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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Ago21

Filho de Bruno Covas rebate Bolsonaro: "Covarde que nunca saberá o que é amor"

Talis Andrade

Nunca entenderá o que é amor”, diz filho de Bruno Covas sobre Bolsonaro |  Poder360

Presidente da República criticou o falecido ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), por ir com o filho em uma partida de futebol em janeiro de 2021, semanas antes de sua morte

 

Tomás Covas, filho do ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), rebateu nesta terça-feira (03) os ataques sofridos pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo o adolescente, o mandatário brasileiro fez uma "fala covarde" por atacar quem já não pode mais se defender. As informações são da jornalista Mônica Bergamo. 

Na última segunda-feira (02), Bolsonaro criticou o falecido pai de Tomas como "o outro, que morreu, que fecha São Paulo para assistir a Palmeiras e Santos no Maracanã". Na ocasião, Bruno Covas levou Tomas para acompanhar o Santos, clube de coração dos dois, na final da Taça Libertadores da América. Bruno morreria em decorrência de um câncer semanas depois.

"Lamento a fala dita hoje pelo incompetente e negacionista presidente Bolsonaro. Em uma fala covarde hoje durante a tarde, ele atacou quem não está mais aqui conosco, não dando o direito de resposta ao meu pai. Além disso, cumprimos com todos os protocolos no estádio do Maracanã, utilizando a máscara e sentando apenas nas cadeiras permitidas", declarou Tomas.

"Uma tristeza as agressões vazias do presidente contra meu pai. Não é certo atacar quem não está mais aqui para se defender. Meu pai sempre foi um homem sério e fez questão de me levar ao Maracanã no fim da sua vida para curtirmos seus últimos momentos juntos. Isso é amor! Bolsonaro nunca entenderá esse sentimento", finalizou o filho do ex-prefeito de São Paulo.

À época, Covas ressaltou que tirou 10 dias de licença, recomendada pelos médicos "depois de 24 sessões de radioterapia". Com isso, o prefeito de São Paulo decidiu ir ao jogo de realizar "um pequeno prazer da vida" e que tinha "ciência que sofreria críticas" . "Mas se esse é o preço a pagar para passar algumas horas inesquecíveis com meu filho, pago com a consciência tranquila", finalizou Bruno Covas enquanto esteve internado.

 

 
03
Ago21

'Covarde', 'desumano' e 'cruel': autoridades criticam declaração de Bolsonaro contra Bruno Covas

Talis Andrade

Bolsonaro critica Bruno Covas, ex-prefeito de SP falecido em maio, e Doria  reage: 'Desumanidade' - PontoPoder - Diário do Nordeste

 

 

Por G1

- - -

"Covarde", "desumano" e "cruel foram alguns dos adjetivos usados por políticos brasileiros para criticar a fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra Bruno Covas.

Na segunda-feira (2), Bolsonaro afirmou a apoiadores na porta do Palácio do Planalto, referindo-se a Covas: “O outro, que morreu, fecha São Paulo e vai assistir a Palmeiras e Santos no Maracanã”. Em janeiro, o então prefeito de São Paulo foi ao Rio de Janeiro assistir à final da Libertadores entre Santos e Palmeiras no Maracanã com Tomás, seu filho.

Covas morreu poucos meses depois, em maio, vítima de complicações do câncer, após 14 dias de internação.

RELEMBRE

Na época em que esteve no estádio, Covas chegou a ser criticado nas redes sociais, e respondeu com post em uma rede social, dizendo que tinha cumprido todos os protocolos de segurança e que, depois de incertezas sobre a vida por causa da doença, quis usufruir de um prazer ao lado do filho:

"Respeitamos todas as normas de segurança determinadas pelas autoridades sanitárias do RJ. Mas a lacração da Internet resolveu pegar pesado. Depois de tantas incertezas sobre a vida, a felicidade de levar o filho ao estádio tomou uma proporção diferente para mim. Ir ao jogo é direito meu. É usufruir de um pequeno prazer da vida. Mas a hipocrisia generalizada que virou nossa sociedade resolveu me julgar como se eu tivesse feito algo ilegal."

 

No vídeo abaixo, de 23 de maio, após a morte de Bruno Covas, o filho dele, Tomaz, lembrou do pai e disse que ele foi um guerreiro.

