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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

06
Ago23

O presidente Lula precisa agir para deter a escalada da matança de pobres, negros e periféricos pelas PMs dos governadores

Talis Andrade
Carlos Latuff

São Paulo de Tarcísio

por Milton Alves
 
Portal Brasil 247
- - -

Os últimos dias foram marcados por uma escalada de chacinas praticadas pelas Polícias Militares(PMs), que começou na Baixada Santista (Guarujá), com a morte de 19 pessoas pelas tropas da Rota; no Rio, no Complexo da Penha, em operação de cerco e aniquilamento do Bope em ação conjunta com a Polícia Civil, que resultou, na última quarta-feira (2), na morte de 10 moradores da comunidade. Na Bahia, em Salvador, Camaçari e Itatim, na última semana, foram 20 mortos pelas forças policiais.

Trata-se de uma verdadeira escalada de matança da população pobre e preta que habita as favelas e bairros nas periferias das regiões metropolitanas do país: 49 mortos e dezenas de feridos e um clima de terror vigora nessas comunidades, com permanente ameaças de retaliações por parte das forças de segurança.

O continuado ciclo de mortes que atinge a população pobre, preta – e seletivamente localizada – é uma marca do modus operandi do estado brasileiro. Vale lembrar ainda que a chacina de Paraisópolis, Zona Sul paulistana, ocorrida em dezembro de 2019, segue sem punição para o comando da PM, que foi protegido pelo então governo de João Doria (PSDB).

Nos últimos anos, a política de criminalização da pobreza e do extermínio em nome de um pretenso combate à criminalidade foi o discurso oficial das forças de segurança e do governo bolsonarista. A "política do abate" rende votos para os políticos da extrema direita e um amplo setor da população foi contaminado pelo falso discurso do combate ao crime.

Um sistema policial repressivo, em aliança com a milícia paramilitar, é o modelo que vem sendo instituído na prática no país – e que opera a sua legitimação institucional com o aparelhamento político das forças de segurança pela extrema direita e políticos reacionários e oportunistas.

A questão da segurança pública é complexa, de difícil resolução, e tem uma relação direta com a própria natureza do regime capitalista, gerador de exclusão estrutural e concentração de riqueza -, mas a esquerda precisa enfrentar o tema com coragem, propor medidas e disputar politicamente com a narrativa da extrema direita bolsonarista, lavajatista e políticos oportunistas de diversos matizes.

Temas como a defesa intransigente dos direitos humanos, a reforma urgente do sistema penal, o fim da política de encarceramento em massa, a ampla descriminalização das drogas, o combate duro aos bandos milicianos, mais investimentos sociais nas comunidades pobres e a reformulação da doutrina das forças de segurança são alguns dos desafios para a construção de uma política de segurança pública nacionalmente estruturada, humanista e integral – a criação de um Sistema Único de Segurança Pública – SUSP- seria um avanço democrático.

A reação do governo federal foi tímida e claudicante. As falas dos ministros Silvio Almeida (Direitos Humanos) e Flávio Dino (Justiça) sobre as matanças das PMs apenas reafirmaram as dificuldades do governo em tratar da questão da segurança pública e da violência policial, adotando um confronto aberto, franco, com as teses que criminalizam os mais pobres e as narrativas que justificam o extermínio.

Flávio Dino chegou a falar que faltou senso de “proporcionalidade” na ação criminosa da PM no Guarujá. Talvez o ministro avaliou que a Rota exagerou no número de mortos, 1 PM para 19 mortos na sangrenta represália. Um número menor de mortos seria proporcional e aceitável, Sr. ministro?

O governo do presidente Lula precisa agir para deter a escalada da matança das PMs e demandar dos governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia medidas concretas para responsabilizar e punir os comandos militares e da segurança pública envolvidos nas atuais chacinas.

Além disso, garantir a proteção das comunidades ameaçadas — uma medida necessária e básica para garantir, minimamente, os direitos humanos diante da sanha criminosa das forças policiais.

