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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Fev19

Sergio Moro e o uso político da justiça

Talis Andrade

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Por Gaspard Estrada e William Bourdon

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O juiz que conduziu a operação Lava Jato e é hoje ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, apresentou seu plano de combate ao crime e corrupção ao Congresso Nacional na terça-feira (19). Foi uma coincidência que, no dia anterior, o presidente Bolsonaro demitiu Gustavo Bebianno, seu ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

O novo governo tomou posse há nove semanas e um alto funcionário já caiu por envolvimento em um escândalo de corrupção. Não indica nada de bom para Bolsonaro, que chegou à presidência com uma campanha contra a corrupção

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Diante das acusações de corrupção contra o partido de Bolsonaro (o Partido Social Liberal), seu círculo mais próximo e seus familiares, o ministro Moro se mantém em silêncio. Mutismo que se agrava quando se analisa o pacote de medidas contra o crime e a corrupção que ele propôs na semana passada. É uma proposta que não só tem poucas novidades, mas que, se aprovada, poderá ser contraproducente para o Brasil.

O pacote judicial de Moro se resume em três propostas: a liberalização da posse de armas de fogo, a prisão dos condenados em segunda instância (embora existam apelações, como o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) e a criação de novos instrumentos para facilitar o uso do mecanismo da delação premiada.

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Em conjunto, esta reforma corre o risco de provocar um aumento na violência policial - ao diminuir as penas para os policiais que tenham assassinado sem motivo a um indivíduo (apenas em 2017, dos quase 64.000 assassinatos ocorridos no país, 5144 ocorreram em operações policiais) - e lotar ainda mais os cárceres brasileiros nos quais, para muitos analistas, são mais escolas do crime do que centros de reintegração social.

O mais importante da reforma de Moro é o que ela não inclui e que, por isso mesmo, se trata de um feixe de propostas que não ataca a origem da corrupção. Seu pacote não impõe tetos para as doações de pessoas físicas às campanhas eleitorais, e isso permite às empresas driblar a proibição às contribuições empresariais decidida pelo STF em 2015. Não põe também limites ao uso de dinheiro em uma campanha eleitoral, um caminho clássico para esconder gastos duvidosos. Talvez a ausência mais notória seja a da penalização dos gastos ilegais de campanha.

Quando esteve à frente da Operação Lava Jato, Moro dizia que esta ação tinha que ser um delito, um “crime contra a democracia”. Mas agora decidiu deixar isso de lado. A Operação Lava Jato foi uma investigação sem precedentes na América Latina e revelou quão profundamente a corrupção está arraigada no Brasil.

Mas se Sérgio Moro não alterar sua reforma judicial ou condenar e dar autonomia para julgar possíveis casos de corrupção no círculo íntimo Bolsonaro, no final também poderá fazer com que o legado da Lava Jato não seja bom: ter feito um uso político da justiça.

As consequências da operação Moro, iniciada em 2014, foram enormes: centenas de pessoas foram presas, o ex-presidente Lula da Silva está na prisão e o rejeição à política tradicional foi decisivo para a vitória da Bolsonaro, que centrou seu discurso na erradicação da corrupção.

Não há como negar que Sérgio Moro desempenhou um papel decisivo no processo eleitoral de 2018 e é também inevitável notar que a investigação que conduziu acabou sendo favorável a Bolsonaro. Quando Lula liderou as pesquisas para reconquistar a presidência, Moro intensificou a perseguição ao ex-presidente, que foi preso em em abril de 2018.

Então, poucos dias depois da vitória eleitoral de Bolsonaro, quando foi anunciado que Moro faria parte do novo governo, para muitos de seus críticos a parcialidade do juiz se confirmou: Moro politizou a justiça brasileira. Este é o lugar onde as questões são particularmente importantes - Moro usou estes métodos no processo judicial e não incluiu, como se viu em seu próprio veredito condenando Lula nenhuma evidência direta de atos ilícitos.

Cinco anos de pesquisa - isso permite examinar o legado de Lava Jato: a percepção de corrupção aumentou no Brasil e o precedente de Lula não serviu para o ex-presidente Michel Temer fosse afastado, embora algumas investigações demonstrassem seu envolvimento em atos de corrupção. Hoje, figuras políticas e empresariais alvos da Lava Jato - Marcelo Odebrecht, Antonio Palocci e João Santana - libertados da prisão e sem desistir de ganhos ilícitos obtidos, estão cumprindo suas sentenças em prisão domiciliar. Enquanto Lula está na prisão após ser condenado duas vezes por "atos de comércio indeterminado". Odebrecht, por exemplo, está preso em sua mansão em São Paulo.

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Desde o fim da ditadura militar, em 1985, apenas um (Fernando Henrique Cardoso) de cinco presidentes democraticamente eleitos não foi demitido ou diretamente envolvido em um escândalo de corrupção. Isso revela que o desvio de dinheiro público é um problema que deve ser tratado sem recorrer a propostas que atacam a corrupção, mas não erradicam das raízes.

Nesse sentido, Moro teria que refazer a sua reforma judicial e abraçar as mudanças que são realmente necessários: reestruturar o financiamento das campanhas e o sistema eleitoral. Este esquema é o que permite, a fim de governar e criar maiorias parlamentares, que os líderes aceitem compromissos - às vezes fora da lei - que abrem as portas para a corrupção.

 

* Fonte: The New York Times. Tradução de José Carlos Ruy.

