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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Mai21

Boaventura, que morou no Jacarezinho nos anos 70: “O Brasil precisa acordar e ir para as ruas”

Talis Andrade

Boaventura de Sousa Santos

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que morou na favela do Jacarezinho nos anos 1970 para realizar seu doutorado, diz que está devastado com chacina na “comunidade que me ensinou a ser a pessoa digna que hoje procuro ser”. Para ele “o Brasil precisa acordar e ir para as ruas.”

 

247 - O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que morou na favela do Jacarezinho nos anos 1970 para realizar seu doutorado, diz que está devastado com chacina. Ele afirma que Jacarezinho foi “a comunidade que me ensinou a ser a pessoa digna que hoje procuro ser”. Para ele, um dos mais respeitados sociólogos do mundo, “o Brasil precisa acordar e ir para as ruas. Não entendi porque o Brasil ainda está dormindo.”

Estou indignado e revoltado com o que aconteceu, tanto que nem consegui escrever ainda. Trabalhei no Jacarezinho e foi esta a comunidade que me ensinou a ser a pessoa digna que hoje procuro ser e que está sendo tratada com tanta indignidade. Na mão de milicianos, que têm um super miliciano no Planalto.

Estou iniciando uma campanha para que o povo vá às ruas. O povo tem que sair às ruas. O PT está tentando manter tudo dentro do marco das instituições para que não haja grandes comoções nas ruas para eleger Lula em 2022, o que considero muito importante e apoio integralmente. Mas não sei se lá chegaremos. Sem luta popular na rua não haverá CPI, sem luta popular o STF não conseguirá levar a cabo a tarefa de corrigir o sistema, sem luta popular na rua continuarão os massacres no Jacarezinho e em outras comunidades. As milícias querem ocupar o território no Rio e tornar impossíveis as eleições de 2022.

O Brasil precisa acordar e ir para as ruas. Não entendi porque o Brasil ainda está dormindo.”

 

07
Mar21

O Paraguai é o Brasil amanhã?

Talis Andrade

Protestos no ParaguaiProtestos em Assunção contra o Governo de Mario Abdo Benítez.Manifestantes, en las inmediaciones de Mburuvicha Róga.Lamentablemente, uno de los manifestantes terminó muerto, aunque en circunstancias ya ajenas a la gran movilización ciudadana.Manifestações no Paraguai (06 março 2021)La ciudadanía autoconvocada persiste en su pedido de renuncia del presidente Abdo. Los ciudadanos se volvieron a movilizar este domingo para manifestarse contra el Gobierno de Mario Abdo Benítez.

por Moisés Mendes

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O presidente paraguaio, que pode cair a qualquer momento, é cria da velha direita latino-americana, mas não é o Bolsonaro deles. Não há ninguém com o mesmo padrão de crueldade, idiotia e chinelagem de um Bolsonaro na América Latina.

Não há mais ninguém com conexões tão profundas e comprometedoras com a militarização de um governo quanto Bolsonaro. Não há outro presidente com três filhos políticos com vínculos com milicianos.

Bolsonaro afundou o Brasil no lixão do que existe de pior na direita e na extrema direita mundiais.

Mario Abdo Benítez (foto) é de família com vínculos com o fascismo, mas evita apresentar-se como um extremista e tenta se desgrudar do passado comprometedor. Perto de Bolsonaro, seria quase um liberal.

O pai de Marito, como é chamado, foi um dos homens mais próximos do ditador Alfredo Stroessner, como seu secretário particular. Deixou para o filho o nome, uma fortuna em fazendas e a herança política.

Marito também passou pelo Exército e vende a imagem de homem apegado à Bíblia e à família. É a nova cara do caudilhismo do partido Colorado, que manda no Paraguai há seis décadas, com apenas uma interrupção no poder.

Presidiu o Senado e conquistou lugar na elite política. Foi figura importante no Congresso. Estudou marketing nos Estados Unidos. Mas não elogia militares e torturadores. É um reacionário cauteloso.

Bolsonaro é o que sabemos que é. Se derrubarem Marito, os paraguaios que o elegeram estarão mandando um recado ao Brasil.

É possível romper com uma decisão que eles mesmos tomaram ao eleger Marito em 2018 para um mandato de cinco anos.

Se mandarem para casa o caudilho chique, os paraguaios terão cometido uma façanha: abreviar o mandato de um líder do mais poderoso partido do país e filho de um cúmplice da ditatura que nunca foi julgado.

Bolsonaro não tem histórico de família a que possa se agarrar. Não tem nem partido. Tenta se proteger em grileiros, mas não tem ligação com latifundiários tradicionais com os quais possa se identificar.

Bolsonaro tem as milícias, os jagunços da Amazônia, tem os militares e tem o centrão, que alugou por um preço que talvez não consiga pagar.

Marito e Bolsonaro são filhos das ditaduras, um com grife, um homem fino e rico, e o outro um ogro de origem modesta, mas que age como se fosse rico e com uma família que deseja ficar rica a qualquer custo.

Marito tem 49 anos e conviveu, da infância ao início da juventude, com o poder mantido à força pelos militares. Bolsonaro tem 65 anos e nunca esteve próximo de poder algum.

Foi apenas um aspirante a oficial que ganharia fama como militar, por ter passado por quartéis como um rebelado (processado pela tentativa de atos terroristas), com um arremedo de carreira medíocre no Exército.

