de tratamentos ineficazes contra a Covid-19, mas não obteve resposta até a publicação.

Compartilhamento de receitas

Apesar de realizar atendimento por WhatsApp, nos grupos Dickson não costuma  responder mensagens ou interagir. Seu número encaminha links para suas lives e postagens no Facebook, Instagram e Youtube sobre tratamento precoce.

No entanto, membros dos grupos indicam aos outros que entrem em contato com o oftalmologista por mensagens privadas para atendimento personalizado. Integrantes dos grupos relatam que já foram atendidos pelo médico e até o agradecem publicamente.

indicacaoalbertdickson.png

Integrantes de grupos pró-tratamento precoce no WhatsApp indicam o médico Albert Dickson aos outros

 

Também circulam nos grupos receitas de medicamentos com carimbo e assinatura em nome do médico. 

A reportagem teve acesso a quatro receituários com a assinatura de Dickson que foram compartilhados pelo WhatsApp no último mês, direcionados a pacientes diferentes.

Os receituários são emitidos com o papel timbrado do Instituto da Visão, consultório de oftalmologia em Natal onde Dickson atende, e terminam com expressões religiosas como “Deus seja exaltado. Leia a Bíblia”. 

Receituários e protocolos de outros médicos também são compartilhados nos grupos. A grande maioria leva o papel timbrado de hospitais e planos de saúde, mas os nomes dos médicos estão ocultos.

Médicos de WhatsApp

A Pública ainda identificou a presença de outros profissionais de saúde nos grupos analisados. (...)

Anti-vaxxers

Membros dos grupos no Whatsapp também questionam os únicos métodos eficazes de combate à pandemia, como a vacinação e o uso de máscaras. 

“Era para eu ter ido na sexta tomar a vacina da astrazeneca… desisti”, confessou um número no grupo “Ivermectina Salva”. “Estou com muito receio. Metade de mim quer e o outra tem medo”, continuou. “Metade de mim diz pra não tomar a outra metade também. Daqui uns dois anos quem sabe teremos uma vacina eficiente e segura, prefiro a profilaxia, mas você decide o que é melhor pra você”, respondeu outra integrante do grupo. “Eu não tomo nenhuma, ninguém caiu a ficha ainda”, publicou outra pessoa.

vacina albert.png

Integrantes de grupos pró-tratamento precoce relatam não querer se vacinar

 

Há também relatos de pessoas que tiveram efeitos colaterais às vacinas ou se infectaram mesmo assim. “Minha vizinha aqui tomou a vacina e depois de contaminada com o vírus veio a óbito”, alertou um dos usuários. 

Também circulam fake news sobre vacinas e o uso de máscaras. Uma imagem compartilhada dizia que elas poderiam causar “privação de oxigênio e envenenamento por CO2”, o que já foi desmentido por agências de checagem. Transcrevi trechos. Leia mais na Agência Publica aqui. 

Enquanto os idiotas, os bobos, os enganados vão na empulhação, na onda do negativismo, o dr. Albert Dickson, que não é besta, cuidou de tomar a necessária vacina.

Publica o portal da Revista Forum:

Médico que troca “likes” por receitas de tratamento precoce se vacina contra Covid-19

Oftalmologista e deputado estadual, Albert Dickson (Pros-RN) ainda distribui receitas online sem falar com os pacientes

 

O médico oftalmologista e deputado estadual, Albert Dickson (Pros-RN), ganhou notoriedade por trocar receitas de falso tratamento precoce para a Covid-19 e inscrições para seu canal do YouTube por “likes”. Ele se vacinou contra o coronavírus, nesta segunda-feira (17), na unidade montada no Shopping Via Direta, na zona sul de Natal (RN), de acordo com reportagem de Mirella Lopes, no Saiba Mais.

O médico ainda distribui receitas online sem falar com os pacientes. Para tal, é preciso apenas se inscrever no canal e, depois disso, enviar um print pelo seu WhatsApp.

