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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

27
Set22

Tristeza Pelo Brasil

Talis Andrade

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por Rafaela Fernanda Lopes de Oliveira Dutra

 

Queria a tristeza

Afastar do meu coração,

Mas ela se instalou

E me deixou na prostração

 

Não queria me sentir assim

Tão angustiada,

Mas o cansaço emocional

Me deixou agoniada

 

Uma amargura me bateu

E eu me senti destruída

De uma forma que não consigo explicar

Sem parecer ocluída

 

Queria ter um botão

Para me sentir sempre feliz,

Mas como sinto-me apreensiva

Com o destino do país

 

Não queria me preocupar,

Não queria me afligir,

Mas o rumo que está tomando a história

Só está a me pungir

 

E hoje só peço à Deus,

Que nos traga a salvação,

Que tenha misericórdia de nós,

Que ouça minha oração!

 

Que as más escolhas

Não consigam prejudicar

Essa nação de diversidades

Que tem se tornado um país

Onde tem se perpetuado

Uma grande iniquidade.

 

 

10
Set22

Meu Brasil, por Lara Abreu (vídeo musical)

Talis Andrade

Meu Brasil - Lara Abreu - YouTube

 

Brasil, deixa eu te contar sobre essas vivências
Essas histórias que a gente ainda enfrenta
Os anos passam, passam, mas voltamos pra trás
Será que somos os mesmos? Será que somos iguais?
 
Brasil, aí por favor eu sinto medo
Medo do que você vem se tornar
Das árvores que vem a sumir
Desses homens que vem a matar
Desses corpos se espalhando aqui
Dessa gente que vem a chorar
 
Brasil, nossos heróis dessa vez estão sem voz
Ou se calaram pra gente?
Ou se calaram por nós?
E agora já andamos a sós?
 
Mas o mundo anoitece doutor
 
Tá vendo aqui, a história se repetindo de novo
O tempo não passa, esperamos que acabe toda essa farsa
Eu quero ver antes que venha aquilo tudo voltar
 
Essa agonia no meu peito me diz que dias ruins vão chegar
Vou precisar falar escondendo o meu rosto, fingindo o olhar
Abrir minha mente, pra saber agora como devo lutar
 
Sinta essa dor, todo artista que gritou tá precisando voltar
É um retrocesso tão grande!
Brasília já tá cheia de militar
Quem vai nos parar, que vai nos calar
Meus amigos, aonde vamos chegar?
 
Vem me escutar
Eu imploro, venha ouvir essas pessoas chorando
Gritando por socorro antes que voltamos pra 64 de novo
Venha acreditar em mim
Não venha achar que
 
Não pode acontecer
Cê sabe como é
Não venha querer ver
 
Que o mundo se apaga doutor
 
Pra uns é mais rápido do que pra outros, já pode ouvir
Arma só serve pra uma coisa não venha querer discutir
O vento vai, mas já trouxe tanta morte aqui
E todo sangue que perdemos, será que ainda foi pouco?
E olha só, já tem gente comemorando tudo isso de novo
Será que tão conseguindo nos ouvir?
 
Mas tô aqui
Não vou falar só pelos outros, eu falo por mim
Que vou resistir mesmo que não tenha mais ninguém aqui
Vou tá cantando, incomodando
Antes que seja tarde vou continuar lutando
 
Então me de sua mão
Deixa eu te mostrar
Como a vida está
Deixa eu te mostrar, vem cá, vem cá, vem ca
 
Que o mundo já tá cego doutor
 
Mas tamo assim
Não venha falar que isso é vitimismo nosso
Não venha falar, já que você não tá na lista de próximo a tá caído, jogado no chão por aí Sendo impedido de ser quem você é
Chamado de louco por ser quem você quer
Levando cuspida no rosto
Não sendo aceito naquele emprego de novo
 
Tudo é muito pouco, todo dia se torna muito, tá tudo de mais
É um sufoco, cada dia que passamos voltamos pra trás
Já não andamos mais em paz
Não nos querem aqui, já não aguento mais
 
Mas tô aqui, e mesmo que não me queira, eu não vou sumir
Esse país também é nosso
E esse seu "mito" não vai nos impedir
Vai me ouvir, vai me ouvir, vai me ouvir
E vai me ver
 
