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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Mai20

Bolsonaro ganhou de Moro uma peça publicitária

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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A divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril foi pedida pela defesa de Sérgio Moro como prova da interferência do Bolsonaro na Polícia Federal para proteger filhos, amigos & esquemas milicianos do clã.

Catalogar aquele aglomerado de gângsteres de 22 de abril como uma “reunião ministerial” é um eufemismo para aquilo que mais se parece com um “encontro de alinhamento” do “Escritório do Crime”, a organização miliciana que domina o território de Rio das Pedras, no Rio.

Apesar da escatologia revelada, a decepção com o conteúdo do vídeo, pelo menos no que concerne ao escopo do inquérito criminal conduzido pelo STF, é diretamente proporcional à expectativa que se criou em relação à sua divulgação.

É notável o empenho do jornalismo da Globo em construir um relato pró-Moro. O ex-ministro bolsonarista, entretanto, continua devendo provas robustas para conseguir se livrar de eventual condenação por denunciação caluniosa proposta pela PGR.

O vídeo confirma o que é um consenso do mundo jurídico nacional e internacional: o ex-juiz Moro, que com seus comparsas da Lava Jato corrompeu o sistema de justiça do Brasil, continua não entendendo absolutamente nada sobre o que é uma prova em processo criminal.

No encontro indecoroso da horda de Rio das Pedras teve de tudo, mas só faltou a prova cabal da acusação do Moro, ainda que seja amplamente sabido que Bolsonaro interfere diretamente na PF para salvar a si mesmo e aos seus.

Agora sem o poder que tinha como juiz para aparelhar a Lava Jato – e manipular/chefiar procuradores federais, ministros do STJ e do STF, desembargadores e policiais federais – Moro passou a experimentar dificuldades inauditas na sua carreira de corruptor do sistema de justiça do país.

Em que pese a debilidade da prova específica pretendida por Moro, o encontro de 22 de abril evidenciou que vários integrantes do Escritório do Crime são potenciais candidatos ao banco de réus.

É o caso, por exemplo, do próprio Bolsonaro, que ameaçou armar a população, “porque é fácil ter uma ditadura no Brasil”.

É o caso, também, do ministro Abraham Weintraub, que defendeu a ida dos 11 “vagabundos” do STF para a cadeia; assim como é o caso do ministro Ricardo Salles, que propôs aproveitar o momento de “distração” da imprensa com a pandemia “para passar toda a boiada” de crimes contra o ambiente, a agricultura e a cultura; ou do pinochetista Paulo Guedes, que propôs o crime de lesa-pátria de liquidação do Banco do Brasil na bacia das almas.

Além de se colocar em desvantagem no inquérito no STF, Moro produziu uma potente peça publicitária para Bolsonaro no papel de justiceiro do Brasil. Com esta máscara, Bolsonaro rouba o lugar de Moro e posa de “vítima do sistema” [sic].

Por mais repugnante, asqueroso e indecoroso que possa ter sido aquele encontro de gângsteres em 22 de abril, aquilo é um bálsamo para os bolsonaristas fanatizados.

Aquela linguagem tosca, o dantesco, a perspectiva tacanha da vida e a visão racista de mundo têm enorme ressonância na subjetividade de cerca de 25% a 30% da população brasileira. O que é, enfim, revelador da tragédia em que estamos enfiados.

Por enquanto, Moro ficou na chuva, e produziu uma peça publicitária de alto valor para Bolsonaro. A única coisa que ficou provada neste processo é que o sigilo do vídeo teria sido mais prejudicial a Bolsonaro do que sua publicidade.

18
Mai20

O Congresso, o STF são poderes de República, e como tais, a resposta tem que ser institucional, usando seus poderes contra as ameaças de golpe dos bolsonaristas

Talis Andrade

 

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II - Mariana Alvim entrevista Sérgio Abranches

BBC News Brasil - O senhor costuma se referir ao impeachment como um processo traumático, sinal de uma democracia ainda instável. No mandato atual, partidos até mesmo de oposição, como o PT, hesitaram em assumir um clamor pelo impeachment de Bolsonaro com argumentos parecidos. Um eventual impeachment dele seria uma ruptura indesejável para a democracia brasileira?

Sérgio Abranches - Não, porque o governo Bolsonaro é uma ruptura indesejável pra democracia brasileira. Isso é o que faz toda a diferença. Nem Fernando Collor nem Dilma Rousseff investiram contra a democracia. Na verdade, eles respeitaram muito a regra do jogo.

Recentemente, eu estava escrevendo um artigo sobre a importância dos politólogos passarem a analisar a questão do meio ambiente, e eu falava da importância que o Brasil já teve nesses fóruns multilaterais, que está perdendo completamente porque o governo Bolsonaro está destruindo a diplomacia brasileira e as políticas de proteção à biodiversidade e de combate à mudança climática.

