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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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21
Jun21

'Marco sombrio' de 500 mil mortes e 'protestos contra o presidente': a tragédia brasileira na imprensa internacional

Talis Andrade

Protesto contra governo do presidente Jair Bolsonaro neste sábado (19) em Brasília — Foto: REUTERS/Adriano MachadoProtesto contra governo do presidente Jair Bolsonaro neste sábado (19) em Brasília — Foto: REUTERS/Adriano Machado

 

Milhares de pessoas protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro em todos os estados brasileiros no sábado (19/6), mesmo dia em que o país alcançou o marco de meio milhão de mortos na pandemia

 

por BBC

O trágico número de 500 mil brasileiros mortos em decorrência da covid-19registrados no sábado (19/6) e os protestos contra o presidente Jair Bolsonaroocuparam as páginas dos principais veículos internacionais neste fim de semana.

A cobertura da imprensa internacional sobre os 500 mil mortos no Brasil e as marchas afirma que há uma indignação crescente dos brasileiros contra o presidente Jair Bolsonaro - apontado, nos protestos, como culpado pelo número alto de vítimas da pandemia no país. Também retrata a situação "crítica" do Brasil, onde a vacinação lenta e o descontrole do vírus pode levar a uma terceira onda e um número maior de mortos pelo vírus.

"Brasil ultrapassa marco sombrio de 500 mil mortes por covid-19 em meio a protestos contra a resposta de Bolsonaro", diz o título de reportagem do jornal britânico The Independent.

A foto principal que ilustra a reportagem é de uma mulher em um protesto com a frase "Fora Bolsonaro" estampando sua máscara.

 O jornal britânico The Independent retrata as manifestações no Brasil no dia em que se atingiu 500 mil mortes por Covid-19. — Foto: Reprodução

O jornal britânico The Independent retrata as manifestações no Brasil no dia em que se atingiu 500 mil mortes por Covid-19. — Foto: Reprodução

 
 

No sábado (19/06), mesmo dia em que o Brasil alcançou 500 mil mortes na pandemia, milhares de pessoas em todos os 26 Estados do Brasil, além do Distrito Federal e cidades do exterior, saíram em manifestações contra Bolsonaro.

"Críticos dizem que a rejeição de Bolsonaro às restrições à covid-19, como medidas de distanciamento social e uso de máscaras, e sua promoção de tratamentos refutados, como a hidroxicloroquina, são em parte responsáveis pelo enorme número de mortes no país e pela lenta campanha de vacinação", diz a reportagem do Independent.

O jornal britânico The Guardian registrou em reportagem que os protestos contra Bolsonaro têm ganhado "impulso" em meio a uma curva ascendente de casos de covid-19 no país.

"O presidente brasileiro, que subestimou a pandemia e resistiu às medidas de contenção, está sendo investigado no Congresso porque seu governo ficou para trás na aquisição de vacinas, mas incentivou o uso de drogas ineficazes como a cloroquina", registrou o jornal.

O jornal britânico The Guardian registrou que manifestações contra o presidente Bolsonaro tem ganhado impulso. — Foto: Reprodução

O jornal britânico The Guardian registrou que manifestações contra o presidente Bolsonaro tem ganhado impulso. — Foto: Reprodução

A BBC destacou como o Brasil alcançou 500 mil mortes em meio a uma situação "crítica", com uma crise que pode piorar pela vacinação lenta e o início do inverno.

 

"O vírus continua a se espalhar enquanto o presidente Jair Bolsonaro se recusa a apoiar medidas como o distanciamento social."

O portal do jornal BBC destacou que o Brasil alcançou 500 mil mortes em meio a uma situação "crítica". — Foto: Reprodução.

O portal do jornal BBC destacou que o Brasil alcançou 500 mil mortes em meio a uma situação "crítica". — Foto: Reprodução.

O espanhol El País publicou reportagem no sábado (19/6) destacando como os "meio milhão de mortos" por covid-19 compõem o segundo maior número do mundo.

"O triste marco de 500.000 mortos é chocante. O único país onde mais pessoas perderam a vida devido à doença foram os Estados Unidos", diz o texto, em que há vozes de brasileiros que perderam entes queridos.