O partido de Marito organizou o golpe que levou ao impeachment de Fernando Lugo, o único presidente progressista do Paraguai, em 2012.

Ele e Bolsonaro ainda têm em comum o fato de que apoiaram a tentativa de golpe contra Maduro na Venezuela. E os dois foram paraquedistas do Exército.

Marito pode estar se preparando para um salto que talvez Bolsonaro não seja obrigado a dar no curto prazo. Porque o Paraguai tem milhares de jovens em manifestações nas ruas, e o Brasil tem amontoados de jovens em aglomerações em bares, praias e baladas.

Os militares podem segurar Marito lá e Bolsonaro aqui? Se cair, o paraguaio estará derrubando junto mais de meio século de coronelismo, militarismo, corrupção e banditismo dos herdeiros de Stroessner. E nós? Por enquanto, é certo que vamos ficar apenas olhando.

30
Abr20

Ao acusar Bolsonaro, Moro confessou a sua cumplicidade

Talis Andrade

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"Sem foro privilegiado e sem o corporativismo da Justiça, que trocou por seus projetos pessoais, está sujeito aos mesmos processos a que estão expostos qualquer brasileiro, o que significa que poderá provar do seu próprio remédio, curtindo o sol quadrado"

 

por Ribamar Fonseca

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Qual a  diferença entre Bolsonaro e Moro? Resposta: os olhos azuis do capitão. Os dois são como irmãos siameses, parecidos em tudo, na ambição pelo poder, no autoritarismo, na ausência de escrúpulos, na facilidade para mentir, etc. Eles são a melhor comprovação do enunciado da Física, segundo o qual “os semelhantes se atraem”. E são responsáveis, juntos, pela situação desastrosa do país. Graças a Moro, que impediu o ex-presidente Lula de concorrer às últimas eleições presidenciais, o medíocre deputado Jair Bolsonaro, admirador do torturador Brilhante Ulstra, conquistou o Palácio do Planalto e trouxe os militares de volta ao poder, agora pela via democrática.  Nada mais natural, portanto, que tivesse convidado o juiz Sergio Moro, famoso por sua atuação na operação Lava-Jato, para ser o seu ministro da Justiça, com a promessa de indica-lo para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.  A separação traumática dos dois, no entanto, os transformou em inimigos, após um breve período de lua de mel. Na verdade, a saída de Moro do governo começou a se desenhar aos primeiros sinais de desagrado dos filhos do Presidente, motivo porque não chegou a ser uma surpresa.

Também não foi surpresa como o ex-juiz deixou o cargo: atirando. Depois da sua criticada atuação na Lava-Jato, sobretudo após a revelação pelo site Intercept Brasil do seu modus operandi, todos ficaram sabendo que ele é capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos. Ao fazer graves acusações a Bolsonaro, especialmente no que diz respeito à sua tentativa de interferir nas investigações da Policia Federal e do próprio STF, Moro acabou confessando que foi conivente com as ações do capitão, aprovando-as com o seu silêncio. Só colocou a boca no trombone quando percebeu que, após a demissão de Mandetta do ministério da Saúde, era a bola da vez. E, como sempre, contando com a cobertura da grande imprensa, em especial da Globo,  deu o seu showzinho particular, apresentando-se como um herói, defensor da Policia Federal. Obviamente que o seu prestigio dentro da PF subiu às alturas, principalmente quando ele disse que precisava de uma “causa” para aceitar a  demissão do diretor geral  da corporação. Ora, o Presidente da República não precisa de “causa” para demitir quem ele quiser e nem de autorização de subordinado. Se ele  quisesse poderia, inclusive,  exonerar os dois juntos: ministro e diretor. Moro sabia disso mas, obviamente, quis fazer média com os policiais federais.

O erro de Bolsonaro, na verdade, não estava na troca do diretor mas no motivo. Ele quer alguém que lhe seja fiel e lhe mantenha informado de todos os passos das investigações realizadas pelos federais. Os seus objetivos são: primeiro, impedir que os policiais cheguem até os seus filhos, alvos de várias acusações; e, segundo, ter em mãos informações privilegiadas que lhe permitam manipular os seus adversários políticos. Durante algum tempo Moro comportou-se como um fiel escudeiro, entre outras coisas evitando que a PF localizasse e prendesse Fabricio Queiroz, acusado de operador de supostas “rachadinhas” do então deputado Flavio Bolsonaro,  e também fez vista grossa para as criminosas fakenews que invadiram as redes sociais brasileiras, cujo ponto de partida seria o chamado “gabinete do ódio”, instalado dentro do próprio Palácio do Planalto. Não fora a CPMI das fakenews, em funcionamento no Congresso, e o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal e até hoje os responsáveis por esses crimes estariam operando tranquilamente, sem receio de punições, atacando adversários de Bolsonaro e ameaçando autoridades, particularmente ministros da Corte Suprema. A pressa do capitão em mexer na Policia Federal deve ser porque o cerco em torno dos filhos dele está se fechando.  

