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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Jul21

Dono de empresa envolvida no escândalo da vacina Covaxin é acusado de calote de R$ 8 milhões

Talis Andrade

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Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos, é processado pelo Fundo de Previdência da OAB, e envolvido na comercialização da pior vacina e super cara com o governo Bolsonaro

 

 

por Octávio Guedes, Marcelo Gomes, Marcelo Bruzzi e Anna Carolina Papp

- - -

O empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos e queridinho do governo Bolsonaro, não vive só de vacinas. Seus negócios são como o coronavírus, tem várias cepas. Uma delas chama-se Rompro e é acusada de dar calote de R$ 8 milhões no fundo de Previdência da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro.

Maximiano está sendo processado pela OABPREV -RJ, que pediu a apreensão de bens da Rompro e do empresário para garantir que os aposentados e pensionistas não paguem a conta. Os jornalistas Marcelo Bruzzi, Marcelo Gomes e Ana Carolina Papp investigaram a história e trazem mais detalhes aqui.

Antes, porém, o blog dá a primeira dose de informação para contextualizar.

Com a "cepa" Global, Maximiano é acusado de dar um golpe no Ministério da Saúde. Recebeu R$ 20 milhões e não entregou os medicamentos.Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

O governo pagou R$ 20 milhões referente à compra de remédios de alto custo que nunca chegaram às mãos de pacientes de doenças raras. O contrato foi firmado durante o governo Michel Temer, quando o ministério da Saúde era chefiado pelo atual líder de Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR). Esse calote matou, principalmente, quantas crianças? Taí um morticínio jamais investigado e devidamente punido os assassinos hoje poderosos milionários 

 

Ele (Maximiano) criou, então, uma variante da Global, a Precisa Medicamentos, que é um fenômeno. Conseguiu vender a vacina mais cara de todas para o governo Bolsonaro. Assinou contrato no dia 25 dia de fevereiro e, nove dias mais tarde, o coronel do Exército Élcio Franco, então Secretário Executivo do Ministério da Saúde, mandou ofício pedindo mais US$ 50 milhões.Por que o número 2 do Ministério da Saúde usa um broche de caveira? | VEJA

Coronel do Exército Élcio Franco, um militar de muitas caveiras, substituto do general da ativa Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde

 

Funcionários do Ministério alertavam sobre irregularidades no processo que, mesmo assim, ia adiante. O dinheiro já estava reservado. Ia ser pago para uma empresa em Singapura, cujo o nome não aparece no contrato, que aliás, não tinha fiscal naquele momento. Maximiano representou a única vacina cujo processo de negociação teve a participação do presidente Bolsonaro. Ele sinalizou para o governo da Índia que compararia a Covaxin.Deputado quer que Bolsonaro seja enquadrado na Lei de Segurança Nacional |  Poder360

Negacionista, defensor da imunidade de rebanho, e do tratamento precoce (kit cloroquina, kit me engana), capitão Jair Bolsonaro promoveu a ocupação militar do Ministério da Saúde, para comprar vacina super, superfaturada

 

Por fim, outra "cepa empresarial" de Maximiano, a XIS Internet Fibra S.A. mereceu carinho especial do senador Flávio Bolsonaro. Em outubro de 2020, o senador intermediou uma reunião por videoconferência entre Maximiano e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

Ufa! Agora, voltamos para "cepa" Rompro.

Como vocês, o trabalho de investigação de Gomes e Bruzzi:

Contrato assinado pelo Ministério da Saúde no valor de R$ 1,6 bilhão para a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin

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As suspeitas de irregularidades em contratos da Precisa Medicamentos e da Global Saúde com o Ministério da Saúde não são as únicas envolvendo o empresário Francisco Maximiano.

O fundo de Previdência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio diz ter sido vítima de um calote. E entrou na Justiça cobrando mais de oito milhões de reais de Maximiano.

A OAB-PREVB Rio de Janeiro é o fundo de pensão, sem fins lucrativos, que atende aos advogados do estado e seus parentes. Atualmente, a OAB-PREV Rio tem cerca de 5 mil cotistas.