30
Out18

Para ser ministro, Sergio Moro defende o caixa 2 de Bolsonaro

Talis Andrade

 

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O juiz Sérgio Moro sinalizou positivamente à indicação de seu nome para o ministério da Justiça do governo Bolsonaro. E minimizou a denúncia de caixa dois na campanha do ex-militar, feita pelo jornal Folha de S. Paulo.

 

A reportagem do jornal O Globo destaca que "Moro também via pontos positivos na campanha de Bolsonaro, como a promessa de não lotear os ministérios." Mesmo diante da notícia de que grandes empresas financiaram disparos em massa de Whatsapp para o candidato do PSL, "Moro mantem a convicção de que poderia ser um erro, mas não corrupção, já que Bolsonaro poderia não saber do apoio dos empresários feito por fora da campanha oficial". 

 

Em abril deste ano, Moro declarou, durante uma palestra na Universidade de Harvard, que "caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia". "Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito", disse na ocasião.

 

O ministério de Bolsonaro esté sendo loteado entre políticos golpistas de 1964 (viúvas da ditadura militar) e de 2016, membros do quadrilhão da Câmara dos Deputados, generais do goveno de Michel Temer, políticos empresários que financiaram a derrubada do governo de Dilma Rousseff e rechearam o caixa 2 da campanha.    

 

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A matéria prossegue, salientando os laços de Moro com o deputado Onyx Lorenzoni: "o juiz da Lava-Jato também diz ter ficado bem impressionado com a atuação do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro da Casa Civil, durante a tramitação das dez medidas anti-corrupção. Argumenta que, mesmo diante da pressão dos demais parlamentares, manteve boa parte do projeto original — embora tenha incluído a possibilidade de juízes e membros do Ministério Público serem denunciados por crime de responsabilidade em caso de abuso de poder".

 

Lorenzoni e Moro são cruzados da santa inquisião contra o PT. Quando contra Moro pesa a acusação de Tacla Durán sobre a indústria das colaborações premiadas. Conforme denúncia, cobraram de Tacla  5 milhões de dólares para premiar uma delação. O diabo sabe quantas delações já foram aprovadas. Pelo último registro da imprensa estrangeira, 1 mil e 68.

 

In Wikipédia sobre Lorenzoni: " No dia 14 de março de 2017, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao STF 83 pedidos de abertura de inquérito, a partir dos acordos de colaboração premiada firmados com 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht,sendo mencionado em depoimentos da Odebrecht. No entanto, em junho de 2018, o Ministro do STF Luiz Fux decidiu pelo arquivamento: "As diligências realizadas não foram suficientes para elucidar a materialidade do suposto crime". Nas delações da JBS, foi acusado de receber "caixa 2" daquela empresa. À RBS TV, Lorenzoni assumiu a irregularidade, justificando que "não tinha como" declarar o valor na Justiça Eleitoral, e que a cifra teria sido inferior aos 200 mil reais citados por Ricardo Saud.

 

O deputado estadual Rogério Correia (PT), eleito deputado federal, criticou a declaração de Sérgio Moro sobre o caixa 2 de Lorenzoni. "A Justiça de Moro é assim: 2 pesos, 2 medidas e 1 lado! Ao ser questionado por um jornalista sobre o Caixa 2 de Onyx, Moro respondeu: 'Ele já admitiu e pediu desculpas'. Que vergonha! E, ainda se diz combatente da corrupção!", escreveu o parlamentar no Twitter.

 

 

 

 

20
Out18

Haddad: Bolsonaro pediu ‘de viva voz’ doações ilegais para WhatsApp

Talis Andrade

 

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O PT analisa nesta quinta-feira uma série de medidas judiciais que serão tomadas para apurar o que a campanha de Fernando Haddad à Presidência aponta como crimes de organização crimcriminosa, caixa dois, calúnia e difamação, lavagem de dinheiro da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) para financiar a propagação de mensagens de WhatsApp com doações empresariais ilegais e ilícitas.

 

Reportagem da "Folha de S.Paulo" publicada nesta quinta fala sobre o envolvimento de empresas na compra de pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

 

O preço de cada  contrato pode chegar a R$ 12 milhões. A prática é ilegal.

 

Fernando Haddad afirmou que o PT já tem um levantamento "de vários empresários que participaram" do suposto esquema, e que o partido exigirá que tais testemunhas sejam ouvidas em investigações conduzidas pela PolíciaFederal.

 

"Ele [Bolsonaro] deixou rastro e nós vamos atrás do rastro para saber todo mundo que botou dinheiro sujo numa campanha de difamação", afirmou Haddad. O candidato disse ainda que podem ser pedidas prisões em flagrante ou preventivas.  A partir de reportagem de Malu Delgado e Leila Souza Lima

 

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O  apoio massivo das redes de televisão 

 

RBA - Entrevistado no Pânico, da Rádio Jovem Pan, Fernando Haddad falou sobre a relação de Jair Bolsonaro com a Igreja Universal e a Rede Record. “Uma igreja não pode pretender tomar o poder no país.” Ele condenou o fato da igreja “fazer campanha aberta, sendo dona de uma emissora”.

 

Sobre o fato de os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff terem recebido apoios evangélicos, respondeu. “Uma coisa é escolher um candidato que vai te representar, outra coisa é (usar) uma candidatura para fazer você chegar ao poder. Isso deveria ser considerado uma ilegalidade.”

