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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

30
Ago22

Empresários que trocavam mensagens “pelo Brasil” no Ipês derrubaram Jango. É cedo para gritar contra Moraes

Talis Andrade

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EMPRESÁRIOS GOLPISTAS

INIMIGOS DA CLARIDADE 

 

por Denise Assis /TV 247

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Ronald Trump levou para casa cerca de 300 documentos secretos, ultrassecretos e secretíssimos. A ação do FBI, de invadir a sua mansão para resgatá-los está sendo contestada por parte da população e, principalmente, o seu partido, o Republicano. Diante da revelação do conteúdo dos documentos, no entanto, a gritaria diminuiu e o fato já está sendo visto como gravíssimo.

No Brasil, as buscas e apreensões de celulares e computadores determinadas pela Polícia Federal, após ação do senador Randolfe Rodrigues (Rede), de oito empresários bolsonaristas tem sido contestada não só pela PGR - que reclama de o ministro não ter aguardado a sua manifestação para empreender as buscas -, como por colunistas e editoriais da grande mídia, que vê na atitude precipitação e abuso de autoridade. 

Lá (nos EUA) como aqui, o conteúdo do que foi apreendido não tem nada de inocente. Os documentos levados por Trump são claramente uma documentação de Estado e não poderia estar em mãos de um ex-presidente. Com o agravante de que em sua residência transitam funcionários e pessoas estranhas. Não ficou claro, inclusive, qual era o seu propósito ao se apropriar de papéis tão importantes...

Aqui, o que se viu foram fragmentos de um volume de mensagens ainda inimaginado e sem que se tenha noção do grau de comprometimento. É cedo, portanto, para falarmos em abuso. As investigações apenas começaram e elas têm de partir de algum lugar.

Em tempos mais lentos em termos de circulação de informações, os anos compreendidos de 1962 a 1964, foram montados exatamente por empresários, um pequeno segmento da Igreja e um grupo de elite dos militares, dois institutos com o fito da conspiração que derrubou o presidente eleito, João Goulart (PTB). Tratava-se, neste caso, do complexo Ipês/IBAD. Não havia Internet, Watsapp ou e-mail. As mensagens circulavam por papers levados por office boys. Seriam, hoje, os equivalentes às mensagens de zap

Com o teor da correspondência trocada entre o grupo, não se poderia imaginar o tamanho da articulação e da conspiração. Ela foi profundamente pesquisada, ordenada e publicada pelo historiador René Dreifuss (1981), que dividiu a história recente entre antes e depois do seu livro: “1964 – A conquista do Estado”. Nele, a partir de entrevistas e da documentação doada ao Arquivo Nacional, composta por esse leva-e-traz de bilhetes e esboço de ideias, René nos mostrou o final que hoje todos sabemos: Jango acabou derrubado por esta turma entocada nos institutos com fachada de Instituições culturais e de pesquisa, mantidos pelos empresários “amantes do Brasil”. 

Transpondo para os dias de hoje, quando Bolsonaro quer saber onde anda “aquela turminha da carta pela democracia”, é bom que ele separe o setor produtivo, dos grandes empresários e industriais. Sim, os relutantes em aceitar um governo progressista; sim, os que naquela época tiveram familiares compondo o bojo da conspiração contra Jango -, dos milionários que “costuram para fora”, vivem de investir em mão de obra barata, sonegar impostos e vender produtos sabe-se lá comprados onde. 

Essa “turminha” dele é, hoje, os que seriam os que mantinham o complexo Ipês/IBAD no passado. Suas mensagens e ações – vamos aguardar para avaliarmos o conteúdo mais amplo do que foi recolhido, mas pelo teor das conversas tudo indica que têm o mesmo objetivo golpista -, não está tratando da próxima partida no Gávea Golfe.

Basta lembrar que os filmes curta-metragem produzidos por eles para convencer um país inteiro a aceitar o golpe, projetados em pracinhas do interior, igrejas e na hora do almoço de empresas e fábricas, resultaram em marchas país a fora gritando pela queda do governo. Venceram. Com tanques e canhões. 

Achar no início das apurações que há exagero no que está sendo feito por Moraes é fazer como o senador Pedro Aleixo, relator da CPI Ipês/IBAD. Em 1963, ele fechou apenas o IBAD, onde foram descobertas armas, mas manteve aberto o Ipês, foco da disseminação de ideias, bilhetes, mensagens...Image

Moraes autoriza operação contra empresários suspeitos de defender golpe em  mensagens de celular | Jornal Nacional | G1Image

 

Estamos vendo, por enquanto, o presidente do TSE puxar uma pena. (Não vamos esquecer que o empresário Marcos Tolentino da Silva, sócio oculto da empresa Fib Bank, disse na CPI que contribuía com o site do hoje foragido, Alan dos Santos). Nós tanto podemos ver sair dali um molho de penas que mal dará para fazer uma peteca, quanto poderá vir junto uma plumosa galinha. É cedo para se pôr em oposição ao seu trabalho. Que venha outra leva de mensagens. Enquanto isto, Augusto Aras que tome muito Rivotril.

16
Ago22

Tebet sobre coronel que espalhou mentiras sobre as urnas: 'covarde'

Talis Andrade

Ele Zero Tenente-coronel Gleyson Azevedo da Silva, Ele Super cotado para a Comissão de Fiscalização do TSE. Créditos: Instagram

 

Coronel do Exército Ricardo Sant'Anna foi expulso do grupo de militares para inspecionar o código-fonte das urnas eletrônicas

 

por Victor Correia - Correio Braziliense

 

O coronel Ricardo Sant'Anna é um covarde quando vai às redes sociais e me aborda por eu dizer que mulher vota em mulher, dizendo que "vaca vota em vaca". Isso é um desrespeito inadmissível.

Simone Tebet (@simonetebetbr)

 

Coronel Ricardo Sant'Anna, apesar de misógino, machista, sexista, partidário, é mais discreto: não arrisca vestir roupa de super herói, de super macho incomível, imbrochável e imorrível da extrema direita 

A senadora e candidata à Presidência da República Simone Tebet (MDB) chamou de "covarde" nesta terça-feira (9/8) o coronel do Exército Ricardo Sant'Anna, expulso ontem pelo ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Edson Fachin do grupo de nove militares enviados pelo Ministério da Defesa para inspecionar o código-fonte das urnas eletrônicas.