Com as contribuições mensais de cada um, o fundo contrata uma gestora para investir no mercado financeiro. E é aí que essa história esbarra em um personagem que veio à tona nas investigações da CPI da Covid sobre a Covaxin: o empresário Francisco Maximiano.

Em 2015, a gestora responsável pela OAB-PREV investiu em debêntures da Rompro Participações S.A. Na ficha da Receita Federal, Maximiano aparece como um dos sócios da Rompro. O endereço cadastrado é uma sala em um centro empresarial, em Barueri, na Grande São Paulo.

Debênture é um título de dívida emitido por uma empresa que não seja uma instituição financeira. Ou seja: em vez de a companhia ir ao banco tomar um empréstimo, ela capta recursos diretamente com investidores. O dinheiro é devolvido com juros num prazo determinado.

Pelo contrato, a Rompro retornaria o investimento para a OAB-PREV Rio em 108 parcelas mensais, com o primeiro pagamento em março de 2016 e o último previsto para 2025. Mas, segundo o Fundo de Pensão dos Advogados do Rio, as parcelas não têm sido pagas pela Rompro desde março de 2018.

Em outubro de 2019, a OAB-PREV entrou na Justiça do Rio de Janeiro para cobrar essa dívida. Até aquele momento, segundo o Fundo de Pensão, o valor era de R$ 8,2 milhões. Nesse processo, a OAB-PREV pediu à Justiça o bloqueio dos bens da Rompro e de Francisco Maximiano, até o valor total da dívida. Em 8 de abril de 2021, a Justiça do Rio mandou a Rompro e Francisco Maximiano pagarem a dívida com a OAB-PREV no prazo de três dias a partir da citação, mas negou o pedido de bloqueio dos bens deles.

Procurada pela GloboNews, o advogado que representa a OAB_PREV Rio de Janeiro não quis gravar entrevista, mas disse que, até agora, a Rompro e Francisco Maximiano não pagaram a dívida.

Em junho, a pedido da OAB-PREV, a Justiça do Rio encaminhou o caso para a Justiça de São Paulo.

Nesse processo, o Fundo de Pensão da OAB do Rio de Janeiro cita o nome de outra empresa de Maximiano e também velha conhecida do Ministério da Saúde: a Global Gestão em Saúde S.A. A OAB-PREV Rio afirma que a Rompro tinha objetivo de investir os recursos captados pelas debêntures na Global, da qual, na época do investimento, o fiador Francisco Maximiano era presidente do conselho de administração e diretor presidente. A Global também é acusada de dar um calote.

O Ministério Público Federal afirma que a empresa ganhou, em 2018, R$ 20 milhões do Ministério da Saúde e não entregou os medicamentos.

E foi com outra empresa de Francisco Maximiano que o governo Jair Bolsonaro negociou a compra de vacinas. A Precisa Medicamentos atuou como intermediária de um contrato assinado pelo Ministério da Saúde no valor de R$ 1,6 bilhão para a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin.

O contrato foi suspenso depois de denúncias de irregularidades que estão sendo investigadas pela CPI da Covid no Senado.

Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, advogados de Francisco Maximiano e da Precisa Medicamentos, enviaram um comunicado, dizendo que "esse é um assunto que está sendo tratado na Justiça, no qual não há irregularidades e que todos os esclarecimentos serão prestados às autoridades". "É importante deixar claro que, além de ser um assunto privado, trata-se de uma empresa sem o menor vínculo com a Precisa Medicamentos e com a importação de 20 milhões vacinas, este sim um assunto que deveria ser de interesse público."

