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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

24
Abr22

Após polêmica, cabeleireiro desfila como 'governante fascista' em ala da Gaviões da Fiel com integrantes vestidos de militares

Talis Andrade

Cabeleireiro representa governante fascista — Foto: Marina Pinhoni/g1

 Foto: Marina Pinhoni/g1

 

Por g1 SP

Após ter dito que desfilaria pela Gaviões da Fiel representando o presidente Jair Bolsonaro gay, o cabeleireiro Neandro Ferreira entrou no Anhembi na madrugada deste sábado (24) representando um "governante fascista" em uma ala com integrantes vestidos de militares. Ele usava terno e uma faixa amarela e azul.

Ao g1, Neandro explicou que a Gaviões o convidou para representar um "governante fascista" no desfile, mas que não seria nenhuma pessoa específica. "Ninguém falou que eu ia vir de Bolsonaro, falavam só que eu ia vir de um governante, um presidente fascista, que poderia ser qualquer presidente", disse o cabeleireiro.

 

No entanto, ele, por conta própria, assumiu que este governante seria o Bolsonaro e começou a fazer piadas sobre o assunto. "Aí eu comecei a brincar, vou dar pinta de gay, vou vir sambando, vai ser engraçado". O cabeleireiro também afirmou que este seria seu papel no desfile em entrevistas para a imprensa.

Após o desfile, Neandro disse que "faltou o povo gritar fora Bolsonaro pra ele".

"Não imaginei que teria tanta polêmica eu vir fantasiado de presidente. Mas o que fizemos foi um desfile de protesto por um Brasil melhor e mais moderno. Contra todos os preconceitos. Faltou só o público gritar 'fora Bolsonaro' pra mim. Achei que isso fosse acontecer".

 
Cabeleireiro chega à dispersão da Gaviões — Foto: Gustavo Petró/g1

Cabeleireiro chega à dispersão da Gaviões — Foto: Gustavo Petró/g1

Cabeleireiro representa um 'governante fascista' — Foto: Marina Pinhoni/g1

Cabeleireiro representa um 'governante fascista' — Foto: Marina Pinhoni/g1

 
Cabeleireiro representa governante fascista em desfile da Gaviões — Foto: Cíntia Acayaba/g1

Cabeleireiro representa governante fascista em desfile da Gaviões — Foto: Cíntia Acayaba/g1

 

Após a repercussão do caso, o cabeleireiro disse que recebeu todo o suporte da escola, e contou que está sofrendo ataques na internet. "Fui atacado tanto pela comunidade LGBT, que estão falando que eu usei o gay para ridicularizar o presidente, que ser gay não é pejorativo. E tem ainda o outro lado, os machões bolsonaristas".

Neandro contou que está cuidando da sua segurança, mas que seu objetivo agora é se divertir no carnaval após dois anos sem festas por causa da pandemia.

"O foco é só coisas boas, mas no momento estou quase um Judas, prestes a ser malhado", brincou Neandro.

 

24
Abr22

Escola de samba faz Bolsonaro tomar vacina e virar jacaré

Talis Andrade
 

O desfile da Rosas de Ouro na manhã deste domingo (24) transformou um personagem que representava o presidente Jair Bolsonaro num jacaré depois que ele recebeu uma dose de vacina.

Sexta escola a entrar na avenida no segundo dia de desfiles do Grupo Especial de São Paulo, a Rosas de Ouro trouxe um enredo que falou sobre rituais e caminhos para curar todos os males por meio da fé, da magia, da ciência e, claro, do samba.

Em dezembro de 2020, Bolsonaro disse que não tomaria vacina e que, se a pessoa optasse por tomar e virasse um jacaré, o problema seria dela. À época, Bolsonaro se referiu a uma cláusula da Pfizer de que não se responsabilizaria por eventual efeito colateral da vacina.

