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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Dez18

Subida do salário mínimo espanhol para 900 euros antecipada pelo governo

Talis Andrade

 

 

Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, anunciou esta quarta-feira a subida do salário mínimo para os 900 euros.

Durante o discurso no parlamento, Sánchez afirmou que a subida será de 22% poreque “um país rico não pode ter trabalhadores pobres”. A medida vai ser ainda aprovada no Conselho de Ministros espanhol, agendado para dia 21 de dezembro, em Barcelona.

O rendimento mínimo passou de 735,90 euros para 900 euros, uma subida que resulta de um acordo assinado entre o governo e o partido de extrema-esquerda, Podemos, no âmbito do Orçamento do Estado para 2019.

Converter Euro para Brasil - Real

€ 1 = R$ 4.3960
 

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No Brasil, 90% da população sobrevive com menos de mil reais. É o chamado milagre brasileiro. 

08
Dez18

Jovem brasileira conta que foi agredida por quatro portugueses na noite de Lisboa

Talis Andrade


Estudante está em Portugal há três anos

jovem brasileira in portugal.jpg

 

Jornal I - Sophia Velho, uma jovem brasileira a estudar em Portugal, garante que foi agredida no Bairro Alto, em Lisboa, por quatro portugueses.

Segundo o jornal o Globo, que cita a jovem, de 26 anos, a agressão aconteceu no passado dia 28 de novembro na Rua da Rosa.

Sophia Velho, que está há três anos em Portugal, refere que já havia presenciado casos de xenofobia contra brasileiros , mas que nunca lhe tinha acontecido.

As imagens das agressões foram partilhadas pela jovem no Facebook.

"Levei uma semana para falar, mas foi preciso. A sensação que se tem num episódio como este é de impunidade total", referiu

Ao mesmo jornal, Sophia conta que tudo começou quando levou uma amiga a um bar que costumava frequentar. No local, uma portuguesa terá começado a criticá-las com ofensas como “vadias”, enquanto quem a acompanhava se ria destas ofensas. Incomodada, a jovem respondeu que era brasileira, dando a entender que estava a perceber os insultos, mas tal não impediu que a situação parasse.

“Ela respondeu que não imaginou que eu fosse brasileira, pensou que fosse inglesa. Continuou a rir-se e a falar mal dos brasileiros, fazendo piadas sobre como as brasileiras quererem roubar os homens das portuguesas, coisas horríveis. Eu levantei-me e fui até aos funcionários avisar que ela me insultou, mas nada aconteceu. Peguei meu casaco e saí com minha amiga”, contou a estudante de Design.

Depois de sair, a portuguesa terá ido atrás da jovem brasileira dando-lhe um murro. Sophia conta ainda que os três homens que a acompanhavam a agarraram e também a agrediram.

Ao tentar voltar a entrar no bar, por ver que a amiga estava a ser levada de volta para o interior do estabelecimento, foi expulsa por um empregado.

"Bati com o rosto numa pedra e ficou roxo", denunciou, acrescentando ainda que a rua, que é pouco movimentada, estava vazia naquela noite.

Em declarações ao Globo, uma funcionária do bar referiu que as agressões ocorreram no exterior do estabelecimento e acrescentou não saber o motivo. Segundo a mesma, os empregados atuaram “para evitar que acontecesse o pior” quando se aperceberam da situação e convidaram as duas brasileiras a sair do bar.

Sophia Velho conta ainda que não foi ao hospital e que não apresentou queixa às autoridades.

"Isto nunca tinha acontecido comigo, mas já presenciei agressões contra brasileiros e muitos angolanos. Quando contei à minha mãe, ela ficou desesperada, queria que apanhasse um voo para Porto Alegre logo no dia seguinte. Mas estou a um mês de terminar a minha graduação, então continuei. Acho que estar prestes a voltar para o Brasil me motivou a falar sobre o que aconteceu", disse.

28
Nov18

Bernard-Henri Lévy: “Bolsonaro derrotou mais a direita do que a esquerda”

Talis Andrade

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Bernard-Henri Lévy, durante sua visita a São Paulo, em 24 de novembro. JANSSEM CARDOSO
 
 
Tom C. Avendaño entrevista Bernard-Henry Lévy 
 
Filósofo lamenta a "pornografia política" do presidente eleito
 
 
Bernard-Henri Lévy visita o Brasil em um de seus momentos mais turbulentos, quase como nos tempos em que este filósofo, formado igualmente entre maoístas e holofotes, ainda estava construindo sua reputação de pensador de ação e ia ao Irã nos anos setenta ou à Bósnia nos anos noventa. Vestido com seu eterno uniforme – terno escuro camisa branca parcialmente desabotoada – com o qual se tornou um dos pensadores mais midiáticos e conhecidos da França e de grande parte da Europa, Lévy (Argélia, 1948) vai direto ao problema entre goles de chá em um hotel em São Paulo: “Todo o mundo está olhando para o Brasil. O que seu presidente eleito, [Jair] Bolsonaro, faz é discutido em todos os lugares e o que estamos vendo é um presidente sem programa, nostálgico de um dos momentos mais sombrios da história do país e sem amor genuíno por sua terra natal. O mundo está assombrado com a incrível vulgaridade de alguns de seus comentários. É pornografia política. Como fala das minorias, das mulheres. O mundo está estupefato”, repete com finíssima indignação parisiense. E resume a questão que mais escandaliza os cientistas políticos de todo o mundo: “E não venceu dando um golpe, mas através das urnas”.
 

O Brasil é apenas uma frente de uma guerra global, pondera com um certeiro cruzamento de pernas, uma guerra que absorve praticamente o mundo inteiro. “Há uma luta ideológica entre a xenofobia e o humanismo, entre os extremos, da esquerda à direita, que se alinharam nas ruas para destruir os valores republicanos e as forças do progresso”, diz. “O Brasil está dentro dessa corrente global e, de certo modo, seu líder populista é o mais caricatural de todos.”

 

Pergunta. Quando Trump ganhou a presidência em 2016, o senhor alertou os norte-americanos de que, para além da ideologia do vencedor, “milhões de gênios acabaram de sair da lâmpada” com aquela vitória. O senhor estenderia esse alerta hoje aos brasileiros?

Resposta. Fiz duas advertências quando Trump foi eleito. Os geniozinhos saíram da lâmpada e também avisei aos judeus que se cuidassem dos presentes e afetos de Trump. O afeto que não nasce do amor verdadeiro é muito perigoso e tem efeitos colaterais terríveis. Diria o mesmo aos brasileiros. A eleição de Bolsonaro libertou milhões de geniozinhos. E eu diria a eles para terem cuidado com esses gestos de amizade aparente, não porque podem se revelar uma mentira amanhã, mas porque podem ter um significado inesperado e triste amanhã. Não vi na história uma época em que os judeus não acabem como vítimas.

 

P. O senhor se mobilizou especialmente contra o Brexit nos últimos anos. Compartilha das comparações de que essa votação e a vitória de Bolsonaro pertencem à mesma convulsão destrutiva contra a ordem estabelecida?

R. O Brexit não está destruindo o establishment; o Brexit é o establishment. Boris Johnson, as pessoas que clamam pela separação, são o establishment. O que é que o Brexit destrói? O Reino Unido. Não o establishment. Da mesma forma, Bolsonaro também não faz dano algum ao establishment, ele o faz ao Brasil. Ou poderia fazer, pelo menos. Ele faz parte do establishment, do pior do Exército e do pior da direita das cavernas. E se é uma arma de destruição, não é da destruição das elites, mas do que foi construído neste país, desde que, mais ou menos, terminou a ditadura militar (1964-1985).

 

P. Ele, no entanto, declara guerra à esquerda e consegue que a direita o deixe em paz, talvez motivada por esse inimigo comum. Mas Bolsonaro não é mais inimigo?

R. A vitória de Bolsonaro é uma derrota da esquerda, mas é uma derrota muito mais importante da direita. Bolsonaro a devorou. Essa direita liberal, limpa, republicana, que quis construir um país de costas para a ditadura, essa direita é o objetivo principal de Bolsonaro. Ele quer acabar com ela e em parte conseguiu. Hoje ela está fora do jogo.

 

P. Bolsonaro fez com que milhões de pessoas falassem da esquerda como uma entidade única que abarca do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao venezuelano Hugo Chávez...

R. [interrompe] Não existe comparação possível entre Lula e Chávez. Mas existe entre Chávez e Bolsonaro, que pertencem à mesma família de líderes: populistas, mentirosos, líderes que não se importam com o seu país. Lula pode ter cometido erros, eu não sei, talvez o saibamos no dia em que for julgado com justiça. Mas, para mim, até agora, era um líder bom e decente para o Brasil, e sua presidência foi um momento honorável na história do país. Bolsonaro e Chávez, ou Bolsonaro e Maduro, têm mais semelhanças entre si do que diferenças.

 

P. Durante quase 40 anos e até recentemente o senhor disse que devíamos “quebrar a esquerda”, citando Maurice Clavel, para derrotar a direita. O senhor ainda mantém isso hoje?

R. A esquerda já está quebrada. Você tem por um lado Lula no Brasil, [o ex-presidente socialista François] Hollande na França e o [ex-primeiro-ministro italiano Matteo] Renzi na Itália, grandes líderes da esquerda ocidental, que se separaram da outra esquerda, a falsa, a radical. Na França não há relação entre o ex-presidente Hollande e [o líder da esquerda alternativa francesa, Jean-Luc] Mélenchon. Essa dissociação já aconteceu lá e na Itália também. A verdadeira rachadura, e isso existe na Europa e na América Latina, é o populismo contra os princípios humanistas, universalistas e reformistas. Lula é a personificação dessa diferença. Ele é a esquerda humanista, a verdadeira, aquela que defende os interesses do povo contra o nacionalismo, a xenofobia e a mentira. Contra as tentações de Chávez. Mas a história dele não acabou.

 

P. As eleições vencidas por populistas não foram desprovidas de candidatos, digamos, tradicionais, aceitáveis, de esquerda e de direita. O senhor está preocupado que certas formas se percam?

