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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Jul20

Entre a fortuna, a Coca-Cola e o povo brasileiro

Talis Andrade

água cofre Alfredo Martirena.jpg

 

 

III - Jereissati, PSDB, Cid, Ciro Gomes & CIA: devolvam a água para o Brasil

por Roberto Bueno

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O Senador Jereissati (1948-) é homem de provecta idade, o que desperta a curiosidade por refletir sobre a condição humana quando o umbral do além se aproxima: o que mais falta faz, bens de ordem moral ou bens de ordem econômica? Quando todos nós chegarmos ao momento em que divisarmos o horizonte assim de tão perto, teremos ciência da inevitabilidade do resultado do avanço dos dias, mas que juntamente à velhice não acompanha a velhacaria. Esta última sempre esteve mobilizada para a destruição aos instrumentos de efetivação dos interesses populares, a exemplo dos representantes que tentaram reduzir fortemente a taxa de juros, postos que atinge o mundo do rentismo, assim como a importante redução da margem de lucro da iniciativa privada nas parcerias com o setor público. Destituir do poder por vias golpistas foi sempre a resposta dos setores oligárquicos brasileiros casados ao militarismo.

O eixo das ocupações da oligarquia nacional a qual pertence o Sen. Jereissati e o seu PSDB nunca foi a corrupção, a qual, por certo, conhecem como poucos, pois se assim fosse, os holofotes e o protagonismo seriam integralmente da oligarquia demofóbica que controlou os cofres do Brasil desde a colônia até o recente advento do Rodoanel paulista. É a este círculo de homens que pertence com destaque o Sen. Jereissati, que entre a fortuna, a Coca-Cola e, por outro lado, o povo brasileiro, não hesitou em mobilizar as forças políticas auxiliares, como é o caso da família Gomes, Cid e Ciro, que correram em seu apoio com voto e silêncio obsequioso, respectivamente. E pensar que Ciro Gomes já encontrou tempo e espaço para repreender penosamente a Deputada Federal Tabata Amaral por sua posição política na reforma da previdência! O tempo, sempre o senhor da razão.

Ciro Gomes cavou espaço nas fileiras do histórico PDT herdeiro das tradições do melhor PTB, legenda negada pelo establishment através da estratégia da Golbery do Couto e Silva para interditar a retomada das melhores chances eleitorais de Brizola quando de seu regresso ao Brasil após longo período de exílio. Ciro Gomes realizou o movimento político orientado a cooptar o sólido eleitorado trabalhista cultivado por Brizola, mas pretendeu fazê-lo ao arrepio dos princípios partidários de defesa da ideia de que a propriedade privada deve vir acompanhada do condicionamento ao bem-estar social, sob o reconhecimento da importância da intervenção do Estado na economia e o desenho de uma sociedade socialista e democrática.

Justamente neste grave momento da vida nacional em que são acumulados cadáveres a cada dia os irmãos Cid e Ciro Gomes abraçaram irresolutamente os interesses do cacique Jereissati para projetar no futuro outros tantos mortos, estes, de sede e males outros derivados da insuficiência de água para higiene, além dos problemas energéticos. Após o fato, Ciro Gomes já não precisará preocupar-se com encontrar respostas para perguntas incômodas, não carecerá de disfarçar ou tergiversar, e já tampouco haverá espaço para fazer o famoso mea culpa, que a tantos exige, dedo em riste, aliás, assacando práticas corruptas, quando o realismo político indica com decisão que não há maior corrupção do que apoiar a entrega de bens públicos como foi o caso da Vale do Rio Doce, da privatização de tantas empresas à baixo preço, e agora, por fim, da entrega para a exploração da iniciativa privada de um bem de domínio público de importância existencial, como é o caso da água. Fossem todos os homens dotados de doses expressivas de vergonha como condição essencial para a sua sobrevivência e, temo, alguns talvez simplesmente evaporassem em face de suas opções políticas.

Brizola alertava aos jovens para evitar que cavassem a própria sepultura, enquanto aqueles que hoje mal trajam as honradas e honrosas vestes trabalhistas são os próprios coveiros desta juventude. Sinal dos tempos! Quanta mudança! Ciro Gomes supõe que poderá cavalgar sobre a imagem histórica e genuinamente popular de Brizola, mas não lhe bastará pronunciar “interésse” para ludibriar o povo. Brilho próprio, rica herança e trajetória singular e coerente, a memória política de Brizola dispõe da autonomia e independência à similaridade dos indomáveis cavalos selvagens, que não se prestam a subjugação. Ainda impacta no imaginário popular o legado intelectual e prático de Brizola, distanciado de qualquer relação com as opções políticas dos irmãos Gomes e seu patrocinador, o grande oligarca das terras cearenses, o Sen. Jereissati.

Para aproximar-se ao núcleo doutrinário do trabalhismo Ciro Gomes teria de adotar práticas compatíveis que neste momento implica proteção à água, notável bem de domínio comum. A privatização do saneamento básico e da água no bojo do PL 4.162/2019 representa duríssimo ataque ao povo e, por conseguinte, às tradições do trabalhismo. A herança de Brizola é de sincero esforço pela justiça social, tão bem expressa em seu constante combate de que apenas a “minoria, os filhos da fortuna, cercados de todas as garantias, possa[m] realizar as suas aspirações, e os filhos da pobreza somente o consigam, à custa de suas própria saúde, ou então, inexoravelmente morram na ignorância?” A posição assumida pela família Gomes é de tratar o poder com a deferência necessária, indiferente a primeira das aspirações dos filhos da pobreza mais profunda: a água.

