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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

20
Fev21

Daniel Silveira expõe oito bolsonaristas

Talis Andrade

 

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por Altamiro Borges

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O futuro do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) ainda está indefinido. Cassação do mandato, cadeia por longo tempo ou impunidade? Mas sua prisão já teve um efeito prático. A Mesa Diretora da Câmara Federal determinou a reativação imediata do Conselho de Ética para tratar do seu caso e de outros deputados encrencados. 

A retomada dos trabalhos da Comissão de Ética – que estavam suspensos há quase um ano sob a desculpa da Covid – pode levar até à indicação de cassação dos mandatos de parlamentares que respondem a representações no colegiado. Caso isso ocorra, a última palavra caberá ao plenário da Câmara Federal. 

Há nove deputados com ações contra os seus mandatos. Destes, não por acaso, oito são bolsonaristas hidrófobos, metidos à valentes e sem qualquer compostura: Daniel Silveira, Bibo Nunes (PSL-RS), Filipe Barros (PSL-PR), Alê Silva (PSL-MG), Carlos Jordy (PSL-RJ), Carla Zambelli (PSL-SP), Coronel Tadeu (PSL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – o filhote 03 do presidente da República. 

A companhia da deputada Flordelis

O deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) é o único que não compõe formalmente a milícia. Há também acusações de quebra de decoro que ainda não foram formalizadas no Conselho de Ética. A mais famosa é a da deputada-pastora Flordelis dos Santos (PSD-RJ), também bolsonarista, acusada de ser a mandante do assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo. 

No geral, há representações por discursos de ódio, difusão de fake news, organização e financiamento de manifestações contra a democracia e incitação à violência. O próprio PSL – partido com oito dos nove nomes em análise no conselho – ingressou com pedido contra seis deputados filiados à legenda. 

A representação foi por quebra de decoro devido à exposição de conversas entre o chefão da sigla, Luciano Bivar, e o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). O próprio Daniel Silveira, agora preso por ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), já estava com pedido de punição em análise no Conselho de Ética. 

Em 2021, o PSL voltou a representar contra 20 parlamentares que declararam apoio à eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara Federal. O partido integrou a base de apoio à candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), mas os bolsonaristas votaram no líder do Centrão por ordens do "capetão".

13
Fev21

Ludmila, a juíza negacionista, segue impune?

Talis Andrade

Por Altamiro Borges 

No início de janeiro último, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu uma representação pedindo a abertura de processo administrativo contra a juíza Ludmila Lins Grilo por suas postagens irresponsáveis e negacionistas atacando as medidas de isolamento social em plena pandemia da Covid-19. Como anda o processo? O assunto simplesmente sumiu da mídia. 

A juíza da Vara Criminal e da Infância e Juventude de Unaí (MG) é uma seguidora fanática do filósofo de orifícios Olavo de Carvalho – guru do clã Bolsonaro. A denúncia enviada ao CNJ argumentou que a magistrada cometeu uma infração ético-disciplinar ao se manifestar contra as recomendações das autoridades sanitárias. 

"As pessoas que nela confiam por ser uma autoridade integrante do Poder Judiciário certamente serão influenciadas por sua irresponsável e inconsequente manifestação, que, de tão absurda, pode estar a configurar crime de apologia à infração de medida sanitária preventiva", alertou o pedido. 

Aluna aplicada de Olavo de CarvalhoResultado de imagem para ludmila lins grilo olavo de carvalho


Só para relembrar, a olavete utilizou seu perfil no Twitter para postar vídeo de uma rua repleta de pessoas em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, durante as festa de Ano Novo. No texto, ela elogiou a "cidade que não se entregou docilmente ao medo, histeria ou depressão", contrapondo-se ao decreto de lockdown, e incluiu a hashtag "Aglomera Brasil". Em outra postagem, a negacionista difusora de fake news afirmou que o coronavírus “não resiste ao sol”. 

A revista Época revelou na ocasião que Ludmila Grilo "é aluna aplicada de Olavo de Carvalho. Além de ostentar livros do polemista em sua estante e ter recebido elogios de Olavo, ela já o visitou em sua casa, nos Estados Unidos, em 2018". A juíza é tão criminosa como as deputadas Bia Kicis e Carla Zambelli, do PSL, que também andaram elogiando a “rebeldia” de Búzios e Manaus – nesse caso, poucos dias antes das mortes por asfixia em decorrência da falta de oxigênio nos hospitais. 

Ao que tudo indica, nenhuma das três foi ou será punida. Seguirão impunes espalhando fake news contra a vida!

 

14
Jan21

Prefeitura de Manaus instala câmaras frigoríficas para auxiliar serviço em cemitério público

Talis Andrade

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A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), instalou no cemitério público Nossa Senhora Aparecida, localizado no bairro Tarumã, zona Oeste, duas câmaras frigoríficas que irão prestar suporte ao SOS Funeral, da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc).

A medida visa atender às vítimas da Covid-19, que morrerem nos horários em que os cemitérios estão fechados, garantindo o cuidado com os corpos para o sepultamento. As câmaras têm capacidade para armazenar até 60 caixões e começarão a ser utilizadas, a partir desta quinta-feira, 14/1.

“O secretário Sabá Reis e eu acompanhamos a instalação dessas câmaras e esse serviço será fundamental para melhorar nosso atendimento, evitando  qualquer transtorno e prejuízo relacionados ao não reconhecimento”, afirmou a secretária da Semasc, Jane Mara Moraes.

A Semasc também vai instalar no cemitério Nossa Senhora Aparecida um micro-ônibus, que permanecerá no local 24 horas, para atender as demandas do serviço, dando mais agilidade aos trabalhos.

Sobre o SOS Funeral

O serviço SOS Funeral oferece gratuitamente cortejo, remoção, translado fúnebre, doação de urna funerária, isenção da taxa do sepultamento e o atendimento psicossocial às famílias no perfil de vulnerabilidade social e econômica, que não podem arcar com os custos nos casos de mortes ocorridas em qualquer circunstância no município de Manaus. O serviço funciona 24 horas, todos os dias. Os números de atendimento são o (92) 3215-2649 e o 3631-9983.

Texto Leonardo Fierro / Semasc

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Oxigênio acaba em hospitais de Manaus e vítimas de Covid estão morrendo sufocadas

247 - Acabou o oxigênio nos hospitais de Manaus e as pessoas doentes de Covid-19 estão morrendo sufocadas.  "Estão relatando efusivamente que o oxigênio acabou em instituições como o Hospital Universitário Getúlio Vargas e serviços de pronto atendimento, como o SPA José de Jesus Lins de Albuquerque", diz o pesquisador Jesem Oerellana, da Fiocruz-Amazônia. A mortandade em Manaus é resultado direto da maneira como o governo Bolsonaro está agindo durante a pandemia.
 

"Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia", disse o pesquisador, segundo reportagem da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. "Os pacientes que conseguirem sobreviver, além de tudo, deve ficar com sequelas cerebrais permanentes", completou.

Ainda segundo a reportagem, uma atendente teria relatado, “chorando, que os pacientes estão sendo "ambuzados", ou seja, recebendo oxigenação de forma manual, já que os respiradores estão sem oxigênio”.

Anna Moser
The hospitals in #Manaus, city in the Brazilian Amazon with 2 million habitants, are out of #oxygen. Before the pandemic, Manaus had around 38 daily burials. Now: 198 ! #SOSManaus
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Diogo Cabral
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Uma cidade com 2.219.580 habitantes sem oxigênio nos hospitais. Manaus é o epicentro global da tragédia do coronavírus no Brasil. Bolsonaro é responsável direto por essa barbárie #ManausSemOxigenioImage
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02
Jan21

Por que quem é bolsonarista precisa ser contra vacina?

Talis Andrade

Por que quem é bolsonarista precisa ser contra vacina?