Eu lembrei que Collor, em um dos momentos mais dramáticos do escândalo que levou ao impeachment dele — as acusações de seu irmão —, estava presidindo as reuniões de chefes de Estado durante a Rio-92. E ele a presidiu com a maior tranquilidade. Ele deixou todo o processo correr sem nenhuma tentativa de interferir na liberdade das instituições que investigavam, e nem na liberdade de imprensa, apesar de evidentemente estar indignado com as coisas que saíam.

No caso da Dilma, ela não tentou interferir de forma alguma, e durante os governos do PT, não houve nenhuma tentativa de ingerência do governo federal no Ministério Público Federal (MPF).

Agora, estamos vendo exatamente o contrário. O presidente ofende a imprensa, tenta interferir na autonomia da Polícia Federal. Já interferiu na autonomia do MPF com a nomeação de um candidato fora da lista (tríplice, com indicação de nomes pelos próprios procuradores, como era de praxe nas outras gestões), e que tem despachado com o presidente no Palácio do Planalto, o que é uma exorbitância.

Então, na verdade, estamos vivendo uma situação de anormalidade, de instabilidade política crônica, que começou logo depois da reeleição da Dilma.

E Bolsonaro já cometeu muito crime. O hall de crimes comuns e de responsabilidade que o Bolsonaro já cometeu ultrapassa muito tudo o que pesou contra o Collor e contra a Dilma para os impeachments deles. Então tem mais do que base jurídica para fazer e mais do que razão política para fazer, porque ele está conspirando, trabalhando contra a democracia de dentro. Como o (primeiro-ministro) Viktor Orbán faz na Hungria.

E as instituições ainda não estão respondendo com a força suficiente ou proporcional ao grau de risco que o Bolsonaro representa à democracia brasileira. Tanto o Congresso quanto o Judiciário têm sido muito condescendentes.

 

BBC News Brasil - Algum exemplo recente dessa reação insuficiente te ocorre?

Abranches - A resposta à ida de Bolsonaro para a porta do Quartel General do Exército em Brasília(em 19 de abril), onde fez um discurso diante de um grupo que pedia o fechamento do Congresso e do STF, que pedia um ato de excepcionalidade que interrompesse a vigência da Constituição, e que pedia a intervenção militar com Bolsonaro no poder. Isso é um crime. Fazer a pregação contra a democracia e defender o fechar das instituições, é crime — do ponto de vista do presidente, um crime de responsabilidade.

Isso foi grave demais — na minha avaliação, foi o grande divisor de águas.

Qual foi a resposta do Congresso e do Judiciário? Notas. Notas escritas em termos moderados, como se fosse apenas um pequeno deslize. Não foi um pequeno deslize. Foi um gravíssimo ato de ataque às instituições democráticas. Esse caso é emblemático da desproporção entre os absurdos que o Bolsonaro comete e as respostas com luvas de pelica que o Congresso e o Supremo dão.

Essas instituições não são grêmios estudantis, não são sindicatos, não são uma entidade da sociedade civil — são poderes de República, e como tais, a resposta tem que ser institucional, usando seus poderes, e não uma nota de repúdio.

 

BBC News Brasil - Mas tem ações (mirando o comportamento de Bolsonaro) em curso, tanto no STF quanto no Congresso.

Abranches - Agora, no STF, pela primeira vez tem uma ação séria em curso, conduzida pelo decano Celso de Mello. No Congresso, tem vários pedidos de impeachment, como sempre teve, contra o Fernando Henrique, contra o Lula, contra Dilma, contra o Temer...

A questão é que só contra o Collor e a Dilma, o presidente da Câmara, por razões diferentes — e no caso do Eduardo Cunha (ex-presidente da Casa), por razões espúrias — aceitou o pedido de impeachment.

O que Rodrigo Maia está fazendo é o que os presidentes da Câmara fizeram desde os governo Fernando Henrique e Lula, que foram governos democráticos e normais, onde não tinha cabimento impeachment como tem cabimento o impeachment do Bolsonaro.

Mas o Rodrigo Maia está agindo com um grau de condescendência, em nome de uma tranquilidade que não existe — deixando de encaminhar, permitir, que a Câmara use seus poderes.

 

BBC News Brasil - Essa condescendência tem talvez a ver com interesses políticos dele?

Abranches - Não sei. Essa coisa de atribuir razões a comportamentos de atores políticos individuais, esse dilema da atribuição, é uma coisa muito complicada.

"Ah, porque ele está ligado ao Centrão". Não, não acho isso.

"Ele tem uma índole não conflituosa, gosta de compromisso". Também não sei, nunca fiz análise de personalidade do Rodrigo Maia.

 

BBC News Brasil - Mas tem vários ministros do DEM (partido de Maia) no governo.

Abranches - É, mas sempre com o proviso de que o DEM não está no governo, que as nomeações não passaram pela liderança e etc. Essa questão da atribuição é muito complicada.

Eu imagino que uma das razões — e isso o Rodrigo Maia sabe fazer muito bem, como poucos — é sua avaliação da temperatura do plenário. Talvez ele ache que a temperatura do plenário ainda não chegou no ponto em que é seguro para ele acatar um processo de impeachment, para não parecer que foi uma tentativa pessoal que fracassou.