O espanhol El País destacou como os "meio milhão de mortos" por covid-19 compõem o segundo maior número do mundo. — Foto: Reprodução

O espanhol El País destacou como os "meio milhão de mortos" por covid-19 compõem o segundo maior número do mundo. — Foto: Reprodução

 

"A perda de meio milhão de vidas no Brasil ocorre em um momento em que o governo de Jair Bolsonaro é pressionado por uma investigação do Senado sobre a condução da pandemia", destaca o El País.

"Os depoimentos coletados na investigação do Senado também mostram que por negligência o governo parou de negociar e comprar vacinas em 2020, quando o Bolsonaro ignorou dezenas de e-mails da farmacêutica Pfizer oferecendo seu produto."

A informação de que o Brasil se tornou o segundo país do mundo a superar 500 mil mortos por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, também foi destaque no jornal The Times of Israel.

The Times of Israel também destacou que o Brasil é o segundo país a atingir a marca de 500 mil mortos. — Foto: Reprodução

The Times of Israel também destacou que o Brasil é o segundo país a atingir a marca de 500 mil mortos. — Foto: Reprodução

No americano The Washington Post, uma reportagem da Associated Press mostra como manifestantes foram às ruas em diversas cidades do Brasil no dia em que o Brasil chegou a 500 mil mortes por covid-19 - "uma tragédia que muitos críticos atribuem à tentativa do presidente Jair Bolsonaro de minimizar a doença".

The Washington Post mostra como manifestantes foram às ruas em diversas cidades do Brasil no dia em que o Brasil chegou a 500 mil mortes por covid-19. — Foto: Reprodução.

The Washington Post mostra como manifestantes foram às ruas em diversas cidades do Brasil no dia em que o Brasil chegou a 500 mil mortes por covid-19. — Foto: Reprodução.

 

Uma reportagem da Al Jazeera apontou como há especialistas que dizem que o número de mortes por covid-19 no Brasil deve crescer ainda mais. Também registrou as críticas que o governo Bolsonaro enfrenta por ter "perdido oportunidades de comprar vacinas".

"Manifestantes em todo o país criticaram o governo pelo alto número de mortos e pediram a saída do presidente", diz a reportagem.

Reportagem da Al Jazeera apontou como há especialistas que dizem que o número de mortes por covid-19 no Brasil deve crescer ainda mais. — Foto: Reprodução.

Reportagem da Al Jazeera apontou como há especialistas que dizem que o número de mortes por covid-19 no Brasil deve crescer ainda mais. — Foto: Reprodução.

"Brasil superou os 500 mil mortos por coronavírus e manifestantes repetem marcha contra Jair Bolsonaro", diz o título de reportagem do jornal argentino El Clarín. O texto destacou um tuíte do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, lamentando as "500 mil vidas perdidas" e dizendo estar trabalhando "incansavelmente para vacinar todos os brasileiros no menor tempo possível".

Nas principais cidades do país, diz o Clarín, "milhares de pessoas voltaram a sair às ruas para protestar contra Bolsonaro, a quem chamam de 'genocida' por sua política sanitária".

"Brasil superou os 500 mil mortos por coronavírus e manifestantes repetem marcha contra Jair Bolsonaro", diz o título de reportagem do jornal argentino El Clarín. — Foto: Reprodução.

"Brasil superou os 500 mil mortos por coronavírus e manifestantes repetem marcha contra Jair Bolsonaro", diz o título de reportagem do jornal argentino El Clarín. — Foto: Reprodução.

 

 

VÍDEOS: Manifestantes fazem atos contra Bolsonaro e a favor da vacina

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Grupo de vândalos depreda agência bancária e taca fogo em lixo após manifestaçãoManifestantes protestam contra Jair Bolsonaro na noite de sábado (19) em São Paulo
 

 

17
Mai21

CPI da Pandemia e as rachaduras no poder

Talis Andrade

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Por João Paulo Cunha /Brasil de Fato

 
A CPI da Pandemia está revelando uma realidade inquestionável: o bolsonarista-raiz que participa do governo é politicamente inútil, tecnicamente despreparado e psicologicamente fraco. São pessoas que trazem consigo o pior que vem da alma, a mais fraca relação com o conhecimento técnico e com o que há de menor em termos de responsabilidade social. Além das carências pessoais e públicas, exibem um comportamento medíocre, temeroso e arrogante. Os depoimentos de Wajngarten e Queiroga, ex-ministro das Comunicações e atual da saúde, são exibições de baixeza humana. Ratos seria a descrição mais exata.