 

 

E na Pfizer [contrato da Pfizer] tem lá: nós [Pfizer] não nos responsabilizados. Se eu virar um chi, se eu virar um jacaré, se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher, ou algum homem começar a falar fino... e o que é pior: mexer no sistema imunológico das pessoas", falou Bolsonaro.
Durante a CPI da Covid, em 2021, o Governo Bolsonaro foi acusado de ignorar e-mails da Pfizer por três meses. Em julho de 2021, Bolsonaro disse que sua fala sobre a vacinação contra a covid-19 foi uma hipérbole. “Podia virar bambi também, hipopótamo, elefante”, se defendeu na ocasião.

24
Abr22

O tal deus acima de todos

Talis Andrade

 

bolsonaro mentiroso aroeira.jpgMarcio Vaccari | Humor Político – Rir pra não chorarHumor Político Twitterissä: "Mitolândia! por Marcio Vaccari #Religião  #Comédia #Educação #Governo #JairBolsonaro #Políticos #charge  https://t.co/3J5jTKFSxc" / Twitter

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Depois das 700 mil mortes da pandemia

a ameaça de um golpe sangrento

José Guimarães on Twitter: "Tudo começou com mentiras de Bolsonaro para  ganhar as eleições, depois continuou mentindo, hoje o Brasil amarga mais de  322 mil mortes pelo coronavírus e pelo descaso doCharge: O STF dos sonhos de Bolsonaro. Por Miguel Paiva

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elizabeth de fatima silva
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Agência Pública
@agenciapublica
As filhas de Ustra, o primeiro torturador condenado no Brasil, continuam recebendo benefícios da atuação do pai enquanto militar: uma pensão mensal e vitalícia de R$ 15.307,90, cada uma. Conheça as "Herdeiras da Ditadura"agen.pub/herdeirasditad #ArquivoImage
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05
Dez21

Com a palavra, o Rei Momo

Talis Andrade

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por Gustavo Krause

- - -

 

Em 2023, o Rei Momo voltará ao poder Anarcoetílico em grande estilo.

Vai haver ou não carnaval? Esta é uma questão muito relevante para os brasileiros. Na raiz da dúvida, pesam razões culturais, políticas, econômicas e sanitárias. Por que não escutar, sua Majestade, o Rei Momo com longa experiência histórica, mimetizado em diferentes personagens?

Pedi audiência e fui prontamente atendido. Antecipo ao leitor: foi uma experiência maravilhosa. Momo vive num pequenino país – o Carnavália, Nação-Museu dos carnavais. Lá todos são iguais perante a alegria, a felicidade e respiram o ar saudável da fraternidade. O Rei mora numa espécie de Olimpo, abrigo dos deuses gregos. Governa com Três ministros – Arlequim, Pierrô e Colombina – e um Ministério: o Ministério para Assuntos Divinos e Maravilhosos.

Momo não se descuida do que acontece no que ele chama de um “mundo só”. É um cidadão “Glocal”. Monitora tudo de sua sala de situação com a mais avançada tecnologia, mas recebe visitas em audiência no “Salão da Realeza”. Ali tudo representa e transpira a tradição monárquica – Trono, Cetro, Coroa, e a indumentária, segundo alguns pesquisadores, inspirada nos trajes do Duque de Mântua, personagem da ópera Rigoletto.

– Evoé – bradou, simpaticamente, Momo, evocando o grito das bacantes ao saudar Baco e Dionísio (deuses romano e grego do vinho e grandes festas – bacanálias e saturnálias)). Sei que veio me ouvir sobre uma dúvida que paira sobre as tradições carnavalescas. Você vem de um País que me adotou e me confiou o governo Anarcoetílico durante 4 dias. Uma honra para quem vem de longe.

(Breve interrupção para servir filhó ou filhós, o doce do carnaval e que faz parte do cardápio ibérico e pernambucano).

Prosseguiu: – Acusam-me de excessos, a gula, o que é verdade. Como disse, venho de longe e carrego, em todas as formas que me deram, irreverência, sarcasmo e delírio. Tirava sarro com outros deuses. Expulsaram-me do Olimpo. Sou filho de Nix, deusa dos mistérios noturnos. Nasci mulher. Mas as culturas me transformaram em homem. O que importa, Krause, é que subverto regras, inverto papeis sociais, mas estabeleço uma ordem dentro da desordem: diversão, fantasia e o triunfo do sorriso sobre a lágrima.