"O coronel Ricardo Sant'Anna é um covarde quando vai às redes sociais e me aborda por eu dizer que mulher vota em mulher, dizendo que 'vaca vota em vaca'. Isso é um desrespeito inadmissível", disse a candidata em sua conta no Twitter. Tebet também o classificou como "tendencioso, parcial, produtor de fake news"

Simone Tebet apresentará plano de governo nesta segunda (15), último dia do  prazo - #Acesse Política | O site de política mais acessado da Bahia!

 

Militar compartilhou informações falsas sobre as urnas

 

O TSE excluiu na segunda-feira (8) o oficial da Comissão de Fiscalização do Sistema Eletrônico de Votação por disseminação de mentiras em suas redes sociais contra o sistema eleitoral.

"Mensagens compartilhadas por ele foram rotuladas como falsas e se prestaram a fazer militância contra as mesmas urnas eletrônicas que, na qualidade de técnico, este solicitou credenciamento junto ao TSE para fiscalizar", diz nota assinada por Fachin e pelo vice-presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, que assume a presidência em 16 de agosto.

Em resposta, ainda ontem, o Ministério da Defesa afirmou [que mentira!!!] que o trabalho dos representantes é técnico e realizado de forma coletiva pela comissão. "Sobre o uso de mídias sociais, os militares ficam sujeitos à regulação das Forças. Já no fim de semana passado, o Exército havia decidido selecionar um novo integrante para a equipe em substituição ao atual. Assim que a seleção estiver concluída, o TSE será informado a respeito", disse a pasta.

Depois o ministro da Defesa deu meia-volta, e volver para o quartel! Que o escolhido como substituto do misógino, machista, sexista, partidário bolsonarista de carteirinha Ricardo Sant'Anna é muito mais radical. Mais extrema direita! 

 

Cotado para substituir militar no TSE atacou STF e fez campanha para Bolsonaro nas redes

 

Tenente-coronel Gleyson Azevedo da Silva é o principal cotado para a vaga do coronel Ricardo Sant'Anna, que foi expulso da Comissão de Fiscalização Eleitoral por divulgar fake news pró-Bolsonaro nas redes

Cotado para assumir a vaga do coronel Ricardo Sant'Anna, que foi expulso nesta segunda-feira (8) da Comissão de Fiscalização das Eleições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o tenente-coronel Gleyson Azevedo da Silva atacou o Supremo Tribunal Federal (STF) e fez campanha para Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais.

Além de divulgar cursos para concursos e até mesmo de "técnica de chute", Azevedo usa as redes sociais para defender o clã Bolsonaro, como fez em publicação de 22 de outubro de 2018, quando atacou o STF ao comentar reportagem sobre a declaração de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de que bastaria um cabo e um soldado para fechar a corte.

"Chega a ser risível a desonestidade intelectual de alguns comentaristas. Uma semana para se concretizar o pior pesadelo destes que com tentativas absurdas de manipulação como essa é que representam uma ameaça real à democracia", escreveu o militar.

 

 

Em 23 de maio de 2020, o militar [puxa-saco]  comentou um vídeo em que Bolsonaro faz uma encenação dizendo que está se "lixando para a reeleição".

"Deve ser duro para a esquerda não ter um único representante de quem se possa orgulhar. Passa para 2026, porque 2022 está resolvido", escreveu.

 

Além disso, em 2016, o tenente-coronel atacou diretamente Lula (PT) em publicação no Instagram. 

“Segundo este canalha, que se autoproclama como o mais honesto, até o Eduardo Cunha seria mais honesto que aqueles que vejo doarem suor e sangue trabalhando ou tentando o serviço público”, escreveu em um vídeo com o pronunciamento de Lula durante investigações da Operação Lava Jato.

Em 2014, Azevedo também fez parte da horda que foi às ruas pelo golpe da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).  “Fora Dilma” e “petralhas”, escreveu.

Assim como Ricardo Sant’Ana, Gleyson também trabalha no Centro de Desenvolvimento de Sistemas (CDS) do Exército, chefiado pelo general de Divisão Eduardo Wolsk.
Portal Internet do Centro de Desenvolvimento de Sistemas - Chefia

General Wolsk e os coronéis bolsonaristas extremistas

05
Ago22

UOL Investiga T1E4: Investigações sobre Flávio conectam Jair Bolsonaro ao esquema

Talis Andrade

CHARGE – Blog do CardosinhoPreso pela PF, Pastor Everaldo batizou Bolsonaro no Rio JordãoVídeo: Pastor preso por desvios no Rio batizou Bolsonaro nas águas do rio  Jordão - ISTOÉ Independente

Pastor Everaldo e Bolsonaro, batismo no Rio Jordão

 

O escândalo das rachadinhas, nome popular para a prática criminosa do peculato, revela o passado oculto do presidente Jair Bolsonaro. Este é o tema do podcast "UOL Investiga - A Vida Secreta de Jair".

Intitulado "A Verdade Liberta", o quarto e último episódio conecta todas as histórias da família Bolsonaro e do esquema ilegal de devolução de salários nos gabinetes.

O programa traz bastidores da prisão de Fabrício Queiroz e um resumo das provas contra ele e Flávio Bolsonaro. Também revela o que se descobriu para conectar o presidente Jair Bolsonaro diretamente ao esquema.

Você pode ouvir o quarto episódio completo no arquivo mais abaixo, ler na íntegra o roteiro do programa aqui.

Em formato narrativo, o podcast apresentado pela jornalista Juliana Dal Piva, com ajuda da equipe do núcleo investigativo do UOL, foca em aspectos não revelados do envolvimento direto do presidente da República no esquema ilegal de entrega de salários de assessores na época em que ele exerceu seguidos mandatos de deputado federal (entre os anos de 1991 e 2018).

 

Jornalista fala sobre entrevista exclusiva com militar que ocultou o corpo  de Rubens Paiva - Portal IMPRENSA - Notícias, Jornalismo, Comunicação

Juliana Dal Piva, premiada jornalista

O Negócio do Jair - Juliana Dal Piva - Grupo Companhia das Letras

 

"A VIDA SECRETA DE JAIR"

EPISÓDIO 4 - A VERDADE LIBERTA

 

JAIR BOLSONARO, discurso de vitória em outubro de 2018: "Meu muito obrigado a todos no Brasil por essa oportunidade. E, se me permitem, eu quero fazer a leitura do meu discurso da vitória."

JULIANA DAL PIVA: O presidente Jair Bolsonaro costuma contar para a família e para os amigos que ele já leu a Bíblia duas vezes. E tem um trecho que ele cita sempre. É do Novo Testamento: O Evangelho de João, capítulo 8 e versículo 32.

JAIR BOLSONARO, discurso de vitória em outubro de 2018:

"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Nunca estive sozinho (...)"

