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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

26
Set22

Dez mandamentos para resistir e sobreviver à última semana antes das Eleições 2022

Talis Andrade

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Ainda que algumas de nossas flores tenham ido ao chão, nada será capaz de deter a primavera que tomará as ruas no dia 2 de outubro com a eleição de Lula

 

por Ádamo Antonioni

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Não é de hoje que a esquerda sente na pele a escalada da violência no Brasil. Com a ascensão da extrema-direita no poder, consequentemente, uma névoa sombria de terror e medo sobrevoa o país desde 2018. A morte de Marielle Franco no Rio de Janeiro, que ainda hoje permanece um mistério sobre quem seria o mandante do crime, e do capoeirista Moa do Katendê na Bahia por um bolsonarista, eram um prenúncio dos tempos difíceis que tivemos que enfrentar desde então.  

Como já cantara Caetano Veloso em 1969 durante os tenebrosos anos de chumbo: “Atenção ao dobrar uma esquina. [...] É preciso estar atento e forte”. É triste imaginar que nossa geração está muito perto de viver aqueles dolorosos momentos de repressão que a geração de Caetano viveu com o golpe de 1964.  

 

Novamente estamos às voltas de uma tentativa de golpe com o atual ocupante do Palácio do Planalto que, diariamente, ataca as instituições como STF (Supremo Tribunal Federal), desqualifica o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e espalha desinformação entre seus apoiadores quanto às urnas eletrônicas. 

Diante desse cenário que tanto nos causa espanto e medo, podendo desestimular alguns do campo progressista ou desmobilizar outros, resumi nesta espécie de decálogo, os mandamentos para que a militância possa resistir e sobreviver até o primeiro turno das eleições presidenciais que acontecem neste domingo, 02 de outubro:
 
 

1-  Mantenha a esperança viva 

A esperança de dias melhores é o que nos motiva. Apesar do sofrimento que vivemos nestes últimos anos, temos a esperança de que amanhã, aliás, a partir de 1º de janeiro de 2023, haverá de ser outro dia. E que nossos ideais como igualdade, solidariedade, justiça social e respeito à diversidade, hão de se tornar realidades. Manter a esperança viva é ter a coragem para se levantar e lutar. “Esperançar”, como diria Paulo Freire.

 

2-  Proteja os seus e a ti mesmo 

O bolsonarismo é responsável por dois assassinatos de petistas só neste ano de 2022. Marcelo Arruda no Paraná e Benedito dos Santos, no Mato Grosso. Fora as agressões como de uma mulher em Angra dos Reis (RJ) depois de criticar Jair Bolsonaro e de uma janela com bandeira do PT ser alvo de tiros no Recife (PE). É preciso criar redes de apoio e proteção para cuidar dos nossos, especialmente, dos grupos mais vulneráveis à violência política, como mulheres e população LGBTI+. Evite andar sozinho nas ruas e redobre a atenção, sobretudo, se tiver identificado com as cores vermelhas associadas à esquerda. Mantenha o telefone de contato de seus amigos/as atualizado.  

 

3-  Não entre em discussões vãs na internet

As redes sociais criam uma falsa sensação de debate político. Muitos que participam das discussões já possuem sua opinião formada e querem apenas “trollar”, isto é, enfurecer ou perturbar uma conversa. Além disso, segundo pesquisa do ITS- Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro), cerca de 50% dos tuítes pró-Bolsonaro foram impulsionados por bots, ou seja, robôs que apresentam comportamento automatizado para passar a sensação de engajamento digital. As chances de você estar “batendo boca” e perdendo seu tempo com uma máquina atrás de um perfil fake, geralmente sem foto, é muito grande.   

 

4-  Não ceda à provocação nas ruas 

No último final de semana, o MBL (Movimento Brasil Livre) utilizou um adolescente para provocar a equipe de campanha de Guilherme Boulos, candidato a deputado federal pelo PSOL, que fazia um ato na Av. Paulista. Após confusão, o MBL acionou policiais para prender Boulos ilegalmente. A extrema-direita é intolerante e agressiva, age com provocações e insinuações para que percamos a linha e respondamos com baixaria. Mas a melhor resposta que podemos dar será nas urnas no dia 2 de outubro.  

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5-  Orgulhe-se de suas cores e símbolos 

É hora de ostentar nossas cores, sim. E por que não? O vermelho da cor do sangue que corre em nossas veias, a estrela, o martelo e a foice que mostra união da classe trabalhadora do campo e da cidade, a bandeira do arco-íris, as palavras de ordem estampadas nas camisetas. E no dia 2 de outubro, vá com um livro para sua sessão de votação, assim como fizemos em 2018. O livro é o símbolo mais potente contra este governo negacionista, terraplanista e obscurantista.  

 

6-  Não se desespere 

Se se receber uma desinformação em seu WhatsApp ou vê-la circulando nas redes sociais, mantenha a calma. Respire. Jamais a compartilhe. Denuncie. Nesta reta final, o bolsonarismo vai inundar as redes com mamadeiras de todos os tipos para espalhar pânicos morais, desinformar e tentar causar confusão na população. Repito: denuncie nas próprias plataformas que já disponibilizam campos próprios para isso.  

 

7-  Busque fontes confiáveis para se informar 

Se se deparar com alguma informação duvidosa, com dados confusos ou em tom alarmista, busque os sites que trabalham com checagem de informações, os chamados fact-checking, como Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E- Farsas e Fato ou Fake, são alguns deles.  

 

8-  Não espalhe fake news 

A dimensão ética nunca pode deixar de estar no horizonte de atuação do campo progressista. Por mais tentadora que possa ser, temos que resistir às armas do inimigo e levar sempre a verdade, a informação correta e os fatos concretos.  

 

9-  Fale com amorosidade 

Nesta reta final, há muitos indecisos e pessoas propensas à abstenção. Esteja aberto ao diálogo, mas fale com amorosidade, expressão utilizada por Paulo Freire, para se referir ao processo pedagógico de profundo amor ao ser humano. A amorosidade fala do compromisso com a justiça, da superação das opressões, mas também escuta com paciência e respeita as opções políticas alheias. Procure convencer essas pessoas sobre a importância do comparecimento às urnas no dia da votação e da necessidade de derrotar o ódio e o autoritarismo já no primeiro turno.  

 

10-  Não esqueça o título de eleitor  

Verifique com antecedência seus documentos, título e documento de identidade com foto. Também veja seu local de votação, sessão e endereço, caso precise se deslocar por causa do trânsito, etc. Quanto antes puder checar esses pormenores, mais cedo poderá se precaver de eventuais contratempos. 