Por que um bolsonarista precisa negar o número de mortos da pandemia ou ser contra a vacina? (Foto: Govesp)
por Wilson Gomes /Cult
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Neste 17 de dezembro, a deputada Carla Zambelli despejou num tuíte a sua revolta contra quem defende alguma forma de obrigatoriedade da vacina. “Se as pessoas que defendem a vacina de fato acreditassem no poder que ela tem, não nos forçariam a vacinar nossos filhos, afinal se ela funciona, vocês estarão imunizados e não “pegarão” o vírus de quem não se vacinou”. Sim, 185 mil mortos depois, a deputada quer que os bolsonaristas tenham o direito de não vacinar os próprios filhos. 

Alguém sabe, por acaso, me explicar a razão pela qual se você é de extrema-direita e/ou bolsonarista precisa estar agora, ainda no meio de uma pandemia, em campanha para que as pessoas não se vacinem? Ou para que as autoridades não tenham o direito de vaciná-la? Alguém me diz por que um bolsonarista precisa negar o número de mortos da pandemia? Ou ser contra o uso de máscara? Ou atacar diuturnamente a credibilidade da Organização Mundial da Saúde, do jornalismo de qualidade, dos cientistas e até dos centros de pesquisa?

Alguém saberia me informar por que alguém de direita, ou conservador, ou patriota, ou cristão verdadeiro, ou pessoa de bem, ou qualquer das designações que queira utilizar para dar um verniz ao seu bolsonarismo, precisa continuar minimizando os efeitos da Covid-19? Qual é mesmo a correlação explícita entre a ideologia de direita e o ato de prescrever ou defender medicamentos contra vermes ou contra malária para curar uma doença que a pesquisa diz que não pode ser curada deste modo? 

No dia 15 de dezembro, Weintraub apareceu no Twitter para compartilhar com a malta uma deliciosa teoria da conspiração. “E se a pandemia foi artificial, feita em laboratório?”, sugeriu o nosso Dan Brown. “E se houve uma articulação para gerar enormes ganhos financeiros/políticos para alguns? E se os atuais ganhadores gostarem da “tese” e repetirem a experiência nos próximos anos?”. Alguém sabe me dizer por que ao ser bolsonarista você assume a obrigação de inventar e espalhar complôs sobre a pandemia? 

Sim, eu sei que Bolsonaro fez tudo errado nesta pandemia e um dia a conta chegará. Mas não é para construir um habeas corpus preventivo que ele age assim. Além da incompetência e da inépcia que lhe são próprias, acho que o fez por convicção. Provou-se parvo e insano o suficiente para acreditar nas próprias fake news e conduzir o país ao abismo. Contudo, resta ainda a pergunta: por que um governo e um movimento ideologicamente da direita ultraconservadora precisariam assumir, contra todas as evidências, as atitudes que tomaram? Se valores de direita estivessem minimamente implicados nas teses que defenderam, eu entenderia, mas o fato é que não há qualquer relação entre vermífugos e conservadorismo, pelo menos até onde a minha imaginação alcança. 

O problema, meus amigos, é que
quem olha para o bolsonarismo
e para a nova extrema-direita
apenas como ideologia, vê só
metade da questão. Trata-se de
um movimento identitário.
Neste caso, mais decisivo do
que estar certos é não estar sós.
Ou, invertendo, o importante é
estarmos juntos, não estarmos
certos.

Quem diz platitudes como, por exemplo, “fake news sempre houve e sempre haverá”, não entendeu da missa a metade. Fake news têm como propósito a manipulação política. Entendam de vez, fake news nada têm a ver com jornalismo, e sim com política. Por meio de fake news e de teorias da conspiração politiza-se tudo: questões sanitárias, ciência, economia, comportamento, jornalismo, decisões judiciais, futebol, religião, nada fica de fora. Mas não se falsificam fatos e notícias por esporte, mas para unir a facção, a seita, para demarcar a nossa posição ante os nossos adversários e para atacar os nossos inimigos. 

Se eles são pela ciência, admitem a pandemia e recomendam a vacina, já sabemos que nós seremos contra a ciência, negaremos a pandemia e atacaremos a vacina. É assim, didático e gráfico.

É por isso que fake news se explicam pelo surgimento da nova extrema-direita que a) é hiperidentitária (a identidade tribal é decisiva), b) baseada em conflito perpétuo e aguçado, c) está convencida de que tudo vale na disputa por narrativas e enquadramentos de fatos. 

Identidade é isso: fazemos um círculo ao nosso redor e cá estamos “nós” cercados por “eles” por todos os lados. Quem for bolsonarista tem que ser contra vacina (e inventar fatos que justifiquem essa posição), tem que ser contra urnas eletrônicas (e inventar teorias da conspiração que justifiquem isso), contra o comunismo que domina tudo, contra quem afirma que há uma pandemia mortal, contra o uso de máscaras etc. 

Por isso a necessidade de inimigos e da sensação de cerco e guerra: quem não está conosco está contra nós. Não há identitarismo sem vitimismo, sem um sentimento forte de perseguição, opressão e cerco. E sem a ideia de que os oprimidos e sitiados, enfim, vão começar a reagir contra o Mal. E absolutamente tudo vale na luta contra o Mal, até inventar histórias para disputar a interpretação dos fatos, para motivar a tribo e para aguçar a identidade tribal. 

A lista é incoerente e inconsistente, como disse, mas a mentalidade não. Os elementos todos estão aí:  identidade, conflito e vale-tudo

Muita gente implica por eu ser contra a guerra identitária da esquerda. Sou mesmo. A guerra identitária da extrema-direita ilustra muito bem o que significa um movimento baseado em identidade tribal, manutenção de inimizade e incentivo ao conflito, e vale-tudo no plano dos relatos e das narrativas. O resultado é isso, a insana tribalização que apaga a racionalidade e torna infernal a vida em sociedade. 

18
Nov20

Pai, irmão e cunhada da bolsonarista Zambelli não se elegem

Talis Andrade

 

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Para levar vantagem em tudo, e imitar o mito, a deputada federal Carla Zambelli lançou candidaturas familiares para mamar nas burras do Estado. 

Tal como acontece com Bolsonaro pai, presidente Zero Zero, que elege: o filho mais velho Flavio Bolsonaro 01 senador, o segundo filho Carlos Bolsonaro 02 vereador do Rio de Janeiro, o terceiro filho Eduardo Bolsonaro 03 deputado federal por São Paulo.

Rogeria Bolsonaro, mãe dos marmanjos, candidata a vereador, foi derrotada no dia 15 último, pelos eleitores cariocas. 

Clã Zambelli

A bolsonarista Zambelli, afilhada de Sergio Moro, justifica:

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Esse nepotismo eleitoral constitui uma mamata que precisa ter fim. Ser combatido pelo povo nas urnas.

Publica UOL:

Pai, irmão e cunhada da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) bem que tentaram, mas não conseguiram se eleger durante as eleições deste ano, segundo resultados apontados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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Em São Paulo, o seu irmão, Bruno Zambelli, se candidatou para vereador pelo PRTB. Conseguiu apenas 12.302 votos, ou 0,24%, número insuficiente para conquistar uma cadeira na Câmara Municipal.

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Também derrotado, o pai, João Hélio Salgado (Patriota), tentou uma vaga como vice-prefeito em Mairiporã, cidade localizada na Região Metropolitana de São Paulo. Ao lado de Major Paulo (Patriota), a chapa alcançou apenas 9,83% —o eleito, neste caso, foi Aladim (PSDB).

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Tatiana Flores Zambelli.jpeg

 

A cunhada, Tatiana Flores Zambelli, também tentou uma vaga como vereadora em Mairiporã, mas não conseguiu. Registrou apenas 190 votos, ou 0,45%.

Nos três casos, a deputada federal "emprestou" a sua imagem aos candidatos de sua família, promoveu engajamento e publicou vídeos nas redes sociais pedindo votos. "O meu irmão é candidato na raça e a gente precisa da ajuda de vocês", disse ela, em um dos vídeos publicados no Instagram.

"Damos o sangue para combater as injustiças. Mas o compromisso é dele. Não é só comigo, é com você. Por transparência, por ética, pela luta dos nossos direitos e garantias individuais", completou.

Cobrou a militância

No Twitter, Zambelli demonstrou irritação com os resultados apresentados nas urnas, de forma geral, e cobrou a militância. "O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?", escreveu ela, em seu perfil.