O presidente do Diretório Municipal do PSDB-SP, Fernando Alfredo, disse em nota que condena veementemente as declarações de Bolsonaro sobre Bruno Covas "e por seu exemplo seguiremos lutando pela vida, contra a política do ódio".

"Para todo ato de covardia, resistiremos com a coragem de um povo que não foge à luta. Por Bruno Covas. Pela democracia. Por um Brasil livre da estupidez."

Veja a repercussão nas redes sociais sobre a fala de Bolsonaro:

 

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem Brasileira dos Advogados (OAB)

 

"Digo há muito tempo que Jair Bolsonaro é acima de tudo um covarde. A predileção pelo ataque aos mortos - como no caso do meu pai e agora com Bruno Covas - demonstra a extensão da sua falta de caráter e covardia. Minha solidariedade ao filho do Prefeito Bruno Covas."

 

PSDB

"Bolsonaro não respeita os vivos, os mortos, as instituições, a democracia, o bom senso. Agora ataca até a memória de Bruno Covas, prefeito eleito por milhões de paulistanos."

 

João Doria, governador de SP

 

"A desumanidade de Bolsonaro, agredindo de forma covarde Bruno Covas, só demonstra ainda mais sua falta de respeito pelos vivos e pela memória dos mortos."

 

 

Rodrigo Garcia, vice-governador de SP

 

"A luta que o Bruno Covas travou contra o câncer é um exemplo pra todos nós. Zombar da morte e da dor de qualquer pessoa é desumano e cruel."

 

Eduardo Leite, governador do RS

 

"O desrespeito com a memória de Bruno Covas escancara, de maneira lamentável, a crueldade do presidente e o seu desprezo pela vida e pelo ser humano.

 

Eduardo Paes, prefeito do RJ

 

"Minha solidariedade à família e aos amigos desse grande brasileiro e colega Prefeito de São Paulo Bruno Covas. Sua memória não será atingida por atos desse nível!"

 

Marcelo Freixo, deputado federal (PSOL-RJ)

 

"Quero manifestar minha solidariedade à família do Bruno Covas, que ao contrário de Bolsonaro sempre foi um homem digno. As ofensas grotescas do presidente jamais estarão à altura da memória do Bruno."

 

Randolfe Rodrigues, senador (Rede Sustentabilidade-AP)

 

"Bolsonaro é pequeno. É minúsculo. Não é digno da cadeira que ocupa, nunca será! Manifesto minha solidariedade à família do Bruno Covas. Bruno não merece ter seu nome e sua memória atacada por gente tão vil e sem empatia."

03
Dez20

Moro dá adeus ao Brasil para receber prêmio nos EUA

Talis Andrade

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por Ribamar Fonseca

Aconteceu o que já era previsto: o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro está de mudança para os Estados Unidos, onde receberá o prêmio pela sua atuação na Lava-Jato em favor dos interesses norte-americanos e em detrimento dos interesses do Brasil. Moro já havia sido premiado, com uma breve passagem pelo Ministério da Justiça, por ter dado decisiva contribuição para a eleição de Bolsonaro ao impedir o ex-presidente Lula de concorrer à sucessão presidencial em 2018. Agora, depois de frustradas suas manobras para disputar o Palácio do Planalto, chegou a vez de receber a recompensa por ter destruído as maiores empresas de construção civil do país em benefício das empresas estadunidenses, além de fragilizar a Petrobrás para viabilizar a sua entrega, junto com o pré-sal, para as multinacionais norte-americanas. Ao aceitar o emprego nos Estados Unidos o ex-juiz escancarou a sua atuação na Lava-Jato como agente do Tio Sam e, por isso, deveria ser julgado por alta traição ao Brasil.

A cada dia fica mais evidente não apenas a traição de Moro, mas de todos os integrantes da Lava-Jato, na tarefa de prejudicar os interesses nacionais em favor dos Estados Unidos. Além das denúncias feitas pelo site The Intercept, na série de publicações que ficou conhecida como Vaza-Jato, o próprio Ministério da Justiça confirmou recentemente que a parceria entre a operação de Curitiba e o Departamento de Justiça norte-americano, que culminou com a prisão de Lula e a falência da Odebrecht e OAS, se desenvolveu de maneira clandestina, ilegal, sem obedecer a legislação brasileira. Só isso já seria suficiente para punir exemplarmente todos os membros da força-tarefa, mas ao contrário do esperado o próprio Supremo Tribunal Federal, que endossou as decisões da Lava-Jato, sequer julga a suspeição do ex-juiz, cuja ação vem sendo escandalosamente procrastinada há tempos pelo ministro Gilmar Mendes, o mesmo que revela impressionante agilidade para beneficiar o réu, quando este é tucano.  

