Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Mar18

Mecanismo de propaganda imperialista da Netflix contra Lula

Talis Andrade

cine-lula.jpg

O ex-presidente Lula é representado pelo caricato ex-presidente Higino (Arthur Kohl) 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que não vai ficar quieto diante do conteúdo da polêmica série de propaganda política da Netflix O Mecanismo, que recria facciosamente alguns dos episódios da Operação Lava Jato. "Nós vamos processar a Netflix, nós não temos que aceitar isso. Eu não vou aceitar", disse o líder petista.

 

Informa o jornal El País da Espanha: Nem Lula nem Dilma aparecem na série com os seus nomes, mas é muito fácil reconhecê-los nas personagens de João Higino e Janete Ruscov. Lula alegou que os roteiristas colocam na boca da sua personagem palavras que ele nunca disse. O ex-presidente se referia a uma das cenas mais polêmicas da obra, quando Higino fala da Lava Jato e diz que é preciso "estancar essa sangria". Essas palavras foram pronunciadas, na realidade, pelo senador do MDB Romero Jucá, segundo uma conversa que foi grampeada pelos investigadores do caso. Noutro momento, a personagem de Lula também conversa com a presidenta Ruscov sobre a necessidade de trocar o comando da Policia Federal, mais um fato que nunca apareceu no inquérito da Lava Jato.

 

No comício que fechou a caravana em Curitiba, Lula acusou os criadores da obra: "Eles produziram uma peça que é mais uma mentira". "Aviso que vamos denunciar os responsáveis aqui ou em qualquer lugar", acrescentou o ex-presidente em um discurso no qual lembrou os incidentes ocorridos ao longo do seu percurso pelos estados do Sul para tentar impedir os atos planejados pelo PT em várias cidades. 

 

A Netflitx vem gastando milhões de dólares na série de propaganda política neste ano de eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Uma série que se pode assistir gratuitamente aqui. E que também está sendo ofertada por partidos políticos, e adéptos de Temer, Bolsonaro, Henrique Meirelles, Marina Silva e Alckmin. 

 

BBC, estatal do Reino Unido, apresenta as invenções do Mecanismo:

 

1. Lula falou sobre "estancar a sangria"? Falso
Na série dirigida por José Padilha, a frase é dita pelo personagem José Higino (que representa o ex-presidente Lula) ao "Mago", inspirado em Márcio Thomaz Bastos. O diálogo fictício ocorre em 2014, antes das eleições presidenciais. Mas a cena é fantasiosa.

 

2. A prisão de Youssef em 2014 aconteceu daquele jeito mesmo? Verdadeiro, mas…

Na série, o doleiro Roberto Ibrahim aproveita-se de um descuido do agente "China"  para pegar um jatinho no aeroporto de Congonhas (SP) e se mandar para Brasília.

A diferença é que a polícia não deixou Youssef escapar e o doleiro tampouco estava em Brasília no momento da prisão.
Quando foi detido, Youssef estava no quarto nº 704 do Hotel Luzeiros, um dos mais requintados de São Luís (MA), com vista para o mar. Segundo o Ministério Público, a mala continha R$ 1,4 milhão em propina, vinda da empreiteira UTC, e que seria paga a um secretário do governo maranhense, na gestão de Roseana Sarney (MDB). A prisão ocorreu em 17 de março de 2014. 

lava jato do doleiro de moro.jpg

Os donos do lava a jato em Brasília estão soltos e imensamente ricos  

3. O posto de gasolina de Yousseff realmente existe? Verdadeiro
Na série, o local é chamado de "Posto da Antena". Na vida real, o estabelecimento funciona até hoje - trata-se do Posto da Torre, localizado no Setor Hoteleiro Sul, ao lado da Torre de TV, um dos cartões-postais de Brasília. O empreendimento foi alvo da primeira fase da Lava Jato.