– Majestade, o que digo às pessoas? – Meu caro, o Brasil está pagando um preço alto pelo negacionismo e gestão temerária do governo. No entanto, o povo brasileiro deu um exemplo admirável ao mundo quando estendeu os braços para receber as vacinas. O carnaval não pode ser objeto de interesses que afetem a saúde pública. Na imagem poética de Chico Buarque, carnaval é uma “ofegante epidemia”. Mas não sufoca. A pandemia sufoca e mata. Paciência: sem carnaval e riscos, até 2023. Um abraço na família do querido Enéas Freire, fundador do Galo da madrugada. Neste dezembro, fará 100 anos de eternidade.

20
Ago21

UMA LENDA CHAMADA TARCÍSIO PEREIRA

Talis Andrade

Pode ser um desenho animado de comida

 

 
A inspiração é a primeira coisa que fazemos quando chegamos nesse plano de existência e ela dói. Dói tanto, que choramos e esse é o primeiro sinal de existirmos como um ser vivo, independente.
 
É através do ar que atinge nossos pulmões pela primeira vez que inspiramos o mundo e tudo o que ele nos oferece. E isso tanto nos encanta, que começamos a respirar e a colocar nosso alento na Realidade, dando em troca da inspiração que recebemos, a exalação do nosso espírito.
 
O espaço de tempo que existe entre a primeira inspiração que tomamos e a última exalação que ofertamos, é o que chamamos VIDA e nesse intervalo deixamos as marcas da nossa presença entre os outros, carregando conosco apenas as lembranças desse espaço sem duração precisa, que reconhecemos como tendo sido nossa existência.
 
Conheci Tarcísio Pereira em 1970, quando inaugurou sua pequena livraria na rua Sete de Setembro. Ainda um jovem desenhista de 17 anos que ilustrava o material didático de um curso de inglês localizado no início daquela rua, encontrei na Livraria Livro 7 um espaço onde, além de livros que despertavam minha curiosidade, encontrava semanalmente O Pasquim, o jornal de humor e crítica que norteava o pensamento da contracultura brasileira.
 
Sendo uma pessoa gentil e de boa índole, Tarcísio fazia amigos com facilidade e eu tive a sorte de logo me tornar um deles. Acompanhei e vi crescer sua livraria até que ela foi parar no Livro dos Recordes, como a maior do Brasil, tanto em títulos como em área de exposição. E o Guinness não fazia nem ideia do tamanho e da importância que ela tinha para a Cultura de Pernambuco!
 
Tarcísio, além de um intelectual, era um mecenas das artes alternativas no Recife dos anos 70 e 80. Bandas, grupos de teatro, artistas plásticos ou performáticos, poetas, escritores, todos encontravam um espaço e um apoio no Casarão 7, que incluía além da livraria, uma loja de discos, um bar ao ar livre e um pequeno teatro.
 
Em 1981 Tarcísio me convidou para fazer a primeira ilustração para as camisetas do Bloco Nóis Sofre Mas Nóis Goza, que saía do palanque armado em frente à livraria e desfilava pelas ruas do centro do Recife no Sábado de Zé Pereira, descendo também nas ladeiras de Olinda durante o Carnaval, criando assim o mítico espaço geográfico carnavalesco que batizamos de RECIFOLINDA e que sempre constava nas ilustrações.
 
A partir daquele ano tínhamos sempre uma reunião em meados de janeiro para discutirmos os temas que poderiam ser apresentados nas camisas e eu tinha o maior prazer em traduzir nossas conversas em imagens que eram levadas no peito por centenas de pessoas, numa imensa alegria que ocupava toda a rua Sete de Setembro.
 
Meu carnaval sempre foi a saída do Nóis Sofre, onde encontrava antigos e novos amigos, todos sob o comando de Tarcísio Pereira, com sua barba pintada de azul, sua cor favorita.
 