Na verdade, ninguém pode alegar desconhecimento das criminosas ações da Lava-Jato, especialmente em relação à condenação do ex-presidente Lula, denunciadas diariamente por renomados juristas nacionais e internacionais, além de jornalistas independentes. Moro, Dallagnol e cia. até hoje continuam impunes, inclusive afrontando a Procuradoria Geral da República, ao se recusarem a compartilhar dados com ela, e o próprio STF, ao se negar a fornecer à defesa de Lula cópias dos documentos relativos à participação de outros países no processo que culminou com a prisão do ex-presidente, mesmo com o fornecimento autorizado pela Suprema Corte. Acreditando-se um poder independente, sem um superior, a Lava-Jato não obedece a ninguém, provavelmente por imaginar-se garantida por ministros do Supremo, entre eles o seu atual presidente, Luiz Fux, considerado homem de confiança da operação.  Fux, aliás, parece confirmar essa confiança ao afirmar que “o Supremo jamais permitirá a desconstrução da Lava-Jato”.

Atuando em parceria com a Rede Globo, de cujo acasalamento nasceu Jair Messias Bolsonaro, a Lava-Jato tornou-se um poder paralelo, com jurisdição em todo o país, temida inclusive pela própria Suprema Corte, cujas decisões eram frequentemente questionadas pelo super-juiz Sergio Moro. Eles ignoravam a legislação e a própria Constituição, fazendo suas próprias leis, eliminando a exigência de provas para condenar alguém, especialmente petistas. Lula, por exemplo, foi condenado por Moro sob a acusação de ter sido beneficiado com obras no triplex do Guarujá, mesmo sem nenhuma prova de que o apartamento fosse dele. O ex-juiz só precisou das suas próprias convicções, o que foi aceito sem discussões pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª. Região. Na verdade, até hoje não existe nenhuma acusação de que o ex-presidente tenha desviado um único centavo dos cofres públicos: nos casos do triplex e do sitio de Atibaia ele foi acusado de ter sido “beneficiado” com obras, mesmo tendo provado que nenhum dos imóveis era dele. 

Apesar disso, com a valiosa ajuda da Globo, Moro conseguiu convencer muita gente, inclusive da própria Justiça e das Forças Armadas, que era o paladino do combate à corrupção e que Lula e o PT eram corruptos, o que repercutiu negativamente nas eleições municipais deste ano com o encolhimento do petismo, que não conseguiu eleger nenhum prefeito de capital. A parceria Globo-Moro criminalizou a política, a esquerda e especialmente o petismo, abrindo caminho para a extrema direita e permitindo aventuras como a de Bolsonaro, Doria, Witzel, Zema e outros desconhecidos. A vitória de Bruno Covas em São Paulo ainda é reflexo desse clima criado pela emissora dos Marinho e o ex-juiz de Curitiba. A classe política, sobretudo as esquerdas, precisam ainda de algum tempo para superar os estragos, construindo novas estratégias de atuação de acordo com os novos tempos. E nessa tarefa Guilherme Boulos surge como o grande líder, com a indispensável contribuição da experiência e liderança de Lula. É preciso que as esquerdas se reorganizem para, em 2022, virar essa página negra bolsonarista de nossa História.

É imperioso, no entanto, fazer justiça a Bolsonaro por ter prestado dois grandes serviços ao Brasil: acabou com o poder de Moro e da Globo. Não fora ele e o ex-juiz ainda estaria perseguindo Lula, destruindo empresas nacionais, desempregando trabalhadores e articulando para ser presidente da República. E a Globo, habituada a eleger e derrubar governos, foi transformada num tigre desdentado, acuado pela ameaça de perda da concessão, que não amedronta mais ninguém. Enquanto isso, Moro, sem clima no Brasil, vai para os Estados Unidos com salário de quase R$ 2 milhões mensais, um prêmio por seu trabalho na Lava-Jato como agente dos interesses norte-americanos. Dará uma banana ao país onde nasceu e sairá sem um arranhão em seu currículo, pois a Suprema Corte vai continuar adiando indefinidamente a sua suspeição, a não ser que Lula se filie ao PSDB. Afinal, como tucano será outra história... 