 

Ele lembrou o episódio em que a Record colocou no ar uma entrevista com Bolsonaro durante o debate da TV Globo. “Não acho certo o que a Record fez. Abrem o microfone para ele ficar meia hora, e sete candidatos seguindo regra, com um minuto para falar cada um? Fomos à Globo e o cara me aparece meia hora, esvaziando o debate, com ele exclusivo na rede do Edir Macedo?”

 

Segundo o candidato, o simbolismo da atual conjuntura é preocupante. “Vamos virar um Estado teocrático?”, questionou. Sobre violência, afirmou que “o Brasil precisa mudar de atitude, fazer um gesto. Acho que fui escolhido (como candidato) por transitar e ser respeitado por todas as tribos”.

 

Haddad foi também perguntado sobre o chamado “kit gay”, e lembrou que o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que Bolsonaro está proibido de citar essa notícia falsa. E que há tantos vídeos falsos que a Justiça não consegue acompanhar. “Ele (Bolsonaro) pega um livro de um radical qualquer, e diz que é meu.”

O petista lembrou outras fake news, como a de que seria dono de uma Ferrari, e outras de mais baixo nível. “Minha mulher, Ana Estela, tem carro. Mas eu nem tenho carro. Uso bike, uso Uber, uso metrô.”

 

Os integrantes do Pânico quiseram saber se o programa de governo continha alguma proposta de "censura" ou controle dos órgãos de comunicação. Haddad explicou que uma sociedade democrática não pode conviver com a propriedade cruzada, o domínio, por um mesmo grupo ou família, de vários meios, como rádio, TV e televisão. “Não é controle, é desconcentração.”

 

“O Maranhão estava há 50 anos governado pelo Sarney porque ele detinha o monopólio das comunicações”, disse. Segundo Haddad, é preciso, por meio de licitação, “evitar que o cidadão fique sujeito à mesma família”.

 

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19
Out18

Conheça cinco boatos que o caixa 2 de Bolsonaro espalhou por milhões de celulares e computadores e imprensa de aluguel

Talis Andrade

Fake news do mentitoroso Bolsonaro selecionados

pelo jornal El País da Espanha

 

O candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) aparece nas pesquisas como o favorito para vencer o segundo turno da eleição presidencial, no dia 28, com mais de 50% das intenções de votos totais.

Sob seus pés, uma bem azeitada máquina de propaganda eleitoral, já descrita pelo EL PAÍS, trabalha a toque de caixa para difundir informação fabricada contra seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT), e seu mentor político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

À medida que a campanha foi chegando à sua reta final, os boatos nas redes sociais em favor de Bolsonaro cresceram, especialmente no WhatsApp, como conta Tai Nalon, diretora da plataforma de checagem Aos Fatos, em entrevista ao EL PAÍS. Esse grupo de sete jornalistas, distribuídos entre Rio e São Paulo, verifica diariamente o discurso de políticos e das redes sociais. Analisam memes, panfletos, vídeos e qualquer conteúdo potencialmente falso.

 

“Vimos a desinformação contra os adversários de Bolsonaro aumentar, em geral em torno de duas temáticas: colocar em dúvida, com teorias conspiratórias, a segurança do voto eletrônico no Brasil, e uma constante relação dos outros candidatos com pautas das minorias, como a agenda LGBT e o direito ao aborto”, diz Nalon numa troca de mensagens.

 

Seis em cada 10 brasileiros têm WhatsApp no seu celular. São 120 milhões de pessoas a uma mensagem de distância. “Não é possível chegar a tanta gente como Bolsonaro chegou sem uma estrutura forte, com grande financiamento por trás”, acrescenta a jornalista. Um filão para difundir fake news em grupos fechados e gerar o caos entre os eleitores e a opinião pública.Estas são algumas das informações falsas mais difundidas através de redes sociais em favor do político radical, selecionadas pela diretora do Aos Fatos:

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MENTIRA DE BOLSONARO: 1. O “kit gay” para crianças de 6 anos que foi distribuído nas escolas

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Na verdade, trata-se de um projeto chamado Escola Sem Homofobia, que o Ministério da Educação, então sob a gestão de Fernando Haddad, apresentou em 2011 com o apoio de diversas ONGs, mas não chegou a ser implantado. O objetivo do “kit gay”, como foi apelidado por seus detratores, seria oferecer formação aos professores para lidarem com os direitos LGTB, a luta contra a violência e os preconceitos e o respeito à diversidade entre os jovens e adolescentes. De forma alguma propunha “sexualizar as crianças” e “ensinar a ideologia de gênero nas escolas do Brasil”, como afirmou Bolsonaro numa entrevista em que mostrava um exemplar do livro Aparelho Sexual e Cia., de Hélène Bruller e Philippe Chapuis. 

 

O Tribunal Superior Eleitoral ordenou nesta terça-feira que sejam apagados da Internet os vídeos de Bolsonaro que falam sobre a distribuição desse livro, porque “geram desinformação e prejudicam o debate político”. A imagem acima havia sido compartilhada por 63.000 pessoas no momento da captura.

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2. O homem que apunhalou Bolsonaro é filiado ao PT e aparece numa foto com Lula

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Depois de ser atacado por um fanático em setembro, começaram a circular correntes de mensagens no Facebook e Whatsapp garantindo que Adélio Bispo de Oliveira, agressor do Bolsonaro, era filiado ao PT. O dado foi reproduzido por vários sites informativos, que contribuíram para espalhar o boato. Segundo o Aos Fatos, nenhuma pessoa com esse nome aparece no registro oficial de filiados do Tribunal Superior Eleitoral.