JULIANA DAL PIVA: Esse trecho é tão importante para o Bolsonaro que ele citou logo no início do discurso de vitória da eleição presidencial em 2018. Naquele dia, 28 de outubro, o Bolsonaro estava em casa ao lado da atual primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e de vários apoiadores.

O Bolsonaro estava usando um terno cinza e uma camisa azul. Era o único mais formal. Já era quase verão no Rio de Janeiro e todo mundo em volta dele estava com camisetas brancas ou amarelas com algum slogan da campanha ou adesivos com o número do PSL, o 17, que era o do partido do presidente Bolsonaro.

 

Humor Político auf Twitter: „Um, ex - voto... por Renato Aroeira #comédia # MagnoMalta #humor #charge https://t.co/ErKdWDgOOu“ / Twitter

Logo depois do resultado, as televisões entraram ao vivo com o clima na casa de Bolsonaro. O SBT, por exemplo, mostrou até quando o presidente recém-eleito rezou de mãos dadas com a mulher e o ex-senador Magno Malta.

www.brasil247.com - Aroeira: após Bolsonaro, militares também enquadram Onyx

 

Ali estava ainda o Gustavo Bebianno, que era presidente do PSL. O deputado Hélio Lopes, grande amigo do Bolsonaro. Tinha o futuro ministro Onyx Lorenzoni e o senador Luis Carlos Heinze, que agora, durante a pandemia de covid-19, ficou conhecido por defender a cloroquina, um remédio que não tem eficácia para combater a doença. No fundo, longe das câmeras, também estava o advogado Frederick Wassef.

 

O menino de Rancho Queimado se queimou?', ironiza leitor - 02/08/2021 -  Painel do Leitor - Folha

E foi na frente de toda essa gente que o Bolsonaro citou que a verdade ia libertar.

JAIR BOLSONARO, discurso de vitória em outubro de 2018: "A verdade vai liberar esse grande país. E a liberdade vai nos transformar em uma grande nação. A verdade foi o farol que nos guiou até aqui e que vai seguir iluminando o nosso caminho."

JULIANA DAL PIVA: O Bolsonaro já tinha citado essa passagem da Bíblia várias outras vezes na campanha e no plenário da Câmara dos Deputados.

Quando o Bolsonaro menciona essa passagem sobre a verdade, o que ele quer é dizer que a visão dele é a "verdadeira". Mesmo que os fatos neguem o que ele chama de "verdade".

E pra conhecer a "verdade" primeiro é preciso encarar os fatos. Mas justamente são os fatos sobre o caso da rachadinha que expuseram um passado que o presidente e a família dele parecem querer esquecer. Ou esconder.

E, investigando essa história, fiquei pensando no que significava conhecer a "verdade" sobre os gabinetes da família Bolsonaro.

 

Eu sou Juliana Dal Piva, colunista do UOL, e nesse quarto episódio do podcast UOL Investiga: A vida secreta de Jair, vou te contar por que os promotores do Rio de Janeiro denunciaram o senador Flávio Bolsonaro.

O filho mais velho do presidente foi apontado como líder de uma organização criminosa capaz de ter desviado pelo menos 6 milhões de reais dos cofres públicos.

Para fazer essa acusação, os investigadores reuniram milhares de documentos que se tornaram provas contra o Flávio.

Mas, no meio desses papéis, apareceram também indícios que conectavam ao esquema pessoas muito próximas ao presidente Jair Bolsonaro. Assessores, parentes, suas ex-mulheres e até a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Também vou te mostrar mais gravações inéditas de familiares do presidente. Áudios que mostram uma conexão direta de Jair Bolsonaro com o esquema de devolução de salários.

 

ANDREA SIQUEIRA VALLE, em gravação: "Não é pouca coisa que eu sei, não. É muita coisa que eu posso ferrar a vida do Flávio, ferrar a vida do Jair, posso ferrar a vida da Cristina. Entendeu? Então, é por isso que eles têm medo aí e mandam eu ficar quietinha, não sei o quê, tal"

JULIANA DAL PIVA: Revelações que apontam para uma conclusão: os gabinetes da família Bolsonaro funcionavam como uma coisa só, sem divisões. E o presidente colocou os filhos na política, mas comandava cada um dos mandatos. Tudo parece um grande negócio de família. Fica comigo até o final que você vai ouvir e também vai entender.

 

JULIANA DAL PIVA: Os gritos assustaram quem passou perto do gabinete presidencial no Palácio do Planalto no fim daquela terça-feira. Era 20 de outubro de 2020.

O presidente estava aos berros naquele início de noite e quem passou perto não pode evitar de ouvir o Bolsonaro gritando que o filho mais velho, o Flávio, era perseguido pelos promotores do Rio de Janeiro.

No dia anterior, o Ministério Público do Rio de Janeiro entregou no Tribunal de Justiça do estado uma denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro.

Não se sabe ao certo como, porque o caso corre em sigilo, mas o presidente Jair Bolsonaro soube de alguns detalhes da denúncia.

Além da raiva, é difícil saber ao certo o que passou na cabeça do Bolsonaro naquele dia.

O rompante do presidente até foi notado pelos auxiliares, mas o motivo dos gritos acabou escondido do público em geral por mais duas semanas.

Depois de 820 dias no caso, o Ministério Público do Rio de Janeiro finalmente decidiu denunciar o Flávio e o amigo de longa data do presidente, Fabrício Queiroz. Além deles, mais 15 pessoas.

E os principais crimes apontados foram desvio de verba pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Soa bem pesado e é. Mas não foi uma surpresa.

A família Bolsonaro já dava como certo que o Flávio teria que enfrentar essas acusações na Justiça.

Esse destino parecia selado desde o dia 18 de junho do ano passado, quatro meses antes da denúncia.

 

TELEJORNAL: "Olá, bom dia. A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo prenderam agora há pouco Fabrício Queiroz, que foi assessor de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual do Rio."

JULIANA DAL PIVA: O Brasil acordou naquela manhã com a resposta para a pergunta que rodou o país por mais de um ano e meio.

PERGUNTA: Cadê o Queiroz?

 

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JULIANA DAL PIVA: Eram três horas da manhã quando 20 policiais do Garra, o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos, deixaram a capital paulista. Já era o início do inverno, então fazia frio em São Paulo. O Brasil estava no meio da primeira onda de casos da pandemia de covid-19.

Os policiais saíram sem informação de quem era o alvo da operação. Uma hora depois eles chegaram em Campinas e aí sim receberam instruções de alguns promotores. Só os promotores é que sabiam o nome do alvo da operação num endereço da cidade de Atibaia, no interior de São Paulo.