Fiz ainda capas e ilustrações para a agenda Livro 7, além da ilustração para o cartaz do filme sobre o bloco realizado por Sandra Ribeiro e sou autor, com muito orgulho, do hino do bloco composto em 1986 (É de repente que eu caio no passo/e lhe dou meu braço/ e vou na brincadeira!/ A minha vida entra em descompasso/ lhe dou um abraço e canto a noite inteira/Saio na rua, cara de palhaço/vou nesse compasso até a quarta-feira).
 
Vários dos meus livros, shows musicais com minha banda ou com a banda do Papa-Figo, encontro de cartunistas como o debate “A Constituinte é uma piada?” durante o Festival de Humor do Recife em 1986, não poderiam ter acontecido em outro espaço cultural que não fosse a Livro 7.
 
Tive o prazer e a honra de ser o segundo convocado dele no seu canal de YouTube TARCÍSIO PEREIRA CONVOCA em 2017, um grande reencontro de memórias e conversas sobre a satisfação que sempre tivemos em fazer projetos juntos, trazendo alegria e cultura para nossa cidade e nosso estado.
 
As mudanças econômicas do Brasil dos anos 90 e a chegada das grandes redes de livrarias fizeram com que a Livro 7 fosse perdendo espaço até fechar no início deste século. Mas isso não fez com que Tarcísio abandonasse seus sonhos. Criou uma editora independente e atualmente trabalhava como Superintendente de Marketing da CEPE - Companhia Editora de Pernambuco e fazia parte do seu Conselho Editorial. Tudo isso, sem esquecer do Nóis Sofre ou deixar de fazer parte da vida cultural do Recife e de Pernambuco.
 
Há uns dois carnavais Tarcísio nos pregou um susto e na abertura da saída do bloco passou mal e nos deixou preocupados. Mas logo vieram as notícias de que estava bem. Não voltaria para a folia, mas certamente estaria presente no Carnaval do ano seguinte. E esteve.
 
Há dois meses, começou a ter problemas de saúde e foi diagnosticado como portador do coronavírus, sendo internado quando os problemas se agravaram, ficando por um longo tempo na UTI. As últimas notícias que tínhamos era de que estava se recuperando bem, o tubo de respiração já havia sido retirado e saíra da Unidade de Tratamento Intensivo e contávamos os dias para sua volta para casa. Infelizmente, não foi o que aconteceu.
 
Várias vezes desenhei Tarcísio como um Dom Quixote Cultural, pois essa era a sua verdadeira identidade. Um homem digno, que acreditava em seus sonhos e no seu trabalho, que buscava mostrar o que as pessoas que o cercavam tinham de melhor, oferecendo apoio, amizade e incentivo. Sempre gentil, sempre com um sorriso e uma voz mansa.
 
Sidarta Gautama nos ensinou que a vida flui e que tentar deter essa fluidez é a razão da nossa infelicidade. Todos os que nasceram irão encontrar o final da sua existência e isso, apesar de causar tristeza aos que ficam, é bom. Pois significa que cumprimos nossa missão da melhor maneira que pudemos e vivemos todos os dias que nos foram destinados.
 
Portanto, celebremos a vida de Tarcísio Pereira, nosso lendário Seu Sete, nosso amigo querido, que tantas alegrias nos deu. Lembremos do seu sorriso no meio do Carnaval, na sua disponibilidade e atenção para atender um cliente ou dar apoio a um artista, poeta ou escritor em início de carreira, da sua grandiosidade em nos oferecer um espaço tão maravilhoso como a Livraria Livro 7, por dividir conosco sua confiança, sua amizade e seu gosto pela vida por tantos anos.
 
Um abraço carinhoso e fraterno para sua irmã Suely, suas filhas, seu filho, seus netos, sua esposa Cecita e todos os que fazem parte da sua família.
 
Siga em paz pelo Caminho da Luz, Dom Tarcísio VII de la Mancha Gráfica.
 