O fato é que as acusações de Moro a Bolsonaro, que escandalizaram o país, podem servir não apenas para destituir o capitão da Presidência da República mas, também, para levar o ex-juiz à cadeia, porque ele é tão culpado quanto o outro. Esse esforço da Globo em transformar Moro em herói, como fez quando ele comandava a Lava-Jato, só funcionou num primeiro momento, ao impacto das acusações. Passados alguns dias, porém, com as emoções voltando ao seu leito normal, já é possível observar-se a extensão das responsabilidades do ex-juiz nas ações do Presidente. Resta saber agora apenas como se dará a punição de ambos: se através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigue com profundidade a atuação dos dois ou, então, a aprovação do impeachment de Bolsonaro, que já conta com cerca de 25 pedidos na Câmara dos Deputados. Ou, então, através da renúncia do capitão, o que parece mais difícil, ou a cassação da chapa presidencial  pelo Tribunal Superior Eleitoral. Apenas neste caso haveria novas eleições, pois nos outros o vice Mourão assumiria o governo.  

De qualquer modo, parece que os dias de Jair Bolsonaro na Presidência da República estão contados. Afora os seus fanáticos seguidores, que praticamente tem orgasmos quando ele fala em matar, já existe um consenso em todos os setores de atividades para a sua saída do Planalto. A maioria do povo brasileiro, segundo as pesquisas, já o quer fora do governo, o que deve acontecer ainda este ano, em meio à guerra contra o coronavirus. Com a sua queda os seus filhos, que se revelaram  os seus maiores adversários com as crises que provocaram, estarão sujeitos às penas da lei, mais precisamente à prisão,  e tudo leva a crer que todos os três também perderão seus mandatos. Com Moro não será muito diferente. Sem foro privilegiado e sem o corporativismo da Justiça, que trocou por seus projetos pessoais, está sujeito aos mesmos processos a que estão expostos qualquer brasileiro, o que significa que poderá provar do seu próprio remédio, curtindo o sol quadrado. Afinal, essa fama de paladino do combate à corrupção não passou de publicidade, já que à frente do Ministério da Justiça não prendeu nem o Queiroz.  A corrupção , na verdade, nunca  acabou,  embora o aparentemente ingênuo governador Romeu Zema, de Minas Gerais, tenha declarado recentemente que Bolsonaro “acabou com a corrupção no país”, uma declaração vergonhosamente bajulatória.  

Os juristas Pedro Serrano e Eugênio Aragão também são de opinião que Moro é cúmplice de Bolsonaro e, portanto, deve igualmente responder pelos crimes de que acusou o Presidente. A pergunta que muitos se fazem, agora, é: para onde Moro vai? Para o Supremo não tem mais jeito. Em principio ele teria emprego garantido em alguns governos, como secretário de Justiça e Segurança, mas os seus possíveis empregadores deverão pensar duas vezes antes de convidá-lo, porque assim como ele grampeou Bolsonaro poderá fazer o mesmo com eles. Depois do que ele fez  com o Presidente, que o levava para todo lado como troféu, vai ser difícil conquistar a confiança de algum governador, a não ser que queiram correr riscos. Uma opção para ele poderia ser o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com quem trabalhou de braços dados para derrubar Dilma, prender Lula, eleger Bolsonaro e destruir as grandes empresas nacionais da construção civil. Até porque se for para lá poderá escapar das possíveis penas a que está sujeito. A sua primeira grande derrota deverá ser a anulação da condenação injusta de Lula, com a provável aprovação da sua suspeição pelo Supremo Tribunal Federal, cujo processo será julgado nos próximos dias. Afinal, quem planta colhe.  

 
15
Abr20

O “golpe” de Braga Neto que quase ninguém viu

Talis Andrade

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II - Um necropresidente e o holocausto brasileiro à vista

 
por Carlos Tautz
 
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É lógico supor que Braga Neto tenha aprofundado conhecimento sobre dois assuntos que atormentam Bolsonaro: as milícias e o caso Marielle. Por esta circunstância, chama a atenção o informe do site defesa.net, a voz semiformal dos quartéis, segundo o qual Braga Neto, hoje ministro da Casa Civil, seria desde 30 de abril um “presidente operativo” após ter dado um golpe de Estado que quase ninguém percebeu. Conforme figura no referido site, 

“A nova “missão  informal” foi produto de um “acordo por cima”, envolvendo ministros e comandantes militares e o próprio presidente da República. Sua (de Braga Neto)“missão” busca reduzir a exposição do presidente, deixando-o “democraticamente” (Apud Paulo Guedes) se comportar como se não pertencesse ao seu próprio governo. O general passa a enfeixar as ações do Executivo na crise. Pode, inclusive, contrariar as declarações de Bolsonaro”.

Somente o cotejamento das próximas ações do general-Ministro, do governo e de Bolsonaro confirmarão ou não o golpe. 

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Cadáveres a la  Equador?

Na lista de privilégios a militares, Bolsonaro atendeu sistematicamente os interesses pecuniários da elite da tropa, reforçou o status social das Forças Armadas e lhes ungiu com uma aura de honestidade e suposta capacidade administrativa que destoaram no primeiro inepto ano do mandato de nosso necropresidente. 

Essa estratégia deu um ganho estrutural para as Forças Armadas. Ao reforçarem sua imagem – que deve aumentar ainda mais quando as tropas forem mobilizadas para operar hospitais de campanha contra a COVID-19 -, os militares garantem que, no futuro, dificilmente se revertará o status social acumulado. Esta condição os vacinaria contra eventuais futuras Comissões da Verdade em que poderiam vir a ser enquadrados  – lembrando aqui que a CNV, durante o governo Dilma, com todas suas limitações, foi o verdadeiro e pragmático motivo do ódio que colocou este setor entre os principais golpistas (ativa ou passivamente) em 2016.