R. Esquerda e direita não importam mais. A única corrente que existe agora é que estamos vivendo um momento populista. Com a ajuda da Internet e das redes sociais, a subcultura das televisões, passamos por um momento que dá vantagem aos líderes populistas. E todo político republicano, democrático, razoável e old school deve se adaptar à nova situação. Eles ainda não o fizeram, mas terão de fazê-lo para não serem devorados por esse enorme monstro que está surgindo em todo o mundo.

 

P. É preciso se adaptar ou contra-atacar?

R. Será preciso tempo. As épocas sombrias nunca duram para sempre. Nos anos vinte, trinta e nos cinquenta havia multidões no Ocidente contra a democracia. E ainda assim esta prevaleceu. Eu acho que a mesma coisa vai acontecer agora. Do que tenho certeza é que não se derrotará o novo populismo usando suas mesmas armas. Os democratas devem ter a coragem de não cair nessa armadilha. Eles têm de defender seus valores mesmo se durante algum tempo são minoria e não são ouvidos o suficiente. Se abandonarem seus valores, estarão perdidos.

 

P. O mundo se aproxima desse paradoxo de ter que defender a democracia quando a maioria está contra ela?

R. O sonho de muitos líderes é acabar com a democracia. Trump, Bolsonaro, [Viktor] Orban na Hungria. Mas nos Estados Unidos estamos vendo até que ponto a democracia é capaz de resistir. O verdadeiro muro americano não é o que Trump quer construir entre os Estados Unidos e o México, mas o que a sociedade civil norte-americana construiu para ele. Trump não é livre para fazer o que quer e está dando cabeçadas na parede. Talvez isso acabe quebrando a cabeça dele, vamos ver. E o que eu desejo para o Brasil é algo parecido, que se revele um muro da democracia e enfrente a vulgaridade, a estupidez e a ausência de ideias.

 

MAIS INFORMAÇÕES

 
 
 
 
 
13
Nov18

Relincha Brasil, a república dos burros

Talis Andrade

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por Bepe Damasco

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Merece atenção uma mensagem publicada pelo juiz Rubens Casara em seu twitter: “O empobrecimento subjetivo, que também leva à regressão do Eu, faz com que o brasileiro busque identificação com políticos, artistas, pastores, padres, comediantes e outras figuras públicas a partir daquilo que os une: a ignorância. Perdeu-se a vergonha de ser ignorante ou burro.”

 

Casara acertou na mosca: a onda obscurantista que varre o país pode ser comparada a uma espécie de epidemia galopante de burrice. Até há pouco tempo, era comum numa roda de amigos ouvir expressões do tipo “sou apolítico” ou “nada entendo de política, por isso não vou opinar” ou ainda a frase-síntese da alienação: “política, religião e futebol não se discutem.”

 

Se essa autoexclusão das pessoas do debate político revelava um preocupante déficit de consciência cidadã e participação democrática, hoje observamos um fenômeno inverso. Todos têm opinião pronta e acabada sobre política, mesmo que jamais tenham lido uma linha a respeito, mesmo sem terem visto um filme sequer capaz de lhes fazer saltar a veia crítica, mesmo que sistematicamente seus ouvidos estejam bloqueados para ideias e argumentos fora da mediocridade do senso comum.

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É inescapável a constatação de que só um país profundamente ignorante e doente de ódio pode eleger um boçal do calibre de um Bolsonaro. E que fique claro: não me refiro à educação e cultura formais e eruditas. Lula, o melhor presidente da história do país, não tem curso superior, mas sempre demonstrou capacidade para discutir qualquer tema com os doutores que dão as cartas na política há mais de 500 anos. De Inteligência acima da média, Lula, além de um comunicador inigualável, tem sua genialidade política reconhecida até por adversários.

 

O meu ponto principal é o analfabetismo político que assola inclusive boa parte das classes média e alta, gente que teve acesso à universidade, mas segue iletrada e incapaz de deixar de raciocinar de forma simplista e binária. Não há como fazê-la entender que seu ódio aos pobres só alimenta uma sociedade vergonhosamente desigual e excludente, cujos índices de criminalidade crescentes se voltam contra a própria elite.

 

Enquanto os bem-nascidos se limitam a repetir os chavões e mantras reacionários do oligopólio da mídia, na parte de baixo da pirâmide os pastores charlatães, apresentadores de programas populares de televisão e o patrão antipetista até a raiz dos cabelos cuidam de fazer a cabeça do povão, naturalizando a violência contra pobres e negros. Pronto, está criado o terreno fértil onde vicejam levas e levas de políticos canalhas, que se elegem com o voto popular para depois colocarem seus mandatos a serviço dos ricos e do roubo dos direitos da maioria.

 

E neste oceano de estupidez muitos perderam qualquer constrangimento de expressar falta de conhecimentos básicos sobre o que estão falando ou escrevendo nas redes sociais. Babam contra a Lei Rouanet, mas se perguntados sobre o que ela significa emudecem; veem comunismo na própria sombra, mas desconhecem os fundamentos mais elementares dessa ideologia; confundem bandeira de partido com bandeira nacional; tacham a Venezuela de ditadura, mas ignoram que é o país da América Latina que mais realizou eleições na última década; esconjuram Cuba, mas não têm a menor noção dos avanços sociais extraordinários da ilha revolucionária. Ah, e o supra sumo da ignorância da história : eles estão convencidos de que o nazismo foi de esquerda.

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Esse quadro ajuda a entender porque na campanha eleitoral os fake news bolsonaristas mais absurdos e grotescos influenciaram tantos eleitores. Afinal, só um completo imbecil pode dar crédito ao “kit gay” ou às mamadeiras simulando a genitália masculina.

 

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27
Out18

“O muro é a ditadura”. Por Eleonora de Lucena

Talis Andrade

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Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando. Por Eleonora de Lucena

 

 

Eleonora de Lucena, durante dez anos (2000/2010) editora-executiva da Folha de S. Paulo, publica hoje no jornal paulista um artigo que orgulha o jornalismo e desanca os covardes o os oportunistas, na imprensa, na política e no empresariado.

 

“O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo”, resume assim a imperdoável atitude dos que acham que críticas, ainda que várias delas justas, a um partido possam justificar quem assiste omisso o risco da morte da democracia, da liberdade e do convívio civilizado.

 

Compartilho pela grandeza do texto, compartilho pelo que resta de dignidade de uma profissão que me chamou, ainda jovem, pelo que podia fazer pela liberdade.

 

Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos

 

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por Eleonora de Lucena, na Folha

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Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.

 

As palavras são ditas de forma crua, sem tergiversação – com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas. Não há um mísero traço de civilidade. É tacape, é esgoto, é fuzil.

 

Para o candidato-nojo, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.

 

Envolta em ódios e mentiras, a eleição encontra o país à beira do abismo. Estratégico para o poder dos Estados Unidos, o Brasil está sendo golpeado. As primeiras evidências apareceram com a descoberta do pré-sal e a espionagem escancarada dos EUA. Veio a Quarta Frota, 2013. O impeachment, o processo contra Lula e sua prisão são fases do mesmo processo demolidor das instituições nacionais.

 

Agora que removeram das urnas a maior liderança popular da história do país, emporcalham o processo democrático com ameaças, violências, assassinatos, lixo internético. Estratégias já usadas à larga em outros países. O objetivo é fraturar a sociedade, criar fantasmas, espalhar medo, criar caos, abrir espaço para uma ditadura subserviente aos mercados pirados, às forças antipovo, antinação, anticivilização.

 

O momento dramático não permite omissão, neutralidade. O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo.

 

É urgente que todos os democratas estejam na trincheira contra Jair Bolsonaro. Todos. No passado, o país conseguiu fazer o comício das Diretas. Precisamos de um novo comício das Diretas.

 

O antipetismo não pode servir de biombo para mergulhar o país nas trevas.

 

Por isso, vejo com assombro intelectuais e empresários se aliarem à extrema direita, ao que há de mais abjeto. Perderam a razão? Pensam que a vida seguirá da mesma forma no dia 29 de outubro caso o pior aconteça? Esperam estar livres da onda destrutiva que tomará conta do país? Imaginam que essa vaga será contida pelas ditas instituições –que estão esfarrapadas?

 

Os arrivistas do mercado financeiro festejam uma futura orgia com os fundos públicos. Para eles, pouco importam o país e seu povo. Têm a ilusão de que seus lucros estarão assegurados com Bolsonaro. Eles e ele são a verdadeira escória de nossos dias.

 

A eles se submete a mídia brasileira, infelizmente. Aturdida pelo terremoto que os grandes cartéis norte-americanos promovem no seu mercado, embarcou numa cruzada antibrasileira e antipopular. Perdeu mercado, credibilidade, relevância. Neste momento, acovardada, alega isenção para esconder seu apoio envergonhado ao terror que se avizinha.

 

Este jornal escreveu história na campanha das Diretas. Depois, colocou-se claramente contra os descalabros de Collor. Agora, titubeia – para dizer o mínimo. A defesa da democracia, dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo.

 

Não adianta pedir desculpas 50 anos depois.

 

 

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20
Out18

Autoquestionamento: por que as pessoas mais importantes do mundo estão preocupadas com o Brasil?

Talis Andrade

INTERNATIONAL DECLARATION AGAINST FASCISM IN BRAZIL

 

 

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We, women and men, united in our commitment to democracy and human rights, express our unequivocal rejection of far-right candidate Jair Bolsonaro, a contender in the second round of Brazil’s presidential elections on October 28.


The positions that this candidate has defended throughout his public life and during the current electoral campaign are based on xenophobic, racist, misogynistic and homophobic values.
This far-right candidate openly defends the violent methods deployed by military dictatorships, including torture and assassinations.


Positions such as these are a threat to any free, tolerant and just society.


In the second round of the election, the people of Brazil will be making a choice of paramount importance, between liberty and pluralism and retrograde authoritarianism, with a lasting impact, not only for Brazil but also for Latin America, the Caribbean and the rest of the world.


We call on Brazilians to reflect on the gravity of this pivotal moment in history.


There can be no neutrality in the choice between democracy and fascism!
____________________________
MANIFIESTO INTERNACIONAL CONTRA EL FASCISMO EN BRASIL


Nosotros, mujeres y hombres de varias partes del mundo comprometidos con la Democracia y los Derechos Humanos, expresamos el más profundo rechazo al candidato de extrema derecha Jair Bolsonaro, que disputa la segunda vuelta de las elecciónes presidenciales en Brasil el próximo 28 de octubre.


