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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Mar20

Brasil tem 4.579 casos e 159 mortes por coronavírus

Talis Andrade

 

O Brasil confirma 323 novos casos de coronavírus nesta segunda-feira e contabiliza um total de 4.579 infectados. O país tem, ao todo, 159 mortes provocados pela Covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde. O protocolo brasileiro estabelece que os casos mais graves da doença sejam testados num contexto de racionalização de testes por conta da escassez global desses insumos. A região Sudeste ainda concentra a maior parte dos infectados, com 55% de confimações no país. 

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30
Mar20

Sim, Bolsonaro, agimos como homens; você, como um moleque

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Apagado pelo Twitter, por fazer propaganda, na prática, da contaminação de pessoas pelo coronavírus, Jair Bolsonaro tornou-se uma tragédia internacional.

Desafia-nos a combater esta praga viral como homens, não como crianças.

Deveria ser o contrário: somos milhões de homens e mulheres que estamos enfrentando uma calamidade como adultos, cada um se privando de pouco ou de muito, enquanto ele age como um moleque irresponsável.

Pior, caber-lhe-á a culpa por milhares de mortes, por ter induzido tolos e pueris a cederem aos apelos dos que, na sua sede infinda de dinheiro, gritam por que se abram os comércios e todos voltem à armadilhas dos trens, dos ônibus, dos metrôs e espalhem e recebam o vírus mortal.

Sim, age como um moleque ao tentar capitalizar politicamente uma possibilidade – remota e incerta – de cura, apelando de forma sórdida para a fé com um maldito “Deus é brasileiro”, como se as dezenas de milhares que morrem mundo afora não fossem da prole divina.

Você é um verme moral, Jair Bolsonaro, e haverá ainda neste país quem o diga, mesmo que muitos balbuciem em particular e gaguejem em público, desertando de seus juramentos profissionais e de seus deveres públicos.

Desertando como você, desertor de seu compromisso, como militar e como presidente, defender a vida do povo brasileiro.

Mais, genocida, porque prega já sem muitos disfarces a morte dos velhos e doentes como forma de “solução final” para o drama da pandemia. Genocídio, como mau militar que é, nem deve saber como é punido no Código Penal Militar, ainda que nos repugne a pena capital.

Não somos, entretanto, vilões como você, que se serve da morte e do medo da morte, da fome e do medo da fome, para fazer política no necrotério.

Queremos, e já, que a sua ausência preencha uma lacuna na formação de combate da qual todos temos de participar, na linha de frente ou nas barricadas do isolamento, para não sermos, sem querer, agentes do inimigo insidioso.

Queremos que nossos heróis da Saúde não sejam humilhados, que não recebam no rosto os perdigotos de sua boca imunda, que lhes dá mais e mais pacientes e perigos a cada dia.

Queremos que aos brasileiros não faltem máscaras, respiradores, leitos, comida, o mínimo de dinheiro que você tão rapidamente proveu aos bancos, que ao povo se arrasta em falta de providências, que seja a mínima de proibir as demissões até que se viabilize o socorro, ao menos.

Queremos, Jair Bolsonaro, alguém que saiba comandar, com humanidade e eficiência, esta dura luta que está começando, apenas.

Numa palavra – sirvo-me da sua – que seja um homem, não um moleque.

29
Mar20

Mais de 3 bilhões estão em confinamento no mundo e Bolsonaro flanando pela rua

Talis Andrade

Mais de 3,3 bilhões de pessoas, quatro em cada dez habitantes do mundo, estão confinadas em 78 países num esforço global para conter a propagação do novo coronavírus, segundo um levantamento da agência de notícias AFP.

De acordo com a AFP, 43% da população global, estimada pelas Nações Unidas em 7,79 bilhões em 2020, foi "obrigada ou aconselhada" a ficar em casa pelas autoridades de seus respetivos países ou territórios autônomos. 

A maior parte dessas pessoas, pelo menos 2,45 bilhões, vive em 42 países que impuseram o confinamento obrigatório, com risco de sanções se não respeitarem a medida. A proibição de circulação foi adotada por nações em todos os continentes.

Após Mandetta defender isolamento, Bolsonaro visita comércio em Brasília

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O presidente Jair Bolsonaro visitou na manhã deste domingo (29/03) vários comércios na região de Brasília, provocando aglomerações e desafiando as restrições impostas pelo governo do Distrito Federal para conter a circulação de pessoas.