Apesar disso tudo, a aliança entre militares e o necropresidente já será firmemente confrontada nas próximas semanas, quando aumentar o número de mortos pela COVID-19. Basta uma só foto de corpos no meio da rua a la Equador “viralizar” nas “mídias sociais” e ser explorada pelo hegemônico Grupo Globo – opositor a Bolsonaro, mas não a Guedes, Moro  ou Mandetta – para as Forças Armadas serem obrigadas a decidir se continuam aliadas a um necropresidente que nega a gravidade do coronavírus porque necessita de um holocausto para se justificar.

Com um crescimento rápido e exponencial do número de mortos pela COVID-19 e o impacto da exaustão do sistema de saúde, os militares finalmente terão de responder à pergunta feita há algumas semanas pelo (quase demitido) Ministro da Saúde: “Alguém está preparado para ver os caminhões do Exército transportando corpos?”. Afinal, basta viralizar apenas uma foto de corpos e caixões sendo empilhados para que a população pobre, já duramente atingida pelo desemprego, exploda em reivindicações para muito além de saúde e comida, e passe a cobrar desorganizadamente direitos negados em 520 anos. 

Neste caso, dificilmente Bolsonaro conseguirá se livrar, diante da opinião pública, da responsabilidade maior pela resposta inadequada à COVID-19 e pelas mortes que já começaram a chegar.

O caldo de cultura em que pode se dar uma tal explosão social representaria um importante processo de desgaste político de Bolsonaro. Afinal, já se aproximam dos 30 dias consecutivos os panelaços contra ele nos bairros de classe média da maioria das capitais e maiores cidades do interior do País. Uma espiral de adesões a esses protestos nas favelas – que serão fortemente impactadas pelo coronavírus – produzirá uma situação explosiva no País inteiro.

Hitler operou o holocausto sobre seis milhões de judeus, ciganos, comunistas. A ver se as Forças Armadas brasileiras apoiarão um necropresidente e sua irresponsável política negacionista, que pode levar a morte de até 1,4 milhão de brasileiros – em particular os mais vulneráveis de sempre: pobres, negros e todos aqueles para quem um tal de Estado democrático de direito nunca passou de quimera. 

Se o necropresidente, militares e bancos (sócios ocultos do governo Bolsonaro-Guedes) dobrarem a aposta, como Bolsonaro tem feito reiteradamente, não existirão outras palavras para definir a situação que se instalará a não ser “golpe”, “ditadura” e “holocausto”. (Continua)

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14
Abr20

Braga Netto conhece as milícias do Rio e sabe o que os Bolsonaro fizeram no verão passado

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

O repórter do jornal Zero Hora Humberto Trezzi fez uma reportagem semi-biográfica e elogiosa ao general Braga Netto, que é tratado no título da matéria como “o novo conciliador do Planalto” [aqui].

Trezzi destaca o papel do general na administração da crise derivada da conspiração fracassada do Onyx Lorenzoni e do Osmar Terra para derrubar o ministro Luiz Mandetta.

O repórter afirma que Mandetta não procurou nem os conspiradores nem Bolsonaro para se queixar do ataque, mas recorreu a um dos integrantes da junta militar que comanda o governo, o general Braga Netto.

Para o repórter, o apaziguamento momentâneo foi “mais uma vitória de Braga Netto, o novo oráculo do Planalto. Mineiro, ouve muito e fala pouco”.

Braga Netto “abraçou com fervor a nova missão: colocar ‘ordem na casa’, nas palavras de Mourão”, discorre Trezzi.

Na reportagem, um nostálgico Trezzi faz uma série de floreios elogiosos ao método e à atuação do general que “escorrega bilhetinhos aos ministros durante reuniões, como o presidente Jânio Quadros fazia nos anos 1960” [sic].

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Mais além dos elogios a um general que, paradoxalmente, chefia justamente a Casa Civil de um governo que deveria ser civil [sic], a informação mais valiosa da reportagem é aquela que diz que “Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”.

O repórter diz que durante a intervenção federal no Rio, que durou de fevereiro a dezembro de 2018,

o Exército conseguiu usufruir dos bancos de dados das polícias Civil e Militar fluminenses e também montou um mapa das ações criminais no Rio. Isso vale tanto para facções criminais convencionais (Comando Vermelho, Amigos dos Amigos e Primeiro Comando) como para as milícias paramilitares formadas por ex-policiais. Não à toa, Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”.

Se Braga Netto conhece “o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio, por certo ele sabe tudo a respeito do miliciano Adriano da Nóbrega, o chefe da milícia Escritório do Crime.

Adriano, deliberadamente executado no interior da Bahia, em vida havia recebido troféu de Flávio Bolsonaro na cadeia e, até dezembro de 2018, quando estourou o escândalos da “rachadinha”, o miliciano garantia o emprego da mãe e da esposa no gabinete do Flávio na ALERJ.

E o general Braga Netto, super-bem informado como é, deve saber, inclusive, onde está escondido o Fabrício Queiroz, o elo do clã com a milícia do Rio das Pedras chefiada pelo agora finado Adriano da Nóbrega.

Braga Netto provavelmente também sabe tudo a respeito de Ronnie Lessa, quem compartilhava vizinhança com Carlos e Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, e quem é suspeito de tráfico internacional de armas e está em prisão preventiva, acusado do assassinato de Marielle e Anderson.

É preciso saber de onde vem tamanha “ascendência” do Braga Netto e a junta militar sobre Bolsonaro.

