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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Mar21

Discurso de Bolsonaro mata bolsonaristas

Talis Andrade

 

por Alex Solnik /Jornalistas pela Democracia

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Não há dúvida que incentivo à aglomeração e a negligência com o lockdown e a proteção pessoal, como uso de máscaras e higiene das mãos aumentam o número de contaminados e, consequentemente, de óbitos.

Quem adere, portanto, ao discurso e aos exemplos disseminados pelo presidente da República corre mais riscos de se infectar e morrer do que quem os rejeita.

Não há dúvida que quem se deixa seduzir por esse discurso e esses exemplos são apoiadores do presidente.

Ou seja: as principais vítimas do discurso de Bolsonaro são os bolsonaristas.

A boçalidade é tanta que Bolsonaro está exterminando seus eleitores.

30
Jan21

Ruy Castro: Bolsonaro rebaixou o Brasil ao nível de estrebaria de quartel

Talis Andrade

 

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247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o escritor Ruy Castro afirma que Jair Bolsonaro foi "quem rebaixou o Brasil ao nível de estrebaria de quartel, ao inundar os lares com um vídeo sobre golden shower, chamar um jornalista para a briga ('Minha vontade é encher a sua boca de porrada!') e ejacular mais palavrões numa reunião ministerial do que em todas as reuniões ministeriais somadas desde 1889".

No texto, Ruy Castro destaca que, "desde sua posse, Jair Bolsonaro já foi chamado de cretino, grosseiro, despreparado, irresponsável, omisso, analfabeto, homófobo, mentiroso, escatológico, cínico, arrogante, desequilibrado, demente, incendiário, torturador, golpista, racista, fascista, nazista, xenófobo, miliciano, criminoso, psicopata e genocida". 

"Nenhum outro governante brasileiro foi agraciado com tantos epítetos, a provar que a língua é rica o bastante para definir o pior presidente da história do país. Mas é inútil, porque nada ofende Bolsonaro. Ele se identifica com cada desaforo".

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08
Jan21

Covid-19 e o verão dos assassinos

Talis Andrade

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Por Ayrton Centeno

Assassino é uma palavra pesada. Assassinato é, diz o dicionário Aurélio, “matar traiçoeiramente, matar um ser humano, extinguir, destruir, aniquilar”. É uma palavra que pesa toneladas. Embora pesada, a palavra é muito mais leve do que a morte que provoca. 

Chegou a hora de usarmos esta palavra pesada e dura como rocha para nomear quem infringe as determinações da saúde pública e se aglomera em festas, farras e similares seja onde fôr. Quem vai e participa assume de caso pensado todos os riscos de contrair e espalhar a covid-19 para pais, avós, irmãos, parentes, amigos, vizinhos, colegas.

Este está sendo o verão deles, o verão dos assassinos. Verão que se converte em inverno eterno nos postos de saúde, corredores dos hospitais, unidades de tratamento intensivo, velórios e cemitérios.

Para eles, não importa transformar-se em mensageiro da morte, carregando-a no toque, no hálito, no abraço. Mas importa para o Código Penal. Está lá, no artigo 268, o delito de infração de medida sanitária preventiva destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa. Lei existe mas falta vontade política aos governantes. Sentem-se mais dispostos a conjugar o verbo “flexibilizar”, biombo que pretende ocultar o “Topa Tudo por Dinheiro” em nome do mercado. Onde o direito à vida vem sempre depois da ganância. 

“Assassino”, “assassinar “ e “assassinato” não são substantivos e verbo empunhados pelas autoridades públicas para apontar os agentes e as ações que cospem no direito alheio à sobrevivência em meio a mais mortal pandemia dos últimos 100 anos. Nas peças de propaganda ou nas entrevistas chovem conselhos e gestos macios para tentar convencer gente boçal, sem alma e sem empatia, que põe sua diversão ocasional acima da vida do próximo.

Após as comemorações de Natal e Ano Novo, as quais se agregaram as férias e o amontoamento nas areias, as perspectivas são as mais desgraçadas para janeiro e fevereiro. Ainda mais para uma nação sem vacina, sem seringas, sem agulhas, sem ministro da saúde, sem presidente, sem plano de combate ao coronavírus e que ocupa os últimos lugares do planeta na fila para a imunização. 

Significa que, cada dia a mais sem vacina, será mais um dia com mil mortes que não precisariam acontecer. Batendo nos 200 mil óbitos, o Brasil, extraoficialmente, já teria ultrapassado os 250 mil, por conta da subnotificação.