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28
Nov20

Virgem santa, marido de Marta Suplicy diz que Boulos "arrumou Covid para fugir do debate"

Talis Andrade

Marta Suplicy - 28/04/2015 - Poder - Fotografia - Folha de S.Paulo

 

 

“Valha Me Deus, Senhor São Bento, Boulos arrumou Covid para fugir de debate… Seria trucidade e desmascarado… Eita Boulos picareta”, escreveu ele no grupo Política Viva Políticos.

A informação foi divulgada por Vera Magalhães no site BRPolítico, do Estadão, que revelou prints da coversa. 

Eleita senadora, Marta Suplicy tira alguns dias de folga na Bahia com novo  namorado : Blog do Eliomar

 Ele tá de mão boba e pezinho direito. Marta de corpo inteiro desfilando pra Covas

 

28
Nov20

Governo Doria sabia de segunda onda de Covid-19 antes do primeiro turno

Talis Andrade

Bruno Covas e João Doria

 

247 - O governo de São Paulo, de João Doria (PSDB), sabia do crescimento acelerado nas internações por Covid-19 em hospitais públicos na capital paulista desde pelo menos 9 de novembro, seis dias antes do primeiro turno das eleições municipais, segundo o portal The Intercept.

Os números do Censo Covid-SP, que monitora internações hospitalares, foram entregues ao Intercept “por uma pessoa que tem acesso ao sistema e analisados por um epidemiologista”, diz reportagem de Eliane Pereira. A matéria ainda indica que os funcionários pediram para não serem identificados por temerem represálias. 

Os dados mostram que, desde 16 de outubro, a média móvel de internações na rede pública tem aumentado de forma consistente. Um mês depois, em 16 de novembro, a média aumentou em mais de 90%.

 

28
Nov20

Haddad alerta para o risco representado pelo vice de Covas

Talis Andrade

HUMOR - Da esquerda para direita, passando pelo "centrão", veja as charges  do dia. - Ricardo Antunes

247 – O vice na chapa de Bruno Covas, o polêmico vereador Ricardo Nunes, foi criticado em artigo publicado pelo ex-prefeito Fernando Haddad, em artigo neste sábado na Folha de S. Paulo. "Nem vou entrar no mérito das acusações que lhe são feitas, de trambicagem nas creches e violência doméstica. Falo do seu completo despreparo para assumir o cargo de prefeito por um único dia e da completa irresponsabilidade da decisão de colocá-lo na linha sucessória da maior cidade do país", escreveu Haddad, que apoia Guilherme Boulos, do Psol.

Segundo ele, é hora de "apostar em uma chapa que une renovação, experiência e compromisso, em nome de uma cidade mais generosa."

 
27
Nov20

Governo Covas repassa milhões para organizações de saúde que não cumprem metas

Talis Andrade

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Justiça aceita denúncia e Doria, Covas e ex-secretários viram réus por  carnaval de rua em SP | Carnaval 2019 em São Paulo | G1O governo do candidato Bruno Covas não cobra das parceiras na saúde o cumprimento das metas de atendimento à população, mas repassa as verbas integralmente

 

Gestão tucana não aplica descontos previstos e faz repasses mensais completos a entidades parcerias que não cumprem a meta de consultas médicas contratadas

 

Por Rodrigo Gomes /RBA

Relatórios de produção das Organizações Sociais de Saúde (OSS) parceiras do governo do prefeito e candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB) mostram que as gestoras de unidades de saúde quase nunca cumprem as metas de consultas médicas para atendimento da população. Apesar disso, recebem os repasses mensais completos, sem aplicação dos descontos devidos pelos descumprimentos, conforme os contratos de estabelecidos pela administração municipal. A RBA obteve planilhas de quatro organizações sociais dos anos de 2017, 2018 e 2019. Em todos os anos houve descumprimento de metas de consultas de pediatria, ginecologia e clínica médica, além das consultas de Saúde da Família.