Além de 16 bombas de combustíveis, o Posto da Torre abrigava uma lanchonete especializada em kebab e uma casa de câmbio - além de um lava-jato. O estabelecimento era comandado por Carlos Habib Chater, sócio de Youssef. Na série, Chater é representado pelo personagem "Chebab". Na vida real, o posto também serviu para de inspiração para a delegada Erika Marena ("Verena Cardoni") cunhar o nome "Lava Jato" para a operação

[Informa este correspondente: "Chebab" está solto e rico. Youssef está solto e rico. Ganhou do juiz Sergio Moro delação premiada no assalto ao BanEstado. E condenado a mais de cem anos de prisão, recebeu outra delação mais do que premiada do juiz Sergio Moro, porque também livrou a esposa, a amante, a filha doleiras independentes e associadas. A delegada Erika está envolvida no suicídio do reitor Cancellier].

cine-dilma.jpg

 Ex-presidente Dilma Roussef ganha o nome russo Janete Ruscov (Sura Berditchevsky)

 

 4. Youssef circulava pelo comitê de campanha de Dilma Rousseff? Falso

Logo no começo da série, o personagem Roberto Ibrahim (que representa o doleiro Alberto Youssef) aparece em uma cena dentro do comitê de campanha do "Partido Operário" - na vida real, o comitê de Dilma Rousseff (PT). "Você quer quanto? R$ 500 (mil) resolve, para esta semana?", pergunta o personagem a uma integrante do staff fictício. "R$ 600 (mil), meu amor. Para agora", responde ela.
Na vida real, esta cena jamais poderia ter acontecido: durante a campanha eleitoral de 2014, Alberto Youssef estava preso em Curitiba, no Paraná (ele foi detido na 1ª fase da Lava Jato, em 17 de março de 2014, e ficou na cadeia até 17 de novembro de 2016).

Gerson Machado.jpg

Gerson Machado é representado por Marco Rufo (Selton Mello) 

 

5. O policial Marco Rufo existiu realmente e fuçou extratos no lixo? Não foi bem assim...
Assim como outras figuras da série, o policial Marco Rufo é baseado em uma pessoa real - neste caso, um ex-delegado da PF, hoje aposentado, chamado Gerson Machado. Assim como Rufo, Machado é de Londrina (PR). Esta é também a cidade natal de Alberto Youssef (na série, Roberto Ibrahim).
Assim como Rufo - o da ficção - Machado investigou Youssef, e disse ter sido acusado de "perseguição" pelo doleiro. Na vida real, Machado abriu um inquérito sobre o caso em 2008, anos antes da Lava Jato começar. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Machado disse em 2016 que foi afastado das investigações e depois "foi aposentado" precocemente, aos 49 anos de idade, em 2013. O afastamento o deixou deprimido.

 

6. Youssef realmente foi preso e fez delação uma década antes da Lava Jato? Verdadeiro, mas…
Em 1969, o Banco Central do Brasil editou uma norma, a Carta Circular nº 5, com o objetivo de facilitar a vida de brasileiros vivendo no exterior. A norma criou um tipo de conta bancária - batizada de CC5 em referência à Circular do BC - que permitia depositar dinheiro em moeda estrangeira no Brasil e sacá-lo no exterior.
Entre 1996 e 2003, um grupo de doleiros utilizou as contas CC5 do Banco do Estado do Paraná, o antigo Banestado, para enviar cerca de US$ 30 bilhões para fora do país. Um deles era Alberto Youssef. Ele admitiu mais tarde que efetivamente pagou propina, em nome de empresas, aos dirigentes do Banestado, para facilitar empréstimos a essas empresas. O nome do banco batizou o escândalo.