E a reclamação de Zambelli faz sentido: além da derrota particular, os conservadores não conseguiram eleger a maioria dos prefeitos que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apoiou nas eleições municipais —somente quatro se elegeram ou foram para o segundo turno.

Carla Zambelli
@CarlaZambelli38
O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?
29
Out20

Quem é Daniela Reinehr, a ‘neonazista’ de SC

Talis Andrade

 

Por Altamiro Borges

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Ao tomar posse como governadora interina de Santa Catarina nesta terça-feira (27), a bolsonarista Daniela Reinehr se recusou a dizer se concorda com as opiniões neonazistas e negacionistas de seu pai. Questionada por jornalistas durante a sua primeira coletiva, ela fugiu de forma canhestra e patética. 

Daniela Reinehr assumiu o cargo temporariamente após o afastamento do governador Carlos Moisés (PSL), que é alvo de um processo de impeachment. Segundo o site alemão Deutsche Welle (DW), "ela se esquivou de responder se compactua com pensamentos neonazistas e negacionistas do Holocausto". 

Pai nega o Holocausto e elogia Hitler

O questionamento dos jornalistas à governadora interina não foi à toa, como registra o site DW: "O pai dela, o professor de história Altair Reinehr, é conhecido por defender ideias neonazistas e por negar o genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial". 

"Seus pensamentos foram expostos em textos em que ele relativiza o nazismo e teriam sido propagandeados até mesmo em sala de aula. Junto a um desses artigos, Altair publicou uma foto dele em frente à casa onde nasceu Adolf Hitler, em Braunau am Inn, na Áustria". 

No texto, o pai da governadora se queixa de que, na Alemanha, "é proibido falar de Hitler" e "lembrar obras reconhecidamente positivas" do líder nazista. De forma irônica, o admirador do genocida afirma que isso é feito "em nome da democracia, da verdade e da 'liberdade de expressão'". 

O site DW ainda lembra que "o pai da governadora também testemunhou a favor de Siegfried Ellwanger Castan (1928-2010), proprietário da editora Revisão, conhecida por publicar livros negacionistas do Holocausto e literatura antissemita. Castan foi condenado por racismo pelo STF em 2000". 
 
Governadora se esquiva na coletiva
 
Com base nesse tenebroso histórico, Daniela Reinehr foi surpreendida na coletiva à imprensa com a pergunta do jornalista Fábio Bispo, do Intercept Brasil, sobre as ideias defendidas por seu pai: 

"No começo da sua fala, a senhora agradeceu a sua família. Seu pai, como professor de história, pregava em sala de aula o negacionismo do Holocausto judeu... Agora que a senhora é governadora, a gente quer saber qual é sua posição, se a senhora corrobora com essas ideias neonazistas e negacionistas sobre o Holocausto". 

A governadora interina, metida a valente, fugiu da resposta. “Em nenhum momento de sua resposta, porém, Reinehr foi clara em se declarar antinazista ou negar compactuar com as visões negacionistas do Holocausto, atendo-se a dizer que não pode ser julgada por ‘atos de terceiros’", registrou indignado o site DW. 

Ruralista e bolsonarista convicta

A filhote de nazista ficará 180 dias no cargo, enquanto um tribunal especial julga o processo de impeachment do governador eleito. Como destaca a Folha, a produtora rural e advogada é uma bolsonarista convicta. Quando Jair Bolsonaro deixou o PSL para fundar o Aliança pelo Brasil, ela também abandonou a sigla. 

“Assim como Bolsonaro, Reinehr defendeu o uso de cloroquina no tratamento da Covid-19. Suas redes sociais são repletas de fotos com o presidente e ministros da chamada ‘ala ideológica’ do governo, como Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Onyx Lorenzoni (Cidadania)”. 

“Reinehr é amiga da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e próxima de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal e filho do presidente. “A 1ª Governadora do @somosalianca. Nosso PR @jairbolsonaro ganha mais um Estado como aliado. Ganha o povo!”, postou a pegajosa deputada Carla Zambelli na internet.
 
15
Jun20

Especialistas apontam semelhanças entre os 300 de Sara Winter e grupos fascistas europeus

Talis Andrade

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Sara, na noite de sábado, atacou o Palácio da Justiça; na manhã do domingo, imitando Bolsonaro, fez comício na porta do Forte Apache, sob a proteção de Abraham Weintraub, ministro da Educação, que voltou a chamar os ministros do STF de "vagabundos"; e foi presa hoje

 

Filme “300”, que inspira acampamento bolsonarista também é referência para grupos racistas e neonazistas; como os europeus, o grupo brasileiro apela à desobediência civil e à violência

 

* Movimento Identitário europeu elegeu “300” como símbolo de sua luta contra refugiados
* Ideal de sacrifício pela pátria e resistência violenta “contra invasores” também aparece no discurso do grupo brasileiro
* “O que preocupa é o caráter paramilitar” do movimento, diz socióloga

 

por Andrea DiP, e Niklas Franzen/ Agência Pública

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“Olá, nós somos os 300 do Brasil, o maior acampamento contra a corrupção e a esquerda do mundo” diz, de maneira nada modesta, Sara Fernanda Giromini, mais conhecida como Sara Winter. No vídeo, ela convoca “pessoas que tenham a coragem de doar ao Brasil sangue, suor e sono” a fazer parte de seu movimento de extrema direita bolsonarista que, desde o começo de maio, está acampado nos arredores da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ontem, Sara também teve o celular e o computador apreendidos pela operação da Polícia Federal relacionada ao inquérito das Fake News que é conduzido pelo STF. Em resposta, fez vários vídeos e posts no Twitter desafiando e xingando o ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito, e ainda fez ameaças: “A gente vai infernizar a tua vida. A gente vai descobrir os lugares que você frequenta. A gente vai descobrir as empregadas domésticas que trabalham pro senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida. Até o senhor pedir pra sair. Hoje, o senhor tomou a pior decisão da vida do senhor”. Nas redes sociais, o comentário era de que ela fez isso com a intenção de ser presa para se tornar um mártir ou candidata – ou os dois.

 

O “maior acampamento do mundo” também tem recebido atenção nos últimos dias; menos por seu tamanho – não passa de algumas barraquinhas espalhadas pelo gramado – e mais pelas declarações e ações de sua fundadora. Ainda no começo de maio, Sara admitiu em entrevista à BBC News a presença de armas no acampamento “para a proteção dos próprios membros”. O Ministério Público do Distrito Federal chegou a mover uma ação civil pública pedindo que o acampamento fosse desmontado, que houvesse uma revista para busca e apreensão de armas e que o grupo fosse proibido de atuar. O pedido, porém, foi negado pelo juiz Paulo Afonso Carmona da 7ª Vara da Fazenda Pública do DF. O acampamento também é alvo de uma investigação pela PGR: deputados do Psol pediram a abertura de um inquérito para investigar a atuação de Sara Winter em uma “formação de milícia” e o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura do procedimento para apurar quem seriam os financiadores do movimento. A existência de um suposto quartel-general do grupo em uma chácara, com estrutura militar, também está sob investigação.

Apoiadores do movimento de extrema-direita estão acampados na Esplanada dos Ministérios

 

O nome do grupo de Sara Winter, “300 do Brasil”, assim como algumas imagens e o uso do grito “Ahu” durante manifestações, são inspirados pelo filme 300, do diretor Zack Synder, de 2006, que por sua vez se baseia nos quadrinhos de Frank Miller e Lynn Varley de 1998. O filme mostra a luta heróica de um exército de 300 espartanos, liderado pelo Rei Leónidas, contra um exército de 30 mil soldados persas liderado pelo “deus-rei” Xerxes I da Pérsia querendo invadir Esparta.

Apesar de ter se tornado um grande sucesso, o filme americano também foi fortemente criticado pela violência explícita e por ter uma estética fascista. Os soldados espartanos são musculosos, hiper masculinizados, fortes e apresentados como bons e honrosos. Enquanto isso, Xerxes é afeminado e andrógino e seus soldados são mostrados como ferozes invasores. Na Alemanha, chegou a ser comparado aos filmes da diretora nazista Leni Riefenstahl.

