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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

13
Fev23

Exclusivo: Ibaneis e Luiz Estevão, dono do site Metrópoles, tentaram culpar governo Lula por atentados do 8 de janeiro

Talis Andrade

 

Ibaneis desconhece o trabalho do Cras e faz afirmação irresponsável
 
 
Mensagens do governador afastado mostram que ele e Luiz Estevão ensaiaram um discurso para mudar a narrativa das responsabilidades pelo quebra-quebra generalizado na invasão do Superior Tribunal Federal, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Palácio do Planalto
 
 
 

Por Marcelo Auler /Portal 247 Brasil 

Na noite em que a turba terrorista do bolsonarismo colocou a democracia em risco ao invadir as sedes dos três poderes da República na capital federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB), a quem cabe zelar pela segurança da cidade, começou a desenhar uma tentativa de reverter suas responsabilidades pelo caos que o Brasil e o mundo assistiram ao vivo e a cores pela tela das TVs.

Junto com o ex-senador Luiz Estevão, empresário bem sucedido no ramo imobiliário e dono do principal site de notícias da capital federal, o Metrópoles, o governador ensaiou um script comum a novelas policiais, nas quais a vítima é culpada pelo crime que sofreu. Os dois ensaiaram um discurso para mudar a narrativa das responsabilidades pelo quebra-quebra generalizado. Passaram a responsabilizar a principal vítima do golpe: o novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ibaneis é apontado, no mínimo, como irresponsável e omisso pela incapacidade da Polícia Militar do DF agir com rigor. Mais ainda. Apesar de diversos alertas que lhes foram feitos sobre as possíveis manifestações bolsonaristas, empossou no dia 2 de janeiro um secretário ligado ao esquema bolsonarista, o delegado federal Anderson Torres, e em seguida lhe deu férias. No domingo da tentativa de golpe, ele estava com a família nos Estados Unidos. Partiu dia 6, três dias antes do início oficial das férias (09/01). Nos poucos dias efetivamente à frente do cargo, mesmo sabendo que ia se ausentar, substituiu todas as chefias que ajudaram a organizar o bem sucedido esquema de segurança da posse do presidente Lula, transcorrida sem maiores registros policiais.

Ibaneis Rocha (J.Bosco)
 

 

Não teremos problemas

 

Mais ainda, no sábado à tarde, apesar de todos os alertas que tinham sido feitos, o governador confirmou à repórter Isadora Teixeira, do site Metrópoles, por mensagem de WhatsApp (15h54) sua decisão de liberar as manifestações “desde que pacíficas”. Decisão que foi mantida apesar de outros alertas enviados.

Por volta das 20h00, por exemplo, ele recebeu mensagem do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) preocup0ado: “Polícia do Senado está um tanto apreensiva pelas notícias de mobilização e invasão do Congresso. Pode nos ajudar?”

Sua resposta não correspondeu ao que se viu no dia seguinte. Em três mensagens Ibaneis ele afirmou a Pacheco:   

“Já estamos mobilizados”

“Não teremos problemas”

“Coloquei todas as forças nas ruas”

Como se verificou depois, os problemas ocorreram e, conforme os próprios depoimentos de policiais militares na Polícia Federal, não houve a mobilização anunciada, tampouco todas as forças foram para as ruas.

Passava de meia noite (00h28min) foi o ministro da Justiça quem cobrou esclarecimentos do governador. Dino reivindicava o bloqueio de ônibus na Esplanada dos Ministérios – o que de fato ocorreu – e pedia explicações para a autorização de Ibaneis para as manifestações pacíficas. Além disso, expôs:  

“Governador, não entendi bem qual será a sua orientação para a Polícia do DF” (00h29).

“Onde será o ponto de bloqueio e de que forma?” (00h30)

A resposta de Ibaneis só ocorreu no domingo às 11h21, quando retransmitiu o informe recebido do delegado Fernando Souza, que substituía Anderson Torres. Tentava tranqüilizar o governador pois dizia que Brasília estava calma, os manifestantes ainda no QG do Exército e a Esplanada fechada ao transito.

Dino apenas comentou: “Oremos para que tudo acabe bem”.