Youssef fechou seu primeiro acordo de delação premiada em 2004 - o acordo foi homologado pelo juiz Sérgio Moro. Em 2014, na segunda prisão do doleiro, o mesmo juiz invalidou o acordo de 2004.
A história é contada de forma resumida pela série de José Padilha - inclusive com uma menção às contas CC5. Mas há pelo menos dois pontos que merecem reparos. Ao ser preso, Youssef diz que não vai ficar muito tempo preso, já que o seu advogado "é o ministro da Justiça". Naquela época, o ministro era Márcio Thomaz Bastos ("O Mago", na série). Bastos nunca defendeu Youssef. Além disso, a série deixa de mencionar o fato de o esquema ter começado a funcionar em 1996, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

 

padilha.jpg

 

09
Ago17

Solto o preso que deu origem e nome à Lava Jato

Talis Andrade

AUTO_nicolielo lava jato.jpg

 

 

 

A operação para prender os traficantes de diamantes e drogas começou com a investigação de doleiros. Assim apareceu o nome de Carlos Habid Chater empresário e doleiro brasiliense que ganhou notoriedade por ser o primeiro preso.

 

Dono do Posto da Torre, usado para lavagem de dinheiro e que deu nome à operação conhecida como Operação Lava Jato.

 

Além de ser o primeiro preso e dá o nome da operação, Carlos Habid Chater que já está solto, assim como os demais doleiros, mudou o rumo das investigações. 

 

Sem nenhuma explicação, foi deixada de lado a investigação do tráfico de drogas, de diamantes, para uma fixação na Petrobras. 

 

Assim a Lava Jato do Posto da Torre em Brasília passou a ser um meio de propaganda e conspiração para acontecimentos políticos que mudariam a política da América Latina e Internacional, notadamente do BRICS - sigla de um mercado comum e banco mundial formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

 

Não esquecer que o juiz Sergio Moro convocou o FBI para participar da Lava Jato que também se transformou em um meio de propaganda para derrubar Dilma Rousseff, para manter Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados para aceitação do pedido de impeachment e votação, posse de Michel Temer como presidente, e volta do Brasil ao FMI, enfraquecimento do Mercosul, e uma política exterior que carimba os inimigos dos Estados Unidos como inimigos do Brasil vassalo e dependente. 

 

Que Carlos Habid Chater fale da farsa de sua prisão.

 

Primeiro preso da Lava Jato revela abusos de Moro e do delegado Anselmo

 

moro e anselmo.jpeg

 

Jornal GGN - Carlos Habib Chater, vendido pelos autoridades na grande mídia como o doleiro pivô da Lava Jato, disse à equipe de reportagem do portal UOL que a força-tarefa de Curitiba combate corrupção com corrupção. Ele atacou especialmente o delegado Márcio Anselmo - que, inclusive, é processado por Lula - por ter ameaçado em troca de uma delação e disse que a sentença de Sergio Moro contra ele foi injustamente dada apenas para sustentar a fantasia que é a megainvestigação.



Chater começou a ser investigado pela Polícia Federal em 2008, sob suspeita de usar seu posto de gasolina (o Posto da Torre) para lavar dinheiro para José Janene (PP), morto em 2010.



A PF acusou Chater, inicialmente, de ter movimentado de maneira ilegal cerca quase R$ 11 milhões entre 2007 e 2014. O "doleiro" ri da imputação: "Como eles podem ter provado que eu lavei tanto dinheiro, se eu fui condenado por uma lavagem de R$ 460 mil num das sentenças?", questiona.



"Cadê o restante do dinheiro? Cadê essas lavagens, onde estão? Por que talvez a mídia não foca um pouco mais nessas questões de pegar um processo e perder um pouco mais tempo para dar uma analisada", sugeriu ao UOL.



Os R$ 460 mil, segundo a PF, seria o montante que Chater teria lavado para um traficante. Ele nega e diz que a acusação não conseguiu levantar provas disso. Quem teria criado um elo que justificasse a sentença por lavagem foi o juiz Sergio Moro. "Foi uma condenação completamente injusta. Acho que o Brasil está combatendo ilegalidades com outras ilegalidades", comentou.