Crescer
Vai nos ver chegar
Vai nos ver viver
Ocupar todo lugar
 
Porque o Brasil também é meu
O Brasil também é meu
Esse país também é meu
 
A luta não acabou doutor
Esse país também é nosso
E ele é laico
E ele é livre
 
A luta não acabou doutor
Esse país também é nosso
E ele é laico
E ele é livre
 
A luta não acabou doutor
Esse país também é meu
E ele é laico
 
E ele é livre
 

12
Jul22

O Brasil está sob ocupação inimiga

Talis Andrade

Friends and relatives of Brazilian musician Evaldo dos Santos Rosa, who was killed by an army unit when it shot at his car by mistake, hold Brazilian national flags stained in red -as blood- during a protest at Vila Militar neighborhood in Rio de Janeiro, Brazil on April 10, 2019. - Brazilian military authorities detained 10 soldiers who were part of a unit that shot over 80 times at a vehicle in Guadalupe neighborhood, Rio de Janeiro, killing a man and injuring two others Sunday. (Photo by Mauro Pimentel / AFP)        (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images

 

 

Como a Ucrânia, o Brasil sofreu uma agressão militar e está sendo ocupado por Forças Armadas hostis.

22
Mai22

Uruguai – Na Marcha do Silêncio, multidão clama por verdade e justiça (fotos e vídeos)

Talis Andrade

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Quando o Brasil vai ter a coragem de realizar uma marcha pelos desaparecidos durante a ditadura militar? No Uruguai 200 detidos desaparecidos. No Brasil 434 vítimas morreram ou desapareceram

Desaparecidos no Brasil
 
Porto Alegre foi sede da Operação Condor, que fez desaparecer os presos das ditaduras do Cone Sul (Brasil, Chile, Argentina Uruguai). 
 
Porto Alegre dos porões da ditadura. Da tortura. Os porões do delegado Pedro Seelig, um serial killer.
 
Nunca mais didatura. Nunca mais tortura. Nunca mais desaparecidos
 

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22
Fev22

Poema de Priscila Figueiredo

Talis Andrade

vaccari arminha.jpeg

 

Esse é o ponto, este
mais que esse; nosso é o tremor.
Este é o ponto, um espanto
análogo a quando avisam: Aqui passa
o Trópico de Capricórnio,
Aqui termina o Brasil,
Aqui acaba a Polônia etc.
Aqui, exatamente aqui,
você não vê, mas não duvida
do enunciado dir-se-ia sagrado,
vindo de um deus dos limiares.
Como um sol ele irradia,
como um rei é que decide
história, destino —

 

aqui
você pode respirar, aqui podemos nos casar,
aqui o fascismo não
mete o nariz.
Eis que passamos a ser nada,
nossa sombra ficou do outro lado.
Acuado pelo inimigo que avança,
alguém sempre tira a própria vida.
Agora conheceremos o que é vida.

 

Pois assim como tremo se me sei bem
em cima do meridiano ou da fronteira,
este é o ponto em que me quedo,
o ponto de virada,
de intelecção, a terra à vista
de um problema e seu contorno.
Ah o verdadeiro, o autêntico problema —
que frêmito raro se o encontramos.

10
Fev22

Poetisa recifense Carol Braga pede ajuda para custear ida à Copa do Mundo de Slam, na França

Talis Andrade

 

Ela venceu o festival nacional de Portugal e agora precisa de ajuda para garantir sua passagem para o mundial

 
por Maria Lígia Barros /Brasil de Fato

 

Dois anos foi o tempo que passou entre o momento em que a recifense Carol Braga, de 29 anos, declamou um poema seu pela primeira vez e a sua vitória no campeonato nacional português de slam poetry - na tradução livre, batalha de poesia. Agora, com vaga garantida na Grand Poetry Slam Coupe du Monde - a Copa do Mundo da Poesia Slam -, ela parte para um novo e maior desafio, competindo com outros países e outros idiomas. Mas, para chegar na França, onde o evento será realizado em maio, a poeta precisa de ajuda.