Vídeo: PMs ironizam as execuções da chacina de Guarujá: ANJINHOS MORTOS 
 

04
Ago23

Extermínio: polícias matam 45 no Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo

Talis Andrade

policia mata pobre.jpg

 

Racismo policial deixa rastro de mortes nas comunidades do Brasil

Por Gabriel Mansur

Uma operação policial, na manhã desta quarta-feira (2), terminou em uma chacina com ao menos 10 pessoas mortas no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Além dos mortos, outras três pessoas ficaram feridas - entre elas um policial militar -, durante a operação policial. Entre as 10 maiores chacinas policiais dos últimos sete anos do Rio de Janeiro, três delas ocorreram no Complexo da Penha, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado.

Com a operação policial desta quarta, a região metropolitana do Rio já tem 33 chacinas mapeadas ao longo de 2023, deixando 125 mortos no total. Entre as 33 chacinas mapeadas, 20 delas ocorreram durante operações policiais, que deixaram 83 mortos. A Zona Norte do Rio foi palco de sete das maiores chacinas registradas nos últimos anos, que levaram 108 pessoas à morte.

A lista das chacinas

  • 06/05/2021 - Jacarezinho - 27 civis mortos
  • 24/05/2022 - Complexo da Penha - 23 civis mortos
  • 21/07/2022 - Complexo do Alemão -16 civis mortos
  • 15/05/2020 - Complexo do Alemão - 13 civis mortos
  • 03/02/2023 - Quintino Bocaiúva - 10 civis mortos
  • 02/08/2023 - Complexo da Penha - 10 civis mortos
  • 11/02/2022 - Complexo da Penha - 9 civis mortos

Violência na Bahia

A situação na Bahia também é de preocupação. Ao menos 19 pessoas foram mortas durante ações e operações policiais realizadas entre sexta-feira (28) e segunda (01). Os tiroteios ocorreram nos municípios de Salvador, Itatim e Camaçari. No dia 28, sete homens foram mortos durante tiroteio em uma operação policial em Jauá, na cidade de Camaçari. No domingo (30), seis homens e duas mulheres morreram em Itatim. No dia 31, quatro pessoas foram mortas na região de Jaguarari, em Salvador.

Por conta dos tiroteios, as aulas das escolas municipais do bairro de Cosme de Farias, onde fica a localidade, foram suspensas. Com esses casos, Salvador e região metropolitana já soma 27 chacinas em 2023, com 97 mortos no total. Dezoito das 27 chacinas mapeadas se deram em ações e operações policiais, deixando 65 civis mortos no total, segundo Instituto Fogo Cruzado. Em média, é como se duas em cada três chacinas ocorridas este ano em Salvador e região metropolitana tenham sido em operações policiais.

Chacina no Guarujá

Também no fim de semana, em São Paulo, uma operação policial no Guarujá, na Baixada Santista, deixou ao menos 16 civis mortos. A ação é uma resposta à morte do soldado da Rota da PM Patrick Bastos Reis, de 30 anos, baleado na quinta-feira (27), durante uma operação na Vila Zilda. Moradores da região afirmam que policiais militares ameaçam assassinar 60 pessoas em comunidades na cidade. Também há relatos de tortura de civis.

O elevado número de vítimas essa semana em operações policiais pelo país evidenciam a face mais letal das polícias, segundo Carlos Nhanga, coordenador do Instituto Fogo Cruzado.

“Há anos que a eficácia de uma operação policial é medida pelo elevado número de mortes, mas ao invés de termos uma melhora na segurança pública, o que vemos é o aumento do medo e do risco de vida que a população enfrenta. Os dados do Fogo Cruzado mostram como essas operações se repetem sem que haja mudança alguma. Não dá para pensar a segurança pública sem planejamento e só focando no acúmulo de mortes, é preciso investir em uma política eficaz para conter a violência e proteger a população de fato”, alegou.

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