Las posiciones que el candidato ha sostenido a lo largo de su vida pública y en esta campaña electoral son calcadas en valores xenófobos, racistas, misóginos y homofóbicos.


El candidato de extrema derecha defiende abiertamente los métodos violentos utilizados por las dictaduras militares, incluyendo torturas y asesinatos.


Tales posiciones atentan contra una sociedad libre, tolerante y socialmente justa.


La decisión que el pueblo brasileño tomará en esta segunda vuelta constituirá una elección de trascendental importancia entre la libertad y el pluralismo y el oscurantismo autoritario, con impactos duraderos no sólo para Brasil sino para toda América Latina y el Caribe y el mundo.
Llamamos a las brasileñas y brasileños a reflexionar sobre la gravedad de este momento histórico.


¡Entre democracia y fascismo no puede haber neutralidad!
____________________________
MANIFESTE INTERNATIONAL CONTRE LE FASCISME AU BRESIL

 

Nous, femmes et hommes, unis dans notre engagement en faveur de la démocratie et des droits de l'homme, exprimons la plus profonde condamnation au candidat d'extrême droite Jair Bolsonaro, candidat au second tour de l'élection présidentielle brésilienne du 28 octobre.


Les positions que ce candidat a défendues tout au long de sa vie publique et pendant la campagne électorale en cours reposent sur des valeurs xénophobes, racistes, misogynes et homophobes.


Ce candidat d'extrême droite défend ouvertement les méthodes violentes déployées par les dictatures militaires, notamment la torture et les assassinats.Telles positions mettent en péril toute société libre, tolérante et juste.


Au deuxième tour des élections, le peuple brésilien fera un choix de la plus haute importance: d’un côté liberté et pluralisme, de l’autre autoritarisme rétrograde. La victoire du candidat d’extrême droite aurait un impact durable, non seulement pour le Brésil, mais également pour l'Amérique Latine, les Caraïbes et le reste du monde.


Nous invitons les brésiliennes et les brésiliens à réfléchir à la gravité de ce moment crucial de l’histoire.


Il ne peut y avoir de neutralité dans le choix entre démocratie et fascisme!
____________________________
MANIFESTO INTERNACIONAL CONTRA O FASCISMO NO BRASIL


Nós, mulheres e homens de várias partes do mundo comprometidos com a Democracia e os Direitos Humanos, expressamos o mais profundo repúdio ao candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, que disputa o segundo turno da eleição presidencial no Brasil no próximo 28 de outubro.

 

As posições que o candidato tem sustentado ao longo de sua vida pública e nesta campanha eleitoral são calcadas em valores xenófobos, racistas, misóginos e homofóbicos.


O candidato de extrema-direita defende abertamente os métodos violentos utilizados pelas ditaduras militares, inclusive torturas e assassinatos.


Tais posições atentam contra uma sociedade livre, tolerante e socialmente justa.


A decisão que o povo brasileiro tomará no segundo turno das eleições presidenciais constituirá uma escolha de transcendental importância entre a liberdade e o pluralismo e o obscurantismo autoritário, com impactos duradouros não só para o Brasil mas para toda a América Latina e Caribe e o mundo.


Conclamamos as brasileiras e brasileiros a refletirem sobre a gravidade deste momento histórico.


Entre a democracia e o fascismo não pode haver neutralidade!


____________________________
FIRST SIGNATORIES | PRIMERAS FIRMAS
PREMIÈRES SIGNATURES | PRIMEIRAS ASSINATURAS


1. Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, Argentina
2. Angela Davis, filósofa e ativista dos Direitos Civis, Estados Unidos
3. Bernie Sanders, senador, EUA
4. Costa-Gavras, cinéaste et président de la Cinémathèque française, Grece-France
5. Cristina Fernández de Kirchner, ex-presidenta de la Argentina
6. Cuauhtémoc Cárdenas, ex-gobernador del Distrito Federal,
México
7. Danny Glover, ator e ativista, Estados Unidos
8. Dimitrius Christofias, ex-presidente da República de Chipre
9. Dominique de Villepin, ancien-premier ministre de la République Française
10. Eduardo Alberto Duhalde, ex-presidente da Argentina
11. Ernesto Samper, ex-secretário geral da UNASUL e ex-presidente da Colômbia
12. Felipe González, ex primer-ministro de España
13. Fernando Lugo, ex-presidente do Paraguai
14. François Hollande, ancien-Président de la République Française
15. Jorge Lara Castro, ex-ministro de Relaciones Exteriores, Paraguay
16. Jorge Taiana, diputado del Parlamento Mercosur, ex-ministro de Relaciones Exteriores, Argentina
17. José Pepe Mujica, ex-presidente de la República Oriental del Uruguay
18. Jorge Castañeda, escritor, ex-ministro de las Relaciones Exteriores, México
19. Manuel Castells, Wallis Annenberg Chair in Communication Technology and Society at the University of Southern California, Los Angeles, USA
20. Margaret Power, Professor of History and Chair of the Department of Humanities, Illinois Institute of Technology, USA
21. Marta Harnecker, escritora, Chile
22. Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, deputado do Partido da Social Democracia, Alemanha
23. Massimo D' Alema, ex-primo ministro della Reppublica Italiana
24. Noam Chomsky, professor emérito em linguística do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e professor laureado de linguística da Universidade do Arizona, Estados Unidos
25. Pablo Iglesias, secretário general de PODEMOS, España
26. Paul Leduc, director de cine (Frida, Reed, México Insurgente), México
27. Pierre Salama, emeritus professor of Economics, University of Paris XIII, France
28. Pierre Sané, ancien-secrétaire général d'Amnistie Internationale et président du Imagine Africa Institute, Senegal
29. RA Prof. Dr. Herta Däubler-Gmelin, former Minister of Justice, Germany
30. Richard L. Trumka, president, AFL-CIO, USA
31. Sergio Arau, filmmaker, musician, Mexico
32. Tariq Ali, escritor, editor of New Left Review, London, UK
33. Thomas Piketty, professeur à l' École des Hautes Études en Sciences Sociales et at the Paris School of Economics, France
34. Ulrike Lunacek, former Vice-President and Member of the European Parliament (Austria, Greens)
35. Vicente Fox, ex-presidente de la República de México
36. William Barber, reverend, protestant Minister, Political leader in North Carolina, President and senior lecturer of “Repairers of the Breach”, Estados Unidos
37. Wolfgang Katzian, presidente ÖGB
38. Yanis Varoufakis, economist, former Greek Minister of Finance and former Syriza member of the Hellenic Parliament, Greece
39. Yasmin Fahimi, presidenta do Grupo Parlamentar Germano-Brasileiro do Parlamento alemão e deputada do partido da Social Democracia/SPD, Alemanha