Um dado a mais promete uma tempestade perfeita nas emergências para fevereiro. Será quando o arrastão da covid-19 deve se juntar ao pico dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que ocorre tradicionalmente a partir da 7ª semana do ano com a aproximação do outono.

Assim, é preciso dar nome aos feitos e seus efeitos. Por isso, quem mata, querendo ou não, é assassino. E o que pratica chama-se assassinato. Mesmo que o ato de matar seja visto com condescendência pelo poder central. 

Chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome pode ser um exercício interessante. Pode, quem sabe, despertar o país da letargia e da complacência que arrasta centenas de milhares para o fundo das covas. Um lugar escuro que só deveria tragar para a eternidade o governo deste palhaço sinistro que infelicita, envergonha e maltrata a maioria dos brasileiros.
 
30
Out20

“Despreparado, inconsequente e boçal”, diz general Santos Cruz sobre governo Bolsonaro

Talis Andrade

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O general Carlos Alberto dos Santos Cruz criticou nesta quinta-feira (29) o que classificou como "desrespeito" de Jair Bolsonaro com as Forças Armadas e a população brasileira, informa o portal 247.

“O problema não é o tratamento com militares. Não pode haver diferença de tratamento entre militares e civis. Não pode haver esse tipo de discriminação. Isso aí tem que ser visto no contexto mais amplo. É o desrespeito geral aos cidadãos e às instituições. É desrespeito geral, por despreparo, inconsequência e boçalidade”, disse Santos Cruz sem citar o nome de Bolsonaro, ao site Congresso em Foco.

O general, um dos primeiros a deixar o governo de Bolsonaro, comentou a reunião de 22 de abril, em que Bolsonaro pressiona o então ministro da Justiça para interferir no comando da Polícia Federal. Uma interferência que existe por parte da autodenominada Lava Jato e governo dos Estados Unidos. Vide tags

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02
Jun20

A perigosa operação mental que dissocia a imagem dos militares de seus atos

Talis Andrade

 

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III - Brasil sofre de fetiche da farda

EL PAÍS
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Mais grave que a dissociação entre Bolsonaro e os generais de sua entourage, porém, é a dissociação entre o que os militares efetivamente fizeram e fazem no poder ― e a forma como essa ação é descrita e convertida em imagem pública. Não é necessário analisar todo o período republicano, desde 1889. Se olharmos apenas para as últimas décadas, em 1964 os militares deram um golpe na democracia. Tiraram do poder um presidente eleito democraticamente. João Goulart era vice-presidente até 1961. Com a renúncia de Jânio Quadros, assumiu a presidência. E então veio o golpe. Jango, como era chamado, viveu no exílio até a sua controvertida morte.

Os militares tomaram o poder pela força, num golpe clássico, e permaneceram no poder pela força por 21 anos, com o apoio de parte do empresariado nacional. Em dezembro de 1968, com o Ato Institucional número 5, hoje amplamente revivido como ameaça explícita nos discursos dos bolsonaristas, o Governo de exceção endureceu. O AI-5 eliminou o que ainda restava dos instrumentos democráticos e inaugurou a época mais violenta do regime, tornando o sequestro, a tortura e a morte de opositores instrumentos de Estado, executados por agentes do Estado.

Durante esse período tenebroso, há amplas provas e depoimentos mostrando que, além dos milhares de adultos, vários deles mulheres grávidas, pelo menos 44 crianças foram torturadas (leia em Aos que defendem a volta da ditadura). Uma delas, Carlos Alexandre Azevedo, o Cacá, torturado quando tinha 1 ano e oito meses de vida, não suportou as marcas psicológicas e se suicidou em 2013, depois de uma existência muito penosa. Há famílias de brasileiros que ainda não conseguiram encontrar os cadáveres dos mais de 200 desaparecidos pela ditadura. São pais, mães, irmãos e filhos que há décadas procuram um corpo para sepultar. “A Ponta da Praia”, para onde Bolsonaro ameaçou mandar os opositores em discurso durante a campanha de 2018, era um desses lugares de tortura e de desova de civis no Rio de Janeiro.