A organização do campeonato irá custear sua passagem de Lisboa até Paris; no entanto, Carol está no Brasil desde setembro do ano passado. Por conta disso, precisa custear sua ida de Recife a Portugal. A poeta abriu uma vaquinha online para conseguir pagar a viagem através de financiamento coletivo, e os interessados podem contribuir através deste link.

“Vi que todas as pessoas eram voltadas para a poesia – eu nunca tinha tido tanto contato com gente que escrevia e performava poesia. Nunca tinha lido um poema meu em voz alta até março de 2020. Estava todo mundo lendo e eu me senti confortável de ler pela primeira vez, e as pessoas ficaram super emocionadas”, relembrou.

Carol já conhecia a arte do slam antes mesmo de se mudar, de assistir pela internet a também pernambucana Bell Puã, do Slam das Minas, declamar seus textos. “Eu fiquei chocada. Pensei: ‘nossa, mas isso é lindo, é muito forte’. Quando vi pela primeira vez em Portugal, pessoas angolanas inclusive, eu me identifiquei muito. Foi uma descoberta de mim mesma, de como a poesia pulsava, e de que falar sobre determinados assuntos também pode ser poesia”, contou.

Formada em Jornalismo e em História, Carol Braga sempre teve o hábito de escrever. O gosto pela poesia e pela sua interpretação foi descoberto há dois anosmaria, quando migrou para Portugal para fazer doutorado na Universidade de Coimbra. Recém-chegada em outro país e sem conhecer ninguém, ela procurou na cidade atividades em que tinha interesse. Foi assim que encontrou um grupo de ativismo literário, a Secção de Escrita e Leitura da Secção Académica de Coimbra (Sesla), e resolveu participar de uma reunião. 

 contou.

Em outubro de 2020, só sete meses depois desta primeira experiência, Carol estava ganhando o festival local da cidade de Leiria. Em razão da vivência da época, o tema que mais permeia sua produção é a experiência de ser imigrante. Foi com um poema sobre esse assunto, o ‘Despejo’, que Carol ganhou o 7º Festival Nacional de Poesia e Performance Portugal SLAM, em junho de 2021. “Agora mesmo estou sem margens / muito estrangeira para voltar para casa / mestiça demais para estar aqui / Mas é tão ruim assim não pertencer / No final a gente cria essa ilusão globalizada de que não pertencemos porque não temos terra / E quem não tem terra para morar não é fértil”, recitou ela na final do evento.

Com esse texto e a vitória, Carol garantiu não só o acesso à Coupe du Monde, como também a publicação do seu primeiro livro: o ‘Minha raiva com uma poesia que só piora’, lançado em dezembro do ano passado pela editora Urutau. “Eu já tinha publicado [minhas poesias] em antologias, mas nunca tinha publicado um livro só meu. Todos os meus poemas de slam estão nele, então ele tem o ritmo de slam”, disse.

08
Fev22

Rio, 40 graus de barbárie

Talis Andrade

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por Cristina Serra

O bárbaro assassinato de Moise Kabagambe faz a ponte entre dois fracassos civilizacionais. Aperta o nó entre Brasil e Congo, enredados há séculos na violência escravista que moldou os dois países. Atualiza a encruzilhada em que a selvageria se impõe e a humanidade se esvai no precipício.

Moise e sua família fugiram da guerra e da fome, mas depositaram suas esperanças na cidade errada. No Rio de Janeiro, a bestialidade se alastra como metástase, por fora e por dentro do aparelho de estado. Indícios apontam o envolvimento de milicianos e seus bate-paus no suplício do refugiado congolês.

Na sua gênese, essas máfias impunham a lei do mais forte em lugares esquecidos, inclusive (ou principalmente) pelas autoridades. O tumor foi cevado, as células cancerígenas se desprenderam do foco original e chegaram às areias do cartão postal. Já se nota um padrão: Moise é a terceira pessoa morta por espancamento em menos de um mês na orla da Barra da Tijuca.

Um policial militar “opera” irregularmente o quiosque onde Moise trabalhava em troca de migalhas; a família do rapaz diz ter sido intimidada por dois PMs; uma testemunha da execução conta ter pedido ajuda a dois guardas municipais, que a ignoraram. A polícia levou mais de uma semana para prender os criminosos, mesmo tempo que demorou para o quiosque do crime ser interditado.

