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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Jun21

Andrea Barbosa, ex de Pazuello: “Na crise de oxigênio de Manaus ele disse que por ele só comprava saco preto”

Talis Andrade

 

por Dri Delorenzo /Revista Forum

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Para a dentista Andrea Barbosa este domingo (27) foi um dia muito pesado. Isso porque a coluna do jornalista Lauro Jardim publicou que ela havia procurado a CPI da Covid para prestar depoimento. Após a notícia, Andrea afirma ter recebido muitas ameaças e mensagens. No entanto, ela nega que tenha entrado em contato com a comissão, pelo contrário, diz que foi procurada por uma assessora. “Não quero minha vida exposta, não vou depor. Primeiro porque estou fragilizada, segundo, porque criaram um factoide de mim, da mulher vingativa e traída”, disse com exclusividade à Fórum.

Andrea tinha um relacionamento com Pazuello há 16 anos e tem uma filha de 13, mas desde agosto do ano passado está separada do general. Naquele mês, ela conta que recebeu prints de uma suposta jornalista, com fotos, que diziam que o ministro estava a traindo com a 1º tenente Laura Triba Appi, que é médica, e foi nomeada para o cargo de assessora da Secretaria-Executiva por Pazuello em maio do ano passado.

Segundo Andrea, na época ela se revoltou e postou tudo nas redes sociais. “Ele levou ela de Manaus, tenente do exército, e deu um cargo. Infectologista que acompanhava ele em todas as reuniões, e segundo os prints da jornalista que primeiro se colocou como fake, tinha uma relação com ele”, dispara. “Confirmo que ela é namorada dele, e além de receber pelo Exército recebe pelo cargo no ministério. E vai a todas as reuniões reverberando cloroquina e ivermectina.” Para Andrea, Laura divulgou mais o tratamento sem eficácia do que a própria médica Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”. “Tenho pena dessa moça, quer alavancar a carreira dela, com um velho gordo, misógino e abusivo, coitada.”

Segundo Andrea, após receber as fotos, ela foi questionar Pazuello e ouviu do ex-ministro que as pessoas iriam rir dela e foi chamada de “comunista e louca”. Andrea conta que sempre foi uma pessoa de esquerda. “Sou eleitora do Rio de Janeiro há 23 anos e sempre fui à esquerda, sempre votei no Freixo, conheci Marielle, tenho a placa dela em casa.”

De acordo com ela, Pazuello sempre fez “pouco caso”, brincava que a levaria para a Venezuela, até que surgiu Bolsonaro. “Ele me respeitava, até 2018. Daí comecei a ver o Eduardo muito arredio comigo, quando Bolsonaro se elegeu ele ficou extremamente reativo, não podia mais falar nada do Bolsonaro dentro de casa e a nossa relação já estava desgastada”, conta.

“Ele sempre soube de todo o meu posicionamento porque eu nunca escondi meu posicionamento político. Eu tinha uma vida normal, reservada e de repente o cara se torna ministro”, conta. “Desde sempre fui hostilizada naquele meio, por ser de esquerda, por todo mundo, mas nunca deixei meus posicionamentos serem invalidados e silenciados por ele.”

Sobre o post nas redes sociais onde ela diz que sofreu abusos, Andrea conta que eram abusos morais e de palavras. “Os abusos que me refiro são abusos verbais, psicológicos, morais”, comenta.

Andrea ainda falou sobre ameaças que a filha do ex-casal sofreu após ganhar um número de celular do pai. Ela expôs isso nas redes sociais.

“É pesado demais, minha vida pessoal tem sido um pesadelo. As pessoas fazem trocadilho com o nome dele, mas a minha vida vem sendo um pesadelo há um ano e meio.”

“Sei demais”

Andrea acredita que a CPI a procurou por causa dos prints de agosto do ano passado envolvendo Laura Appi, e porque numa das postagens ela dizia que “sabia demais”. Ela conta que ouviu “coisas bárbaras” na crise do oxigênio em Manaus, para onde ela se mudou maio do ano passado por causa do ex-marido, que em seguida foi assumir o ministério em Brasília. Entre as frases que ouviu, o ex-ministro teria dito: “Se fosse por mim comprava só saco preto”. “Minhas questões são pessoais, mas também são coletivas, vi o descaso com que ele tratou as pessoas”, afirma Andrea, que diz ser a favor da ciência.

Notícias relacionadas

 
13
Jun21

Com sigilos quebrados, vem aí a “Vaza Virus”

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

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Ainda que com todas as ressalvas impostas pelo Ministro Ricardo Levandowski sobre o sigilo em que devem ser mantidos os produtos da quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e, sobre tudo, telemático (mensagens em aplicativos de mensagens), daqui a alguns dias a opinião pública será bombardeada pelos mais esdrúxulos diálogos dos ex-ministros Ernesto Araújo, Eduardo Pazuello, do ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngartem e da médica Mayra Pinheiro, a secretária do Ministério da Saúde conhecida como “Capitã Cloroquina”.

