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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Dez20

Entre risos, Bolsonaro zomba da tortura sofrida por Dilma na ditadura militar

Talis Andrade

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Bolsonaro ironiza tortura em Dilma: “Até hoje aguardo o raio-x para ver o calo ósseo”

“Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”

Por Jornal GGN

Jair Bolsonaro reuniu-se com apoiadores na manhã desta segunda (28), oportunidade em que “ironizou”, segundo o Broadcast do Estadão, a tortura sofrida pela ex-presidente Dilma Rousseff, presa por quase 3 anos durante a ditadura militar.

Bolsonaro pediu aos apoiadores a prova de que Dilma, de fato, fora torturada nos anos 1970.

“Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”, disparou.

Bolsonaro ainda atacou os ex-maridos da petista.

“O primeiro marido dela, que está vivo, Claudio Galeno, sequestrou um avião e foi para qual País democrático? Cuba. O segundo, que morreu, Carlos Araújo, falou que passou a lua de mel com Dilma Rousseff assaltando caminhões de carga na baixada fluminense (risos)”, comentou.

Antes de falar de Dilma, Bolsonaro estava rebatendo supostas críticas do PT às forças armadas.

Ele lembrou primeiro do caso Celso Daniel, afirmando que foi um crime hediondo com tortura que o partido nunca quis elucidar, em sua visão.

Na mesma manhã, Bolsonaro disse que seu gasto com cartão corporativa é “zero” e desafiou a imprensa a provar o contrário.

Folha de S. Paulo publicou reportagem mostrando que Bolsonaro, ao contrário do que prometeu na campanha, manteve gastos com cartão corporativa em 2020 que, inclusive, superam as despesas do ex-presidente Michel Temer.

“Na gestão atual, foi gasto em média até agora R$ 672,1 mil por mês, o que representa uma alta de 51,7% em relação ao governo do emedebista”, apontou o diário.

 


26
Out19

A bomba da Veja: "disse ter ouvido..."

Talis Andrade

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por Rogério Correia 

Capa da revista Veja traz reportagem requentando o tal “caso Celso Daniel”. Põe a tarja “exclusivo” para um texto que pode ser assim resumido: 

1) “Valério DISSE TER OUVIDO de um empresário que o ex-presidente foi o mandante do assassinato” 

 Adiante, Veja condiciona: 

 2) “SE Marcos Valério estiver dizendo a verdade..”  Por fim, um adendo da própria revista: 

 3) “O novo depoimento, EMBORA NÃO TRAGA NENHUMA PROVA CONCRETA (...)” 

 O que deve ter ocorrido: prestes a fechar a revista e diante da possibilidade mais concreta de Lula livre proximamente, os editores de Veja tentam trazer mais uma denúncia do ex-ministro Palocci. Aí lembram a eles que Palocci já deu e não passa qualquer credibilidade. “Vamos ressuscitar o caso Celso Daniel então”. 

Pode apostar: não demorará e alguém ainda publicará que Lula mandou a Shell derrubar óleo no litoral do Nordeste... E não duvide que algum bolsominion vai babar com isso nos whatsapps da vida...  

Continuamos aqui a esperar uma continha bancária do Lula no exterior; um documento assinado por ele comprovando corrupção; um apartamentozinho (bunker) em que ele guardava dinheiro; uma gravaçãozinha em áudio ou vídeo em que o ex-presidente confesse crimes.   

Até agora, nada disso foi apresentado. Vamos lá, Veja, Globo, IstoÉ, Estadão, vamos lá Dallagnol e Sergio Moro: acharam coisa ruim de tanta gente (Aécio, Cunha, Temer, Gedel, Serra...), por que após tanto tempo não acham nada concreto do Lula?

TAL PAI, TAL FILHO

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26
Out19

Nem Moro levou a sério a capa da Veja

Talis Andrade

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Por Alex Solnik

Jornalistas pela Democracia 

Não tem pé nem cabeça a matéria de capa da Veja na qual o notório Marcos Valério tenta envolver Lula no assassinato de Celso Daniel.

Passados 17 anos, o pivô do mensalão, condenado a 50 anos de prisão, agora cumprindo semi-aberto resolveu contar ao Ministério Público de São Paulo ter ouvido do empresário Ronan Maria Pinto que, se não lhe dessem uma boa grana ele espalharia que Lula mandou matar o ex-prefeito de Santo André.

Essa é a única “prova” que Marcos Valério apresenta: a palavra (sem nenhuma prova) de um empresário corrupto que está preso. E a Veja faz disso uma capa com o título ”Passado explosivo”!

