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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Mai21

“Essas capas são uma mentira”

Talis Andrade

por Eliane Brum

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As capas do Globo e do Estadão de hoje são muito mais do que uma vergonha histórica. Grandes jornais, com responsabilidade pública, traindo os fatos. Centenas de milhares de brasileiras e brasileiros ocupam as ruas do Brasil gritando “Fora, Bolsonaro” e o Globo dá como manchete “Pib reaquece” e o Estadão fala de “turismo”. Centenas de milhares de brasileiras e brasileiros gritando nas ruas “Eu te Responsabilizo, Bolsonaro” e o Globo e o Estadão acham que podem simplesmente minimizar – e tanto têm certeza que podem, que minimizam. Fato, que fato? Notícia, onde? Centenas de milhares de brasileiras e brasileiros nas ruas e o Globo e o Estadão acham que não é manchete. Tipo… quase nada aconteceu.

A NÃO cobertura do 29M por grande parte da grande imprensa dá a dimensão da gravidade do que estamos vivendo, o que sabemos bem, e dá a dimensão da complexidade do que estamos vivendo, para além do que seria possível imaginar. Os grandes jornais acham que podem ignorar a realidade e continuar se apresentando como imprensa. Podemos pensar que, além de todos os significados, não aprenderam nada com a ditadura militar. Daqui uns 30 anos vão vir com explicações, arrependimentos e mea culpas. Mas é muito pior do que isso. Fizeram uma escolha – e fizeram essa escolha mesmo sabendo o que ela custa para um jornal. Sacrificaram o jornalismo em nome dessa escolha. Se alguém ainda não tinha entendido, agora entendeu.

Significa muito o que aconteceu nessas capas. Vai render muitos livros e teses acadêmicas. Mas, agora, neste momento, precisamos lutar pela vida. E já entendemos que uma parcela significativa da grande imprensa já começou a sacrificar os fatos e a ocultar a realidade, mesmo que a realidade sejam centenas de milhares de brasileiras e brasileiros na ruas.

Um jornal mostra se merece esse nome nos momentos cruciais vividos pela sociedade, aqueles em que a imprensa é mais necessária do que nunca à democracia. A ampla crise vivida pelo Brasil poderia ser o momento em que a imprensa mostraria o quanto é necessária e insubstituível, como tem acontecido em outros países, em que a imprensa voltou a ser valorizada como agente fundamental para o restabelecimento da verdade. O que testemunhamos com essas capas é uma traição a todos os princípios do jornalismo. Essas capas são uma mentira. Felizmente, esses não são os únicos jornais do Brasil. Leiam (escutem e assistam) quem tem respeito pela nossa inteligência, quem tem respeito pelo jornalismo, quem tem respeito pelos fatos.

Sinto nojo. Mas também uma enorme tristeza.

 

Capa do jornal O Globo 30/05/2021

Capa do jornal Estadão 30/05/2021

30
Mai21

A covardia da imprensa pernambucana

Talis Andrade

 

 

Liana Cirne Lins (PT-PE) recebeu spray de pimenta de policiais durante manifestação contra presidente Jair Bolsonaro em Recife

 

A vereadora Liana Cirne Lins (PT-PE), agredida por policiais durante manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro em Recife (PE), informou que tem recebido ataques nas redes sociais. Em publicação no Twitter neste domingo (30/5), ela denunciou um dos casos.

Na tarde de sábado (29/5), a parlamentar teve o rosto atingido por spray de pimenta, disparado por um soldado. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que a vereadora cai no chão ao receber o jato da substância.

Cirne recebeu os primeiros socorros dos próprios manifestantes. Em seguida, foi levada pela sua equipe a uma Unidade Básica de Saúde.

No Twitter, um internauta ironizou a situação e disse que Liana poderia “trabalhar em filme de comédia”: “Ela fez uma cena estilo jogador argentino quando o zagueiro encosta nele de leve”, escreveu.

Em resposta, a vereadora afirmou que está sendo atacada nas redes. “Esse é um exemplo dos machos covardes que estão me atacando, como sempre nos atacam”, disse.

“Conheço teu tipo de longe e sei que teu bocão só não é maior do que tua covardia. Queria ver você ter minha coragem, ficando na frente de uma viatura atirando contra gente inocente. Cabra frouxo!”, publicou Liana.