Que sua presença continue conosco por muitos anos.Pode ser uma imagem de 1 pessoa, em pé, comida e texto que diz "junto RECIFE chey IS SOFRE... MAS NOIS G"Pode ser uma imagem de 2 pessoas, pessoas sentadas e comida
 
01
Nov20

Ex-porta-voz critica Bolsonaro: 'Poder corrompe'

Talis Andrade

Alea iacta est", Júlio César atravessa o Rubicão

por Josias de Souza

- - -

Demitido em 7 de outubro da função de porta-voz da Presidência da República, o general Otávio do Rêgo Barros quebrou o silêncio. Sem mencionar o nome do presidente, comparou-o num artigo de jornal a Júlio César. Bateu com vigor: "Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói!"

O artigo foi publicado no Correio Braziliense nesta terça-feira (27). Nele, Rêgo Barros anotou que "a estabilidade política do império está sob risco." Insinuou que Legislativo e Judiciário devem manter Bolsonaro sob vigilância.

"As demais instituições dessa República —parte da tríade do poder— precisarão, então, blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que advirão como decisões do 'imperador imortal'. Deverão ser firmes, não recuar diante de pressões."

O título do artigo é uma expressão em latim: "Memento mori". Mal traduzindo, seria algo como "lembra-te que vais morrer." Júlio César tinha um escravo sempre do lado para dizer no seu ouvido: "Lembra-te que és mortal." Era para prevenir contra a megalomania. Nos momentos de aclamação, servia para recordar a César que ele também estava sujeito à condição humana.

"Infelizmente, nos deparamos hoje com posturas que ofendem àqueles costumes romanos", lamentou o general. "Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião."

Num instante em que Bolsonaro renega a Lava Jato e confraterniza com o centrão, Rêgo Barros cutucou: "É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais."

Desprezado por Bolsonaro, o ex-porta-voz fez uma analogia entre o papel que exercia no Planalto e as atribuições de um cochichador de Júlio César. Insinuou que, além de se distanciar dos compromissos de 2018, o presidente faz ouvidos moucos para o "memento mori".

"Tão logo o mandato se inicia, aqueles planos são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses. Os assessores leais —escravos modernos— que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos."

Depreende-se do texto do general, que o capitão dá de ombros para todos os que ousam recordar que ele também é mortal. Alguns assessores, escreveu Rêgo Barros, "deixam de ser respeitados". Outros são "abandonador ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas."

O general prosseguiu: "O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal."

Rêgo Barros definiu "discordância leal" como um conceito importado das "forças armadas profissionais". Trata-se de uma "ação verbal bem pensada e bem-intencionada, às vezes contrária aos pensamentos em voga, para ajudar um líder a cumprir sua missão com sucesso."

Quem lê o artigo fica com a impressão de que Rêgo Barros manda recados para os amigos generais que comandam escrivaninhas no Planalto e na Esplanada. Nos últimos dias, dois desses generais foram humilhados publicamente.

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi desautorizado por Bolsonaro depois de comunicar a intenção de adquirir 46 milhões de doses da "vacina chinesa do João Doria", como o presidente batizou o imunizante CoronaVac. "Um manda e o outro obedece", resignou-se Pazuello.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, foi chamado de "Maria Fofoca" nas redes sociais pelo colega Ricardo Salles, do Meio Ambiente. E ficou tudo por isso mesmo.

Sempre evitando citar o nome do ex-chefe, Rêgo Barros pareceu incomodado com a percepção de que alguma coisa subiu à cabeça de Bolsonaro, transformando-o numa liderança que imagina desempenhar uma missão especial, de inspiração celestial.

"A autoridade muito rapidamente incorpora a crença de ter sido alçada ao olimpo por decisão divina, razão pela qual não precisa e não quer escutar as vaias", escreveu Rêgo Barros. "Não aceita ser contraditada. Basta-se a si mesmo. Sua audição seletiva acolhe apenas as palmas. A soberba lhe cai como veste."

Além de recomendar atenção aos outros Poderes, o general exalta o papel de um setor que Bolsonaro abomina: "A imprensa, sempre ela, deverá fortalecer-se na ética para o cumprimento de seu papel de informar, esclarecendo à população os pontos de fragilidade e os de potencialidade nos atos do César."