O presidente ainda publicou vídeos das visitas em suas redes sociais. Neles, é possível ouvir comerciantes e camelôs falando que "querem trabalhar" – falas afinadas com o discurso de Bolsonaro, que vem defendendo uma "volta à normalidade" e atacando medidas amplas de isolamento impostas por governadores, apesar da pandemia de coronavírus.

Ao longo da manhã, o presidente parou com seu comboio em uma farmácia, uma padaria e uma mercearia em Brasília. Em todos os locais, falou com funcionários e tirou fotos com apoiadores. Bolsonaro ainda visitou rapidamente o Hospital das Forças Armadas (HFA).

As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até 13h de domingo (29), 4065 casos confirmados do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil com 117 mortos, 84 deles em São Paulo, de acordo com a secretaria de Saúde do estado.

Em São Paulo, outras duas mortes foram confirmadas: uma por um hospital e outra por uma universidadesomando 119. Os casos ainda não foram contabilizados pela secretaria.

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28
Mar20

Atividade religiosa é serviço essencial? Mateus, 6, 5-8, diz que não!

Talis Andrade

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Por Lenio Luiz Streck

Bolsonaro editou medida provisória — e depois o Decreto 10.292 — pelos quais a atividade religiosa é considerada serviço essencial para a sociedade, podendo, portanto, haver cultos etc. (como será o cuidado para manter a distância no culto, por exemplo?). Ou o Estado terá que colocar alguém para vigiar, gerando custos para a comunidade que não vai aos cultos?

Ou seja, colégios não são atividade essencial. Cultos e missas, sim. O Estado é laico, mas parece que o governo, não.

Em que medida a proibição de reuniões em igrejas atingiria o direito à fé do cristão? Não encontro resposta em algum dispositivo. Desde quando liberdade de crença quer dizer “liberdade de, mesmo em pandemia, os cultos funcionarem presencialmente?". Vai saber.

Liberdade religiosa é como liberdade de ir e vir. Aliás, se se proíbe os cultos e missas, nem se está atingindo o direito à liberdade religiosa. E ao se proibir deslocamentos de pessoas nas ruas e parques, o direito de ir e vir sofre mais com essa intervenção estatal. Vejam a diferença de tratamentos.

De todo modo, como parece que os governantes e parcela das igrejas (seus mandatários e fiéis) não aceitam argumentos jurídicos, talvez aceitem argumentos teológicos. Vamos, pois, à Bíblia.

O Evangelista Mateus escreve no Capítulo 6, versículos 5 a 8 sobre isso:

E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.

Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.

Está ali em Mateus, tim tim por tim tim.

Encontrei comentários de teólogos sobre esses dispositivos da Bíblia Sagrada. Há vasto material. A hermenêutica de Mateus, Marcos e Lucas, no ponto, é a seguinte: Deus quer que cada pessoa tenha com ele um contato pessoal e exclusivo. Por isso, a recomendação de sair da agitação, do meio das pessoas e ir a um lugar calmo e sossegado, sem ninguém ao redor parar orar, onde é possível falar com Deus sem interrupção ou perturbações. Esta é a recomendação de Jesus. Diferente da medida provisória do presidente.

E Jesus não só diz como isso dever feito; ele próprio praticou o que ele disse e recomendou. Em Mateus 14.23, após a multiplicação dos pães e peixes, Jesus despediu as multidões e foi... orar sozinho no alto do monte. Sozinho.

Também Marcos 1.35 conta que Jesus levantou alta madrugada e foi para um lugar deserto orar.

Em Lucas 6.12, lê-se que, antes da escolha dos doze discípulos, o Mestre se retirou para o monte... e, solo, orou a Deus.

Antes de ser preso, no jardim do Getsêmani, Jesus retirou-se sozinho para orar a Deus. Jesus procurava lugares de silêncio, de paz, de sossego para orar a Deus.

Sou leitor da Bíblia. E cristão. Portanto, não falo “de fora”. Há livros e sites na internet que mostram a clareza da Bíblia no sentido que você pode — e até deve — orar só. Portanto, não ir à Igreja durante uma pandemia não é pecado. Ao contrário, é cumprimento da palavra do Senhor. Ou, não é assim?

Com a inclusão da atividade religiosa como serviço essencial, o presidente da República desseculariza o Estado. E isso não é constitucional. Nem preciso entrar nos argumentos relativos ao estado de emergência sanitário, às recomendações da OMS e quejandos.