 

Não tomaram nenhuma providência

 

Apesar desses antecedentes, no domingo à noite, pelo que se percebe dos trechos de diálogos que a Perícia da Polícia Federal transcreveu no laudo da análise dos celulares do governador, ele começou a se fazer de vítima. Encontrou eco apenas na conversa com o ex-senador Estevão, que prontamente responsabilizou os ministros da Justiça, Flávio Dino, e da Defesa, José Múcio Monteiro, como demonstram as transcrições:

Estevão (23h19min) - “Cabe a pergunta: por que o falastrão ministro da Justiça não determinou à PRF, desde segunda-feira sob seu comando, que impedisse a entrada dos ônibus dos manifestantes no DF?”  

Ibaneis (23h21min) - “Eles agora se colocam como vítimas como se não tivessem nenhuma responsabilidade. Cadê a inteligência da Policia Federal que não viu nada?”

Estevão (23h23min) - “Claro que têm! Por que o ministro da Defesa não determinou ao Exército que esvaziasse os quartéis para que os manifestantes não se sentissem amparados?”  

Ibaneis (23h23min) - “Eles assumiram e não tomaram nenhuma providência”.

Estevão (23h24min) - “Deixaram que o circo fosse armado e cobram o GDF (Governo do Distrito Federal) e a PM? O que queriam: um massacre do Planalto para lembrar do Carandiru?”  

Ibaneis (23h26min) - “Agora é ver no que vai dar essa merda”  

Estevão (23h28min) - “Hora de deixar a poeira baixar; os questionamentos necessários serão feitos. Palmas para a PM que não atirou em ninguém. Abraços, meu Governador”  

Em um único momento dessa conversa, Ibaneis, após destacar “a polícia nossa é muito bom” (sic), admitiu, sem maiores detalhes, que “a coordenação hj falhou”. (Ibaneis – 23:29)

Já o empresário, após minimizar os estragos lembrando que não houve vítimas - “O dano poderia ter sido maior, se a polícia tivesse agido com balas. Prejuízos materiais são recuperáveis: vidas humanas, não” – e mesmo tendo jogado a responsabilidade para o governo federal, apresentou a sugestão de o GDF, assumir o ressarcimento dos prejuízos materiais. Na conversa, Estevão propôs às 23H31:  

“O GDF poderia assumir a reparação de todos os danos causados ao Congresso, STF e Planalto. O custo é baixo e o gesto é relevante”.

O governador desconversou: “Vou ver amanhã como fazer”.

 

Sou um democrata

 

conversa-ibaneis

 

Naquela mesma noite Ibaneis já havia ensaiado o discurso de vítima em outra conversa, sem obter muito êxito. Foi na troca de mensagens por WhatsApp, por volta de 19h20, com a jornalista Andréia Sadi, da GloboNews. Ela foi direto nos questionamentos:

“Como o sr. não sabia desses movimentos? A segurança do DF falhou. Como o secretário Anderson...”

Ibaneis ensaiou uma divisão de responsabilidades:  

“Estávamos desde ontem monitorando junto com o ministro da justiça” (19h24).

Mas a jornalista não se deu por satisfeita: ”Sei. E o secretário Anderson está de férias nos EUA uma semana após assumir, como? Ele é responsável e o sr. tb. Pela segurança do DF” (19h25)  

Ibaneis ainda tentou escapulir:  

“A sensação que nos passavam é que após a posse os movimentos iriam se desfazer” (19h27).

A jornalista continuou na cobrança: “Quem passava?” (19h27)

Ibaneis alegou que o acampamento estava sendo desfeito:  

“O exército inclusive estava desmobilizando o acampamento do QG” (19h27)

Ela insistiu: “De quem é a responsabilidade? Pelo que aconteceu? (19h29)

Ibaneis tentou dividi-las:

 “Acho que de todos” (19h30). A PRF deveria ter atuado na chegada dos ônibus”. O ministério do exército no acampamento. A PF e a polícia do Distrito Federal pela falta de monitoramento do risco (19h31). Querer culpar um só é absurdo” (19h32);

Sadi perseverou: “Mas o sr. tem responsabilidade tb? (19h32)

Ibaneis então buscou afastar-se do envolvimento com o possível golpe alegando ser um democrata:

“Eu não sou conivente com nada desses absurdos. Sou um democrata (19h32). Respeito o resultado das urnas. Agora eu trabalho com informações que me passam. E jamais poderia tomar uma decisão sem informações completas” (19h34).