Mais uma hora passou e todo o grupo chegou ao local. Às seis horas da manhã, policiais e promotores estavam na frente de uma casa numa chácara que fica no número 644, na rua das Figueiras, bairro Jardim dos Pinheiros.

Na frente do endereço tinha uma placa que identificava o lugar como o escritório do Frederick Wassef, o advogado da família Bolsonaro. Por isso, representantes da OAB também acompanharam tudo.

Os policiais, então, tocaram a campainha algumas vezes. E nada. Como ninguém apareceu, eles decidiram entrar. Cortaram uma corrente no portão e depois forçaram a porta da frente da casa.

Quando entraram no imóvel, os agentes encontraram um homem assustado e ainda deitado na cama. Era o Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. Quem me contou esses detalhes foi o promotor paulista José Cláudio Báglio, que comandou a operação de prisão do Queiroz em Atibaia.

 

JOSÉ BÁGLIO, em entrevista a Juliana Dal Piva: Ele estava deitado, ainda, no interior de uma casa. Uma casa confortável, mas antiga, de chácara mesmo, típica da região ali. Parecia que algumas coisas estavam meio improvisadas ali, alguns colchões lançados em outros cômodos, etc.

JULIANA DAL PIVA: Quando vocês chegaram e entraram, viram ele deitado, como é que ele reagiu?

JOSÉ BÁGLIO: Ele se mostrou bastante surpreso, não acreditando no que estava acontecendo. Num primeiro momento, ele não queria dizer nada, mas depois ele confirmou que era efetivamente ele. Mesmo porque a gente estava com a identificação positiva de que ele estaria no local e o próprio caseiro disse que não sabia quem era. Se eu não me engano, o caseiro disse que conheceu ele por outro nome. Foram realizadas as buscas. Os documentos e objetos que eram de interesse da investigação foram apreendidos conforme a ordem judicial.

(...)

Anjo" Wassef vira 'homem bomba' no laranjal - O CORRESPONDENTE

 

JULIANA DAL PIVA: A ação policial foi chamada de "Operação Anjo", em uma referência a como Queiroz e a família dele chamavam o advogado Frederick Wassef. Falei para você sobre isso no episódio anterior. Lá em Bangu, o Queiroz ficou numa cela do lado do Sergio Cabral, que era o governador do Rio de Janeiro, você deve lembrar.

Anjo" Wassef vira 'homem bomba' no laranjal - Vermelho

Enquanto o Queiroz descobria a cadeia, as equipes do Ministério Público e da polícia ainda procuravam a mulher dele, a Márcia Aguiar. Ela também teve a prisão decretada, mas ninguém achou a Márcia. A mulher do Queiroz fugiu dos investigadores e ficou foragida da Justiça por 40 dias.

Já tinha meses que a Márcia tinha medo de ser presa. Lembra?

(...)

 

E, naquele dia da prisão do Queiroz, eu falei com o advogado Paulo Emílio Catta Preta sobre a entrada dele no caso.

JULIANA DAL PIVA: Quando o senhor começou a atuar na defesa do Queiroz?

PAULO EMÍLIO CATTA PRETA: Olha, rigorosamente, primeiro ato mesmo, a partir de hoje. Mas eu já estou sendo procurado pela família há alguns dias, cerca de uns 15 dias, no sentido de eu advogar para ele, defendê-lo nessa questão da Alerj. Ele estava sem advogado porque o defensor tinha renunciado já há algum tempo. Eles me perguntaram se eu podia advogar, falei que sim, pedi para estudar os autos e, enfim, prosseguimos.

 

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JULIANA DAL PIVA: O senhor atendia o ex-capitão do Bope Adriano Nóbrega. O senhor está dizendo que foi procurado pela família do Queiroz, o senhor acha que também teria alguma relação?

PAULO EMÍLIO CATTA PRETA: Não fui informado sobre isso, mas posso supor que, por eles terem visto a minha atuação no caso do Adriano, eles eram amigos, talvez isso tenha sido um dos motivos de eles terem me procurado. Mas não me foi dito isso.

 

JULIANA DAL PIVA: O senhor foi procurado por quem especificamente da família?

PAULO EMÍLIO CATTA PRETA: ui procurado pelas filhas inicialmente, depois falei com ele ao telefone. Não estive com ele ainda não, até porque achava que tinha tempo para estudar o processo e, enfim, acho que a medida (prisão) de hoje abrevia o meu tempo.

 

JULIANA DAL PIVA: O senhor foi procurado em Brasília?

PAULO EMÍLIO CATTA PRETA: Em Brasília.

 

JULIANA DAL PIVA: Pessoalmente, por telefone?

PAULO EMÍLIO CATTA PRETA: Por telefone.

 

JULIANA DAL PIVA: Entendi. or tinha conhecimento de que ele estava no imóvel do Wassef?

PAULO EMÍLIO CATTA PRETA: Não, não tinha conhecimento.

 

JULIANA DAL PIVA: Quando as filhas procuraram, elas não disseram isso pro senhor?

PAULO EMÍLIO CATTA PRETA: Não, elas não falaram onde ele estava e eu também não perguntei. Foi uma conversa inicial de tentar procurar um advogado, basicamente contar o caso e dizer o que é que tem e vai querer essa defesa. Não cheguei a perguntar isso [onde ele estava] e eles [família] também não me falaram.

 

JULIANA DAL PIVA: Esse é um trecho de uma entrevista que o advogado Paulo Emílio Catta Preta me deu naquele dia. A íntegra foi publicada na revista Época.

Antes de continuar, tem uma coisa importante que eu preciso te contar. Quatro meses antes do Queiroz ser preso, o Adriano morreu numa operação policial na Bahia.

O Adriano era foragido da Justiça fazia um ano. A polícia diz que ele reagiu e houve um confronto. Já a família do Adriano diz que ele foi executado.

Mas essa é uma história longa, cheia de polêmicas que rende sozinha um episódio inteiro. Vai ter que ficar pra outro dia.

O que interessava naquele 18 de junho de 2020 era a prisão de Queiroz na casa do advogado da família Bolsonaro.

Todo mundo procurou o Wassef por uma explicação. Afinal de contas, fazia meses que ele dizia que não sabia onde o Queiroz estava. Aí o Queiroz foi preso e o Wassef mudou a versão. O advogado passou a dizer que emprestou a casa para o Queiroz ficar durante os tratamentos de saúde que ele fazia em São Paulo. O Wassef inclusive repetiu isso em uma entrevista para minha coluna no UOL este ano.