Mas realmente, com toda a sinceridade, não sei por que (Maia está optando pela "condescendência").

 

BBC News Brasil - E o Alcolumbre (Davi Alcolumbre, presidente do Senado, também do DEM)?

Abranches - O padrão de comportamento dele é mais claro: ele é muito mais governista do que não-governista. Ele não tem o mesmo grau de resposta que o Rodrigo Maia tem levando em consideração quem o elegeu no Senado. O Rodrigo Maia sabe que a coalizão que o elegeu na Câmara dos Deputados tem um componente grande da oposição, inclusive da esquerda. Então, ele evidentemente tem que tomar decisões tentando conciliar o grupo governista com a coalizão que é "rodriguista", quem o apoiou para a eleição.

Já para Alcolumbre pesa menos a coalizão que o elegeu, até porque sua eleição foi incidental, fortuita — não é o caso do Rodrigo. E ele (Alcolumbre) tem menos legitimidade, menos capacidade de controle do plenário, então o caso dele é diferente — ficar mais com os governistas é conveniente para ele.

 

BBC News - Por que o senhor falou anteriormente em uma "ação finalmente séria" do STF?

Abranches - Séria porque o ministro Celso de Mello tomou todas as iniciativas necessárias para viabilizar um inquérito e um processo contra os crimes de responsabilidade e comuns que Bolsonaro cometeu ao fazer pressão sobre o Moro para trocar o superintendente do Rio de Janeiro da Polícia Federal.

Ele (Mello), do ponto de vista do STF, fez tudo que estava no alcance dele, do poder dele legítimo e constitucional. Tem instruído o processo com celeridade e seriedade. Está conduzindo o processo como deveria, de acordo com o figurino — como dizem os americanos, by the book.

O problema é que tem uma peça do Judiciário que está claudicante: o procurador-geral da República.

Não há garantia nenhuma. O grau de confiabilidade do (Augusto) Aras é baixo. Portanto, ele tem que provar que é capaz de tomar uma posição isenta, e não favorável ao Bolsonaro, independentemente do indicativo de crime. Se ele arquivar, se recusar a apresentar uma denúncia; ou apresentar uma denúncia contra o Moro, vai estar fraudando o papel do MPF e vai estar dando uma manifestação muito clara de que o MPF se politizou, que a PGR se politizou.

Arquivando o processo, não há nada que o Supremo possa fazer a respeito. Imagino que haja procedimentos de análise do comportamento do procurador-geral. Não sou advogado, não entendo perfeitamente como funcionaria, mas acho que há procedimentos, digamos, disciplinares, que podem ser aplicados no caso de ser muito flagrante a decisão dele favorável ao Bolsonaro. Mas isso é futuro, estamos especulando. (Continua)

17
Mai20

Bolsonaro e pelo menos 11 ministros participam de ato pró-governo e uso de cloroquina

Talis Andrade

 

O presidente Jair Bolsonaro e pelo menos 11 ministros recepcionaram neste domingo (17) uma manifestação pró-governo cujos participantes, após uma carreata, se concentraram  em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília.

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Em transmissão ao vivo por uma rede social, Bolsonaro pediu aos manifestantes que não usassem palavras de ordem antidemocráticas, como em atos anteriores.

"Nem uma faixa nem uma bandeira que atente contra a nossa Constituição, contra o estado democrático de direito. Nisso, o movimento está de parabéns", afirmou Bolsonaro.

Com faixas como "Hidroxicloroquina já" e gritos de "Cloroquina", defendiam a substância propagandeada pelo presidente como remédio para a cura da covid-19, doença provocada pelo coronavírus, que até este domingo já matou mais de 15 mil pessoas e deixou mais de 233 mil doentes no país.

Estudos científicos indicam que não há evidências da eficácia da cloroquina no tratamento do coronavírus – ao contrário, pode provocar efeitos colaterais capazes de levar à morte do paciente em determinadas circunstâncias, segundo médicos e especialistas.

 

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Trio que acompanhou o percurso da manifestação, com boneco representando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, segurando um cifrão, sinalizando ganância, dinheiro e poder.  Foto: Pedro Borges/TV Globo. Leia mais 

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07
Abr20

Quantos ventiladores pulmonares o governo militar de Bolsonaro mandou para Itália?

Talis Andrade

 

 

Chegou a hora da morte de milhares de brasileiros. Faltam máscaras. Faltam testes para saber quem está infectado. Faltam medicamentos. Faltam UTIs. Faltam médicos. Faltam enfermeiros. Faltam leitos. Tudo falta. Desde Temer que o SUS vem sendo sucateado. Bolsonará é a pá de terra. Até a primeiro morte por coronavírus a cantilena era uma só: a privatização da saúde. Dos hospitais. Das faculdades de medicina.

Esse Mandetta com Bolsonaro sucatearam o SUS. Os dois deviam ser julgados como genocidas.