Ora, se Ronan, que está em cana, tem certeza que Lula foi o mandante por que não o delatou até agora e se livrou da sentença?

A motivação do assassinato é surreal: Celso Daniel teria fechado a torneira da prefeitura através da qual bancava a caravana de Lula pelo país.

Por isso, deveria morrer!

Só mafioso age dessa maneira.

O estranho é que Sérgio Moro, sempre tão empenhado em enquadrar o PT como “organização criminosa” ouviu essa denúncia da boca do Valério em 2018 e nem deu bola.

Outra coisa estranha é que Valério, segundo ele escalado para resolver “o problema com Ronan”, e que tinha canais de acesso ao Banco do Brasil, recorre a um banco privado para silenciar Ronan.

E esse banco privado topa a parada porque, em troca de R$12 milhões, ganharia um contrato com a Petrobrás de R$1,6 bi. O negócio do século!

Essa bobajada pode até vender revista, pode até ser investigada pelo Gaeco – o órgão policial do MP – mas não vai dar em nada. Além de, provavelmente, processos contra a revista.

O que se vai descobrir, depois de 17 anos que não foi revelado pela investigação exaustiva da polícia civil de São Paulo que, ao que se saiba, nunca foi controlada pelo PT e sim pelos tucanos e teria o maior interesse político em jogar essa conta em cima de petistas?

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26
Out19

Veja mentiu sobre depoimento de Marcos Valério e Mara Gabrilli está por trás disso, diz delegado do caso

Talis Andrade

“A Veja está querendo influir no julgamento da segunda instância, e nessa farsa posso dizer, com certeza, que há a ação de Mara Gabrilli”, disse o delegado

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O delegado Rodrigo Pinho de Bossi, responsável pelo caso que envolve a delação de Marcos Valério, criador do Mensalão do PSDB, desmentiu a reportagem da revista Veja desta semana afirmando que o tucano acusou o ex-presidente Lula de ser o mandantedo assassinato de Celso Daniel. De acordo com o delegado, ao reproduzir esse discurso, a revista busca influir no julgamento sobre a prisão a partir da condenação em segunda instância e impedir que Lula seja colocado em liberdade.

Em entrevista ao DCMPinho de Bossi ainda disse que por trás de toda a armação está Mara Gabrilli, senadora do PSDB que admitiu, em depoimento a uma CPI em Santo André, que participou do esquema de corrupção que existia na cidade mesmo antes da administração petista.

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O delegado afirmou que foi procurado nesta semana pela senadora. “Mara Gabrilli me ligou diversas vezes essa semana, tentando me influenciar a liberar o vídeo da oitiva. Não dei”, contou. “Sabia que eles estavam tentando influenciar no julgamento do STF”, acrescentou. Mesmo assim, o vídeo não contém nenhuma declaração que liga Lula ao assassinato de Celso Daniel.

”O Marcos Valério jamais disse ‘foi o Lula’. Ele disse que o Ronan (Maria Pinto, empresário do setor de transporte em Santo André) ameaçava dizer que foi ele. São coisas completamente diferentes”, esclareceu o delegado.

“Todo investigador de homicídios parte da motivação. Eu fui delegado de homicídios durante seis anos. Não há motivação pra Lula matar Celso, como também não havia para Celso delatar o esquema. Celso arrecadava para o PT conscientemente”, disse.

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Mara pousou com Aécio, para conquistar os votos tucanos, e depois de eleita escreveu: "Aécio se desmoralizou"

26
Out19

Veja terá de responder por mais uma capa criminosa contra Lula

Talis Andrade
O Partido dos Trabalhadores e seus membros ofendidos por mais esta ação criminosa da revista Veja estão tomando, desde hoje, a medidas no âmbito da Justiça contra a publicação, seus proprietários, editores e o autor
 

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As mentiras reproduzidas como novidade na última edição da revista Veja já haviam sido vendidas pelo sr. Marcos Valério à Procuradoria Geral da República, em 2012, e foram repetidas à Lava Jato, em 2016, numa desesperada tentativa de envolver o ex-presidente Lula em mais uma falsa acusação. Em nenhum dos dois casos a impostura parou de pé, por ser história falsa, sem prova nem testemunho, apesar da obsessão macabra dos que tentam até hoje tirar proveito político do assassinato do prefeito Celso Daniel, em janeiro de 2002. Mas Veja foi longe demais, até para uma revista que sempre abusou de mentir sobre o PT, e terá de responder pelo crime que cometeu.