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10
Jun21

CPI muda de patamar e passa a seguir o dinheiro do crime da cloroquina

Talis Andrade

 

A busca da “pista do dinheiro” no escândalo da cloroquina dará o tom das investigações da CPI da Covid nas próximas semanas

 

247 - Nas próximas semanas, a investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid no Senado irá apresentar publicamente os resultados das investigações dos senadores sobre a “pista do dinheiro” da cloroquina. Sem alarde, os senadores do G7, grupo majoritário da CPI, inauguraram a nova etapa ao incluir no rol de convocações aprovadas nesta quarta-feira o nome do empresário bolsonarista Renato Spallicci. Spallicci é presidente da Apsen Farmacêutica. Vem a ser o maior fabricante de hidroxicloroquina do país. A empresa assinou em 2020 dois empréstimos com o BNDES, o banco estatal presidido por Gustavo Montezano, amigo de infância dos filhos de Bolsonaro, lembra Josias de Souza. Juntos, os financiamentos do BNDES à Apsen somam R$ 153 milhões, dos quais R$ 20 milhões já foram liberados.None

Fundadores da Apsen Mario e Irene Spallicci

 

Documentos oficiais obtidos pela CPI vinculam Bolsonaro à intermediação do fornecimento de insumos a um par de empresas para a fabricação de hidroxicloroquina. A Apsen Farmacêutica é uma delas, A outra é a EMS, vistosa logomarca do mercado de remédios. São esses fios da meada sanitária que os senadores do grupo majoritário da CPI desejam puxar nas próximas semanas.

EMS recebe o “Prêmio Líderes do Brasil” na categoria “Indústria Farmacêutica”Luiz Borgonovi, presidente da EMS

 

Jair Bolsonaro fez lobby para que a Apsen e da EMS recebessem da Índia insumos para a produção de cloroquina, um remédio usado contra a malária, mas que foi empurrado para a população brasileira como solução milagrosa contra a covid-19, colocando o Brasil em risco e na liderança das mortes pela doença.

O lobby presidencial em favor das empresas será objeto de ação do senador Rogério Carvalho (PT-SE) contra Bolsonaro na Procuradoria Geral da República. 

 

09
Jun21

A lista falsa, reduzida pela metade, dos mortos da pandemia

Talis Andrade

 

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Auditor do TCU suspeito de ter feito nota mentirosa sobre Covid foi indicado por filhos de Bolsonaro para BNDES

 

por Valdo Cruz

O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, suspeito de ter feito um estudo paralelo sobre mortes por Covid, foi indicado pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro para uma diretoria no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A indicação, contudo, foi barrada pelo próprio tribunal.

O blog não conseguiu localizar o auditor. Procurados, os filhos do presidente não responderam até a última atualização deste texto.

O relatório sobre a Covid, apontando suposta "supernotificação" no número de mortes, foi usado por Bolsonaro nesta segunda (7). No mesmo dia, o TCU desmentiu o presidente e negou ter produzido o documento.

Nesta terça, o tribunal informou que vai apurar a conduta do servidor que publicou o texto, uma vez que o documento representa "análise pessoal" do auditor.

Segundo o blog apurou com ministros do TCU, quando a indicação do auditor para o BNDES foi barrada, Bolsonaro ligou para o então presidente do tribunal, José Múcio, e pediu que o servidor fosse liberado. Mesmo assim, isso não aconteceu.

A presidência do TCU avaliou na ocasião que não seria possível ceder o servidor para o BNDES. E que, se ele quisesse ir para o banco, teria de se desligar em definitivo do tribunal.

"Como um servidor de um tribunal que investiga o governo é cedido para comandar uma diretoria do banco, [haveria] conflito de interesses. Na época, o presidente José Múcio não autorizou que o servidor fosse cedido", disse ao blog um ministro do tribunal.

Dentro do tribunal, à época, a informação era que Alexandre Marques havia sido indicado para assumir a diretoria do BNDES por filhos do presidente. O auditor é considerado um aliado do presidente Bolsonaro no tribunal.

 

Mortes por Covid

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O TCU abriu uma investigação para analisar a conduta do auditor, que teria tentado convencer os colegas a fazer uma fiscalização, alegando que os dados de mortes por Covid estavam supernotificados.

Segundo um técnico, ele não queria contar como mortes por coronavírus os pacientes que faleceram por complicações da doença.

"O argumento dele não fazia nenhum sentido. Afinal, não é o governador que dá o atestado de óbito, mas o médico. Essa tese de que os números estão inflados pelos governadores teria de ter a conivência de centenas de médicos", disse um técnico do tribunal ao blog.