Acessados por 11 titulares e sete suplentes, além de assessores da relatoria – senão também por outros auxiliares – é impossível que se mantenham em segredo os diálogos – deixo à imaginação dos leitores.

Esqueçam os “grampos”: este é o governo onde as indiscrições e abusos não se falam, escrevem-se no Zap.

Escrevem e, mais que ninguém, escreve o presidente da República, sobretudo àqueles que considera “seus”, como os dois ex-ministros.

O “um manda, o outro obedece”, provavelmente, ganhará outras versões explicitas e os casos de atirar no que se viu acertarão muito do não-visto.

É inevitável a “Vaza Vírus”.

Se até nos telegramas diplomáticos isso já está acontecendo, como o registro diplomático de que Benjamin Netanyahu, o primeiro ministro de Israel solicitava uma troca de apoios entre Brasil e Israel, um vez que ele via possibilidade de que Bolsonaro se enrolasse com o genocídio de indígenas no Tribunal Penal Internacional, imagine no “tamo junto” das mensagens de telefone.

Três ou quatro frases canhestras são o suficiente para manchetes e só não causarão constrangimento porque Jair Bolsonaro não se constrange com nada, ainda mais quando Arthur Lira, na presidência da Câmara não sai de cima de uma montanha de pedidos de impeachment que já tem quase a altura do Congresso.

Junte isso à inevitável elevação do número de mortes, porque voltarmos ao pico de pacientes em leitos de terapia intensiva torna inexorável que o número de mortes logo volte aos picos de abril e o segundo protesto nacional contra Bolsonaro, no próximo sábado, com todas as condições de ser maior do que o de 29 de maio.

Leitores apoiam impeachment para Bolsonaro - 27/01/2021 - Painel do Leitor  - Folha

10
Jun21

CPI quebra sigilo de Pazuello, Ernesto e membros do "gabinete paralelo"

Talis Andrade

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por DW

A CPI da Pandemia aprovou nesta quinta-feira (10/06) a quebra do sigilo telefônico e telemático dos ex-ministros Eduardo Pazuello, da Saúde, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e de outros alvos da investigação. Também foi autorizada a quebra do sigilo bancário e fiscal de quatro empresas.

A comissão no Senado atua desde 27 de abril e visa investigar ações e omissões do governo do presidente Jair Bolsonaro durante a gestão da pandemia de covid-19.

A transferência de sigilo telefônico e telemático dá aos senadores acesso, por exemplo, aos registros de conversas telefônicas, conversas por aplicativos de mensagens, históricos de pesquisas na internet e registros de locais visitados por meio de aplicativos de localização, como o Google Maps.

Entre os alvos da quebra de sigilo há uma série de pessoas ligadas ao Ministério da Saúde, como o ex-secretário executivo Élcio Franco, que atuava como número dois de Pazuello, e a secretária Mayra Pinheiro, conhecida como "capitã cloroquina". Ambos já prestaram depoimento à CPI.

A lista também inclui o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, e o ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo, que pediu exoneração do cargo no início desta semana após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que mira a alta cúpula do governo estadual por desvios na saúde durante a pandemia.

Outro nome do Amazonas é Francisco Ferreira Filho, que coordenou o comitê de crise do estado durante a catástrofe da falta de oxigênio hospitalar no início deste ano.

Também tiveram os sigilos telefônico e telemático quebrados pessoas ligadas ao suposto "gabinete paralelo", uma espécie de centro de aconselhamento para temas da pandemia à parte da estrutura do Ministério da Saúde. O grupo é suspeito de assessorar Bolsonaro de maneira extraoficial na tomada de decisões sobre a crise do coronavírus.

Entre os nomes relacionados ao gabinete estão o empresário bilionário Carlos Wizard e os médicos Luciano Dias Azevedo, defensor da cloroquina, e Paolo Zanotto.

Em reunião com Bolsonaro, Zanotto teria recomendado "tomar um extremo cuidado" com o uso de vacinas. Segundo senadores da CPI, o virologista também admitiu ter enviado uma carta a Arthur 

Weintraub, ex-assessor do presidente, sugerindo a formação de um "shadow cabinet" (gabinete das sombras) para orientar o Palácio do Planalto na pandemia.

Outro nome que teve a quebra de sigilo aprovada foi o auditor afastado do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa e Silva. Ele produziu um estudo paralelo afirmando que metade dos óbitos por covid-19 no Brasil não teria ocorrido. A informação falsa foi citada por Bolsonaro para minimizar o impacto do coronavírus. Depois, o presidente se desculpou por divulgar o dado incorreto.