Quantos vão morrer no Brasil sem testes de coronavírus?

Nem máscara tem para o povo, e para os que trabalham nos serviços de saúde.

Bolsonaro mandou respiradores pulmonares para a Itália, porque o governo de lá é da direita. O safado com essa "caridade" vai matar quantos brasileiros?

Vamos ter mortes por falta de medicamentos.

Essa estória de jejum é conversa fiada para desviar o foco. 

Coronavírus uma gripezinha para quem tem alimentação, medicamentos, UTI equipada, bons médicos, enfermeiros, laboratórios etc. Sem terra, sem teto, sem nada não vai disputar na tapa... esse luxo de sempre, todo esse luxo de branco que reside nos palacetes, nos condomínios fechados.

Escreve Sérgio Moro: "A SENASP/MJSP produziu manual para orientação aos agentes de segurança pública sobre protocolos a serem seguidos em diligências policiais, inclusive na abordagem de pessoas que descumprem medidas sanitárias, durante a epidemia do coronavírus. Cuidar de si e também cuidar dos outros".

O ministro "terrivelmente evangélico" pretende prender o chefe dele Jair Bolsonaro que passou este domingo em jejum trocando ósculo cristão com pastores e fiés das ricas igrejas de Edir Macedo, Malafaia,  R.R. Soares, Marco Feliciano, Valdemiro Santiago. 

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03
Abr20

26 governadores pedem aplicação de lei que prevê renda básica para todos os brasileiros diante da epidemia

Talis Andrade

"Reunidos, queremos dizer ao Brasil que travamos uma guerra contra uma doença altamente contagiosa e que deixará milhares de vítimas fatais. A nossa decisão prioritária é a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia"

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Depois do pronunciamento irresponsável feito por Jair Bolsonaro em rede nacional, 26 dos 27 governadores de estados brasileiros reunidos nesta tarde (25) em videoconferência aprovaram uma carta onde reivindicam uma série de medidas para enfrentar a crise causada pelo coronavírus no Brasil ao governo federal. Entre essas reivindicações, está a aplicação da lei que institui uma renda básica de cidadania para todos os brasileiros.

Sancionada em 2005 pelo então presidente Lula, a lei prevê o “direito de todos os brasileiros residentes no País e estrangeiros residentes há pelo menos 5 (cinco) anos no Brasil, não importando sua condição socioeconômica, receberem, anualmente, um benefício monetário”.

A lei diz que caberá ao Poder Executivo estipular o valor do benefício e prevê o pagamento de parcelas mensais, de mesmo valor, para todos os cidadãos, a fim de atender “às despesas mínimas de cada pessoa com alimentação, educação e saúde, considerando para isso o grau de desenvolvimento do País e as possibilidades orçamentárias”. Os governadores também querem a suspensão por 12 meses do pagamento das dívidas dos estados com a União e bancos públicos.

As propostas a serem apresentadas ao governo federal são as seguintes:

  1. Suspensão por 12 meses do pagamento das dívidas dos estados com a União, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e disponibilização de linhas de créditos do BNDES para aplicação em serviços de saúde e investimentos em obras;
  2. Viabilização emergencial e substancial de recursos “livres” do governo federal;
  3. Mudanças no regime de recuperação fiscal e aprovação do chamado Plano Mansueto. Pelo plano, enviado em junho do ano passado ao Congresso, a União propõe dar aval para estados com baixo nível de endividamento contratarem empréstimos junto ao setor financeiro e concede prazo de até cinco anos aos estados que estão descumprindo os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para que possam se reenquadrar nos limites estabelecidos;
  4. Redução da meta de superávit primário para evitar ameaça de contingenciamento (bloqueio) orçamentário;
  5. Aplicação da Lei 10.835/2004 que institui a renda básica da cidadania.

CARTA DOS GOVERNADORES DO BRASIL

NESTE MOMENTO DE GRAVE CRISE

O Brasil atravessa um momento de gravidade, em que os governadores foram convocados por suas populações a agir para conter o ritmo da expansão da Covid-19 em seus territórios. O novo coronavírus é um adversário a ser vencido com bom senso, empatia, equilíbrio e união. Convidamos o presidente da República a liderar este processo e agir em parceria conosco e com os demais poderes.