Pelos próprios critérios de avaliação da prefeitura, as organizações parceiras na saúde prestam um atendimento insatisfatório na maioria dos quesitos. As metas são distribuídas da seguinte forma: de 100% a 85% da meta cumprida é considerado um índice satisfatório; de 84,99% a 70%, insatisfatório; de 50% a 69,99%, crítico; e abaixo de 50%, alarmante. Os contratos preveem descontos de até 10% do repasse por descumprimento de metas abaixo de 85%.

Os dados são de cada ano, com exceção de 2019, cujos dados vão até até julho. As OSS não concorrem em licitações, apenas atendem a chamamentos públicos e são habilitadas segundo critérios do governo municipal.

No caso da OSS Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SDPM), as planilhas mostram descumprimento de consultas de médico da família nos três anos, recebendo a avaliação “insatisfatório”. Já a meta de consultas de ginecologia foi considerada crítica em 2017 e 2019, e insatisfatória em 2018. As consultas de pediatria foram consideradas insatisfatórias no ano passado. A única meta cumprida foi nas consultas de clínica geral. Os dados são do contrato de gestão R004, para a Rede Assistencial da Supervisão Técnica de Saúde Perus/Pirituba.

SPDM metas.jpg

O governo Covas ignorou o descumprimento de metas da organização parceira na saúde. E não descontou os valores relativos a esses descumprimentos nos meses subsequentes, como mostram os termos aditivos e as prestações de contas da OSS SPDM, as quais a RBA teve acesso. Os valores se mantêm ou são aumentados ao longo dos meses. A organização recebeu R$ 18,6 milhões em julho, mas descumpriu as metas de consultas de ginecologia, pediatria e saúde da família. Mesmo assim, recebeu R$ 18,6 milhões em agosto e R$ 19,1 milhões em setembro.

contrato covas.jpg

Trecho do contrato de gestão com OSS SPDM

 

No caso do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), a situação é semelhante. A organização teve cumprimento de metas insatisfatório para consultas de saúde da família (2017 e 2018), clínica geral (2017) e ginecologia (2018 e 2019). Recebeu grau crítico para consultas de ginecologia e pediatria, em 2017. E grau alarmante nas consultas de pediatria em 2019 (até julho – não foram divulgados dados posteriores). Mesmo quando atinge o nível satisfatório, os dados mostram que o percentual de cumprimento esteve abaixo dos 100%. No entanto, não constam dos termos de aditamento, nem das prestações de contas, o desconto de valores referentes a essas metas descumpridas.

A OSS iniciou o ano de 2019 recebendo R$ 12,4 milhões para custeio. Em dezembro, o valor subiu para R$ 15,6 milhões. Os dados são do contrato R021, para a Rede Assistencial da Supervisão Técnica de Saúde Santana/Tucuruvi/Jaçanã/Tremembé.

iabas metas.jpg

A OSS Casa de Saúde Santa Marcelina, também parceira do governo Covas na saúde, só conseguiu cumprir as metas em nível satisfatório nas consultas de clínica geral e nas consultas de Saúde da Família do ano passado. Todo o restante – consultas de ginecologia, pediatria e Saúde da Família (2017 e 2018) ficaram em nível insatisfatório segundo as planilhas analisadas pela RBA. Os dados são do contrato de gestão R011, para a Rede Assistencial das Supervisões Técnicas de Saúde Itaquera/Guaianases e Cidade Tiradentes.

consultas medicas.jpg

Sem especialistas para atender o povo de São Paulo


Na zona sul da cidade, outra organização parceira do governo Covas na saúde descumpre as metas de atendimento à população. Mas a situação da OSS Associação Saúde da Família tem uma peculiaridade. Nas 17 Unidades Básicas de Saúde sob gestão da organização, a população não é atendida por profissionais especialistas, só por médicos de Saúde da Família. Não há ginecologistas ou pediatras no atendimento de rotina. Apenas se este profissional avaliar que há necessidade, o paciente é encaminhado a uma unidade com especialista ou atendimento emergencial.

Mesmo assim, a OSS Associação Saúde da Família não cumpriu a meta de realização de consultas no ano passado. Mas recebeu os repasses normalmente, inclusive com aumento da verba em janeiro de 2020. Foram R$ 22,1 milhões, em dezembro, e R$ 23,2 milhões, em janeiro.