Em primeiro lugar, mentiram, o que já é muito grave numa comissão parlamentar de inquérito. Em seguida, se esquivaram de afirmar posições para as quais foram e são pagos para exercer: negaram a condução de campanhas de incentivo à circulação e de estímulo ao uso de medicamentos que agravam a doença. Abjuraram do negacionismo que professavam em publicidade pública e protocolos sanitários, inclusive com gasto de dinheiro público. Deixaram de comprar vacinas quando isso era possível. Para completar, além de mentirosos, cruéis e fraudulentos, foram reticentes frente às próprias convicções. Em resumo, falsos, corruptos e covardes.

Há uma lei da compensação entre os fracos de caráter que ocupam posições para as quais não estão preparados: defendem com unhas e dentes seus patrocinadores e jogam sempre a responsabilidade para o outro. Wajngarten, por exemplo, em entrevista recente, despejou em Pazuello a culpa pela perda da oportunidade de comprar as vacinas da Pfizer, deixando mofar a proposta do laboratório por dois meses e milhares de vidas perdidas. Achava que assim protegeria Bolsonaro e se livraria da própria irresponsabilidade. Quando percebeu que estava no mesmo barco, não teve saída que não voltar atrás e criar uma situação sem saída: ou mentiu antes ou mente agora.

Para eximir o chefe preferiu abrir mão da verdade
 
Já Queiroga desceu ainda mais baixo na escala de valores de civilização. Não rifou apenas seu cargo, mas sua ética, seu juramento e sua identidade profissional como médico cardiologista. Sua incapacidade de afirmar valores científicos para validar uma fraude política – o uso da cloroquina – foi patética. Se não perder o cargo e mesmo a liberdade, já perdeu a credibilidade moral. Para eximir o chefe preferiu abrir mão da verdade. Valores fundamentais, depois de sacrificados no altar das conveniências, não são mais passíveis de resgate. O médico Queiroga já não existe, o ministro, pelo visto, nunca esteve no cargo.

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A mesma lógica parece estar presente na ação e atitudes dos auxiliares do presidente que carregam patentes antes dos nomes. Os militares sempre foram orgulhosos de duas características primárias: a disciplina e a hierarquia. Pode parecer que são sinônimos, mas muitas vezes batem continência para lados distintos. Uma coisa é seguir ordens criminosas que podem levar ao agravamento da pandemia, em nome de interesses localizados, ideológicos ou eleitorais. Outra é garantir o cumprimento das diretrizes legais, dentro do marco constitucional e dos indicadores da razão e da ciência, independentemente da linha de comando.

Pazuello e Barra Torres são exemplos dessa postura difusa no corpo militar brasileiro. O general da saúde deixou claro que obedecer cegamente o chefe é seu mantra; o contra-almirante da Anvisa professou valores da ciência sem medo de discordar do presidente. Não é um acaso que, mesmo melhor situado na hierarquia, o general mostre hoje medo de depor e de ser preso, esquivando-se como não se espera de um soldado. Já o responsável pela agência de vigilância sanitária coloca a identidade militar em suspensão provisória em favor de uma postura técnica, aparentemente independente e juridicamente segura.

Essa divisão é importante por vários motivos. Além de mostrar que não existe um alinhamento automático das Forças Armadas com o presidente Bolsonaro (e “seu” Exército), tem o potencial pedagógico de apontar para o papel dos militares na sociedade brasileira. O mais significativo, no entanto, é a dimensão política que fica subentendida na situação. Não há ordem unida em torno do presidente, a não ser em meio aos boçais que o apoiam de forma irrestrita, que são expressivamente numéricos, embora autolimitados. O jogo está duro, mas não está perdido.

Cisão entre militares

A cisão entre os militares aponta para um dado essencial nesse momento: a necessidade de resgatar a articulação política em torno do crescimento da dissidência do projeto de poder de Bolsonaro. A cada dia, setores que se identificaram com o presidente expressam seu desconforto em participar de um programa de destruição sistemática da democracia brasileira, dos empresários à imprensa. Essa onda, ainda que constrangida, pelo visto chegou aos militares. E os homens na sala precisam estar atentos à necessidade de fazer política nessa hora. As rachaduras estão na antessala da caserna.