Falta pouco. Olha só o quanto já enfrentamos e superamos até aqui.  

Resistimos como a flor de lótus que renasce a cada dia em meio à adversidade.  

E ainda que algumas de nossas flores tenham ido ao chão, nada será capaz de deter a primavera que tomará as ruas no dia 2 de outubro com a eleição de Lula para presidente do Brasil. 

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11
Ago22

Artistas fazem leitura de carta pela democracia; veja vídeo

Talis Andrade

Atores, cantores e personalidades do entretenimento participaram do vídeo.  -  (crédito: Reprodução/Twitter)

 

42 artistas leram o texto que defende Estado Democrático de Direito, urnas eletrônicas e resultado das eleições de outubro

 

Um grupo de 42 artistas, incluindo Fernanda Montenegro, Caetano Veloso, Chico Buarque, Marisa Monte, Anitta, Maria Bethânia, Antonio Fagundes, Milton Nascimento, Djavan, Dira Paes, Duda Beat, Wagner Moura e Juliette, divulgou nesta quarta-feira (10) um vídeo em que aparecem fazendo a leitura da "Carta às Brasileiras e aos Brasileiros pela Democracia".

Segundo o G1, a carta defendendo Estado Democrático de Direito, as urnas eletrônicas e resultado das eleições de outubro foi lançada depois dos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra as urnas e o sistema eleitoral brasileiro. 

A leitura oficial da Carta às Brasileiras e aos Brasileiros pela Democracia nesta quinta-feira (11/8), aconteceu na Universidade de São Paulo (USP), mais especificamente no Pátio das Arcadas do Largo de São Francisco, em ato organizado por juristas e movimentos sociais.

Até o momento, o documento soma quase 900 mil assinaturas e defende as urnas eletrônicas e o Estado Democrático de Direito.

Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral”, afirma a carta.

 

 

MANIFESTAÇÃO DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL À COMUNIDADE JURÍDICA

No mês em que se comemora a fundação dos cursos jurídicos no Brasil, a Faculdade de Direito da UFRGS - que tem dado à comunidade jurídica nacional grande número de profissionais que ocuparam e ocupam posições de alta responsabilidade na construção da democracia brasileira - vem manifestar seu compromisso de defesa do sistema constitucional pátrio.

Esse compromisso se traduz no repúdio a qualquer suspeição ao sistema eleitoral, que tanto tem orgulhado a Nação Brasileira, e na defesa dos ideais democráticos pelos quais esta Faculdade tem se pautado.

O compromisso aqui assumido deve vir a público, visto que esta casa é a alma mater de muitos membros do Poder Judiciário (guardião da Constituição e das leis), do Ministério Público (fiscal da legalidade), da Advocacia Pública e Privada (bastiões indispensáveis da administração da Justiça), da Defensoria Pública (constitucionalmente definida como instrumento do regime democrático), de servidores públicos e das demais carreiras jurídicas.

Nenhum comportamento de desrespeito às Instituições Públicas pode ser respaldado porque afronta às Instituições Públicas e ao juramento que todos os que saem desta casa fazem de patrocinar o Direito, executando a Justiça e tendo sempre presentes os Direitos Humanos, a fim de não faltar à causa da humanidade e ao respeito com as diferenças.

A Faculdade de Direito da UFRGS, ao longo dos seus 122 anos, sempre foi o local de convivência de ideias divergentes no conteúdo, mas convergentes na crença de que sem um sistema democrático sólido e um Estado de Direito não há ideias que defender, nem Direito que possa imperar.

Renovado o sempre presente compromisso em busca de um Brasil melhor e, como a nossa Faculdade de Direito da UFRGS, um país democrático, diverso, inclusivo e isonômico, que respeita o Estado de Direito, exorta-se a todos que daqui saíram, Alumni e aos amigos da Faculdade de Direito da UFRGS, a permanecerem atentos e ativos na defesa dos valores aqui ensinados e à manutenção da Democracia e da ordem constitucional em nosso país.

Porto Alegre, 1° de agosto de 2022.
Conselho da Unidade Faculdade de Direito da UFRGS
CONSUNI-DIR-UFRGS (Decisão unânime do Conselho de 27.07.2022)

25
Jul22

O Rio de sangue de Cláudio Castro

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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Cláudio Castro (PL) já pode ostentar os títulos de rei das chacinas, campeão dos banhos de sangue e governador mais letal da história do Rio de Janeiro. Três dos maiores massacres cometidos por forças policiais no estado ocorreram sob seu comando.

O do Jacarezinho, em maio do ano passado, com 28 pessoas assassinadas; o da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, com 25 mortos, e agora o do Complexo do Alemão, com 19 vítimas (até o momento em que escrevo). Castro transformou a carnificina em espetáculo midiático-eleitoral.

Com cinismo nauseabundo, o carniceiro do Palácio Guanabara tentou empurrar a responsabilidade pela matança para Marcelo Freixo (PSB), seu principal adversário na disputa ao governo do Rio, e para “seu partido e aliados que proibiram nossas polícias de enfrentar esses bandidos em determinadas áreas. (…) Mas comigo não tem essa.” Uma afronta explícita à decisão do STF, em vigor desde o auge da pandemia de Covid, de que a polícia só realize operações em favelas em situações excepcionais.

“Operação de inteligência”??? Conta outra. A polícia do Rio deve ser uma das mais incompetentes do mundo. Não consegue (ou não quer) atacar o cerne dessa tragédia social: evitar a chegada de armas e drogas nos morros. E não consegue (ou não quer) porque tem muita gente ganhando dinheiro com isso na metrópole à beira-mar.

Lembro da canção de Caetano e Gil, “Haiti”. Mata-se o povo preto e pobre, “só pra mostrar aos outros quase pretos/(e são quase todos pretos)/e aos quase brancos, pobres como pretos/como é que pretos, pobres e mulatos/e quase brancos, quase pretos, de tão pobres, são tratados”.

Morticínio é política de Estado nas sociedades em que não há lugar para todos. Esse é o cerne da violência bolsonarista, encarnada por Claúdio Castro. Suas hostes assassinas salivam sangue. São elas que poderão dar apoio à ruptura institucional planejada pelo tresloucado senhor das milícias do Palácio do Planalto.