Em entrevista à reportagem, a co-fundadora dos “300 do Brasil”, Desire Queiroz, explica o que motivou a referência ao filme: “A gente teve a ideia justamente pela luta. Isso mostra que nós somos poucas pessoas que podem vencer muitas pessoas". Ela conta que o grupo começou com 10 pessoas mas que apesar disso é forte e pode “lutar e vencer”. E nega que movimentos da extrema direita europeia tenham sido uma influência para a criação do grupo. Procurada, Sara Winter não respondeu os pedidos de entrevista.

 

“Europeus verdadeiros” contra “Invasores”


Na Europa, movimentos de extrema direita fazem frequentemente referência ao filme 300 e à Batalha das Termópilas. Mas para a direita europeia, o filme e o combate heróico dos espartanos contra persas representam a atual luta dos “europeus verdadeiros” contra os “invasores” refugiados.

O caso mais famoso é o do chamado “Movimento Identitário”, que começou na França, mas existe hoje em vários países do continente europeu. Com uma crítica pesada a uma suposta “islamização da Europa” e uma comunicação ofensiva, o grupo usa o “etno pluralismo”, principal conceito da nova direita, para dizer que sociedades devem ser “culturalmente puras” e que cada povo tem seu habitat. O número de membros do Movimento Identitário é bastante baixo e eles também tentam compensar isso com ações espetaculares que geram grande atenção na mídia, como ocupações, acampamentos e performances em lugares públicos.

Segundo a pesquisadora e jornalista alemã Carina Book, o filme 300 virou referência para movimentos de extrema direita por vários motivos. A Batalha das Termópilas representa a luta do Ocidente contra o Oriente e o rei Leônidas ordena que seu exército enfrente a morte para salvar a população de uma invasão do Oriente Médio. “Esse discurso de fazer um sacrifício pela nação e resistência violenta contra ‘invasores’ frequentemente acha-se no discurso do Movimento Identitário” explica Carina, que estuda o movimento há muitos anos e publicou alguns livros sobre a nova direita europeia. O uso do discurso do sacrifício, e do “sangue e suor” pela pátria também é muito frequente por parte dos integrantes do “300 do Brasil”. No vídeo de convocação diz: “buscamos pessoas que tenham a coragem de doar ao Brasil sangue, suor e sono, que estejam dispostas a abrir mão de sua comodidade e dedicar-se integralmente às ações coordenadas, inclusive tendo em mente a possibilidade de ser detido (…) Se você está disposto a passar frio, ficar no sol, tomar chuva, e a fazer parte dessa página na história do Brasil, VENHA!”. No Twitter, mensagens como “O soldado que vai a guerra e tem medo de morrer é um covarde” também são fartamente encontradas.

O grito de guerra “Ahu” dos soldados espartanos, usado pelos “300 do Brasil”, também é usado nas manifestações do Movimento Identitário. Se, em maio deste ano, Sara tuitou “ATENÇÃO BRASÍLIA! DESÇAM AGORA PRA PRAÇA DOS 3 PODERES! A ESQUERDA QUER OCUPAR A PRAÇA. OS 300 DO BRASIL VÃO TOMAR CAFÉ DA MANHÃ VERMELHO HOJE! AHU AHU AHU”, em 2016 durante um ato em Berlim, capital da Alemanha, Martin Sellner, um dos líderes do Movimento Identitário, falou: “Hoje estamos aqui com 300 pessoas. 300 é um número que nós identitários gostamos”. E puxou o Ahu entre os integrantes do grupo, como mostra esse vídeo.

Mas não é só o Movimento Identitário que gosta de se comparar aos espartanos. Em vários protestos e shows, neonazistas fazem referência ao filme e aos espartanos como mostra a revista antifascista e investigativa alemã Das Versteckspiel. No site da marca de moda neonazista Asgar Aryan, segundo a reportagem, há inclusive um moletom com a imagem de um soldado espartano.

As referências à Grécia usadas pela extrema direita são antigas. No dia 30 de janeiro de 1943, quando a derrota dos nazistas na batalha de Stalingrado já era certa, o Ministro da Aviação da Alemanha Hermann Göring fez um discurso comparando a situação dos soldados nazistas com a Batalha das Termópilas, legitimando ideologicamente a batalha. E uma unidade especial da Luftwaffe, força aérea nazista, ficou famosa por voar em missões suicidas contra os Soviéticos e foi chamada de Esquadrão Leónidas.

Convidada a assistir os vídeos do “300 do Brasil”, Carina Book diz que encontra semelhanças com os movimentos de extrema direita europeus. “A estética do vídeo inicial dos ‘300 do Brasil’ lembra muito a dos vídeos do Movimento Identitário. As semelhanças podem ser vistas no vídeo ‘Declaração de guerra’ publicado em 2012 na França, que alerta sobre os supostos danos da migração para a Europa”. Semelhanças também podem ser vistas neste vídeo do Movimento Identitário da Alemanha.

O apelo à “desobediência civil”, o uso de palavras como “revolução” ou performances com uma caixão em frente do Congresso também lembram o discurso e as ações “metapolíticas” da extrema direita europeia, diz a pesquisadora. O caráter paramilitar do movimento chama a atenção. Os militantes chamam-se de “soldados” e falam de uma “guerra”. Frequentemente os integrantes fazem saudações militares, prometem treinamentos e reivindicam uma disciplina rígida.

 

“Ucranizar” o Brasil


Em algumas ocasiões Sara Winter declarou que recebeu treinamento na Ucrânia e que queria “ucranizar” o Brasil, uma afirmativa difícil de compreender. O chamado “Euromaidan” foi uma série de protestos que aconteceram na Ucrânia em 2014 quando o governo, por pressão do governo russo, anunciou que não iria assinar um acordo de associação com a União Europeia. Mas, logo depois, as manifestações passaram a incluir bandeiras contra a corrupção e o abuso de poder, também com o apoio de grupos neonazistas. Os protestos foram violentamente reprimidos, mas o presidente Víktor Yanukóvytch acabou sendo deposto e fugiu do país.

“Em 2013 e 2014 aconteceu um levantamento contra uma elite corrupta. É possível que ela se refira a isso com sua fala de ‘ucranizar”, diz Andreas Umland, cientista político que vive em Kiev, na Ucrânia . Mas também é possível, devido ao discurso bélico dos “300 do Brasil”, que Sara Winter se refira à guerra quando diz “ucranizar”. Após a expulsão do presidente, as forças armadas russas apoiadas por militantes pró-russos invadiram a península da Crimeia e começaram uma guerra no leste da Ucrânia, nas regiões Donesk e Luhansk, que dura até hoje. Além dos exércitos dos dois países, lutaram milícias pró-russas e, do outro lado, grupos paramilitares voluntários da Ucrânia. O caso mais famoso é o do Batalhão Azov, que, apesar de ser acusado de ser um grupo neonazista, foi incorporado na reserva das Forças Armadas ucranianas e hoje está subordinado ao Ministério do Interior daquele país. Segundo o pesquisador Umland, vários voluntários estrangeiros estavam nos batalhões. “Algumas pessoas vieram pra cá por motivos ideológicos, principalmente neonazistas. Outros viram na busca de uma aventura”.

Nos treinamentos promovidos por Sara, são proibidos fotos e vídeos e é exigido roupa adequada para um treinamento físico de combate. Em um vídeo ela diz: “Muita gente achando que aqui é colônia de férias, achando que vai chegar aqui ficar de perna pra cima fazendo live, fazendo selfie. Se você quiser vir pra isso, não venha, não coloque teu nome na lista, não faça caravana. Aqui é treinamento. A gente exige treinamento, disciplina, ordem, patriotismo”. Ela diz que, além dos treinamentos “com especialistas em revolução não violenta, táticas de guerra de informação”, há “palestras sobre a atual situação política, econômica e social do Brasil”. Através de uma vaquinha virtual, o grupo arrecadou mais de 60 mil reais para financiar os encontros que estão acontecendo em meio à pandemia de coronavírus, que já matou mais de 25 mil pessoas no Brasil. O grupo obviamente se opõe às medidas de isolamento, seguindo as determinações de seu líder maior Bolsonaro.