"Eu entendo a sanha por Justiça. Mas não devemos, como se diz por aí, fazer Justiça com as próprias mãos. Eu acho que a Lava Jato, em princípio, começou co, esse foco."



No total, Moro - que manteve a prisão preventiva por 570 dias - condenou Chater em duas ações que somam 9 anos e 9 meses de prisão, referendados em segunda instância. Ele cumpriu 1 ano e 7 meses em regime fechado e mais 1 ano no semiaberto. Já está, inclusive, operando o Posto da Torre.



No segundo processo, Chater foi acusado de lavar dinheiro para Alberto Youssef, com quem admite ter uma amizade de muitos anos, mas nega a imputação na Lava Jato.



Segundo ele, a força-tarefa só conseguiu apresentar essa acusação porque forçou a delação premiada de um ex-gerente do posto que ficou preso preventivamente por muito tempo, sem nenhuma perspectiva de deixar o cárcere sem fazer um acordo de cooperação. No final, o ex-gerente, segundo Chater, "inventou uma história, não conseguiu provar e a delação não foi homologada. Foi o desespero de um cara que estava preso. Esse é o modus operandi da Lava Jato: minar o cara que está la dentro para falar até o que ele não fez. [...] Está de combatendo ilegalidade com outro ilegalidade", repetiu.



Moro, por sua vez, também teria decidido descartar depoimentos que eram a favor do réu, como o de Alberto Youssef afirmando que não havia usado o posto para lavar dinheiro. "(...) das duas, uma: ou ele mentiu e toda a delação dele deveria ser descartada, ou ele falou a verdade e o juiz não levou em consideração", disparou.



Quando questionado porque Sergio Moro faria isso, Chater respondeu que o juiz estava comprometido com o sucesso da operação a qualquer custo. "(...) Como é que pode ser absolvido o cidadão que deu origem à Lava Jato? Talvez isso tenha pesado e talvez eles tenhama chado que uma eventual absolvição fragilizaria a Lava Jato."



AMEAÇA DO DELEGADO



A ameaça feita a Chater pelo delegado Márcio Anselmo teria ocorrido quando o dono do posto estava preso por suspeita de ter lavado R$ 460 mil para um traficante. Ele nega conhecimento do caso, mas afirmou que o delegado usou isso para força uma delação.



"O delegado disse que me envolveria com o narcotráfico, que eu ficaria mais de 20 anos na cadeia e ele me livraria em uma semana, caso eu dissesse quem era os agentes públicos ou os políticos que recebiam [propina] aqui [no Posto da Torre]. Eu disse a ele que, em primeiro lugar, eu fui monitorado por 8 meses oficialmente - mas fora da questão oficial eu com certeza fui monitorado por muito mais tempo -, e ele não teria indício de tráfico de droga. Inclusive, dentro das celas da Polícia Federal nós localizamos uma escuta ambiental, que na época o juiz disse que não tinham autorização de colocar. Existem muitas coisas que aconteceram nos bastidores dessa operação que eu diria ilegais, imorais, que ninguém sabe ou que pelo menos ninguém quer dar ouvidos", disparou.



"Quando nós localizamos a escuta ilegal mabiental que estava nas celas, abriram uma sindicância e quem estava cuidando era o delegado responsável pelas investigações da Operação Lava Jato. Isso é uma piada, né?", ironizou.



"Como o delegado Márcio Anselmo (que deixou a Lava Jato em 2017) viu que eu não faria delação e não teria quem entregar, depois de várias tentativas, de insistências, de ameaças, ele disse que mandaria para o presídio. No dia seguinte eu fui para o presídio [de São José dos Pinhais]", acrescentou.



Segundo o UOL, o delegado Anselmo não se manifestou sobre a reportagem. O que se sabe da desistência de investigar os bilionários tráficos de drogas, diamantes e minérios neste Brasil dominado por doleiros, traficantes, piratas internacionais e traidores da Pátria aqui 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D