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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Ago20

Preso hoje, Secretário de Dória Jr tem ligações públicas com Carlinhos Cachoeira

Talis Andrade

 

Sogro de Alexandre Baldy, Marcelo Limirio, sócio de Carlinhos Cachoeira, é a prova mais contundente da hipocrisia do sistema penal brasileiro

14
Mar19

O superadvogado do juiz Marcelo Bretas

Talis Andrade

 

Assim como não existe o herói sem mácula, seja ele juiz ou procurador, não existe o milagre do advogado que se torna sumidade sem ter produção jurídica

Por Luis Nassif 

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Há tempos, venho apontando a falta de transparência nos acordos de leniência da Lava Jato do Paraná. De repente, advogados obscuros tornaram-se especialistas em delações premiadas, recebendo honorários milionários, superando escritórios de reputação nacional, como se fosse uma nova área da ciência do direito.

Sua especialidade não é o conhecimento jurídico, a capacidade de argumentar nas instâncias superiores, a interpretação dos códigos e das leis: é o acesso aos juízes e procuradores dos processos.

Com o instituto da delação premiada, juízes e procuradores ganharam um poder adicional. A premiação ou punição dos réus dependerá exclusivamente do julgamento pessoal do juiz, em relação à colaboração do réu. Não precisa seguir Código Penal e essas velharias impressas. Se achar que a colaboração foi satisfatória, alivia a pena do réu. Se não gostar, mantem a prisão preventiva por tempo indeterminada e as penas financeiras sobre todo o patrimônio do recalcitrante.

Cabe ao juiz definir de quanto vai ser a multa, de quanto do patrimônio do réu poderá ser preservado por ele, o tempo de prisão etc. Com uma penada, uma multa de US$ 15 milhões pode se transformar em US$ 5 milhões, corruptos notórios podem obter liberdade em pouco tempo e preservar parte relevante de seu patrimônio.

No Paraná, os advogados milagreiros são Eduardo Bretas, Antônio Figueiredo Bastos, Marlus Arns. Bastos chegou a ser acusado por doleiros de cobrar uma “taxa de proteção”, o que ele negou.

Na Vara de Marcelo Bretas, o Sérgio Moro do Rio de Janeiro, o superadvogado milagreiro se chama Nythalmar Dias Ferreira Filho, de 28 anos de idade.

Até 2016 tinha uma sala no fundo de uma farmácia de subúrbio, em Campo Grande. Seu escritório foi aberto em novembro de 2015, com capital social de R$ 15 mil, tendo como sócia Leticia Ferreira Tomé. Em agosto de 2016 passou a advogar na 7ª Vara Criminal, do juiz Marcelo Bretas,

Em pouco tempo, tornou-se o advogado preferido dos maiores réus do juiz Marcelo Bretas. Arthur Soares, o Rei Arthur, alvo de uma denúncia do MPF por compra de Votos para a Olimpíada de 2016, trocou seu advogado, João Mestieri, de uma banca reconhecida, pela do jovem gênio das delações.

Antes dele, já tinha conquistado como clientes Fernando Cavendish, da Delta Construções, Alexandre Accioly, o ex-Secretário José Mariano Beltrame, Pedro Correa e Marco de Lucca. Humilde, Nytalmar fez questão de agradecer em seu Twitter.

 Tem obtido vitórias brilhantes. Conseguiu reduzir a pena de Lucca para prisão domiciliar. Cavendish, envolvido em mil rolos, inclusive com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, conseguiu prisão domiciliar e, depois, numa vitória do bravo Nythalmar, foi liberado até dela, por serviços reconhecidos pelo implacável Marcelo Bretas.

Recentemente, foi ao presídio de Bangu oferecer seus préstimos ao ex-governador Sérgio Cabral. Como Cabral não aceitou, Nythalmar pediu que Cabral convencesse Eike Baptista a aceitar seus serviços.

Uma busca no Google revelará que o escritório Nythalmar Dias Ferreira Filho tem um sócio, a Advogada Leticia Ferreira Tomé. Uma busca nos exames da Ordem dos Advogados mostra que ela passou no exame da ordem de 2012, apenas 7 anos atrás.