Prefeito e governador só se manifestaram quando já pegava mal ficar calado. Autoridades federais continuam em silêncio, ainda que a tragédia tenha ocorrido na rua onde o presidente da República tem uma casa. Talvez por isso mesmo.

No livro “Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, sobre a brutalidade colonial no Congo sob domínio belga, tornou-se célebre a frase de um personagem para definir as atrocidades que presenciou contra os congoleses: “O horror, o horror…”. A expressão se encaixa de maneira trágica no martírio de Moise e no que o Rio de Janeiro e o Brasil se transformaram: “O horror, o horror…”

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07
Fev22

Campanha de Lula retoma tradição dos comitês populares; campanha de Boric fez o mesmo

Talis Andrade

www.brasil247.com -

 

Para Mauro Lopes, a formação de 5 mil comitês populares decidida pelo PT pode mudar o espírito da campanha de Lula. Boric fez assim no Chile e fez a diferença. Natália Bonavides diz que as prioridades das pautas do PT no Congresso também serão debatidas nos comitês populares. "Nós temos lutado muito pra ser resistência neste momento difícil pelo qual o país passa. É chegada a hora de fazermos a travessia e abrirmos as alamedas, portas e caminhos pra derrotar este governo de fome, desemprego e mortes, e, com esperança e luta, enfim construirmos o Brasil Feliz de Novo! Simbora!", conclama a deputado do Rio Grande do Norte.

Escreve Mauro Lopes:

Uma das maiores críticas aos governos do PT de um ponto de vista da esquerda é o afastamento das bases populares do partido ao longo dos governos Lula e Dilma, com uma tendência forte à “burocratização” e profissionalização dos quadros do partido em diferentes instâncias governamentais. Além disso, houve uma crescente concentração do poder interno no partido nas mãos dos parlamentares -que tem mandato passou a ter mais voz e decisão. 

Há olhares distintos para estas críticas, mas elas estão presentes mesmo na direção do PT. O próprio diretor de comunicação da Fundação Perseu Abramo (FPA), Alberto Cantalice, da direção nacional do partido, reconhece “uma certa burocratização que enfrentamos a partir do momento que fomos governo”.

Pois o partido prepara-se para retomar a tradição das origens, da íntima conexão e inserção nos meios populares, de maneira vida e capilarizada.

É o que decidiu o  encontro virtual dos Setoriais do Partido dos Trabalhadores, em 24 de janeiro, com Lula e Gleisi e quase 3.500 militantes do PT. A principal decisão do encontro foi criar, até abril, cinco mil comitês populares em todo o país, em conjunto com movimentos sociais e outros partidos do campo progressista, como PSOL e PCdoB . O objetivo é estabelecer uma dinâmica de conversas presenciais, olho no olho, multiplicadas aos milhares e, quem sabe, aos milhões.

O mesmo movimento fez a campanha de Gabriel Boric e foi decisivo para sua vitória.  

Quem testemunhou a iniciativa foi Jeferson Miola, quando estava em Santiago como enviado especial do 247: “No início de dezembro a campanha de Gabriel Boric definiu a estratégia ‘Un millón de puerta a puertas por Boric’. Consistia numa convocatória militante e, ao mesmo tempo, um desafio arrojado de levar as propostas de Boric aos lares de 1 milhão de chilenos e chilenas.”A campanha “Un millón de puerta a puertas por Boric” foi tão bem sucedida que, ao final das eleições, a meta havia sido superada:  mais de 1,2 milhão de casas visitadas.

A experiência de comitês populares ou a ideia de “visita de casa em casa” não é nova, nem foi a campanha de Boric que a inventou. É uma estratégia centenária, que precedeu em muito as redes sociais. O PT nos primeiros tempos e movimentos sociais lançaram mão dela, inúmeras vezes. 

Mas o fato é que a campanha de Boric é o exemplo mais recente e vívido de sua efetividade. E las hermanas y hermanos chilenos têm uma longa tradição. Veja que impressionante a organização e capilaridade da campanha de Boric, bairro a bairro, rua a rua:

boric

Com as redes sociais, a estratégia dos comitês e visita porta a porta pode estabelecer uma teia de diálogos, sustentação e mobilização inéditas.