No século XIX, o pensador alemão Nietzsche defendia uma filosofia feita a marteladas. A política também pode lucrar com esse método, ampliando as brechas que se abrem, com marretadas precisas. Entre os consensos possíveis neste momento está a convicção de que é preciso afastar Bolsonaro do poder, pelo impedimento urgente, pela eleição no ano que vem ou por uma revolução, o que vier primeiro. A continuidade do governo, sob qualquer forma de expressão, será a derrocada radical não apenas da república instaurada pelo pacto da Constituição de 1988, mas da democracia brasileira em si. Não será apenas a vitória de um projeto regressivo, autoritário e de extrema direita, mas um sinal de consolidação do Estado de exceção.

O projeto das forças populares não é hegemônico e se apresenta dividido. O que, em si, não é um problema e deriva da legitimidade das diferentes propostas possíveis. O que não é aceitável é que essa pluralidade não se encaminhe para uma união necessária no caso de um confronto direto. Desde já. O esforço não é afirmar protagonismos, mas justamente o contrário. E, nessa hora, todos que são contra Bolsonaro precisam estar do mesmo lado, até como condição de possibilidade de sobrevivência das pessoas, das ideias e das instituições. Os militares incluídos.

A cisão do bloco fardado precisa ser considerada com atenção por todos que se preocupam com o destino histórico do país. É preciso conversar com quem quiser conversar, independentemente da origem e da ideologia. Fazer política, nessa hora, exige um ato de coragem e superação, inclusive de estar ao lado de antigos adversários, quando o horizonte é de combate ao inimigo mortal. As palavras têm sentido e é preciso estar atento a elas.

Que a marreta faça seu trabalho saneadorpol

Numa democracia madura, como destaca o filósofo e cientista político Marcos Nobre, lida-se sempre com adversários e conflitos; no terreno fora da política, a luta é contra inimigos, não há espaço para consensos construídos, mas apenas para jogo de perde e ganha. É para esse território que Bolsonaro tem empurrado o país, na sua fábula dos “bons brasileiros”. Não se pode deixar que ele dê as cartas ou sua vitória será inevitável. Os militares talvez tenham percebido isso antes de certos setores da esquerda. 

O ideal é que o jogo de fortalecimento de uma frente viável se desse ao mesmo tempo do crescimento do movimento de massas e de protesto nas ruas. Mas não parece ser o horizonte em tempos de pandemia, infelizmente. Sem falar da estrutura de defesa articulada pelo governo em torno das instituições de controle, como os tribunais superiores, o Ministério Público e parte da PF. 

Além disso, as candidaturas postas e os pedidos de impeachment represados no Congresso não são garantia em si de nada. De um lado, o custo dos projetos pessoais e partidários, todos legítimos e igualmente insuficientes. De outro, a sequência do jogo de corrosão do sistema por dentro da máquina, com uso de recursos públicos, emendas e outros esquemas corruptores.

A CPI da Pandemia está exibindo o espetáculo de gente menor, de que é feito o governo e suas ações. Pessoas capazes de muita destruição, que causaram muitas mortes evitáveis e que, por isso, devem ter seus atos apurados e punidos exemplarmente. Mas, por si só, a comissão talvez não seja capaz de mudar o jogo, embora aponte descaminhos graves e ajude a balizar a opinião pública.

Há riscos muito maiores que as mentiras por trás dos roedores que prestam depoimentos na CPI. Wajngarten, Pazuello, Araújo, Guedes e Queiroga, como nulidades humanas e morais, não são o perigo, mas o rebotalho da verdadeira tragédia brasileira. É pela boca covarde deles que o rato ruge seu esgar de ódio e destruição. Até que as rachaduras do poder não sejam mais disfarçadas. Ou que a marreta faça seu trabalho saneador.

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14
Mai21

Professores da Unicamp, USP e advogados pedem exame da sanidade mental de Bolsonaro ao STF

Talis Andrade

Dona Maria em retrato de 1808

Dona Maria em retrato de 1808

Do 247 /Carta de Campinas

Um grupo de advogados e professores pediu ao Supremo Tribunal Federal, nesta quinta-feira (13/5), que o presidente Jair Bolsonaro seja submetido a exames para avaliar se ele tem condições mentais de exercer as funções de presidente. Se não for o caso, eles pedem que a Corte declare Bolsonaro incapaz e, consequentemente, o afaste da Presidência da República.