Mais: não é Cristão. Há a Cidade de Deus. E há a dos homens. Não confundamo-las, pois.

Por que no Brasil as coisas têm de ser assim? Estamos em estado de emergência votado em tempo recorde pelo Senado. Corremos perigo. Não devemos nos aglomerar. E o Presidente, pressionado por Igrejas (e existem mais de 1.000 registradas no país e quem sabe quantas dezenas de milhares de espaços físicos) permite as reuniões religiosas, porque, sem qualquer fundamento legal-constitucional, decretou que são atividades ou serviços essenciais.

E ouçam Lenio Streck em Podcast nas plataformas digitais. Spotify, Deezer, Google Podcasts e Soundcloud. Há um episódio especifico sobre o assunto. Um pouco de hermenêutica neste período de isolamento. Com a promessa de leveza. E sem negacionismo (ah, falando em negacionismo, há um episódio também sobre isso!).

POST SCRIPUM: Ontem, na sexta feira (27/3), o juiz federal Márcio Santoro da Rocha concedeu — com correta fundamentação — liminar a pedido do MPF, suspendendo o Decreto 10.292 de Bolsonaro, que, por autorização de medida provisória, autoriza o funcionamento de lotéricas e igrejas. O decreto incluiu  a atividade religiosa (e é o que me interessa mais na discussão deste artigo) como “atividade essencial”. Perfeita a decisão. O decreto é nulo. Parabéns ao juiz federal Márcio!

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27
Mar20

Brasilianistas não acreditam em impeachment de Bolsonaro e temem ameaças à democracia brasileira

Talis Andrade

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A postura de confrontação política e de negação das evidências científicas adotada pelo presidente Jair Bolsonaro nessa pandemia do novo coronavírus preocupa brasilianistas ouvidos pela RFI. Eles não acham que as condições estão reunidas para um impeachment, mas “as crises sanitária e econômica que se anunciam podem provocar uma crise política ainda mais profunda e ameaçar a democracia brasileira”, diz Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) do Instituto de Ciências Políticas de Paris.

A recusa de Bolsonaro em aceitar a realidade da pandemia repercute na imprensa internacional. Desde o polêmico pronunciamento presidencial, na última terça-feira (24), em que ele pediu o fim do confinamento no país, jornais europeus publicam quase diariamente matérias sobre o Brasil.

A última reportagem foi publicada pelo Les Echos nesta quinta-feira (26). O diário econômico francês destaca que a “gestão desta crise pelo presidente brasileiro é calamitosa” e que o nome Jair Bolsonaro remete à “inconsequência do populismo diante da epidemia”.

Apesar das críticas e dos panelaços diários contra ele, Bolsonaro não recua e pede a volta da normalidade para salvar a economia do país em um vídeo de propaganda lançado pelo Planalto nesta sexta-feira (27). O professor do Instituto Brasileiro do King’s College de Londres, Anthony Pereira, está impressionado com a “desinformação e a irresponsabilidade” de Bolsonaro e acha que o país está cada dia mais unido contra ele: “Governadores, prefeitos, Congresso, ministros militares, o presidente do Itaú Candido Bracher e associações médicas, até o governador Ronaldo Caiado, preferem seguir os conselhos da comunidade internacional de saúde pública, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), do que o presidente. Bolsonaro está pedindo aos brasileiros que participem de um experimento gigante e muito arriscado”. Mas o impeachment “não é provável” nesse momento.

Anthony Pereira lembra que o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, também tinham a mesma postura, mas, ao contrário de Bolsonaro, acabaram apoiando as orientações globais para combater a pandemia. Para o brasilianista, Bolsonaro, de olho nas eleições de 2022, tenta se fazer de vítima e culpa a mídia, prefeitos e governadores pela crise anunciada: “A única coisa em que ele parece capaz de pensar é que uma desaceleração da economia enfraquecerá suas chances de reeleição em 2022. Ele parece ter descartado todas as outras considerações, incluindo sua responsabilidade de proteger seu povo.”

 

O professor cita o colega Jonathan Portes, do King's College London, para ressaltar que “a ideia de que existe uma troca entre saúde e economia nessa crise está errada. Você tem que vencer o vírus para restaurar a saúde econômica do país”.