Durante a ditadura militar, a imprensa foi censurada; filmes, livros e peças de teatro foram proibidos; as universidades sofreram intervenções; milhares de brasileiros foram obrigados a viver no exílio para não serem mortos pelo Estado. Durante a ditadura, houve ampla corrupção nas obras públicas, como há farta bibliografia para comprovar. Foi também durante a ditadura que as grandes empreiteiras, que mais tarde estariam nas manchetes pelo esquema de corrupção conhecido como “mensalão”, cresceram, multiplicam-se e locupletaram-se em obras megalômanas do “Brasil Grande” e em seus esquemas nos Governos militares.

A ditadura torturou e matou milhares de indígenas. As “grandes obras” na Amazônia, que mais tarde seriam conhecidas como “elefantes brancos” do regime, foram construídas por essas empreiteiras sobre cadáveres da floresta e sangue de seres humanos. A ditadura militar inaugurou o desmatamento como projeto de Estado e tornou o extermínio dos indígenas uma política ao ignorar sua existência na propaganda oficial da Amazônia, como no slogan “terra sem homens para homens sem terra”. O Exército promoveu alguns dos mais cruéis massacres da história, como o dos Waimiri Atroari, que quase foram dizimados nos anos 1970.

Como é possível que alguém que viveu ou estudou esse período possa tratar a crescente ocupação militar do Governo Bolsonaro como algo remotamente semelhante a uma “reserva moral” ou a uma “fonte de equilíbrio” ou a um “exemplo de honradez”? Sério? Além do fetiche da farda devemos investigar um possível estresse pós-traumático no fenômeno. Ou talvez uma parcela dos brasileiros tenha tanto medo que o horror se repita que distorça o que enxerga porque a realidade alcançou o nível da insuportabilidade.

Alguns vão afirmar, como têm afirmado, que os militares hoje no poder, diferentemente de seus antecessores e mestres, são amantes da democracia. Qual é o lastro nos fatos para fazer tal afirmação? Há inúmeros exemplos de comportamentos golpistas por vários dos personagens do militarismo, começando pelo general Eduardo Villas Bôas, uma mistura de conselheiro e fiador do atual Governo, e terminando no vilão de quadrinhos chamado Augusto Heleno, que se houver justiça um dia responderá pelo que as tropas brasileiras comandadas por ele fizeram no Haiti. Cité Soleil, a maior favela de Porto Príncipe, é um nome que provoca tremores ao ser pronunciado em alguns círculos. Mourão, por sua vez, antes de se tornar vice-presidente, já era uma metralhadora giratória de declarações golpistas.

Em qual momento do Governo Bolsonaro os militares deram um exemplo de respeito à democracia? Basta examinar um episódio seguido do outro. A relação entre crescimento dos militares e aumento das manifestações golpistas é diretamente proporcional. O número de militares só aumenta e o Governo só piora seu nível de boçalidade, de autoritarismo e também de incompetência. Tudo isso culmina no momento atual, no qual Jair Bolsonaro se tornou o vilão número um da pandemia e os brasileiros passaram a ser recusados até nos Estados Unidos de Donald Trump. E o que temos hoje? A militarização da Saúde. Dois ministros civis, médicos, recusaram-se a ceder à pressão de Bolsonaro para usar cloroquina, medicamento sem eficácia científica comprovada para tratar de covid-19. Deixaram o Governo. Bolsonaro colocou então um militar como ministro da Saúde e conseguiu empurrar a cloroquina, jogando com a saúde de 210 milhões de pessoas. Em vez de quadros técnicos, com experiência na área, na crise sanitária mais séria em um século, o Brasil transforma o Ministério da Saúde num quartel do Exército.

Antes da pandemia, o Governo militar de Bolsonaro provocava o horror do mundo pela destruição acelerada da Amazônia. Com a covid-19, os alertas apontam que o desmatamento explodiu. É visível que os grileiros se aproveitam da necessidade de isolamento daqueles que sempre combateram suas ações, seus pistoleiros e suas motosserras colocando seus corpos na linha de frente.

E o que temos hoje? A militarização das ações de fiscalização ambiental na Amazônia. O Ibama e o ICMBio passaram a ser subordinados ao Exército, como numa ditadura clássica. Na primeira investida, segundo relatório obtido pela Folha de S. Paulo, mais de 90 agentes em dois helicópteros e várias viaturas foram mobilizados para uma operação no Mato Grosso contra madeireiras e serrarias que terminou sem multas, prisões ou apreensões. O Ibama havia sugerido outro alvo na região que, segundo fiscais, contava com fortes evidências de ilegalidades. Foi ignorado. O recém-criado Conselho Nacional da Amazônia, comandado por Mourão, tem 19 integrantes: todos militares.