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Montagem em que se vê o rosto do agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo, próximo de Lula, em 2017. AOS FATOS

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A imagem real do fotógrafo Ricardo Stuckert, publicada em vários jornais locais. INSTITUTO LULA
 

Outra informação falsa muito difundida nas redes foi a montagem do rosto do agressor numa foto de Lula em meio a uma multidão, tirada em 2017 em Curitiba. Na verdade, a imagem do pedreiro Adélio Oliveira corresponde ao dia da sua detenção.

 

Por último, tentou-se relacionar o agressor de Bolsonaro ao PT por intermédio da candidata a vice de Haddad, Manuela d’Ávila. Uma página pró-Bolsonaro publicou que Oliveira havia telefonado várias vezes para a política do PC do B.

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3. A senhora agredida por ser eleitora de Bolsonaro (que na verdade era Beatriz Segall)

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Foto da falecida atriz Beatriz Segall após um acidente foi difundida por simpatizantes do Bolsonaro de maneira falsa. FACEBOOK
 

“Esta senhora foi agredida por petistas na rua quando gritou o nome de Bolsonaro”, diz uma publicação que circulou na semana passada nas redes. Na verdade, trata-se de uma imagem de 2013 da falecida atriz Beatriz Segall, depois de sofrer uma queda na rua. O Tribunal Superior Eleitoral ordenou sua retirada nesta semana.

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MENTIRA DE OLAVO DE CARVALHO: 4. Haddad defende o incesto e o comunismo em um de seus livros

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Publicação no perfil do ideólogo ultradireitista Olavo de Carvalho. FACEBOOK
 

O entorno do ultradireitista repercutiu a postagem em que o ideólogo de extrema direita Olavo de Carvalho acusa Haddad de promover o incesto em seu livro Em Defesa do Socialismo. O post já foi retirado, mas a informação falsa continuou circulando nas redes. Além disso, junto com a capa do livro de Haddad aparece a foto de duas páginas de outro livro com os dizeres “Decálogo de Lênin”. As páginas fotografadas não faziam parte do livro de Haddad.

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5. Se Haddad chegar ao poder, pretende legalizar a pedofilia

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Exemplo da informação falsa sobre pedofilia que circula nas redes com o logotipo de Haddad. FACEBOOK
 

Em várias correntes nas redes sociais circula a imagem de uma menina com a boca tampada pela mão de um homem, onde se lê: “Um projeto de lei torna a pedofilia um ato legal. O sexo com crianças a partir de 12 anos deixaria de ser crime”. A foto inclui o logotipo de campanha de Fernando Haddad.

 

Na verdade, a publicação faz referência ao projeto de lei do Senado 236/212, que atualmente se encontra parado, que propõe uma possível redução da idade de consentimento sexual de 14 para 12 anos, ou seja, o limite para que qualquer relação sexual com um menor dessa idade seja considerada estupro (por entender-se que nesses casos o consentimento da vítima não libera o agressor da acusação).

 

É um debate recorrente no Brasil há anos. E, embora se trate de um assunto muito polêmico, em nenhum momento menciona-se a legalização da pedofilia, da mesma maneira como Fernando Haddad tampouco esteve vinculado à sua tramitação, já que nunca ocupou um cargo legislativo. Esse projeto de alteração do Código Penal brasileiro foi apresentado pelo senador centro-direitista José Sarney (PMDB-AP), e não pelo PT.

 

No outro lado desse embate, iniciativas jornalísticas como a plataforma Aos Fatos combatem as fake news para dar aos cidadãos informações reais para decidir livremente o seu voto no próximo dia 28. “A desinformação só serve para reforçar crenças e valores. Com ela só é possível influenciar pessoas que têm preconceitos sobre determinados temas”, conclui Tai Nalon.

 
19
Out18

Denúncia de propaganda ilegal de Bolsonaro no WhatsApp pode constituir crime eleitoral, diz imprensa europeia

Talis Andrade

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Por RFI

19
Out18

Disse Sergio Moro (que continua calado sobre caixa 2 de Bolsonaro): "A corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito"

Talis Andrade

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"Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia", acentuou Moro

 

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Rosangela Moro declarou: Toda escolha tem seu valor, exceto compactuar com corruptos que roubam nossa cidadania

 

247 - O juiz Sergio Moro, que em nome do combate à corrupção condenou sem provas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não se pronunciou sobre o esquema ilegal, por meio de caixa 2, feito por empresários para divulgar fake news de forma massiva em prol do candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL).

 

Em abril deste ano, Moro declarou, durante uma palestra na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que "caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia". "Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito", disse na ocasião.

 

Na palestra feita no início do ano, ele também defendeu mudanças na legislação por entender que atual tipificação de caixa 2, que considera o caso semelhante à falsificação como "inadequada". "Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral", disse.

 

"Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível", completou.

 

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A empresária Rosângela Wolff Moro, esposa do juiz Sergio Moro, fez uma publicação em sua conta no Instagram sobre os protestos do movimento #EleNão, contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República.

 

Rosângela não criticou as manifestações, mas atacou o discurso de “grupo contra grupo” e disse que não pode ser “X versus Y”. O principal mote do movimento é a oposição de mulheres, negros e pessoas LGBT a Bolsonaro por considerarem o discurso dele machista, racista e homofóbico.

