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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

02
Nov20

Membros da Frente Parlamentar da Agropecuária disputam prefeituras em dez capitais

Talis Andrade

Entre os mais conhecidos estão Celso Russomanno e Joice Hasselmann, em São Paulo; dos 67 deputados e senadores que concorrem no primeiro turno, 25 são da FPA; eles disputam liderança nas pesquisas em Fortaleza, Boa Vista,  Florianópolis, Goiânia e Maceió

por Bruno Stankevicius Bassi /De Olho nos Ruralistas

A bancada mais poderosa do Congresso vai às urnas. Com 39 senadores e 245 deputados, cerca de 47% de todos os assentos no Congresso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) terá 25 membros disputando as prefeituras de 21 municípios. O número é 39% superior ao de 2016, quando 18 membros da FPA concorreram às eleições municipais.

Esses deputados ruralistas concorrem em dez capitais: Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió e São Paulo. Em quatro delas, a face mais organizada da bancada ruralista possui mais de um candidato na disputa.

Na capital paulista, a ex-coordenadora de Comunicação da FPA Joice Hasselmann (PSL) tenta tirar votos do representante bolsonarista na disputa, o deputado Celso Russomanno (Republicanos), em queda livre nas pesquisas. Nenhum dos dois declarou bens agropecuários à Justiça eleitoral, um fenômeno comum entre os “ruralistas urbanos”.

O mesmo acontece em Fortaleza, onde o ex-militar Capitão Wagner (Pros), líder nas intenções de voto e favorito para o segundo turno, declarou, entre seus bens, apenas uma letra de crédito no agronegócio no Banco do Brasil. Outro integrante recente da frente, Heitor Freire (PSL), tem apenas 1% nas pesquisas.

Ao todo, 67 parlamentares se licenciaram do Congresso para concorrer às eleições de 15 de novembro. Somada à pandemia e ao bloqueio de pautas pelo Centrão e pela oposição, as ausências travaram completamente as votações na Câmara, que não vota projetos de lei desde 29 de setembro.

DE RORAIMA AO MATO GROSSO DO SUL, GRILAGEM E ATAQUES CONTRA INDÍGENAS

Diferente de São Paulo e Fortaleza, em Boa Vista e Campo Grande a disputa conta com “ruralistas raiz”. Na capital de Roraima, o deputado Ottaci Nascimento (Solidariedade) lidera a disputa contra a tucana Shéridan. Ex-esposa de José de Anchieta Júnior, ex-governador de Roraima falecido em 2018, a candidata foi investigada pela Polícia Federal por suspeita de grilagem na compra de um terreno de 1,1 milhão de metros quadrados próximo de Boa Vista por R$ 25 mil, parte de um esquema de fraudes em títulos fundiários durante o governo de Anchieta.

Em 2018, quando foi eleita para a Câmara, Shéridan declarou créditos a receber relativos à venda da Fazenda Dois Unidos, localizada na Gleba Cauamé. A área foi alvo de disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) entre o estado de Roraima e a União, que acusou o Instituto de Terras de Roraima (Interaima) de tentar transferir para o estado títulos de terras devolutas pertencentes ao patrimônio federal.

Na Câmara, Shéridan se destacou como relatora do projeto de lei que pretendia autorizar a pastagem de animais em áreas de reserva legal e foi tema de reportagem do De Olho nos Ruralistas, durante sua campanha para deputada: “Acusados de grilagem, propinas e uso de verbas públicas, ruralistas de Roraima se unem na eleição“.

Na capital sul-mato-grossense, a disputa pela prefeitura envolve dois candidatos ruralistas com histórico de ataques aos povos do campo. Listado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) como um dos 50 parlamentares que mais atuam contra os povos originários, Dagoberto Nogueira (PDT) aparece em quarto na corrida pela prefeitura de Campo Grande, atualmente liderada pelo candidato à reeleição Marquinhos Trad (PSD).