A realidade mostra os grileiros atuando com desenvoltura só vista na ditadura, todos eles apoiadores entusiásticos de Bolsonaro e dos militares no poder. Invadem, destroem e pressionam pela legalização do roubo de áreas públicas de floresta, legalização anunciada pela MP da grilagem de Bolsonaro, no final de 2019, e agora pelo PL da grilagem em discussão no Congresso. O projeto dos militares para a Amazônia é o mesmo da ditadura e todos nós já sabemos como acaba. Ou, no caso, como continua.

Se alguém ainda pudesse ter alguma dúvida sobre o caráter dos militares no governo, o show de horrores exposto na reunião ministerial de 22 de abril escancarou o nível do generalato que lá está. O vídeo da reunião, apresentado por Sergio Moro como prova de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal, teve o sigilo retirado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. Só ser conivente com aquela atmosfera e com aqueles pronunciamentos já seria uma overdose de desonra capaz de fazer uma pessoa com níveis medianos de honestidade pessoal vomitar por dias. Mas, não. Os militares são patrocinadores da meleca toda de baixíssimo nível intelectual e moralidade abaixo de zero. A reunião ministerial expõe um cotidiano de desrespeito à democracia em ritmo de boçalidade máxima. Não daria para aturar o nível de estupidez daqueles caras nem no boteco mais sórdido.

 

 
23
Mai20

Vulgaridades e golpismos à parte, Bolsonaro safou-se e Moro estrepou-se

Talis Andrade

 

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por Tereza Cruvinel

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Em algum momento eu disse que Sergio Moro havia vendido pastel de vento com suas acusações a Jair Bolsonaro. Mas veio a novela do vídeo, e nele podia haver alguma almôndega. Para o desfecho do inquérito que investiga a denúncia de Moro e em tese poderia levar a uma denúncia por crime comum contra Bolsonaro, não havia.  Os trechos realmente importantes sobre interferência na PF já haviam sido divulgados pela AGU.  Agora, no conjunto, o vídeo é um retrato aterrador do governo, desnudando a vulgaridade de alguns, a boçalidade e o sabugismo de outros, o gosto pelo insulto e a tentação golpista de Bolsonaro em sua forma pura, porque externado na intimidade, quando ele revela que pretende armar o povo em nome da liberdade, mas sugerindo resistência ao isolamento social e a determinação dos governadores e prefeitos.

Sobre interferência na PF, o trecho mais importante já fora divulgado pela AGU, e uma frase dele eu mesma publicara em primeira mão aqui. É aquele em que Bolsonaro diz: “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.”  Ele ameaça interferir em todos os ministérios, exceto na Economia, e diz que os serviços de informação “são uma vergonha”.  Mas ele diz que “o meu particular funciona”. Que serviço de informação privado é este? Isso vai gerar questionamentos.

No conjunto, a fala confirma que Bolsonaro queria interferir na PF, como de fato interferiu ao trocar o diretor-geral, que era Maurício Valeiro, por Alexandre Ramagem, que antes mesmo de nomeado já convidara o superintendente no Rio, Carlos Henrique,  para assumir outro cargo em Brasília. Com a posse de Ramagem barrada pelo STF, seu substituto, Rolando Alexandre, concluiu a troca na seção fluminense. Mas a fala não prova que Bolsonaro tinha um interesse específico na PF do Rio, como arquivar determinado inquérito, embaraçar uma investigação ou coisa parecida. Claro que ele tinha e tem interesse em proteger Flavio Bolsonaro e evitar qualquer investida da PF contra filhos e amigos, como disse.  Mas o vídeo não traz prova de que fez isso, com força jurídica, e assim  o procurador-geral da República  não deve apresentar denúncia e pedir o arquivamento do inquérito. É pule de dez.

Logo, a retirada do sigilo do vídeo, embora devastadora para a imagem do governo,  foi boa para Bolsonaro quanto ao inquérito,  e deixou Sergio Moro na chuva.    Sujeito, inclusive, a responder por denunciação caluniosa. Os novos aliados  que Bolsonaro está comprando no Centrão, com a entrega de cargos com orçamentos bilionários à escória do fisiologismo e mesmo da corrupção, respiraram aliviados. Vão continuar negociando e vão se dar bem. O inquérito e o isolamento levou Bolsonaro para o balcão.  Não havendo denúncia do STF, o preço do apoio se estabiliza. Se vier um pedido de impeachment, o preço sobe. Bom para eles também.