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O violento deputado do PSL, que destruiu placa de exposição sobre o genocídio negro na Câmara, ameaçou Lula de morte, e aprova e participou de chacinas policiais

 

por Nataly Simões /Alma Preta

O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) quebrou uma placa que denunciava o genocídio da população negra. A peça é uma obra do cartunista Carlos Latuff e integrava a exposição “(Re)Existir no Brasil - Trajetórias negras brasileiras”, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O ato de vandalismo aconteceu no primeiro ano do governo racista de Bolsonaro, em 19 de novembro de 2019.

Em um dos vídeos, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) aparece criticando a obra, junto ao Coronel Tadeu que a destruiu. Daniel é um dos parlamentares que quebraram uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco em ato de campanha durante as eleições de 2018.

[O deputado Tadeu tem o mesmo discurso dos deputados militares e policiais bolsonaristas.

O discurso de ódio, nazista, golpista, necropolítico.

O discurso xenofóbico, racista, misógino e homofóbico.

O coronel Tadeu ameaçou Lula de morte. O soldado deputado Daniel Silveira ameaçou ministros do STF, para merecer a graça presidencial]  

Para a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), a atitude se trata de um crime de racismo. “Não podemos ser tratados como deputados de segunda categoria nessa casa”, destacou.

 

 

24
Jul22

O Rio de sangue de Cláudio Castro (galeria de fotos)

Talis Andrade

Charge por Carlos LatuffPolícia Mata 13 no Alemão e Realiza Operações em Várias Favelas do Rio, em  Meio à Pandemia - RioOnWatchMoradores descem a favela carregando 5 corpos após operação no Complexo do  Alemão - Voz das Comunidades19ª vítima da operação no Complexo do Alemão era uma dona de restauranteComplexo do Alemão: Veja quem são os mortos - 22/07/2022 - Cotidiano - FolhaComplexo do Alemão: Veja quem são os mortos - 22/07/2022 - Cotidiano - FolhaOperação no Complexo do Alemão deixa ao menos 5 mortos; moradores carregam  mais corposArmas de PMs envolvidos em ação que matou mulher no Complexo do Alemão são  apreendidas - Casos de Polícia - Extra OnlineO massacre que interrompeu a quarentena no Complexo do Alemão - Ponte  JornalismoComplexo do Alemão: "Foi um massacre chamado de operação policial"

por Cristina Serra

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Cláudio Castro (PL) já pode ostentar os títulos de rei das chacinas, campeão dos banhos de sangue e governador mais letal da história do Rio de Janeiro. Três dos maiores massacres cometidos por forças policiais no estado ocorreram sob seu comando.

O do Jacarezinho, em maio do ano passado, com 28 pessoas assassinadas; o da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, com 25 mortos, e agora o do Complexo do Alemão, com 19 vítimas (até o momento em que escrevo). Castro transformou a carnificina em espetáculo midiático-eleitoral.

Com cinismo nauseabundo, o carniceiro do Palácio Guanabara tentou empurrar a responsabilidade pela matança para Marcelo Freixo (PSB), seu principal adversário na disputa ao governo do Rio, e para “seu partido e aliados que proibiram nossas polícias de enfrentar esses bandidos em determinadas áreas. (…) Mas comigo não tem essa.” Uma afronta explícita à decisão do STF, em vigor desde o auge da pandemia de Covid, de que a polícia só realize operações em favelas em situações excepcionais.

“Operação de inteligência”??? Conta outra. A polícia do Rio deve ser uma das mais incompetentes do mundo. Não consegue (ou não quer) atacar o cerne dessa tragédia social: evitar a chegada de armas e drogas nos morros. E não consegue (ou não quer) porque tem muita gente ganhando dinheiro com isso na metrópole à beira-mar.

Lembro da canção de Caetano e Gil, “Haiti”. Mata-se o povo preto e pobre, “só pra mostrar aos outros quase pretos/(e são quase todos pretos)/e aos quase brancos, pobres como pretos/como é que pretos, pobres e mulatos/e quase brancos, quase pretos, de tão pobres, são tratados”.

Morticínio é política de Estado nas sociedades em que não há lugar para todos. Esse é o cerne da violência bolsonarista, encarnada por Claúdio Castro. Suas hostes assassinas salivam sangue. São elas que poderão dar apoio à ruptura institucional planejada pelo tresloucado senhor das milícias do Palácio do Planalto.

16
Jul22

TV Brasil esconde assassino bolsonarista

Talis Andrade

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por Altamiro Borges 

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pelas produções da Agência Brasil e pelas transmissões da TV Brasil, virou um fábrica de manipulações do “capetão” Jair Bolsonaro. Nesta semana, os seus produtos jornalísticos esconderam que o assassino do dirigente do PT em Foz do Iguaçu é um fanático bolsonarista. A bárbara execução do petista Marcelo Arruda pelo miliciano Jorge Guaranho foi distorcida na maior caradura. 

Na segunda-feira (11), a Agência Brasil postou uma notinha lacônica: “Polícia do Paraná investiga a morte de guarda municipal em Foz do Iguaçu”. No mesmo dia, a TV Brasil noticiou com frieza: “Guarda municipal é morto após troca de tiros”. Os dois veículos não informaram que o covarde assassino é um bolsonarista declarado. E mesmo a menção de que o morto era um dirigente petista foi feita com muita discrição. 

O texto e a gravação da EBC omitiram completamente qualquer ligação do policial com o presidente fascista, contrastando com a cobertura do restante da mídia, que destacou essa informação. Tentaram negar o nítido caráter político da execução, seguindo o script traçado por Jair Bolsonaro, seus filhotes e seus capachos. Isto apesar do assassino ter invadido uma festa familiar de aniversário aos gritos “Aqui é Bolsonaro” e “mito”. 



EBC fere a democracia e o jornalismo



Diante de mais essa descarada e infame manipulação, a Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública divulgou nesta quarta-feira (13) uma nota de repúdio à censura interna e cobrou mudanças na empresa. “O resultado, triste e revoltante, é constatar que a EBC, mentindo de forma descarada para o público, fere a democracia e perpetua um tipo de violência política que a sociedade brasileira quer ver extirpada, ainda mais faltando menos de 3 meses para as eleições”. 