Durante seu mandato na Câmara, ele apresentou um projeto para legalizar a criação de cassinos em áreas indígenas e chegou a propor o fim dos grupos técnicos para identificação e delimitação de terras tradicionalmente ocupadas pelos Guarani no Mato Grosso do Sul. Dono de um patrimônio de R$ 3 milhões, segundo declaração à Justiça eleitoral, Nogueira é dono da Fazenda Mariana, em Miranda, com 2.249 hectares.

Entre seus rivais está o deputado Loester Trutis (PSL). Com 1% da intenção de votos, ele teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ausência de requisito de registro. Representante do bolsonarismo e da extrema-direita, Trutis divulgou em 2018 uma foto ao lado da senadora Soraya Thronicke e do deputado estadual Renan Contar, ambos do PSL, onde os três estavam armados. Na legenda, ele afirmava estar “só de boa esperando algum vagabundo do MST invadir nossa propriedade”, em referência ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Dono de lanchonete, o deputado tornou-se conhecido após criar um lanche em homenagem ao torturador e estuprador Carlos Brilhante Ustra, ídolo de Jair Bolsonaro. Na imagem promocional, divulgada nas redes sociais do Trutis Bacon Bar, o sanduíche chamado “Ustra Burguer” aparece acompanhado do slogan “Manda sua fome para a vala”.

OLIGARQUIAS RURAIS VÃO ÀS URNAS EM MINAS, SANTA CATARINA E GOIÁS

Com menos de 1% de intenção de voto entre os eleitores de Belo Horizonte, o deputado Lafayette Andrada (Republicanos) possui ligações com o mundo agrário que vão além de sua participação na bancada ruralista. Dona de fazendas em Antônio Carlos (MG), a família Andrada está no Congresso desde antes da Primeira República (1889-1930), a partir da qual as oligarquias rurais de São Paulo e Minas Gerais se alternavam no poder na chamada República do Café com Leite.

Descendente de José Bonifácio de Andrada e Silva e filho do ex-deputado Bonifácio de Andrada (PSDB), autor do relatório que rejeitou a segunda denúncia de impeachment contra Michel Temer, Lafayette não declarou bens rurais.

Ele não é o único ruralista pertencente à “bancada dos parentes“. Esposa do senador e ex-governador de Santa Catarina Espiridião Amin (PP), Angela Amin (PP) aparece em segundo lugar na corrida pela prefeitura de Florianópolis, atrás do atual prefeito Gean Loureiro (DEM).

O casal é um tradicional defensor da indústria avícola do estado, situando-se no centro da disputa pelo traçado da chamada “Ferrovia do Frango“, obra de R$ 17 bilhões que ligará a região de Chapecó — conhecida nacionalmente pelo time de futebol, patrocinado pela cooperativa Aurora — aos portos catarinenses.

Outro membro da FPA com chances na disputa é o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que lidera as intenções de voto em Goiânia. Com um patrimônio de R$ 14,7 milhões, o candidato é dono da Fazenda Vargem Bonita, em Senador Canedo (GO), e é sócio em duas empresas do setor, a Nova Terra Comércio de Alimentos e Participações Ltda e a Cardoso Indústria de Alimentos S/A. Esta última com sede em Buenos Aires, Argentina.

As outras capitais com candidatos ligados à bancada ruralista são: João Pessoa, com Ruy Carneiro (PSDB); Curitiba, com Christiane Yared (PL); e Maceió, com JHC, que disputa a prefeitura da capital alagoana pela segunda vez e é favorito para chegar ao segundo turno.

Confira a lista completa dos parlamentares da FPA que disputam as eleições municipais de 2020:

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08
Mar20

Na Baixada Santista 42 mortos, 36 desaparecidos, e Bolsonaro foi beijar a mão de Trump

Talis Andrade

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante jantar na Flórida - Jim Watson/AFP

É muita trabalheira. Eita vida cansada

 

Mais um corpo foi encontrado hoje (8) no sexto dia de buscas por pessoas que foram soterradas após deslizamentos na região da Baixada Santista, no temporal da última segunda-feira (2). Com isso, já são 42 as vítimas encontradas sob os escombros. Há ainda 36 desaparecidos. As buscas, neste domingo, ocorrem somente na cidade do Guarujá, pois não há mais desaparecidos em Santos e em São Vicente.