Em entrevista à reportagem, a socióloga Sabrina Fernandes diz: “O que preocupa em relação aos 300 é seu possível caráter paramilitar, especialmente se consideramos a relação do bolsonarismo com milícias e as próprias Forças Armadas. O risco é de que esse grupo consiga inflamar com mais intensidade essa base leal bolsonarista, o que pode levar a um acirramento do conflito e a uma aplicação prática do ideário fascista que já compõe a estrutura ideológica do bolsonarismo.”

No grupo oficial dos “300 do Brasil” no Telegram está descrito: “Junte-se a nós. Seja parte do exército que vai exterminar a esquerda e a corrupção.” Desire Queiroz defende o uso dessas palavras. “Isso faz parte do discurso, temos o direito de nos expressar. Queremos exterminar a esquerda com argumentos.” Ela argumenta também que todas as ações dos “300 do Brasil” são não-violentas, que o grupo defende a democracia e nega que se trata de um movimento fascista. Porém Sabrina Fernandes lembra: “Ao contrário dos comunistas que se afirmam comunistas, é estratégico para fascistas negarem serem fascistas dependendo do contexto. Uma vez que eles se declaram abertamente fascistas, isso legitima ações, organizações e frentes antifascistas. O conceito de democracia é esvaziado há tempos e para eles constitui uma noção bastante particular do que é o povo brasileiro, representada pela ideia do ‘cidadão de bem’. Nessa concepção, a democracia é um espaço de poder para este tipo de cidadão, o que evoca um ideário nacionalista específico também que pode ser associado a um programa fascista.”

Na esteira das semelhanças estéticas, a pesquisadora Carina Book chama a atenção para uma foto do “300 do Brasil” em que Sara Winter aparece com outros militantes, usando uma máscara de caveira. A máscara, que também é vendida no Brasil, é muito popular na Europa e nos Estados Unidos entre neonazistas. “A máscara de caveira virou uma estética universal fascista”, escreve o jornalista Jake Hanrahan no Twitter. A rede terrorista neonazista Atomwaffen Division usa exatamente a mesma máscara em seus vídeos de propaganda.Organização neonazista Atomwaffen Division. De acordo com pesquisadores, há semelhanças entre o movimento liderado por Sara Winter e grupos fascistas europeusDe acordo com pesquisadores, há semelhanças entre o movimento liderado por Sara Winter e grupos fascistas europeus

 

Uma trajetória de muitas coincidências


Sara Fernanda Giromini sempre negou publicamente qualquer relação com grupos neonazistas e fascistas mas sua trajetória, assim como a de seu novo grupo, é cheia de coincidências com esses movimentos. Natural de São Carlos, cidade do interior de São Paulo, Sara aderiu ao codinome Winter quando fundou célula do movimento ucraniano Femen no Brasil em 2012. O nome, Sara Winter, é homônimo ao de uma socialite britânica que foi espiã de Hitler e membro da União Britânica de Fascistas, mas a Sara brasileira nega a relação e diz que o nome foi inspirado em uma cantora. O Femen em si é um movimento polêmico, adepto do “sextremismo”, que visa chamar a atenção da mídia e da sociedade para alguns temas com mulheres protestando seminuas. Sara ganhou muita atenção da mídia na época porém sua atuação sempre foi vista com desconfiança por algumas vertentes do movimento feminista. Alegava-se, entre outras coisas, que era um movimento muito vertical, sem referência, com processo de seleção, além de ser difícil adaptar as pautas da Ucrânia no Brasil, já que são países com realidades tão diferentes e complexas.

Sara Winter fundou o movimento Femen no Brasil

 

Em entrevista ao site Opera Mundi em 2012, Bruna Themis, ex-integrante do Femen Brasil e parceira de Sara, contou porque decidiu deixar a organização em poucos meses. Entre os motivos ela destacou a falta de propostas e embasamento teórico: “O Femen não tem proposta, isso eu posso afirmar. Elas não gostam nem de ler as críticas nos jornais ao movimento. Eu sempre lia e queria saber o porquê de falarem isso ou aquilo. Quando fui detida, uma das meninas me empurrou porque queria aparecer na câmera. É engraçado e triste. (…) O Femen não é um movimento feminista. Ninguém lá sabe o que é feminismo. Eu sugeri que a gente buscasse vínculos com outros coletivos ou outros grupos feministas, mas a Sara recusou”.

Bruna também contou que as diretrizes vindas da matriz ucraniana era a de que apenas mulheres dentro do padrão de beleza estabelecido por elas pudessem participar e que a célula brasileira teria sido criticada por colocar “meninas gordinhas nos protestos”. Por fim, disse que saiu porque Sara Winter era autoritária e simpática ao nazismo: “A Sara disse que admira Hitler como pessoa, que ele foi um bom marido, que amava os animais, mas que não admira o Hitler público”, afirmou.

Na entrevista ao Opera Mundi, outra informação chama a atenção. Bruna comenta que o Femen da Ucrânia pouco sabia sobre a célula brasileira e vice-versa e que Sara havia ido a Kiev por sua própria conta. Mas no filme “A Vida de Sara”, um documentário biográfico produzido pela plataforma Lumine, apelidada de “Netflix conservadora”, Sara Winter diz que a organização mandou dinheiro para que ela fosse para a Ucrânia passar por um treinamento. Financiada ou não pela organização, Sara conta que passou por um treinamento “muito hardcore”, quase “um exército”. Recentemente ela voltou a dizer nas redes sociais que passou por treinamento na Ucrânia e que iria replicá-lo no Brasil. Procurado, o Femen Ucrânia disse que responderia a entrevista porém até o fechamento da reportagem não houve resposta. Vale lembrar que a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que hoje processa Sara Winter por calúnia e difamação, também participou de um protesto do Femen em 2012, como mostra este vídeo.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP, à direita), em manifestação do grupo Femen, em São Paulo, no dia 29 de dezembro de 2012

O filme foi produzido Matheus Bazzo, que exerceu a mesma função no documentário sobre a vida e a obra de Olavo de Carvalho, “O Jardim das Aflições”. Matheus também é um dos fundadores da plataforma conservadora, que se propõe a trazer séries e programas “para quem entende a importância da verdade, da beleza e da bondade nas produções artísticas” segundo o site Estudos Nacionais. No filme de Sara não há qualquer menção a patrocinadores. No entanto, logo nas primeiras cenas, a militante aparece passeando com seu filho em uma loja da Havan e em certo momento, ele toca o sino da loja, evidenciando o logotipo ao fundo.


Em 2013, a organização ucraniana desligou Sara e declarou publicamente que não tinha mais representantes no Brasil. “Gostaria de dizer algo que imagino seja novo para vocês. Não temos mais Femen Brasil. A pessoa que nos representava, Sara Winter, e que tem sua própria conta no Facebook, o Femen Brasil, não faz parte do nosso grupo. Tivemos muitos problemas com ela. Ela não está pronta para ser líder. É uma pena, mas essa decisão faz parte do nosso crescimento como movimento honesto. O Femen Brasil não nos representa”, disse na época ao jornal Zero Hora uma das fundadoras do movimento original, a ucraniana Alexandra Shevchenko.

Diretor documentário “A Vida de Sara” também produziu documentário sobre Olavo de Carvalho

No filme, Sara conta que que já se prostituiu e dá detalhes de um terrível estupro que teria sofrido. Também aparece atirando e manipulando armas de fogo, cuidando do filho, fala sobre um aborto que teria realizado e sobre como tudo isso a levou a se tornar uma “anti-feminista” católica. Mas ela já tinha uma trajetória controversa antes disso. Em sua página no Facebook, na mesma época em que fazia protestos pelo Femen, ela dizia que admirava Plínio Salgado, o movimento skinhead e algumas personalidades conservadoras, como Ronald Reagan. Antes ainda, entrevistava bandas neonazistas e aparecia em fotos de shows dessas bandas. Além disso, tinha uma tatuagem no ombro de uma cruz de ferro, símbolo germânico que se tornou popular durante o regime nazista e era a principal condecoração de guerra. Sara diz que a tatuagem é uma homenagem aos “cavaleiros templários da idade média”, mas a pesquisadora alemã Carina Book confirma que é a cruz de ferro.