21
Mar21

Conselho e Associação abandonam médicos e são responsáveis pelo genocídio que está acontecendo no Brasil

Talis Andrade

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Ricardo Parolin faz perguntas que deveriam quebrar o "silêncio" do Conselho Federal de Medicina.

Ricardo Parolin Schnekenberg MD
@parolin_ricardo
Por que a letalidade hospitalar de COVID19 no Brasil é tão alta? Cerca de 30-40% de todos que entram no hospital, cerca de 60% dos que vão para UTI, e inacreditáveis 80% dos intubados. Essa é uma questão muito longa para o twitter, mas espero que algum jornalista escreva sobre. +
 
 
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Reportagem de Luis Barrucho, para BBC News, informa: Desde início da pandemia, 420 bebês morreram em decorrência da covid-19 no Brasil, contra 45 nos EUA; descontrole, falta de diagnóstico, comorbidades e pobreza explicam quadro trágico brasileiro. 

Reinaldo Azevedo tem cobrado respostas

Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
O silêncio do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira diante dos despropósitos de Bolsonaro é assombroso. As diretorias merecem ter seus respectivos nomes inscritos na história.
Não conseguem nem mesmo apontar a inocuidade da cloroquina. O papinho estúpido de q nem há prova de q funciona nem de q ñ funciona é uma aberração. Esse tipo de “prova negativa” em direito e ciência é coisa de energúmenos ou de gente de má-fé.
Agora, suspensão de compra de seringas e agulhas. Mais silêncio. Contra médicos cubanos - e eu critiquei aspectos negativos do programa -, armaram uma guerra. Os cubanos se foram, os pobres estão sem médicos, Bolsonaro se entrega ao negacionismo, e CFM e AMB se calam. VERGONHA!
 
O médico Arruda Bastos, ex-secretário de Saúde do Ceará e um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia, disse, em entrevista à TV 247, no programa Boa Noite, que o Conselho Federal de Medicina é responsável pelo genocídio da pandemia da Covid-19 no Brasil.
 
Publica 247: Ao comentar o apoio de médicos do Ceará à política de Jair Bolsonaro para a crise sanitária, Arruda Bastos falou da luta dos Médicos pela Democracia contra um setor bolsonarista.
 

“No final do ano passado nós conseguimos deslocar todo um grupo bolsonarista raiz da Associação Médica Brasileira. Estamos caminhando para tirar também o Conselho Federal de Medicina, que é responsável pelo genocídio que está acontecendo no Brasil", afirmou.

Segundo o ex-vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), “o Conselho Federal de Medicina não tem posições corretas, pela ciência”.

Situação da pandemia é mais grave do que a grande imprensa mostra

Arruda Bastos ainda comentou que a situação da pandemia do novo coronavírus “é muito grave, mais grave até do que a grande imprensa mostra”. “Não temos leitos de UTI, não temos profissionais para UTI, não temos medicamento para intubar, não temos oxigênionão temos presidente e nem ministro da Saúde”, afirmou.

“É a pior catástrofe sanitária da história do mundo em todos os tempos”.

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Rogério Correia
@RogerioCorreia_
Mais de 10.000 pacientes em estado grave aguardam desesperadamente em algum lugar do Brasil uma vaga de UTI. Aniversário do #Genocida tem 300 mil velas apagadas. Revoltante! #ImpeachmentBolsonaroUrgente

Capas dos jornais de hoje:Capa do jornal Folha de S.Paulo 21/03/2021

 
Capa do jornal O Tempo 20/03/2021
Capa do jornal Diário Gaúcho 20/03/2021
Capa do jornal Correio 20/03/2021
 
Capa do jornal Diário da Região 21/03/2021
Capa do jornal Jornal do Commercio 21/03/2021
 
21
Jul20

Coronavírus 1.367 mortes

Talis Andrade

O Brasil contabilizou 41.008 novos casos de covid-19 nesta terça-feira (21/07), segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Assim, o total acumulado de infecções no país chegou a 2.159.654.

O país registrou ainda 1.367 mortes em decorrência do coronavírus nas últimas 24 horas, elevando o total de óbitos para 81.487. A taxa de mortalidade da doença ficou em 38,8 por 100 mil habitantes e a de letalidade em 3,8%.