“Como que vocês vão ter direito à consulta? Vocês vão se inscrever no nosso canal, ganhando uma etapa no atendimento. Vocês vão printar e mandar para o meu WhatsApp. Quando você mandar, você já vai começar a ter o acesso à consulta comigo”, diz ele em um vídeo publicado no Facebook no dia 7 de março. “O segredo é mandar o print”, afirma o médico.

Dickson receita medicamentos comprovadamente sem eficácia contra a Covid-19.

15
Mai21

CPI da Covid tem indícios de que o bilionário Carlos Wizard liderava 'Ministério Paralelo da Saúde' e vai convocá-lo a depor

Talis Andrade

Carlos Wizard vai ser convocado para depor na CPI da Covid por ter suspeitas de que ele era um dos financiadores do 'Ministério Paralelo da Saúde' — Foto: Divugação

 
14
Mai21

Médico não é cientista! A batalha da cloroquina chega à CPI

Talis Andrade

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por Wilson Gomes /Cult
 

A CPI da Pandemia começou a todo vapor esta semana e com grandes revelações. Mas, como se deve esperar, as diversas forças políticas no campo já estão disputando os temas a serem investigados, as interpretações a serem dadas aos fatos e as grandes narrativas que serão apresentadas aos cidadãos brasileiros nos telejornais da noite e nos jornais da manhã seguinte.

Nesse contexto, e torcendo por uma CPI realmente esclarecedora para a opinião pública, há um caminho já testado esta semana que particularmente me preocupa, e que envolve ciência e medicina, tudo misturado, infelizmente, com doses cavalares de ideologia. Trata-se do modo como será tratada a responsabilização do governo pelos seus investimentos na promoção de falsos medicamentos, ao mesmo tempo em que deixava de tomar as medidas sanitárias recomendadas com base no estado da questão na pesquisa científica. 

Descrita deste modo é uma questão clara e precisa, mas é óbvio que os partidários do governo querem tudo, menos este tipo de descrição. Começou, então, a “controversa da cloroquina”, um julgamento dentro do inquérito do Senado, que provavelmente se dará no Brasil e em nenhum outro lugar do mundo, pois expressa a nossa triste singularidade política. Consiste na tentativa dos governistas de fazer pensar que havias boas razões médicas e científicas em favor da cloroquina, da ivermectina e das outras drogas do engodo que o governo empacotou como “tratamento precoce” ou “kit covid”. 

Mas como um argumento desses pode prosperar se num dos raros consensos da comunidade científica internacional essas drogas foram consideradas inócuas ou claramente perigosas para a saúde dos que as tomaram? Para isso estão de plantão os médicos que foram capturados pela extrema-direita ou a ela servem voluntariamente, por afinidades eletivas. Segundo declaração do presidente da CPI, por exemplo, quando chegou ao seu gabinete na quinta-feira, dia 6 de maio, por volta das 8 da manhã, já era esperado por Nise Yamaguchi, a médica bolsonarista paulistana por antonomásia, que se ofereceu para vir defender a cloroquina no Senado Federal. Isso prova que não faltarão os chamados “doutores cloroquinas” escalados pelo bolsonarismo para a missão de, vejam só, enfrentar as conclusões e recomendações da OMS e da ponta de lança da ciência mundial em defesa da opinião de Bolsonaro.

Irão faturar sobre confusão dos que não conseguem distinguir entre médicos e cientistas da área de Saúde, ou entre o “doutor” como pronome de tratamento bordado nos jalecos, de lado, ou como título acadêmico reservado a quem conclui um doutorado. Inutilmente, muitos têm repetido desde o início de 2020 que médico não é cientista, médico é quem faz graduação em medicina, enquanto cientista é quem faz mestrado, doutorado, uns pós-docs, vive literalmente no laboratório, faz experimentos, publica papers em periódicos científicos competitivos, está sob crítica constante dos pares, vê experimentos fracassarem, tenta de novo. Médicos em consultórios e hospitais se ocupam de curar as pessoas ou de tratá-las, os cientistas em seus laboratórios se ocupam de pesquisar, experimentar, revisar as descobertas uns dos outros, formular e testar hipóteses, tudo isso em moto contínuo.