Tal ascendência parece se originar menos da capacidade persuasiva dos “bilhetinhos” do general e seus parceiros do Alto-comando, e mais do fato de Braga Netto saber muito sobre o que os Bolsonaro fizeram no verão passado.

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06
Abr20

Um vírus que se trai, e morre. Por Janio de Freitas

Talis Andrade

 

Os interessados no ato contra o Congresso e o Supremo persistem no seu propósito

A receosa intranquilidade de muitas das pessoas mais informadas e experientes, no decorrer da semana, teve motivos que o coronavírus, paradoxalmente, abrandou. Mas só por um tempo incerto.

O conjunto de indícios comuns a investidas antidemocráticas fez concluir por um alto risco: a propensão do ato contra o Congresso e o Supremo, marcado para hoje, de tornar-se movimento de agitação de massa — sem controle do seu desenvolvimento, como é próprio das ações de turbas incitadas.

O coronavírus esvaziou o ato, sem deixar dúvida de que os interessados, os organizadores e os empresários pagadores persistem no seu propósito.

Por vias institucionais, o caminho lhes é hostil, com Câmara e Senado mostrando-se mais altivos do que as últimas legislaturas. O bolsonarismo crente ou ganancioso é parte da massa pastosa que se amolda a qualquer sedução esperta ou endinheirada. É a alternativa, portanto.

Bolsonaro esperou sair de Brasília para, em Boa Vista no sábado (7), deixar de fingir-se alheio à manifestação contra as duas principais instituições democráticas, e chamar o povaréu a engordá-la.

A convocação original era explícita contra o Congresso e o Supremo, e ainda engrossava suas intenções com menção ao general Heleno, remanescente do mais antidemocrático na ditadura.

Já em Miami, na segunda (9) Bolsonaro desfecha o seu avanço contra o Congresso, em torno da distribuição de verbas orçamentárias. Paulo Guedes e o general Luiz Eduardo Ramos haviam chegado a um acordo com as lideranças parlamentares, mas Bolsonaro tanto o aceitou como logo o desmoralizou. Com o apoio do vernáculo de sarjeta do irado general Heleno contra o Congresso. Reduzir o acordo a uma crise de fundo institucional foi ato conjugado, assim como a data. A investida dos dois foi informativa nesse sentido.

Bolsonaro seguiu adiante. Ou para trás. Além de outras estocadas no Congresso, ainda nos EUA voltou, de repente, à acusação de fraude nas eleições presidenciais de 2018. Ele, como vítima. E, hoje, “com provas”, que não exibiu nem explicitou. Ataque direto à Justiça Eleitoral, mas não só: ataque ao Judiciário, logo, às instituições vigentes.

No Brasil, mais atividade bolsonarista em torno da manifestação convocada, exibindo-se já alguns cartazes definidores: “Intervenção militar já”, “Intervenção sem Congresso e Supremo”, e outras não menos eloquentes.

confronto governo/Congresso cresceu, a especulação financeira aproveitou e acionou o lucrativo desce-sobe da Bolsa, Bolsonaro usou o tema para mais um ataque à imprensa por notícias de crise: “Durante o ano que se passou, obviamente temos momentos de crise”.

Esse que chegou a capitão do Exército não consegue expressar nem a ideia mais simplória. Como sempre, falatório longo, esticando, em todos os sentidos da palavra, desinteligências. E mais um tema.

Necessário, porque o coronavírus levava à suspensão de muitas atividades mundo afora, e era preciso evitar, não a expansão do vírus no Brasil, mas a proibição de aglomerações como a manifestação antidemocrática. “Coronavírus não é tudo isso, muito do que tem ali é fantasia, a questão do coronavírus, que não é tudo isso que a grande mídia propaga. O que eu ouvi até o momento outras gripes mataram mais do que esta”. Era o melhor estilo Bolsonaro, a serviço da grande causa: manter a manifestação.

Não deu. Ainda houve tempo para que Deltan Dalagnol aderisse com um ataque ao Congresso e ao Supremo, que “dificultam a a tarefa da Lava Jato”. É, só fechando. Um dia o coronavírus acaba. Como disse Bolsonaro em rede social, “daqui a um mês, dois meses, se faz. Foi dado um tremendo recado”.

De fato. Quem não o quiser ouvir, perde por antecipação as condições de defesa caso se depare com quebra-quebras, empastelamentos, violências pessoais, a ferocidade das PMs bolsonaristas, das milícias formais e das informais que se coordenavam em São Paulo e Rio. Ou mais do que isso. Porque, como diz Bolsonaro, “daqui a um, dois meses, se faz”.

O coronavírus traiu seu destino perverso, mas também ele morre.

Os encobertos

Aparece, então, a presença de um contingente do FBI com os patriotas da Lava Jato curitibana. Tardou menos do que o habitual. Faltam agora os aparecimentos da CIA e dos grampos clandestinos da NSA, a agência das já conhecidas gravações de presidentes brasileiros, ministros e outros.

A soberania brasileira é furada como o corpo de uma vítima dos heróis milicianos da família Bolsonaro.

Destaque: Coppo di Marcovaldo, Inferno (1260-70). Fragmento de mosaico do teto do Batistério de Florença

Publicado na Folha, no Combate, no dia 15 de março de 2020

 

03
Abr20

Bolsonaro e as PMs

Talis Andrade

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II - A polícia política 

 

por Silvio Caccia Bava

Le Monde

A relação de Jair Bolsonaro com as PMs vem de longa data, desde os tempos em que o capitão, na ativa, em 1987, criticou na revista Veja a política salarial do Exército, ameaçou de morte uma jornalista e planejou em conjunto com outros militares colocar bombas em quartéis do Exército e explodir a adutora de água do Rio de Janeiro como formas de pressão para a negociação salarial.