Reunidos, queremos dizer ao Brasil que travamos uma guerra contra uma doença altamente contagiosa e que deixará milhares de vítimas fatais. A nossa decisão prioritária é a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia. Os dois compromissos não são excludentes. Para cumpri-los precisamos de solidariedade do governo federal e de apoio urgente com as seguintes medidas (muitas já presentes na Carta dos Governadores assinada em 19 de março de 2020):

  1. Suspensão, pelo período de 12 meses, do pagamento da dívida dos Estados com a União, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, e organismos internacionais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), bem como abertura da possibilidade de quitação de prestações apenas no final do contrato, além da disponibilização de linhas de crédito do BNDES para aplicação em serviços de saúde e investimentos em obras;
  2. Disponibilidade e alongamento, pelo BNDES, dos prazos e carências das operações de crédito diretas e indiretas para médias, pequenas e microempresas. Demanda-se viabilizar o mesmo em relação a empréstimos junto a organismos internacionais;
  3. Viabilização emergencial e substancial de recursos livres às Unidades Federadas, visando a reforçar a nossa capacidade financeira, assim como a liberação de limites e condições para contratação de novas operações de crédito (incluindo extralimite aos Estados com nota A e B), estabelecendo ainda o dimensionamento de 2019 pelo Conselho Monetário Nacional e permitindo a securitização das operações de crédito;
  4. Imediata aprovação do Projeto de Lei Complementar 149/2019 (“Plano Mansueto”) e mudança no Regime de Recuperação Fiscal, de modo a promover o efetivo equilíbrio fiscal dos Entes Federados;
  5. Redução da meta de superávit primário do Governo Federal, para evitar ameaça de contingenciamento no momento em que o Sistema Único de Saúde mais necessita de recursos que impactam diretamente as prestações estaduais de saúde;
  6. Adoção de outras políticas emergenciais capazes de mitigar os efeitos da crise sobre as parcelas mais pobres das nossas populações, principalmente no tocante aos impactos sobre o emprego e a informalidade, avaliando a aplicação da Lei nº 10.835, de 8 de janeiro de 2004, que institui a renda básica de cidadania, a fim de propiciar recursos destinados a amparar a população economicamente vulnerável;
  7. Apoio do governo federal no tocante à aquisição de equipamentos e insumos necessários à preparação de leitos, assistência da população e proteção dos profissionais de saúde.

Informamos que os governadores seguirão se reunindo à distância, no modelo de videoconferências – como preconizam as orientações médicas internacionais –, com o objetivo de uniformizar métodos e com vistas a alcançar, em um futuro breve, ações consorciadas, que nos permitam agir no tema de coronavírus e em outros temas.

No que diz respeito ao enfrentamento da pandemia global, vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência, seguindo orientação de profissionais de saúde e, sobretudo, os protocolos orientados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Congresso Nacional deve assumir o protagonismo em defesa do pacto federativo, conciliando os interesses dos entes da federação, compatibilizando ações e canalizando demandas de Estados e municípios.

Por fim, desejamos que o Presidente Jair Bolsonaro tenha serenidade e some forças com os Governadores na luta contra a crise do coronavírus e seus impactos humanitários e econômicos. Os Governadores entendem que este momento exige a participação dos poderes legislativo, executivo, judiciário, da sociedade civil e dos meios de comunicação.

Juntos teremos mais força para superar esta grave crise no País.

Assinam esta carta 26 Governadores

João Doria, Governador de São Paulo
Wilson Witzel, Governador do Rio de Janeiro
Gladson Cameli, Governador do Acre
Renan Filho, Governador de Alagoas
Waldez Góes, Governador do Amapá
Wilson Lima, Governador do Amazonas
Rui Costa, Governador da Bahia
Camilo Santana, Governador do Ceará
Renato Casagrande, Governador do Espírito Santo
Ronaldo Caiado, Governador de Goiás
Flávio Dino, Governador do Maranhão
Mauro Mendes, Governador do Mato Grosso
Reinaldo Azambuja, Governador do Mato Grosso do Sul
Romeu Zema, Governador de Minas Gerais
Helder Barbalho, Governador do Pará
João Azevêdo, Governador da Paraíba
Ratinho Júnior, Governador do Paraná
Paulo Câmara, Governador do Pernambuco
Wellington Dias. Governador do Piauí
Fátima Bezerra, Governador do Rio Grande do Norte
Eduardo Leite, Governador do Rio Grande do Sul
Coronel Marcos Rocha, Governador de Rondônia
Antonio Denarium, Governador de Roraima
Carlos Moisés, Governador de Santa Catarina
Belivaldo Chagas, Governador de Sergipe
Mauro Carlesse, Governador do Tocantins

02
Abr20

Xadrez do início do jogo pós-Bolsonaro

Talis Andrade

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O recuo foi recebido como um gesto de racionalidade, uma rendição à razão. É evidente que não. Não há a menor chance de que ceda à razão, especialmente agora que levou para dentro do Palácio seu heterônimo mais desequilibrado, o filho Carlos

 

por Luis Nassif

Peça 1 – Bolsonaro, o tigre desdentado

Coube ao Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta mostrar o tigre desdentado em que Jair Bolsonaro se transformou, em sua insistência em minimizar a crise do coronavirus.

Enfrentou-o, quando sua irresponsabilidade ameaçou desmontar a quarentena. Bolsonaro não conseguiu trocá-lo pelo terraplanista Contra-Almirante Antônio Barras Torres, atual presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). E manteve-se no centro das entrevistas, mesmo quando tentaram relega-lo a um segundo plano, em função da enorme mediocridade de seus companheiros de Ministério.