Como nenhuma autoridade liga para os pobres mortos pobres, o governador estava de passeio na Oropa, e Bolsonaro pegou o avião presidencial e danou-se para as bandas dos Estados Unidos,  e com as bênçãos de Trump foi tratar de negociatas de cassino, a último esperança para levantar o pibinho lá dele, do governo dele e de Paulo Guedes, de Moro e dos generais de pijama.

O que se sabe do encontro dos dois guerreiros é que trataram da política de entrega do petróleo venezuelano. E como sempre, Trump prometeu vender armas sucateadas para o Brasil entrar na guerra, e derrubar Maduro. "O Brasil está realmente fazendo as coisas bem, deu uma virada", uma bunda canastra disse Trump.

07
Mar20

Jair Bolsonaro vai aos EUA fechar o acordo dos cassinos que o filho começou, e o embaixador da jogatina Ronaldinho é preso no Paraguai

Talis Andrade

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Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Roberto de Assis foram detidos e levados para o presídio na noite desta sexta-feira (6), no Paraguai. Os irmãos são investigados por uso de documentação falsa desde a quarta-feira (4) e, até então, estavam sob custódia no quarto de hotel em que estavam hospedados.

Também estão presos o empresário Wilmondes Sousa Lira, por falsificação de documentos, e as donas originais dos passaportes adulterados, María Isabel Gayoso y Esperanza Apolonia Caballero, cumprem prisão domiciliar.

Ronaldinho viajou a convite de Nelson Belotti, que é sócio de Danilo Gamba no Cassino “Il Palazzo”.

Gamba também é sócio da empresa CPA Assessorial Empresarial e chegou a ser recebido para reunião no gabinete do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), no dia 7 de agosto de 2019, às 10h30. A pauta da conversa foi de “assessoria empresarial em segurança cibernética”, segundo consta na agenda oficial.

Nelson Belotti é citado em vários processos da operação Lava Jato, do Petrolão a JBS, em operações com doleiro Alberto Youssef.

Ronaldinho e o irmão dizem que foram cumprir compromissos de publicidade no país. O ex-jogador é embaixador da casa de apostas Bectris -, e do governo Jair Bolsonaro.

Brasileiro para entrar no Paraguai não precisa apresentar passaporte. Por que Ronaldinho e irmão possuem documentos comprovando que são paraguaios de nascença?

Talvez Nelson Belotti e Danilo Gamba expliquem melhor. Inclusive a viagem do senador Flávio Bolsonaro a Las Vegas 

Escreve Luis Nassif:

Alguém consegue imaginar Jair Bolsonaro envolvido em qualquer tema politico ou econômico que não haja interesse direto do submundo da economia, do qual ele é representante.

A BBC supôs, usando para Bolsonaro a regra que cabe a todo presidente de país sério, que  se iria encontrar com políticos dos EUA, em sua próxima viagem, só poderia ser para tratar de temas de interesse dos políticos. E toca levantar os temas preferenciais de Rick Scott e Marco Rubio, dois dos políticos com os quais Bolsonaro irá se encontrar. Venezuela? Ceticismo climático?

Recentemente publiquei o “Xadrez de como os cassinos financiaram a ultradireita e negociam com os Bolsonaro”, mostrando como o lobby dos cassinos americanos estava entrando no Brasil através do representante comercial dos Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, negociando com Sheldon Adelson, o cappo maior dos cassinos de Las Vegas.

Vamos conferir agora que são os políticos que se encontrarão com Bolsonaro.

Rubio já foi candidato a candidato à presidência da República pelo Partido Republicano em 2015. Sua participação em um dos debates foi curiosa.

Jed Bush Jr atacou Donald Trump, acusando-o de ter feito doações para sua campanha para governador porque tinha interesse em aprovar o funcionamento dos cassinos na Flórida. Era uma acusação pesada, da qual outros candidatos poderiam se valer para enfraquecer Trump. Mas Rubio calado, e sua assessoria alegou que ele não quis se envolver porque, afinal, os candidatos citados já estavam despencando nas pesquisas.