Neste momento da pandemia, milhares de laboratórios e centros de pesquisa, em universidades e na indústria, publicam outros milhares de trabalhos diários tentando fazer avançar lenta e cautelosamente a pesquisa em todas as áreas implicadas neste grande problema científico. É evidente que um médico na frente de batalha, com enormes jornadas de trabalho e no desespero por salvar vidas, não tem o menor tempo ou possibilidade de revisar uma quantia, por ínfima que seja, da pesquisa que está sendo feita. É por essa razão que não podem ser os médicos as autoridades para determinar se cloroquina serve ou não, são os cientistas os que podem fazê-lo. 

Não é um argumento para diminuir os médicos. Cientistas não são melhores do que quem trabalha todo dia para salvar vidas e aliviar o sofrimento dos que padecem. São apenas diferentes, exercem outras funções. Cada um cumpre o seu papel e não há necessidade social de que os médicos exorbitem a sua competência para usurpar uma autoridade, a autoridade científica, que, enquanto médicos, não têm. E isso só acontece quando, como agora, a versão mais feia da atividade política – a política suja, baseada em enganos e manipulação – invade a área de Saúde e captura uma parte dos seus agentes. 

Isso, obviamente, nada tem a ver com o campo científico da área de Saúde, que, aliás, no Brasil, é provida de cientistas de extrema competência, agora em desesperada e intensa dedicação em seus laboratórios para encontrar resposta para o problema da Covid-19. Os que realmente fazem ciência estão exaustos e ocupados demais para perseguir senadores em seus gabinetes e em seus telefones a fim de defender causas políticas. O campo científico sabe muito bem que é cientista e quanto ele vale relativamente dentro da sua especialidade. São a política e os jornalistas que não respeitam as hierarquias do campo científico, dando megafones a militantes de jalecos que os cientistas não consideram ou respeitam e tratando espertalhões como se fossem grandes autoridades. 

A coisa mais assombrosa desses dias de CPI da Pandemia foi ver se formar um consenso entre os senadores de que é preciso ouvir os “cientistas de um lado e do outro”. Falou-se até em ouvir médicos de direita e de esquerda, equitativamente, como se em questão não estivesse a verdade científica, mas a opinião política. Sim, há dois lados, como entre os que creem que a Terra é plana e que foram à escola aprender o básico de astronomia. No caso em tela, de um lado temos a OMS e a ciência de ponta, que nenhum país sério do mundo ousou desafiar, enquanto, do outro, médicos-ativistas bolsonaristas que foram artificialmente promovidos a “cientistas” por jornalistas, por políticos e militantes da facção a que eles pertencem. 

Assim, os governistas trabalharão na CPI para impor uma representação da ciência como uma mera questão de preferência e opinião. Como gosto e opinião, cada um pode ter o próprio, há que se tolerar as diferenças, dirão, há de chegar a um meio termo, respeitar as diversas posições. Isso é justamente o que não pode acontecer. A ciência é o contrário disso. Tratar a atividade científica como se fosse da mesma natureza da política é um erro brutal, pois a primeira necessariamente se move pelos ideais de certeza e verdade enquanto a política trabalha com negociação e acomodação de interesses. 

A ciência, claro, também comporta questões disputadas e busca por consensos, mas os consensos são entre cientistas, e baseados em provas e evidências. Não há que se buscar consenso entre cientistas e militantes, mesmo que os militantes sejam também médicos. Permitir o rebaixamento da ciência à opinião e à preferência política, assim como igualar cientistas e médicos-ativistas, é realizar a desqualificação da ciência e da política que interessa apenas ao bolsonarismo e que nos levou ao morticínio que testemunhamos. 

Em ciência, quando há dois lados, e frequentemente há muito mais que dois, do outro lado está outro cientista, não um militante. 

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14
Mai21

Capitã Cloroquina concluiu em 24 horas que problema de Manaus era falta de “tratamento precoce”

Talis Andrade

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Com a militarização do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro passou a ser apelidada de "capitã"

 

Oxfam: Autoridades optaram pelo negacionismo, pela falta de ação e, em alguns casos, pelo “deboche” da pandemia

Escolhida por Eduardo Pazuello como a responsável do Ministério da Saúde a comandar missão de reconhecimento em Manaus em janeiro, a secretária Mayra Pinheiro precisou de menos de 24 horas para emitir diagnóstico sobre o desmoronamento do sistema de saúde local: falta do tratamento precoce, composto pelo chamado kit covid, um conjunto de medicamentos sem eficácia contra a doença, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. 