Aos que sobreviverem das consequências detratoras da vida os Gomes implicitamente sugerem encarregar-se de ofertar algo para obter a legitimação política indispensável que se traduza nas urnas. A partir desta votação sobre o PL 4.162/2019 Ciro Gomes explicitou que já não dispõe de pretextos ou justificativas para encobrir posições nacionalistas, populares e em defesa da soberania, pois manifestou que está ao lado e defendendo os interesses da direita ultracapitalista, voraz e inescrupulosa. A ela Ciro Gomes denunciou em tantos discursos inflamados, alguns dos quais assisti pessoalmente, como se pretendesse, realmente, atacar tais interesses uma vez detentor do poder.

No momento da votação à sorrelfa de tão relevante matéria como a do PL 4.162/2019, sem mediar o devido aprofundamento e maturação dos debates, todos testemunhamos, sob a limpidez do céu de brigadeiro, que os irmãos Gomes são amigos da retórica e do capital tanto quanto adversários ferrenhos da mais genuína doutrina do trabalhismo pedetista-brizolista. Não há espaço para a convivência desta histórica doutrina trabalhista que a família Gomes brande em público e sua união indissolúvel com os interesses do Sen. Jereissati, disposto a cultivar a sede do povo brasileiro através da continuidade ao processo de expropriação de suas riquezas.

Esta oligarquia nacional não devolverá por vontade própria as riquezas que estão sendo celeremente retiradas do controle do povo brasileiro. Jereissati encarna a extrema-direita civil que está unida à extrema-direita que anda com fuzil ao ombro, unidas indissociavelmente pelo interesse econômico em que pontifica a política neofascista. Estão todos juntos nisto e a recuperação da água e demais riquezas passa pela reordenação do campo progressista e de intensa mobilização popular.

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08
Mar19

BOLSONARO TRANSFORMOU UM CASO MERAMENTE POLICIAL EM PRESIDENCIAL, ATACOU IRREFLETIDAMENTE O CARNAVAL

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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Ele ainda não percebeu a importância e as restrições do cargo de Presidente da Republica. Com intervenção moralista e desproporcional, pegou um episodio sinuoso, pegajoso, ruinoso, que podia e devia ser punido, mas por autoridade policial, da região onde TERIA acontecido.

O destaque que dei á palavra, é que ficaria apenas isolado e desconhecido, se não fosse à projeção dada estouvadamente pelo mais alto personagem numa democracia.

Atacou a festa mais popular e democrática do país, respeitada e admirada pelo mundo. Que reagiu com enorme repercussão, negativa para Bolsonaro. Que como acontece quase sempre com ele, voltou atrás, recuou, tentou um desmentido, com fartas e insinceras reverencias ao carnaval.

Devia ser punido, o presidente da Republica não tem imunidade para atacar desabridamente dezenas de milhões, em todo o pais que "pulam o carnaval ", democraticamente, com alegria, satisfação, e não apenas nas brilhantíssimas e popularíssimas Escolas de Samba.

Bolsonaro cometeu o crime de GENERALIZAR. Se não tivesse sido expulso do Exercito e proibido de frequentar quartéis, talvez tivesse chegado a GENERAL. Aí poderia fazer divagações tortuosas com a palavra.

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BRIZOLA, SAMBÓDROMO, LINHA VERMELHA, PAULO FREIRE

Ficou asilado, proscrito, sem poder vir para o seu país, durante 15 anos, de 1964 a 1979. Aí, os generais torturadores, forjaram a "anistia, ampla, geral e irrestrita". Foram os grandes beneficiários, mas tinham que libertar asilados e exilados. Brizola entre eles.

Chegou pensando na presidência da Republica. Objetivo e obsessão dele e de Carlos Lacerda, adversários a vida inteira. Só que Lacerda morreu de repente, em 1977, 2 anos antes da "anistia", com 63 anos. Brizola fez toda a carreira no seu estado, vereador, deputado estadual, prefeito de Porto Alegre, governador. Viu logo que não dava para disputar a presidência, se elegeu governador do Estado do Rio, em 1982.

Aí, a guinada na sua vida política, como coloquei no titulo. Em 1984 inaugurou o Sambódromo, confessou a este repórter e ao extraordinário Paulo Freire, um dos mais importantes personagens da vida brasileira: "No meu estado, não saía de casa nos dias de carnaval".

"Agora estou aqui para inaugurar a Linha Vermelha, querendo ser Presidente da Republica, com eleições marcadas, mas sempre indiretas".

Tinha esperança nas "Diretas, já", derrotadas por grandes jornais, acumpliciados pelo que se chamou de transição, com o restolho da ditadura. Houve então a indireta de 1985, isso não admitiu disputar de jeito algum. Concorreu á presidência na direta de 1989. Collor ganhou o primeiro turno, indo para o segundo com Lula, que derrotou Brizola por meio ponto. Chamou Lula de "sapo barbudo", foi para a fazenda, voltou para apoiá-lo, não tinha escolha.

PS- Como Lacerda, morreu sem ser presidente. Gostaria de ver um deles, ou os dois, (na época não havia reeleição, comprada por FHC, com dinheiro de financiadores interessados, em 1998), excelentes governadores. Brizola duas vezes, por estados diferentes.

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