Mas, de resto, o vídeo é um espetáculo de cafastagem e do desinteresse do governo pelo que realmente castiga a população neste momento, a pandemia que já levou mais de 20 mil pessoas. Exceto pela fala do ex-ministro Teich, que era um peixe fora d’água (assim como Moro, que mal aparece no elenco), não se viu ninguém puxar o foco para a pandemia, que em 22 de abril já estava com a curva ascendente no país.

A rigor, nesta reunião os ministros quiseram mostrar serviço ou falar de suas ações setoriais, ao passo que Bolsonaro pediu que eles não se limitassem a fazer seus deveres de casa, mas que partissem para a luta política, defendendo o governo e suas bandeiras e partindo para cima dos adversários que são insultados com gosto. Witzel é chamado de estrume, Dória de bosta, assim como o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Quem não se alinhar inteiramente, foi o recado, que procure outro rumo.

Um dos trechos mais preocupantes é aquele em que Bolsonaro declara que seu objetivo é mesmo armar a população, alegando que isso seria para evitar um golpe. Mas de quem? Quem pode dar golpe é ele, e nesta sexta-feira mesmo tivemos o general Heleno ameaçando com uma reação “de consequências imprevisíveis” caso os celulares de Bolsonaro e seu filho Carlos fossem requisitados para perícia. O que o ministro Celso de Mello fez foi seguir o rito jurídico de encaminhar ao Procurador-Geral da República queixas-crimes que pediam esta providência.

Bolsonaro diz a certa altura, que vai escancarar ali a questão do armamento da população: “Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado. E que cada um faça, exerça o teu papel. Se exponha.”

E ainda, falando dos adversários:

 

“O que esses filha de uma égua quer, ô Weintraub, é a nossa liberdade. Olha, eu tô, como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Como é fácil. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua. E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando (Fernando Azevedo, ministro da Defesa) e ao Moro que, por favor, assinem essa portaria hoje e que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não da pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais.”

Existe uma enorme gravidade nisso. Ele sugere que o povo armado não aceitaria calado as imposições de distanciamento social. “O povo tá dentro de casa”. Quis dizer que, se estivesse armado, poderia sublevar-se contra as autoridades. Isso é incitação contra a ordem constituída.  Isso não tem nada a ver com o inquérito sobre denúncias de Moro, mas pode gerar reações.  Armando o povo, contando com as polícias e as milícias...sem falar nas Forças Armadas, onde ele pode chegar?  Nosotros é que devemos temer a ditadura.

Há muito o que pescar ainda no conjunto do vídeo mas o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não pode passar sem o destaque de sua fala de “militante”, como se definiu:  “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF.” Pode ter que responder por isso.

As falas sobre outros países foram cortadas mas a tesoura não alcançou uma passagem do chanceler Ernesto Araújo, que pode gerar reação da China:

“O que  que aconteceu nesses trinta anos? Foi uma globalização cega para o tema dos valores, para o tema da democracia, da liberdade. Foi uma globalização que, a gente tá vendo agora, criou é ... um modelo onde no centro da economia internacional está um país que não é democrático, que não respeita direitos humanos etc., né? “

Liturgia, decoro e dignidade do cargo passaram longe dos ministros e de Bolsonaro.

 
27
Abr20

Olha aí, general, mais notícias positivas!!

Talis Andrade

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Por Eric Nepomuceno

Jornalistas pela Democracia

 

Dia desses, o general Luís Eduardo Ramos, que ocupa o posto de ministro-chefe da Secretaria de Governo, pediu aos meios de comunicação que mostrassem notícias positivas para o Brasil. 

Ou melhor: para a opinião pública deste país sem norte nem rumo.

Pois vamos lá: de quinta-feira para cá, choveram notícias positivas.

Para começar, um sacripanta chamado Sergio Moro já não está no governo. A tendência é que daqui para a frente as hostes de bolsonaristas primatas corroam o que ele ainda tem de imagem. 

Livrar-se de um juizeco provinciano, de um caipira deslumbrado, que durante um ano e quatro meses manipulou à vontade os poderes que tinha (e que vinham sendo corroídos aos poucos por Jair Messias) para proteger quem o corroía, é uma notícia altamente positiva.