São autores da ação civil os professores de Filosofia Renato Janine Ribeiro (Universidade de São Paulo), que já foi ministro da Educação, e Roberto Romano (Universidade Estadual de Campinas); os professores de Direito Pedro Dallari (USP) e José Geraldo de Sousa Jr. (Universidade de Brasília); e os advogados Alberto Zacharias Toron, Fábio Gaspar e Alfredo Attié, presidente da Academia Paulista de Direito. Eles são representados pelos advogados Mauro de Azevedo Menezes e Roberta de Bragança Freitas Attié.

Livro D. Maria I, a Rainha Louca | Livros Usados

 

Não seria a primeira vez que o Brasil teria um governante afastado por insanidade mental. D. Maria I foi a Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a partir do final de 1815 até sua morte. De 1792 até sua morte, seu filho mais velho João atuou como regente do reino em seu nome devido à sua doença mental. Era a filha mais velha do rei José I e sua esposa a infanta Mariana Vitória da Espanha.

Na ação, os autores dizem que Bolsonaro não só deixa de tomar medidas para combater a epidemia de Covid-19 como estimula a população a adotar comportamentos que facilitam a contração do coronavírus e recomenda tratamentos ineficazes, como a cloroquina. Além disso, sustentam que o presidente não demonstra empatia nem sentimento de humanidade. Tanto que frequentemente minimiza os danos da epidemia.

Os professores e advogados citam psicólogos e psiquiatras que afirmam que Bolsonaro apresenta indícios de transtorno de personalidade paranoide. Tal condição faz com que a pessoa tenha “um padrão de desconfiança e suspeita difusa dos outros, de modo que suas motivações são interpretadas como malévolas”, segundo o Manual Estatístico e Diagnóstico (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana.

“No caso de Jair Bolsonaro, a fantasia é a de um complô sempre preparado contra si mesmo, levado a cabo por inimigos imaginários, cujos fundamentos ele busca fundar em apreciações pseudocientíficas da realidade, levadas a efeito por arremedos de pensadores que, em verdade, importam, servilmente, no velho comportamento colonialista brasileiro, doutrinas místicas, sob a capa de saberes filosóficos ou sociológicos. Há, nessa imaginação autodestrutiva — e que deseja destruir a sociedade brasileira, sua riqueza, sua democracia e sua soberania — a fantasia de um ‘vírus chinês’, que deseja controlar o mundo, um apego e uma entrega ao ‘ombro amigo americano'”, apontam os autores.

D. MARIA I: AS PERDAS E AS GLORIAS DA RAINHA QUE ENTROU PARA A HISTORIA  COMO "A LOUCA" - 1ªED.(2019) - Mary Del Priore - Livro

Segundo eles, Bolsonaro não tem os mínimos conhecimentos da realidade brasileira e internacional. Pior: o presidente “possui incapacidade de adquirir esses conhecimentos e incapacidade de escolher como auxiliares quem tenha capacidade de suprir essa incapacidade”. “Ele se cerca daqueles em que possa abrigar sua autoimagem, de espelhos com os quais dialoga de modo absurdo, (…) repetindo constantes estereótipos de si e do mundo, cuja complexidade o sufoca”.

O chefe de Estado e governo deve ter as funções mentais íntegras, como estabilidade emocional, autocontrole, flexibilidade, ajuizamento adequado da realidade, capacidade de discernir críticas de ataques e clareza de raciocínio, destacam os professores e advogados.

“Considerando a alta probabilidade de Jair Bolsonaro apresentar um transtorno de personalidade paranoide, e considerando os prejuízos que tal diagnóstico traz para as funções mentais mínimas para o exercício da função de tão alta responsabilidade, há mais do que razoável suspeita de que ele não seja apto para ser presidente em função de sua condição mental”.

Dessa maneira, eles pedem que Jair Bolsonaro seja submetido a exames para avaliação de sua capacidade de praticar atos relativos à função de presidente da República. Se os resultados apontarem sua inaptidão para o cargo, os autores pedem o afastamento liminar de Bolsonaro. Nesse caso, os professores requerem que, ao final do processo, o Supremo declare a incapacidade do presidente. 

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