 

O post é ilustrado por uma montagem com fotos de manifestantes que usaram nudez e o discurso identitário (como uma foto de um menino que se identifica como “viado”, ao lado da mãe dele, que se identifica como “mãe de viado”) para se opôr a Bolsonaro. Rosângela pregou a união nacional: “Não são feministas x fulano. Cada brasileiro tem seu valor”.

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No entender deste Correspondente ela fez uma declaração de voto em Bolsonaro. Está explícito.

 

Para a revista Veja: Sem indicar apoio ao presidenciável do PSL ou a qualquer outro candidato, Rosângela Moro afirmou que “toda opção tem seu valor, exceto votar em bandido”. Ela não deixou claro qual candidato considera “bandido”, mas foi seu marido, o juiz Moro, quem condenou à prisão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal artífice da candidatura de Fernando Haddad (PT), adversário de Bolsonaro.

 

A grande quantidade de notícias falsas, as fake news, e a lentidão da Justiça ao julgar registros de candidaturas impactaram negativamente o primeiro turno das eleições no Brasil. Essa é a conclusão do relatório preliminar divulgado nessa segunda-feira (8) pela Missão de Observação Eleitoral da OEA, Organização dos Estados Americanos.

 

Foi a primeira vez que 41 especialistas de 18 nacionalidades acompanharam as eleições no país. Para eles, tanto as instituições brasileiras quanto a imprensa têm se esforçado no combate às mentiras, mas o desafio é conseguir levar a verdade para os grupos privados de discussões, como os do WhatsApp.

 

Falta (depende de investigações do fisco, da Polícia Federal) saber quantos milhões (caixa 2) foram investidos em propaganda política enganosa, em meias-verdades, boatos e mentiras nas redes sociais, inclusive com publicidade subliminar. 

 

Empresas compram pacotes ilegais de envio de mensagens contra o PT no WhatsApp, diz jornal

 

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Informa o jornal El País, Espanha:

 

Empresários compraram irregularmente pacotes massivos de envio de mensagens contrárias ao PT pelo WhatsApp, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pelaFolha de S.Paulo. De acordo com a apuração do jornal, os contratos chegam a 12 milhões de reais e, entre os compradores, está Luciano Hang, dono da Havan. Ele apoia publicamente Jair Bolsonaro (PSL) e já foi obrigado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a retirar de seu Facebook um vídeo favorável ao capitão reformado que tinha sido pago para alcançar mais pessoas. A ação, revelada pelo EL PAÍS em agosto, é proibida pela legislação eleitoral, que diz que só os próprios candidatos, partidos e suas coligações podem comprar propaganda eleitoral no Facebook. Bolsonaro nega, por meio de seu advogado, qualquer participação em irregularidades. Hang também. O WhatsApp disse, em nota, que "está investigando os pontos denunciados pela reportagem".O PT afirma que acionará a Justiça, enquanto PDT, de Ciro Gomes, diz que pedirá para anular a eleição. 

 

Segundo a matéria da Folha as empresas "apoiando o candidato Jair Bolsonaro" compram de companhias especializadas um serviço chamado "disparo em massa" de mensagens no WhatsApp. Para isso, usam a base do próprio candidato ou partido ou uma base das próprias empresas que prestam o serviço, o que é ilegal porque a legislação eleitoral também não permite a compra de base de dados de terceiros. Essas bases de nomes compradas oferecem segmentação por região geográfica e, às vezes, por renda, explica o jornal. Muitas vezes, elas são fornecidas por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas, também segundo a Folha. O jornal diz ainda que as empresas investigadas pela reportagem estavam impossibilitadas de aceitar novos pedidos antes de 28 de outubro, data do segundo turno, por terem serviços enormes de disparos previstos para a véspera. Segundo o jornal, a prática também foi usada pelo candidato ao Governo de Minas Gerais pelo partido Novo, Romeu Zema. A companhia contratada pelo candidato, Croc Services, chegou a dizer ao jornal que não havia feito disparos massivos. Depois, no entanto, admitiu o serviço, mas negou que tenha utilizado banco de dados de não filiados ao novo.

 

A prática relatada pode configurar doação de campanha por empresa, o que é ilegal. Além do mais pode conter outra irregularidade caso se comprove que partiu de uma campanha política e não foi registrada na prestação de contas do candidato. A declaração do candidato ao TSE contém apenas o pagamento de 115.000 reais a uma empresa que realiza serviços de mídias digitais, a AM4 Brasil Inteligência Digital, que afirmou à Folha que mantém apenas grupos de WhatsApp para denúncias de fake news, listas de transmissão e grupos estaduais chamados comitês de conteúdo, relata o jornal. A Folha, entretanto, revela que apurou que o serviço dela não se restringe a isso. Uma das ferramentas usadas é a geração de números estrangeiros automáticos. Esses números são distribuídos a funcionários e voluntários —cada qual com dezenas deles— que são usados para administrar grupos ou participar deles. Com os códigos de outros países eles escapam dos filtros de spam e de limitações impostas ao WhatsApp no Brasil, como a limitação no número de participantes e na quantidade de repasse automático.

 

O EL PAÍS entrou durante a campanha em alguns desses grupos de apoiadores do candidato Bolsonaro e constatou a existência de muitos números com códigos de outros países entre os administradores. Há números dos Estados Unidos, Portugal, Itália e Reino Unido, entre outros. Em 28 de setembro, reportagem mostrou como funciona a máquina de fake news que opera nos grupos a favor de Bolsonaro no WhatsApp. O EL PAÍS acompanhou três grupos por três semanas, que publicavam juntos mais de 1.000 mensagens por dia, com conteúdos que informavam, por exemplo, que as urnas eletrônicas já foram fraudadas no país, algo que nunca aconteceu. Havia na ocasião ao menos cem grupos públicos que apoiam o capitão reformado do Exército no aplicativo. Transcrevi trechos 

 

 

 

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19
Out18

Eleitor, você foi enganado!