Confira a lista de quem teve a transferência de sigilo telefônico e telemático aprovada

  • Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde;
  • Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores;
  • Filipe Martins, assessor internacional da Presidência da República;
  • Marcellus Campêlo, ex-secretário de Saúde do Amazonas;
  • Francisco Ferreira Filho, coordenador do comitê de crise do Amazonas;
  • Francieli Fontana Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI);
  • Élcio Franco, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde;
  • Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde;
  • Zoser Hardman, ex-assessor especial do Ministério da Saúde;
  • Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde;
  • Flávio Werneck, ex-assessor de Relações Internacionais do Ministério da Saúde;
  • Camile Giaretta Sachetti, ex-diretora do departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde;
  • Arnaldo Correia de Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde;
  • Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, que representa a vacina Covaxin no Brasil;
  • Túlio Silveira, representante da Precisa Medicamentos;
  • Carlos Wizard, empresário;
  • Paolo Zanotto, médico;
  • Luciano Dias Azevedo, médico;
  • Alexandre Figueiredo Costa e Silva Marques, auditor do TCU.

Já as empresas que tiveram sigilo bancário e fiscal quebrado são:

  • Associação Dignidade Médica de Pernambuco;
  • Empresa PPR – Profissionais de Publicidade Reunidos;
  • Calya/Y2 Propaganda e Marketing;
  • Artplan Comunicação;

Novas convocações

Nesta quinta-feira, os senadores da comissão aprovaram ainda a convocação do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, para prestar depoimento.

Também foram autorizados convites (quando o comparecimento não é obrigatório) ao presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, e um representante do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), a ser definido. Os depoimentos serão agendados pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

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30
Mai21

Capitã Cloroquina: o tênis e o pênis do Fon-fon

Talis Andrade

por José Ribamar Bessa Freire /Taqui Pra Ti

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Essa versão cearense daquela piada manjada e preconceituosa aconteceu de verdade na Praia de Iracema, em Fortaleza, a antiga Praia do Peixe. Taí minha irmã Tequinha que não me deixa mentir. Ou deixa? Da varanda de sua residência de veraneio, ela viu quando uma jovem senhora que passeava no calçadão parou na Ponte dos Ingleses para curtir o pôr do sol e foi logo abordada por Chico Feitosa, figura popular que vendia aos banhistas água de coco e até protetor solar, competindo com um batalhão de vendedores ambulantes. 

Chiquinho Feitosa tinha o lábio leporino ou “goela de lobo”. A fissura no lábio superior, agravada por um buraco no céu da boca, atingia a base do nariz, o que dificultava a pronúncia especialmente das consoantes bilabiais. Não se ofendia com o apelido de Fon-fon, mas a situação piorou quando um câncer de alto risco se instalou em sua próstata.  Para controlar a doença que podia ser mortal, um cirurgião extraiu-lhe os testículos. A crueldade da turba enriqueceu o apelido: Fon-fon Capado. Tristonho e macambúzio, consultava todos os médicos que passavam pela praia para tentar recuperar o bem perdido que lhe haviam cortado.

Foi aí que naquele belo entardecer o Fon-fon cruzou com a pediatra neonatologista Mayra Pinheiro, bastante conhecida naquela praia. Numa manifestação pública em 2013, ela havia gritado raivosa aos médicos cubanos que voltassem “para a senzala”. Um ano depois se candidatou a deputada federal e em 2018 ao Senado (Partido Novo, vixe vixe), sendo derrotada em ambas com votação inexpressiva. O Fon-fon, seu cabo eleitoral, distribuíra gratuitamente “santinhos” na praia. Agora, perguntava de que maneira ela podia retribuir, ajudando-o a reaver o falo ausente.

A fala e o falo

 A Tequinha, que quase não é fofoqueira, nada ouvia de onde estava. Despachou seu filho Fabico, jornalista, como enviado especial, para fazer a cobertura daquele encontro na Ponte dos Ingleses. Ele desceu rapidamente e acompanhou tudo. Reproduzo aqui aquilo que meu sobrinho apurou.

Mayra, conhecida como “Capitão Cloroquina”, receitou o remédio para curar a fala e o falo do fanho Feitosa. Tirou da bolsa Vuitton um vidro com um líquido espesso. Era uma “garrafada” em cuja composição entrava cloroquina, ivermectina, azitromicina, mel de rapadura e o caríssimo leite condensado de quartel. O “lambedor” prescrito para covid-19 curava ainda castração do pênis, lábio leporino, pereba no pé, maneba na mão, coceira no corpo e curuba não-digo-onde, além de frieira, febre aftosa e tristeza parasitária bovina. A “Garrafada da Mayra”, válida até as eleições de 2022, garantia no rótulo que trazia de volta a fala e o falo.

– Tome uma dose três vezes ao dia – ela recomendou.

O Fon-fon tomou logo a primeira lapada ali mesmo. Os dois caminhavam pela praia quando viram uma lâmpada na areia. A médica derramou sobre ela o líquido cloroquinado, transformando-a na lâmpada mágica de Aladin. De dentro dela saiu um gênio que se curvou diante do Chico Fon-fon:  

– Faz três pedidos, atenderei tuas súplicas.

Estimulado pela doutora Mayra, o Fon-fon, com sua fala sem consoantes como o “p” de Pazuello, rogou: 

– Um …into. Um …into.