40. Adrienne Sordet, deputada estadual, Suiza
41. Alberto Acosta, economista, Ecuador
42. Alberto Cortés, filmmaker, Mexico
43. Alberto Fernández, ex-chefe de Gabinete de Nestor Kirchner e de Cristina Fernández de Kirchner, Argentina
44. Alessandra Oriolo, deputada estadual, Suiza
45. Alessandro Pelizzari, dirigente do sindicato Unia (Genebra), Suiza
46. Alex Borucki, Director, Latin American Studies Center, Associate Professor, History Department, University of California, Irvine, USa
47. Alexis Grivas, co-founder-member board of management, Guadalajara Film Festival, Mexico,
48. Alfredo Saad Filho, Professor of Political Economy, Dept of Development Studies, UK
49. Álvaro Díaz, economista, ex-embaixador do Chile no Brasil, Chile
50. Amy Chazkel, Associate Professor of History at the City University of New York, Queens College and the Graduate Center, CUNY (City University of New York)
51. Ana Esther Ceceña, Directora del Observatorio Latinoamericano de Geopolítica, UNAM, Mexico
52. Ana Margarida de Carvalho, escritora, Portugal
53. Ana Miranda, diputad delParlamento Europeo, España
54. Andrea Pagni, Friedrich-Alexander-Univesität Erlangen-Nürnberg, Germany
55. Andrew Arato, Dorothy Hirshon Professor, New School for Social Research, New York, USA
56. Ángela Vallina, diputada del Parlamento Europeo, España
57. Anna M. Klobucka, Professor of Portuguese and Women's and Gender Studies, University of Massachusetts Dartmouth, USA
58. António Avelãs Nunes, professor catedrático jubilado da Faculdade de Direito de Coimbra, Portugal
59. António Filipe, deputado do Partido Comunista Português na Assembleia da República, Portugal
60. António Modesto Navarro, escritor, Portugal
61. Antonio Sergio Alfredo Guimaraes, Visiting Fellow, Lemann Institute of Brazilian Studies, University of Illinois at Urbana-Champaign, USA
62. Arménio Carlos, Secretário-Geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, Portugal
63. Arthur MacEwan, Professor Emeritus of Economics, University of Massachusetts Boston, USA
64. Assaf Kfoury, Professor of Computer Science, Boston University, USA
65. Augusto Praça, membro da Comissão Executiva da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, CGTP-IN, Portugal
66. Barata Moura, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Portugal
67. Bárbara Spinelli, deputata al Parlamento Europeo, Italia
68. Benjamin H. Bradlow, Brown University, USA
69. Bill Fletcher, Jr., ex presidente TransAfrica Forum, EEUU
70. Boaventura Monjane, jJornalista, Moçambique
71. Brodwyn Fischer, director of the Center for Latin American Studies, Professor of History at the University of Chicago, USA
72. Bruno Cany, professor de Filosofia na Universidade Paris 8, diretor do Cahiers Critiques de Philosophie, France
73. Carla Cruz, deputada na Assembleia da República, Portugal
74. Carlo Frabetti, scrittore, Italia
75. Carlo Petrini, presidente internazionale del Movimento Slow Food, Italia
76. Carlos Cortez Minchillo, Assistant professor, Dartmouth College, USA
77. Carlos Figueroa, Ph.D., Assistant Professor, Politics Department, Ithaca College City University of New York - Queens College & the Graduate Center, USA
78. Carlos Mota Soares, professor catedrático, Portugal
79. Carlos Ominami, ex-senador y director de la Fundación Chile21, Chile
80. Carlos Pellicer López, Independent Author, Mexico
81. Carlos Trindade, membro da Comissão Executiva da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, CGTP-IN, Portugal
82. Carol Landry, International Vice President, United Steelworks, EEUU
83. Cedric Johnson, Associate Professor, African American Studies and Political Science, University of Illinois at Chicago, USA
84. Charles Davis, PhD Professor, Indiana University, USA
85. Christoph Wulf, professor na Freie Universität Berlin, vice-presidente da Comissão Nacional junto à Unesco, Alemanha
86. Clayola Brown, President, A. Philip Randolph Institute, EUA
87. Cornelia Butler Flora, Distinguished Professor of Sociology Emeritus, Iowa State University, Research Professor, Kansas State University
88. Cornelia Ernst, membro doParlamento Europeu, Germany
89. Costas Lapavitsas, University of London (SOAS Japan Research Centre; London Asia Pacific Centre for Social Science, Steering Committee Member, UK
90. Dario Azzellini, Cornell Univerisity, Ithaca, EEUU
91. David Swanson, Author, Director World BEYOND War, M.A. University of Virginia, EEUU
92. Deolinda Machado, membro da Comissão Executiva da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, CGTP-IN, Portugal
93. Dimitrios Papadimoulis, diputado del Parlamento Europeo, Greece
94. Diniz Cayolla Ribeiro, professor Auxiliar da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Portugal
95. Dr. Sarah Abel, Department of Anthropology, University of Iceland, Icelan .
96. Dylan Riley, Director of Graduate Studies, Professor of Sociology, University of California, Berkeley, EEUU
97. Edgar Romney, Secretary-Treasurer – Workers United, EUA
98. Edgardo Dieleke (filmmaker and professor), Phd, Princeton University, NYU, Buenos Aires / Universidad de San Andrés, UEEUU
99. Edgardo Lander, professor da Universidad Central de Venezuela, Venezuela
100. Eleni Varikas, Emerita Professor of Political Science and Gender Studies, University of Paris 8, CRESPPA , France
101. Eleonora Forenza, diputata al Parlamento Europeo, ITalia
102. Estefania Torres, diputada delParlamento Europeo, España
103. Fábio de Sá e Silva, Professor of International Studies and Wick Cary Professor of Brazilian Studies at the University of Oklahoma, USA
104. Fathi Triki, Titulaire de la chaire Unesco du vivre ensemble, Université de Tunis, Tunis
105. Federico Jesus Novelo Urdanivia, Doctor Federico J. Novelo Y Urdanivia, Departamento de Producción Económica, Universidad Autónoma Metropolitana, México
106. Florencia Garramuño, full professor and the Chair of the Humanities Department at the Universidad de San Andrés, Argentina
107. Frances Fox Piven, Distinguished Professor of Political Science and Sociology Emeritus, Graduate School of the City University of New York, USA
108. François Lefort, deputado estadual (República e estado de Genebra), Suiza
109. Fred Redmond, International Vice President, United Steelworkers, EEUU
110. Frederick Fuentes, editor Green Left Weekly, Australia
111. Frederico Gama de Carvalho, doutor em Física, presidente da Organização de Trabalhadores Científicos, Portugal
112. Fredric R. Jameson, Knut Schmidt-Nielsen Professor of Comparative Literature, Duke University, USA
113. Gabriele Zimmer, membro doParlamento Europeu, Germany
114. Gary Dymski, Professor of Applied Economics, Leeds University Business School
115. Georgi Pirinski, membro doParlamento Europeu, Bulgária
116. Geri Augusto, Gerard Visiting Associate Professor of International & Public Affairs and Africana Studies, Brown University, Watson Institute Faculty Fellow, Fulbright Scholar
117. Gerry Hudson, Executive Vice President – Service Employees International Union, EUA
118. Gianpaolo Baiocchi, Director of the Urban Democracy Lab, Professor of Individualized Studies and Sociology, New York University, EEUU
119. Gilberto López y Rivas, antropólogo, Mexico
120. Gillian McGillivray, Associate Professor of Latin American History, Glendon College, York University, Canada
121. Göran Therborn, Professor Emeritus of Sociology, University of Cambridge, UK
122. Grégoire Carasso, deputado estadual, Suiza
123. Guadalupe Sánchez Sosa, Film Director, Mexico
124. Guy Alain Aronoff, Lecturer, History Department, Humboldt State University, Arcata, California, EEUU
125. Hans Kretz, professor da Stanford University, Estados Unidos da América
126. Hans-Jörg Sandkühler, Professeur émérite de philosophie Département de philosophie de l’Université de Brême, Allemagne
127. Horacio Tarcus, CeDInCI, Conicet, Argentina
128. Howard Winant, Distinguished Professor of Sociology, University of California, EEUU
129. Ian Merkel, History and French Studies, New York University, EEUU
130. Ibrahim K. Sundiata, Spector Emeritus Professor, Brandeis University
132. Ilda Figueiredo, presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, Portugal
133. In-Suk Cha, Professor emeritus Seoul National University, Unesco Chair in Philosophy, South Corea
134. Ioanna Kucuradi, professor emérito da Universidade Maltepe, Istanbul, Turquia, Cátedra Unesco de Filosofia
135. Isabelle Laborde-milaa, professeur de Linguístique à l' Université Paris Est Créteil, France
136. Jaime Gazmurri, ex-senador, ex-embaixador do Chile no Brasil, Chile
137. James N. Green, Carlos Manuel de Céspedes Professor of Latin American History, Brown University; Distinguished Visiting Professor (Professor Amit), Hebrew University in Jerusalem
138. Javier Cous, diputado delParlamento Europeo, España
139. Jean Hébrard, Co-directeur du Centre de recherches sur le Brésil colonial et contemporain Ecole des Hautes Etudes en Sciences sociales,Paris
140. Jean Rossiaud, deputado estadual, Suiza
141. Jean-Pierre Garcia, Film festival Amiens, France
142. Jennifer Roth-Gordon, Associate Professor, School of Anthropology, University of Arizona, EEUU
143. Jessica Graham, Professor of History, University of California San Diego, EEUU
144. João Ferreira, deputado no Parlamento Europeu, Portugal
145. João Pimenta Lopes, deputado noParlamento Europeu, Portugal
146. Jocelyne Haller, deputada estadual, Suiza
147. John Burdick, Professor of Anthropology, Syracuse University, New York, EEUU
147. John Faulkner, SOAS, University of London, UK
148. John Weeks, Professor Emeritus of Economics, SOAS, University of London, UK
149. Jorge Javier Romero Vadillo, profesor en la Universidad Autónoma Metropolitana, Mexico
150. José António Gomes, professor Universitário, escritor, Portugal
151. Jose Cruz Campagnoli, Ex Diputado Nuevo Encuentro, Argentina
152. José Goulão, jornalista, escritor, Portugal
153. José Manuel del Val Blanco, CEIICH-UNAM, Mexico
154. Josiane Boulad-ayoub, professeur émérite de philosophie, Université du Québec à Montréal, Chaire Unesco de Philosophie, Canada
155. Juan Carlos Quintero Calvache, profesor de la Universidad Santiago de Cali, Colombia
156. Jude Kyrton-Darling, membro doParlamento Europeu, UK
157. Katerina Konecn, membro doParlamento Europeu, República Checa
158. Ken Neumann, President for Canada, United Steelworkers (USW)
159. Kostadisnka Kuneva, membro doParlamento Europeu, Grécia
160. Laura Nader, Professor of Anthropology at the University of California, Berkeley, EEUU
161. Laurence Fehlmann Rielle, deputada federal, Suiza
162. Leo Gerard, President United Steelworkers (USW), EUA
163. Leo Panitch, profesor Ciencia Política, Universidade York, Toronto, Canada
164. Liadh Ní Riada, membro doParlamento Europeu, Irlanda
165. Lisa Mazzone, deputada federal, Suiza