Talis Andrade

 

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Você compraria uma obra de arte de um falsificador?

Você compraria um vinho, um uísque, um medicamento de um contrabandista?

Você trocaria moeda, para viajar para o exterior, com um doleiro, um moedeiro falso?

Você confia nas estórias de um mitomaníaco?

Você continuaria amigo de uma pessoa que traiu sua confiança? 

Você confia a presidência do Brasil a um mentiroso, enganador, boateiro, embusteiro, conversador, intrigante?

 

CAMPANHA DE BOLSONARO JÁ ERA ACUSADA DE VÁRIOS CRIMES

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Segundo especialistas, campanha de Jair Bolsonaro pode ser denunciada por caixa 2, corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, injúria, intimidação.

 

Morosidade em responder e investigar os crimes fragiliza a Justiça.

 

O embate entre Bolsonaro e TSE já começou: "o clima aqui tem sido de constrangimento, desde o início do mês", contou uma servidora do Tribunal.

 

 

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19
Out18

Bolsonaro usou e abusou do WhatsApp, uma arma eleitoral sem lei

Talis Andrade

"Não tem como uma empresa trabalhar com o WhatsApp sem infringir uma regra do  Tribunal Superior Eleitoral"

 

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 DADO RUVIC REUTERS

 

 

El País/ Espanha
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"Não tem como uma empresa trabalhar com o WhatsApp sem infringir uma regra do TSE [Tribunal Superior Eleitoral]", diz Osmar Lazarini, diretor da Agência Trampo, especializada em marketing digital. Lazarini, cuja empresa participou de cinco campanhas neste ano, diz que nunca disparou uma mensagem em massa pelo aplicativo. Segundo ele, o TSE deixava claro que o envio de mensagens para milhares de usuários ao mesmo tempo era proibido, mas as regras acabaram ficando tão abrangentes que liberaram o disparo de mensagens para celulares válidos — aqueles cujos números foram adquiridos de forma legal. Parece ter sido essa a porta usada por empresários apoiadores de Jair Bolsonaro para turbinar ilegalmente a campanha digital do candidato de extrema direita, segundo uma reportagem da Folha de S.Paulo. De acordo com o jornal, houve a compra de pacotes massivos de mensagem anti-PT para favorecer o candidato do PSL. Mesmo se não for comprovado que a campanha do capitão reformado tem ligação direta com a operação (ele disse que "não controla" os apoiadores), a prática de apoio financeiro de empresas a postulantes na eleição é crime porque está vedada pela lei eleitoral.

O caso trouxe de vez o tema do WhatsApp e sua influência na campanha para o centro do debate eleitoral. A reportagem da Folha e seus possíveis desdobramentos, como o eventual avanço da ação de impugnação contra Bolsonaro movida pelo PT, acrescentam um capítulo importante na nebulosa legislação sobre propaganda de campanha virtual, aliada à falta de preparo das autoridades para lidar  tanto com as ferramentas como com as mentiras disseminadas por elas. Trata-se de uma problemática que já tinha colocado os holofotes sobre o papel do duopólio dos gigantes de tecnologia Facebook (dono do WhatsApp) e Google na campanhas no Brasil, mas que está longe de se restringir às disputas eleitorais locais.

 

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Falta de rigidez nas regras e de meios para auditar mensagens geram desconfiança sobre influência indevida

 

Do escândalo do uso abusivo de dados pela Cambridge Analytica via Facebook nas eleições dos EUA à investigação da influência russa nas conversas políticas por lá, ainda não está totalmente claro o alcance e o tamanho do impacto das plataformas, quer usadas legal ou ilegalmente, nos sistemas democráticos. Em todo o mundo, autoridades ainda debatem como regular as redes sociais: esbarram em questões técnicas, no modelo de negócios praticamente monopólico das empresas envolvidas e no debate a respeito sobre de que forma o monitoramento pode ser feito sem limitar a liberdade de expressão. Enquanto não se descobrem soluções factíveis, os escândalos se sucedem e a nuvem de suspeitas cresce. 

 

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Tribunal Superior Eleitoral tratou do aplicativo em reunião nesta semana, dias antes do segundo turno

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Nesta campanha brasileira, o problema se torna ainda mais complexo, dado o pretenso rígido controle da propaganda eleitoral no Brasil que passou a conviver com as novas regras inéditas para o financiamento de campanha nas redes sociais e as especificidades de um aplicativo como o WhatsApp. Pesquisas já apontavam a centralidade dele, de uso intenso, na circulação de informação. Um estudo conjunto da UFMG, da USP e da Agência Lupa estimou, por amostragem de grupos públicos, que 4 em cada 50 imagens que circulavam no aplicativo era falsa. Enquanto isso, as autoridades eleitorais brasileiras se limitavam a dizer – como fez a presidente do TSE, Rosa Weber, no primeiro turno – que ainda estavam "entendendo" o fenômeno das mentiras distribuídas como notícias. Os controladores do WhatsApp, por sua vez, repetiam mensagens protocolares de que a ferramenta havia reduzido a escala de disseminação de mensagens. 