O gênio pensou, pensou… e colocou ao seus pés um cinto. Fon-Fon sinalizou o equívoco do gênio e fez o segundo pedido com um sinônimo iniciado com o “c” de cloroquina:

–  Eu …ero um …aralho.

Quando viu diante dele o baralho, abriu o zíper da calça onde outrora residira sua “alavanca-de-arquimedes”, apontou pra lá e berrou desesperado o último pedido numa palavra que começava também com “p”:

– Um …ênis,

O gênio ouviu o “t” de Traticov e entregou-lhe o par de Nike Moon Shoe anunciado por Neimar antes de ser acusado de assediador.

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CPI e CTI

O episódio foi tão marcante que levou Mayra a ver pênis por todos os lados e até no Kremlin, visão compartilhada por Damares e Carlucho, colegas no gabinete das sombras. Durante seu depoimento na sessão desta terça (25), o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) exibiu áudio no qual Mayra, alucinada, acusa a Fundação Oswaldo Cruz – uma instituição respeitada no mundo inteiro – de ter “um pênis na porta” de sua sede. Nem Freud explica.

– Eu ouvi “tênis” – declarou o leniente presidente da CPI, Omar Aziz, cujos ouvidos similares aos do gênio da lâmpada foram herdados do seu avô árabe que falava “babai” por “papai”. De fato, os fonemas P & T distinguem significados de palavras em português, mas os meios eletrônicos podem dificultar a distinção entre eles e aí cada pessoa ouve de acordo com seus interesses e seus fantasmas. É por isso que, ao telefone, se faz necessário informar: “P” de “pato” ou “T” de “tatu”, para não transformar uma CPI em uma CTI.

No entanto, a aguerrida Capitã Cloroquina, atual secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, desdenhou a tentativa de contemporização do Omar Aziz e reafirmou com todas as letras que ela não era fanha e havia dito “pênis” mesmo, com “p” de Pazuello, tal como aparece no áudio:

–  […] Eles têm um pênis na porta da Fiocruz, todos os tapetes da porta são a figura do Che Guevara, as figurinhas são do Lula Livre, Marielle Vive. Então é um órgão que tem um poder imenso, porque durante anos eles controlaram a saúde do país através do movimento sanitarista que foi todo construído pela esquerda, eles mandam no Ministério da Saúde”.

Questionada por Randolfe se ainda concorda com o que disse na gravação, Mayra respondeu que sim, o que podia comprovar com o pênis inflável representado no logo da instituição.

O chá e a vacina

A fala despirocada da Capitã Cloroquina, ridicularizada no Brasil e no exterior, se auto propagou em memes e trendig topics no Twitter. É inacreditável ser sua protagonista a médica do Ministério da Saúde, cujo mentor é o Capitão Cloroquina, que após visitar comunidades indígenas em São Gabriel da Cachoeira (AM), recomendou nesta quinta (27) contra a covid-19 o uso de “chá de carapanaúba, saracura ou jambu usada pelos índios Balaios”, povo que não existe.

O que ele chamou rudemente de “Balaios” são vários povos de etnias, línguas e culturas diferentes: Tukano, Tuyuka, Baniwa, Baré Desana, Koripako, Kubeo, Piratapuya e Tariana, que vivem na Terra Indígena Balaio homologada pelo presidente Lula em 21/12/2009. No atual governo, não foi reconhecida nenhuma terra indígena.

O Capitão aproveitou sua visita para ironizar os conhecimentos tradicionais indígenas ao colocá-los no mesmo nível da cloroquina, que não tem eficácia comprovada e pode ser fatal quando usada por pacientes com covid:

– Você pode tomar o chá disso daqui e pode curar. Pode não curar também. Agora, se não tomar, vai para o beleléu” –  disse o Capitão Cloroquina, omitindo-se sobre a distribuição de vacinas aos índios.

Como escreveu Thomaz, outro sobrinho que me enviou a notícia, “a declaração do presidente da República pode levar a uma nova onda de preconceito em relação à medicina e aos saberes indígenas, que aparecem aqui descontextualizados”. Ele exibe aqui o seu projeto político des-educativo, não só nos modos, que não primam pela cortesia, mas pelos conteúdos anti-ciência em qualquer área do conhecimento.

O Capitão Cloroquina entrou em terra indígena sem estar vacinado, sem máscara, com uma comitiva igualmente negacionista, capaz de transmitir vírus e bactérias, demonstrando aquela competência que defendeu em discurso no dia 15 de abril de 1998, publicado no dia seguinte no Diário Oficial da Câmara:

– A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país”. 

A cavalaria está operando atualmente aqui. Os Yanomami e os Munduruku que vêm sofrendo frequentes ataques de garimpeiros ilegais estimulados por Ricardo Salles, ministro Contra o Meio-ambiente, sabem o que é essa “competência”. Os invasores estão usando armamento pesado, como metralhadora e outras armas liberadas por este (des) Governo.