Mostra também que a sócia de um escritório milionário passou em um concurso para a Secretaria da Saude de Belfort Roxo em 2016.

Assim como não existe o herói sem mácula, seja ele juiz ou procurador, não existe o milagre do advogado que se torna sumidade sem ter produção jurídica. Não se conhece uma peça jurídica de Nythalmar. Sua especialidade é a capacidade de persuadir um juiz supostamente implacável a rever suas penas para seus clientes.

Nesses tempos de empreendedorismo e de self-made-man, salve a inovação na área jurídica. Pode render mais do que uma startup dos nerds da Internet.

Mais cedo ou mais tarde haverá uma Lava Jato da Lava Jato.

 

24
Jun18

Capez amigo de Moro e a Máfia da Merenda: irmão de tucano é auxiliar de Toffoli no STF

Talis Andrade

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Moro e Capez na reunião do LIDE de João Doria

por Ramiro César

 

Gilmar Mendes tem a chance de corrigir uma “injustiça”.

 

Trata-se do HC que, sabe-se lá por quê, caiu em suas mãos e que tem como objetivo anular a ação penal contra o deputado estadual do PSDB de São Paulo Fernando Capez, ex-presidente da Assembleia, sobre a participação do tucano na Máfia da Merenda.

 

A injustiça reside no fato de que a investigação e o andamento dentro do Ministério Público de São Paulo terem fugido ao padrão.

 

Em quatro anos, o MPSP conseguiu apurar a denúncia, realizar operações, prender envolvidos e obter aceitação do órgão especial do TJSP para denunciar Capez.

 

Não se tem notícia de que uma denúncia contra um tucano tenha tramitado com tal velocidade desde a criação do Ministério Público Paulista.

 

Capez deve suspeitar de tamanha distinção e celeridade: rixa interna em sua instituição de origem. Quem conhece o dia a dia do MPSP sabe das duras disputas ali travadas.

 

Promotor de Justiça desde janeiro de 1988, ganhou popularidade e virou figura fácil nos telejornais da Globo por conta da sua atuação contra as torcidas organizadas. Em 2002, voltou a ganhar destaque com a Máfia do Lixo na prefeitura de São Paulo.

 

 

Em 2006, a Procuradoria Regional Eleitoral entrou com pedido de impugnação de sua candidatura junto ao TRE-SP, que a acatou, mas ele concorreu graças a recurso no TSE.

 

Com os votos já computados e a vaga assegurada, a decisão do TSE permitiu que integrantes do MP antes da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 88, pudessem optar pela carreira política sem a necessidade de abrir mão do cargo no MP.

 

Ou seja, se condenado por corrupção agora, Capez tem seu cargo de Promotor de Justiça assegurado.

 

O mesmo caminho que seguiu Demóstenes Torres.

 

O senador e Procurador de Justiça em Goiás, após o escândalo conhecido como a Máfia dos Caça-Níqueis, viu sua virtuosa carreira política manchada pelo seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e acabou cassado em 2012.

 

Capez tem ainda a seu favor uma carta na manga.

 

Seu irmão, Rodrigo, é juiz instrutor no gabinete da vice-presidência do STF, ocupada pelo Ministro Dias Toffoli, um dos melhores amigos de Gilmar naquela Corte.

 

18
Set17

Tradição, família e propriedade as chaves do sucesso na política, na justiça e no jornalismo do bicheiro Cachoeira

Talis Andrade

 

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 Desde os tempos de estudante, Moro adora pousar 

 

 

 

Os vínculos familiares são determinantes para se entender as dinâmicas dos campos político e judiciário no Brasil.

 

Conheça uma biografia coletiva do juiz de primeira instância Sérgio Moro, dos 14 membros da força-tarefa nomeados pela Procuradoria-Geral da República e de oito delegados da Polícia Federal que atuam no caso, além de ministros indicados pelo presidente golpista Michel Temer (PMDB).

