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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Set19

Justiça para o Lula, Justiça para o Brasil

Talis Andrade

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Rebelión (versão em espanhol aqui)
 
 

O ano mais injusto no país de todas as injustiças. No país que foi o mais injusto do mundo e deixou de sê-lo com ele, o Lula é vítima da maior das injustiças que se pode cometer com alguém: condená-lo e prendê-lo sem provas. Condená-lo a seguir na prisão, quando o povo queria que estivesse presidindo agora a reconstrução do país, o reencontro do Brasil com aquele país que o Lula tinha deixado, com 87% de apoio dos brasileiros.

Quem os brasileiros queriam que estivesse na presidência do país, está preso e condenado sem provas. A mais prolongada e profunda crise da história brasileira desembocou nas eleições do ano passado, com a presidenta reeleita pelo voto popular deposta por um golpe, com quem liderou todas as pesquisas para ser eleito presidente do Brasil preso sem provas, com um candidato vinculado a milícias, colocado na presidência do país, por meios ilícitos e imorais.

De país mais injusto socialmente, nos tornarmos o país mais injusto politicamente. Tivessem sido eleitos Lula ou Haddad, o país estaria sendo reconstruído, com um plano de ação de quem já mostrou que pode retomar o desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Com um governo com bases sólidas de apoio, com bancada parlamentar coesa, com equipe de governo competente.

A direita preferiu ter um aventureiro, ligado a milícias, sem equipe de governo, sem projeto de governo, como presidente, para evitar um governo popular. Com isso garantiria a manutenção do modelo econômico neoliberal, em que os bancos ganham tudo às custas do país e do povo. Preferiu a política econômica mais injusta e mais antidemocrática, para preservar seus superlucros. Não importam as imbecilidades que diga o tipo e seus filhos, contanto que o Guedes garanta o modelo econômico.

O Brasil não merece essa catástrofe, não merece que o patrimônio público construído seja dilapidado. Não merece que os direitos que os trabalhadores conquistaram ao longo de décadas com suas lutas, sejam liquidados. Não merece que retrocedam brutalmente os direitos sociais que se haviam estendido a todos os brasileiros.

Lula não merece passar pelo que está passando há um ano. Não merece ser privado do contato direto com o povo, com os militantes, com os movimentos populares, com o PT e com a esquerda. Não merece ser privado de falar diretamente ao povo, de estar diretamente com o povo, ouvi-lo, conversar com ele. Privado de ser eleito de novo presidente do Brasil, privado de reconstruir o país, de projetar de novo o seu prestígio pelo mundo afora como estadista sem igual.

O preço que o Brasil e o Lula pagam é o de haver desafiado o poder do grande capital, dos monopólios da mídia privada, de haver provado que a alavanca fundamental do crescimento econômico é a distribuição de renda, que a exclusão social pode ser combatida e superada. E está provado que o Brasil pode ser um país de prestígio no mundo, que seus presidentes podem ser estadistas, podem falar de igual para igual com todos os dirigentes políticos do mundo, podem mostrar que há caminhos democráticos de superação do neoliberalismo, de combate à fome e à desigualdade.

Lula e o Brasil pagam um preço caro por isso. O país foi entregue na mão de bandidos e de ladrões, de milícias, de trogloditas, que fazem tudo para desfazer o que foi construído, para desmoralizar a imagem do Brasil no mundo, para liquidar o que havia de Estado de direito e de democracia. Querem desanimar e desalentar os que acreditam que um Brasil diferente é possível, os que creem que Lula vai conquistar sua liberdade e voltará a dirigir o povo brasileira na reinstauração da democracia e dos direitos de todos.

O Brasil viveu o ano mais injusto da sua história, seu governo está agora na mão de milicianos, de militares que não tem nenhum compromisso com o Brasil, de personagens grotescos, que usam o nome do país para difundir sandices e expor a imagem do país ao ridículo.

A justiça que se deve ao Lula e ao Brasil é a luta maior que temos hoje. Lula Livre é condição indispensável para a reconquista da democracia e da liberdade, do crescimento econômico e da distribuição de renda, do prestígio do país e do orgulho de sermos brasileiros.

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20
Ago19

Fotógrafo registra a Amazônia sendo destruída pela sede de lucro capitalista

Talis Andrade

Fotógrafo: Araquém Alcântara

O governo Bolsonaro vem de inúmeras maneiras tentando calar os Institutos como o INPE, para que não se haja dados científicos sobre o desmatamento e a destruição da Amazônia através de queimadas. Esta mesma estratégia, Bolsonaro adotou em relação aos dados socioeconômicos ao reduzir também as perguntas do IBGE. Nesta matéria, trouxemos algumas fotografias de Araquém Alcântara, tiradas na Amazônia, demonstrando o aumento desastrosa da destruição deste ecossistema, tão importante para todo o globo. O site oficial do fotógrafo pode ser acessado aqui.

Com o Ministro Ricardo Salles, que é condenado em caso de liberar licenças ambientais no Estado de São Paulo, Bolsonaro dá o recado para o agronegócio, para o garimpo, para os latifundiários recorrentemente pegos em práticas de trabalho escravo em suas lavouras: "pode queimar tudo!"


Recentemente, Alemanha e Noruega vieram tentando disputar quem iria ser o grande beneficiado com a riqueza representada na Amazônia. Os países europeus, depois de destruírem todas as suas reservas, estão de olho nas nossas. Grande demagogia, já que a Noruega tem nada menos que a terceira maior empresa petroleira no país - a Statoil, beneficiada com o saqueio e o desmonte da Petrobrás. Enquanto a Alemanha, por sua vez, é grande utilizadora da energia nuclear em suas usinas produtoras de energia elétrica.