 

E vale recordar que antes o disso sacripanta manipulou à vontade um processo amplamente viciado, diante de um Supremo Tribunal Federal poltrão, que se acovardou luminosamente quando ameaçado pelo então poderoso general Villas Boas, que deu a voz final para impedir a candidatura de Lula da Silva.

Pois Foi ele, o já então ofegante general Villas Boas, que em última instância proibiu que Lula fosse candidato, e permitiu a vitória do descerebrado que agora trata de salvar.

Tudo isso não faz mais que tornar, aos olhos da história que alguma vez será escrita, uma notícia positiva: um pulha a menos (Moro) num governo de pulhas, do qual o senhor e seus colegas uniformados e empijamados fazem parte.

Resta saber quanto de lucidez sobrou na opinião pública para a partir de agora, quando se desatará uma batalha de acusações recíprocas entre duas pústulas – o próprio Moro e Jair Messias -, entender de quem se trata. 

Outra notícia positiva, sempre a depender do que resta de lucidez a uma opinião pública manipulada, ignorante e deformada: a saída de Moro, tal como se deu e tal como o que veio depois, expôs de maneira absolutamente clara a imundície que é este governo.

Mais notícias positivas?

Pois não, general.

Jair Messias acha a coisa mais natural do mundo, e com a qual os senhores, vale repetir, tanto os fardados quanto os empijamados, concordam, pensa nomear para o cargo de diretor geral da Polícia Federal um fulano que é amigote de seus três filhos investigados pela própria Polícia Federal. 

O nome da figura, aliás, abre espaço para um trocadilho tão infame quanto inevitável: nomear o delegado Ramagem seria a melhor maneira de quebrar todos os galhos dos envolvimentos do trio de filhos que não apenas são hidrófobos, mas também cometedores de crimes de calibres variados, diante das investigações da Polícia Federal.

Quer notícia mais positiva que essa, excelentíssimo senhor general que põe a farda que veste ao serviço desse tipo de falcatrua?

No meu caso pessoal, é como se eu determinasse que certos amigos não apenas do meu filho, mas da minha família, fossem nomeados para investigar denúncias contra meu filho e minha família.

Cá entre nós, e agora não me dirijo apenas ao general Ramos, mas à milicada inteira que cerca o psicopata: vocês não têm um pingo, uma gota, um vestígio de vergonha na cara?

Pois deixo aqui, general, cordiais saudações e toneladas de asco. 

Pelo senhor e por todos os fardados e empijamados que rodeiam esse boçal que atende pelo nome de Jair Messias.

E que, com a participação de vossas senhorias, afundam este país numa rara mescla de esgotos variados.

Sergio Moro e Jair Messias são pulhas da mesma laia. E os senhores?

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18
Abr20

Brasil de 17 de abril de 2020: meu diário. Por Eliane Brum

Talis Andrade

 

por Eliane Brum

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Acordei hoje com um peso no peito, maior do que o habitual nestes dias. Essa pandemia é como o colapso climático. É tão grande que o nosso cérebro não abarca de uma vez. Mas a cada dia entendemos um pouco mais do que vivemos. E há alguns dias em que a lucidez nos invade como um excesso. No meu livro (Brasil Construtor de Ruínas) relacionei com a morte de alguém que amamos. No primeiro momento, quando acontece, o horror nos invade. E então nosso cérebro imediatamente vai acionando mecanismos para nos fazer viver apesar do horror. E então conseguimos converter o horror em luto e mais tarde superar o luto. Como todos os seres vivos, assim como esse vírus que se reproduz em nós, queremos viver.

Carregando dentro de mim um peso muito maior do que o meu, olhei no calendário para checar que dia era hoje: 17 de abril de 2020. Dezessete de abril sempre será um dia terrível para mim, e acho que isso já está incrustado no meu inconsciente. Acredito que foi um dia terrível para muitos de vocês. Foi o dia em que a Câmara votou o impeachment de Dilma Rousseff.

Quem me acompanha sabe o quanto fui – e sou – crítica ao governo de Dilma. Foi um mau governo, em especial para os povos da Amazônia, Cerrado e outros biomas. E se é ruim para estes povo, é ruim para o Brasil. E também para o mundo em emergência climática. Quem me acompanha sabe também o quanto denunciei que o impeachment não tinha base legal, que era um abuso e um desrespeito ao voto e portanto à democracia. Mas não foi este o horror daquele momento.