167. Lola Sánchez, diputada del Parlamento Europeo, España
168. Lorraine C. Minnite, Associate Professor of Public Policy, Rutgers University, Camden, EEUU
169. Lucía Melgar, Associate Researcher, ITAM, Mexico City, Mexico
170. Lucía Raphael de la Madrid, Instituto de Investigaciones Jurídicas, Universidad Nacional Autónoma de México, México
171. Luisa Riley, Filmmaker, México
172. Luke “Ming” Flanigan, deputado doParlamento Europeu, Irlanda
173. Lynn Boylan, deputada doParlamento Europeu, Irlanda
174. Lynne Fox, President – Workers United, Estados Unidos
175. Malin Bjork, deputado doParlamento Europeu, Suécia
176. Manuel Bertoldi, Movimiento Popular Patria Grande, Argentina
177. Manuel Pérez Cota, Universidad de Vigo, España
178. Manuel Rosaldo, Professor, The Pennsylvania State University, EEUU
179. Marc Becker, Professor of History, Truman State University, EEUU
180. Marco Aurelio Santana, Visiting Scholar, University of California, Berkeley
181. Marco Barrera Bassols, Museólogo y museógrafo, México
182. Margaret Power, Professor of History and Chair of the Department of Humanities, Illinois Institute of Technology, EEUU
183. Margo Glantz, miembro de la ‎Academia Mexicana de la Lengua, México
184. Maria Lídia Senra Rodriguez, diputada del Parlamento Europeo, España
185. Maria-Aparecida Lopes, Professor of History, California State University, Fresno, EEUU
186. Marie Pierre Vieu, membro doParlamento Europeu, France
187. Marilia Librandi, Professor of Luso-Brazilian and Latin American Literature and Cultures, Stanford University, EEUU
188. Marina Albiol, diputada del Parlamento Europeo, España
189. Marisa Matias, diputada del Parlamento Europeo, Portugal
190. Markus Kroger, Landless Association in Finland, Finlandia
191. Martin Schirdewan, membro do Parlamento Europeu, Alemanha
192. Martin Staub, deputada estadual, Suiza
193. Martín Almada, Premio Nobel Alternativo 2002
194. Martina Anderson, membro do Parlamento Europeu, Irlanda
195. Mary Kay Henry, President Service Employees International Union, EEUU
196. Mathais Buschbeck, deputado estadual, Suiza
197. Matías Vernengo, Full Professor, Bucknell University, Pennsylvania, EEUU
198. Matt Carthy, membro do Parlamento Europeu, Irlanda
199. Maxine L. Margolis, Professor Emerita of Anthropology, University of Florida and Adjunct Senior Research Scholar, Institute of Latin American Studies, Columbia University, EEUU
200. Merja Kyllonen, membro do Parlamento Europeu, Filândia
201. Michael Lebowitz, economista, profesor emerito, Canada
202. Michael Löwy, Emeritus research director at the CNRS and lecturer at the École des Hautes Études en Sciences Sociales, France
203. Michael Meeropol, Professor Emeritus of Economics, Western New England University, Springfield, Massachusetts, EEUU
204. Michela Bovolenta, secretaria nacional do Sindicato do Setor público, Suiza
205. Michèle Ray Gavras, Film producer, France
206. Miguel Nicolelis, medico, neurocientista e professor titular da Duke University, EEUU
207. Miguel Urbán, diputado del Parlamento Europeo, España
208. Miguel Viegas, deputado no Parlamento Europeu, Portugal
209. Mónica Mansour, independent author, México
210. Natalia Pérez Turner, composer and actress, Mexico
211. Neoklis Sylikiotis, membro do Parlamento Europeu, Chipre
212. Nestor Francia, escritor, Venezuela
213. Nicolas Sánchez, graduate student at Duke University, Latin American Studies, EEUU.
214. Nico Nicole D. Legnani, assistant Professor of Colonial Latin American Studies, Department of Spanish and Portuguese, Princeton University, EEUU
215. Nikolaos Chountis, membro do Parlamento Europeu, Grécia
216. Paloma Lopez, diputada del Parlamento Europeo, España
217. Paolo Maria Fabbri, direttore del Centro Internazionale Scienzia Semiotiche (CiSS) all' Università die Urbino, Itália
218. Parick Le Hyaricm, deputé au Parlement Européen, France
219. Patrice Vermeren, professor emérito de Filosofia da Universidade Paris 8, França e professor da Universidade Nacional de Buenos Aires, Argentina
220. Patricia de Santana Pinho, Associate Professor, Latin American and Latino Studies, University of California, USA
221. Paul Lauter, Allan K. and Gwendolyn Miles Smith Professor of Literature Emeritus at Trinity College in Hartford, Connecticut, former President of the American Studies Association, Francis Andrew March Award 2017, USA
222. Pedro Meira Monteiro, Professor and Chair of the Department of Spanish and Portuguese Studies, Princeton University
223. Pedro Pezarat Correia, Oficial General reformado, professor universitário jubilado da Universidade de Coimbra, Portugal
224. Peter Evans, emeritus Professor of Sociology, University of California, Berkeley, USA
225. Peter Kuznick, Professor of History, Director Nuclear Studies Institute, American University, Washington, D.C, EEUU
226. Philippe Tancelin, professeur émérite d’Esthétique, Université Paris 8, France
227. Pierre Eckert, deputado estadual, Suiza
228. Rachida Triki, Membre du Conseil Scientifique du Collège International de Philosphie, France
229. Rafael R. Ioris, Ph.D.- Associate Professor of Latin American History, History Department, Affiliated Faculty, Latin American Center, Joseph Korbel School of International Studies, University of Denver, EEUU
230. Raimundo C. Barreto, Jr., Ph.D., Assistant Professor of World Christianity, Princeton Theological Seminary, USA
231. Ramón Jáuregui Atondo, diputado del Parlamento Europeo, España
232. Rebecca Tarlau, professor, The Pennsylvania State University, USA
233. Renato Nunes Balbim, Visiting Scholar, University of California at Irvine
234. Richard Grossman, PhD, Northeastern Illinois University
235. Richard Williams, Lecturer, SOAS, University of London, UK
236. Rina Ronja Kari, membro do Parlamento Europeu, Dinamarca
237. Rita Rato, Deputada do Partido Comunista Português na Assembleia da República, Portugal
238. Robert Brenner, Director, Center for Social Theory and Comparative History, University of California Los Angeles, EEUU
239. Robert Darnton, Carl H. Pforzheimer University Professor, Emeritus University Librarian, Emeritus, Harvard University, EEUU
240. Robert S. DuPlessis, Isaac H. Clothier Professor of History and International Relations Emeritus, Swarthmore College, Pennsylvania, EEUU
241. Roberto Gualtieri, diputato al Parlamento Europeo, Italia
242. Rocío Escobar, ex-ministro da Cultura, Paraguay
243. Rosa Elena Montes de Oca, UNAM, Mexico
244. Rui Frati, acteur, directeur du Théâtre de l' Opprimé, Paris, France
245. Rui Namorado Rosa, professor catedrático da Universidade de Évora, Portugal
246. Ryan Lynch, University of California, Santa Barbara, USA
247. Sabine Lösing, membro do Parlamento Europeu, Germany
248. Salima Moyard, deputada estadual, Suiza
249. Sandra McGee Deutsch, Professor of History, University of Texas at El Paso, USA
250. Sean Mitchell, Associate Professor, Department of Sociology and Anthropology, Rutgers University, USA
251. Sebastian Agudelo, professor, Reitoria de Créteil e Universidade Paris 8, France
252. Sergio Bassoli, Confederazione Generale Italiana del Lavoro, Italia
253. Sergio Muñoz Bata, professor and journalist, Los Ángeles Times, EEUU
254. Serguei Panov, professor da National University of Technologies/MISIS, Rússia
255. Sherna Berger Gluck, Emerita faculty and Emerita Director Oral HIstory Program, California State University, Long Beach
256. Sofia Sakorafa, membro do Parlamento Europeu, Grécia
257. Stanley A. Gacek, Senior Advisor for Global Strategies, United Food and Commercial Workers International Union, Washington, D.C., USA
258. Stefan Eck, membro do Parlamento Europeu, Alemanha
259. Stelios Kouloglou, membro do Parlamento Europeu, Grécia
260. Stuart Applebaum, President, Retail, Wholesale Department Store Union, USA
261. Subir Sinha, Senior Lecturer in Institutions and Development, SOAS, University of London, UK
262. Sueann Caulfield, Associate Professor, University of Michigan, USA
263. Suzi Weissman, Professor, Saint Mary's College of California, USA
264. Sylvain Thévoz, diputado estadual, Suiza
265. Takis Hadjigeorgiou, membro doParlamento Europeu, Chipre
266. Tania Gonzalez, diputada del Parlamento Europeo, España
267. Teresa A. Meade, Florence B. Sherwood Professor of History and Culture, Director of Latin American & Caribbean Studies Program, Union College, New York, USA
268. Thomas J. Adams, Lecturer in History and American Studies, Academic Director, United States Studies Centre, Postgraduate Coordinator, Department of History, Coordinator of American Studies, School of Philosophical and Historical Inquiry and U.S. Studies Centre, University of Sydney, Australia
269. Thomas Palley, Independent Economist, Washington DC, EEUU
270. Valérie Piller-Carrard, deputada federal, Suiza
271. William Gonzalez, director del Departamento de Filosofia de la Universidad del Valle, Cali, Colombia
272. William Gudiño, Red Nacional de Comuneros y Comuneras, Venezuela
273. William Lucy, Trade Union Leader, Retired, Secretary-Treasurer- AFSCME, USA
274. William Mello, Associate Professor, Indiana University, EEUU
275. Xabier Benito, diputado del Parlamento Europeo, España
276. Yvan Ricordeau, Confédération française démocratique du travail, France
277. Agostinho Santos, Pintor e Jornalista, Portugal
278. Alain Vachier, Produtor Musical, Portugal
279. Albert Anor, professor aposentado, Suiza
280. Alberto Pessimo, Pintor, Portugal
281. Alberto Rabilotta, Periodista, Canada
282. Alexandra Lucas Coelho, Escritora, Portugal
283. Alexis Amariscua Aquino, Venezuela
284. Alfredo Campos, Membro do Executivo da Direcção Nacional da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
285. Alfredo Maia, Jornalista, Portugal
286. Alzira Arouca, Produtora Cultural, Portugal
287. Ana Biscaia, Ilustradora e Designer gráfica, Portugal
288. Ana Cristina Macedo, Professora do Ensino Superior Politécnico, Portugal
289. Ana Margarida Ramos, Professora Universitária, Portugal
290. Ana Maria Dragonetti, Argentina
291. Ana Souto, Professora e Dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
292. Ana Tamen, Professora Universitária, Portugal
293. Ana Vilela da Costa, Actriz, Portugal
294. André Silva, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Faculdade de Motricidade Humana e representante dos Estudantes no Senado da Universidade de Lisboa, Portugal
295. Angélique Duruz, Amnesty international, Suiza
296. Annina Rudolf, educadora, Suiza
297. António Faria, Artista Plástico, Portugal
298. António José Queiroz, Historiador, Portugal
299. António Saraiva Dias, Dirigente Associativo, Portugal
300. Anxo Tarrío Varela, Professor Catedrático, Portugal
301. Aristides Santana, Obrero, Cuba
302. Armand Mattelart, Sociologo, Francia
303. Arturo Villanueva Imaña, Sociologo, Bolivia