ASF metas.jpgMoradora do Jardim Monte Azul, na região do Grajaú, a fotógrafa Ingrid Novais contou que nunca teve consulta com ginecologista obstetra durante sua gravidez. E a filha recém-nascida nunca viu um pediatra. Ela relata não se sentir confortável com esse formato de atendimento. “Parece que a gente, na periferia, não merece ter atendimento médico específico. O médico da família é atencioso, mas nem sempre a consulta é com ele, muitas consultas são apenas com enfermeiros. E consulta com especialista é longe, em algumas unidades”, disse.

Leia mais:

27
Nov20

Privatizações de Bruno-Doria tiram direitos: o serviço de hormonioterapia em risco

Talis Andrade

doria na covas.jpg

 

Bruno-Doria deixaram uma organização social (OS) avançar sobre as Unidades Básicas de Saúde e isso fez com que a UBS que tinha o principal serviço de hormonioterapia fosse entregue - São Paulo State Government

 

São Paulo foi a primeira cidade a desenvolver um programa de hormonioterapia na rede pública

 

por Alexandre Padilha /Brasil de Fato

Uma das marcas do modo Bruno-Doria de governar é a privatização. É entregar o que existe no público para entidades privadas, para empresários, para interesses privados, para quem quer fazer lucro, pra quem não tem uma preocupação, em primeiro lugar, com a garantia dos direitos do povo.

Essa é uma característica Bruno-Doria na área da Saúde. Bruno-Doria começaram a sua gestão querendo fechar todas as farmácias nas unidades básicas de saúde para entregar este fornecimento de medicamentos apenas para farmácias privadas, sem saber, inclusive que não existem essas farmácias privadas em vários bairros onde nós temos Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Foi assim também com a estratégia deles de tentar entregar a realização de exames e cirurgias para hospitais privados, usando inclusive a hora em que os equipamentos estavam ociosos, ou seja, a madrugada.

Independente deste custo, será que eles sabem o que é uma pessoa sair do M'Boi, da Cidade Tiradentes, da Brasilândia, do Itaim Paulista, da Sapopemba, para ir até um hospital privado no centro durante a madrugada para fazer um exame ou uma cirurgia?

Essa marca da entrega para o setor privado atinge agora um dos programas mais inovadores do SUS para São Paulo (SP) que é a hormonioterapia. Ou seja, o acolhimento, o cuidado conhecido como hormonioterapia para a população na cidade

- - -

::Leia mais reportagens sobre a gestão de João Doria e Bruno Covas em São Paulo::

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Eu era secretário de saúde em 2015, na gestão Haddad, quando nós criamos este programa. Na época São Paulo foi a primeira cidade a desenvolver um programa de hormonioterapia na sua rede pública municipal. A hormonioterapia no SUS é um direito desde 2011. Eu era ministro da Saúde na época.

Em 2012 e 2013 foram incorporados vários procedimentos, inclusive a possibilidade de hormonioterapia. Em geral, ela acontece em hospitais universitários, serviços estaduais. Foi uma grande inovação a abertura de um serviço municipal em Unidades Básicas de Saúde, ou seja, trazendo o cuidado da população para mais próximo de onde ela vive, trabalha e convive. E isso foi um ganho muito importante para o cuidado em saúde.

Pois bem, Bruno-Doria deixaram uma organização social (OS) avançar sobre as Unidades Básicas de Saúde e isso fez com que a UBS que tinha o principal serviço de hormonioterapia fosse entregue. Com isso trabalhadores, profissionais, especialistas que são servidores públicos, inclusive que foram formados com essa ideia, passaram a ser excluídos, demitidos, e estão sendo remanejados por não serem da OS. Isso, obviamente, está colocando em risco o atendimento à população.

Ou seja, a privatização feita por Bruno-Doria gera muito lucro, muitos interesses por setores privados, mas reduzem serviços para a população, sobretudo atendimentos que só o SUS faz, aqueles que não rendem lucro, mas que rendem direitos às pessoas, como a população LGBT.

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Qual a finalidade da hormonioterapia?
 
Trata-se de um tratamento usado contra os tipos de câncer que têm relação com hormônios e que o ajudam a crescer e se espalhar. Nesse caso, a hormonioterapiaatua com a finalidade de inibir a produção desses hormônios para cessar a alimentação das células cancerosas e evitar a expansão do tumor.