Em última instância, declarou o ex-porta-voz, "a população, como árbitro supremo da atividade política, será obrigada a demarcar um rio Rubicão cuja ilegal transposição por um governante piromaníaco será rigorosamente punida pela sociedade."

Abra-se aqui um parêntese. A menção ao Rubicão não é gratuita. Rêgo Barros não disse em seu artigo, mas o lance mais revelador do caráter de Júlio César foi uma traição. General vitorioso, César conquistara as Gálias. Dividia o poder com Pompeu, que ficara na retaguarda.

Uma lei impedia que um general, vitorioso ou não, entrasse em Roma com seu exército, a não ser em casos específicos determinados pelo Senado, o chamado "triunfo". Mal comparando, o "triunfo", era a versão romana de uma escola de samba. Tinha data e hora para acontecer. 

Para evitar golpes de Estado, nenhum exército poderia transpor o Rubicão. César cruzou o riacho, que servia como limite moral. Pronunciou a célebre frase: "Alea jacta est" (A sorte está lançada). Perseguiu Pompeu até derrotá-lo. Sozinho no poder, iniciou a era do cesarismo —que os famintos de poder cedo ou tarde copiam. Fecha parêntese.

Nas palavras do general Rêgo Barros, cabe à sociedade demarcar um Rubicão imaginário que Bolsonaro não poderia transpor, sob pena de ser punido "rigorosamente". Ao final, caberia à sociedade assumir "o papel de escravo romano", escreveu o ex-porta-voz. "Ela deverá sussurrar aos ouvidos dos políticos que lhes mereceram seu voto: "Lembra-te dada próxima eleição!".

É como se o ex-porta-voz, após conviver com Bolsonaro, tivesse a convicção de que o capitão não vai ao Rubicão beber água. 

quando você vai atravessar o rubicão?

25
Fev20

“A verdade vos fará livre”

Talis Andrade

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Por José Roberto Torero

 

Ah, Diário, no ano passado a Mangueira já tinha me enchido o saco, mas esse ano foi pior. Até o título do samba-enredo foi pra me provocar: “A verdade vos fará livre” é meu slogan de campanha, pô! Eles deviam me pagar roialte para usar.

E eles nem disfarçaram. Disseram na cara dura: “Não tem futuro sem partilha, nem messias de arma na mão". Messias de arma na mão sou eu, pô! Entendi a indireta. Quer dizer, a direta. Já “futuro sem partilha” eu não tenho certeza, mas deve ser o Guedes.

O pior é que não foi só a Mangueira que quis me provocar:

- a Viradouro falou de mulheres (não aguento mais esse mimimi de mulher, tanto que nem trouxe a Michelle aqui pro Guarujá),

- a Estácio de Sá criticou o garimpo (ainda bem que não falou do nióbio, que aí eu ficava com mais raiva ainda).

- a Portela falou de índio (blargh!),

- a Grande Rio contou a história de um cara que era pai de santo e homossexual (pô, tem que proibir esses tipo de personagem, por que não falou do Duque de Caxias?),

- e a União da Ilha foi a pior de todas, porque falou de pobre, de favela, colocou os ricos em privadas gigantes e botou até um ônibus de verdade na passarela (desfile bom é aquele que fala de rei, rainha e riqueza, talkei?).

Olha Diário, essa madrugada foi insuportável. Vi o desfile todo pela televisão, do lado do Hélio Negão. Nós dois ficamos xingando todo mundo. Eu disse que os foliões eram esquerdopassistas e ele disse que ia fundar o movimento “Escola de samba sem partido”.

Então eu tive que ir no banheiro dar uma goldenshowerzada, que eu tinha tomado umas cervejas. Mas aí, na volta, que decepção... Peguei o Hélio Negão dançando na sala e cantando:

“Mangueira, samba que o samba é uma reza,

se alguém por acaso te despreza,

teme a força que ele tem.

Mangueira, vão te inventar mil pecados,

mas eu estou do seu lado

e do lado do samba também.”