De acordo com o Ministério da Saúde, 1.465.970 pacientes já se recuperaram da doença.

O estado mais afetado pelo coronavírus é São Paulo, com 422.669 casos e 20.171 óbitos, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). O número de infectados no território paulista supera os registrados em países europeus duramente atingidos pela crise de covid-19, como Reino Unido, Espanha e Itália, e fica abaixo apenas dos registrados nos Estados Unidos (população 328 milhões), Índia ( 1,3 Bilhão de habitantes) e Rússia (144 milhões)

O Ceará é o segundo estado brasileiro em número de casos, somando 148.986, e o terceiro em número de mortos, com 7.284 vítimas. Já o Rio de Janeiro tem 145.121 infecções e 12.293 óbitos, o que o coloca atrás de São Paulo como o segundo estado com mais mortes.

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30
Jun20

Brasil ainda enfrenta "grande desafio" no combate ao coronavírus, diz OMS

Talis Andrade

 

27
Jun20

Interior do Brasil vira epicentro da Covid-19 e capitais podem sofrer 'tsunami'

Talis Andrade
 
 
por Pedro Fonseca e Eduardo Simões, da Reuters
 

Sem leitos de terapia intensiva ou equipamentos essenciais para tratar pacientes da Covid-19, as cidades do interior do Brasil se tornaram o epicentro da doença provocada pelo coronavírus e podem provocar um "tsunami" de novos casos nas capitais, à medida que pessoas em estado grave dependem dos grandes centros para receber atendimento, alertaram especialistas.

Depois de chegar ao país pelos aeroportos das capitais e se espalhar pelas grandes cidades e suas regiões metropolitanas, o novo coronavírus passou a circular nas últimas semanas com mais força nas cidades menores, onde há profunda carência de atendimento hospitalar, aumentando os riscos de um número cada vez mais alto de óbitos em decorrência do vírus que matou quase 55 mil brasileiros em quatro meses.

"No caso brasileiro, o refluxo, o bumerangue de casos que vai voltar para as capitais, é um tsunami", disse à Reuters o médico e neurocientista Miguel Nicolelis, que coordena o Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste.

"Existe um efeito bumerangue, o vírus vai para o interior, semeia pelas rodovias, você começa a ter transmissão comunitária, as pessoas ficam doentes, ficam graves, e voltam para a capital para ser atendidas", acrescentou o professor catedrático da Universidade Duke, na Carolina do Norte, no EUA, que está temporariamente morando em São Paulo durante a pandemia.

Somente 9,6% dos municípios do país (536 de um total de 5.570) têm leitos de UTI, e o número cai para apenas 421 cidades quando se trata de unidades de terapia intensiva simultaneamente com equipamentos importantes para o cuidado hospitalar de alta complexidade, de acordo com estudo da Fundação Oswaldo Cruz com dados de fevereiro.

A epidemia da Covid-19 passou a atingir o interior com mais força do que as capitais a partir da semana epidemiológica de número 21, encerrada em 23 de maio. Na semana passada, 60% de todos os casos novos da doença no país foram registrados em cidades menores, em uma brusca mudança em relação a abril, quando a epidemia estava concentrada 65% nas capitais, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Até o momento, a maior parte da mortes por Covid-19 no Brasil ainda está nas regiões metropolitanas, com 40.008 óbitos registrados até quinta-feira, ante 14.963 no interior. No entanto, a divisão de novos óbitos, que era de quase 65% a 35% em abril, fechou a semana passada praticamente em 50% para cada [Transcrevi trechos]

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26
Jun20

Hospital Einstein proíbe médicos de receitar cloroquina para pacientes com coronavírus

Talis Andrade

Obrázek

 

Por Glauco Araújo/ G1 

O Hospital Albert Einstein enviou comunicado ao corpo médico com a proibição da prescrição do medicamento cloroquina para tratamento da Covid-19, nesta quinta-feira (25). O hospital informou que nunca teve protocolo para uso da cloroquina, mas que os médicos acabavam receitando o composto em modo off label, quando o medicamento é usado fora do que é indicado na bula.

Ainda segundo o hospital, o podia acontecer entre a relação paciente e médico era a definição do uso da cloroquina para tratar a Covid-19. Isso, agora, não poderá mais ser feito pelo corpo médico do Einstein.