Por unanimidade, em 19 de abril de 1988, o Conselho de Justificação do Exército declarou Bolsonaro culpado das acusações a ele imputadas e decidiu que fosse “declarada sua incompatibilidade para o oficialato e consequente perda do posto e patente, nos termos do artigo 16, inciso I da lei n. 5836/72”.8

Esses fatos foram desconsiderados no julgamento do Superior Tribunal Militar, que o inocentou em 16 de junho de 1988, ignorando inclusive a ameaça de morte feita pelo réu à repórter da revista durante seu depoimento.

A notoriedade adquirida por Bolsonaro na caserna se deveu à defesa que ele fez do aumento dos salários para os militares, mesmo que para isso se utilizasse de insubordinação e terrorismo. Esse prestígio deu a ele a possibilidade de se eleger vereador do Rio de Janeiro em 1988, com 11.062 votos, vindos em sua grande maioria de militares e suas famílias.

“A partir desta data, por norma da corporação, Bolsonaro entra para a reserva não remunerada e, como vereador, inicia um intenso trabalho como defensor dos interesses da classe militar, sem que para isso tenha representatividade ou delegação, arguindo, contrapondo e acusando de forma descabida autoridades constituídas nos mais diversos níveis”.9

Eleito deputado federal em 1990, ele defendeu, ao longo de seus sete mandatos consecutivos como deputado federal, as pautas da corporação e a anistia aos amotinados em várias das insurreições das PMs.

Segundo o deputado Paulo Ramos (PDT-RJ), ex-policial militar, há uma proximidade ideológica entre Bolsonaro, que é repressor, e a PM, que é repressiva. “Os policiais militares são doentes por Bolsonaro”, diz ele, e constituem parte importante de sua base eleitoral desde quando era deputado federal. Pesquisas realizadas em São Paulo antes das últimas eleições mostraram que 92% dos policiais e suas famílias votariam em Bolsonaro.10

Se a afinidade com a PM vem de longe, lembremos também sua relação de proximidade com Adriano Magalhães da Nóbrega (ex-capitão do Bope) e Fabricio Queiroz (policial militar aposentado). Quando assumiu a Presidência da República, Jair Bolsonaro passou a defender abertamente medidas em favor das PMs. Sua presença em eventos nos quartéis reforçou suas relações com a corporação.

A reforma da Previdência favoreceu os militares e o primeiro indulto natalino anistiou policiais militares. Bolsonaro sancionou lei que abole a punição disciplinar na PM e encaminhou ao Congresso projeto de lei que isenta de julgamento mortes violentas provocadas por policiais militares, o conhecido projeto de “excludente de ilicitude” – na prática, licença para matar.

Há um interesse direto da Associação das Entidades Representativas de PMs e Bombeiros Militares no excludente de ilicitude. Em 2019, os serviços de inteligência apenas da PM paulista identificaram 845 mortes em situações de “excludente de ilicitude” – vale dizer, assassinatos. A Rota, tropa de elite da PM paulista, matou 98% mais pessoas em 2019 que no ano anterior; foram 101 pessoas, segundo a ouvidoria da PM. (Continua)

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01
Abr20

Bolsonaro organizou e mantém mobilizado exército informal militante

Talis Andrade

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II - Os possíveis desdobramentos sobre a presença dos militares no poder, ocupando quase 2,5 mil cargos de assessoria ou chefia em ministérios ou repartições

 

por Ana Penido, Jorge M. Rodrigues e Suzeley Kalil Mathias
Brasil de Fato 
 

Com Bolsonaro, as FFAA tornaram-se, desde a campanha, abertamente jogadoras, formando um dos grupos de sustentação ao governo. Embora sempre tenham afirmado que não foram para o governo enquanto instituição, se mostraram um grupo bastante coeso, comportando-se como um partido militar. O efeito direto e imediato disso foi a exposição da instituição, especialmente do Exército, e o esvaziamento político do Ministério da Defesa.

O desenrolar do governo deixou claro que as FFAA não conquistaram a hegemonia do governo, embora o tenham ocupado massivamente. Apesar disso, as FFAA disputam tal hegemonia com um projeto melhor pensado e organizado e, portanto, melhor aparelhado para atuar como um verdadeiro partido. Estão bem posicionados para isso, ocupando quase 2,5 mil cargos de assessoria ou chefia em ministérios ou repartições. Até recentemente, Bolsonaro era funcional para esse projeto.

Hipóteses de cenários

Entre todas as questões que seriam pertinentes, selecionamos três elementos fundamentais a serem aprofundados. O primeiro diz respeito à perda do monopólio do exercício da força estatal por parte das Forças Armadas. O segundo, que se relaciona com o anterior, diz respeito à quebra de hierarquia generalizada. O terceiro trata da destruição das instituições estatais e sua reorganização enquanto Estado autoritário.