Cinco dias depois, em 13 de janeiro, ao ser procurado pela jornalista Cátia Seabra, da Folha de S.Paulo, Ibaneis passou admitir sabotagem de toda “equipe de segurança”, não especificando os órgãos.

 

Houve sabotagem

 

conversa-ibaneis2

 

Cátia Seabra – O Sr acha que foi vítima de sabotagem, do Anderson Torres? (11h05)

Ibaneis – De toda a equipe de segurança. Que descumpriu o plano de contingências estabelecido em reuniões conjuntas ocorridas nos dias 6 e 7 (11h16).

A repórter quis detalhes, e o governador apontou para a Polícia Militar do DF.

Cátia Seabra – O Sr tem indícios de quem seriam e como agiram?

Ibaneis – Basta olha os vídeos. A polícia militar não agiu Omo das vezes anteriores. Houve sabotagem’, concluiu.

Essa tentativa de reverter o discurso e jogar a culpa no governo empossado no dia 1 de janeiro, agora vem ocorrendo por parte da oposição dentro do Congresso Nacional. Há o risco de os bolsonaristas aceitarem uma Comissão Parlamentar de Inquérito para fazer prevalecer a tese deles: o governo não agiu.

13
Fev23

Furo do 247 revela gênese de operação destinada a lavar culpa dos golpistas de 8/01

Talis Andrade
 
 
 
TRIBUNA DA INTERNET
 
 
 

 

O repórter Marcelo Auler pôs luz em diálogos do Whatsapp de Ibaneis Rocha. Governador afastado do DF ouviu propostas indecentes do empresário Luiz Estevão

 

Por Luís Costa Pinto 

Revelados pelo repórter Marcelo Auler, do Brasil 247, em reportagem publicada na tarde desta segunda-feira, 13 de fevereiro, os diálogos mantidos pelo governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), com o empresário dono do portal Metrópoles, ex-senador cassado por corrupção e ex-detento do presídio da Papuda (onde cumpriu pena por corrupção em contratos de construção civil com o Poder Judiciário),  Luiz Estevão de Oliveira Neto, desnudam a origem da construção da versão que tenta responsabilizar a vítima pelo crime cometido pelos bolsonaristas que vandalizaram os palácios que sediam os três poderes da República no última dia 8 de janeiro. A partir da troca de mensagens depreende-se que Estevão açulou Ibaneis a estruturar sua linha de defesa no sentido de dividir responsabilidades pelo terrorismo antidemocrático e vândalo com o Governo Federal que assumira havia apenas uma semana – sobretudo com os ministros Flávio Dino (Justiça) e José Múcio Monteiro (Defesa).

Luiz Estevão já havia protagonizado, em 1992, a construção de uma versão rocambolesca destinada a acobertar um crime que marcou epicamente a História brasileira. Ele foi, junto com o também empresário brasiliense Paulo Octávio Pereira e o então secretário-geral da Presidência, Cláudio Vieira, um dos artífices centrais da “Operação Uruguai”. Nos últimos dias da CPI que apurou as denúncias formuladas por Pedro Collor, irmão do presidente Fernando Collor, que explicitavam os crimes do empresário Paulo César Farias (PC) praticados na Esplanada dos Ministérios, Vieira e os amigos de adolescência e juventude de Fernando Collor, Estevão e Paulo Octávio, assinaram documentos forjados cujo objetivo era fazer parecer que o dinheiro que sustentava a boa vida do clã Collor de Mello era fruto de empréstimos (falsos, verificou-se horas depois de apresentada a versão) obtidos em bancos uruguaios.