Risco de arritmia cardíaca

Uma pesquisa científica publicada na renomada revista "The Lancet"com 96 mil pacientes aponta que a hidroxicloroquina e a cloroquina não apresentam benefícios no tratamento da Covid-19. Os resultados divulgados mostram que também não há melhora na recuperação dos infectados, mas existe um risco maior de morte e piora cardíaca durante a hospitalização pelo Sars CoV-2 (Transcrevi trechos)

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25
Jun20

'Esquecida', sem UTI e com prefeita afastada, Oiapoque apela à Guiana Francesa por ajuda contra covid-19

Talis Andrade

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por Ligia Guimarães
Da BBC News

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De acordo com boletim atualizado até o dia 23 de junho, a pequena Oiapoque já contabiliza 10 mortes por covid-19, dos 380 óbitos registrados pela doença no Amapá.

No dia 21 de maio, a prefeitura da cidade pediu socorro internacional. Em um ofício que foi entregue ao governo francês e a outros 20 países, a gestão municipal informava que não há leitos, equipamentos de proteção individual (EPIs), profissionais de saúde ou medicamentos suficientes para enfrentar a pandemia.

Quase um mês depois, no dia 14 de junho, quando a cidade já contabilizava 7 mortos e 925 casos confirmados da doença, a Polícia Federal descobriu "fortes indícios de desvio dos medicamentos utilizados no tratamento da covid-19 e dos testes de diagnóstico da doença, possível motivo que gerou a falta de medicação na rede pública municipal". Apreendeu, inclusive, testes e equipamentos na casa da prefeita Maria Orlanda Marques (PSDB). Na terça-feira (23/6), a prefeita foi afastada do cargo, depois que a PF deflagrou a segunda parte da operação.

Além dos indícios de desvio de insumos relacionados ao combate à pandemia, as investigações apuraram que houve a compra de pelo menos três bolsas femininas, no total de R$ 4,8 mil, por meio de transferências da conta bancária da própria prefeitura.


Espera na Justiça

No começo da pandemia, em 31 de março, o Ministério Público do Amapá obteve decisão liminar que obrigaria o Estado a adotar medidas urgentes para garantir o pleno funcionamento do Hospital Estadual de Oiapoque (HEO), sob pena de multa por descumprimento. A Procuradoria do Estado recorreu, no entanto, e os efeitos da decisão foram suspensos pelo Tribunal de Justiça do Estado.

"Estamos aguardando agora o julgamento", explica o promotor de Justiça Benjamin Lax, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Oiapoque.

A ação do MP cobrava resposta do Estado a problemas urgentes, como a falta de medicamentos, a falta de UTI e o número insuficiente de ambulâncias para transportar doentes até a capital para atendimentos de média e alta complexidade, entre outros. "Não existe UTI e não existem médicos intensivistas no Hospital de Oiapoque, mas deveria ter. Eu posso afirmar para você que as pessoas têm morrido por causa disso", disse o promotor.

A reportagem tentou por dias contato com a assessoria de imprensa do governador do Estado, Waldez Góes (PDT), mas não obteve retorno.

A BBC News Brasil ouviu moradores, profissionais da saúde, e familiares de vítimas da covid-19 em Oiapoque, que se sentem "esquecidos" no extremo norte do Brasil, e apontam que a pandemia apenas agravou a precariedade da saúde pública local.

Além da pandemia e dos escândalos de corrupção, a cidade ainda convive com a greve por atrasos nos salários de profissionais de limpeza que trabalham no hospital estadual de Oiapoque, o único da cidade.

Profissionais de limpeza terceirizados do hospital entraram em greve parcial no meio da pandemia, dedicando-se só a limpar o que é mais essencial para o atendimento dos pacientes, porque estão com salários atrasados por mais de três meses.


Fronteiras fechadas e 'barril de pólvora'

Desde que os primeiros casos de covid-19 começaram a chegar ao Brasil, Oiapoque tem recorrido por diversas vezes à ajuda da vizinha Guiana Francesa, território ultramarino da França, considerado uma extensão do país: é membro a União Europeia, a língua é o francês, a moeda é o euro e é subordinada ao presidente da França, Emmanuel Macron, que tem descrito o combate à covid-19 como uma "guerra sanitária".