O Brasil, sinceramente, não merece o Capitão e a Capitã Cloroquina, nem muito menos o seu “gordinho de estimação”. Eles representam a derrota da inteligência e do pensamento, a vitória do terraplanismo, da cloroquina e das armas.

Chico Feitosa, que agora vive jogando baralho, calçado com o tênis da Nike e ostentando um cinto de couro cor café com fivela dourada, acabou ofendendo as mulheres ao definir o atual mandatário:

– Ele é …ilho da …uta. Um …enocida.

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28
Mai21

GOVERNO CRIA APLICATIVO TRATEGOV PARA RECEITAR MENTIRAS SOBRE O TRATECOV NA CPI DA COVID-19

Talis Andrade

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por Piauí Herald

OFF LABEL – “TrateCov agora é TrateGov! É o governo Bolsonaro ajudando o brasileiro de bem a ter as melhores desculpas profiláticas contra a CPI da Covid-19!” O texto exclamativo foi postado hoje no Twitter da Secom, a Secretaria de Comunicação do governo federal, para anunciar o lançamento do aplicativo TrateGov, que receita mentiras, desculpas esfarrapadas e até eventuais Habeas Corpus contra as perguntas dos senadores na CPI da Covid-19.

Criado por uma junta que inclui um general submisso, um diplomata delirante e pela chamada Capitã Cloroquina, o app já é considerado um sucesso na comunidade científica do condomínio Vivendas da Barra, que o tem receitado em larga escala via WhatsApp. “Eu não sabia o que dizer quando alguém dizia que a cloroquina era ineficaz contra a Covid-19. Agora eu tenho 27 opções de mentiras disponibilizadas pelo TrateGov”, disse um usuário do aplicativo.

A experiência está servindo de piloto e deve ser expandida em breve para muitas áreas da administração do presidente Bolsonaro. Já estão em fase de testes as versões que receitam mentiras sobre o caso Queiroz, o funcionamento do Gabinete do Ódio, os R$89 mil de Michelle Bolsonaro e sobre a “imbrochabilidade” do presidente.

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25
Mai21

"Eles têm um pênis na porta da Fiocruz", "fazem cocô em crucifixo" - esta é a Capitã Cloroquina

Talis Andrade

Mayra Pinheiro, Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde

247 - Convocada para depor nesta terça-feira (25) na CPI da Covid, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, gravou um áudio criticando a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ao afirmar que a instituição tem um "pênis" em sua porta e é pautada somente por questões relativas a minorias. O áudio começou a circular entre gestores da área de saúde no início de maio do ano passado e teria sido gravado em 2019, sendo um exemplo do que pensa a dirigente. 

"Eles têm um pênis na porta da Fiocruz. Todos os tapetes das portas são a figura do Che Guevara, as salas são figurinhas do Lula Livre, Marielle Vive. É um órgão que tem um poder imenso, porque durante anos eles controlaram, através do movimento sanitarista, que foi todo construído pela esquerda, a saúde do País", disse. 

"Eles dão as regras, mandam no Ministério da Saúde. O Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) é a mesma coisa, o presidente do Conep é nomeado pelo Conselho Nacional de Saúde, que é uma representação popular. A gente paga pra cinco mil pessoas virem a Brasília para tirar a roupa, andar nu, fazer cocô em crucifixo", complementou. 

CPI da Covid

A secretária foi alvo de quatro requerimentos de convocação aprovados pela CPI. Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito querem que dirigente explique o colapso da saúde de Manaus (AM).

Em janeiro deste ano, pacientes morreram por falta de oxigênio na capital amazonense. Pouco antes do colapso, Mayra esteve na cidade e defendeu o "tratamento precoce".

João Cezar de Castro Rocha
Não é apenas a corajosa ignorância, a expressão grosseira, o português claudicante, o horizonte-avestruz, o cérebro-casca-de-noz, mas a MENTIRA DESAVERGONHADA como forma de ação autoritária! A Fiocruz deveria processar esta senhora. Aí o mais acabado retrato do governo Bolsonaro.

Alvaro quer vacina
@alvaroborba
Esse é nível da Capitã Cloroquina. Seria delicioso se alguém a questionasse sobre o pinto na porta da Fiocruz durante a CPI.
 

 

 

 
 
17
Mai21

Pazuello, Ernesto Araújo e Capitã Cloroquina: o que esperar da CPI nesta semana?

Talis Andrade

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Os ex-ministros da Saúde e das Relações Exteriores são considerados essenciais para fechar a 1º fase de depoimentos

pot Caroline Oliveira /Brasil de Fato 
 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado Federal entra em sua terceira semana ouvindo os depoimentos do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, do ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, e de Mayra Pinheiro, também conhecida como Capitã Cloroquina, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, nesta terça (18), quarta (19) e quinta-feira (20), respectivamente. 
 