Veja é falsa desde a capa até o ponto final da matéria. Apresenta como se fosse “recente” um depoimento prestado por Marcos Valério em 17 e 18 de outubro do ano passado e que não gerou desdobramentos. Mente ao dizer que o caso Celso Daniel “foi reaberto” a partir daquele depoimento, pois nenhum novo procedimento foi gerado, até porque os supostos fatos narrados estariam prescritos. Omite que Valério fracassou em outras tentativas de chantagem. E, como é hábito no jornalismo gângster, publicou calúnias e falsidades sem dar chance de resposta aos ofendidos.

Veja esconde dos leitores que nem mesmo a Lava Jato, notória pela perseguição a Lula, encontrou elementos para reabrir o caso e que a “Operação Carbono 14” (lançada em 1º. de abril de 2016 com objetivo de envolver falsamente Lula e o crime de Santo André) foi o maior fracasso da perseguição movida por Sergio Moro e pelos procuradores no âmbito da Lava Jato. Das nove pessoas então acusadas com estardalhaço, cinco tiveram de ser inocentadas por Moro, porque simplesmente não havia crime a ser apurado, e as demais passaram a responder por outras acusações.

Veja esconde ainda que outra manobra frustrada para envolver Lula no caso, desta vez em 2017, foi revelada pelo site Intercept na série Vaza Jato. Em 13 de março daquele ano, Sergio Moro repassou a Deltan Dallagnol uma queixa da então deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), segundo a qual os promotores do Ministério Público de São Paulo “não estariam interessados” no caso de Marcos Valério. Foi em decorrência dessa intervenção indevida e ilegal da Lava Jato que os promotores de São Paulo ouviram Valério duas vezes, em 17 de abril de 2017 e em outubro de 2018, segundo nota oficial do MPSP. E nada disso transformou mentira em verdade.

A capa da Veja enoja e ofende. Brota no mesmo pântano onde nasceram tantas outras mentiras contra o PT e suas lideranças. Revela o desespero dos que não aceitam o fato de que a farsa judicial contra Lula está desmoronando, depois de cinco anos da mais sórdida e mais intensa campanha que já se fez nos meios de comunicação contra um líder político na história desse país.

O Partido dos Trabalhadores e seus membros ofendidos por mais esta ação criminosa da revista Veja estão tomando, desde hoje,  medidas no âmbito da Justiça contra a publicação, seus proprietários, editores e o autor da matéria. O mesmo ocorrerá a todos que reproduzirem a falsidade com intenção de caluniar. Da mesma forma que estamos certos de que a verdadeira Justiça virá para Lula, com a anulação da sentença parcial, injusta e ilegal de Sergio Moro, temos de acreditar que os crimes cometidos contra a verdade e a dignidade também serão punidos com o rigor da lei.

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores

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26
Out19

Como Veja pretende sair da capa falsa sobre Lula?

Talis Andrade

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por Luis Nassif

Segundo Joaquim Carvalho, do DCM, a fonte da revista Veja para a capa desta semana – sobre suposta denúncia de Marcos Valério implicando Lula na morte de Celso Daniel – foi a deputada Mara Gabrilli, cujo pai foi dono de linhas de ônibus no ABC.

Mara não é fonte confiável. Ela mente. E faz parte de uma família envolvida com transporte público, setor que não é dos mais transparentes no trato com a política, e que tinha disputas pesadas com a prefeitura do PT em São Bernardo. Nem sei as razões, se tinha motivos legítimos ou não. Mas, como fonte, ela mente.

Foi o que ocorreu com ela no presídio da Papuda, quando Deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara foram avaliar as condições da cela dos presos do mensalão.

Por ser cadeirante, Gabrilli não teve acesso à cela de José Dirceu. Mesmo assim, na saída, procurou repórteres e divulgou versões falsas, prontamente aceitas por jornais como O Globo. Segundo ela, os deputados teriam encontrado Dirceu assistindo o jogo entre Real Madri e Bayern em uma televisão de plasma, ficando sozinho em uma cela de 23 m2 com micro-ondas, fogareiro e chuveiro com água quente.

Era mentira. Os demais deputados afirmaram que a cela era pequena, um pouco maior que as demais porque nela estavam todos os sentenciados do mensalão. A cela tinha goteiras, o chuveiro era de água fria, igual os demais chuveiros do presídio. Mas a informação foi escondida pelos veículos de mídia, na pior fase da história da imprensa brasileira.