Desde o início de junho, parte dos testes dos moradores da cidade é analisada na Guiana Francesa, a partir de uma cooperação internacional.

Comparada à precariedade do atendimento em Oiapoque, a Guiana pareceu enfrentar a doença com mais planejamento e infraestrutura.

Oiapoque tem no território francês sua "cidade-irmã": é vizinha do o município de São Jorge de Oiapoque (Saint-Georges), na qual 40% da população é de brasileiros. É, atualmente, a única cidade da Guiana que continua confinada contra a pandemia, em lockdown. A população da Guiana Francesa, como praticamente todo o território francês foi liberada do confinamento no dia 11 de maio.

Os dois municípios têm relação comercial e social e direta e são divididos pela Ponte Binacional Brasil-França, inaugurada em 2013. Os moradores da Guiana se aproveitam da força do euro em relação ao real para fazer compras em Oiapoque; muitos brasileiros, por outro lado, trabalham em garimpos ilegais na Guiana; e o fluxo entre as duas cidades é constante, seja pela estrada que cruza ponte (a distância entre as cidades é de pouco menos de 10 km), ou seja pelo rio Oiapoque.

"Dos que se encontram na Guiana Francesa, praticamente todos têm parentesco direto com o Estado do Amapá, com o Norte ou o Nordeste", afirma Isaac Silva, chefe das relações internacionais da prefeitura de Oiapoque, que diz que essa dependência tornou mais difícil limitar a circulação pela fronteira.

Quando os primeiros casos de covid-19 foram confirmados na Guiana Francesa no início de março, época em que as fronteiras e os voos ainda estavam liberados, o território francês pareceu reagir de maneira eficiente: criou políticas de isolamento dos casos suspeitos em hotéis, adotou testes em massa, aumentou a fiscalização da fronteira restringiu a entrada no território apenas a casos especiais, documentados.

Mas no mês passado, quando a doença avançou pelo rio Oiapoque e atingiu a "irmã gêmea" São Jorge, as coisas parecem ter saído de controle também do lado francês. Atualmente, a Guiana tem oito mortos e 2.548 casos confirmados de covid.

Com o fechamento das fronteiras, os moradores de Oiapoque perderam também a opção de tentar atendimento de emergências de saúde na vizinha, possibilidade que era prevista em um acordo de cooperação.

"O mais grave que está acontecendo conosco aqui é a falta de medicamentos, que nós não temos. Nem nos postos de saúde, nem para comprar", afirma Lilma Campos, dona de uma pousada na cidade e presidente da associação comercial de Oiapoque.

Junto com outros membros da sociedade civil, ela têm se organizado para conseguir doações, principalmente vindos da Guiana Francesa. Organizações como a Associação Internacional das Enfermeiras da Guiana, Corpo de Bombeiros da Guiana e a Agência Regional da Saúde estão entre os que doaram Equipamentos de Proteção Individual, oxigênio e medicamentos para Oiapoque.

Houve também o pedido para que um hospital de campanha fosse instalado em Oiapoque, financiado pelo governo europeu. Waddy Many Benoit, responsável por mediar as relações interfronteiras da ONG Pirogue Humanitaire, dedicada ao recrutamento de médicos para a região, diz que a operação da PF em torno da prefeita reduziu a credibilidade em torno dos pedidos. "Foi um efeito muito muito negativo. Franceses não gostam desse tipo de situação", afirma Benoit.

A partir de agora, a ideia da ONG é formalizar tais solicitações por meio dos parlamentares das bancadas estadual e federal do Estado, sem envolver a prefeitura. Na quarta-feira (24/6), a administração da Guiana anunciou a intenção de instalar um hospital de campanha na capital, Caiena.

O chefe de relações internacionais da prefeitura de Oiapoque, Isaac Silva, diz que a cidade convive há tempos com a falta de medicamentos e estrutura básica de saúde, mas a gravidade da situação ficou mais evidente com a pandemia.

"Eu, como relações internacionais, me obrigo, coloco a vergonha de lado e vou para lá me humilhar mesmo, no sentido literal da palavra, e pedir mesmo para a Guiana para que eles nos doem alguma coisa para poder salvar as vidas aqui."