Isolamento político

Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc), do Instituto de Ciências Políticas de Paris, avalia que essa “posição do tudo ou nada, de dobrar as apostas, aprofunda o isolamento político” de Bolsonaro. Além de não trazer soluções para os problemas sanitário, econômico e social gerados pela pandemia do coronavírus, essa estratégia, que inclui a disputa com o Congresso e com os governadores, trará mais conflito e tensão. Mas Estrada também não acredita em um impeachment contra o presidente.

“Bolsonaro gostaria que a oposição abrisse um pedido de impeachment para ele poder remobilizar a base dele. Só que a oposição, pelo jeito, decidiu não acompanhar essa estratégia. Pelo contrário, ela está tentando encontrar soluções no Parlamento, com o apoio dos governadores, para, de certa maneira, contornar o governo federal. A gente ainda não sabe se isso vai dar certo. Acho que haverá mais tensão pela frente”, analisa o diretor-executivo do Opalc, que também descarta uma eventual renúncia do presidente.

Na opinião de Estrada, a posição do exército, que é o maior aliado do governo, é por enquanto dúbia. Como sinalizado por um vídeo do comandante Edson Leal Pujol, postado poucas horas antes do pronunciamento presidencial, na terça-feira, os “militares relutam em adotar as políticas de Bolsonaro”.

Mas o brasilianista considera que o presidente irá continuar “dobrando suas apostas”, pode aproveitar para tentar baixar medidas autoritárias, ameaçando a democracia brasileira. “O X da questão é o chamado autogolpe. O assunto é saber se Bolsonaro não estaria disposto a cair atirando. Ele tem uma base fiel, inclusive no setor policial, nas PMs estaduais. Por outro lado, tem a base do exército que não é a hierarquia e tem também as milícias do Rio de Janeiro. Há um vínculo evidente entre a família Bolsonaro e as milícias. É por isso que estou preocupado", conclui Estrada.

 

27
Mar20

Bolsonaro comete crime de epidemia

Talis Andrade

 

 
 

 

 
A OMS manteve-se muito cautelosa antes de admitir que a epidemia de coronavírus se tornasse uma pandemia, termo empregado em caso de propagação internacional de uma doença, ao menos dois continentes.

O termo pandemia não deve ser usado em qualquer situação, já que quando empregado pode gerar uma ideia equivocada de que o combate está perdido, gerando sofrimento e mortes inúteis. Assim, descrever uma situação como pandemia não muda a avaliação da ameaça imposta pelo COVID-19. Muito pelo contrário, é sinal máximo de alerta especialmente para os mandatários tomarem as medidas essenciais, especialmente quando o vírus já tomou proporções globais, com presença em quase todos os países, como no caso do coronavírus.

A OMS sustenta que, passando de epidemia para pandemia, as mensagens-chave da luta contra o COVID-19 permanecem as mesmas, ou seja, os países devem se preparar e estar prontos, o que significa detectar, proteger e tratar, reduzir a transmissão, inovar e aprender. Tais ações são dependentes de decisões governamentais emergenciais.

As decisões e estratégias erráticas do Governo Bolsonaro caminham em sentido contrário ao que determina a OMS que denominou a pandemia no Brasil de apocalíptica, mas há uma conduta que encontra tipificação na legislação penal brasileira ainda mais grave.

O crime de Epidemia, inserido no âmbito dos Crimes contra a Saúde Pública, no artigo 267 do Código Penal pátrio, estabelece: “Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos: Pena – reclusão, de dez a quinze anos. § 1o Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em dobro. § 2o No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a dois anos, ou, se resulta morte, de dois a quatro anos.”

O crime se consuma com a propagação da doença, mesmo que dela não advenha casos de morte. O crime de epidemia, quando praticado de forma intencional tem pena que varia entre 10 e 15 anos. Em caso de morte, todavia, a pena é dobrada e considera-se o crime como hediondo, previsto no art. 1º, VII, da Lei nº 8.072/90, intitulada “Lei dos Crimes Hediondos”, cujo inciso foi incluído pela Lei nº 8.930/94.

Observe-se que o “crime de epidemia” é praticado por qualquer pessoa que contribua para espalhar um germe patogênico. Trata-se de um crime contra a saúde pública, que atenta contra a saúde da coletividade em geral.

E quando o crime é praticado pelo chefe do Poder Executivo de um país, em meio a um contexto de “pandemia” assim enquadrado pela máxima instituição internacional dedicada às questões de saúde, a OMS?