Quem me assegurou que Gabrilli mentiu foi a própria superintendente dos serviços penitenciários do Distrito Federal, Larissa Feitosa, enteada de Gilmar Mendes, em um período em que o próprio Gilmar era adversário implacável do governo petista.

Veja sabia que Gabrilli não é fonte confiável, que ela mente. Deu uma capa factoide, segundo a qual Valério teria ouvido do próprio Lula que o PT estaria sendo alvo de chantagem do empresário Ronan Maria Pinto, e que o prefeito de São Bernardo, Celso Daniel, precisaria ser eliminado.

A história se autodestruía pela inverossimilhança. Mesmo que Marcos Valério tivesse dito isso, a versão não se sustentava. Lula tinha uma precaução obsessiva com qualquer cena, ou diálogo, que pudesse gerar mal-entendidos. Só terraplanistas poderiam acreditar que ele combinaria a morte de um prefeito do seu partido com um operador mineiro, ligado aos tucanos, com o qual não tinha a menor intimidade.

Mas o factoide é mais grave. Segundo três testemunhas centrais, Valério não fez qualquer ilação do crime com Lula. O delegado que fez o inquérito desmentiu, o empresário mencionado como autor de chantagens desmentiu, o promotor desmentiu. Em nenhum momento, a delação de Valério fez qualquer menção à participação de Lula.

Na imprensa corporativa, o único veículo que repercutiu a capa – ainda assim, com uma matéria isenta – foi o Estadão, mostrando que publicações como Veja e IstoÉ foram alijadas do círculo de auto referência da mídia corporativa. Diferentemente do período em que a revista liderou o mundo das fake news, fazendo o trabalho sujo para que os demais veículos repercutissem.

Como ficam agora os bravos colegas que pretendiam recuperar a imagem da revista? Não podem insistir na versão de Lula encomendando a morte de Celso Daniel, por ridícula, a não ser que pretenda recuperar os leitores do jornalismo de esgoto que praticavam, e que hoje estão se dando melhor em redes de WhatsApp. Não farão autocrítica, porque não haveria nenhuma explicação plausível para a barriga. Apenas continuarão a tocar o féretro, levando a revista para o fim inexorável.

Pena que uma bandeira das mais relevantes, a inclusão de pessoas com deficiência, tenha como uma das porta vozes uma deputada que mente.

 

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26
Out19

Como e por que Veja construiu a farsa que aponta Lula como mandante da morte de Celso Daniel

Talis Andrade

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Rodrigo Pinho de Bossi

 

por Joaquim de Carvalho

DCM 

A capa da revista Veja desta semana é uma farsa, construída com ajuda de quem quer influir no julgamento sobre a prisão a partir da condenação em 2ª instância.

“O Marcos Valério nunca afirmou que Lula é o mandante do assassinato de Celso Daniel”, disse ao DCM o delegado Rodrigo Pinho de Bossi, a autoridade que tomou o depoimento que Veja utiliza para construir a versão de que o ex-presidente está envolvido na morte do ex-prefeito de Celso Daniel.

“A Veja está querendo influir no julgamento da 2ª instância, e nessa farsa posso dizer, com certeza, que há a ação de Mara Gabrilli”, afirmou, em referência à senadora do PSDB que é filha de um empresário do setor de ônibus que admitiu, em depoimento a uma CPI de Santo André, que participou, conscientemente, do esquema de corrupção que existia na cidade mesmo antes da administração petista.

Desde a morte de Santo André, no entanto, Mara Gabrilli tem feito de um caso de corrupção uma trama de violência política, e colocando seu pai (e a si mesma) como vítima. Rodrigo Bossi de Pinho sabe do envolvimento de Mara Gabrilli na farsa que Veja constrói porque foi procurado nesta semana por ela. “Mara Gabrilli me ligou diversas vezes essa semana, tentando me influenciar a liberar o vídeo da oitiva. Não dei”, contou.

“Sabia que eles estavam tentando influenciar no julgamento do STF”, acrescentou.

Mesmo assim, o vídeo não contém nenhuma declaração que liga Lula ao assassinato de Celso Daniel.

“O Marcos Valério jamais disse ‘foi o Lula’. Ele disse que o Ronan (Maria Pinto, empresário do setor de transporte em Santo André) ameaçava dizer que foi ele. São coisas completamente diferentes”, afirmou o delegado, hoje aposentado em razão de um câncer em estágio avançado.