A corajosa nota inclusive dá os nomes dos responsáveis diretos por essas manipulações. “Comandada pela atual diretora Sirlei Batista, a equipe responsável pela gestão do jornalismo da casa (Oussama El Ghaouri e Paulo Leite na TV Brasil, Luciano Seixas e Gabriela Mendes no Radiojornalismo e Juliana Andrade e Bruna Sanielle na Agência Brasil) promove sistemática prática de censura e promoção do governo Bolsonaro nos veículos da EBC... Ressaltamos, por fim e mais uma vez, que a autonomia da EBC frente ao governo de plantão foi uma conquista árdua da sociedade. Está garantida na Lei 11.652. A EBC não pertence ao governo. A EBC é do povo! E jamais abriremos mão disso” [leia a íntegra da carta ao final]. 



Interferência de Bolsonaro na EBC



Como relembra o site do coletivo Jornalistas Livres, esse não é o primeiro caso de censura e manipulação nos veículos da empresa. Em fevereiro de 2021, “foi divulgado que o governo de Jair Bolsonaro havia interferido 138 vezes no trabalho da EBC, segundo um dossiê da comissão de empregados, em parceria com sindicatos e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com denúncias de “censura ou governismo” em pautas e matérias da empresa realizadas de janeiro de 2019 a julho de 2020”. 

Já em abril desse ano, o jornal Le Monde Diplomatique-Brasil publicou longa reportagem atualizando os casos de censura, aparelhamento e tentativas de privatização ou extinção da EBC. De acordo com a terceira ediçao do relatório da comissão de funcionários, entre julho de 2020 e agosto de 2021, ocorreram 161 novos casos de censura e mais 89 de governismo. “Segundo a reportagem, a título de comparação, no primeiro relatório, de 2018, no governo de Michel Temer, foram contabilizados 61 casos. Já em 2019, no segundo relatório, já com Bolsonaro na presidência, o dossiê apurou 138 denúncias”. 

“A terceira edição do relatório ainda indicava, no período referido, 208 interrupções na programação da TV Brasil por eventos do governo federal, ocupando ilegalmente a grade da TV pública por 157 horas, 42 minutos e 29 segundos. Os números reforçam o absurdo da unificação entre TV Brasil e NBr, que era o canal de programação do Executivo, medida que a direção da EBC tomou em 2019, transformando a emissora pública em central de propaganda do governo. Entre as transmissões do presidente, estavam a inauguração de pavimentação de rodovias, cultos evangélico, formatura de militares e até ao sistema eleitoral do país”. 
10 Melhores charges sobre censura de livros em 2019

 

Jornalistas têm sofrido perseguição do Governo Bolsonaro

Carta de repúdio da Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública 


“Nós, trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), vimos por meio desta carta aberta reafirmar o caráter público da empresa e exigir que os atuais gestores RESPEITEM os objetivos e os princípios constitucionais da lei que criou a Empresa. 

Em seu artigo 2º, parágrafo 8º, a Lei nº 11.652/2008, afirma que a empresa deve ter “autonomia em relação ao Governo Federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão”, a base da comunicação pública. 

A Lei da EBC foi aprovada para aplicar o artigo 223 da Constituição, que estabeleceu “o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”. 

Por lei, os veículos da EBC devem difundir e promover a cidadania, a diversidade e a pluralidade. 

Não podemos servir de instrumento para propaganda e promoção pessoal de presidentes ou de governos, como tem sido atestado em inúmeros relatórios produzidos por seus empregados. 

Ao longo de 2020, listamos grande volume de episódios de censura no 2º Dossiê de Censura e o relatório da Ouvidoria Cidadã da EBC, lançada em dezembro pela Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública, detalhou casos de governismo e desrespeito à lei em conteúdos veiculados.

A nova gestão altera o organograma e cria novos cargos para abrigar apaniguados. 

Enquanto isso, a programação própria dos veículos da EBC é reduzida a quase nada e feita sem nenhum investimento. Não há mais incentivo para a produção independente. A empresa produz programas encomendados pela Esplanada e pelas Forças Armadas – que, inclusive, se regozijou premiando um deles, o Faróis do Brasil. Outra imoralidade é a injeção de dinheiro público em emissoras privadas. Saiu no jornal que a EBC negocia a compra de “Os dez mandamentos”, a novela bíblica da Record, para ser exibida na TV Brasil. 

O próprio diretor-presidente da EBC, Glen Lopes Valente, deu declarações que contrariam os princípios de comunicação pública previstos na lei. Em tom de comunicação institucional, sua fala foi publicada na Agência Brasil no dia 19 de novembro, na matéria “EBC participa do 10º Encontro de Gestão de Custos do Setor Público”: “Brinco que a gente tem um conglomerado de comunicação. A gente tem plataforma de rádio, televisão, internet e a gente está maximizando todas essas plataformas para fazer a comunicação de tudo que acontece no governo”. 

São inúmeros os casos de interferência na pauta jornalística e na grade das emissoras de rádio ou da TV Brasil. Tivemos alterações profundas em programas que são patrimônio da TV pública, como o Sem Censura, há 35 anos no ar. Um marco por ampliar o debate na sociedade no pós-ditadura, o Sem Censura foi totalmente reformulado em 2020 e saiu da grade no fim do ano passado. 

Registramos também a edição do programa Antenize para retirada de uma imagem de Marielle Franco; a censura ao Alto-Falante, da Rede Minas, que não foi ao ar por conter clipe de Arnaldo Antunes falando sobre milícia, autoritarismo, tortura e terraplanistas. 

A diversidade, uma marca da TV Brasil, que já teve uma jornalista negra, Luciana Barreto, entre os seus âncoras, também sofre. Não se pode fazer qualquer menção ao público LGBTI. 

Todos os esforços dessa gestão são contrários e desencorajadores da comunicação pública, assim como em igual medida buscam camuflar e blindar o atual governo de quaisquer polêmicas. 

A empresa negligencia, ainda, a cobertura da pandemia de Covid-19, dando dados descontextualizados e não acompanhando a evolução da doença no Brasil. A TV Brasil ignorou a falta de oxigênio em Manaus e as Redes Sociais não puderam noticiar a primeira pessoa vacinada contra à Covid. 

Outros assuntos sequer foram pautados, como as incompetências administrativas de ministérios chefiados por militares; o desmatamento da Amazônia; o negacionismo científico sobre a Covid-19; além de ausência de cobertura humanizada, com histórias de perdas familiares relacionadas à pandemia e demandas de movimentos sociais. Em alguns poucos casos, a insistência do profissional com a pauta rende uma matéria sobre esses temas, desde que não contenha críticas ao governo. 