Conhecida como "capitã cloroquina", Mayra Pinheiro desembarcou na capital do Amazonas em 3 de janeiro como primeira representante do ministério no local. No dia seguinte, produziu um relatório para o ministério, com "conclusões técnicas" a respeito de Manaus, e no primeiro item explicou que o caos local derivava da falta de tratamento precoce, entre outros motivos, destaca a coluna Painel da Folha de S.Paulo.

Mayra Pinheiro confirmou, em depoimento obtido com exclusividade pelo GLOBO, que ela foi a responsável pelo planejamento de uma comitiva de médicos que difundiu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 em Manaus dias antes de o sistema de saúde do Amazonas entrar em colapso, em janeiro último. O depoimento foi dado ao Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas.

A promoção de remédios sem eficácia e as ações do Ministério da Saúde antes e durante o colapso em Manaus são alvo das investigações da CPI da Covid no Senado.

Mayra é uma das seis pessoas que respondem a uma ação por improbidade administrativa movida pelo MPF no Amazonas por conta da ação dos governos estadual e federal durante o morticínio de Manaus. Além dela, são alvos da ação o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta Élcio Franco, entre outros.

Em 15 de janeiro último, a Oxfam Internacional divulgou nota oficial, assinada por Katia Maia, denunciando o morticínio de Manaus:

A Oxfam Brasil apela ao sistema judiciário para que as autoridades envolvidas na atual crise que o país enfrenta sejam investigadas e devidamente responsabilizadasCom o crescimento de mortes causadas pela pandemia do coronavírus, a Prefeitura de Manaus decidiu adotar o sistema de trincheiras para enterrar vítimas da covid-19 no Cemitério Público. Foto Michael Dantas/AFP

A Oxfam Brasil repudia a inação, o descaso e a negligência de autoridades públicas brasileiras diante da pandemia e do novo morticínio em Manaus, tragédia anunciada que poderá se espalhar rapidamente para outras cidades brasileiras.

Em vez de cumprirem os protocolos científicos e sanitários aprovados internacionalmente, autoridades e lideranças do governo federal, bem como parlamentares e até mesmo autoridades estaduais, optaram pelo negacionismo, pela falta de ação e, em alguns casos, pelo “deboche” da pandemia. A população brasileira está sendo empurrada para uma verdadeira roleta-russa, com estímulos às aglomerações, a ausência de um plano consistente de vacinação e pela irresponsável recomendação de um tratamento com remédios ineficazes e enganosos no lugar da infraestrutura necessária a hospitais. Atitude, aliás, verificada esta semana em Manaus, com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, visitando a cidade para reforçar a obsessão governamental com sua oferta de cloroquina, um dos medicamentos sem respaldo científico no mundo para a covid-19 e distribuído pelo governo. Pazuello reconheceu a falta de oxigênio nos hospitais e tardou para atender à necessidade da cidade, com uma informação, a ser verificada, de falta de aviões.

Estamos em meio a uma crise humanitária que poderia ter sido evitada caso fossem tomadas as medidas necessárias pelos governos das três esferas – municipal, estadual e federal. Não é verdade que o lideranças do governo tenham sido surpreendidas pelo que acontece em Manaus e pela grave situação em outras cidades brasileiras.

A Oxfam Brasil apela ao sistema judiciário para que as autoridades envolvidas na atual crise que o país enfrenta sejam investigadas e devidamente responsabilizadas. Basta de disputa política e ideológica. Urge a adoção de medidas jurídicas severas e a adoção definitiva dos protocolos internacionais e científicos para a proteção mínima da população brasileira.  A Justiça tem que atuar e punir exemplarmente os responsáveis pela tragédia que o país vive. Antes que seja tarde demais.

Katia Maia

Diretora executiva da Oxfam Brasil

 

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