Rodrigo Bossi de Pinho tem os vídeos do depoimento de Marcos Valério porque o acordo de delação premiada foi feito com ele, depois de uma tentativa frustrada com representantes do Ministério Público, tanto o estadual de Minas Gerais quanto o federal.

A alegação para a falta de interesse do Ministério Público é que faltaria credibilidade a Marcos Valério. Rodrigo Bossi de Pinho, no entanto, tem razões para suspeitar que os motivos são outros. Valério denuncia um esquema de corrupção que envolve políticos de partidos de A a Z, mas não só. Também há autoridades do Judiciário, órgãos de imprensa, peritos, policiais.

“Não existiu mensalão do PSDB ou mensalão do PT. Existe um caixa construído com dinheiro de quem se beneficia de desvios e de decisões do Estado para manter as coisas como são”, afirmou.

Segundo ele, a delação de Valério tem relatos importantes, inclusive sobre desvios a partir do processo de semiprivatização da Cemig, a estatal de energia de Minas Gerais, em 1998, que envolve a cúpula do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Mas, sobre isso, Veja silenciou, e preferiu investir na farsa de Lula como mandante do assassinato de Celso Daniel.

“Todo investigador de homicídios parte da motivação. Eu fui delegado de homicídios durante seis anos. Não há motivação pra Lula matar Celso, como também não havia para Celso delatar o esquema. Celso arrecadava para o PT conscientemente”, disse.

“Ele descobre que Sombra e Ronan estavam com um esquema criminoso, arrecadando do crime organizado, e botando parte do dinheiro no bolso. O Celso também seria o ministro, no lugar do Palocci. Qualquer problema, então, seria resolvido interna corporis. Não havia motivação pra matar, pois o Celso não ia jogar sujeira no ventilador. Então, só sobra motivação pro Sombra (Sérgio Gomes da Silva, já falecido, que foi amigo do ex-prefeito de Santo André) e pro Ronan.

São hipóteses que o delegado traça, mas esta é uma investigação de que ele não se ocupou. Em São Paulo, a Polícia Civil investigou o caso duas vezes, e concluiu que foi crime comum.

“Toda vez que este assunto retorna é para desviar a atenção de algo presente e relevante. Foi crime comum, mas os radicais insistem nas teorias da conspiração”, comentou, por sua vez, o delegado Marcos Carneiro Lima, do DHPP, também ele sentindo no ar o cheiro da armação por conta do julgamento sobre a prisão a partir da condenação em 2ª instância.

Lula não reivindicou esse julgamento, embora ele seja alcançado pela possível decisão do STF em favor do princípio constitucional da presunção de inocência, que está na essência da questão da 2ª instância.

Rodrigo Bossi de Pinho reafirmou: “Repito: o Marcos Valério nunca disse que foi o Lula. E isso já tem um ano. A Veja faz parecer que foi agora”, disse.

É armação.

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26
Out19

A Veja faz um trabalho sujo

Talis Andrade

 

Por Leandro Fortes

Jornalistas pela Democracia

 

O fato de terem exumado, pela enésima vez, o cadáver de Celso Daniel para atingir Luiz Inácio Lula da Silva revela o total esvaziamento de opções, dentro da direita golpista instalada no Poder Judiciário, para atacar o ex-presidente petista. Que tenha sido a Veja o veículo escolhido para mais esse trabalho sujo, chega a ser entediante, de tão previsível.

O crime contra Celso Daniel, ocorrido há 17 anos, foi investigado meia dúzia de vezes pela polícia tucana de São Paulo, mas nem assim chegaram a qualquer ligação entre Lula e o PT com o homicídio, encerrado como ocorrência de crime comum. Ainda, assim, a cada eleição presidencial, de 2002 para cá, o caso foi desenterrado, apresentado como prova de um propalado gangsterismo petista que, apesar da nação de idiotas que nos tornamos, nunca colou.

Agora, quando o Supremo Tribunal Federal indica que Lula será libertado, por estar preso ilegalmente depois de condenado sem provas, o Ministério Público de São Paulo pegou um Palocci de estimação para colocar no pau-de-arara: o publicitário Marcos Valério, artífice dos chamados mensalões do PSDB e do PT, condenado a 37 anos de cadeia.

Assim, do nada, sem uma única prova e evidência, Valério "decidiu" acusar Lula de mandante do assassinato de Celso Daniel. Um dia depois do voto da ministra Rosa Weber que poderá retirá-lo da cadeia.

Se esse é o arsenal que resta contra Lula, um admirável mundo novo se anuncia, pois.

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