Somente quem pode dar à Amazônia e ao meio-ambiente em geral, o tratamento que merece, não tratando seus recursos como fonte de lucro, é a classe trabalhadora. A mesma classe que é tratada, aliás, como uma mercadoria tão barata quanto as árvores derrubadas pelos desmatadores, que tem seus direitos escamoteados com a reforma da previdência e mais uma nova reforma trabalhista. Os mesmos, vítimas dos vazamentos das barragens da Vale, da expropriação de terras em proveito do agronegócio, do saqueio das riquezas nacionais, são os que podem dar um planejamento racional para que estes recursos sirvam à população e não à sede de lucro de um punhado de capitalistas. [In Esquerda Diário]

26
Mar19

Guerra da mídia com a milícia pode ser a antessala do Brasil distópico

Talis Andrade

Talvez a mídia não esteja levando em conta que o império está com as milícias

 

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Por Gabriel Rocha Gaspar*
 
A mídia liberal declarou guerra ao bolsonarismo com a cobertura da prisão dos assassinos da Marielle. E é uma guerra que a mídia dificilmente tem condições de ganhar.
 
Essa cobertura pode decretar o fim da mídia como conhecemos e pavimentar o caminho de um estado policialesco fascista de verdade. Uma guerra aberta Mídia x Milícias será feia de ver. E talvez a mídia não esteja levando em conta que o império está com as milícias. Não existe mais império liberal. Se a Globo, por exemplo, conta com uma aura de liberalismo vindo ao resgate, vai dar ruim.
 
 
Os Estados Unidos não têm qualquer compromisso com democracia em colônia e sempre se colocaram ao lado de milícias. Foi assim na Nicarágua, na Colômbia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia. Vai ser assim na Venezuela. E se o passado condena, a perspectiva de futuro do complexo industrial militar é ainda mais assustadora.
 
No final de 2016, o Intercept vazou um vídeo interno do Pentágono, que fazia um prognóstico da guerra do futuro. Neste vídeo, países em desenvolvimento – e obviamente ricos em recursos naturais, como Brasil, Venezuela, Angola, Congo etc. – aparecem como Estados falidos pós-institucionais (tipo a Líbia), onde gangues e milícias oferecem as únicas oportunidades de emprego e estabelecem à força regras básicas de controle social. [Já acontece no Brasil**]
 
 
As guerras locais acontecem por conta das desavenças e da própria estrutura extra-institucional destes grupos. E as guerras internacionais são operações de ocupação, o que  escancara sua intencionalidade extrativista. Serão provavelmente assaltos militares constantes aos recursos, mirando a manutenção do fluxo de exportação do sul para o norte em meio ao caos.
 
 
É guerra constante, amparada por drones e armamentos robóticos autônomos – o que, por si só, prevê a obsolescência do direito internacional e de organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas. Basicamente, o que o império antecipa para o futuro – cuja inexorabilidade faz questão de deixar clara, com o uso cínico da máxima thatcheriana “there is no alternative” (não há alternativa) – é capitalismo cru, sem qualquer máscara ideológica.
 
 
Quanto mais desorganizado o Estado subalterno, melhor o funcionamento deste nível de exploração. Basta ver a quantidade de Estados que foi absolutamente destruída pelo império nos últimos anos. Alguém no norte perdeu dinheiro? Só quem já não tinha.
 
 
É uma perspectiva de futuro que escancara o quão desimportantes para o centro do capitalismo são escândalos regionais, infrações de direitos humanos e outras bobagens. Escândalo regional dá trabalho do ponto de vista simbólico, mas o caos facilita o extrativismo – o que é fundamental num cenário de escassez sistêmica de recursos.
 
 
Este panorama de reorganização do capitalismo em sua fase distópica deixa poucas esperanças para postulados liberais como a pluralidade midiática. Aliás, as velhas instituições liberais não são sequer tratadas como algo digno de conservação pela face publicitária da distopia. Donald Trump, por exemplo, chama o conjunto da imprensa de “fábrica de fake news”; Bolsonaro ganhou a eleição com o mesmo discurso.
 
Por isso, nesta guerra com a milícia, a balança não é tão favorável aos conglomerados midiáticos quanto parece ser. Até porque, vale lembrar que esta briga parece ter sido instigada pelo lado miliciano: o fato do Jair Bolsonaro ter ameaçado jornalista na véspera da prisão dos suspeitos (em um tuíte que, por sinal, tem a cara do mentor do neofascismo, Steve Bannon) pode bem ter sido uma isca, que a imprensa mordeu. Em 140 caracteres, Bolsonaro atiçou os ânimos para a mídia bater com força total e criar um cenário de animosidade que bem pode aprofundar o ódio de que se alimenta o fascismo.
 
 
Ao invés de assimilar a ofensiva midiática a um iminente desmoronamento do governo Bolsonaro, se empolgar com as capas da Veja e da Istoé ou com a ampla cobertura da Globo News aproximando o assassinato de Marielle do Planalto, a esquerda deveria olhar para cima. As bases do fascismo não estão abaixo da administração, estão acima. Mesmo que o presidente tenha sido respaldado pelo voto, a estrutrura do fascismo é aristocrática e não democrática.
 
 
Talvez essa declaração de guerra seja a deixa que se esperava pro descortinamento de um governo de fato autoritário e a destruição completa das instituições liberais. A tendência é de derrota do liberalismo tupiniquim, porque ele é uma entidade de fachada em um mundo que não precisa mais de máscara. Hoje, o capitalismo não tem nenhuma necessidade de fingir humanismo.
 
 
Para quem acha que milícia não é suficientemente sofisticada para capitanear esta trama, é preciso atentar para o fato de que a questão fundamental não é o nível de organização das milícias, mas de oposição global a essa perspectiva distópica de imperialismo, que vem se consolidando pelo mundo em uma velocidade extraordinária.
 
 
Temos que olhar de perto a reação do governo e de seus asseclas formais e informais a essa cobertura. E, ao mesmo tempo, analisar as ações e reações do judiciário no processo, tanto em questões processuais quanto de narrativa. E, sobretudo, devemos fazer a mais profunda e decidida oposição a uma invasão armada da Venezuela, que configuraria a consolidação deste projeto distópico em um país vizinho, cercado por dois Estados reacionários com forte presença miliciana (Colômbia e Brasil).
 
 
O momento é volátil. E a esquerda, como campo político, tem que se preparar para o pior cenário possível.
 