 

Foi só na última terça-feira, a 12 dias do segundo turno, que o TSE se reuniu com dois representantes do WhatsApp para discutir a utilização do aplicativo na campanha. Um dos membros do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do TSE que participou da reunião disse ao EL PAÍS que os dois executivos, que participaram por videoconferência, reconheceram a gravidade dos problemas e garantiram ter banido centenas de milhares de contas durante o primeiro turno. A mensagem foi reforçada pela empresa nesta quinta-feira por meio de nota após a publicação da reportagem da Folha e está em consonância com a campanha do Facebook, que criou uma "sala de guerra" para monitorar as eleições no Brasil e nos Estados Unidos.

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Quatro meses sem reuniões no TSE "para tratar de questionamentos levantados no primeiro turno das Eleições

 

 

O Conselho Consultivo do TSE, composto por representantes da Justiça eleitoral, do Governo Federal, do Exército e da sociedade civil, ficou quatro meses sem se reunir entre o dia 4 de junho e a semana passada — um hiato que ocorreu durante a troca de comando do ministro Luiz Fux pela ministra Rosa Weber na presidência da Corte. Para esta sexta-feira, o tribunal anuncia uma entrevista coletiva junto com representantes do Governo federal  "para tratar das medidas institucionais adotadas para responder aos questionamentos levantados no primeiro turno das Eleições 2018".

 

Na última reunião do Conselho Consultivo do TSE, o WhatsApp recebeu uma série de sugestões para tentar evitar o risco de que seja usado para espalhar desinformação. Entre as propostas estão reduzir de 20 para 5 o número de reencaminhamentos de mensagem, uma medida já adotada na Índia, e diminuir de 9.999 para 499 o teto de grupos que podem ser criados por cada usuário. Mas a mecânica das empresas que oferecem envio de mensagens em massa não se submete a esses limites.

 

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Ayman Toon

 

"As mensagens chegam com o nome do cliente e a taxa de aceitação é impressionante:  95% são abertas" 

 

Em novembro de 2015, Alessandro Santana, CEO da agência Atmosfera Publicidade, descreveu ao site Infomoney como o sistema funcionava: "Compramos linhas de telefone comuns e disparamos através de um software. As mensagens chegam com o nome do cliente e a taxa de aceitação é impressionante: 95% da mensagens são abertas". Procurado pela reportagem nesta quinta-feira, Santana disse que deixou de usar o sistema logo depois de conceder a entrevista em que era apresentado como "responsável pela criação do conceito de WhatsApp Marketing no Brasil". "Para mim, não deu certo. Naquela época, já tinha alguns concorrentes, mas não demos continuidade", diz. Hoje, Santana diz não acreditar que os disparos de fato funcionem. "Eu acho que ninguém dispara nada. Não conheço ninguém que recebeu, acho que é mentira. Antes de o Facebook comprar o WhatsApp, até funcionava. Começou a ter um bloqueio maior, eles têm um nível de segurança muito forte", diz.

 

O fato é que o serviço de WhatsApp marketing é fartamente anunciado por agências de propaganda na Internet. "O WhatsApp Marketing é uma revolução no Marketing Direto de relacionamento com o cliente final", diz o site da Bulk Services. "Você pode enviar imagens com textos mais elaborados e até mesmo vídeos em anexo, tendo um impacto maior na conversão em suas campanhas de ativação. Empresas de todo porte tem (sic) usado esse canal com um retorno positivo. É um dos aplicativos mais utilizados no Brasil e no mundo, com 120 milhões de brasileiros ativos atualmente", diz a empresa, que também oferece "listas segmentadas" por "sexo, idade, cargo, estado, cidade, bairro, renda, classe social e muito mais", e acrescenta: "Além disso, temos base tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica".

 

Na nota divulgada nesta quinta-feira, o WhatsApp diz que tem "tecnologia de ponta para detecção de spam que identifica contas com comportamento anormal ou automatizado, para que não possam ser usadas para espalhar spamou desinformação”. O problema é que não é possível auditar a ferramenta, na qual, segundo reportagem recente do The New York Times baseada num estudo de uma empresa israelense, é possível até se falsear o autor de uma mensagem enviada. "O crime compensa. O WhatsApp não tem ferramenta de rastreio. Não adianta passar uma portaria para pedir a entrega de dados para saber quem começou a passar a mensagem. O Facebook [dono do WhatsApp] não vai entregar. Esses mecanismos precisam ser criados", diz Osmar Lazarini, da Agência Trampo. Segundo ele, é possível comprar pacotes para enviar 1 milhão de mensagens por valores entre 35.000 e 85.000 reais.

 

Dados pessoais como os números de telefone e endereços de e-mail são captados por robôs disparados por softwares criados para coletar informações, e sua utilização vai além do WhatsApp. Em meio ao obscuro terreno virtual, os boatos prosperam. Lazarini ouviu dizer que um candidato ao Senado usou um crawler, um software que faz varreduras por informações, para se cadastrar em 800 grupos de Facebook. “Enviamos mais de 140 propostas de marketing político digital neste ano. Convertemos apenas cinco campanhas e, mesmo assim, parciais. Tenho receio de que a nossa baixa conversão foi porque deixamos explícito que trabalhamos dentro das regras do TSE”, diz o diretor da Agência Trampo.