A partir de 2015, Sara passa a se declarar publicamente uma militante conservadora de direita, anti-feminista, anti-aborto, pró-vida e religiosa. Em 2016, aparece em um vídeo ao lado de Bolsonaro se dizendo “curada” do feminismo. No mesmo ano, se acorrentou no Largo da Carioca no Rio de Janeiro, dizendo que faria greve de fome contra a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar legal um caso de aborto até os três meses de gravidez. O ato virou piada nas redes sociais por ter durado poucas horas.

E se hoje ela diz que quer derrubar o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM/RJ), em 2018 foi candidata a deputada federal por seu partido mas não conseguiu votos suficientes.

Sara Winter é apoiadora do governo Bolsonaro

 

Como militante conservadora de extrema direita, Sara coleciona no currículo um “Congresso Anti-Feminista”, fotos com fetos de borracha e palestras dadas em igrejas pelo Brasil. O grupo dos “300 do Brasil”, segundo ela, foi uma ideia de Olavo de Carvalho, a quem tem como guru. Entre os entusiastas do “300 do Brasil”, estão a deputada Bia Kicis (sem partido), o jornalista do Terça Livre Allan dos Santos – ambos investigados no inquérito das Fake News – e seu (autodeclarado) ex-psiquiatra, Ítalo Marsilli, que também é discípulo de Olavo de Carvalho e já declarou em um de seus vídeos que mulheres não deveriam votar pois são fáceis de seduzir: “Na democracia grega, a única do mundo que funcionou, não estava previsto o voto feminino. Quando o voto passa ser pleno, ou seja, mulheres e todo mundo pode votar, a gente vê que tem uma crise na regência do Estado. É muito fácil você convencer mulher de votar, é só você seduzi-la”.

A vida de Sara Winter, 27 anos, é cheia de mudanças radicais, que acontecem repentinamente e com muitas coincidências. Como ocorreu nesta manhã quando, antecipando que poderia ser presa por ter ameaçado o ministro Alexandre de Moraes, Sara Winter publicou uma hashtag pedindo sua libertação: #SaraLivre.

 

 

15
Jun20

Por que a Ucrânia, onde Sara Winter diz ter sido treinada, fascina bolsonaristas?

Talis Andrade

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por Letícia Mori
Da BBC News

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Presa na manhã desta segunda-feira (15/06), a militante bolsonarista Sara Winter já disse, com orgulho, ter sido "treinada na Ucrânia".

Apesar de nunca ter deixado claro quando este treinamento teria ocorrido, ou por quem teria sido instruída, a ativista estava ecoando um tema que aparece frequentemente em discursos e postagens de rede social da militância favorável ao presidente Jair Bolsonaro: o fascínio pela Ucrânia e até por grupos extremistas do país do leste europeu.

Em redes sociais e discursos feitos durante protestos, Winter e outros ativistas da direita brasileira falavam em "ucranizar o Brasil" e a bandeira ucraniana foi adotada como "adereço" ao lado dos nomes de usuários em plataformas como o Twitter.

Mas, afinal, como a Ucrânia se tornou esse objeto de fascínio para o bolsonarismo?

 

O contexto político


Parte da explicação, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, tem relação com o histórico recente de radicalização e rupturas políticas na Ucrânia.

A Ucrânia é um vasto país do leste europeu, com uma grande fronteira com a Rússia e uma relação histórica conturbada com o vizinho.

Russos e ucranianos eram um povo só até o século 9, explica o professor de história da USP Angelo Segrillo, especialista em história da Rússia. Ao longo dos séculos, a região da Ucrânia ficou retalhada entre diversos impérios: foi dominado inclusive pelo Império Russo, e no século 20 fez parte da União Soviética."A Ucrânia se tornou um Estado independente nos anos 1992, com o fim da URSS", explica Segrilo.

Na história recente, o país foi palco de violentos confrontos em 2014, primeiro entre nacionalistas e o governo pró-Rússia, e depois entre separatistas e um novo governo nacionalista.

As desavenças internas começaram em dezembro de 2013, com intensas manifestações pelo país quando o então presidente, Viktor Yanukovych, sob pressão do presidente russo, Vladmir Putin, anunciou que não assinaria um acordo com a União Europeia, que poderia, no futuro, levar à entrada do país no bloco.

Os manifestantes pró-Europa chegaram a ocupar prédios do governo e entrar em confrontos com forças de segurança, com um saldo de dezenas de mortos e milhares de feridos. Em meio ao clima de insurgência popular pelo país, presidente pró-Rússia foi derrubado. O Parlamento votou por uma eleição adiantada, e o candidato pró-europa Petro Poroshenko venceu em primeiro turno.

"Houve um processo de ruptura com o sistema político nacional", explica Odilon Caldeira Neto, professor de história contemporânea da Universidade Federal de Juiz de Fora. "Esse momento de insurgência e instabilidade do país potencializou a organização e o fortalecimento de grupos de extrema-direita nacionalista", explica Caldeira.

"Isso não quer dizer que o processo que ocorreu na Ucrânia tenha sido um processo neofascista, mas que o momento de radicalização da agenda política do país permitiu que grupos mais radicais se aproximassem do mainstream."

Após o colapso do governo pró-Rússia, a Crimeia, que tem uma grande população de origem russa, declarou formalmente "independência" e desejo de se juntar à Federação Russa (nome oficial da Rússia). Após um referendo não reconhecido pelo governo ucraniano, o país vizinho enviou tropas e rapidamente assumiu o controle da Crimeia, anexando a região à Rússia.

Conflitos separatistas surgiram em outras regiões, com milícias de homens armados apoiando os separatistas pró-Rússia ocupando prédios do governo ucraniano. Militares russos assumiram envolvimento com as milícias, mas o país nunca admitiu formalmente a interferência no vizinho. "Houve uma mistura de tropas ucranianas pró-Rússia e uma infiltração de soldados russos", explica Segrillo.
Em 2015 o governo conseguiu negociar um cessar-fogo, com condições como a saída de combatentes estrangeiros do território ucraniano, mas as regiões insurgentes não foram retomadas. E a Criméia continuou anexada à Rússia.

 

'Ucranizar o Brasil'


Mas o que isso tudo tem a ver com o Brasil? E porque falar da Ucrânia, quando grupos nacionalistas estão ganhando força em diversos lugares do mundo?

Segundo Caldeira Neto, que também é membro do Observatório da Extrema Direita‏, a Ucrânia é tomada como exemplo pela direita brasileira pela forma como extrema-direita conseguiu se organizar e agir no país.

"Há dois entendimentos possíveis, um mais amplo, que faz referência à esse momento de ruptura com o status quo político", diz Caldeira Neto. "Há outras leituras mais particulares, mais associadas aos grupos neofacistas, cuja referência não está necessariamente nessa ruptura, mas em um desejo de reprodução de ideias, táticas e estratégias usadas no país europeu."

"É uma dinâmica de buscar experiências que deram certo para a direita fora do Brasil, e caso da Ucrânia teve um impacto midiático muito forte", diz ele.

Além dos ativistas, o discurso também chegou a bolsonaristas no Congresso, como o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

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Daniel Silveira e Rodrigo Amorim quebram placa de Marielle Franco


Embora figuras como Silveira falem de forma enigmática quando fazem referência ao assunto em redes sociais, a ligação da frase com os episódios de 2014 na Ucrânia é abertamente explicado em blogs, podcasts e grupos bolsonaristas.

Quando fala em "ucranizar o Brasil", a direita brasileira está fazendo referência direta aos episódios em que grupos armados invadiram prédios do governo no país europeu.

"Há vários exemplos de ações de desobediência civil nos últimos cem anos, mas talvez o mais interessante de comparar com nossa situação seja o protesto do povo ucraniano nos 93 dias do inverno entre 2013 e 2014 que ficou conhecido como Euromaidan e levou à renúncia do presidente Viktor Yanukovych", diz um texto com o título "O Dever de Ucranizar", no site de direita Vida Destra, do advogado Fábio Talhari.