 

27
Nov20

Sentindo eleição ameaçada, direita apela para ódio e terrorismo eleitoral

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

Com a divulgação de pesquisas sobre o 2º turno, o pânico tomou conta dos comitês de Brunos Covas/PSDB em São Paulo e de Sebastião Melo/MDB em Porto Alegre.

Tanto na capital paulista como na gaúcha, levantamentos indicam queda das intenções de votos nos candidatos da oligarquia dominante, e crescimento das candidaturas de esquerda de Guilherme Boulos/PSOL e Manuela D’Ávila/PCdoB/PT.

A disputa avança dramaticamente nestas 2 cidades na reta final de campanha, e o resultado do próximo domingo [29/11] tende a ser parelho em ambas.

Em São Paulo e em Porto Alegre observa-se o amontoo automático do chamado centro político, mais direita e mais extrema-direita bolsonarista para enfrentar as candidaturas de esquerda apoiadas pela centro-esquerda.

É interessante notar como os xingamentos e as brigas selvagens entre os candidatos e partidos do bloco conservador magicamente desapareceram. Agora, todos atuam em ordem unida para enfrentar o que consideram ser o inimigo comum – a esquerda e o campo progressista.

Para a oligarquia racista, o relevante não é apresentar propostas concretas para enfrentar problemas como finanças municipais, desemprego, moradia, saúde, educação, creches, saneamento básico, Plano Diretor e o desenvolvimento da cidade. A única obsessão deles é impedir que a esquerda vença para promover mudanças profundas no governo.

Está claro que a oligarquia não se junta a favor de um plano para a cidade. Eles apenas se amontoam em aglomerados reacionários para combater a esquerda. Não sem histeria, bradam contra a “ameaça comunista”, como se estivessem na Guerra Fria.

Até há alguns dias, as campanhas de Covas/PSDB em São Paulo e de Melo/MDB em Porto Alegre simulavam civilidade em público, ao mesmo tempo em que promoviam toda sorte de vilania e patifaria no subterrâneo das redes sociais e do WhatsApp.

Com os números das pesquisas recentes, contudo, as campanhas deles passaram a apelar para o ódio e o terrorismo abertos, inclusive promovendo sectarismo religioso na propaganda eleitoral.

Nos últimos dias começaram circular vídeos com sionistas defendendo o voto em Covas e acusando Boulos de antissemita. Na mesma linha, cristãos conservadores [católicos e evangélicos] transformaram igrejas, cultos e templos religiosos em comitês eleitorais do Covas, a partir dos quais proferem toda sorte de infâmias e demonizam Boulos.

O próprio Covas, talvez desesperado com o risco da derrota, parece esquecer que a disputa é para o governo da cidade de São Paulo, mas mesmo assim provoca Boulos a responder acerca de problemas de Cuba e da Venezuela …

Em Porto Alegre a chapa do Melo/MDB, integrada pelo fundador e coordenador do MBL no Rio Grande do Sul [Ricardo Gomes/DEM], é especializada em industrializar mentiras, ataques e baixarias.

Desde o 1º turno, Manuela tem sido alvo da pistolagem e banditismo político deste bando da direita extremista – mais detalhes aqui. A campanha dela derrubou na justiça mais de 530 mil publicações ofensivas, notícias falsas e calúnias no facebook.

Agora circula um áudio com relato da reunião do Ricardo Gomes com o poderoso sindicato patronal da construção civil, o SINDUSCON, no qual empresários são conclamados a votar no Melo, “porque se entrar essa vadia aí vai ser um problema muito sério para a cidade”.

Os programas de TV do Melo também ficaram mais violentos e apelativos. Melo finalmente saiu do esconderijo das redes e passou a atacar Manuela na TV e nas entrevistas. O candidato da direita racista tenta assustar a população com uma retórica anticomunista e antipetista, para infundir medo e pavor nos eleitores da Manuela.

É arriscado predizer alguma tendência de resultado no próximo 29 de novembro, dadas as incertezas das pesquisas, que acertam cada vez menos os prognósticos.

Mas, por outro lado, o comportamento desesperado dos candidatos da direita bolsonarista e bolsonarizada – em São Paulo e em Porto Alegre – autoriza supor-se que são bem realistas os “riscos” de vitória da esquerda e do campo progressista em São Paulo com Boulos, e em Porto Alegre com Manuela.Image

 
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