A primeira hipótese ocorre em virtude da forte ligação entre Bolsonaro e as milícias armadas. É estranho que as FFAA não soubessem dessas ligações antes da eleição, devido ao seu acesso privilegiado às ferramentas de informações. Se as FFAA sabiam dessas ligações, também é estranho terem endossado um presidente fortemente apoiado por essas forças também armadas, ainda que milicianas, que disputam com as próprias FFAA o monopólio de usar a força do Estado. Existiria um medo de que, caso as FFAA não ocupassem seu espaço formal no governo, esse vácuo de poder seria ocupado por forças armadas informais (paramilitares)?

Esse medo faz sentido também diante das forças formais, como as polícias militares. Foi uma conquista das FFAA a subordinação das polícias e todos os projetos de mobilização das FFAA em território nacional em caso de grave ameaça, que contam com a utilização dessa força auxiliar extremamente pulverizada. A maioria dos intelectuais escreve sobre o medo da policialização das FFAA, especialmente em razão da banalização de operações GLO. Entretanto, também é preciso pensar o aumento da militarização das polícias, de modo a se tornarem mais importantes do que as próprias Forças Armadas. Esse cenário recentemente se confirmou com o motim da polícia militar do Ceará. O ministro da Justiça, Sergio Moro, atuou muito fracamente, assim como o coronel comandante da Força Nacional de Segurança Pública.

O segundo cenário diz respeito à hipótese de quebra de hierarquia, pilar fundamental das FFAA, junto à disciplina. Acredita-se que as FFAA, quando assumiram o projeto de governo, tinham a firme crença de que tutelariam Bolsonaro. Na realidade, Bolsonaro foi mais habilidoso e fez o que sempre fez: sindicalismo militar e política para o baixo clero. Mesmo entre os oficiais, essas diferenças se apresentaram. Em outras palavras, a hierarquia vai sendo solapada pela distribuição de oficiais em empregos a partir de critérios distintos para a promoção, salários, benefícios.

A fraqueza do comandante que cede à pressões, sejam elas internas ou externas, é uma das variáveis que compõe nossa terceira hipótese, de que o bolsonarismo estaria conseguindo desestabilizar todas as instituições do Brasil, incluindo as mais tradicionalistas, como as Forças Armadas e o Poder Judiciário. Regimes nos quais o sistema de controles mútuos entre os poderem funcionam, temem a paralisia decisória que conflitos entre os poderes podem provocar. Tomando o mesmo desenho, a militarização da burocracia pode levar ao seu colapso.

Bolsonaro organizou e mantém mobilizado esse exército informal militante. Todavia, parte desse exército é armado, como é perceptível pelo forte apoio miliciano e nas polícias militares que o presidente possui, constituindo uma bomba relógio pronta para explodir. Com ou sem a confirmação dos cenários anteriores, ou seja, com ou sem o fim do monopólio da força e, com ou sem a quebra de hierarquia, Bolsonaro tem hoje um forte exército pretoriano, como nenhum governante da Nova República sequer sonhou.

Nesse cenário, também não é descartável a hipótese de militarização da política, distinta de 1964, mas com uma questão comum. Antes de mais nada, para garantir sua própria existência, as FFAA precisam garantir a existência do Estado. Sem uma estrutura de mediação política (que é a função da República) para os conflitos estruturais que inevitavelmente surgirão num cenário de crise social, triunfa a mediação da violência, os senhores da guerra. O problema moral e político das FFAA é que seu cliente são abstrações, instituições coletivas ou até imaginárias (como a Constituição, maiorias eleitorais, nação, líder...), frequentemente em conflito entre si. Elas não são responsáveis por essas tensões, mas recorrentemente conduzem as FFAA a impasses.  

Por outro lado, as FFAA não querem ficar mais uma vez com a pecha de golpistas, afinal, Bolsonaro foi eleito (com ou sem fraude é outro debate). Da mesma maneira, não desejam abrir espaço para um retorno da esquerda ao governo. Nesse sentido, tão importante quanto acompanhar a movimentação das camadas superiores do governo é perceber a militarização que ocorre no seio da sociedade e as alterações que ocorrem na percepção do povo brasileiro sobre as FFAA. Para isso, é preciso levar em conta a cultura violenta e autoritária que estrutura o país e o tipo de transição do regime burocrático autoritário para o governo democrático que aqui se construiu. Mas isso é tema para outro artigo.

Estas análises são feitas diante da explosão dos casos de coronavírus no Brasil, que, sem dúvida, será o maior teste que as FFAA terão das suas capacidades. Simultaneamente, é uma janela de oportunidade para a militarização da política. Sem dúvida, as FFAA sairão desse processo em outro patamar. Se melhor ou pior, veremos. Assim como para o mundo, os próximos meses determinarão o que será esse século para o Brasil.

Terminamos com nova advertência. Propositadamente, este texto não focou em questões de defesa, mas estas vêm sendo impactadas pelo governo Bolsonaro e pelo comportamento partidarizado dos seus principais servidores públicos, os militares. Exemplo claro nesse sentido e que expôs o país a constrangimento internacional e mal-estar com seus vizinhos foi o documento vazado com cenários prospectivos para 2040, elaborado pela Escola Superior de Guerra (RJ), cuja principal hipótese de conflito é com a França.

Militares-no-Poder-com-Jair-Bolsonaro.jpg

 

24
Mar20

Duas observações sobre a MP genocida

Talis Andrade

bolsonaro verme.jpeg

 

Por Gilberto Maringoni

Primeira

A Medida Provisória (MP 927), decretada por Bolsonaro na calada da madrugada - como convêm às ações milicianas - não é obra feita em cima da perna, no final de um domingo de confinamento. É extensa e complexa: tem 12 capítulos, 47 artigos e mexe com diversas outras legislações. Foi pensada, estudada e articulada exaustivamente, enquanto a quadrilha palaciana apresentava seus showzinhos em coletivas e lives ao longo da semana. 

