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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Jun21

500 mil vítimas da Covid-19 e um grande culpado: Jair Bolsonaro

Talis Andrade

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O país chora meio milhão de vidas perdidas porque Jair Bolsonaro escolheu assim. E, por isso, ele deve ser responsabilizado

 

por Fundação Perseu Abramo

É doloroso dizer isto, mas o compromisso com a verdade e a justiça nos obriga. O inaceitável número de 500 mil mortes por Covid-19 – que o Brasil deve atingir nas próximas horas, após somar 498.499 vítimas na sexta-feira (18) – não é uma simples fatalidade, um infortúnio. É resultado de um projeto pensado e executado por um governo que, sem compromisso com seu povo, colocou interesses políticos e econômicos à frente do direito à vida. O país chora meio milhão de vidas perdidas, duas Hiroshimas e Nagazakis, porque Jair Bolsonaro escolheu assim.

E não é o Partido dos Trabalhadores quem afirma. São fatos, analisados por especialistas, que produziram diversos estudos; são documentos e depoimentos colhidos na CPI da Covid, no Senado Federal; todos levando à mesma triste e revoltante conclusão: o governo Bolsonaro nunca quis proteger as brasileiras e os brasileiros da doença. Pelo contrário. Por trás de cada decisão do atual presidente, houve sempre um só objetivo: alcançar a chamada imunidade de rebanho por contaminação.

500 mil mortos sem vacina.jpg

 

Essa estratégia baseou-se na seguinte crença: a pandemia chegaria ao fim quando cerca de 60% a 70% da população fossem infectados, adquirindo naturalmente a imunidade contra o novo coronavírus. No início de 2020, esse cálculo era uma estimativa, uma hipótese científica que nunca poderia ser usada como forma de enfrentamento à Covid-19, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) cansou de advertir, ciente de que alguns líderes consideravam implementá-la.

Mesmo assim, Bolsonaro a transformou em seu plano de governo. Ele não admitia ter esse objetivo porque sabia que significava condenar à morte centenas de milhares de compatriotas. Mas sua confissão não é necessária. A prova está em tudo o que disse, na forma como se comportou e continua se comportando e em todos os atos oficiais de seu governo ao longo da pandemia. Não foi loucura, ignorância, desconfiança da ciência que moveram Jair Bolsonaro. Foi a decisão de sacrificar vidas para manter intocada sua política econômica.

Tivessem o mínimo de humanidade, Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiriam o que a pandemia deixou claro: o neoliberalismo que tentam implementar à força significa o abandono da população. O coronavírus mostrou que um país necessita de um Estado fortalecido e disposto a investir e proteger seu povo. O momento era, como diz o presidente Lula, “de primeiro cuidar do povo, depois resolver a economia”.

Mas reduzir a atividade econômica e exigir do Estado investimentos, auxílio real e digno para os trabalhadores e as micro e pequenas empresas? Para quê? Para evitar a fome? Para salvar a vida dos mais frágeis, dos mais velhos, daqueles sem “histórico de atleta”? Não. A saída, eles decidiram, era a imunidade de rebanho.

Que outra explicação?

Difícil de acreditar, nós sabemos. Mas que outra explicação haveria para a insistência de Bolsonaro em dizer que a pandemia era uma “fantasia”, que a Covid-19 era uma “gripezinha”? Que outra explicação haveria para as repetidas vezes em que Bolsonaro citou justamente os índices de 60% ou 70% de pessoas que seriam, inevitavelmente, infectadas? Que outra explicação haveria para a insistência em promover aglomerações, em recusar o uso da máscara e em incentivar o povo a ir para a rua “como homem”?

Que outra explicação haveria para tantas batalhas jurídicas a fim de impedir governadores de adotar medidas de isolamento social? Que outra explicação haveria para a promoção da cloroquina enquanto ofertas de vacinas eram ignoradas? Que outra explicação haveria para a declaração, dada na última quinta-feira, de que a contaminação é um imunizante mais eficaz que a vacina? Que outra explicação se não a de que Bolsonaro quis, desde o princípio, que o maior número de pessoas ficassem doentes no menor espaço de tempo possível?

Hoje, mais de um estudo já concluiu que não há outra explicação. Pesquisas realizadas por instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Getulio Vargas (FGV), a Universidade de Michigan e a Universidade de Harvard afirmam, por meio da análise sistemática de documentos e declarações, que Bolsonaro disseminou o vírus intencionalmente. Implementou uma estratégia assassina, da qual não desiste nem diante de meio milhão de mortos.

Ele deixa, assim, à nação, uma só escolha: tirá-lo da Presidência e, depois, responsabilizá-lo por centenas de milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas. Bolsonaro genocida não é um slogan, uma frase de efeito. É uma constatação. Ele só não matou mais porque a maior parte da sociedade brasileira reagiu ao seu plano e, hoje, farta de ser alvo de seu projeto, ocupa as ruas em plena pandemia, porque sabe que não há alternativa. É tirar Bolsonaro ou continuar sob ameaça. Exigir Fora Bolsonaro é lutar pela vida. Pela nossa e dos nossos.