 

O aspecto mais relevante diz respeito aos vínculos da operação Lava Jato com a elite econômica do Paraná. “Este seleto grupo de indivíduos forma parte do 1% mais rico no Brasil, e muitos até mesmo do 0,1% mais rico em termos de rendas”, descrevem os pesquisadores.

 

 

Políticos defensores da ditadura civil-militar e indivíduos que dominaram no sistema de justiça durante o regime também aparecem na “árvore genealógica” da Lava Jato. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, por exemplo, é “filho do ex-deputado estadual da ARENA Osvaldo dos Santos Lima, promotor, vice-prefeito em Apucarana e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, em 1973, no auge da ditadura, quando as pessoas não podiam votar e nem debater livremente”, segundo o texto. O pai de Carlos Fernando, assim como os irmãos, Luiz José e Paulo Ovídio, também atuaram como procuradores no Paraná.

 

 

O professor Ricardo Costa de Oliveira conversou com a reportagem do Brasil de Fato e debateu os resultados da pesquisa. Confira os melhores momentos da entrevista:

 

 

 

Todos eles pertencem à alta burocracia estatal. Há alguns, da magistratura ou do Ministério Público, que ganham acima do teto [salarial do funcionalismo público, equivalente a R$ 33,7 mil por mês]. Com suas esposas e companheiras, eles estão situados no 0,1% mais ricos do país.

 

Quase todos são casados com operadores políticos, ou do Direito. Você só entende os nomes entendendo a família. É uma unidade familiar que opera juridicamente, opera politicamente.

 

Família moro.png

 

 

 

O juiz Moro é filho de um professor universitário, mas também é parente de um desembargador já falecido, o Hildebrando Moro. A mulher do Moro, a Rosângela [Wolff], é advogada e prima do Rafael Greca de Macedo [prefeito de Curitiba]. Ela pertence a essa importante família política e jurídica do Paraná, que é o grande clã Macedo, e também é parente de dois desembargadores.

 

 

Boa parte deles também estiveram no [caso] Banestado. Foi uma operação que desviou muito dinheiro e apresentou uma grande impunidade. Leia mais. 

 

Banestado.png

 

 

Rafael Greca tem uma carreira política semelhante a de Dória - outro político de plástico - prefeito de São Paulo. In Wikipédia:  Foi ministro de Esporte e Turismo no segundo governo FHC, entre 1999 e 2000. Em 1999 o ministério público federal entrou na Justiça com ação de improbidade administrativa contra o então Ministro dos Esportes, seu ex-assessor e mais oito pessoas ligadas a casas de bingo do Distrito Federal. Greca e comparsas foram acusados de envolvimento com a máfia dos bingos e autorizar irregularmente a instalação de máquinas caça-níquel. Assim começa uma estranha controvertida história com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, do crime organizado e perigosas relações com o senador Demóstenes Torres, o governador Marconi Perillo (ambos de Goiás), e os deputados federais Sandes Júnior - PP, Carlos Alberto Leréia - PSDB, Stepan Nercessian - PPS, Leonardo Vilela - PSDB.

 

Cachoeira, nome de uma CPI Mista do Congresso, é tão forte politicamente que espera eleger a bela Andressa Mendonça, musa da investigação parlamentar que deu em caviar, deputada federal nas eleições de 2018. Um intento que não vingou em 2014.

 

Como no judiciário e na política tudo acontece em família, Andressa era casada com o senador Wilder Morais quando ficou 'noiva' do bandido Cachoeira. Por ele, Andressa chegou a ameaçar um juiz federal de morte, que é recente o sensacionalismo sobre obstrução da justiça. E mais: a Lava Jato, em propaganda, imita Cachoeira que criou uma agência de notícias e gravações de conversas com fotos e filmes e grampos telefônicos que alimentavam, com exclusividade, os furos jornalísticos seletivos e bombásticos da TV Globo e revista Veja. Cachoeira pode ser considerado o pai do atual 'jornalismo investigativo' brasileiro que deu origem ao Mensalão e engordou a Lava Jato, vide caso Waldomiro Diniz/ José Dirceu.   

 

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 Cachoeira beija os pés da musa Andressa no dia do casamento 

 

 

 

 

 

 

 

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