 
Vídeo do Pentágono:
 
 

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*Gabriel Rocha Gaspar é jornalista e mestre em literatura pela Sorbonne Nouvelle
**Informa o sociólogo José Cláudio Alves: A estrutura política e econômica das milícias no Rio de Janeiro hoje começa a ganhar vários outros contornos, que não eram perceptíveis e que agora se manifestam. Vou dar alguns exemplos. Um deles é em Itaboraí, uma cidade metropolitana do Rio de Janeiro, onde está sendo construído o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj, cujas obras do governo federal estavam paradas e foram retomadas recentemente. Várias empresas terceirizadas estão atuando na construção da obra e a milícia está controlando quem vai trabalhar nessas empresas. Isso já é um passo à frente em relação à atuação das milícias anteriormente: a milícia detecta onde o capital está se manifestando — nesse caso é um capital público em parceria com empresas privadas — e, ao ficar a par da situação, manipula essa informação e passa a controlar de forma violenta o acesso a esse emprego, cobrando taxas e valores das pessoas que querem trabalhar nessas empresas. Assim esses empregados terão que repassar parte dos seus salários para os milicianos. Essa é uma novidade nesse campo no Rio de Janeiro. [A Lava Jato investiga os negócios da Petrobras, e faz vista grossa para o Pré-Sal e para a atuação da milícia na Comperj e para o furto milionário dos dutos da Petrobras.E deu as bênçãos para as negociatas de Pedro Parente no passado (privataria de FHC) e no presente (governo Michel Temer). Tudo bem pago, enriquecida que foi pelo desvio de 2,5 bilhões desviados da Petrobras, mais as milionárias multas cobradas dos delatores mais do que beneficiados, pela legalização dos bens adquiridos, pelo lava mais branco da lava jato, e pelo bem maior da conquista da liberdade com o nome limpo no fisco, na justiça e outras praças] 
 
14
Fev19

Muito se debate se há ou não ameaça de fascismo no Brasil. As considerações de Gramsci, Brecht, Debord e outros autores sobre o conceito podem dar diretrizes ao debate

Talis Andrade

Notas sobre o fascismo

 

 

I. Contribuições de Gramsci, Nelson Werneck Sodré e Umberto Eco (apud Espaço Literário Marcel Prousthttp://proust.net.br/blog/?p=1451)

Segundo Gramsci, o fascismo se caracteriza pela leviandade, irresponsabilidade, desonestidade, ganância e vileza política.

A primeira liberdade que o fascismo combate é a liberdade de organização e dos movimentos dos trabalhadores urbanos e rurais, dos pobres; em seguida, ou concomitantemente, a liberdade de expressão.

O fascismo arrasta atrás de si um bando de inconscientes, aventureiros e delinquentes.

Para Nelson Werneck Sodré, eles são adeptos do capitalismo mais agressivo, que se define pelo desprezo absoluto pelas leis escritas, leis morais, pela pessoa humana e pelas conquistas da civilização e da cultura.

Para Umberto Eco, o fascismo sempre odeia a cultura. A suspeita em relação ao mundo cultural sempre foi um sintoma do fascismo.

Integram a essência do fascismo a xenofobia, a misoginia, a homofobia e as piores demonstrações de racismo.

 

II. BRECHT e a luta contra o fascismo. Excertos e sugestões (in KUHN, Tom & GILES, Steve, eds. Brecht on Art & Politics. London: Bloomsbury Methuen Drama, 2015)

1) Quando se fala o tempo todo que alguém sem conhecimento nem educação é melhor que alguém bem informado, é preciso perguntar: melhor para quem?

2) É preciso coragem para dizer que os bons foram derrotados porque eram fracos e não porque eram bons.

3) A ambiguidade caracteriza o falso. A verdade que se opõe à mentira tem que ser prática, factual, inegável e ir ao coração da matéria. A verdade tem que tornar as pessoas capazes de influir sobre os acontecimentos.

4) O fascismo é forma mais crua, mais descarada, mais opressiva e fraudulenta do capitalismo. Não se pode levar a sério quem denuncia as brutalidades do fascismo mas não combate o capitalismo. Estes não são são contra as relações de produção que produzem a barbárie, apenas são contra a barbárie.

5) Fascismo não é uma catástrofe natural. É preciso tratar de verdades práticas, produzir conhecimento sobre como evitar uma catástrofe (inclusive a natural) e mostrar que se pode resistir mesmo nas condições mais terríveis.

6) É preciso escrever a verdade e dirigi-la a quem é capaz de fazer uso dela. A verdade é guerreira. Ela não luta só contra a falsidade, mas também contra as pessoas que disseminam a falsidade.

7) É preciso saber usar as palavras. Seguir o exemplo de Confúcio, que em lugar de escrever “fulano foi morto”, escreveu “fulano foi assassinado” e, em lugar de escrever “o tirano foi morto”, escreveu “o tirano foi executado”. Outros mestres da tática de Confúcio: Thomas More, Jonathan Swift, Voltaire, Lenin e Lucrécio.

É preciso retirar o misticismo preguiçoso das palavras. Chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome.

8) A propaganda a favor do pensamento é sempre útil para a causa dos oprimidos. O pensamento é desqualificado em regimes que servem à exploração. Tudo o que é útil aos oprimidos é desqualificado. Sob governos fascistas, pensar é desqualificado como ordinário.

9) Um modo de pensar que dá ênfase ao transitório é um bom meio de encorajar os oprimidos. O pensamento deve dar destaque às contradições e ao modo como elas se desenvolvem.

10) Governos que não querem ver exposto o seu papel na produção da miséria falam muito em destino.

11) Sem identificar a verdade básica do nosso tempo, nenhuma verdade importante pode ser encontrada. A grande verdade do nosso tempo é que estamos mergulhados na barbárie porque as relações de produção só podem se manter pela violência.

Temos que dizer quais as medidas a tomar para acabar com as condições de produção da barbárie. E dizê-lo aos que têm interesse em mudar as relações de produção: os trabalhadores e os que podem se aliar a eles porque também não são proprietários dos meios de produção, mesmo que se beneficiem dos lucros.