 

JULIANA DAL PIVA: O senhor nunca se encontrou com nenhum desses assessores que é investigado, além do Queiroz?

FREDERICK WASSEF: Quem te disse? Eu falei que eu me encontrei com o Queiroz? Nunca falei isso. Você nunca ouviu falar que eu me encontrei com o Queiroz, isso é mentira. Nunca disse a ninguém que me encontrei com o Queiroz.

 

JULIANA DAL PIVA: O Queiroz esteve na sua casa, como o senhor bem sabe, ele foi preso em Atibaia.

FREDERICK WASSEF: Eu falei? Você acabou de fazer uma afirmação que eu não disse.

 

JULIANA DAL PIVA: Eu estou corrigindo, é uma pergunta, o senhor pode responder e dizer: o senhor nunca esteve com o Queiroz.

FREDERICK WASSEF: Olha o que eu vou falar sobre o Queiroz, preste bem atenção. Fui vítima de fake news. Jamais escondi Queiroz. Jamais Queiroz esteve escondido, procurado ou foragido. Queiroz não era indiciado. Não era denunciado. Não era réu em ação penal. Não era nada. Era apenas um averiguado, assim como Flávio e outras 40 pessoas. A senhora deveria saber Juliana que jamais existiu uma determinação judicial que impedisse Queiroz de viajar, ir, vir ou que ele tivesse que declarar ao juízo "senhor juiz vou sair hoje, vou passar uma semana em São Paulo pelos motivos tais e retorno na data tal". Nunca teve nada disso. Portanto, jamais houve qualquer ilegalidade no Queiroz viajar. Então vou fazer um breve resumo da história Queiroz para combater a fake news. O Queiroz morava no Rio, em endereço declinado à Justiça, e era lá que ele morava e sempre esteve. Jamais morou comigo e muito menos se escondeu comigo. São mentiras criminosas e fake news. Vou dar duas informações importantes para a senhora. Onde estava Queiroz antes de ele ser preso em Atibaia? Por que falaram que ele morava em Atibaia há um ano? Mentira. Ele estava no Rio de Janeiro. O Queiroz chegou em Atibaia e foi preso apenas três dias após a sua chegada. Ele foi preso no quarto dia. Onde o Queiroz estava antes? Na residência dele, no Rio de Janeiro, no endereço fornecido nos autos do processo. Quanto tempo ele esteve lá? Dois meses. E antes disso? Sim, ele esteve em Atibaia, 10, 12 dias. Não sei, porque não estava lá. Não vi. Não falei com ele. Mas e antes? Rio de Janeiro. Então vou resumir para a senhora: o Queiroz viajava. Morava no Rio e fazia viagens. Ficava a maior parte do tempo no Rio. Aí vinha a Atibaia, fazia seu tratamento de saúde, passava uns dias e voltava. Ele apenas viajava e transitava. Permitir o uso de uma propriedade, para que uma pessoa em tratamento de câncer, pudesse ter um abrigo, não é irregular, imoral ou crime. Não é nada.

 

JULIANA DAL PIVA: O Wassef não gosta de falar desse assunto. Até porque é no mínimo difícil de imaginar que ele emprestasse a casa e não falasse com o Queiroz. Eu até já te mostrei uma mensagem do Queiroz falando de uma conversa com o "Anjo".

FABRÍCIO QUEIROZ, em áudio de outubro de 2019: "O 'Anjo' também a primeira coisa que o 'Anjo' chegou pra mim e falou na minha cara foi: você foi traído, você foi traído ontem à noite!"

(...)

 

ITALO NOGUEIRA, entrevista com Jair Bolsonaro em janeiro de 2018: "Então vamos falar do seu patrimônio. O senhor estava criticando o fato de a Folha ter divulgado o valor do patrimônio do senhor, da sua família."

JAIR BOLSONARO: "Peraí? Você tem que divulgar é o meu patrimônio. Daqui a pouco você vai querer pegar a minha mãe. Meus pais, meu pai já morreu. Meus irmãos. Tem que pegar o meu, esquece meus filhos (...)"

JAIR BOLSONARO: "Você tá enchendo o saco, porra. Tá procurando cabelo em ovo."

JULIANA DAL PIVA: Nessa ocasião, a Camila Mattoso perguntou por que ele recebia auxílio-moradia se tinha um apartamento em Brasília e o Bolsonaro respondeu na maior grosseria.

CAMILA MATTOSO, entrevista com Jair Bolsonaro em janeiro de 2018: "E o senhor utilizou em algum momento, deputado, o dinheiro do auxílio-moradia para esse primeiro apartamento?"

JAIR BOLSONARO: "Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio-moradia eu usava para comer gente. Você está satisfeita agora? É a resposta que você merece. O dinheiro do auxílio-moradia eu dormi em hotel, eu dormi em casa de colegas meus militares. O dinheiro foi gasto em alguma coisa. Você quer que eu preste a continha? Recebi 3 mil, eu gastei 2 mil de hotel, vou devolver mil. Tem cabimento?"

 

Partido dos Trabalhadores RJ - BOLSONARO: “ESSE DINHEIRO DE AUXÍLIO MORADIA  EU USAVA PRA COMER GENTE, TÁ SATISFEITA AGORA OU NÃO?” O pré-candidato à  Presidência da República Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou em

 

ITALO NOGUEIRA: "Diversos colegas seus fazem isso".

JULIANA DAL PIVA: Nessa entrevista, o presidente Jair Bolsonaro também falou uma coisa que me fez pensar sobre como ele e os filhos atuavam juntos.

JAIR BOLSONARO, entrevista janeiro de 2018: "Não há diferença, muitas vezes um funcionário que trabalha para mim, trabalha para os dois também."

JULIANA DAL PIVA: Nesse dia, o comentário do Bolsonaro não chamou a atenção necessária sobre o que realmente significava não ter diferença trabalhar para ele ou para os filhos. Não parecia nada demais que eles compartilhassem algum serviço entre os assessores.

Só que com o tempo e a investigação sobre a rachadinha, isso foi se mostrando um modus operandi. A filha do Queiroz, por exemplo. A Nathália.

NATHÁLIA QUEIROZ, em áudio: "Meu pai é muito burro, cara. Muito burro. O que é que ele tem que ficar falando essas coisas? Ele não aprendeu com esse monte de merda que aconteceu? Vai e ainda fica falando mais de política, gente, que prazer é esse que ele tem?"