 

Sara Winter e os radicais

Antes de se tornar bolsonarista, Sara fez parte por alguns meses do grupo feminista Femen, de origem ucraniana, do qual também foi expulsa, segundo disse na época uma das dirigentes do movimento, Alexandra Shevchenko. Na época, ela foi presa mais de 20 vezes e viajou sozinha para a Ucrânia.

Mas Sara Winter não é a única militante de direita radical brasileira ligada a nacionalistas ucranianos.

Uma investigação da polícia civil do Rio Grande do Sul iniciada em 2017 encontrou laços entre grupos radicais brasileiros e extremistas ucranianos.

A investigação descobriu que brasileiros estavam sendo recrutados para lutar contra rebeldes pró-Rússia na Ucrânia — se de fato os extremistas brasileiros chegaram a adquirir experiência de combate no exterior, no entanto, não é claro. O delegado Paulo César Jardim diz à BBC News Brasil que não pode dar mais informações sobre a investigação, que continua em andamento.


Nostalgia nacionalista

Um dos fatores que causa mais polêmica envolvendo as referências à Ucrânia é justamente o fato de que muitas delas são vistas como associadas ao neonazismo, segundo Caldeira e a antropóloga Adriana Dias, uma das principais especialistas em neonazismo do Brasil.

Um exemplo é o caso de uma bandeira que apareceu em diversos dos protestos a favor do presidente Bolsonaro em São Paulo.

A presença de uma bandeira vermelho e negra com um brasão em forma de tridente, símbolo tradicional da Ucrânia, chamou atenção por ser associada a a grupos extremistas do país europeu.

A bandeira é associada ao partido e grupo paramilitar de extrema-direita Pravy Sektor, ultranacionalista.

Os relatos sobre o símbolo na imprensa levaram a Embaixada da Ucrânia e emitir nota dizendo que "para milhões de ucranianos... a bandeira rubro-negra simboliza a nossa terra e o sangue de nossos heróis derramado por Liberdade, Independência e Soberania da Ucrânia".

A representação ucraniana enfatiza que seu uso "não tem nada a ver com o movimento neonazista".

Ainda segundo a Embaixada, "a bandeira histórica e o brasão da Ucrânia" foram usados desde o século 16 "por cossacos ucranianos nas lutas contra invasores estrangeiros, e por isso, durante o século passado e no começo do século 21, virou o símbolo de luta dos ucranianos contra ocupação, chovinismo e imperialismo russos".

Estudiosos de ideologias de extrema direita, no entanto, explicam que, embora sejam símbolos nacionais na origem, eles foram apropriados por grupos neonazistas e têm hoje esse significado internacionalmente. "Podem negar, mas isso não muda a simbologia. É um absurdo achar que esse símbolo seja neutro", diz Adriana Dias. "O uso disso por brasileiros é para ser visto com grande preocupação."

Segrillo explica que durante a Segunda Guerra Mundial houve um movimento de um grupo ucraniano que, para se libertar da União Soviética, se aliou ao nazismo. E é esse grupo que é lembrado com nostalgia hoje por grupos ultranacionalistas, diz Adriana Dias

"O Pravy Sektor, especificamente, mas na Ucrânia em geral hoje, está havendo uma relembrança das pessoas que lutaram ao lado de Hitler, portanto contra os judeus, negros e gays, por uma superioridade étnica", explica Adriana Dias. "Hitler, quando tomou a Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial, viu que podia contar com certas forças nacionalistas na Ucrânia."

Esses grupos colaboracionistas que são relembrados com nostalgia pela extrema-direita ucraniana. "É um tipo de nacionalismo que esteve muito presente no fascismo, no nazismo, no franquismo, baseado nesse ideário de uma grande nação."

"Embora a cooperação internacional de grupos nacionalistas não seja ampla, até por conta de sua natureza, a circulação dessas ideias acontece internacionalmente", explica Caldeira Neto.

"São ideias políticas que circulam, os intelectuais leem as obras uns dos outros e tentam adaptar as ideias, as táticas e estratégias para o Brasil", explica.

Ao importar esse símbolo para o Brasil, diz a antropóloga Adriana Dias, grupos de direita nacionais querem trazer a ideia de que há um só Brasil a ser construído, um só povo brasileiro. "Estão tentando recriar esse modelo nacionalista", diz ela, e veem com admiração a experiência recente da direita ucraniana nesse sentido.

Esse ideal de uma só nação, afirma Dias, "é uma negação de toda etnicidade brasileira, quando na verdade nossa riqueza está na nossa diversidade", diz ela. Dias cita como exemplo a fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, em uma reunião ministerial, onde ele falou que "odeia a expressão povos indígenas" e "quilombolas", pois "todos são povo brasileiro".

Dias afirma que no Brasil, especificamente, há uma tendência de grupos se importarem com neonazismo de outros lugares.

"Nos Estados Unidos você não vê muitos grupos de nacionalismo de outros lugares. Você não vê nazismo dos Estados Unidos na Rússia. Mas alguns lugares, como o Brasil e na América Latina em geral, importam símbolos neonazistas", diz ela.

"Nós importamos símbolos de neonazismo russo, ucraniano, estadunidense, espanhol, inglês. Eu costumo brincar que até o neonazismo brasileiro é miscigenado", diz ela.


Símbolos e negação

Um dos militantes que levaram o símbolo aos protestos, por exemplo, disse ao jornal Folha de S.Paulo que não tinha "nada de nazista" no símbolo.

"É uma bandeira antiga, usada desde o século 16. O preto simboliza a terra ucraniana, que é muito fértil, e o vermelho é o sangue dos heróis. Não tem nada de nazista", disse Alex Silva ao jornal. Silva diz morar no país Europeu desde 2014, onde trabalha em uma academia de tiro e táticas militares.

Adriana Dias afirma que a apropriação de símbolos nacionais tradicionais é comum em grupos de direita nacionalistas — e faz um paralelo entre o uso que a direita ucraniana faz de símbolos ucranianos tradicionais e o uso da bandeira do Brasil pela direita brasileira.

"A direita no mundo tem feito isso, de usar os símbolos da nação como se fossem dela", diz. "A ditadura militar já fazia isso."

O uso de símbolos nazistas — e depois a negação da referência — já aconteceu até dentro do governo brasileiro, lembra.

Em janeiro, o então secretário da Cultura, Roberto Alvim, fez um discurso com as mesmas palavras de uma fala de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda na Alemanha nazista. Depois Alvim negou a referência, que incluía som do compositor favorito de Hitler ao fundo. Alvim acabou demitido e substituído por Regina Duarte, que também deixou o cargo no mês passado.

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro citou nas redes sociais uma frase do ditador fascista Benito Mussolini, chamando-o de "o velho italiano".

"O governo joga as referências ao vento, sai distribuindo símbolos a torto e a direito, e depois basta que ele negue. Ele sempre nega. Essa estrutura é uma estratégia da direita que é muito parecida com a usada pelo Steve Bannon (ex-estrategista político de Trump)", afirma Dias.

"Você lê o livro do Bannon e ele fala que você tem que jogar muitos símbolos, para confundir as pessoas, e depois negar tudo. E continuar criando essa confusão para as pessoas não verem o que está acontecendo", diz.

 

 

31
Mai20

Zambelli a Moro: "você não estava à venda porque já estava vendido"

Talis Andrade

 

O 'Jornal Nacional' propagou a conversa de Sergio Moro com a deputada Carla Zabelli. Ou melhor, parte da conversa vazada por Moro.

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Depois da conversa divulgada pela TV Globo, Zambelli (PSL-SP) chamou o ex-ministro de "vendido":

"Prezado, vc acha justo o que estão fazendo com cidadãos comuns? Com jornalistas? Esse era você o tempo todo? Meu Deus, como pode alguém se esconder por tanto tempo e tão bem? Liberdade, democracia.... nada disso vale pra você? Você não estava à venda, pq JÁ ESTAVA VENDIDO", escreveu a deputada, que chamou Moro para ser padrinho de casamento quando os dois eram próximos.