The Guardian matou a charada. Ambos, Jed Bush e Rubio, disputavam as doações de campanha de Sheldon Adelson, o bilionário que está tratando com Flávio Bolsonaro a abertura dos cassinos no Brasil. Segundo The Guardian, Rubio conseguiu a maior parte das doações de Adelson por ter defendido grande parte de suas demandas, os cassinos e o lobby de Israel. Adelson estaria preparando uma doação multimilionária para a ONG Conservative Solutions Project, pro-Rubio.

Já Rick Scott foi governador da Florida. 13 dias após ter sido eleito, em 2013, ele estava em Las Vegas se encontrando com Sheldon Adelson. Na volta instruiu sua equipe a trabalhar na legislação do cassino.

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05
Mar20

Ronaldinho, embaixador do turismo e liberação dos cassinos de Bolsonaro, preso no Paraguai

Talis Andrade

Policías y militares escoltaron ayer al exjugador durante su arribo al país.

Policiais e militares escoltaram Ronaldinho

 

 

Polícia do Paraguai deteve o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e um dos irmãos dele devido ao ingresso de ambos no país com passaportes falsos. Os documentos se encontravam em um quarto do Hotel Yacht Golf Club de Assunção, onde se hospedavam os brasileiros.

Promotoria do Paraguai confirmou que seus agentes identificaram vários documentos, entre eles identidades e passaportes do ex-jogador e seu irmão. Portanto, uma investigação sobre o ocorrido foi iniciada.

Dado falso: Ronaldinho com nacionalidade paraguaia 

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Acreditam que Ronaldinho foi tratar de parcerias para liberação e regulação de cassinos no Brasil neste ano de 2020. Há promessa presidencial de Jair Bolsonaro.

Publica Cassinos Brasil: Segundo entrevistas e declarações publicadas no site Games Magazine Brazil, existem duas datas estimadas para o esperado dia. Segundo o Subsecretário de Prêmios e Sorteios do Ministério da Economia, Waldir Eustáquio Marques Júnior, em entrevista com Valor Econômico, o governo brasileiro apresentará em março a regulamentação definitiva sobre apostas esportivas.

Já, segundo o mesmo site, no dia 28 do mês de janeiro desse 2020, o filho de Bolsonaro, Flávio, após uma viagem para Las Vegas com motivações turísticas, Flávio Bolsonaro acredita convencer a bancada evangélica para legalizar os cassinos. No entanto, seu pai, o presidente eleito do Brasil já foi criticado também por ter jogado Mega sena. Segundo GMB:

“No último dia 26, o presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio do Alvorada, em comitiva oficial, para apostar na Mega-Sena da Virada. Porém a foto do presidente sorrindo, na casa lotérica, repercutiu negativamente entre evangélicos mais conservadores. A Igreja não vê com bons olhos por ser considerada um “jogo de azar”, segundo informa Constança Rezende, colunista do UOL em Brasília, no seu artigo “Atitudes opõem Bolsonaro a evangélicos; líderes não o consideram membro”.

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Ronaldinho, dois passaportes

 

Liberação de cassinos pode arrecadar 15 bilhões

Segundo o projeto em questão, isto é, aquele proposto pelo diputado Azi, uma das consequências positivas anunciadas é essa cifra em arrecadação de impostos. No entanto, a única forma desse montante de arrecadação acontecer é o projeto focado no mundo do cassino, realmente ser funcional, fato que é questionado pois apostas foram equiparadas com lotérica. Partindo dessa base, os resultados não seriam os mais adequados. A liberação de cassinos somente foi o primeiro passo, para termos realmente uma contraparte legal no Brasil, é necessária a aprovação de um texto regulatório. Mas vamos com calma.Ronaldo de Assis Moreira “Ronaldinho” (d) y su hermano Roberto de Assis (i).

Ronaldo de Assis Moreira, "Ronaldinho', e seu irmão Roberto de Assis na sede da Delegacia Contra o Crime Organizado

 

Contextos

O debate sobre a regularização de cassinos no Brasil se confunde com a liberação de jogos de azar, proibidos em 1946, pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. Isso porque em meio a efervescência da jogatina da época, o líder da nação resolveu, sob o argumento de preservar a tradição moral, jurídica e religiosa do povo brasileiro, tornar a prática dos jogos uma forma de transgressão a lei. Com isso também foram punidos os cassinos, já que estes eram os locais onde os jogos funcionavam. E isso fica evidente quando se conhecem as penas previstas para os envolvidos, alvo principal da proibição está nos estabelecimentos.