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09
Jun21

Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques é o auditor responsável pela lista dos mortos de Bolsonaro

Talis Andrade

Vicente Nunes 

Foi o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques o responsável por elaborar o “estudo paralelo” apontando que metade das mortes pela covid-19 no país não ocorreram. Segundo ele, os governadores inflaram o total de óbitos para obterem mais verbas do governo federal

 

Procurado pelo Blog, Alexandre disse que só falaria com autorização da assessoria de imprensa do TCU, que já foi demandada. O auditor é amigo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano. Ele, inclusive, foi indicado para uma diretoria do banco, mas acabou vetado pelo então presidente da Corte à época, ministro José Múcio Monteiro.

O “estudo paralelo” foi citado por Bolsonaro na segunda-feira (07/06) para desqualificar a pandemia do novo coronavírus, que já matou quase 500 mil brasileiros. Nesta terça (08/06), o presidente assumiu que o “estudo” não pertence oficialmente ao Tribunal de Contas da União.

Alexandre está lotado na secretaria do TCU que lida com inteligência e combate à corrupção. Quando começou a pandemia do novo coronavírus, ele pediu para acompanhar as compras com dinheiro público de equipamentos para o combate à covid.

A partir dali, o auditor começou a elaborar o “estudo paralelo”. Quando apresentou os resultados de sua tese aos colegas de trabalho, foi veemente repreendido, pois ficou claro que ele queria desqualificar os governadores e favorecer o discurso de Bolsonaro. Nenhum outro auditor do TCU endossou o “estudo” por considerá-lo uma farsa.

Assustados com a insistência de Alexandre, os colegas de trabalho comunicaram os ministros da Corte de Contas o que estava acontecendo. Mas o auditor entregou a sua tese aos filhos de Bolsonaro, que a tornou pública. O TCU abriu investigação para apurar a conduta de Alexandre.

Quem acompanha as redes sociais de Alexandre pode verificar que ele costuma compartilhar fake news, como os benefícios do uso de ivermectina no combate à covid, e incitar ataques a governadores, justamente a quem ele quer prejudicar com seu “estudo paralelo”.

Capa do jornal Correio Braziliense 09/06/2021

09
Jun21

A lista falsa, reduzida pela metade, dos mortos da pandemia

Talis Andrade

 

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Auditor do TCU suspeito de ter feito nota mentirosa sobre Covid foi indicado por filhos de Bolsonaro para BNDES

 

por Valdo Cruz

O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, suspeito de ter feito um estudo paralelo sobre mortes por Covid, foi indicado pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro para uma diretoria no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A indicação, contudo, foi barrada pelo próprio tribunal.

O blog não conseguiu localizar o auditor. Procurados, os filhos do presidente não responderam até a última atualização deste texto.

O relatório sobre a Covid, apontando suposta "supernotificação" no número de mortes, foi usado por Bolsonaro nesta segunda (7). No mesmo dia, o TCU desmentiu o presidente e negou ter produzido o documento.

Nesta terça, o tribunal informou que vai apurar a conduta do servidor que publicou o texto, uma vez que o documento representa "análise pessoal" do auditor.

Segundo o blog apurou com ministros do TCU, quando a indicação do auditor para o BNDES foi barrada, Bolsonaro ligou para o então presidente do tribunal, José Múcio, e pediu que o servidor fosse liberado. Mesmo assim, isso não aconteceu.

A presidência do TCU avaliou na ocasião que não seria possível ceder o servidor para o BNDES. E que, se ele quisesse ir para o banco, teria de se desligar em definitivo do tribunal.

"Como um servidor de um tribunal que investiga o governo é cedido para comandar uma diretoria do banco, [haveria] conflito de interesses. Na época, o presidente José Múcio não autorizou que o servidor fosse cedido", disse ao blog um ministro do tribunal.

Dentro do tribunal, à época, a informação era que Alexandre Marques havia sido indicado para assumir a diretoria do BNDES por filhos do presidente. O auditor é considerado um aliado do presidente Bolsonaro no tribunal.

 

Mortes por Covid

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O TCU abriu uma investigação para analisar a conduta do auditor, que teria tentado convencer os colegas a fazer uma fiscalização, alegando que os dados de mortes por Covid estavam supernotificados.

Segundo um técnico, ele não queria contar como mortes por coronavírus os pacientes que faleceram por complicações da doença.

"O argumento dele não fazia nenhum sentido. Afinal, não é o governador que dá o atestado de óbito, mas o médico. Essa tese de que os números estão inflados pelos governadores teria de ter a conivência de centenas de médicos", disse um técnico do tribunal ao blog.

 

CPI da Covid

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O senador Humberto Costa (PT-PE) pediu a convocação do auditor na CPI da Covid e a quebra de seus sigilos telefônico e telemático.

No requerimento, o senador diz que é preciso investigar a informação de que o auditor teria passado o estudo paralelo para os filhos do presidente da República, que teriam passado para Bolsonaro.

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