304. Augusto J. S. Fitas, Professor Universitário (reformado), Portugal
305. Aurélien Moreau, funcionário público, Suiza
306. Avelino Pacheco Gonçalves, Bancário e Professor, Portugal
307. Beatriz Goulart, Membro da Direcção Nacional da Ecolojovem, Portugal
308. Beatriz Rosende-Carrobio, sindicalista, Suiza
310. Benito Maeso, professor doutor do Instituto Federal do Paraná, Brasil
311. Bernard Streit, enfermeiro aposentado, Suiza
312. Blanca-Ana Roig Rechou, Professora Catedrática, Portugal
313. Brando Benifei, deputato al parlamento Europe, Italia
314. Camila Andrea Galindo M, Grupo de Estudio Economía Digna - GEED, Colombia
315. Camila Piñeiro Harnecker, Universidad de La Habana, Cuba
316. Carina Infante do Carmo, Professora Universitária, Portugal
317. Carla Barbosa, Presidente da Direcção da Academia de Música de Viana do Castelo, Portugal
318. Carlos Clara Gomes, Compositor, Encenador e Dramaturgo, Portugal
319. Carlos Franco, Vice-Presidente da Confederação Nacional de Jovens Agricultores de Portugal, Portugal
320. Carlos Ramadinha, Agente de Artistas, Portugal
321. Carmen Capdevila, Argentina
322. Carmenluz Valdés, Periodista, Chile
323. Catherine Rouvenaz, secretaria nacional da AGILE (Central das organizações de pessoas deficientes), Suiza
324. Cátia Terrinca, Actriz, Portugal
325. César Príncipe, Jornalista e Escritor, Portugal
326. Christian Dandrès, advogado, Suiza
327. Christophe Koessler, periodista (Le Courrier), Suiza
328. Claude Calame, professor honorário, Suiza
329. Claudia Caprez, educadora, Suiza
330. Cláudio Andrade, Músico, Portugal
331. Claudio Rugo, músico, Suiza
332. Cora Antonioli, professora, Suiza
333. Cristiane Costa Santana Zurkinden, médica, Suiza
334. Cristina Carvalhal, Actriz e Encenadora, Portugal
335. Cruz Santos, Editor, Portugal
336. Cucha Carvalheiro, Actriz, Portugal
337. Cynthia Zamorano, Músico, Portugal
338. Dario Borsari, professor, Suiza
339. David Andenmatten, sindicalista, Suiza
340. David Gygax, sindicalista, Suiza
341. David Raby, City Councillor, Norwich, Reino Unido
342. Demétrio Alves, Investigador Científico, Portugal
343. Diana Broggi, Movimiento Popular Patria Grande, Argentina
344. Domingos Lobo, Escritor, Portugal
345. Duarte, Fadista, Portugal
346. Edgardo Condeza Vaccaro, Presidente Movimiento por la Consulta y los DDHH, Chile
347. Eduardo Tamayo, periodista, Eucador
348. Elias J. Torres Feijó, Professor, Portugal
349. Elisabeth Longchamp-Schneider, funcionário pública, Suiza
350. Elsa Bruzzone, CEMIDA, Centro de Militares para la Democracia Argentina
351. Emília Silvestre, Actriz, Portugal
352. Enrique Arturo Muiños, Presidente Partido Frente Grande Provincia de Buenos Aires, Argentina
353. Ernesto Rodrigues, Escritor e Professor Universitário, Portugal
354. Fátima Rolo Duarte, Designer, Portugal
355. Fausto Neves, Pianista e Professor Universitario, Portugal
356. Felix Ovejero Torres, responsable de las Américas y de Cooperación Internacional para el Desarrollo Secretaría de Internacional y Cooperación, España
357. Fernanda Lapa, Encenadora, Portugal
358. Fernando Anastácio, Deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, Portugal
359. Fernando Correia, jornalista e professor universitário, Portugal
360. Flávia Gusmão, Actriz, Portugal
361. Francisco Duarte Mangas, Escritor, Portugal
362. Francisco Melo, editor, Portugal
363. Francisco Rego, Professor do Instituto Superior de Agronomia, Portugal
364. Francisco Villa, Musico, Chile
365. Françoise Escarpit, Periodista, Francia
366. Freitas de Sousa, Jornalista, Portugal
367. Gaétan Zurkinden, Sindicalista, Suiza
368. Gilbert d’Alessandro, conductor de ómnibus, Suiza
369. Gilberto Lopez Amador, Medico, Mexico
370. Giulio Santosuosso, Venezuela
371. Gloria Iraima Mogollón Montilla, Venezuela
372. Gustavo Videla, Asociación Civil y Centro Cultural Latinoamericana, Argentina
373. Guy Zurkinden, Jornalista, Suiza
374. Hector Turbi, Republica Dominicana
375. Helena Mancelos, Artista Plástica e Animadora Cultural, Portugal
376. Henrique Barreto Nunes, Bibliotecário, Portugal
377. Henrique Canuto, Membro da Associação de Estudantes da Escola Secundária Matias Aires, Portugal
378. Horacio Tarcus, historiador, CeDInCI, Argentina
379. Iara Heredia, professora e realizadora, Suiza
380. Inês Fontinha, Socióloga e Membro do Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
381. Isabel Cruz, Técnica Superior na Área Desportiva e Dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
382. Isabel Magalhães, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
383. Isabel Moreira, Deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, Portugal
384. Isabel Pires, Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Portugal
385. Javier de Vicente, Union Social Obrera, España
386. Jean Parrat, funcionário público, Suiza
387. Joana Monteiro, Designer Gráfica, Portugal
388. Joana Mortágua, Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Portugal
389. Joana Ruas, Escritora, Portugal
390. João Arsénio Nunes, Investigador de História Contemporânea, Portugal
391. João Dinis, Membro do Executivo da Direção Nacional da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
392. João Manuel Ribeiro, Escritor e Editor, Portugal
393. João Paulo Coutinho, Jornalista, Portugal
394. João San Payo, Músico, Portugal
395. Jorge Aires, Major-General (reforma), Portugal
396. Jorge Sarabando, Publicista, Portugal
397. José Emílio-Nelson, Escritor e Licenciado em Economia, Portugal
398. José Estêvão Alves, Major-General (reforma), Portugal
399. José Luís Ferreira, Deputado do Partido Ecologista “Os Verdes” na Assembleia da República, Portugal
400. José Manuel Jara, médico psiquiatra, Portugal
401. José Manuel Pureza, Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Portugal
402. José Miguel Pacheco, Membro da Coordenadora Europeia da Via Campesina, Portugal
403. José Viale-Moutinho, Escritor, Portugal
404. Júlia Pintão, Artista Plástica, Portugal
405. Juliana Cardos da Cunha, atriz, Portugal
406. Katharina Prelicz-Huber, professora, Suiza
407. Laura Yanella, Coperativa de Trabajo para la comunicación Social, Argentina
408. Laurent Berger, Confederación Francesa Democrática del Trabajo, Francia
409. Laurent Tettamanti, sindicalista, Suiza
410. Lidia Baltra Montaner, Periodista, Chile
411. Lidice Valenzuela, Periodista, Cuba
412. Lionel Roche, sindicalista, Suiza
413. Lisa Wys, trabalhadora social e funcionária pública, Suiza
414. Luis Bonilla-Molina, Candidato a la Secretaria Ejecutiva de CLACSO
415. Luís Silva, Membro do Secretariado da Direcção Nacional da Juventude Comunista Portuguesa, Portugal
416. Luís Varatojo, Músico, Portugal
417. Luísa Ortigoso, Actriz, Portugal
418. Luísa Quintela, Médica Psiquiatra e Presidente da Direção do Centro Cultural do Alto Minho, Portugal
419. Manu Leiggener, jurista, Suiza
420. Manuel Gusmão, Poeta e Crítico, Portugal
421. Manuela Góis, Profesora jubilada, Portugal
422. María Elena Saluda Argentina
423. Maria Juana Etcheverry, Argentina
424. Maria Luiza Franco Busse, periodista, Brasil
425. Mariano Fandos, Confédération française démocratique du travail, France
426. Marie Claude Levesque, Canada
427. Marina Albuquerque, Atriz
428. Mário Alves, Presidente da Associação Intercultural, Portugal
429. Mário Cláudio, Escritor, Portugal
430. Mário de Carvalho, Escritor, Portugal
431. Mário Pádua, Médico e Escritor, Portugal
432. Martha Eugenia Lanza Menese, Bolivia
433. Martha Houston, EEUU
434. Martin Ogando, Movimiento Popular Patria Grande, Argentina
435. Mayla Dimas, Actriz e Encenadora, Portugal
436. Michel Reimons (Member of the European Parliament, The Greens/EFA Group)
437. Miguel Soares, Tradutor, Portugal
438. Milka Miskovic, secretaria, Suiza
439. Miroslavs Mitrofanovs, deputado do Parlamento Europeu, Letónia
440. Mitó, músico, Portugal
441. Niurka Pérez Rojas, profesora de Mérito, Universidad de La Habana, Cuba
442. Noémia Moreira, Professora Universitária, Portugal
443. Olga Cecilia Hermosilla Pacheco, Chile
444. Olga Macedo, Historiadora, Portugal
445. Osvaldo León, comunicólogo, Ecuador
446. Pablo Anzalone, Uruguay
447. Paolo Gilardi, professor aposentado, Suiza
448. Patrick Koble, presidente do Partido Comunista Alemão
449. Paula Guedes, Actriz, Portugal
450. Paulo Bateira, Médico, Portugal
451. Paulo Moreira Lopes, Advogado, Portugal
452. Pedro Bacelar de Vasconcelos, Deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, Portugal
453. Pedro Fernandes, Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Portugal
454. Pedro Guzmán Pérez, Red Nacional de Agricultura Familiar, Colombia
455. Pedro Massano, Representante dos Estudantes no Senado da Universidade de Lisboa, Portugal
456. Pedro Penilo, Artista Plástico, Portugal
457. Pedro Santos, Membro do Executivo da Direcção Nacional da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
458. Penelophe Pinheiro, socióloga, Suiza
459. Peter Bohmer, The Evergreen State College, Olympia WA, EEUU
460. Peter Steiniger, Periodista, Alemania
461. Pierre Dufour, trabalhador social aposentado, Suiza
462. Rafael Lamas, Fédération Générale du Travail de Belgique, Belgique
463. Regina Marques, Professora do Ensino Superior e Dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
464. Renate Anderl, vicepresidente ÖGB
465. Rita Lello, Actriz e Encenadora, Portugal
466. Rogério Reis, Professor Universitário, Portugal
467. Rolando Morales, Docente Universitario, Bolivia
468. Rosa Bela Cruz, Pintora, Portugal
469. Rosemonde Guignard, educatora aposentada, Suiza
470. Rui Vaz Pinto, Economista, Portugal
471. Sabine Stelczenmayr, secretaria internacional ÖGB
472. Sally Burch, periodista, británica-ecuatoriana
473. Sandra Benfica, empregada e dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
474. Sandra Modica, professora, Suiza
475. Sara Reis da Silva, Professora Universitária, Portugal
476. Sébastien Guex, professor, Suiza
477. Sergio Ferrari, jornalista, Suiza
478. Sérgio Manso Pinheiro, Geógrafo, Portugal
479. Sérgio Ribeiro, doutor em Economia, Portugal
480. Soares Novais, Jornalista, Portugal
481. Stéphane Trummer, trabalhador social, Suiza
482. Susana Duarte, Programadora Cultural, Portugal
483. Sylvette Lemaire, dona de restaurante, Suiza
484. Tania Zinoviev, sindicalista, Suiza
485. Teresita García Lopez, Periodista, Cuba
486. Thomas Waitz / MEP (Greens/EFA)
487. Tiago Salazar, Escritor, Portugal
488. Tiago Santos, Músico, Portugal
489. Vanessa Monney, sindicalista, Suiza
490. Vasco Paiva, Engenheiro Florestal, Portugal
491. Vasco Pimentel, Director de Som, Portugal
492. Victor Rios, Historiador, España
493. Vitor Pinto Basto, Jornalista, Portugal
494. Vitor Rodrigues, Engenheiro Agrário, Portugal
495. Wolfgang Mueller, trabalhador no Hospital público (Fribourg), Suiza
496. Zeferino Coelho, editor, Portugal