Censura e governismo 



São utilizadas diferentes táticas de censura, como o atraso de horas na publicação de reportagens e conteúdos colocados no ar sem os metadados necessários para que eles apareçam em mecanismos de busca como o Google. Ou seja, as reportagens desaparecem. 

O jornalismo é o alvo central de decisões autoritárias e colegas têm sofrido perseguição até com mudança compulsória de setor. Repórteres recebem pautas vexatórias ou absurdas, com destaques, enfoques e temas favoráveis ao governo ou que apenas promovem a imagem do presidente e de ministros de Estado. Vozes dissonantes – incluindo presidentes e autoridades dos Poderes Judiciário e Legislativo —são silenciadas. Jornalistas são constrangidos diariamente a ignorar assuntos relevantes do dia ou fazer uma abordagem superficial que não desagrade. 

Destacamos o vergonhoso episódio de transmissão da seleção brasileira de futebol, no qual o narrador saudou o presidente Bolsonaro. Além desse evento, há outros sem nenhuma relevância, como a participação do presidente em jogo beneficente, em infindáveis formaturas militares ou nos mais de 10 minutos em que Bolsonaro apareceu ao vivo acenando para carros em uma rodovia. 

As redes sociais foram apropriadas para fazer propaganda governamental, com publicações coordenadas em todos perfis da casa de assuntos de interesse do governo – como a campanha do PIX – e com conteúdo sem nenhuma relação com as emissoras públicas Lembramos também o fim do perfil EBC na Rede e o apagamento de publicações antigas. Além de orientações de censura prévia, com a divulgação de lista de assuntos permitidos para publicação e o veto a assuntos “sensíveis”. Entre eles, o caso Beto Freitas, brutalmente assassinado no Carrefour em Porto Alegre, e matérias relacionadas à Pandemia da Covid-19. 

Esses episódios poderiam ser caracterizados como crime contra o princípio constitucional da impessoalidade na administração pública, já que não é permitido o uso de meios de comunicação públicos ou estatais para promoção pessoal. 

Ataques à EBC e a seus funcionários 

Convivemos com a permanente ameaça de fechamento de emissoras históricas de rádios e a privatização da própria EBC. 

RESSALTAMOS que extinguir a empresa deixaria órfãs 7 mil rádios por todo o país. As emissoras baixam conteúdo diariamente da Radioagência Nacional, que publica uma média de 80 matérias por dia para utilização gratuita. Também deixaria sem conteúdo qualificado um número incalculável de veículos pelo país que reproduzem fotos e notícias gratuitamente da Agência Brasil. 

Em meio a uma pandemia que manteve as pessoas em casa, precisamos lembrar que a TV Brasil tem a maior programação infantil em canal aberto e um dos mais premiados programas de jornalismo da televisão brasileira: o Caminhos da Reportagem. A emissora também exibe shows e apresentações de artistas que não têm espaço nos canais privados. 

Não poderíamos deixar de mencionar a necessidade de uma política de valorização profissional, como a aprovação do Plano de Cargos e Salários, do Acordo Coletivo de Trabalho para 2021 e a redução de jornada de 1 hora para as mães que amamentam – realidade em empresas públicas como a Embrapa, o Inep, tribunais superiores e o Congresso Nacional. 

Fim do chapa-branquismo 

O pedido dos empregados e empregadas da EBC para 2021 é que possamos ser referência em jornalismo e voltar a fazer programas de rádio e de TV de excelência. Queremos ter orgulho de trabalhar na EBC e em todos os seus veículos e setores. 

Convidamos, mais uma vez, o Ministério Público Federal (MPF) a cumprir a sua função de fiscalizar a Lei da EBC e o uso abusivo e reiterado dos veículos públicos para promoção pessoal do presidente da república, seus ministros e de seu projeto político. 

Reiteramos: não servimos a interesses de governo, qualquer que seja ele, nem para promoção pessoal de figuras públicas ou proselitismo. Esse não é nosso papel e repudiamos a insistente interferência do governo federal nas redações da empresa. Assim como repudiamos e nos envergonhamos com a passividade de parte dos atuais gestores – concursados – que aceitam esse papel e pressionam colegas a se submeterem. 

A EBC NÃO PERTENCE AO GOVERNO! A EBC É DO POVO! 

A EBC é responsável por sete emissoras de rádio (Nacional FM Brasília; Nacional Brasília AM, Nacional Rio AM, Nacional Alto Solimões AM, Nacional da Amazônia, MEC FM Rio, MEC AM Rio) e duas retransmissoras (MEC AM Brasília e Nacional Alto Solimões FM), pela TV Brasil e produz, além do conteúdo jornalístico, programas de entretenimento e culturais. 

A empresa responde também pela formação da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), atualmente consolidada com 33 emissoras de TV afiliadas e 11 de rádio. 

Tem, ainda, duas agências públicas de notícias: a Agência Brasil e a Radioagência Nacional. 

Por meio de contrato firmado com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, cabe à EBC Serviços produzir a TV Brasil Gov, A Voz do Brasil e gerenciar a Rede Nacional de Rádio, além de licenciar os programas dos veículos da EBC, fornece monitoramento e análise de mídias sociais e realiza todo o trabalho de publicidade legal para os órgãos federais. 

* Carta aprovada por unanimidade em assembleia pelos empregados e empregadas da EBC”.Censura a esmo - Miguel Paiva - Brasil 247

19
Jun22

Manuela e as cotidianas ameaças do fascismo covarde e da misoginia psicopata

Talis Andrade

 

 

 
A arte em forma de luta: Manuela d'Ávila inspira ilustrações - Vermelho
 
Manuela d'Ávila no Twitter
 
Manuela
Parece incompetência, mas é projeto. O mesmo governo que deixou vencer testes de covid-19, agora pode perder 28 milhões de doses de vacinas até agosto. Bolsonaro não se compromete com a vida do nosso povo nem com o dinheiro dos nossos impostos.
Manuela D'Ávila - Mais um desenho lindo 💗 🖌️ coala.jpg | Facebook
Paulo RJ
@hospicio_brasil
O fascismo é covarde e misógino.
Manuela d'Ávila deixa eleição por ataques e racha político. 17.06.2022.
Ex-deputada, ex-candidata a vice-presidenta do Brasil, fala em rotina de ameaças que a fazem cogitar exílio e vê guerra perdida contra fake news. folha.uol.com.br
Mulher culta, inteligente, escritora, jornalista, líder política, defensora dos direitos humanos, valente combatente pela Liberdade, Fraternidade, Igualdade, Democracia, Paz, linda, Manuela causa inveja, ciúme, ódio dos inimigos da claridade!💓 #ManuPrefeita (@manueladavilabr) / Twitter
A desumanidade de Bolsonaro não cansa de impressionar. Mesmo com o país de luto por Bruno e Dom, ele manteve sua motociata em Manaus.
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Muito importante a entrevista com Sidney Possuelo, ex-presidente da Funai, sobre o desmonte à Fundação e o sentimento de impunidade por quem pratica crimes ambientais neste governo.