Ambos são considerados peças-chave na gestão da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro: Pazuello que esteve à frente do Ministério da Saúde pela maior parte do tempo durante a pandemia de covid-19 e Ernesto Araújo, um dos responsáveis por preparar o terreno para as relações comerciais internacionais para adquirir o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), insumo essencial para a produção das vacinas desenvolvidas pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Na última sexta-feira (14), Pazuello recebeu o direito de ficar calado durante o seu depoimento em assuntos que digam respeito a sua pessoa, após decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu o habeas corpus solicitado pela Advocacia-Geral da União (AGU). 

No entanto, “no que concerne a indagações que não estejam diretamente relacionadas à sua pessoa, mas que envolvam fatos e condutas relativas a terceiros, não abrangidos pela proteção ora assentada, permanece a sua obrigação revelar, quanto a eles, tudo o que souber ou tiver ciência, podendo, no concernente a estes, ser instado a assumir o compromisso de dizer a verdade”, definiu Lewandowski. 

Na prática, entretanto, há grandes chances dos assuntos relativos à Pazuello e a terceiros serem colocados dentro do mesmo pacote. Caberá aos senadores distingui-los e inquiri-lo quando permitido.

Atraso na vacinação

Dentre os esclarecimentos que rondam Pazuello estão os motivos que levaram o governo Bolsonaro a ignorar as seis ofertas apresentadas pela Pfizer de agosto de 2020 a fevereiro deste ano, fato confirmado pelo próprio ex-presidente da Pfizer no Brasil à CPI. Também circunda o ex-ministro da Saúde a propaganda do tratamento precoce contra a covid-19, com medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença, como ivermectina, cloroquina e hidroxicloroquina.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede/AP), afirmou que Pazuello “se esconde atrás de habeas corpus”. Ainda mandou um recado ao ex-ministro afirmando-lhe que “tenha certeza de que não será somente o depoimento que buscaremos para obter a verdade”.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), até tentou garantir o depoimento de Pazuello à comissão quando enviou a Lewandowski um ofício defendendo a necessidade de o general depor sem entraves na comissão.

Lola Aronovich
@lolaescreva
Conheça a história da pediatra Mayra Pinheiro, a Capitã Cloroquina. Na foto de 2013, ela grita "Volta pra senzala" pra médico cubano q chegava ao aeroporto de Fortaleza. Ela foi candidata à dep fed (2014) e senadora pelo PSDB (2018), mas ñ se elegeu. Essa desgraça é do Ceará.
Image
Ivan Valente
@IvanValente
Capitã Cloroquina vai ter de depor na CPI (Renan fez requerimento). Dias antes do colapso em Manaus comandou ofensiva nas UBSs da cidade para forçar o uso da droga ineficaz. Matança programada. Quando o povo pedia oxigênio, tacava cloroquina. Ela segue no Ministério da Saúde
Luiz Müller
@luizmuller
Confissão de culpa: Assim como Pazuello, “Capitã Cloroquina” pede Habeas Corpus para não depor em CPI
Confissão de culpa: Assim como Pazuello, “Capitã Cloroquina” pede Habeas Corpus para não depor...
Médica Mayra Pinheiro foi uma das grandes responsáveis pela distribuição de cloroquina, remédio ineficaz e perigoso, que contribuiu para o genocídio brasileiro. Pedir Habeas Corpus para não depor…
luizmuller.com
16
Mai21

O procurador exibicionista que expôs o MPF ao ridículo

Talis Andrade

 

A CPI da Covid-19 vai ouvir o procurador Ailton Benedito da Cloroquina? 

 

 

Não há nada que comprometa o esforço geral de uma corporação, do que o exibicionismo de um de seus membros – especialmente quando dispõe de prerrogativas de poder de Estado.

É o caso do Procurador da República em Goiás Ailton Benedito de Souza.

Ontem expôs o MPF ao ridículo, ao agir contra decisão do governo venezuelano de convocar 26 jovens do Brasil para compor uma tal Brigadas Populares de Comunicação.

Imediatamente o procurador Ailton intimou o Itamaraty, em um prazo de dez dias, a levantar a identidade dos jovens sequestrados e investigar uma possível rede de tráfico humano.

Era uma mera notícia de Internet, mencionando a comunidade Brasil, um bairro popular da cidade venezuelana de Cumaná que, com exceção do nome, não tem a menor relação com o país Brasil.

A barriga repercutiu no mundo todo, sendo ironizada em vários idiomas.

Uma barriga desse tamanho basta. Mas a atitude do Procurador em se basear em qualquer factoide para propor ações já virou compulsão.

Tornou-se membro do Instituto Millenium, valendo-se das prerrogativas do cargo para desmoralizar o Ministério Público.

Em maio passado tentou suspender toda a publicidade da Copa do Mundo (http://migre.me/nabDB) por estar “absurdamente divorciada da realidade”.