JULIANA DAL PIVA: Ela sempre foi personal trainer. Mas passou um tempo nomeada no gabinete do Flávio e depois virou funcionária do Bolsonaro. Se ela trabalhasse normalmente como assessora parlamentar, isso não importava. A questão é que as provas mostraram que ela sempre foi personal. Era, portanto, funcionária fantasma na Alerj e na Câmara dos Deputados.

Então, desde 2018, a situação dos funcionários dos Bolsonaro deixava dúvidas. E o patrimônio da família do agora presidente também.

Só que faz pouco tempo que a gente sabe em detalhes as suspeitas em algumas dessas negociações de imóveis. E o Bolsonaro já tinha sido eleito presidente da República quando os problemas vieram à tona.

O fato inegável antes da eleição de 2018 era que o Bolsonaro e os três filhos construíram quase todo aquele patrimônio depois de entrar para a política.

A primeira vez que o presidente Jair Bolsonaro disputou uma eleição foi em 1988. Ele concorreu a vereador no Rio de Janeiro e disse para a Justiça Eleitoral que tudo o que ele tinha era um Fiat Panorama, uma moto e dois terrenos em Resende, no sul do estado.

Já o Flávio e o Carlos foram eleitos pela primeira vez no início dos anos 2000. Ainda eram estudantes universitários e nunca tiveram outro emprego fora da política.

Décadas passaram. Hoje o Flávio é senador e teve antes quatro mandatos de deputado estadual.

FLÁVIO BOLSONARO, em discurso no Senado em junho de 2021: "É fácil depor quando você está com a verdade do lado, então eu senti isso do general Pazuello, muita tranquilidade."

TRIBUNA DA INTERNET

JULIANA DAL PIVA: O Carlos já está no sexto mandato de vereador.

CARLOS BOLSONARO, em discurso na Câmara de Vereadores em 2012: "Não trata-se aqui de sermos héteros ou homossexuais, trata-se de caráter."

Você é realmente tão ingênuo e ignorante?”, pergunta cônsul da China a Eduardo  Bolsonaro | bloglimpinhoecheiroso

JULIANA DAL PIVA: O Eduardo foi para o segundo mandato de deputado federal. Ele se tornou deputado em 2015. Antes, foi policial federal concursado por quatro anos.

EDUARDO BOLSONARO, em uma aula em 2018: "Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe, manda um cabo e um soldado."

Indo fechar o STF — Indo fechar o STF — Alô Notícias - Com Lucio Jaques —  Notícias políticas em Santa Catarina

JULIANA DAL PIVA: Essa carreira de políticos profissionais da família Bolsonaro rendeu. Todos eles enriqueceram na política. Esse também é outro fato.

O Bolsonaro só não tem um patrimônio maior porque na separação da Cristina ela ficou com dois terços do total, mais de 2 milhões de reais na época. É aquela segunda mulher dele de quem eu te falei no segundo episódio.

O patrimônio de Bolsonaro hoje é um apartamento em Brasília, duas casas num condomínio na Barra da Tijuca, uma casa onde funciona um escritório político dele em Bento Ribeiro, na zona norte do Rio, e a casa de praia em Angra dos Reis. Aquela onde ele fazia um tour mostrando as armas pros convidados. Tudo isso, mais umas ações e uns carros, soma, segundo o Bolsonaro, uns 2,2 milhões de reais.

Mas é o tamanho do empreendedorismo do Flávio que causou mais surpresa. Lá em 2003, tudo que o estudante de Direito Flávio Bolsonaro tinha era um carro. Um Gol 1.0.

Hoje, o Flávio é dono de uma mansão de 6 milhões de reais em Brasília. E, desde 2005, ele negociou 20 imóveis. Também montou uma loja de chocolates, em 2015. E é justamente essa ascensão financeira do Flávio o coração da investigação do Ministério Público sobre a rachadinha.

FLÁVIO BOLSONARO, em entrevista para a TV Record em janeiro de 2019: "Eu explico mais uma vez. Eu sou empresário, o que eu ganho na minha empresa é muito mais do que ganho como deputado estadual. Eu não vivo só do meu salário de deputado."

JULIANA DAL PIVA: Esse é o Flávio, em janeiro de 2019, tentando explicar por que tinha feito 48 depósitos de 2 mil ao longo de alguns dias.

Imagina essa cena. O Flávio, um deputado estadual, sozinho na frente de um caixa eletrônico, depositando um envelope de 2 mil. Depois outro, mais um e assim por diante. Eu nunca nem vi 96 mil reais em dinheiro vivo. Você não acha mais simples ir direto no caixa fazer esse depósito todo de uma vez? [Transcrevi trecho inicial. Leia mais aqui]

02
Ago22

Governo Bolsonaro pede ao TSE acesso ao código-fonte das urnas eletrônicas em ofício "urgentíssimo"

Talis Andrade

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ULTIMATO GOLPISTA

General Paulo Sérgio Nogueira deu prazo até 12 de agosto para que o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, atenda ao pedido

 

247 - O governo de Jair Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral o acesso ao código-fonte das urnas eletrônicas. O pedido foi feito pelo ministro da defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira em ofício classificado pela pasta como ‘urgentíssimo’.

“Solicito a Vossa Excelência a disponibilização dos códigos-fontes dos sistemas eleitorais, mais especificamente do Sistema de Apuração (SA), do Sistema de Votação (VOTA), do Sistema de Logs de aplicações SA e VOTA e do Sistema de Totalização (SisTot), que serão utilizados no processo eleitoral de 2022”, diz um trecho do ofício divulgado pelo site Poder 360 nesta terça-feira (2).

No ofício ao TSE, o ministro da Defesa dá o prazo até 12 de agosto para que o presidente da Corte Eleitoral, ministro Edson Fachin, atenda ao pedido. General Paulo Sérgio Nogueira justificou o prazo dizendo que há um “exíguo tempo disponível até o dia da votação”. O primeiro turno das eleições está marcado para o dia 2 de outubro.

Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que o ministro Alexandre de Moraes “faz de tudo” para incriminá-lo. “Inquéritos do Alexandre de Moraes são completamente ilegais, imorais. É uma perseguição implacável por parte dele, a gente sabe o lado dele”, afirmou Bolsonaro nesta terça-feira (2), durante entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

“É maneira de jogar a rede e me incriminar em algum lugar. Está fazendo tudo de errado [Alexandre de Moraes] e, no meu entender, não vai ter sucesso em seu intento final”, completou, conforme o jornal O Estado de S. Paulo. Moraes irá assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 16 de agosto. A figura caricatural do gorila nos discursos da esquerda

01
Ago22

Onde estará Aras se as luzes da democracia se apagarem?