O pronunciamento de Jair Bolsonaro, ontem à noite, comprova seu total isolamento junto às instituições, ao seu próprio governo e à opinião pública. De repente, admitiu que a “gripezinha” é uma doença e tanto, conclamou à união nacional, anunciou as medidas inócuas que está tomando e deturpou declarações do diretor da Organização Mundial da Saúde, como já havia feito na parte da manhã.

No meio da tarde, notícias de Brasília davam conta de que ele havia chorado na frente de interlocutores não tão íntimos assim, e fora buscar apoio em militares, especialmente no general Villas Boas.

O recuo foi recebido como um gesto de racionalidade, uma rendição à razão. É evidente que não. Basta analisar o histórico de Bolsonaro. Ele sempre vai até o limite. Quando percebe que entrou em um beco, aparenta um recuo para voltar novamente. Não há a menor chance de que ceda à razão, especialmente agora que levou para dentro do Palácio seu heterônimo mais desequilibrado, o filho Carlos.

No Palácio, o único ponto de apoio continua sendo a inacreditável AGU (Advocacia Geral da União), que justificou seu passeio pela cidade, como “direito de ir e vir assegurado pela Constituição”. Nesse momento, Bolsonaro é uma figura meramente decorativa. Com seu recuo, deixou órfãos nas redes sociais que, até ontem, se baseavam em sua palavra para minimizar o perigo. (Continua)

 

 

 
01
Abr20

Bolsonaro e Guedes travam liberação de recursos emergenciais

Talis Andrade

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Bolsonaro até agora não assinou o projeto que cria o auxílio para trabalhadores informais e autônomos enfrentarem a crise provocada pela pandemia do Covid-19. O vale de R$ 600, aprovado pelo Congresso Nacional, está travado e o que não faltam são argumentos de que ele chegue logo nas mãos do trabalhador.

No dia de ontem, em coletiva, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que há “entraves técnicos” para a liberação do recurso e disse que depende de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), de uma “PEC Emergencial”, para regularizar a fonte do recurso e assim “o dinheiro sai em 24 horas”.

Fontes do próprio ministério da Economia dementem Guedes e dizem que para liberar o pagamento do auxílio não é necessária nenhuma PEC. Está claro que tanto Guedes quanto Bolsonaro estão retardando a liberação dos recursos emergenciais.

O presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, criticou duramento o fato do governo estar retardando a liberação dos recursos. “Com uma crise do tamanho da que a gente está vivendo, não me perece que a palavra emergência signifique aguardar até 16 de abril. Não é a melhor solução”, afirmou Maia, que aguardava para esta terça-feira (31) a sanção do presidente da lei de ajuda emergencial.

GOVERNO MENTIU, DIZ MAIA

Maia rebateu as acusações feitas por Guedes na coletiva de que o auxílio de R$ 600 ainda precisaria de aval do Legislativo. O presidente da Câmara acusou o governo de mentir na ação que impetrou junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) ao dizer que a efetivação dos pagamentos dependia da aprovação da PEC.

“Eu acho importante porque, se o ministro Paulo Guedes falou hoje, se ele estiver certo hoje, o governo mentiu na ação que impetrou no Supremo Tribunal Federal com o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Maia em sessão na Câmara.

Além do Congresso Nacional aprovar o decreto do estado de calamidade pública, que libera o governo das amarras do cumprimento da meta fiscal, o STF permitiu a flexibilização do cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Estas decisões dão ao governo “segurança jurídica” para implementação das medidas econômicas necessárias e emergenciais para a evitar uma tragédia maior que começa a atingir milhões de brasileiros.

MIRAGEM

O “orçamento de guerra”, anunciado por Guedes, e que já soma, segundo ele, 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB), até agora é só miragem. Ninguém sabe ninguém viu. Nos Estados Unidos, o pacote baixado pelo governo chega a 10% do PIB, na Inglaterra, a 17% do PIB e na Alemanha já ultrapassa 30%.

Além dos trabalhadores, empresários, de pequenas a grandes empresas, reclamam das medidas que não chegam na ponta.

Para economistas, o governo militar de Bolsonaro precisa sair do campo da promessa, abrir os cofres, despejar o dinheiro e salvar vidas. Manter o isolamento social e garantir à população e às empresas condições mínimas para enfrentar a crise da pandemia é a única opção para enfrentar em melhores condições a recessão que está por vir.

dança enforcador morte suicídio carnaval salári

 

01
Abr20

Junta militar já governa o Brasil

Talis Andrade

[ou: Bolsonaro carrega muitos segredos para ser incinerado sem necrópsia]

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por Jeferson Miola

Bolsonaro está isolado, desacreditado e catalogado perante a sociedade brasileira e perante o mundo inteiro como um genocida sociopata que, se não for contido a tempo, poderá causar uma catástrofe humanitária de dimensões imponderáveis no Brasil [aqui].

establishment já descartou Bolsonaro, porque enxerga nele a causa do problema; não a solução para os desafios complexos de enfrentamento da pandemia do COVID-19 no país.