01
Out18

Au Brésil, les femmes dans la rue pour dire « jamais » au candidat d’extrême droite

Talis Andrade

En tête des intentions de vote du premier tour de la présidentielle, le candidat de 63 ans a multiplié les saillies misogynes, homophobes et racistes.

LE MONDE |Par Claire Gatinois (Sao Paulo, correspondante)

 
Le rassemblement contre Jair Bolsonaro, à Sao Paulo, le 29 septembre.

Les unes sont employées domestiques, de gauche et adoratrices du Parti des travailleurs (PT) et de son leader emprisonné, Luiz Inacio Lula da Silva. Les autres bourgeoises, architectes ou avocates, votent au centre droit.

Au-delà de divergences d’opinions politiques, de classes sociales, d’âge, de modes de vie et de couleur de peau, des dizaines, voire des centaines de milliers de femmes se sont rassemblées, samedi 29 septembre, à Sao Paulo, Rio de Janeiro, Brasilia, Belo Horizonte, Recife, Salvador et Porto Alegre, ainsi que dans une soixantaine de villes au Brésil pour dire #EleNao (Pas lui). Un hashtag lancé sur les réseaux sociaux par le mouvement Mulheres Unidas contro Jair Bolsonaro (les femmes unies contre Bolsonaro), opposé au candidat d’extrême droite ; ce dernier est en tête des sondages pour l’élection présidentielle avec 27 % à 28 % d’intentions de votes.


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Les femmes de tout âge, de toute couleur de peau contre Bolsonaro à Sao Paulo.

 

Réputé pour sa misogynie, son homophobie et ses éloges répétés de la dictature militaire (1964-1985), le militaire quittait le même jour l’hôpital Einstein de Sao Paulo où il avait été accueilli dans un état grave suite à une attaque au couteau, le 6 septembre, lors d’un meeting de campagne. « Enfin à la maison, près de ma famille. Il n’y a pas de meilleure sensation ! Merci à tous pour les marques d’affection que j’ai pu recevoir lors de mon retour et partout au Brésil ! Je vous embrasse ! », a écrit sur Twitter le candidat, visiblement insensible à ces marques d’hostilité et aux cris « EleNao » proférés dans le vol le ramenant à Rio de Janeiro où il possède une résidence.

A Sao Paulo, où Bolsonaro est très apprécié, des femmes habillées de mauve ou de tee-shirt #EleNao ou #EleNunca, mais aussi des hommes se sont rassemblés sur la place do largo da Batata. Parmi la foule, Zenilda da Silvera, 51 ans, employée domestique. « Je suis venue pour lui montrer qu’on est plus forte. Que toutes ces minorités qu’il déteste ne se laisseront pas faire ! Toute ma vie j’ai lutté. Nous les domestiques nous avons obtenu des droits grâce à Lula et au PT, on ne va pas laisser un homme nous ramener dix ans en arrière », explique-t-elle.

Le rassemblement contre le candidat à la présidentielle, Jair Bolsonarosous, s’est fait sous le hashtag #EleNao (Pas Lui), à Sao Paulo, le 29 septembre.

 Au Brésil, le naufrage d’une nation

En 2015, sous le gouvernement PT de Dilma Rousseff, a été promulguée la loi obligeant à déclarer les employés domestiques afin de leur permettre, notamment, d’avoir droit à une retraite. Un texte que Jair Bolsonaro, alors député, avait rejeté. Selon lui, cette loi contribue à augmenter le chômage. « Plus de droits, ce sont moins d’emplois », a-t-il coutume d’expliquer.

Le coup d’Etat militaire, une « révolution »

Maria Domitila, architecte de 28 ans, elle, a été ulcérée par les propos du candidat sur la dictature militaire. Le membre du Parti social libéral (PSL) qui qualifie le coup d’Etat de 1964 de « révolution » avait affirmé il a quelques années que la grande erreur de la junte fut « de torturer et non de tuer ».

En 2016, lors du vote de l’« impeachment » (destitution) de Dilma Rousseff, le député avait aussi donné sa voix « au nom du colonel Ustra », l’un des tortionnaires du régime. « Mon père a été prisonnier politique ! », signale Maria Domitila, les yeux embués.

A priori apolitique, la mobilisation comptait pourtant de nombreuses banderoles appelant ici à voter Fernando Haddad, le candidat du PT, remplaçant de l’ex-président Lula, empêché de se représenter du fait de sa condamnation pour corruption, ou là pour Ciro Gomes, le candidat du Parti démocratique travailliste (PDT), de centre gauche. Le nom de Marina Silva, seule femme candidate, représentante du Parti écologiste (Rede) et ancienne ministre de Lula, était aussi scandé par un petit groupe de manifestants quand d’autres vantaient les qualités de Guilherme Boulos, le candidat du Parti socialisme et liberté (Psol, gauche)

Mais samedi les opposants à Jair Bolsonaro n’étaient pas tous de gauche. Brandissant une pancarte « les femmes en marche pour la démocratie, l’égalité et la liberté, Bolsonaro, non », Estela Duca, 59 ans, avocate, précise n’être « ni d’extrême droite, ni d’extrême gauche ». La quinquagénaire élégante a prévu de voter pour Geraldo Alckmin le candidat de centre droit du Parti de la social-démocratie brésilienne (PSDB).

Et elle honnit, autant que les autres manifestantes, Jair Bolsonaro. « Mon fils, je l’ai élevé seule et ce n’est pas un délinquant ! », lâche-t-elle. Une référence aux propos du général Hamilton Mourao, son candidat à la vice-présidence qui a déclaré, il y a quelques jours, que les enfants élevés sans père par des mères et des grands-mères avaient toutes les chances de devenir des « éléments déséquilibrés », prompts à faire grossir les rangs des narcotrafiquants.

Le rassemblement contre Jair Bolsonaro, à Sao Paulo, le 29 septembre.

« Vous ne méritez pas d’être violée »

« Bolsonaro est le genre de personnage classique de ces pays qui ont vécu leur propre version du Far West : un homme blanc qui se sent supérieur parce qu’il est blanc et hétérosexuel », écrit la journaliste et écrivaine Eliane Brum, dans un article publié sur le site El Pais au Brésil titré « Les femmes contre l’oppression ».

Certaines apprécient le personnage, défenseur auto revendiqué de la « famille »et des « valeurs ». Un homme qui cite Dieu à chacune de ses interventions. Et aux manifestations #EleNao ont répondu des mobilisations « Mulheres com Bolsonaro » (les femmes avec Bolsonaro) ou « EleSim » (lui, oui).

 Au Brésil, la haine de Lula dope l’extrême droite

Mais beaucoup de femmes ont du mal à accepter le discours phallocrate du candidat. Jair Bolsonaro trouve normal qu’une femme soit moins bien payée qu’un homme du fait de ses congés maternité. Nombre de Brésiliennes s’étranglent aussi de la vulgarité du militaire qui, en 2014, avait lancé à l’encontre de sa consœur députée Maria do Rosario (PT) : « vous ne méritez pas d’être violée. Vous êtes trop laide. » Et d’ajouter, en la voyant choquée : « pleure, allez pleure. »

Une participante avec le hashtag « #NotHim »(PasLui) lors du rassemblement à Sao Paulo contre Jair Bolsonaro, le 29 septembre.

Donné perdant au second tour

Samedi, la goujaterie de Jair Bolsonaro n’était pourtant pas, et de loin, le seul grief mentionné par la foule. Aux pancartes « Non aux armes » en référence à la volonté du candidat de libérer le port d’armes, s’ajoutaient une multitude de messages contre « le fascisme », et en faveur de la démocratie et des droits LGBT.

« Je suis venu pour défendre ma propre survie ! », explique ainsi Gustavo Reis, 22 ans, étudiant en physique chimie. En tant que Noir et homosexuel, le grand gaillard se sent la cible privilégiée du candidat d’extrême droite. Lors d’un entretien à la revue PlayBoy en 2011, le militaire aurait affirmé qu’il préférerait que « son fils meure dans un accident de voiture, plutôt que de le voir avec un moustachu. Pour moi il serait mort. »

 Lire aussi :   Au Brésil, la logique du « sang pour sang »

Arborant un tee-shirt mauve où est inscrit « je soutiens les femmes », Oswald Dias, 76 ans, accompagné de son épouse, est, lui, venu par « civisme ». Le vieil homme a connu la dictature et s’affole du comportement du capitaine de l’armée. « Le risque est grand de replonger », soupire-t-il. A l’instar de beaucoup d’électeurs, Oswald reste abasourdi par les propos du candidat du PSL, tenus le 28 septembre, lors d’un entretien pour la chaîne de télévision Band. « A ce que je vois dans la rue, je ne peux accepter un résultat qui n’atteste pas de mon élection », a affirmé, Jair Bolsonaro depuis sa chambre d’hôpital, visiblement incapable d’imaginer un échec.

En tête dans les sondages, Jair Bolsonaro est donné perdant en cas de second tour face à la plupart de ses adversaires. Notamment face à Fernando Haddad, (PT) qui le talonne dans les sondages (22 %). A en croire les analystes, la défaite du capitaine de réserve serait alors en grande partie liée à l’électorat féminin. Selon un sondage Ibope, publié le 26 septembre, 44 % des électeurs ne voteraient « en aucun cas » pour Jair Bolsonaro. Chez les femmes, le taux de rejet atteint 51 %.