08
Jan22

Brasil-1: urgente derrotar o vírus e o verme!

Talis Andrade

Mulher chorando (1942), Portinari

 

Por Altamiro Borges

Os trabalhadores estão vivendo um período de trevas no Brasil. Aumento assustador do desemprego, arrocho brutal de salário, retirada selvagem dos direitos trabalhistas. A pandemia do novo coronavírus, confirmada em março de 2020, só agravou um cenário que já era sombrio. 

Por sua postura negacionista e criminosa diante da Covid-19, que resultou até final do ano passado em mais de 600 mil mortes e milhões de sequelados, Jair Bolsonaro hoje é tratado como genocida nos fóruns mundiais. O Brasil virou um pária internacional em todos os terrenos – sanitário, econômico e social. 

Cenas de pessoas pegando ossos em açougues e comida em latas de lixo ou dormindo nas calçadas retratam a dramaticidade do período. O país, que já havia retornado ao “Mapa da Fome” no governo do golpista Michael Temer, agora bate recordes em vários índices de miséria. São 116,8 milhões de brasileiros com insuficiência alimentar – ou seja, que não sabem se farão mais de uma refeição ao dia; destes, 19,1 milhões passam literalmente fome – um aumento de 54% no número de famélicos em relação a 2018. 

Diante desse quadro adverso, os trabalhadores não desistem e resistem. A luta por vacina para todos, pelo auxílio emergencial de R$ 600, por políticas públicas de incentivo à economia e à geração de emprego, entre outras demandas, norteia na atualidade a atuação do sindicalismo e dos movimentos sociais. 

Para vingar, elas são emolduradas pela bandeira do Fora Bolsonaro. Ou o Brasil se livra desse presidente fascista, ou ele mata o país com sua necropolítica e seu desprezo aos trabalhadores! É urgente derrotar o vírus e o verme! 



Mais de 400 mil vidas poderiam ser salvas 

Todos os fóruns internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as Nações Unidas (ONU), apontam o Brasil como uma das piores nações do planeta no enfrentamento ao novo coronavírus. Com 212 milhões de habitantes e mais de 600 mil mortos pela Covid-19, o país ocupa o segundo lugar no trágico número de óbitos – ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que tem uma população de 330 milhões de pessoas e quase 700 mil mortos no final de outubro. 

Em terceiro lugar aparece a Índia – com 1,38 bilhão de habitantes e 450 mil óbitos no mesmo período. Por acaso, essas três nações gigantes estiveram sob o comando de governantes negacionistas, de típicos fascistas – Donald Trump, Jair Bolsonaro e Narendra Modi. 

Apesar de ser reconhecido mundialmente pela excelência das suas campanhas de vacinação e pelo trabalho heroico do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil se atrasou criminosamente na compra dos imunizantes. Vários estudos científicos – como o chefiado pelo epidemiologista Pedro Hallal, pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (RS) – confirmam que mais de 400 mil vidas poderiam ter sido salvas caso a vacina fosse aplicada no tempo certo. 

Além da demora na imunização, o país presenciou cenas macabras de hospitais sem oxigênio e sem aparelhos de respiração, de pessoas sendo intubadas sem os remédios e anestésicos necessários, de valas comuns em cemitérios, de planos privados de saúde tratando seus pacientes como cobaias humanas – relembrando os campos de concentração nazista. [continua]

[Em 2016, uma foto do americano Johnny Miller na Cidade do Cabo, na África do Sul, viralizou nas redes sociais e ganhou destaque na imprensa. A imagem, produzida com o uso de um drone, mostrava o impressionante contraste entre a vizinhança rica e branca de Lake Michelle, formada por mansões milionárias à beira de um lago, e a comunidade pobre e negra de Masiphumelele, onde 38 mil pessoas vivem em barracos e se estima que até 35% da população esteja infectada com HIV ou tuberculose. A partir da atenção gerada por essa fotografia, Miller criou o projeto "Unequal Scenes" (Cenas Desiguais), e já viajou para oito países retratando, a partir do alto, com o uso de drones ou helicópteros, como a desigualdade de renda se expressa na arquitetura e na organização urbana das cidades. Entre eles, está o Brasil. Em entrevista à repórter Thais Carrança, da BBC News Brasil, ele falou sobre as cenas de desigualdade que viu pelo mundo. Confira no vídeo]

 

14
Dez21

“A situação do Brasil é um exemplo da incerteza da democracia”, analisa Alain Rouquié

Talis Andrade

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Alain Rouquié, presidente da Casa da América Latina.Alain Rouquié, presidente da Casa da América Latina.Alain Rouquié, presidente da Casa da América Latina.Alain Rouquié, presidente da Casa da América Latina.Alain Rouquié, presidente da Casa da América Latina.