  • A lei penal estabelece um ano de prisão e multa de até 200 mil reais para quem explora jogos de azar, e para quem frauda resultado ou pagamento de prêmio, a detenção é de 2 anos;
  • Ainda assim no decorrer dos mais de 70 anos de ilegalidade dos cassinos, houve tentativas de trazer de volta alguns dos jogos de azar, como os bingos comerciais, que foi reintroduzindo ao mundo legal em 1993, através da Zico, como o objetivo de financiar entidades desportivas;
  • Em 1998, a regra foi ajustada pela Lei Pelé. Dois anos mais tarde, no entanto, a lei voltou a proibir.

    A Liberação de cassinos vai sair?

    Em 2019, o tema voltou a rondar a política brasileira, com a pressão do Centrão, grupo que reúne cerca de 200 dos 513 deputados federais, sobre o poder executivo para apoiar o projeto e mudar a lei federal legalizando os jogos de azar. O argumento maior é de que a prática dos jogos aumentará a arrecadação, a geração de empregos e a liberdade para as pessoas se divertirem como quiserem.

    Enquanto isso, a bancada evangélica, que agrupa quase 200 deputados de diversos partidos, alega o impacto que a legalização terá na família de pessoas viciadas. Além do surgimento de novos vícios. Diante dessa resistência, o poder executivo aponta para uma possibilidade que não era considerada até então: repassar aos estados a decisão sobre a regulamentação dos jogos de azar, por meio de uma medida federal que liberaria a prática.

    Essa decisão reconhece, principalmente, a divergência que o assunto causa, além da barreira quase intransponível imposta pela bancada da igreja. E essa postura não vem somente de líderes religiosos pentecostais. A igreja católica publicou nota condenando a legalização. Segundo texto da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), “a ideia de legalizar cassinos para aquecer a economia segue a linha de raciocínio de que “os fins justificam os meios.

     

    Liberação de cassinos: o que diz o projeto

    Existe um projeto do deputado Ciro Nogueira, apresentado em 2016 que propõe legalizar os jogos de azar proibidos em 1946. Dentre eles o bingo, o jogo de carteado, o pôquer e o blackjack, além de qualquer modalidade de jogo eletrônico. As práticas seriam permitidas em espaços físicos e online, desde que as empresas do setor tenham sede no Brasil.

Veja a liberação de cassinos hoje

Depois disso, no entanto, foi apensada à PL uma proposta do deputado Paulo Azi. Essa proposta autoriza a exploração de jogos somente em cassinos localizados em resorts. Essa proposta limita o número de licenças para cada cidade, conforme a quantidade de habitantes do município. Esssa proposta foi levada por Flávio Bolsonaro nessa recente viagem para Las Vegas. E, após a qual, assegura ter achado argumentos suficientes para convencer a bancada evangélica.

Segundo GMB:

“A comitiva brasileira liderada pelo senador Flávio Bolsonaro foi recebida no primeiro dia em Las Vegas por Rob Goldstein, CEO do Grupo LVS, do magnata Sheldon Adelson. “O Brasil é o interesse número 1 do Las Vegas Sands para investir US$ 15 bilhões ainda em 2020, basta que regulemos o assunto para que tenham transparência e segurança jurídica”, tinha dito o filho do presidente.”

Conclusão

Certamente, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, pastor licenciado da Igreja Universal, defende o estabelecimento de um cassino no Porto do Rio de Janeiro. Sheldon já manteve reuniões com Crivella por conta de um cassino na capital carioca, para a prática de jogos por turistas. E, é claro, a consequente arrecadação para o município. Ele defende que somente turistas possam frequentar o ambiente, liberando para brasileiros, apenas após regulamentação e análise dos impactos.