Bolsonaro já foi descartado pelo judiciário, pelo legislativo, pela imprensa, pelo poder econômico, pela classe média cretina, pelas finanças internacionais e, fato inusitado, inclusive por alguns ministros do seu governo, que se tornaram mais indemissíveis que ele mesmo.

O recado do comando militar do governo é claro: Bolsonaro cai; ou, então, ele fica desidratado ao nível da insignificância governamental. Mas, por enquanto, Mandetta, Moro e Guedes ficam.

No lugar do genocida sociopata, assumiria o vice Mourão, um general ressentido e revisionista que considera a ditadura sanguinária instalada em 1964 como um marco das “reformas que desenvolveram o Brasil” [sic], como ele escreveu no twitter [aqui] neste 31 de março que marca 56 anos do golpe que derrubou Jango para instalar a ditadura sanguinária que ele defende.

Se o país estivesse vivendo uma realidade de normalidade institucional e se as instituições estivessem funcionando normalmente, a chapa Bolsonaro-Mourão, eleita fraudulentamente com o auxílio da exclusão do Lula do pleito e das fake news propagadas em mensagens de WhatsApp impulsionadas com dinheiro de caixa 2 de empresários corruptos, deveria ter sido cassada pelo TSE e novas eleições livres e limpas deveriam ter sido convocadas.

Mas a oligarquia calhorda [ler aqui] preferiu o caminho da barbárie, e então aboletou a dupla Bolsonaro e o vice Mourão no Palácio do Planalto.

A troca de Bolsonaro por Mourão não chega a ser uma boa notícia, mas esse é o fato concreto; é “o que a casa – ou seja, a Constituição violada e fraudada pela classe dominante – oferece”.

Há um consolo, se é que se pode dizer desse modo, porque Bolsonaro representa a união, em torno de si, do terror estatal com a bandidagem miliciana; paraestatal, protegida por Moro.

Já Mourão – aparentemente – pelo menos não congrega em torno de si a bandidagem paraestatal, miliciana. Mas isso também precisa ser conferido.

A hipótese de Bolsonaro e seu clã miliciano reverterem esta realidade desfavorável é remota.

Bolsonaro só não ficará inexoravelmente inviabilizado na presidência se conseguir demonstrar, de modo consistente, que tem capacidade de raciocinar e de agir em consonância com as exigências científicas e sanitárias exigidas – o que, francamente, ele tem se demonstrado incapaz.

O pronunciamento oficial do Bolsonaro na noite desta 3ª feira, 31/3, dia que lembra 56 anos do golpe que derrubou Jango em 1964 para instalar a ditadura sanguinária que durou até 1985, soa como o grito dum desesperado em busca de uma salvação que não virá.

No pronunciamento, Bolsonaro falsificou as orientações defendidas pelo etiopês Tedros Adhanom Ghebreyesus, o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, para justificar os desatinos que tem defendido.

O farsesco Bolsonaro, com isso, aprofundou seu isolamento, porque ficou evidente a ofensa dele à maior autoridade sanitária mundialmente respeitada.

O pronunciamento do Bolsonaro não foi feito à Nação, mas aos seus tutores militares, num gesto desesperado para tentar reverter seu fim, que está cada vez mais próximo.

Nesta cartada decisiva, contudo, Bolsonaro ficou irremediavelmente inviabilizado. Na entrevista coletiva de atualização do avanço do coronavírus no Brasil, o general Braga Netto, Chefe da Casa Civil, fez questão de deixar claro que os ministros Moro e Guedes apoiam Mandetta nas medidas preconizadas, que contrariam a insanidade do Bolsonaro.

Dias antes, Bolsonaro tinha sofrido uma arremetida desconcertante dos militares.

Quando alguns generais do Planalto não conseguiram dissuadi-lo de ler o pronunciamento do “gabinete do ódio”, retiraram-se do Planalto e coordenaram com Edson Leal Pujol, Comandante do Exército, a gravação e publicação de vídeo em que Pujol hipotecava total obediência ao Ministério da Defesa no combate ao “grande inimigo” do povo, o coronavírus.

O sinal foi claro: Pujol bateu continência a Fernando Azevedo e Silva, não a Bolsonaro.

Os militares entenderam que chegou a hora de assumirem o governo. A principal questão pendente é o que fazer com Bolsonaro, porque ele é um personagem incontrolável e que faz o gênero de quem arrasta todo mundo junto, porque guarda muitos segredos.

Nunca é demais lembrar a gratidão do Bolsonaro ao general Villas Boas manifestada publicamente na cerimônia de posse do Ministro da Defesa, em 3 de janeiro de 2019: “General Villas Boas, o que já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”.

Não por acaso, num dos seus twitters que afrontam o Estado de Direito, o golpista Villas Bôas retribui Bolsonaro até os instantes imediatos antes do seu último suspiro: “sua postura revela coragem e perseverança nas próprias convicções”.

Bolsonaro carrega muitos segredos para ser um cadáver incinerado sem necrópsia.