Ao que tudo fortemente indica, Bolsonaro está contaminado. Sua comitiva aos EUA foi praticamente toda atingida e o hospital não divulgou justamente dois nomes. Seu motorista também não escapou. Mesmo sem os sintomas, esteve em manifestações, entrevistas e reuniões sem qualquer preocupação. Pela transparência, deveria divulgar o seu resultado. Ao se omitir, está claramente assumindo o risco de contaminação de todos os que entram com ele em contato.

O direito internacional dos direitos humanos age como proteção dos indivíduos contra o poder soberano. Os responsáveis pela elaboração das políticas relativas à saúde pública devem se deixar guiar por normas universalmente reconhecidas em matéria de direitos humanos, essas normas devendo ser partes integrantes das ações nacionais de luta contra o COVID-19 em todos os aspectos e deve, sobretudo, respeitar os protocolos de isolamento, seja para salvar as vidas do seu entorno, mas sobretudo como referência e respeito ao direito à vida.

Quais as consequências para um chefe do executivo que comete crime de pandemia? É possível que siga impunemente no poder?

- - -

Carol Proner, Larissa Ramina e Gisele Ricobom, Professoras de Direito Internacional

27
Mar20

'Estamos apavorados': o drama de médicos na linha de frente do atendimento ao coronavírus no Brasil

Talis Andrade

Médicos na linha de frente do combate ao novo coronavírus no Brasil têm enfrentado desafios e momentos dramáticos no atendimento e tratamento de pacientes, como falta de equipamentos e demora por exames.


A BBC News Brasil ouviu profissionais de três Estados para entender como tem sido este trabalho tanto na rede pública quanto na privada. Seus nomes foram alterados, porque eles temem sofrer retaliação.


Os médicos relatam que os pacientes com covid-19, a doença causada por esse vírus, estão se multiplicando rapidamente — em um dos hospitais, o número de casos quadruplicou em dois dias, segundo uma médica.


Ao mesmo tempo, faltam equipamentos de proteção adequados, e o risco de serem infectados aumenta ainda mais o estresse e o medo em sua rotina diária. Uma das médicas ouvidas pela BBC News Brasil afirmou que ela e seus colegas trabalham "apavorados".
Já no caso da rede pública de São Paulo, outro ponto tem atrapalhado os servidores: uma demora de até dez dias para obter os resultados de exames que confirmam se uma pessoa foi infectada. Leia reportagem de Leandro Machado e Rafael Barifouse aqui

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25
Mar20

"Incendiário", "inacreditável" e "contraditório": imprensa europeia analisa pronunciamento de Bolsonaro sobre coronavírus

Talis Andrade

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A imprensa europeia destaca, nesta quarta-feira (25), as declarações do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão realizado na noite de terça-feira (24). Para os jornais, as declarações do líder da extrema direita do Brasil são "incendiárias", "difíceis de acreditar" e vão de encontro com as próprias recomendações do Ministério da Saúde do país.

Para o jornal francês Le Mondeo presidente "minimiza os riscos relacionados à pandemia da Covid-19 ao criticar as medidas tomadas em diversas cidades e Estados do país, em um momento em que um terço da população mundial é colocada em confinamento".

O diário também destaca que Bolsonaro acusou as mídias do país de propagar "histeria", diante da pandemia que já causou mais de 18 mil mortos no mundo. "O Brasil está protegido da doença, segundo ele, devido ao clima quente e a população majoritariamente jovem", reitera a matéria.

O jornal Le Parisien lembra que, no momento do discurso de Bolsonaro, o Brasil contabilizava 2.201 casos de coronavírus e 46 mortes. "Mas as deficiências do sistema de saúde, além da pobreza e a insalubridade nas quais vivem uma grande parte da população, ameaçam agravar a epidemia na primeira economia da América Latina", afirma o diário.

 

Discurso resultou em "panelaços"

O jornal britânico The Guardian destaca que o presidente brasileiro declarou que "nada sentiria" caso fosse contaminado pela Covid-19. A matéria classifica as afirmações do presidente como "incendiárias" e ressalta que o discurso provocou grandes "panelaços" no Rio e em São Paulo.

The Guardian lembra que as duas maiores cidades do Brasil, São Paulo e Rio e muitas outras em todo o país, confinaram seus moradores "para salvar vidas". O jornal também destaca que muitos opositores de Bolsonaro acreditam que sua resposta à epidemia de coronavírus no Brasil "vai ser o fim de sua carreira política".