Montou um catatau de 50 páginas argumentando que “de fato, os brasileiros ficaram bastante esperançosos e que as obras da Copa, que consumiram bilhões de recursos públicos, proporcionassem um legado auspicioso, a ser usufruído nos anos vindouros pela sociedade, que, afinal paga a conta”.. No entanto, “vários empreendimentos projetados para o transporte público e o trânsito foram cancelados ou substituídos por outros de menor impacto, que, primeiro, não serão concluídos a tempo; e, segundo, visam, exclusivamente, mitigar os efeitos da desorganização, da falta de planejamento, da incompetência em executar o que se planejou, relativamente à infraestrutura e aos serviços voltados à realização da Copa, a fim de evitar que o pior”.

Consultasse o próprio MPF, esse despreparado saberia do enorme trabalho que juntou praticamente todos os poderes – do Executivo aos estados, da Polícia ao Ministério Público – na organização do evento. Baseou-se em meras notícias não confiáveis da mídia  para sair atirando.

Em novembro de 2011,  processou professores por desacato, depois de terem ido ao MPF-GO denunciar supostos desvios de verba do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico) pela prefeitura de Goiânia.

Quando foi lançado o programa Mais Médicos, viu mais uma oportunidade de aparecer. Com base em notas de jornal, instaurou um inquérito civil-público para apurar “possíveis ações e omissões das administrações públicas – em todas as esferas – a respeito do programa Mais Médicos” (http://migre.me/nabUf).

Baseava-se exclusivamente em reportagens mal apuradas, sem a preocupação em aprofundar as investigações. Indagado sobre a razão do inquérito, alegou que:

“Primeiro: a notícia de que municípios estariam substituindo profissionais próprios por médicos do “Mais Médicos”. Segundo: a notícia de que profissionais originários de Cuba estariam sofrendo algum tipo de violação aos seus direitos, principalmente o direito de se locomover no território nacional. Terceiro: a situação de abandono do programa por médicos que se inscreveram no programa e ingressaram na atividade”( http://migre.me/nac3x).

Se amanhã um jornal noticiar que há indícios de propina no escavamento das crateras da Lua, não se tenha dúvida e que o bravo procurador atuará firmemente em defesa da moralidade intimando os lunáticos.

O procurador tem um blog, o “Bendito Argumento”, onde elabora textos assim:

“Portanto, todos nós, queiramos ou não, participamos ou omitamos, ajamos ou quedamos, ativos ou passivos, independentemente de nossos sonhos e pesadelos, virtudes e vícios, desejos e repulsas, crenças e incredulidades, saberes e ignorâncias, bravura e covardia, riquezas e misérias etc., somos seres políticos. E, como tais, responsáveis perante nós mesmos, as famílias, a sociedade, o mundo no qual vivemos”.

(…) Se eu fosse cruel, torceria pela vitória daqueles que almejam transformar a democracia do Brasil numa cópia dos regimes ditatoriais bolivarianos, para que eles fossem devorados pelo Saturno dos seus sonhos”.

Em seus textos, Ailton denuncia a “propaganda eleitoral subliminar”, “sobretudo a que se utiliza da máquina pública”.

Define a tal propaganda eleitoral subliminar como aquela que “consubstancia mensagem que não ultrapassa o limiar da consciência, que não é suficientemente intenso para penetrar na consciência, mas que, pela repetição ou por outras técnicas, pode atingir o subconsciente, afetando as emoções, desejos, opiniões; subconsciente.Nessa perspectiva, a propaganda política também se serve das técnicas subliminares para chegar à inconsciência dos cidadãos, sobretudo os eleitores, especialmente durante os processos eleitorais. Todavia, não é incomum que tais processos perdurem todo o período que medeia  entre a posse dos eleitos num pleito e o próximo. Noutras palavras, políticos estão sempre em campanha, muitas das vezes sem que o cidadão-eleitor tenha consciência”.

Em um dos artigos, deblaterou contra a afirmação de Dilma Rousseff, de que poderia utilizar as Forças Armadas nas manifestações contra a Copa:

“Por que, em lugar usar que “o Exército pode agir contra manifestações anti-Copa”, não se determinar aos órgãos competentes, responsáveis pela segurança pública, que façam uso da apropriado da Lei de Segurança Nacional para punir os que atentam contra a democracia, o Estado de Direito, os direitos fundamentais dos brasileiros, seja antes, durante ou depois da Copa? Pois que, sendo necessário, que se invoquem as Forças Armadas para defender a sociedade, a democracia, o Estado de Direito, não a #CopaDasCopas” (http://migre.me/nacLy)”.

- - -

Os inquisidores Benedito e Torquema. Fotomontagem HP

 

Nota deste correspondente: Para defender e propagar e obrigar o uso do tratamento precoce do capitão Cloroquina (Jair Bolsonaro) e da capitã Cloroquina acionou a Sociedade Brasileira de Infectologia. O portal Hora do Povo publicou reportagem com o seguinte título: "Procurador segue Bolsonaro e quer obrigar Sociedade de Infectologia a indicar cloroquina". Leia aqui

Apesar do posicionamento contrário de médicos e cientistas, Benedito enviou ofício para 117 municípios goianos em defesa da cloroquina.