Todo apoio aos funcionários da Funai que entraram em greve e cobram por medidas de segurança. Eles também pedem a retratação do presidente da fundação, que acusou Bruno Pereira de descumprir o protocolo.ImageConheça a charge da Folha favorita dos leitores no mês de março -  04/04/2022 - Painel do Leitor - Folha

Bolsonaro nunca se importou com as crianças, tampouco com a educação. Ignorando a inflação e a fome, o governo repassa apenas R$ 0,53 para a alimentação de cada aluno da pré-escola, um descaso com o desenvolvimento das crianças que estão na primeira infância.Bora Pensar: "DIA DE CÃO" ....VIDA DE CÃO!
Para os alunos que estão no ensino fundamental e médio, o valor é ainda menor: R$ 0,36 por estudante! O mesmo governo que faz a farra no cartão corporativo oferece menos de R$ 1 para os alunos brasileiros. Vergonha!

Manuela fala de ameaças, governo Bolsonaro e eleições 2022. Entrevista conduzida por Fabíola Cidral em 01.09.2021

Caetano Veloso entrevista Manuela d"Ávila

 
15
Abr22

Documentário “O canto livre de Nara Leão”

Talis Andrade

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Há uma unidade na obra toda. E o trabalho de montagem foi então o fundamental. Mas é o olhar de uma pessoa que conhecia a entrevistada, como a filha, que permitiu que isso acontecesse

 

por Celso Marconi

 

Há dias que estava pensando em assistir à série “O canto livre de Nara Leão” e resolvi fazer isso ontem no meu novo computador. E fiz vendo os cinco episódios em continuação. Não quero analisar o trabalho da equipe da Globo, pois como não acompanho as séries que eles apresentam, apenas sei do bom nível que é considerado inclusive “o padrão global”. O que mais me interessa é o aspecto político. Como estaria sendo apresentada culturalmente essa excepcional artista brasileira Nara Leão?

Quero declarar que tive um prazer muito grande na imagem e na expressão que a série me colocou para ver. Em vários momentos, me senti revivendo minha própria vida. Como vivi na luta cultural como jornalista e com posição ideológica clara desde os anos 50 do século passado, uma figura como Nara Leão me faz reviver o tempo. E cada situação da sua vida faz parte da minha vida. Bossa Nova. Tropicalismo. Chico Buarque. Roberto e Erasmo. Tenho a impressão de que foi a presença da filha Isabel Diegues na coordenação da série que a transformou num documento não só da maior importância cultural, mas também dos mais prazerosos de ser assistido.

É importantíssima a presença física da artista na série. Certamente, as muitas entrevistas apresentadas não foram feitas com o intuito de fazer parte de uma série, mas foram bem aproveitadas e assim o espectador tem então uma continuidade. Há uma unidade na obra toda. E o trabalho de montagem foi então o fundamental. Mas é o olhar de uma pessoa que conhecia a entrevistada, como a filha, que permitiu que isso acontecesse. E também a sensibilidade criativa dessa filha.Ninguém pode com Nara Leão: Uma biografia | Amazon.com.br

A melhor entrevista feita especificamente para a série é certamente da atriz Marieta Severo, que foi amiga da Nara durante os dois anos em que viveram na França. Como a atriz Marieta Severo diz, se aproximavam muito por necessidade emocional. Estavam vivendo lá os dois casais por impedimento político durante a ditadura de 64. E Marieta Severo se mostra alguém de bem conhecer uma amiga. Uma grande atriz de teatro, vivendo convivendo com outros artistas como Nara, Chico e Cacá. Aspectos da personalidade de Nara são revelados, buscando mostrar a mulher integral que Nara Leão foi. Cantora e pessoa consciente.

De certa forma, Nara Leão assumiu na sua vida cultural política uma posição que artistas como um Caetano também fizeram. E Nara talvez por questão de temperamento e por condição socieconômica pôde viver e expressar, e então mudar de posição do ponto de vista artístico sem mudar de ideologia. Nara fez Bossa Nova como musa, mas não se prendeu ao movimento como muleta. Passou para cantar samba. Cantou canções românticas de Chico Buarque. E interpretou músicas da Jovem Guarda com a mesma criatividade. Não quis nunca ser uma funcionária da interpretação musical. Se pode dizer que fez isso porque tinha condições econômicas, mas muitos quanto mais têm riqueza menos se libertam. A posição de Nara foi declaradamente inteligente e honesta.

Pessoalmente, só encontrei uma vez Nara Leão, numa ocasião de um show que aconteceu no Geraldão no Recife, não me lembro bem como. A verdade é que ela estava dando uma coletiva na ocasião, e eu comecei uma conversa grande após. Então ela me disse não poder demorar mais, embora gostasse de participar dessa conversa, pois havia me achado parecido com “um grande amigo meu” (dela). Certamente, nenhum dos que aparecem na série da Globo.

Olinda, 20. 03. 22

Ainda sobre a série de Nara Leão

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A gente sabe que a empresa Globo de comunicação, desde que foi criada, vem servindo para criar em nosso país uma consciência negativa e de submissão. Até mesmo quando estava em vigor a ditadura de 64 e nesse período principalmente. Mas nem sempre um produto deles pode ser desprezado como negativo. Uma série como essa tem a necessária garra de realização para mostrar o outro lado da nossa vida, mesmo dentro desse período. E a vida de uma mulher como Nara Leão é capaz de representar esse lado de importante resistência que vivemos na segunda metade do século XX. E a série consegue ser tecnicamente correta.

Que sequência magnífica temos quando é apresentada a crônica de Carlos Drummond de Andrade em defesa da liberdade de Nara Leão. Naquela época, eu não era muito simpatizante de Drummond, e claro que pela sua posição pessoal de ligação com o pessoal do poder. E nem mesmo sou grande leitor de Drummond, embora hoje o considere como todo mundo um maravilhoso poeta. Mas o que penso que deve ser realçado é o aproveitamento que conseguiram fazer da crônica. Mesmo hoje a emoção é demais presente.