A verdade há de ser uma arma nas mãos certas e tem que ser divulgada com astúcia para não cair em mãos inimigas.

Fascismo é a ditadura terrorista e aberta dos elementos mais reacionários, nacionalistas e imperialistas do capital financeiro.

12) Aos que dizem que o fascismo emergiu como falha da educação, é preciso lembrar que os fascistas também acham que a educação foi negligenciada. E eles acreditam em sua capacidade de influenciar corações e mentes. Combinam a brutalidade das suas câmaras de tortura com a brutalidade das escolas, jornais e demais espaços de propaganda.

13) O fascismo primeiro atacou os trabalhadores e suas organizações. Só depois começou o ataque à cultura.

14) É impossível combater o fascismo e preservar o capitalismo. Isto significaria reconduzir o capitalismo a uma posição mais frágil que ele já abandonou por considerá-la insustentável. Abandonou a forma liberal-nervosa sujeita às “chantagens” do proletariado e tenta enfrentar a sua crise na mais descarada e brutal forma de Estado. Rapidamente toda a burguesia vai entender que o fascismo é a melhor forma de Estado para o capitalismo da nossa época, assim como o liberalismo foi na anterior.

15) O mais perigoso, o único inimigo real do fascismo, como ele mesmo sabe e declara aos quatro ventos, é o comunismo. Agora a questão não é saber se o comunismo tem força para enfrentar o fascismo, mas sim fortalecê-lo.

16) A classe dominante é tão racional que só usa a razão em escala estritamente necessária e liberta as bestas do irracionalismo de modo racional e metódico.

17) Para o capital, guerra é um negócio como outro qualquer, mesmo quando é perdida.

18) A socialdemocracia sacrifica a nação para salvar os negócios, mesmo quando todo mundo sabe que, quando a nação é sacrificada, os negócios também são. A socialdemocracia não tem visão de futuro nas questões internas nem nas externas. Ela não divulga os ideais socialistas e não implementa o programa socialista. Depois não entende por que a pequena burguesia e o proletariado aderem ao fascismo!

19) Socialismo não é distribuição de mercadorias, mas distribuição da produção. A produção tem que se expandir, ser planejada, liberta da necessidade de extorquir mais-valia e produzir lucro. O único adversário do programa fascista é o socialista. Mas a socialdemocracia propaga o medo do comunismo e, com ele, o medo do socialismo. Para combater o fascismo, os socialdemocratas precisam fazer o exato oposto do que fazem.

20) Nós, artistas de teatro, temos que convir que nos tempos que correm continuar vivo já é uma arte. O teatro pode contribuir para a arte de continuar vivo aprendendo com o inimigo: assim como o inimigo usa técnicas teatrais com objetivos não artísticos, nós também não teremos objetivos artísticos.

O teatro pode apresentar aos espectadores a chave para examinar os problemas sociais.

 

III. Contribuição de Guy Débord (A sociedade do espetáculo)

Por mais que seja adepto da mais conservadora ideologia burguesa, em si mesmo o fascismo não é fundamentalmente ideológico. Ele é arcaizante em seu recurso ao mito para organizar a comunidade definida por pseudo-valores arcaicos. O fascismo é arcaísmo tecnicamente equipado e constitui um dos fatores do espetáculo moderno, a começar pelo papel essencial que desempenha na destruição do movimento operário.

 

09
Jan19

O discurso de Paulo Guedes estremece as bases do frágil governo Bolsonaro

Talis Andrade

"Os Três Poderes pagam

os mais altos salários,

para o povo, nada"

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por Helio Fernandes

 

O presidente, menos de 10 dias da posse, é obrigado a reconhecer que manda muito menos do que imaginava. É contestado de todos os lados, negado, contestado e desmentido por escalões inferiores. Tudo por culpa dele mesmo. Começou com o discurso de posse de Paulo Guedes. Super ministro, quis se afirmar logo na entrada em cena, no começo do espetáculo.

Fez um discurso tão claramente afirmativo, que até eu tive que elogiar. Principalmente a realidade da desigualdade, que ele definiu, esclareceu e prometeu eliminar. Textual: "Os Três Poderes pagam os mais altos salários, para o povo, nada". E concluiu: "Mas isso será eliminado". Bolsonaro logo demonstrou seu desagrado, e deixou que soubessem.

Uma hora depois, Guedes também soube, publiquei. Paulo Guedes, acintosamente encerrou as atividades do dia, foi pra casa. Instalou-se a barafunda e a confusão. O mais atemorizado era o próprio Bolsonaro.

Começou então o festival Wagner do confirma-desmente. Bolsonaro recorreu ao general Augusto Heleno, conselheiro que ouve, pedindo sua intervenção, “darei todas as explicações".

O Chefe do Gabinete Institucional optou pela confirmação, "isso acontece em todo inicio de governo, é muita coisa". Comunicou ao presidente, que respondeu, "vou fazer a minha parte”. E fez, durante a posse dos ministros escolhidos por Guedes, presente.

Afirmação recuo do presidente, que o ministro recebeu com um aberto sorriso. Textual de Bolsonaro, olhando para ele: "Conheço um pouco de política. Mas você conhece mais, muito mais do que eu de economia".

Desceu da tribuna, abraçou demoradamente seu super ministro.

PS- Depois disso cometeu tais descalabros verbais, que teve que ser corrigido e desmentido por escalões inferiores, "que não perdoaram", desbarataram "o mito".

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20
Nov18

A cor mais presente, a carne mais barata

Talis Andrade

 

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por Gabriel Santos

Pois, apesar de ser negro
Não sou escravo
– Juan de Merida (Peles Negras Máscaras Brancas)

 

O racismo na sociedade brasileira se encontra nas mais diversas áreas. No mercado de trabalho a diferença entre negros e não negros é mais nítida. São os negros e as negras que ocupam os postos de trabalho mais precários e de maior rotatividade, que recebem os menores salários, e que estão mais sujeitos ao emprego informal e ao desemprego.