Em editorial, o jornal espanhol El País analisa como a América Latina lida com a pandemia e afirma que Bolsonaro "é o pior caso" entre alguns líderes da região que tentam minimizar a situação. Para o diário, o presidente está mais preocupado com a briga política com os governadores de São Paulo e do Rio – estados que concentram 60% dos casos de coronavirus do Brasil – do que com os riscos da pandemia.

"E os riscos são gigantescos!", afirma o editoralista. "As declarações oficiais de que o Brasil dispõe de recursos suficientes para enfrentar esse tsunami são difíceis de acreditar", reitera o artigo. Para El País, a situação catastrófica de falta de material médico, hospitais e profissionais da área da saúde que vivem atualmente a Europa e os Estados Unidos pode se repetir no Brasil. "O vírus se comporta de maneira similar em todas as latitudes", conclui.

 

Contra recomendações do Ministério da Saúde

Na live que faz diariamente em seu site, o jornal português Público lembra que o apelo de Bolsonaro pela reabertura das escolas e o restabelecimento do funcionamento do comércio contrariam as recomendações do próprio governo brasileiro. "No site, o Ministério da Saúde brasileiro aconselha a população a evitar aglomerações, a reduzir os deslocamentos para o trabalho, defendendo o ‘trabalho remoto’ e a ‘antecipação de férias em instituições de ensino’, especialmente em regiões com transmissão comunitária do vírus".

O jornal também destaca que Bolsonaro subestima a pandemia, ao afirmar que se fosse contaminado "não precisaria se preocupar". "O chefe de Estado do Brasil já se submeteu a dois exames ao novo coronavírus, ambos de resultado negativo, segundo o próprio. A imprensa pediu a divulgação pública dos resultados, mas sem êxito", conclui o diário. 

 

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24
Mar20

Video mostra quem liberou irregularmente ventiladores pulmonares do Brasil para a Itália. Dentre eles, os Bolsonaro

Talis Andrade

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E a partida foi liberada em um momento que se sabe haver ampla falta de produtos para a defesa da saúde dos brasileiros.

 

Por Luis Nassif 

Todos os países do mundo proibiram exportações de produtos de saúde, por se tratar de material estratégico para a segurança dos seus cidadãos. A Itália tentou vários países sem conseguir. Adquiriu produtos no Brasil, mas que foram impedidos de embarcar devido a medida provisória nesse sentido – solicitada pela própria indústria brasileira.

Aí, o deputado brasileiro no parlamento italiano, Luiz Roberto Lorenzatto, entrou em contato com o deputado Eduardo Bolsonaro, com o chanceler Ernesto Araujo, com ONyx Lorenzoni e com o próprio Ministro da Saúde, e a partida foi liberada em um momento que se sabe haver ampla falta de produtos para a defesa da saúde dos brasileiros.

 

23
Mar20

Sociedade brasileira desperta e diz basta a Bolsonaro

Talis Andrade

 

 
Manifestante bate panela contra Bolsonaro na noite de quarta-feira.
Manifestante bate panela contra Bolsonaro na noite de quarta-feira. MAURO PIMENTEL / AFP (AFP)

 

Não foi a oposição política e os militares que entenderam que, como já havia profetizado o decano do Supremo Tribunal do Brasil, Celso de Mello, o presidente Jair Bolsonaro “se tornou indigno de seu cargo”. Foi a sociedade que, sem sair às ruas, das janelas de importantes cidades do país, com o rito dos panelaços noturno, pediu a saída do mandatário brasileiro.

E é emblemático que está sendo, como revelam as pesquisas, a grave epidemia do novo coronavírus, que está assustando o mundo e que Bolsonaro minimiza e até ridiculariza, o que pode fazê-lo perder o cargo.

Instigar nesse momento seus apoiadores para sair às ruas e defender seu Governo e ele próprio participar, saindo ao encontro dos manifestantes e desprezando todas as orientações dadas por seu ministro da Saúde, foi a gota que transbordou o copo da irritação popular. Enquanto são impostas restrições graves à população, o presidente desobedecia a todas as normas impostas por seu Governo.

Pode parecer uma ironia, mas a chuva de pedidos para a saída do presidente, incluindo dois pedidos formais de impeachment do presidente ao STF, assim como os protestos populares, estão se multiplicando na velocidade do coronavírus do qual ele faz pouco caso.

Se até o escritor ultradireitista Olavo de Carvalho, o guru de Bolsonaro e família, começa a duvidar de seu pupilo, como afirmou pelo Twitter, é porque a queda de seu mito se acelera a cada dia. (Continua)

 

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