O horror foi ver as vísceras daqueles deputados, a sua burrice, a sua pequenez, o que aquele amontoado de homens, em sua maioria, revelava sobre quem os havia carregado com seu voto ao parlamento, porque não tinham chegado lá apenas com suas pernas. A maioria deles era asqueroso, era difícil até mesmo escutar seus votos porque só a sua boçalidade era maior do que a sua burrice. E isso, independentemente de ser a favor ou contra o impeachment, os brasileiros que ainda são capazes de enxergar, naquele 17 de abril enxergaram.

Ainda não sabíamos, mas aquele também foi o dia do lançamento da campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Ao votar pelo impeachment de Dilma homenageando o mais notório torturador e assassino da ditadura e não ser punido pelo crime de apologia à tortura, ele se tornou presidenciável. Ao votar homenageando o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um homem capaz de torturar até crianças pequenas, e não ser punido, descobriu que podia tudo. Como Bolsonaro declarou então, sempre orgulhoso de sua violência, “Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Dilma então foi torturada mais uma vez, agora no parlamento.

E Bolsonaro começou a se tornar o pavor do Brasil.

E aqui estamos nós, quatro anos depois, com o vilão número um do mundo em pandemia na presidência. Um personagem real que nem o cinema-catástrofe de Hollywood foi capaz de imaginar, um antipresidente, um político profissional mandando a população para a rua, tocando nas pessoas, fazendo selfies, disseminando achismos e mentiras em meio à maior ameaça sanitária global em um século.

E aqui estamos nós, com o ministro de Saúde que enfrentou sua perversidade demitido, com um perverso no poder, com um maníaco, levado até lá pelo voto de milhões de brasileiros que hoje, pelas ações criminosas daquele que ousaram eleger, também podem morrer.

Estamos numa pandemia e temos um homem cuja maior realização foi planejar colocar bombas nos quartéis para pressionar por aumento salarial. Que país torto, que justiça nojenta, que instituições covardes tornaram possível um armador de bombas chegar à presidência.

Bolsonaro pode matar muita gente, já está matando. Descobriu que seus dedos que fazem arminha, como um moleque de cinco anos, ao pegar a caneta, matam mais do que bala. E aqui estamos nós. Não adianta pensar positivo, vai ser preciso lutar para viver e fazer viver, porque o perverso que está no poder não tem limites.

Espero que um dia Bolsonaro responda pelos seus crimes no Tribunal Penal Internacional. Mas então muitos de nós já estaremos mortos.

Leia meu último livro: Brasil Construtor de Ruínas – um olhar sobre o país, de Lula a Bolsonarottps://www.livrariaarquipelago.com.br/brasil-construtor-de-ruinas-eliane-brum ou https://www.amazon.com.br/Brasil-construtor-ru%C3%ADnas-olhar-Bolsonaro/dp/8554500318/ref=sr_1_1?qid=1584115884&refinements=p_27%3AEliane+Brum&s=books&sr=1-1

 

 

 

05
Mar20

Atenção, jornalistas: enfim, uma pergunta coerente

Talis Andrade

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Eric Nepomuceno

Um dia depois da boçalidade olímpica feita para humilhar de novo os repórteres que ele humilha todas as manhãs, finalmente Jair Messias fez uma pergunta coerente. 

Dirigindo-se com a grosseria sem remédio aos jornalistas, ele disparou à queima-roupa: “Se vocês sofrem ataque todo dia, o que vocês estão fazendo aqui? O espaço é público, mas o que vocês estão fazendo aqui?”.

O ‘aqui’ em questão é o cercadinho onde todas as manhãs os repórteres são confinados à espera da dádiva da palavra presidencial. Não por acaso, justo ao lado fica outro cercadinho, onde se amontoam os arrebanhados sabe-se lá a troco de quê, todos embasbacados com Jair Messias.

No dia da pergunta perfeita, no cercadinho dos arrebanhados havia pouco mais de meia dúzia de admiradores apatetados.

A razão para considerar coerente e perfeita a pergunta de Jair Messias é simples e óbvia: além de reconfirmar o grau de boçalidade e desequilíbrio do presidente mais boçal e desequilibrado da história da República, qual a utilidade de enviar jornalistas para serem humilhados dia sim e o outro também? Houve alguma vez uma única resposta séria, que merecesse nem que fosse um respingo de credibilidade?  

É evidente que esses esbarrões humilhantes são a única forma de contato com o presidente e tentar – em vão, é verdade, mas única forma – obter declarações formais dele sobre algum assunto. 

Antes, havia aquele general empijamado e empertigado que fazia o triste papel de porta-voz presidencial. 