 

De acordo com IBGE, dois em cada três desempregados no país são negros ou pardos. Ao todo somos 63,7% dos que estão sem renda. Entre os ambulantes, 67% são negros, e a cada 4 pessoas negras, uma exerce esta função. Os negros também são maioria entre os trabalhadores domésticos e os que atuam por conta própria, com 66% e 55% respectivamente. Estes dados mostram o que todos já sabemos, os negros são maioria entre os trabalhadores menos remunerados.

 

A diferença salarial também é gritante. Os trabalhadores negros recebem em média R$ 1.513, enquanto os trabalhadores brancos ganham R$ 2.757. Ou seja, os negros recebem 56% menos dos que os brancos. A diferença salarial entre as mulheres negras e os homens brancos chega a 65%.

 

Durante os anos do governo do PT houve uma mudança no mercado de trabalho. Entre 2003 e 2015, o rendimento salarial dos trabalhadores negros cresceu 52%, enquanto a renda dos de pele branca foi menor, 25%. Porém, como tudo que envolve os treze anos de governo petista, esse crescimento também foi contraditório. Muitas das vagas de emprego criadas foram em locais de trabalho precários.

 

A terceirização, por exemplo, durante os governos do PT, saltou de 4 milhões para 12 milhões de trabalhadores contratados por meio deste regime jurídico. Os terceirizados são 25% da força de trabalho legalizada no país.

 

O fato das mudanças não seres estruturais fez com que o governo Temer, em sua busca de aumentar a taxa de lucro das empresas beneficiando os empresários, pudesse destruir os avanços conquistados.

 

A reforma trabalhista aprovada durante o governo Temer vai atacar em primeira linha os trabalhadores negros. Aos trabalhadores negros o capital entregou os postos de trabalho com menor inserção aos direitos trabalhistas e previdenciários. Com as reformas que foram aprovadas, a dificuldade para a reivindicação de direitos básicos se tornara muito mais difícil. Assim como os postos de trabalho que já eram precários, vão ficar ainda mais problemáticos.

 

O governo Bolsonaro, o seu neoliberalismo e as promessas de destruição de direitos sociais e trabalhistas irão atingir primeiramente e prioritariamente os trabalhadores negros. Os trabalhos precários irão se alastrar, assim como a terceirização, isto significa que o conjunto da classe trabalhadora irá cada vez ser mais explorada para que a burguesia brasileira e internacional aumente suas taxas de lucros com a extração direita de mais valia. Os trabalhadores negros, que já tem uma situação de extrema exploração, irão ter sua situação ainda mais intensificada.

 

A resposta organizada da classe trabalhadora não pode deixar de buscar ampliar as lutas para além dos trabalhadores sindicalizados, visto a pouca porcentagem destes no amplo efetivo da classe trabalhadora brasileira. Assim como começar um diálogo com a ampla parcela dos desempregados, dos terceirizados e do precariado. O diálogo por meio da atuação em bairros populares pode ser uma alternativa para a esquerda radical conseguir se organizar e construir um projeto de lutas e resistência diante das ameaças que estão colocadas.

LEIA MAIS

Consciência Negra e novas resistências perante a eleição de um presidente racista no Brasil

 

 
23
Set18

No Brasil, jovens são mais vulneráveis ao suicídio

Talis Andrade

 

Conforme boletim do Ministério da Saúde, essa é quarta maior causa de morte entre os jovens

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Um boletim do Ministério da Saúde traz uma triste notícia: em 2016, o Brasil registrou 11433 suicídios. Com isso, a taxa fica em 5,8 casos por 100 mil habitantes, 18% mais que em 2007, quando essa taxa era de 4,9. Esses dados podem ser ainda 20% maior devido a subnotificação.

 

De 2007 a 2017 foram 153.745 tentativas de suicídio, sendo 76% eram mulheres abaixo dos 40 anos. Este grupo também é onde a taxa de suicídio em indivíduos mãos novos é maior, como em crianças e adolescentes de 10 a 15 anos. Nos homens a maioria das tentativas foi em homens de 50 a 65 anos.

Ver também: A depressão como fenômeno social no capitalismo

Dentre os jovens de 15 a 29 anos, o quadro é ainda pior: o suicídio é quarta principal causa de mortes. Isso é mais um retrato do capitalismo que nos atinge apenas no meio material, mas também no subjetivo. Com a crise capitalista, a juventude é pega em cheio, sendo o grupo mais afetado pelo desemprego. Junto a isso, muitos jovens que entram na faculdade tem de conviver com as pressões acadêmicas somadas as pressões financeiras para se manter seus estudos. Não apenas no assassinato que cometem contra juventude periférica todo dia através da guerra as drogas, o capitalismo também ceifa a vida de milhares de jovens todos os anos, que não encontram outra saída a não ser tirar a própria vida.

Ver mais: A que ponto chegamos?

 

09
Ago18

Días decisivos en Brasil: Lula y el PT presentaron su programa de gobierno

Talis Andrade

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por Juraima Almeida

 


Todo indica, por ahora, que el 7 de octubre habrá elecciones presidenciales en Brasil; el 15 de agosto vence la fecha para presentar las candidaturas; Luis Inácio “Lula” da Silva, es el candidato con mayor intención de voto pero está preso desde el 7 de abril, en cumplimiento de una condena que tiene una pena de 12 años emanada de un Tribunal de Segunda Instancia, por los delitos no probados de corrupción y lavado de dinero.

 

Hay varias alternativas posibles de aquí a octubre: Una: Que la candidatura de Lula sea aceptada por el Tribunal Electoral cuando se presente el 15 de agosto. Si se diera esa condición adquieren mucha importancia las encuestas que indican que Lula encabeza la intención de voto con un 30%, seguido por el candidato ultraconservador Jair Bolsonaro con 21,8%, y la ambientalista Marina Silva les sigue con el 9,2%.