25
Set18

Cante Ele Não na versão da Bella Ciao (vídeos)

Talis Andrade

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Mulheres fizeram um clipe entitulado Ele Não, adotando para a versão a música Bella Ciao, histórica canção símbolo da resistência italiana contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial e sempre. 

 

A música é simples e com quatro versos que dizem o seguinte:

Uma manhã eu acordei e ecoava ele não, ele não, não, não

Uma manhã eu acordei e lutei contra um opressor

Somos mulheres, a resistência de um Brasil sem fascismo e sem horror

Vamos à luta para derrotar o ódio e pregar o amor

 

 

 

19
Set18

O voto estranho de Bolsonaro contra a soberania nacional

Talis Andrade

Para quem bate continência à bandeira americana e admira Trump, a defesa da soberania, a defesa da nossa base, deve ser coisa de “comunista” ou de “mulambos”

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Bolsonaro, soberania e Alcântara
por Marcelo Zero

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Corria o já longínquo ano de 2001. Na época, eu trabalhava como assessor para política externa e defesa nacional na Liderança do PT na Câmara dos Deputados e acompanhava todas as sessões da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) naquela casa.

 

Foi exatamente nessa época que a CREDN recebeu a Mensagem nº 296, de 2001, do Poder Executivo, a qual encaminhava ao Congresso Nacional o texto do “Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América sobre Salvaguardas Tecnológicas Relacionadas à Participação dos EUA nos lançamentos a partir do Centro Lançamento de Alcântara”, o famigerado Acordo de Alcântara.

 

Foi designado Relator da matéria o saudoso Deputado Waldir Pires, homem de profunda cultura jurídica e um grande patriota. Educadíssimo, modesto e um verdadeiro gentleman, como só os grandes homens são, o Doutor Waldir Pires me concedeu a honra de elaborar para ele seu parecer sobre o tema.

 

Estudamos minuciosamente o assunto e o Doutor Waldir conversou longamente com grandes especialistas na matéria.

 

Elaborei para ele um pormenorizado voto pedindo a rejeição do Acordo, por ser ele atentatório à soberania nacional, inteiramente assimétrico e colocar o programa espacial brasileiro em estreita dependência do programa espacial norte-americano. Na realidade, o objetivo não manifesto do acordo era mais impedir que o Brasil desenvolvesse seu próprio veículo lançador e cooperasse com países como a China, na operação da sua base de lançamentos. Mas isso é tema para um longo artigo.

 

O fato é que o parecer do Doutor Waldir, muito bem fundamentado, caiu como uma bomba na CREDN. O governo ficou em polvorosa, pois o parecer desmontava, com lógica cartesiana, todos os argumentos oficiais para a aprovação do Acordo. Os deputados, mesmo os governistas, ficaram impressionados e passaram a considerar improvável ou muito difícil a aprovação do ato internacional.

 

Fora do Congresso, a repercussão foi também muito grande, especialmente na área militar. Agora, que o Doutor Waldir infelizmente se foi, posso me permitir uma indiscrição. Ele me confidenciou que havia recebido uma mensagem do General Alberto Cardoso, então Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, expressando sua aquiescência com a posição contrária ao Acordo de Alcântara. Os militares de então trabalhavam, discretamente, pela rejeição do ato internacional. Queriam manter o controle da base e desenvolver o veículo lançador de satélites.

 

O governo reagiu exercendo muita pressão sobre os deputados da base. Surgiu, então, a estratégia de apresentar um voto que, em vez de pedir a rejeição pura e simples do Acordo, acolhesse todas as críticas ao texto e propusesse sua aprovação com supressões, modificações e ressalvas. O Doutor Waldir negociou com todos os partidos e apresentou um parecer aditivo que propunha uma série de modificações profundas ao texto do ato internacional.

 

A estratégia tinha duas vantagens:

 

a) Agregava apoio à posição crítica ao Acordo.

 

b) Elevava o papel do Congresso Nacional na apreciação de atos internacionais, na medida em que propunha alterações ao texto negociado pelo Executivo.

 

Na prática, sabíamos que as alterações que estávamos propondo, embora necessárias para preservar a soberania nacional, eram de tal ordem que jamais seriam aceitas pelo governo brasileiro da época e, muito menos, pelo governo americano. Sabíamos que, se aquele parecer fosse aprovado, o Acordo, tal como redigido, estava enterrado.

 

No dia da sessão de votação, fomos surpreendidos por uma série de elogios ao trabalho do Doutor Waldir Pires. Todos os partidos, sem exceção, manifestaram total apoio ao parecer do Doutor Waldir. Mesmo o PSDB e o PFL (hoje DEM) expressaram seu entusiasmo com o parecer. O mínimo que se disse é que a sessão era histórica, que o parecer era primoroso, que nenhuma outra Comissão teria capacidade de derrubar o trabalho que seria ali aprovado, como de fato aconteceu. Formou-se, assim, uma grande frente suprapartidária contra o Acordo de Alcântara.

 

Entretanto, chegou a hora de manifestar seu voto um deputado de perfil, por dizê-lo de forma eufemística, extremamente discreto, que só abria a boca, em geral, para defender pautas corporativas de militares e a finada ditadura. Nunca o vimos, naquela comissão, expressar opinião relevante sobre os grandes temas internacionais ou apresentar algum relatório ou projeto expressivo

.

Para nossa surpresa, as Notas Taquigráficas da Câmara registraram para a história a seguinte manifestação:

 

“O SR. DEPUTADO JAIR BOLSONARO – Louvo a competência do Deputado Waldir Pires, mas por outras razões que, no momento, preservo-me de citar, voto contrariamente ao projeto”- Câmara dos Deputados, CREDN, Notas Taquigráficas, 31/10/2001)


Ficamos um tanto perplexos. Sabíamos que a maior parte das Forças Armadas queria a rejeição do Acordo e apoiava, por conseguinte, a proposta do Doutor Waldir Pires. Pensávamos que o referido deputado estava alinhado com essa posição. Ficamos mais perplexos ainda com a recusa do deputado em explicitar as razões que o tornavam a única voz discordante de uma grande frente pela soberania nacional e pelo programa espacial brasileiro.

 

Na época, imaginamos que o voto podia ser resultado de alguma implicância ideológica contra o PT ou contra o Deputado Waldir Pires, que fora figura proeminente no governo João Goulart.

 

Na perspectiva atual, contudo, talvez aquele voto faça algum sentido maior.

 

Com efeito, depois de ter batido continência à bandeira americana em Miami, Bolsonaro vem externando sua admiração a Donald Trump e sua intenção de alinhar a política externa brasileira e, portanto, a política de Defesa do Brasil, à geoestratégia global dos EUA.

 

Como Trump, Bolsonaro quer reduzir os compromissos do Brasil com as mudanças climáticas e a proteção aos direitos humanos. Como o imprevisível Trump, Bolsonaro e seguidores veem com desconfiança o multilateralismo e instituições como a ONU, associadas, em suas mentes delirantes, a uma “conspiração socialista global”.

 

Também veem com muitas reservas as alianças estratégicas com países emergentes e o papel dos BRICS.

 

Recentemente, seu vice, o pitoresco General Mourão, o Ariano, associou a exitosa vertente Sul-Sul da diplomacia ativa e altiva a uma aproximação à “mulambada” de lá (África) e cá (América Latina), que só teria “atrasado o Brasil”. O povero não sabe que foi a “mulambada” de cá e lá (América Latina e outros países em desenvolvimento) que absorveu, entre 2010 e 2015, cerca de 60% das nossas exportações de manufaturados. Os países desenvolvidos, o pessoal loiro e de olhos azuis, de quem Mourão parece tanto gostar, compraram somente 40% dos nossos produtos industrializados.

 

A verdade é que o grupo de Bolsonaro ainda vive nos jurássicos tempos da Guerra Fria, ainda acredita na superioridade da raça ariana, ainda acha que existe uma “conspiração comunista global” e, portanto, ainda enxerga no alinhamento automático com os EUA uma salvação contra as terríveis ameaças dos “comunistas”, dos “quilombolas” e da “mulambada”.

 

Dentro dessa perspectiva macarthista, sobrevivente da Guerra Fria e da ditadura, aquele voto estranho do Deputado Bolsonaro contra a frente pela soberania nacional criada na CREDN, por ocasião da votação do Acordo de Alcântara, faz sentido. É possível que não tenha sido mero capricho político.

 

Afinal, para quem bate continência à bandeira americana e admira Trump, a defesa da soberania, a defesa da nossa base, deve ser coisa de “comunista” ou de “mulambos”.

 

14
Set18

Deputados franceses de quatro partidos temem "possibilidade de um extremista" de direita na presidência do Brasil

Talis Andrade

Carta pede que Macron inferfira para garantir candidatura de Lula

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Reprodução da carta divulgada nesta quarta-feira (12/09), 38 deputados franceses de diversos partidos (LFI, PCF, LREM, PS) se dirigem a Emmanuel Macron para solicitar que o presidente francês intervenha “a favor de eleições justas e legais no Brasil” 
 
 

 

RFI - Na França, um grupo de 38 deputados enviou nesta quarta-feira (12) uma carta ao presidente francês Emmanuel Macron em que pedem que o líder francês "use urgentemente todos os meios pacíficos à sua disposição para que Lula possa ser candidato". O documento é assinado por políticos de quatro diferentes partidos, incluindo o República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, o Partido Socialista, do ex-presidente François Hollande, o Partido Comunista Francês e o França Insubmissa.

 
 

Os parlamentares argumentam que o Brasil vive "uma instabilidade política há mais de dois anos" e que há uma "possibilidade de que um extremista chegue ao comando do quinto maior país em extensão territorial e sexto em tamanho de população no mundo".

 

O texto classifica as atuais eleições brasileiras como "ilegais" e lembra que diversas autoridades internacionais já se manifestaram sobre o assunto. "Nossa intervenção está de acordo com o apoio expressado à candidatura de Lula por seis ex-chefes de estado franceses, italianos, espanhóis e belgas, 29 parlamentares dos Estados Unidos, um antigo presidente do Parlamento Europeu, de prestigiados juristas de todas os quadros políticos e, sobretudo, do Comitê de Direitos Humanos da ONU", diz o documento.