Outra informação a considerar é que já existem grandes empresários do ramo. Inclusive, magnatas de cassinos de Las Vegas como Sheldon, sondando o resultado do projeto para investir no país. Os investimentos vão para 15 bilhões em cassinos, caso seja legalizado. Independentemente do que venha a acontecer, essa perspectiva é algo precária, embora o resultado, por outro lado, somente será conhecido no futuro.

Por enquanto, resta acompanhar o desenvolvimento dos debates. E que, caso ocorra a concretização das regulações, exista a possibilidade de corrigi-la para nao prejudicar irreversivelmente ao mercado. Pois, já foi comparada com o modelo lusitano por conta do presidente da  ABAESP. E, ao mesmo tempo, avisado pelo empresário português, e CEO da Estoril Sol Digital, Rui Magalhães.

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A ficha-suja de Ronaldinho

Euclides Acevedo, ministro do Interior do Paraguai, explicou que o Departamento de Identificações percebeu que os passaportes não apareciam no sistema. Imediatamente, o Departamento de Migrações do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque, região metropolitana de Assunção foi informado, mas os brasileiros passaram pelos controles.

Em janeiro de 2019, Ronaldinho e seu irmão Roberto tiveram os seus passaportes apreendidos após decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que condenou, em fevereiro de 2015, os irmãos a pagarem uma indenização por causarem danos numa área de preservação ambiental na orla do rio Guaíba, em Porto Alegre. Em outubro de 2019, a multa de 8,5 milhões de reais foi renegociada a 6 milhões e Ronaldinho pôde recuperar o seu passaporte.

Em fevereiro passado, o ex-craque tornou-se réu numa ação civil coletiva por danos morais e materiais devido à sua ligação com a empresa 18kRonaldinho que bloqueou o dinheiro de clientes que investiram nas suas campanhas. A ação é movida pelo Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) que identificou 150 pessoas lesadas dentro e fora do Brasil.

Apesar dos escândalos, o governo Bolsonaro, através da Agência Brasileira de Turismo (Embratur) nomeou o ex-jogador como embaixador do turismo brasileiro.

06
Jun18

Moro recebido como rei no "principado de Monaco que tem como maior atrativo a fama de paraíso fiscal"

Talis Andrade

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 SUPER INTERESSANTE Moro recebe bola do príncipe Alberto II de Monaco. Para homenagear o País do Futebol e lembrar o primeiro homenageado da Associação Brasil Mônaco, o jogador Ronaldo 

 

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O último final de semana foi de novas homenagens internacionais ao juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Depois da honraria de Pessoa do Ano, promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Nova York, nos Estados Unidos, foi a vez de Moro ser o homenageado na quarta edição do Brasil Mônaco Project, festa anual organizada no pequeno principado europeu por Luciana de Montigny, mulher do cônsul brasileiro, informa a revista Veja.

 

Conjunto de jantar, baile de gala e leilão beneficente, a ação está na sua quarta edição e tem a renda revertida para projetos sociais e já destinou verbas, no passado, a projetos como o Criança Esperança. De acordo com a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o custo de um convite individual para participar do jantar era de 1.000 euros (4.426 reais, pela cotação desta terça-feira).

 

A propaganda de Moro esconde: o primeiro homenageado do Painel, em maio de 2013, foi o jogador Ronaldo. Veja vídeo:

 

Além do jantar em si, segundo a Folha, o juiz Sergio Moro assistiu a uma ópera no camarote real do cassino Monte Carlo, ao lado do príncipe de Mônaco, Alberto II. Em seu discurso, Moro agradeceu às autoridades do principado pela cooperação internacional com as investigações da Lava Jato – "diversos citados na operação enviaram valores desviados da Petrobras para contas no principado". Com o uso do "diversos", quando foi pego, e solto, apenas um traficante de moedas, fica registrada uma informação mentirosa do juiz ou da revista Veja

 

Creio que um cassino não é o local ideal para se falar de combate à corrupção. Seria o mesmo que ser homenageado em um cassino de Las Vegas ou Goa.

 

Tem mais, informa a Wikipédia: "O maior atrativo do Mónaco é a fama de 'paraíso fiscal' do principado: lá, os investidores não estão sujeitos a impostos sobre renda".

 

 

 

 

 

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