Dos, que la candidatura de Lula no sea admitida, dado que la Justicia Electoral no acepta candidaturas de personas condenadas en segunda instancia. Para ese supuesto las intenciones de voto están a favor de Bolsonaro con el 23,6%, le sigue Silva con el 14,4% y Ciro Gomes, del socialdemócrata Partido Democrático Laborista, con el 10,7%.


Tres: Que el Partido de los Trabajadores (PT) cambie su decisión y presente una candidatura avalada por Lula. En ese caso, no hay datos disponibles en las encuestas y sondeos. Y cuarto: Que la situación derive en apelaciones, impugnaciones y conflictos de poderes que vuelva inestable la situación e impreciso o imposible de ejecutar el resultado que las urnas indiquen… y los militares tomen el poder.


Mientras, La Corte Penal Internacional (CPI) de La Haya, hizo una declaración la última semana considerando al expresidente Lula como un preso político y exigiendo la inmediata libertad del mismo por sufrir una persecución política.

 

El Partido de los Trabajadores (PT) lanzó el sábado 4, en San Pablo, la candidatura de Luiz Inacio Lula da Silva a la presidencia de Brasil, para “transformar a la nación sudamericana en un mejor lugar para vivir”. Lula está preso en Curitiba desde el 7 de abril, luego de que el juez Moro lo condenara a nueve años y seis meses de prisión por la causa Lava Jato.


Mientras tanto, la imagen del presidente de facto, Michel Temer,que destituyó a través de un golpe parlamentario a Dilma Rousseff sigue en picada. Esta encuesta reflejó que un 82 por ciento de los encuestados considera que su gobierno es “muy malo o pésimo”, mientras que apenas un tres por ciento piensa que es “óptimo o bueno”.


Por otro lado, La Corte Suprema de Brasil anunció esta semana que revisará en los próximos días el recurso de amparo presentado por los abogados del expresidente antes del 15 de agosto, fecha en que vence el plazo para inscribir las candidaturas a las elecciones presidenciales. El magistrado Edson Fachin fue designado esta semana para formar parte del Tribunal Superior Electoral (TSE) y además de estar encargado de revisar el recurso evaluará la documentación relativa a la presentación de las candidaturas de los otros postulantes. El magistrado pidió por redes sociales,”celeridad” en el caso de Lula.


El presidente del TSE, Luiz Fux, quien volvió a señalar la intención de la Justicia para evitar la participación de Lula en la elección. Fux declaró que habría una “inelegibilidad” evidente en la candidatura de Lula. La más reciente muestra de solidaridad que recibió Lula es la bendición del papa Francisco transmitida ayer por el ex canciller Celso Amorín.

 

Constituyente, la propuesta de Lula y el PT

 

El Partido de los Trabajadores (PT) de Brasil presentó el sábado 4 el plan de Gobierno de Lula (2019-2022) al pueblo brasileño, en el que un proceso constituyente libre, democrático, soberano, unicameral, fruto de un intenso debate sobre el futuro de la nación. Dividido en ocho ejes, el nuevo programa de Gobierno pretende superar los problemas de inversión pública causados por el presidente de facto Michel Temer, tales como la inflación, el desempleo y el aumento de la pobreza extrema.


El plan propone un impuesto sobre la renta justo, insiste en objetivo de promover la soberanía nacional y popular, reanudar la política exterior activa, centrándose en la integración y el diálogo multilateral, promover la democracia, el pluralismo y la diversidad y profundizar la democracia y empoderar la ciudadanía, activándola a través de los dispositivos existentes en la Constitución, tales como el plebiscitos y referendo.


Asimismo, propone la promoción y la afirmación de los derechos de los ciudadanos fue unos de los puntos afectados con el golpe de Estados producido contra Dilma Rousseff, y señala que el próximo Gobierno se concentrará en la democracia y los derechos humanos como interdependientes con la lucha contra la criminalización de los movimientos sociales.


Asimismo se compromete con políticas centralizadas en la mujeres y la promoción de la igualdad racial, así como el derecho de los jóvenes, la población de Lesbianas, Gays , Transexuales y Intersexuales (Lgbti), niños , la tercera edad, personas con discapacidades, pueblos originarios, el campo y las aguas.


Señala que se buscará la defensa y la promoción de los derechos a la comunicación de la sociedad, que las comunicaciones sean libres de control de los gobernantes y los grupos económicos, asegurando de esta manera la libertad de prensa, el pluralismo y el acceso a fuentes diversificadas e independientes de información. E insiste en fortalecer la importancia de la universalización de la Banda Ancha, la consolidación del Marco Civil de Internet, el fortalecimiento de medios comunitarios y la desconcentración de las inversiones publicitarias estatales.

 

Sobre los derechos sociales, indica que el Pueblo más pobre volverá a ser prioridad a través de la reanudación de la ampliación del acceso a los derechos sociales con un nuevo modelo de gestión pública y delegación de recursos financieros para estados y municipios, que considere sus limitaciones institucionales, con el regreso de la educación y la salud pública, y poniendo como prioridad superar la pobreza extrema.


El PT promocionará una economía de bajo impacto ambiental y alto valor agregado, que garantice el derecho a la alimentación sana, al agua y al saneamiento, además de la producción de alimentos saludables, con reducción de agrotóxicos. También promete la promoción de la reforma agraria y los derechos humanos en el campo. En materia de educación se priorizará la educación media, derogando la reforma implantada por el gobierno de facto.


Lucha de clases disfrazada de religiosa


No es sólo en Brasil sino en toda América latina, la tendencia general de esta fase dominada por el gran capital financiero es la restricción de la democracia, el aumento de la represión, el auge del racismo y el odio de las clases dominantes a los dominados que, debido a las migraciones internas e intrarregionales, se diferencian cada vez más de sus opresores por sus características étnicas o religiosas.


La mayoría de los ricos son blancos y miembros de las Iglesias dominadoras tradicionales (anglicanos, católicos, judíos) mientras en los sectores plebeyos hay blancos pobres pero la mayoría son indígenas, mestizos o negros que pertenecen a minorías religiosas o no creen en dioses. La lucha de clases aparece, por lo tanto, disfrazada de una oposición entre religiones y entre etnias y esa barrera ideológica puede aparecer ante todos como más importante que la división en clases, señala el analista Guillermo Almeyra.