Outro aspecto que deve ser destacado da série é a entrevista com Chico Buarque. Ela foi montada de maneira muito inteligente. Por exemplo, quando Chico fala sobre quando conheceu o apartamento de Nara, e então vem a declaração da própria cantora. Cria-se um elo entre os dois de forma correta e dinâmica. Chico Buarque inclusive mostra a importância que a cantora teve no seu sucesso como compositor. O trabalho criado pelos realizadores da série levou em conta não a sequência em si, mas como ela seria importante para a sua continuidade na história.

Também conseguiram manter uma narrativa dinâmica e muito explícita nas situações com Erasmo e Roberto Carlos. E até a simples declaração de Bethânia dizendo que Nara era namoradeira ganha um sentido dinâmico na série. Talvez tenha faltado mais empenho na última sequência em que aparece Roberto Menescal.

Enfim, claro que a cultura brasileira não está morta e certamente no próximo ano voltará a brilhar.

Olinda, 20. 03. 22

 

15
Fev22

Isentão, não

Talis Andrade

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por Mirian Guaraciaba

Deu um prazer danado ler a entrevista do cantor e compositor Martinho da Vila, em O Globo desse domingo. Aos 84 anos, Martinho não se esconde. Nem na vida, nem na política. Mesma alegria ao ler declarações de Andrea Beltrão e Marieta Severo, divas do teatro brasileiro. Elas e ele são diretos, posição cristalina, pensam de fato num Brasil de esperança.

“Você vai participar da campanha do Lula?”, perguntou o repórter a Martinho. “Se ele quiser, claro. Para os amigos, faço qualquer coisa”.

Tem Chico, Wagner Moura, Caetano, Gil, Pablo Vittar, Marcelo Serrado, Bruno Gagliasso, Popozuda, José de Abreu … Juliette, Gil do Vigor… e outros mais. A magnitude do respeitável apoio desses artistas não está, certamente, na soma de votos que trarão a Lula, mas na volta por cima da democracia, soterrando anos de sufoco na mão de golpistas, família Bolsonaro e radicais extremistas.

A herança do bolsonarismo é ruinosa. Inflação de dois dígitos, o pior flagelo. Acumulada desde dezembro de 2014 a outubro de 2021, bateu 47,5%. Empobrece o trabalhador, e aumenta ferozmente a miséria extrema. Hoje, segundo a FGV, já são cerca de 30 milhões de brasileiros passando fome no Brasil.

O desemprego, em 2022, baterá recorde com Bolsonaro. Serão 13,5 milhões em dezembro, e o pior índice num ano eleitoral – contabilizadas as sete últimas campanhas presidenciais. Saúde? Bem estar? Educação? Segurança? Cultura? O espólio é catastrófico em todas as áreas. O atraso social é incontestável.

Bolsonaro bateu recorde de desmatamento da Amazônia. Garimpos ilegais proliferam na região. Há pouco tempo, O BNDES, banco de fomento para o desenvolvimento do País, emprestou quase R$ 30 milhões a fazendeiros punidos pelo Ibama por estarem desmatando. Apesar do histórico de infrações, receberam dinheiro publico com juros subsidiados. As informações são da Rede Brasil Atual.

O que esperar, num segundo mandato, de um sujeito que nega a ciência? Dizimar a população que não reza pela sua cartilha? Bolsonaro levou o País a ser o segundo em óbitos pelo coronavirus em todo o mundo, e o terceiro com mais casos confirmados, dados recentes. Somos o sexto país mais populoso e só estamos atrás dos Estados Unidos nessa macabra estatística.

É trágico na área cultural. Regina Duarte e Mário Frias, perversos. Perigosos. Que outro candidato teriam os artistas bem intencionados e que preferem não estar em cima do muro? Ciro Gomes, para Fabio Porchat, e outros tantos. Ok. Primeiro passo. Primeiro turno. Ciro é destemperado, para dizer o mínimo, fugiu do combate em 2018, não tem estratégia política, mas não se pode dizer que não se preocupa com o País.

Em numero menor, talvez, e de menor importância, certamente, é o apoio declarado de alguns artistas ao Capitão. Votos garantidos desse grupo? Há os que se dizem arrependidos. Hoje, Bolsonaro patina nos 22% da preferência nas pesquisas eleitorais, mas é cedo para dizer que o panorama está posto.

A mesma luz que ilumina Lula não alcança o Capitão. Mas é bom lembrar que ele tem a caneta e a chave do cofre. Dá sinais claros de que avançará sobre o orçamento para beneficiar grupos de interesse, e fará tudo e mais alguma coisa para tentar se reeleger. Manchete desta segunda, 14, da Folha de SPaulo diz que pressão da base no Congresso pode fazer explodir bomba fiscal de R$ 230 bilhões. Só a PEC dos combustíveis terá impacto fiscal de R$ 100 bilhões.

Com o País pegando fogo, o Capitão sem noção foi a Rússia, ignorando advertência sobre o péssimo momento de visitar um país literalmente em pé de guerra. Alegou interesses econômicos. De fato, relações desequilibradas. Enquanto o Brasil exportou, em 2021, U$ 1,6 bilhões para a Russia, os russos exportaram para o Brasil nada menos que U$ 5,7 bilhões. A conta não favorece Bolsonaro.

A conjuntura é cada vez mais favorável a Lula. Dificilmente, o governador (dizem bem avaliado em SP) Doria vai decolar na disputa pela Presidência. Moro virou piada, terá enorme trabalho para convencer o eleitorado de que a fala pró-nazismo de seu apoiador Kataguiri foi apenas “uma gafe”. Simone Tebet? Pode surpreender, mas não deve superar Lula.

Ainda é cedo para dizer que estão todos fora do páreo. Mas nunca é cedo para se ter esperança de um Brasil feliz de novo. Isenção, não. Bora fazer campanha. Bora declarar voto.

É hora de se posicionar. O bolsonarismo, senhores, veio para ficar. Assim como Trump, nos Estados Unidos, será ameaça constante a nossa democracia.

O risco de reeleição de Bolsonaro – distante, mas possível – tem que ser afastado no exercício pleno da democracia: quando a pandemia permitir, campanha nas ruas. Agora, hora de ir para as redes declarar voto. Seja Lula, Ciro, Simone. Até Doria. Só não dá para enfiar a cabeça na areia. Ou ficar em cima do muro.