Alain Rouquié, presidente da Casa da América Latina.
 © A. Brandão/ RFI

Alain Rouquié é um dos mais reconhecidos especialistas da América Latina na França. Em um novo livro, “L’Appel des Amériques” (O apelo das Américas, em tradução literal) ele faz um relato dos mais de 50 anos de suas pesquisas sobre a região. “A situação atual do Brasil é um exemplo da incerteza da democracia”, diz o cientista político e diplomata.

Alain Rouquié, de 82 anos, começou a se interessar pela América Latina em meados dos anos 1960. O atual presidente da Casa da América latina de Paris foi embaixador da França em El Salvador, México e Brasil e tem mais de 20 de livros sobre o subcontinente, entre eles o Brasil do século 21, publicado em 2006.

No “L’Appel des Amériques”, publicado pela editora Seuil, ele tenta responder a uma pergunta que sempre lhe fazem: Por que e como escolheu dedicar toda a atividade profissional, como cientista político e embaixador, à região que chama de extremo ocidente? Mas ele ressalta que não fez uma autobiografia.

“Não é um livro de memórias. Não gosto de contar a minha vida porque não é interessante. É um relato de aprendizagem”, diz. “Muito cedo, descobri que as sociedades que me atraíam não eram as sociedades fechadas, homogêneas. Ao contrário! Eram os mundos plurais, com coexistência cultural e étnica, como na América Latina", conta.

A região continua sendo objeto das reflexões de Alain Rouquié que faz, na segunda parte do livro, um balanço da situação atual. A democracia e seu oposto, a ditadura militar, e o desenvolvimento são questões centrais na região e no trabalho do cientista político latino-americanista. Desde sua primeira viagem à Argentina, nos anos 60 quando vários golpes de estado ocorreram, ele viu que “o papel dos militares era muito importante” e se dedicou a estudar “por que eles intervinham”.

 
«L'appel des Amériques», d'Alain Rouquié.
«L'appel des Amériques», d'Alain Rouquié. Éditions du Seuil

 

Democracia faz parte da cultura política latino-americana

Na américa Latina, “havia democracia antes de ter povo”, aponta Rouquié, lembrando do processo de independência dos vários países da região. “A democracia faz parte da cultura política latino-americana. Até os ditadores falam de democracia, de melhorar, de aperfeiçoar a democracia”, salienta.

“Mas a democracia é uma coisa muito complicada, sobretudo para os que pensam que têm o direito de ser dirigentes. A democracia é uma incerteza. Uma eleição séria, sem resultado incerto, não é democrática. Isso significa uma grande fragilidade”, afirma.

Para Rouquié, outro fator que fragiliza a democracia no subcontinente é a desigualdade.

“A América Latina é uma das regiões mais desiguais do mundo, e o crescimento das desigualdades vai contra a estabilidade democrática. Isso eu aprendi na América Latina”, diz, ressaltando, no entanto, que "a democracia está retrocedendo no mundo inteiro”.

 

Brasil

Alain Rouquié conhece muito bem o Brasil, onde foi embaixador de 2000 a 2003. O país é tema de um de seus livros: “O Brasil no século 21”, publicado pela editora Fayard em 2006. Segundo ele, a situação brasileira hoje “é um exemplo da incerteza da democracia, da incerteza que é a base do sistema eleitoral”.

“O que aconteceu no Brasil foi uma cruzada contra o PT porque o PT podia ganhar outra vez” resume o presidente da Casa da América Latina, analisando que o sistema eleitoral brasileiro, que não admite partidos majoritários e favorece a corrupção, também fragiliza a democracia no país.

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