Como sua utilidade revelou-se comparável à de uma geladeira no Polo Norte, só restou aos meios de comunicação a paradinha diária de Jair Messias na portaria do Palácio da Alvorada.

Estou afastado do cotidiano das redações brasileiras há uns trinta e tantos anos. Talvez por isso não consiga entender a razão de algum chefe de reportagem submeter seus subordinados a essa rotina de humilhações e ofensas disparadas por alguém cujo desequilíbrio é mais do que evidente e, ao mesmo tempo, entender a razão que leva os plantonistas palacianos a aceitar se submeter a tamanho absurdo a troco rigorosamente de nada.

Agora que Jair Messias enfim fez uma pergunta lúcida, o que responder? 

A única resposta íntegra e coerente, creio eu, seria amanhã ele aparecer na portaria da residência presidencial e topar apenas com os arrebanhados da vez e com os jornalistas que trabalham para meios estatais.

Senão, o que os grandes meios hegemônicos de comunicação – a quem gente como Jair Messias e Sérgio Moro deve o fato de estar onde está – vão continuar fazendo é apenas fornecer material a ser espalhado entre os seguidores abduzidos e obcecados do boçal que todo santo dia deposita as ancas na poltrona presidencial. 

E enquanto todo mundo se distrai, ele e seus asseclas continuam a destroçar o que resta deste país desgraçado. 

cercadinho bozo direita e avesso.jpg

 

25
Fev20

Bolsonaro incendiário tema de carro alegórico na Alemanha

Talis Andrade

 

bolsonaro com fósforo carnaval alemanha.jpg

 

Em Colônia, carro alegórico representou o presidente brasileiro, segurando a bandeira do Brasil atada a um palito de fósforo tamanho família e exibindo um largo sorriso, diante de árvores carbonizadas e sambistas seminuas e chamuscadas

 

 Deutsche Welle 

por Marcios Damasceno

"Esse é meu carro preferido", afirmou Holger Kirsch, diretor do desfile, em entrevista ao jornal local Kölner Stadt-Anzeiger. A alegoria, outra crítica às queimadas na Amazônia, produziu fumaça literalmente. "Nós trabalhamos com verdadeiras sacas de café e ainda instalamos um sistema de tubulação para que fumegue bastante", acrescentou.

Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro é alvo do humor alemão. Em agosto, ele foi ridicularizado em horário nobre num programa humorístico transmitido pela principal rede de televisão pública da Alemanha, que criticou as políticas ambientais e agrícolas do presidente brasileiro e o chamou de o "boçal de Ipanema", entre outros apelidos.

sátira política sempre foi um dos pratos principais dos desfiles carnavalescos no oeste alemão, em cidades como Colônia, Mainz ou Düsseldorf.

"Nosso mundo está mais político do que nunca – então, nossos carros alegóricos também o são", afirmou Kirsch ao jornal Bild. O tabloide informa que os 26 carros alegóricos do desfile deste ano em Colônia trouxeram, ao todo, representações de 14 políticos.

Além da sátira política usual, um posicionamento forte contra a extrema direita foi particularmente evidente em 2020. Enquanto Colônia representou sua famosa Catedral em lágrimas pelas vítimas do recente atentado terrorista em Hanau, Düsseldorf mostrou o racismo como uma arma mortal.

"Neste momento, não há nada mais sério do que o terrorismo de extrema direita", afirmou o carnavalesco Tilly, de Düsseldorf. Um dos carros alegóricos na cidade representou a cabeça de um homem enraivecido, com uma arma saindo de sua boca, em que se lia "racismo". Na bochecha do boneco, a seguinte frase: "Palavras se tornam ações."

A alegoria também chamava a atenção para os ataques a tiros em Hanau na última quarta-feira, que deixaram nove pessoas de origem estrangeira mortas. Após o massacre, o terrorista voltou para casa, onde matou a mãe, de 72 anos, e cometeu suicídio. Numa carta de confissão e em vídeos, o atirador expõe pensamentos racistas, defendendo ideologias de extrema direita.

"Não há apenas um perpetrador. Não é apenas aquele que atirou. Aqueles que prepararam mentalmente a ação também são responsáveis", afirmou Tilly, referindo-se às pessoas que proferem discursos racistas, xenófobos e de extrema direita.

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"Palavras se tornam ações", diz frase no rosto de boneco, em alegoria que rechaça o terrorismo de extrema direita

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