 

Añade que un vasto sector capitalista teme en Brasil la recesión y la corrupción crecientes y comprobó la peligrosa impopularidad de Temer y del sistema capitalista. La prensa más reaccionaria toma ya abiertamente distancias del gobierno y no cree en la continuidad de la línea dura y represiva de la derecha tradicional o de la ultraderecha evangelista-fascista del candidato Jair Borsonaro. Aumentan así las condiciones necesarias para un golpe militar dentro del golpe parlamentario de Temer porque las diversas fracciones burguesas no pueden concretar un pacto y, en cambio, comienzan a temer un peligro de izquierda.


Para Almeyra, otra opción posible para los capitalistas brasileños sería la repetición de la salida mexicana de la crisis política cooptando una fuerza popular y de masas (el PT) pero con la garantía de que Lula mantenga una posición mucho más conservadora y limitada que la de López Obrador, una opción que parecen manejar en el Departamento de Estado y del Pentágono estadounidense en la urgencia de evitar el crecimiento de una radicalización que se expresó ya en el entierro masivo de Marielle Franco, concejal asesinada de Rio de Janeiro, favelada, lesbiana, mulata…

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*Investigadora brasileña, analista asociada al Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE, www.estrategia.la)

 

01
Ago18

CANDIDATO DEFENSOR DO GOLPE DE 1964 É CONTRA AS COTAS E NÃO DIFERE DE ALCKMIN NA QUESTÃO ECONÔMICA

Talis Andrade

 

crise terrorismo financeiro econômico indignados.

 

por MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND 
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Quem assistiu a entrevista do capitão da reserva do Exército e candidato à Presidência Jair Bolsonaro confirmou que ele não passa de uma afronta ao povo brasileiro. Disse tantas barbaridades que se fossem todas apresentadas não caberiam neste espaço. Entre outras asneiras culpou os próprios negros pela escravidão e afirmou ainda que os portugueses não foram à África.
 
 
Ao defender o regime sanguinário de 1964 assinalou que não houve golpe de estado feito pelos militares com apoio empresarial e voltou a fazer a apologia do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, que morreu impune. As suas boçalidades sobre o tema não pararam aí e continuou no decorrer da entrevista a vomitar ódio.
 
 
Na verdade, Bolsonaro engana um público restrito, que passa por Janaina Pascoal e por militares saudosos daqueles tempos sombrios,  para não falar de pessoas desinformadas e que se deixam iludir por palavras totalmente idiotas.
 
 
Os entrevistadores e entrevistadoras não aproveitaram a oportunidade para demonstrar que o projeto econômico defendido pelo candidato extremista não tem diferenças com os demais postulantes, como, por exemplo, Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles. É preciso apontar que Bolsonaro, que admite desconhecer a economia, está impregnado do mesmo ideal que leva adiante Michel Temer e é defendido por Alckmin e Meirelles. E por mais que diga outras coisas não consegue enganar quem conhece o mínimo da atualidade, sem subterfúgios.
 
 
Ou seja, não adianta nada sair por aí condenando Bolsonaro como extremista, sem comentar que a sua proposta econômica, levada adiante por Paulo Guedes, é igual a dos políticos apoiadores do projeto executado pelo governo de Michel Temer, que ele votou no golpe e chegou até a elogiar o notório torturador Brilhante Ustra. O seu consultor econômico, Paulo Guedes, poderia ser perfeitamente consultor de Alckmin e dos demais seguidores do projeto. Essa é uma verdade que os analistas de sempre, com grande espaço na mídia comercial, preferem omitir. Seria querer muito que no Roda Viva esse tema viesse a ser desenvolvido.
 
 
Bolsonaro precisa ser combatido de todas as formas, não apenas pelas boçalidades que vomita a todo instante onde quer que se encontre. Ofendeu a comunidade negra em uma palestra proferida no clube Hebraica, para um público que defende as atrocidades do governo israelense contra os palestinos, capitaneado por Benyamin Netanyahu, que, por sinal, é sempre defendido pelo capitão da reserva e defensor incondicional da ditadura empresarial militar instalada a partir do golpe de abril de 1964. E agora, ainda por cima, repetiu barbaridades contra os negros.
 
 
No seu afã de defender o regime instalado em abril de 1964, Bolsonaro chegou ao cúmulo de afirmar que a derrubada do Presidente constitucional João Goulart   não foi um golpe. É mais do que lamentável que em pleno 2018 ainda encontre militares defensores dass mesmas idéias  proferidas pelo candidato presidencial.
 
 
A campanha eleitoral se aproxima. Espera-se que os eleitores tenham a oportunidade, sem manipulações, de conhecer com mais detalhes as propostas dos candidatos. Espera-se também que os grupos apoiadores do projeto que vem sendo executado por Temer não aprontem algo grave para impedir o julgamento popular de tudo que foi feito nos mais de dois anos deste governo. Trata-se de um perigo real, que ainda não pode ser descartado. É histórico, toda vez que golpistas temem perder fazem de tudo e muito mais para evitar a ascensão de setores  que não querem a continuidade do projeto do tipo que vem sendo executado pelo atual governo.
 
 
Por enquanto, os golpistas de 2016 estão contando com a manipulação da mídia comercial e até mesmo o impedimento da candidatura do postulante Luis Inácio Lula da Silva, que segue liderando as pesquisas por boa margem e tem denunciado tudo o que vem sendo feito por Temer, mas se isso não der certo para eles são capazes de inventar pretextos para não perder a condução do projeto que infelicita a maioria dos brasileiros.
 
 
Por isso e muito mais, todo cuidado é pouco, porque, se não, os golpistas são capazes de qualquer expediente para continuar levando adiante o projeto iniciado em 2016.
 
 
Em tempo, é muita hipocrisia os veículos midiáticos do esquema Globo se apresentarem como fiscalizadores das notícias falsas que circulam por aí, quando é notório que os veículos globais manipulam e não raramente apresentam informações deturpadas para favorecer aos seus interesses  políticos e econômicos.
 