A dinâmica de manipulação dos fatos em 1992 e no dia 8 de janeiro de 2023, verificada a partir da troca de mensagens escritas entre o dono do portal Metrópoles (um dos quatro portais de notícias gerais de maior audiência da Internet brasileira), é a mesma. Há mais de 30 anos ele tentou eximir o amigo presidente de responsabilidade nas traficâncias de PC Farias irrigadas com dinheiro de contratos públicos. Agora, Estevão, cassado em 2000, quando se tornou o primeiro senador brasileiro a perder o mandato por decisão de seus pares em razão das denúncias de corrupção que o envolviam com o ex-juiz trabalhista Nicolau dos Santos Neto, tentou construir argumentos para fazer Ibaneis Rocha se afastar da imputação de culpa por incompetência e omissão nos atos terroristas e no vandalismo contra prédios federais em 8 de janeiro.

 
TST mantém cassação de aposentadoria do ex-juiz Lalau | Espaço Vital
Ex-juiz Lalau
 
 

Mas, Luiz Estevão não economizou no rol de barbaridades propostas ao governador do DF, que seria afastado do cargo horas depois do diálogo epistolar por aplicativo de mensagens. “O GDF poderia assumir a reparação de todos os danos causados ao Congresso, STF e Planalto. O custo é baixo e o gesto é relevante”, propôs a Ibaneis, que é advogado por ofício e chegou a presidir a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Brasília. O governador desconversou, pois até os estagiários de seu movimentado e bem-sucedido escritório de advocacia sabem que o gesto equivaleria a uma confissão de responsabilidade nos ataques aos prédios dos Três Poderes da República durante o golpe tentado no dia 8 de janeiro. “Vou ver amanhã como fazer”, respondeu Ibaneis. Naquela mesma noite recebeu a ordem de se afastar do Palácio do Buriti (sede do governo distrital) e foi impedido de manter diálogos com investigados nos atos antidemocráticos por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. A garimpagem de Marcelo Auler fez com que emergissem à superfície do submundo das investigações brasiliense, ainda, os apertos que as repórteres Andréia Sadi, da GloboNews, e Cátia Seabra, da Folha de S. Paulo, impuseram ao governador do Distrito Federal. Sem encontrar respostas para as perguntas precisas das jornalistas, Ibaneis foi entregando aos poucos a conexão que tinha com Anderson Torres, o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro a quem nomeara secretário de Segurança Pública dias antes dos atentados antidemocráticos e que deu ordens desencontradas (inquérito da Polícia Federal e do Ministério Público investiga se comissivamente proposital ou inconsequentemente irresponsável) para o relaxamento da segurança na Esplanada dos Ministérios. A leitura dos prints de mensagens expostos na reportagem de Auler, um furo do portal Brasil 247, fazem derreter qualquer linha de defesa de Ibaneis Rocha e põe o dono do portal Metrópoles no epicentro da construção de uma versão cara ao bolsonarismo pérfido e vil, que tenta se livrar do rol de crimes que lhes é imputado: a de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros da Justiça e da Defesa seriam corresponsáveis pelos ataques incivis à República e à lisura eleitoral.

 

30
Jan20

O surto autoritário do MP morista não poupa nem repórter e fotógrafo

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

Publica o Conjur que “dois repórteres da Folha de S. Paulo foram investigados durante a fase de inquérito que gerou uma nova denúncia contra o ex-presidente Lula”, por conta da invasão – simbólica, diga-se, porque todos retiraram-se espontaneamente – do triplex “atribuído” a Lula no Guarujá, no dia 16 e abril de 2018.

Pela cobertura do jornal, é possível saber quem são as vítimas deste arreganho autoritário do MP: a repórter Cátia Seabra e o fotojornalista Marcelo Justo.

Nem é preciso dizer que os dois estavam no mais estrito exercício profissional. A menos que cobertura jornalísca, nestas cabeças doentes, tenha a passado a ser indício de crime, a pedir investigação.

Mesmo tendo decidido “não denunciar” os jornalista, só o fato de terem sido investigados se constitui num abuso contra a liberdade de imprensa.

Aliás, com o requinte sórdido de registrar que ainda podem ser denunciados, caso surjam “novas provas”, com uma citação ao artigo 18 do Código Penal.

Espera-se que a Folha tome providência contra esta violência contra seus profissionais.

Se estas feras, bem alimentadas com o dinheiro público, não forem detidas, a liberdade de imprensa estará sepultada no Brasil.

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