 

 

18
Out18

CAIXA 2 DA CAMPANHA DE BOLSONARO FINANCIA ONDA DE FAKE NEWS EM WATSAPP

Talis Andrade

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O PT analisa nesta quinta-feira uma série de medidas judiciais que serão tomadas para apurar o que a campanha de Fernando Haddad à Presidência aponta como crimes de organização criminosa, caixa dois, calúnia e difamação, lavagem de dinheiro da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) para financiar a propagação de mensagens de WhatsApp com doações empresariais ilegais e ilícitas.

 

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Reportagem da “Folha de S.Paulo” publicada nesta quinta mostra o envolvimento de empresas na compra de pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp, com contratos que podem chegar a R$ 12 milhões. A prática é ilegal. 

 

 

Cada compra pode chegar a 12 milhões de reais. Não se sabe quantos pacotes foram adquiridos. E distribuídos no primeiro turno das eleições. Nem quantos foram comprados e lançados nests segundo turno. E quantos estão para ser lançados nas redes sociais

 

Fernando Haddad afirmou no início desta tarde que o PT já tem um levantamento “de vários empresários que participaram” do suposto esquema, e que o partido exigirá que tais testemunhas sejam ouvidas em investigações conduzidas pela Polícia Federal.

 

“Ele [Bolsonaro] deixou rastro e nós vamos atrás do rastro para saber todo mundo que botou dinheiro sujo numa campanha de difamação”, afirmou Haddad, nesta quinta-feira. O candidato disse ainda que podem ser pedidas prisões em flagrante ou preventivas. O partido também formulou uma denúncia na Organização de Estados Americanos (OEA) de fraude internacional.

 

“Já sabemos vários que participaram. E estão vindo à tona os nomes, que nos vamos evidentemente preservar, mas pedir investigação junto à Polícia Federal.”

 

18
Out18

WhatsApp e o Caixa-2 de Bolsonaro. Cada contrato para disparar centenas de milhões de mensagem custou R$ 12 milhões

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

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Já se sabia que a eleição deste ano, em um país destroçado por um golpe de Estado, tinha o novo e perigoso componente da guerra cibernética. Agora, porém, o fato ganha contornos ainda mais nítidos e alarmantes. Segundo reportagem da Folha, o candidato das trevas, Jair Bolsonaro, foi favorecido por empresas que compraram pacotes de disparos em massa de mensagens no WhatsApp. A difusão de mensagens e de fake news, que teve forte impacto no primeiro turno, seria novamente acionada no segundo turno em uma operação ainda maior. O gasto milionário não foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que caracteriza crime eleitoral e poderia, se o país vivesse em uma democracia, cassar a candidatura do fascista.

 

De acordo com a reportagem, cada contrato para disparar centenas de milhões de mensagem custou R$ 12 milhões. Entre as empresas que pagaram pelo serviço ilegal está a rede de lojas Havan, que já foi autuada pelo Ministério Público do Trabalho por coagir funcionários a votar no candidato do PSL. A Folha também revela o nome das agências que fizeram o serviço sujo: Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market. A legislação eleitoral permite o envio de mensagens em massa, mas desde que seja pago pelo candidato e realizado com a lista de apoiadores do mesmo. No caso dos serviços contratados contra o PT, foram usadas bases vendidas por agências de estratégia digital, o que também é ilegal. Muitas vezes, bases de contatos são fornecidas ilegalmente por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas.

 

Diante da gravidade da denúncia da Folha, a coligação “O povo feliz de novo”, da chapa Fernando Haddad-Manuela D´Ávila, ingressou com pedido de investigação junto à Polícia Federal. O pedido aponta quatro possíveis crimes: utilização deliberada de notícias falsas (fake news); doação não declarada de verbas do exterior; propaganda eleitoral paga na internet; e, por fim, o uso indevido do WhatsApp. A petição menciona que o TSE já ordenou a retirada de mais de 100 links de fake news contra a coligação, somando mais de 146 mil compartilhamentos e 20 milhões de visualizações. O documento também solicita que a PF investigue a relação da campanha de Jair Bolsonaro com grupos estrangeiros sem transparência e sem prestação de contas, o que configuraria uma doação de fonte vedada. Há fortes indícios – inclusive com postagens do filho de Bolsonaro – da participação de Steve Bannon, responsável pela estratégia de redes de Donald Trump, na campanha de Jair Bolsonaro.

 

Se o Brasil fosse uma democracia e se a Justiça Eleitoral ainda tivesse alguma dignidade, a denúncia da Folha poderia resultar na cassação da candidatura de Jair Bolsonaro. Como aponta uma nota do Partido dos Trabalhadores, a contratação ilegal dos serviços “é uma ação coordenada para influir no processo eleitoral, que não pode ser ignorada pela Justiça Eleitoral nem ficar impune. O PT requereu, à Polícia Federal, uma investigação das práticas criminosas do deputado Jair Bolsonaro. Estamos tomando todas as medidas judiciais para que ele responda por seus crimes, dentre eles o uso de caixa 2, pois os gastos milionários com a indústria de mentiras não são declarados por sua campanha".

 

Ainda segundo a nota, “os métodos criminosos do deputado Jair Bolsonaro são intoleráveis na democracia. As instituições brasileiras têm a obrigação de agir em defesa da lisura do processo eleitoral. As redes sociais não podem assistir passivamente sua utilização para difundir mentiras e ofensas, tornando-se cúmplices da manipulação de milhões de usuários. O PT levará essas graves denúncias a todas as instâncias no Brasil e no mundo. Mais do que o resultado das eleições, o que está em jogo é a sobrevivência do processo democrático”.

 

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