Talis Andrade

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Onde estará Aras se as luzes da democracia se apagarem?

 

por Jamil Chade

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O papel do procurador-geral da República, Augusto Aras, como defensor da democracia e das garantias de funcionamento das instituições, tem gerado uma série de críticas e questionamentos ao longo do governo de Jair Bolsonaro. 

“Ao longo dos últimos três anos e meio, tenho me perguntado: existiria um sistema pelo qual todas as instituições continuam a existir teoricamente e, ao mesmo tempo, estão esvaziadas de suas funções? (…)”, diz o articulista Jamil Chade, em artigo publicado no portal UOL.  

Ao lembrar do papel de Aras como “um dos papéis mais relevantes em nossa República”, Jamil Chade busca uma resposta para a falta de investigação contra o atual presidente da República, lembrando ainda do arquivamento das denúncias obtidas pela CPI da Covid, além do arquivamento de 104 pedidos de investigação contra o atual presidente. 

O articulista cita ainda outros pontos que seriam alvo de investigação, como o vazamento de dados do inquérito da Polícia Federal, assim como os sucessivos ataques do atual presidente ao sistema eleitoral. 

26
Jul22

Golpismo de Bolsonaro deve ser enfrentado com energia e determinação, aponta editorial do Globo

Talis Andrade

Um pequeno passo para o eleitor, um grande passo para a democracia - Charge  - Estado de Minas

Aliados de Bolsonaro se aproveitam quanto podem dos recursos públicos

 

 

247 – O jornal O Globo, que apoiou o golpe de estado de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, hoje se posiciona, em editorial, contra o risco de um golpe militar bolsonarista. "O lançamento da candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição, na convenção nacional do PL, foi marcado por vitupérios contra o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral, contra o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por uma conclamação a manifestações no dia 7 de setembro — reprise provável dos atos golpistas do ano passado", aponta o editorialista.

"A agenda de Bolsonaro está ainda mais clara que depois das mentiras sobre as urnas eletrônicas proferidas a embaixadores. Ele não aceitará o resultado da eleição se derrotado e procura mobilizar seus partidários para tentar repetir no Brasil um movimento violento de contestação, inspirado na invasão do Capitólio por trumpistas em 6 de janeiro do ano passado. Enquanto semeia a confusão, seus aliados em Brasília e em todo o país se aproveitam quanto podem dos recursos públicos que o atual governo lhes garantiu", prossegue.Charge em defesa da democracia' - CartaCapital

 

"O golpismo de Bolsonaro é uma ameaça aguda à democracia, que precisa ser enfrentada com energia e determinação. As instituições serão sem dúvida testadas, mas não há motivo para duvidar de seu vigor. O patrimonialismo dos partidos a que ele se aliou, em contrapartida, é uma ameaça crônica, sub-reptícia, anterior a Bolsonaro — e que promete persistir. Para nossa democracia, enfrentá-la é no mínimo tão desafiador quanto derrotar o golpismo", finaliza.

Charge da semana: Vote na democracia! | SINTAF

26
Jul22

Golpismo de Bolsonaro é desespero para fugir da cadeia, aponta editorial da Folha

Talis Andrade

www.brasil247.com -

 

Golpismo não prosperará

 

247 – O jornal Folha de S. Paulo aponta, em editorial, que Jair Bolsonaro que promover um golpe de estado no Brasil para não responder por seus crimes. "Menos de uma semana depois de ter conspurcado a imagem do país diante de embaixadores estrangeiros, Jair Bolsonaro retomou o figurino golpista neste domingo (24), durante a convenção do PL que oficializou o presidente como candidato à reeleição. Seu alvo, desta feita, não foram as urnas eletrônicas; em vez de investir contra o equipamento que tem facilitado a lisura das eleições nas últimas décadas, o presidente mirou o STF (Supremo Tribunal Federal), órgão encarregado de salvaguardar a Constituição", aponta o texto.

"O chamado, ao qual não faltaram metáforas marciais, tem o condão de demonstrar força —e é possível que lunáticos e ingênuos o tomem pelo valor de face. Quem observar pouco além da superfície, contudo, já perceberá o quanto há de desespero nessa manobra", prossegue o editorialista. "Fruto da conjuntura política e do desarranjo republicano provocado por Bolsonaro, a comodidade de não se ver devidamente investigado deve mudar em eventual derrota eleitoral. O presidente sabe que, sem o aparato de blindagem de que hoje dispõe, suas chances de prosperar na Justiça comum tendem a zero", avança. "Felizmente, como parece demonstrar o exemplo dos EUA na investigação acerca da invasão do Capitólio, há como conter a semente da destruição plantada por populistas e devolver às instituições o vigor necessário para punir aqueles que se voltaram contra elas", finaliza.

 

 

 

19
Jul22

46 países usam sistemas similares ao brasileiro

Talis Andrade

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Após Bolsonaro atacar sistema eleitoral em reunião com embaixadores, Fachin fala em "inaceitável negacionismo"
 
 
Os ataques foram feitos nesta segunda-feira, durante reunião do presidente Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores estrangeiros, no Palácio da Alvorada. Além de questionar as urnas eletrônicas, o presidente também voltou a subir o tom contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após fala de Bolsonaro, o presidente do TSE, Edson Fachin, disse que existe um "negacionismo eleitoral" e que é "hora de dizer 'basta'". O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), disse que as "urnas eletrônicas e a lisura do processo eleitoral não podem mais ser colocadas em dúvida". Embaixadores, jornalistas e veículos de imprensa apontam que o presidente não apresentou provas das acusações.

Jornal O Globo
@JornalOGlobo
Embaixadores avaliam que apresentação de Bolsonaro sobre sistema eleitoral não convenceu por falta de provas
JOTA
@JotaInfo
Em encontro com embaixadores, presidente da República não apresenta prova de fraude em eleições e critica pedido do presidente do TSE para que resultado da eleição de 22 seja reconhecido por outros países. Diz que Fachin era advogado de um "grupo terrorista", referindo-se ao MST.
Fotografia colorida é retrato de Jair Bolsonaro discursando ao microfone. Sobre a imagem há o texto: "Bolsonaro repete teorias da conspiração e ataca urnas, STF e TSE a embaixadores"Image
 