Luiza Caires - jornalista de ciências
@luizacaires3
Inaceitável! Sociedade Brasileira de Infectologia sendo intimidada pela Procuradoria da República por fazer o seu dever, amparada na ciência, durante a pandemia.ImageImage

14
Mai21

Capitã Cloroquina concluiu em 24 horas que problema de Manaus era falta de “tratamento precoce”

Talis Andrade

Mayra-Pinheiro-ministerio-da-saude.jpg

Com a militarização do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro passou a ser apelidada de "capitã"

 

Oxfam: Autoridades optaram pelo negacionismo, pela falta de ação e, em alguns casos, pelo “deboche” da pandemia

Escolhida por Eduardo Pazuello como a responsável do Ministério da Saúde a comandar missão de reconhecimento em Manaus em janeiro, a secretária Mayra Pinheiro precisou de menos de 24 horas para emitir diagnóstico sobre o desmoronamento do sistema de saúde local: falta do tratamento precoce, composto pelo chamado kit covid, um conjunto de medicamentos sem eficácia contra a doença, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. 

Conhecida como "capitã cloroquina", Mayra Pinheiro desembarcou na capital do Amazonas em 3 de janeiro como primeira representante do ministério no local. No dia seguinte, produziu um relatório para o ministério, com "conclusões técnicas" a respeito de Manaus, e no primeiro item explicou que o caos local derivava da falta de tratamento precoce, entre outros motivos, destaca a coluna Painel da Folha de S.Paulo.

Mayra Pinheiro confirmou, em depoimento obtido com exclusividade pelo GLOBO, que ela foi a responsável pelo planejamento de uma comitiva de médicos que difundiu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 em Manaus dias antes de o sistema de saúde do Amazonas entrar em colapso, em janeiro último. O depoimento foi dado ao Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas.

A promoção de remédios sem eficácia e as ações do Ministério da Saúde antes e durante o colapso em Manaus são alvo das investigações da CPI da Covid no Senado.

Mayra é uma das seis pessoas que respondem a uma ação por improbidade administrativa movida pelo MPF no Amazonas por conta da ação dos governos estadual e federal durante o morticínio de Manaus. Além dela, são alvos da ação o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta Élcio Franco, entre outros.

Em 15 de janeiro último, a Oxfam Internacional divulgou nota oficial, assinada por Katia Maia, denunciando o morticínio de Manaus:

A Oxfam Brasil apela ao sistema judiciário para que as autoridades envolvidas na atual crise que o país enfrenta sejam investigadas e devidamente responsabilizadasCom o crescimento de mortes causadas pela pandemia do coronavírus, a Prefeitura de Manaus decidiu adotar o sistema de trincheiras para enterrar vítimas da covid-19 no Cemitério Público. Foto Michael Dantas/AFP

A Oxfam Brasil repudia a inação, o descaso e a negligência de autoridades públicas brasileiras diante da pandemia e do novo morticínio em Manaus, tragédia anunciada que poderá se espalhar rapidamente para outras cidades brasileiras.

Em vez de cumprirem os protocolos científicos e sanitários aprovados internacionalmente, autoridades e lideranças do governo federal, bem como parlamentares e até mesmo autoridades estaduais, optaram pelo negacionismo, pela falta de ação e, em alguns casos, pelo “deboche” da pandemia. A população brasileira está sendo empurrada para uma verdadeira roleta-russa, com estímulos às aglomerações, a ausência de um plano consistente de vacinação e pela irresponsável recomendação de um tratamento com remédios ineficazes e enganosos no lugar da infraestrutura necessária a hospitais. Atitude, aliás, verificada esta semana em Manaus, com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, visitando a cidade para reforçar a obsessão governamental com sua oferta de cloroquina, um dos medicamentos sem respaldo científico no mundo para a covid-19 e distribuído pelo governo. Pazuello reconheceu a falta de oxigênio nos hospitais e tardou para atender à necessidade da cidade, com uma informação, a ser verificada, de falta de aviões.

Estamos em meio a uma crise humanitária que poderia ter sido evitada caso fossem tomadas as medidas necessárias pelos governos das três esferas – municipal, estadual e federal. Não é verdade que o lideranças do governo tenham sido surpreendidas pelo que acontece em Manaus e pela grave situação em outras cidades brasileiras.

A Oxfam Brasil apela ao sistema judiciário para que as autoridades envolvidas na atual crise que o país enfrenta sejam investigadas e devidamente responsabilizadas. Basta de disputa política e ideológica. Urge a adoção de medidas jurídicas severas e a adoção definitiva dos protocolos internacionais e científicos para a proteção mínima da população brasileira.  A Justiça tem que atuar e punir exemplarmente os responsáveis pela tragédia que o país vive. Antes que seja tarde demais.

Katia Maia

Diretora executiva da Oxfam Brasil

 

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