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30
Mar20

Da série monstros do Brasil Rubem Novaes: É "melhor" que 70% da população seja infectada

Talis Andrade

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes

O cinismo monstruoso de um puxa-saco dos banqueiros

 

Os assustadores monstros que a pandemia coronavírus revela. Os Quibungo, Labatut, Cubelobo, Curacanga, Corpo-seco, Rubem Novaes.

Subserviente a Jair Bolsonaro, o presidente do Banco do Brasil defende o fim do isolamento. É "melhor" que maior parte da população seja infectada “o quanto antes para que a economia volte a funcionar normalmente. Deixa essa gente trabalhar!”. A declaração de Novaes foi feita em entrevista ao jornal O Globo

Lembro quando Roberto Campos, o avô, dizia: ‘a lógica, inventada pelos gregos no hemisfério Norte, não se aplica abaixo do Equador’. Não obstante, tentemos usar um pouco de lógica a partir de declarações médicas indicando que a epidemia só se extinguirá após atingida, e portanto imunizada, uma determinada parcela da população, digamos 70%. Ora, se isto é verdade, o que realmente importa é que os velhinhos e os já doentes estejam entre os 30% da população que não será contaminada pelo vírus. Afinal, são eles que demandam atendimento de UTIs e apresentam maior taxa de letalidade. Resolve-se o problema do pico de demanda por atendimento hospitalar e reduz-se o número de mortos. Quanto aos 70% da população que será infectada, melhor que que o seja o quanto antes para que a economia volte a funcionar normalmente. Deixa essa gente trabalhar!”

É bom lembrar que Rubem Novaes se encontra em luxuoso isolamento. Está administrando o Banco do Brasil pela internet. Como sempre, sempre longe do povo, dos funcionários mais humildes, e dos clientes das classes baixa e média do banco.  

 

28
Mar20

'Pula no esgoto e nada acontece': Brasil tem mais de 300 mil internações por ano por doenças causadas por falta de saneamento

Talis Andrade

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Bolsonaro disse que o brasileiro "tem que ser estudado", pois pula "no esgoto e nada acontece com ele"

Luis Barrucho
Da BBC News Brasil em Londres

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) contrariam a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que o brasileiro seria resistente a infecções, já que "pula no esgoto e nada acontece".

Em 2016, houve 166,8 internações hospitalares por 100 mil habitantes no Brasil devido a doenças relacionadas à falta de saneamento.

Considerando uma população de 207,7 milhões à época, foram 346,5 mil internações hospitalares por doenças causadas por "saneamento ambiental inadequado".

Entre as doenças que levaram à internação estão diarreias, cólera, hepatite A e leptospirose (causada pela exposição à urina de animais, principalmente ratos).

Os dados de 2016 são os últimos disponibilizados pelo órgão e sinalizam uma queda no número de internações ao longo dos anos.

Em 2010, foram 309,1 internações por 100 mil habitantes, ou cerca de 610 mil internações no total, considerando a população de 197 milhões à época.

Na quinta-feira (26/03), Bolsonaro disse que o brasileiro "tem que ser estudado", pois pula "no esgoto e nada acontece com ele" ao comparar a situação do Brasil com a dos Estados Unidos no combate à pandemia do novo coronavírus.

"Eu acho que não, não vamos chegar a esse ponto [tantos casos quanto os Estados Unidos], até porque o brasileiro tem que ser estudado. O cara não pega nada. Eu vi um cara ali pulando no esgoto, sai, mergulha... Tá certo?! E não acontece nada com ele", disse Bolsonaro durante entrevista realizada na porta do Palácio do Planalto, em Brasília.

Ele voltou a criticar governadores e prefeitos pela determinação da quarentena e do fechamento do comércio em várias cidades do país.

"Alguns prefeitos e governadores erraram na dose. Foi uma catástrofe. O turismo passou para zero. Ninguém faz mais turismo. A rede hoteleira está em 10% de sua capacidade. Olha a desgraça que está aí", reclamou. "Agora não existe mais diarista, não existe mais manicure, Uber não funciona. Não dá para entender que essa onda é muito mais preocupante do que a doença?", acrescentou.

Doenças várias
São várias as moléstias que podem ser transmitidas pelo que o IBGE chama de "doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado".

O órgão divide as doenças em cinco categorias: de transmissão feco-oral (por meio de fezes), transmitidas por inseto vetor, transmitidas através do contato com a água, relacionadas com a higiene, geo-helmintos e teníases.

Entre elas, estão diarreia, cólera, salmonelose, shigelose, febres entéricas, leishmanioses, malária, esquistossomose, leptospirose, doenças de pele, entre outras.

Quase a metade da população brasileira (48%) não tem coleta de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil, organização da sociedade civil formada por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país.

De acordo com o "esgotômetro", medidor de esgoto despejado na natureza, disponível no site da organização, cerca de 500 mil piscinas olímpicas de esgoto foram lançadas ao meio ambiente no Brasil desde 1º de janeiro deste ano.

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