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08
Jun18

Enfrentar a barbárie

Talis Andrade

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EDITORIAL LE MONDE
por Silvio Caccia Bava

Imagem por Claudius

 

A contradição maior é entre um capitalismo financeirizado, que busca maximizar seus lucros a qualquer custo, ignora as consequências sociais de suas práticas e promove a barbárie na vida em sociedade, e a defesa da qualidade de vida por parte de todos que vivem do próprio trabalho.

 

O governo Temer não mede consequências e impõe o aumento dos preços dos combustíveis acompanhando a evolução dos preços internacionais, buscando elevar a rentabilidade da Petrobras e das companhias internacionais que operam nesse setor à custa da sociedade brasileira.

 

É evidente que se trata de uma escolha entre aumentar os lucros desse setor empresarial e manter os preços controlados para não castigar as maiorias. A Petrobras não precisa seguir os preços internacionais; o Brasil tem petróleo suficiente para não depender dessas oscilações do mercado internacional, pode fazer sua própria política.

 

O impacto na sociedade dos aumentos sucessivos nos preços dos combustíveis é, hoje, a melhor expressão da lógica dos ataques que esse governo ilegítimo e o grande capital praticam contra o povo brasileiro. A emenda constitucional que congela por vinte anos os gastos públicos, a reforma trabalhista, a reforma da previdência e outras medidas que provocam o empobrecimento da população, o desemprego e o colapso das políticas públicas, tudo isso aumenta o fosso da desigualdade que envergonha o país.

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Imagem por Claudius

 

Vamos ser claros: são eles – esse governo e as grandes empresas – os responsáveis pela promoção da barbárie, do sofrimento das massas, do desespero de quem tem de garantir o prato de comida para sua família, de um sentimento coletivo de insegurança, da crescente insatisfação popular.

 

A aposta de que podem fazer tudo sem reação por parte dos que são espoliados, de todos aqueles que vivem do próprio trabalho, é uma aposta perigosa. A história nos mostra que as multidões se mobilizam não por razões ideológicas, mas para responder aos problemas concretos postos como um desafio para sua vida na sociedade. Não estão longe as mobilizações de 2013, cujo estopim foram os aumentos nas tarifas de transporte coletivo.

 

A contradição maior é entre um capitalismo financeirizado, que busca maximizar seus lucros a qualquer custo, ignora as consequências sociais de suas práticas e promove a barbárie na vida em sociedade, e a defesa da qualidade de vida por parte de todos que vivem do próprio trabalho.

 

A imposição pelo assim chamado “mercado” – isto é, pelos grandes grupos econômicos e financeiros que controlam o governo – de uma lógica devastadora na tentativa de colocar toda a vida social, em suas várias e múltiplas dimensões, a serviço da maximização de seus lucros submete a vida e a rotina da população pela coerção, uma vez que não há margem de negociação. É o que está acontecendo com os preços do petróleo, mas não é demais referir a sucessão recente de reintegrações de posse que afeta populações urbanas, quilombolas, ribeirinhos, indígenas. Feitas a ferro e a fogo, elas só levam à agudização dos conflitos, propiciando a articulação de distintos atores espoliados de seus direitos.

 

A disputa pela apropriação da riqueza produzida na sociedade, por parte dos trabalhadores, não se limita ao valor da remuneração do salário e da previdência, ainda que essas questões continuem centrais. Essa disputa envolve também, e cada vez mais, o que veio a se definir como o acesso a bens públicos comuns, isto é, a oferta pelo poder público, financiado com dinheiro dos impostos, de serviços e equipamentos que se tornaram indispensáveis para a vida moderna, especialmente para a vida nas cidades. Educação, saúde, transporte, moradia, saneamento básico, segurança, lazer, cultura e segurança alimentar são políticas públicas que se incluem na composição dos recursos que são indispensáveis para atender às necessidades das maiorias.

 

O princípio político da luta em defesa dos bens públicos comuns, enraizada nas preocupações cotidianas da existência concreta, articula inúmeras demandas específicas e dá sentido aos movimentos, às lutas e aos discursos que nos últimos anos se opuseram à racionalidade neoliberal em várias partes do mundo.1

 

As lutas atuais contra a universidade capitalista (nos Estados Unidos e no Chile), a favor do controle popular da distribuição de água (em Cochabamba e na retomada da gestão privada das águas pelos governos municipais em várias partes do mundo), os movimentos de ocupação de terras e imóveis urbanos, a ocupação das praças, as novas primaveras, todas essas manifestações são buscas coletivas de defesa dos bens comuns e de formas democráticas novas de expressão do povo.2

 

E é essa convergência de distintas lutas, contra a espoliação, o racismo, as discriminações de todo tipo e o colapso das políticas públicas, que dá a liga para a expressão conjunta. As mobilizações deixam de expressar interesses específicos e individuais e assumem reivindicações comuns, mudam de natureza, seus atores se convertem em atores políticos.

 

Em todo o mundo a ascensão de novos líderes de esquerda se dá pela defesa da qualidade de vida dos cidadãos e cidadãs. Eles partem de uma análise da realidade de degradação das políticas públicas e propõem aberta e publicamente que a riqueza produzida pela sociedade não vá mais para os banqueiros, mas seja redirecionada e investida na melhoria e criação dos bens públicos comuns, dos salários, de uma renda básica para todo cidadão e cidadã.

 

São tempos de ruptura, de recuperar a democracia e radicalizá-la. E para isso é preciso disputar as interpretações da realidade, enfrentar as narrativas que imobilizam, resgatar o sonho, as utopias, a coragem e o entusiasmo. Como disse uma militante dos direitos humanos do Recife, se não há democracia, não há espaço para apresentarmos nossas demandas…

 

1 Jean-Luc Mélenchon, L’Ère du peuple [A era do povo], Fayard/Pluriel, Paris, 2017.

2 Pierre Dardot e Christian Laval, Comum: ensaio sobre a revolução no século XXI, Boitempo, São Paulo, 2017.

 

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