É ação sincronizada com a plutocracia e escancara a opção classista governamental de uma forma que nem o fascismo ou o nazismo fizeram. 

Para não parecer exagerada a afirmação, vale lembrar que nem na Alemanha e na Itália dos anos 1930-40 os ataques aos trabalhadores nacionais foi tão frontal. Legislações laborais e iniciativas para ampliar o número de moradias e linhas de transportes visavam estabelecer regras - de proteção e controle - em economias que se recuperavam de crises profundas. Os ataques se deram contra comunistas, socialistas, judeus, ciganos, gays etc. Ou seja, contra quem em tese atentava contra o mito da unidade racial.

Não se trata aqui de aliviar regimes assassinos, mas de evidenciar a gravidade do que o presidente brasileiro está cometendo. Bolsonaro os supera nesse quesito. 

Segunda

Bolsonaro e Paulo Guedes valem-se do padrão Ustra de governança. Lançam uma norma brutal no momento em que o trabalhador está confinado em sua casa, assustado e na defensiva por força da pandemia. Ou seja, quando suas vítimas estão imobilizadas. É a lógica da tortura.

Brilhante Ustra e os açougueiros que o ladeavam eram sobretudo covardes. Só se mostravam valentes com inimigos amarrados e imobilizados, para praticar suas sevícias bestiais. 

O boçal segue estritamente a cartilha de seu ídolo.

No link, a íntegra da MP:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Mpv/mpv927.htm.

06
Mar20

STF nega HC preventivo a Zambelli e Kicis, que fizeram ataque fascista a Gleisi

Talis Andrade

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O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento a dois habeas corpus preventivos em que as deputadas federais Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) pediam que a Corte impedisse ‘qualquer coação ou restrição de liberdade’ por terem compartilhado nas suas redes sociais vídeo em que a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) é hostilizada ao deixar um hotel no Rio de Janeiro junto com sua filha. A informação é do jornal Estado de S.Paulo. 

Os HCs preventivos foram impetrados após a Gleisi apresentar petições à Corte pedindo envio de representação à Procuradoria-Geral da República para que as deputadas sejam denunciadas por apologia ao crime. Ao avaliar o caso, Lewandowski registrou que o recebimento de representação de Gleisi contra as Carla Zambelli e Bia Kicis não iria causar ‘constrangimento ou qualquer limitação às esferas de direitos’ das deputadas do PSL.

RAPHAEL VELEDA in Metropóles conta o barraco das duas deputadas do PSL, partido que elegeu Bolsonaro presidente:
 

A disputa entre as parlamentares se dá em torno de um vídeo divulgado no último domingo (01/03), que mostra Gleisi, acompanhada de uma filha menor de idade, sendo hostilizada e discutindo com militantes políticos em um hotel, inclusive com tentativas de agressão física.

Gleisi foi ao Supremo porque as colegas divulgaram as cenas com mensagens de apoio aos agressores. “As deputadas representadas parabenizam e incentivam os atos violentos praticados contra Gleisi Hoffmann, incitando que mais atitudes como essas se repitam. A atitude das deputadas extrapola consideravelmente os limites da liberdade de expressão e da legalidade”, registra a denúncia da petista.

"Eu, deputada Carla Zambelli, não tenho o hábito de aplaudir atitudes de intimidação frente à pessoas, principalmente quando estão em menor quantidade. Mas, nesse caso, bato palmas para os cidadãos, pois não vejo como intolerância. É a tal da lei do retorno", postou ela em seu facebook.

"Pessoas como ela, precisam entender que se não estão na prisão de fato, devem permanecer em prisão domiciliar e não devem ser bem vindas em qualquer lugar", afirmou ainda Carla.

A deputada federal Bia Kicis divulgou em suas redes sociais neste domingo (1) um vídeo que mostra as agressões verbais contra a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann. Na legenda, a deputada escreve:

“Perdoem-me por invadir o domingo de vcs com uma visão dos infernos mas tinha que compartilhar c/ vcs a amante mais querida do Brasil recebendo o amor que ela merece. E no final, ela não resiste e solta o nome que ela não consegue esquecer”, escreveu Kicis, em referência ao trecho do vídeo que mostra Gleisi chamando seus agressores de “Bolsonaro”.

 
Vera Magalhães
 
@veramagalhaes
 
Tem algo muito errado quando uma deputada federal comemora a agressão contra uma colega em frente à filha menor de idade. Deputada, visão do inferno é esse seu tuíte.

Agressores identificados

Neste domingo (1), pelo Twitter, Gleisi expôs o casal que participou das agressões. Ela postou um print do Facebook com uma foto deles e escreveu:

“Este é o casal da tentativa de nos agredir no RJ. Ele deveria contar a verdade sobre o q aconteceu e não se vangloriar de um feito inexistente. Mesmo assim, a foto é válida para a identificação e o processo que irão responder. Valeu”.

Gleisi Hoffmann@gleisi

Este é o casal da tentativa de nos agredir no RJ. Ele deveria contar a verdade sobre o q aconteceu e não se vangloriar de um feito inexistente. Mesmo assim, a foto é válida para a identificação e o processo que irão responder. Valeu!

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