Ah, Diário, que tristeza que eu senti quando vi aquilo. A traição vem de todo lado e de todo mundo. Até do Negão...

Chega logo, quarta-feira de cinzas.

@diariodobolso

25
Fev20

Mangueira bate duro no fundamentalismo bolsonarista

Talis Andrade

A Mangueira fez referências quase diretas ao presidente Jair Bolsonaro, ”Não tem futuro sem partilha nem messias de arma na mão“, cantaram os integrantes, em alusão ao presidente

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Falando Verdades - A escola de samba  e atual campeã do carnaval do Rio de Janeiro, Mangueira, resolveu bater duro no fundamentalismo religioso bolsonarista. A escola mostrou um Jesus Negro na avenida, os falsos profetas radicais com “armas na mão”, com o tema a “Verdade Vos Fará Livre”, com forte crítica social e política criticando o “messias com arma na mão” em alusão a Jair Bolsonaro.

A escola de samba Mangueira, levou a crítica ao escopo ideológico do Bolsonarismo neopetencostal radical á avenida, com um Jesus  mostrado com rosto de negro, sangue de índio e corpo de mulher, a escola de samba criticou os profetas da intolerância.  Um jesus negro e outro Jesus mulher.

A Mangueira que é atualmente campeã do carnaval do Rio de Janeiro, voltou com fortes críticas sociais e políticas para a avenida e mostra ao mundo o radicalismo bolsonarista.

O samba cita um Jesus de “rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, e menciona “profetas da intolerância” que não sabem que a “esperança brilha mais que a escuridão”.

“Jesus pode ser de todos os gêneros. E se fossemos ensinados, desde criança que Jesus também poderia ser uma mulher, será que o Brasil estaria no topo do feminicídio? Que todos os olhos possam acolher todas as imagens de Jesus, porque ele está no meio de nós”, disse a rainha da Mangueira, Evelyn Bastos.

A Mangueira fez referências quase diretas ao presidente Jair Bolsonaro, ”Não tem futuro sem partilha nem messias de arma na mão“, cantaram os integrantes, em alusão ao presidente.

A letra do samba enredo e vídeo do desfile da Mangueira:

A Verdade vos Fará Livre

Compositores Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo

Intérprete Marquinho Art’Samba

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré

Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher

Moleque pelintra do buraco quente

Meu nome é Jesus da gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado

Meu pai carpinteiro desempregado

Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira

Me encontro no amor que não encontra fronteira

Procura por mim nas fileiras contra a opressão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado

Em cordéis e corcovados

Mas será que todo povo entendeu o meu recado?

Porque de novo cravejaram o meu corpo

Os profetas da intolerância

Sem saber que a esperança

Brilha mais que a escuridão

Favela, pega a visão

Não tem futuro sem partilha

Nem messias de arma na mão

Favela, pega a visão

Eu faço fé na minha gente

Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir

O desabafo sincopado da cidade

Quarei tambor, da cruz fiz esplendor

E num domingo verde e rosa

Ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira

Samba que o samba é uma reza

Se alguém por acaso despreza

Teme a força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

 

25
Fev20

Bolsonaro incendiário tema de carro alegórico na Alemanha

Talis Andrade

 

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Em Colônia, carro alegórico representou o presidente brasileiro, segurando a bandeira do Brasil atada a um palito de fósforo tamanho família e exibindo um largo sorriso, diante de árvores carbonizadas e sambistas seminuas e chamuscadas

 

 Deutsche Welle 

por Marcios Damasceno

"Esse é meu carro preferido", afirmou Holger Kirsch, diretor do desfile, em entrevista ao jornal local Kölner Stadt-Anzeiger. A alegoria, outra crítica às queimadas na Amazônia, produziu fumaça literalmente. "Nós trabalhamos com verdadeiras sacas de café e ainda instalamos um sistema de tubulação para que fumegue bastante", acrescentou.

Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro é alvo do humor alemão. Em agosto, ele foi ridicularizado em horário nobre num programa humorístico transmitido pela principal rede de televisão pública da Alemanha, que criticou as políticas ambientais e agrícolas do presidente brasileiro e o chamou de o "boçal de Ipanema", entre outros apelidos.

sátira política sempre foi um dos pratos principais dos desfiles carnavalescos no oeste alemão, em cidades como Colônia, Mainz ou Düsseldorf.

"Nosso mundo está mais político do que nunca – então, nossos carros alegóricos também o são", afirmou Kirsch ao jornal Bild. O tabloide informa que os 26 carros alegóricos do desfile deste ano em Colônia trouxeram, ao todo, representações de 14 políticos.

Além da sátira política usual, um posicionamento forte contra a extrema direita foi particularmente evidente em 2020. Enquanto Colônia representou sua famosa Catedral em lágrimas pelas vítimas do recente atentado terrorista em Hanau, Düsseldorf mostrou o racismo como uma arma mortal.

"Neste momento, não há nada mais sério do que o terrorismo de extrema direita", afirmou o carnavalesco Tilly, de Düsseldorf. Um dos carros alegóricos na cidade representou a cabeça de um homem enraivecido, com uma arma saindo de sua boca, em que se lia "racismo". Na bochecha do boneco, a seguinte frase: "Palavras se tornam ações."

A alegoria também chamava a atenção para os ataques a tiros em Hanau na última quarta-feira, que deixaram nove pessoas de origem estrangeira mortas. Após o massacre, o terrorista voltou para casa, onde matou a mãe, de 72 anos, e cometeu suicídio. Numa carta de confissão e em vídeos, o atirador expõe pensamentos racistas, defendendo ideologias de extrema direita.

"Não há apenas um perpetrador. Não é apenas aquele que atirou. Aqueles que prepararam mentalmente a ação também são responsáveis", afirmou Tilly, referindo-se às pessoas que proferem discursos racistas, xenófobos e de extrema direita.

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"Palavras se tornam ações", diz frase no rosto de boneco, em alegoria que rechaça o terrorismo de extrema direita

25
Fev20

Bolsonaro é retratado como "assassino do clima" no Carnaval alemão

Talis Andrade

 

bolsonaro desfila carnaval alemanha.jpg

 

Famosa pela sátira política, festa na Alemanha é marcada por críticas à extrema direita. Em Düsseldorf, boneco do presidente tem serra elétrica no lugar dos braços e suástica nazista no peito – removida após polêmica

Deutsche Welle

O presidente Jair Bolsonaro foi tema de carros alegóricos durante os tradicionais desfiles carnavalescos na Alemanha nesta segunda-feira (24/02). A Rosenmontag, "segunda-feira das rosas", é o ponto alto do Carnaval de rua do oeste alemão, famoso por suas sátiras políticas.

Em Düsseldorf, um carro alegórico trouxe um boneco do presidente brasileiro na posição de Cristo Redentor, mas com serras elétricas no lugar dos braços abertos. Nelas, lia-se "assassino do clima" e "Bolsonaro". Em volta do boneco, havia tocos de árvores decepadas e ensaguentadas.

Mas um detalhe da representação causou polêmica nesta segunda-feira. Uma bandeira brasileira estampada no peito de Bolsonaro trazia uma suástica nazista em seu centro.

Carnavalescos responsáveis pelo carro alegórico tiveram que remover o símbolo nessa segunda-feira, após recomendação das autoridades.

Policiais avistaram a suástica e consultaram promotores públicos, que concluíram que a representação representaria um crime – na Alemanha, emblemas e símbolos de organizações anticonstitucionais não são permitidos por lei. Assim, os organizadores foram aconselhados a cobrir ou remover a suástica.

Jacques Tilly, responsável pelo carro, confirmou o caso à agência de notícias DPA. "Isso é um absurdo, porque impede que haja liberdade de sátira, mas nós seguimos. Bolsonaro agora tem um buraco no peito", afirmou o carnavalesco.

Mais tarde, o ministério público expressou dúvidas sobre sua própria avaliação. "Uma análise mais aprofundada mostrou que a suástica nesse contexto deveria ser respaldada pela liberdade artística", disse uma porta-voz do órgão.

 

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