Presidente do Senado diz que "urnas eletrônicas e a lisura do processo eleitoral" não podem mais ser questionadas; presidente da Câmara não se manifestou
Rodrigo Pacheco
A segurança das urnas eletrônicas e a lisura do processo eleitoral não podem mais ser colocadas em dúvida. Não há justa causa e razão para isso. Esses questionamentos são ruins para o Brasil sob todos os aspectos. (+)
@rodrigopacheco
O Congresso Nacional, cuja composição foi eleita pelo atual e moderno sistema eleitoral, tem obrigação de afirmar à população que as urnas eletrônicas darão ao país o resultado fiel da vontade do povo, seja qual for.Image
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TSE
@TSEjusbr
#JustiçaEleitoralEm2021  No mês de setembro, relembramos a parceria entre a #JustiçaEleitoral e as Forças Armadas com este #TBT da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada durante a primeira etapa do Simulado de Testes Nacional de urnas eletrônicas em 2016.
Em destaque, o selo da série #TBTEleitoral e da Retrospectiva 2021. Card com fotografia de militares mexendo em urnas eletrônicas . No texto, "Militares realizam simulado de testes nacional de urnas eletrônicas para eleições de 2016". No rodapé, "Fotografia: 14ª Brigada de Infantaria Motorizada".  Moldura com ilustração da Urna Eletrônica e logomarca da Justiça Eleitoral.
 

O ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto declarou que a Corte Eleitoral não pode tornar as Forças Armadas mentoras do pleito, assumindo uma função que é sua. 

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19
Jul22

"Basta", diz Fachin sobre ataques de Bolsonaro à Justiça Eleitoral (vídeo)

Talis Andrade

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Em reunião com os embaixadores, presidente Jair Bolsonaro atacou o Judiciário e o sistema eleitoral brasileiro

 
por Luana Patriolino /Correio Braziliense
 
- - -
O ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se manifestou após a série de ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o Judiciário na reunião com os embaixadores, nesta segunda-feira (18/7), sobre o sistema de votação brasileiro. O magistrado disse que há um “inaceitável negacionismo eleitoral” por parte do chefe do Executivo e seus apoiadores mais radicais e afirmou que é “hora de dizer basta” para os ataques contra a Corte.
 

Fachin reiterou que não há nenhum indício de fraude nas urnas eletrônicas. “A Justiça Eleitoral está preparada e conduzirá a Eleição de 2022 de forma limpa e transparente. Como vem fazendo nos últimos 90 anos. E nos últimos 26 anos de forma eletrônica para votação”, afirmou. “Há um inaceitável negacionismo eleitoral por parte de uma personalidade importante dentro de um país democrático, e é muito grave a acusação de fraude (má fé) a uma instituição, mais uma vez, sem apresentar provas”, disse.

A declaração aconteceu durante palestra em evento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná. Segundo Fachin, o Judiciário se manteve à disposição do diálogo com o Executivo, sem necessidade de ataques.

“Sempre estivemos abertos ao diálogo, nenhum ataque pessoal ou à instituição foi ‘contra-atacado’, sempre houve a condução disciplinada e educadora com intuito de informar ao eleitorado a respeito do processo eleitoral e a função e capacidade do TSE e justiça eleitoral como um todo, sua segurança, transparência e eficácia”, disse.

O ministro lamentou a tensão entre os Poderes. “Porém, neste momento, mais uma vez a Justiça Eleitoral e seus representantes máximos, são atacados com acusações de fraude, ou seja, uso de má fé. Ainda mais grave, é o envolvimento da política internacional e também das Forças Armadas, cujo relevante papel constitucional a ninguém cabe negar como instituições nacionais, regulares e permanentes do Estado, e não de um governo. É hora de dizer basta”, garantiu.

 

Tensão e série de ataques

 

Desde que foi eleito, Jair Bolsonaro insiste que o sistema de votação é frágil e até mesmo que as eleições de 2018, as mesmas que o elegeram elegeram presidente da República, foram fraudadas. 

Além de lançar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, o chefe do Executivo também causou tensão entre os Poderes ao sugerir que as Forças Armadas fizessem uma apuração paralela na contagem de votos. O próprio ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, chegou a dizer que os militares se sentem “desprestigiados” pela Justiça Eleitoral.

Em reunião com os embaixadores, nesta segunda, Bolsonaro rebateu manchetes de jornais e declarações de magistrados e disse que eles tentam constantemente “desestabilizar” seu governo.

Fachin rebateu os argumentos do presidente. “Em meio a um debate desvirtuado e a um clima comunicativo nitidamente adoecido, é preciso recusar a cólera, promover diálogos racionais e ponderados, focar nos verdadeiros problemas. O processo eletrônico de votação é seguro e transparente, as eleições brasileiras permitem, de fato, a circulação do poder em consonância com a autêntica vontade popular”, disse.ImageEstadãoO Globo

Folha de S.Paulo
Correio Braziliense

 

 

19
Jul22

"Bolsonaro anunciou o golpe e não foi preso – o que prova que não estamos sob um estado de direito", diz Luiz Eduardo Soares

Talis Andrade

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Antropólogo e cientista político afirma que se a sociedade civil não reagir já o golpe miliciano será irreversível

 

247 – O antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares compartilhou em suas redes um texto que resume a tragédia nacional: Jair Bolsonaro cometeu um crime de alta traição nacional e ainda não foi preso – o que demonstra cabalmente que o Brasil não vive sob um estado de direito. Leia a íntegra:

O golpe foi anunciado, hoje, oficialmente, e para o mundo. A situação nunca foi tão grave. Nos EUA, Trump anunciou, antecipadamente, que não aceitaria o resultado das eleições (se perdesse). Bolsonaro acaba de declarar que, se a legislação eleitoral em vigor for mantida, não haverá eleições. Falou na primeira pessoa do plural, se referindo às Forças Armadas. 

Essa declaração de guerra ao TSE e à Lei, à Constituição, ocorreu dentro do Palácio, com transmissão oficial ao vivo, diante dos embaixadores convocados. Até agora, os presidentes da Câmara, do Senado, do Supremo e do TSE, além do PGR, permanecem calados.www.brasil247.com - { imgCaption }}

Se as instituições estivessem funcionando, Bolsonaro teria de ser deposto e preso. Isso não vai acontecer, o que demonstra que nós já não vivemos sob o Estado democrático de direito. 

Se a sociedade estivesse mobilizada e plenamente consciente do que está acontecendo, amanhã haveria greve geral e milhões de pessoas tomariam as ruas de todo o país. Não é o caso, desafortunadamente. Então, só nos resta mobilizar o que for possível, reunir a oposição e as organizações da sociedade civil. Todas elas. As universidades têm de parar. Quem puder parar, tem de parar. Agora. Nem mais um passo atrás ou o triunfo do golpe, já iminente, será certo e irreversível.

 

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