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03
Jan22

"Certas ideias políticas não me enganam", diz Caetano Veloso a jornal francês

Talis Andrade

O jornal francês Libération traz uma longa entrevista nesta segunda-feira com Caetano Veloso, que explica as motivações estéticas e ideológicas de seu último disco, Meu Coco

O jornal francês Libération traz uma longa entrevista nesta segunda-feira (3) com Caetano Veloso. Aos 79 anos, o compositor e cantor baiano continua "convincente" em seu último disco, Meu Coco, assinala o Libé, que se interessou pelas motivações estéticas e ideológicas do novo álbum.

"Ele é capaz de associar em uma mesma canção tambores de maracatu, nuances de bossa-nova, arranjos de jazz, guitarras de rock e pitadas de pop. Outra característica típica da obra de Caetano é sua capacidade de sublimar o Brasil sem dar o menor sinal de nacionalismo", destaca o jornal francês. 

Para o jornalista Jacques Denis, que entrevistou o cantor por telefone, Caetano é um homem "decididamente conectado ao nosso tempo, sem dúvida preocupado com o passado". "O mais carioca dos baianos cultiva com esplendor a arte do paradoxo, permanecendo, apesar dos anos, este pensador tropicalista que pretendia revolucionar a música popular brasileira ao colocá-la em contato com os ecos do mundo", avalia o crítico. 

"Além de cantar as virtudes do samba, com alguns experts do gênero, o compositor brasileiro sabe elevar a voz contra os excessos populistas de Jair Bolsonaro (...) Com Caetano, tudo é possível (...)  Em seu labirinto estilístico, nunca nos perdemos, somos todos guiados por esta voz única", escreve o jornalista.

Na entrevista, Caetano evoca suas influências, que vão das conversas com João Gilberto à poesia concreta de Augusto de Campos. Ele explica, sobretudo, que o samba marca seu posicionamento estético.

Sobre a forte conotação política do disco Meu Coco, o baiano diz que as redes sociais propiciaram o surgimento da atual onda de extrema direita e aberrações políticas da pior espécie, como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, além de Donald Trump e Victor Orbán, na Hungria. Mas Caetano está convencido de que apesar das fake news propagadas nas redes, e que sustentam esse movimento internacional ultraconservador, "essas ideias podres não conseguirão mudar o senso da história".

Contrariamente a alguns artistas que preferiram se afastar do debate político desde a eleição de Bolsonaro, Caetano afirma que continua conectado ao mundo e à criação artística. Ele diz que respeita quem não quer interferir no debate público, embora sua natureza seja diferente. Por isso, ele gravou Não Vou Deixar, a canção mais explicitamente política do novo disco, na qual se dirige diretamente ao presidente do Brasil. 

19
Jun21

Chico Buarque celebra 77 anos ao lado do povo brasileiro e na luta contra o genocídio

Talis Andrade

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No dia em que o Brasil alcançou a cifra de 500 mil mortos, Chico Buarque e Carol Proner foram às ruas para combater o massacre do povo brasileiro por Jair Bolsonaro

 

 

No dia do seu aniverário de 77 anos, o cantor e compositor  Chico Buarque participou do ato “Fora Bolsonaro” no Rio de Janeiro, na manhã deste sábado (19), acompanhado de sua companheira, a doutora em direito Carol Proner, que também é membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD)

Chico Buarque
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama Eu tô voltando 

A manifestação no Rio de Janeiro reuniu uma multidão nesta manhã. Milhares de cariocas saíram às ruas para denunciar o genocídio promovido pelo mandátário, no momento que o país pode atingir a qualquer momento a marca de 500 mil mortes em decorrência da Covid-19.

Os manifestantes também reivindicam uma aceleração no processo de vacinação contra a Covid-19, tendo em vista que o país está próximo de encarar uma terceira onda de pico da pandemia. 

Recentemente, o artista concedeu entrevista à TV 247 e denunciou o grave momento que o país enfrenta. Chico Buarque se emocionou ao criticar o governo e alertou que Jair Bolsonaro prepara um novo golpe contra a democracia brasileira e a instauração de uma nova Ditadura Militar.

"Na Ditadura, nós não teríamos um programa como esse, não estaríamos falando disso aqui. E o que este governo quer, evidentemente, é a volta da Ditadura, no sentido da censura, da proibição da difusão de ideias, de maneira que o programa da Regina não possa mais ir ao ar, os sites de esquerda, de oposição ao governo seriam banidos. É tudo o que querem. Eles já estão plantando tudo isso, com estas campanhas todas, anunciando possível fraude na eleição, já estão se preparando para um golpe. A gente sabe que eles estão preparando um golpe e o golpe vai trazer tudo isso de volta que eu estou falando, além do que já existe, deste horror. A autorização, que vem lá de cima, para continuar a haver este morticínio [Chico se emociona e embarga a voz] de favelados. É foda", relatou Chico Buarque.

 
Hildegard Angel
Hoje é o aniversário do poeta Chico Buarque. O país que tem um Chico tem tudo. Parabéns para todos nós por essa graça divina de termos o Chico.
Guilherme BoulosImage
Uma felicidade fazer aniversário no mesmo dia de Chico Buarque. Felicidade ainda maior em poder comemorar hoje nas ruas contra Bolsonaro. #19JForaBolsonaro
Leonardo Attuch
Carol Proner e Chico Buarque celebram os 77 anos do grande artista ao lado do povo brasileiro e na luta contra o genocida.
Sâmia Bomfim
Chico Buarque no seu aniversário de 77 anos marchando no #19JForaBolsonaro. Parabéns, querido!
Caetano Veloso
Hoje meu grande amigo e parceiro Chico Buarque faz aniversário! Além de virtuoso das rimas e dos ritmos verbais, Chico Buarque é um sujeito excepcionalmente elegante, discreto e generoso. Chico está em tudo. Tudo está na dicção límpida de Chico. +
Humberto Costa
Hoje, Chico Buarque completou 77 anos nas ruas, junto com o povo, lutando por um Brasil melhor. Com ele, cantamos os seus versos tão atuais: “Apesar de você (Bolsonaro), amanhã há de ser outro dia”
Luis Nassif
Aos 77 anos, Chico Buarque vai às ruas contra Bolsonaro. Organizadores estimam 70 mil no Rio de Janeiro
@ManuelaDavila
O aniversariante na luta. Viva Chico 
Ana Júlia
Cantando o aniversariante Chico no #19JForaBolsonaro pela ruas de CuritibaImage
 
 
 

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