 

28
Mai20

Inquérito contra fake news abala Carluxo

Talis Andrade

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por Altamiro Borges

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Batizado de pitbull pelo “paizão” presidente, Carlos Bolsonaro – ou Carluxo para os mais íntimos – deve estar miando. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal realizou na quarta-feira (27) várias operações no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura os crimes das fake news. 

Ao todo, foram 29 mandados de busca e apreensão que podem revelar como funciona e quem financia a fábrica de mentiras e o chamado "gabinete do ódio", que é liderado pelo vereador Carluxo Bolsonaro.

A relatora da CPMI das fake news, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), já solicitou que o STF compartilhe as provas colhidas. “Teremos agora novos elementos que ajudarão a desmontar essa rede de ódio, inverdades e impunidade que vem ameaçando a própria existência da democracia". 

Em dezembro, uma bolsonarista arrependida, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), já havia revelado à CPMI das fake news que os filhotes de Bolsonaro comandavam a ação criminosa nas redes sociais. Agora, com as apreensões da Polícia Federal, as provas contra os mimados filhotes do presidente poderão vir à tona.

Além disso, as provas colhidas no inquérito do STF ainda poderão influenciar o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisa supostos crimes cometidos na campanha de Jair Bolsonaro em 2018. “Elas podem colocar em dúvida a lisura do escrutínio”, explica Eugênio Aragão, advogado do PT no caso. 

Alexandre de Moraes já ordenou a quebra de sigilo bancário e fiscal dos empresários bolsonaristas que financiaram a difusão de fake news entre julho de 2018 e abril de 2020. A investigação do período de campanha eleitoral pode revelar o esquema milionário e criminoso que elegeu o fascista Jair Bolsonaro.

Os empresários investigados no inquérito

- Luciano Hang. O patético e espalhafatoso dono da rede de lojas Havan é hoje um dos bolsonaristas mais ativos do país. Ele é amigo íntimo do presidente, que inclusive já lhe prestou alguns favores palacianos. No caso específico das fake news, o “véio da Havan” aparece em várias postagens com suas roupas ridículas e suas postagens de ódio. Ele tem cerca de 4,5 milhões de seguidores nas redes sociais. 

Recentemente, através do portal transparência do Facebook, descobriu-se que ele aumentou a propagação de convocatórias para os atos que aconteceram em Brasília em 15 de março contra o Congresso Nacional e STF. A operação de busca e apreensão contra o empresário fascista se deu em sua casa e escritório em Brusque, Santa Catarina.

- Edgard Corona. Dono da milionária rede de academias Smart Fit, o fascistinha trocou mensagens nas redes sociais confessando que pretendia impulsionar vídeos no Facebook contra o Congresso Nacional e em defesa do laranjal de Bolsonaro. Em fevereiro, a Folha revelou algumas mensagens que sugerem que o empresário financiou as redes bolsonaristas de fake news. A operação da PF foi realizada em sua mansão em São Paulo. 

- Otávio Fakhoury. O investidor Otávio Fakhoury virou alvo das operações por ter declarado, em um grupo de WhatsApp, que financiaria caminhões de som nas manifestações fascistas de 15 de março. “Não vou deixar esses canalhas derrubarem esse governo”, afirmou na ocasião o prepotente ricaço. A operação de busca e apreensão foi realizada em sua casa e escritório em São Paulo.

Os difusores de ódio e de fake news

- Allan dos Santos. O blogueiro aloprado edita o site Terça Livre, um dos mais hidrófobos da internet. Na fase recente, o principal alvo de suas baixarias tem sido o STF. No início de maio, por exemplo, ele postou uma foto em frente ao prédio do Supremo apontando o dedo do meio. “Não podia deixar de dar minha opinião sobre quem rasga a Constituição”, escreveu na legenda. Em janeiro, Allan do Santos foi intimado para depor no inquérito, mas não compareceu. “Enquanto esse inquérito infantil continuar, nada que provenha dele terá minha submissão”, esbravejou o valentão no Twitter.

- Bernardo Küster. O youtuber baba ódio nas redes sociais. Em abril, ele divulgou em seu canal do YouTube uma teoria da conspiração que afirmava que o STF estaria aparelhado pelo Foro São Paulo, uma organização que reúne partidos de esquerda da América Latina. No vídeo, o maluco jurou que a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal seria a prova da ligação dos ministros do STF com o Foro São Paulo. Ele também afirmou que o Supremo estaria escondendo os mandantes da facada em Bolsonaro. 

- Sara Winter. A ativista Sara Geromini é a líder do grupo terrorista “300 do Brasil” que está acampado em Brasília desde o início de maio. O Ministério Público do Distrito Federal já classificou o grupelho de “milícia armada”. Através das redes sociais, a provocadora Sara Winter prega a realização de atos de vandalismo contra o presidente da Câmara Federal e os ministros do STF. 

Após a operação de busca e apreensão em seu apartamento em Brasília, a fascistinha desafiou Alexandre de Moraes em vídeo na internet: “Eu queria trocar soco com esse filho da puta arrombado... Pena que ele mora em São Paulo. Se estivesse aqui, eu estava lá na porta da casa dele, convidando ele para trocar soco comigo... Você me aguarde, Alexandre de Moraes. O senhor nunca mais vai ter paz na vida. A gente vai infernizar a tua vida. A gente vai descobrir os lugares que o senhor frequenta. A gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida, até o senhor pedir para sair”.

Os parlamentares bolsonaristas

- Bia Kicis. A procuradora aposentada e deputada federal pelo PSL do Distrito Federal é uma fascista convicta. Pelas redes sociais, ela vive atacando os pilares da democracia e sugerindo intervenção militar. Na segunda-feira (25), por exemplo, ela acusou o ministro Celso de Mello de ter “um plano para abalar a confiança” dos eleitores de Bolsonaro. Não apresentou qualquer prova – como geralmente ela procede. 

- Carla Zambelli. A deputada federal pelo PSL de São Paulo é hoje uma das principais estafetas de Bolsonaro. Ela até rompeu com seu padrinho de casamento, Sergio Moro. Recentemente, afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan que “acredita” que Alexandre de Moraes tem ligação com o PCC – mas não apresentou qualquer evidência. 

- Cabo Junio Amaral. O deputado federal pelo PSL de Minas Gerais tem participado dos atos fascistas pelo fechamento do Congresso e do STF. Ao saber que seu nome aparecia no inquérito, ele ainda provocou nesta quarta-feira (27): “Repudio com veemência essa clara ilegalidade. Com a ‘credibilidade’ que eles [o Supremo] gozam, vão me promover e mais nada”, disparou no Twitter.

- Daniel Silveira. O deputado federal pelo PSL do Rio de Janeiro ficou famoso ao quebrar a placa da vereadora assassinada Marielle Franco. Pelo Twitter, ele vive disparando notícias falsas e convocando atos contra a democracia. No final de abril, por exemplo, ele participou de protesto em Brasília contra Rodrigo Maia.

- Douglas Garcia. O deputado estadual pelo PSL de São Paulo impulsionou convocatórias para atos fascistas. Pelo Facebook, um assessor do parlamentar confirmou que pagou para aumentar a propagação das mensagens. Em um vídeo, o deputado também aparece berrando e xingando os ministros do STF. Outro deputado estadual do PSL-SP que está arrolado no inquérito é o provocador Gil Diniz.

- Filipe Barros. O deputado federal pelo PSL do Paraná adora destilar veneno nas redes contra os ministros do Supremo. Ele também já se referiu a alguns membros do Ministério Público Federal como gângsteres.

- Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Deputado federal pelo PSL de São Paulo e descendente dos imperadores Pedro 1º e Pedro 2º, o monarquista detesta a democracia. 

- Roberto Jefferson. O ex-deputado federal e atual presidente do PTB, famoso corrupto que só saiu da cadeia por benevolência da Justiça, virou um bolsonarista convicto. Na verdade, é um velhaco oportunista. Portando fuzil em foto no Twitter, ele agora resolveu atacar o STF. Em entrevista recente à Rádio Gaúcha, ele afirmou que o Supremo estaria arquitetando um golpe contra Bolsonaro. E rosnou: “A toga não é mais forte que o fuzil”.

 

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