Preconceito e conflitos

Na últimas semanas, brasileiros que moram na Guiana relataram que foram alvo de preconceito por parte dos guianenses franceses. "O brasileiro tem sido mal visto, por não querer respeitar o confinamento, querer jogar bola todo dia", afirma o presidente da Associação de Brasileiros na Guiana Francesa, José Hermegildo Gomes, o Dedé, que vive na Guiana Francesa há 20 anos.

"A gente vê que a comunidade guianense está com mais receio de que a comunidade brasileira vá lá. A comunidade francesa vê na televisão parabólica o pessoal brincando, vê a política do presidente achando que é brincadeira. E daí vem todo o preconceito."

A brasileira Andressa Duvigneau, vice-representante dos brasileiros na Guiana e que mora na cidade de Curru, também diz que são mais frequentes as críticas aos brasileiros nas redes sociais durante a pandemia. "Tem muito guianense francês dizendo que brasileiros entram pelo mato e fazem festa, clandestinamente. Já estão comentando na internet, ligam para o rádio para falar mal, para criticar."

Benoit Van Gastel, responsável pela cooperação em saúde na Agência Regional de Saúde da Guiana Francesa, diz que, embora seja difícil afirmar que a má condução da pandemia em Oiapoque tenha prejudicado o território francês, sabe-se que alguns dos casos de São Jorge do Oiapoque vieram de contágios entre as cidades vizinhas.

"Para as pessoas, o rio Oiapoque é mais um ponto de ligação do que uma fronteira entre os países. Na rotina normal, as pessoas circulam pelo rio várias vezes por semana para necessidades básicas, como trabalho, para ver a família, amigos. Então é muito difícil barrar esse tipo de conexão", afirma Van Gastel. [Transcrevi trechos]

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23
Jun20

Juiz manda Bolsonaro usar máscara em público

Talis Andrade

 

Deutsche Welle - O juiz Renato Coelho Borelli, da 9ª Vara Federal Cível de Brasília, impôs ao presidente Jair Bolsonaro o uso obrigatório de máscara em espaços públicos e estabelecimentos comerciais, como medida de proteção contra o novo coronavírus. A decisão foi publicada na noite de segunda-feira (22/06).

Em caso de descumprimento, o magistrado definiu multa diária de R$ 2.000. Borelli afirmou que a obrigatoriedade já foi imposta pelo governo do Distrito Federal desde abril, mas que imagens disponíveis na internet mostram que o presidente não está cumprindo a determinação, "expondo outras pessoas à propagação de enfermidade que tem causado comoção nacional".

Borelli ainda afirmou na decisão que "se mostra no mínimo desrespeitoso o ato de sair em público sem o uso de EPI [equipamento de proteção individual], colocando em risco a saúde de outras pessoas".

Na mesma decisão, o juiz ordenou que a União obrigue todos os seus servidores e colaboradores a usarem máscara para proteção individual enquanto estiverem prestando serviços, sob pena de multa diária de R$ 20.000 ao governo em caso de descumprimento. Ele atendeu a um pedido feito por um advogado em ação popular.

O juiz ainda mandou o governo do Distrito Federal fiscalizar o uso efetivo das máscaras por toda a população, conforme previsto em decreto distrital sobre o assunto, que já sujeita os infratores a multa de R$ 2.000. Ele disse que também pretende estipular multa "caso não seja provado nos autos quais medidas já foram adotadas para tanto".

Na decisão, Borelli cita uma entrevista recente em que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirma que apenas três multas haviam sido aplicadas até o momento, entre 33 mil advertências feitas por fiscais. Entre as poucas pessoas multadas está o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

Para o juiz, o comportamento de Bolsonaro de não usar máscara em atos públicos em Brasília "mostra claro intuito em descumprir as regras impostas" pelo Distrito Federal, "que nada tem feito, como dito nas linhas volvidas, para fiscalizar o uso do EPI".

Nos últimos meses, em diversas ocasiões, Bolsonaro participou de atos a favor do governo e fez visitas ao comércio local sem usar máscara, contrariando medidas de distanciamento social ao abraçar e cumprimentar apoiadores.

O presidente é um crítico de medidas amplas de distanciamento e já minimizou diversas vezes a covid-19, afirmando que a doença que já matou mais de 50 mil brasileiros seria uma mera "gripezinha".

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