 

CPI da Covid

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O senador Humberto Costa (PT-PE) pediu a convocação do auditor na CPI da Covid e a quebra de seus sigilos telefônico e telemático.

No requerimento, o senador diz que é preciso investigar a informação de que o auditor teria passado o estudo paralelo para os filhos do presidente da República, que teriam passado para Bolsonaro.

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04
Mar21

Governo Bolsonaro concedeu empréstimo de R$ 20 milhões ao maior fabricante particular de hidroxicloroquina do Brasil

Talis Andrade

O que há por trás do lobby de Bolsonaro pelo uso da cloroquina -  CartaCapital

 

Por meio de uma reportagem investigativa, o portal Repórter Brasil revelou informações sobre o uso do Banco Nacional Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) para financiar a Apsen Farmacêutica, empresa de Renato Spallicci, apoiador do presidente Jair Bolsonaro.

cloroquina_thiagolucas.jpg

 

Segundo a publicação, a empresa recebeu um valor sete vezes maior do que seu crédito liberado nos últimos 16 anos.

O primeiro acordo, assinado em fevereiro de 2020, prevê financiamento de até R$ 94,8 milhões para o "plano de investimentos em inovação" da companhia. Desse montante, o banco desembolsou R$ 20 milhões em março do ano passado.

Já o segundo financiamento, de R$ 58,9 milhões, foi assinado em junho para "ampliar a capacidade produtiva e de embalagem no complexo industrial da Apsen, em São Paulo".

Presidente Jair Bolsonaro, com pacote de remédio a base de hidroxicloroquina na mão, participa da cerimônia de posse do ministro da Saúde, general Eduardo Pauzello, no salão nobre do Palácio do Planalto, em Brasília (DF)

Os recursos aprovados nesse acordo ainda não foram liberados pelo BNDES. As informações constam no site da instituição, que usa recursos públicos para oferecer empréstimos com juros abaixo dos praticados pelo mercado.

Vale lembrar que Jair Bolsonaro foi um dos maiores defensores do medicamento para tratar a COVID-19, mesmo sem haver eficácia comprovada.

Neste cenário, a publicação enfatiza que as vendas de hidroxicloroquina –usada no tratamento contra malária e doenças reumáticas–, ajudaram a Apsen a alcançar faturamento recorde no ano passado, próximo de R$ 1 bilhão, uma alta de 18% em relação ao ano anterior.

A Apsen é a líder do mercado nacional de hidroxicloroquina e a maior beneficiada pela comercialização recorde do produto em 2020. Sua medicação está no mercado há 19 anos e respondeu por 78% das vendas no ano passado.

A empresa sustenta que não usou o financiamento público na fabricação do remédio, mas confirma que pediu os empréstimos para investir em projetos de "expansão da empresa e linhas de produtos".

e produtos".

​A empresa também afirmou que Spallicci não tem relação pessoal com o presidente e que eles nunca se encontraram. Questionada sobre a aprovação recorde de empréstimos em 2020, a farmacêutica disse que demandou financiamentos para investir em pesquisa de novos produtos e na área industrial, "com o objetivo de preparar as áreas produtivas para suportar o plano de lançamentos dos próximos anos".

Outra fabricante de hidroxicloroquina que recebeu empréstimos do BNDES em 2020 foi a EMS. A companhia recebeu R$ 23 milhões do banco público em maio para investir em duas frentes: na implantação de uma fábrica de medicamentos oncológicos (R$ 7 milhões) e na ampliação de sua linha industrial (R$ 16 milhões). O apoio total pode chegar a R$ 123 milhões.

Sputnik Brasil
Exército pagou 167% mais caro por insumo da cloroquina; PGR investiga superfaturamento sptnkne.ws/DEet
Image

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04
Mar21

Governo Bolsonaro concedeu empréstimo de R$ 20 milhões ao maior fabricante particular de hidroxicloroquina do Brasil

Talis Andrade

O que há por trás do lobby de Bolsonaro pelo uso da cloroquina -  CartaCapital

 

Por meio de uma reportagem investigativa, o portal Repórter Brasil revelou informações sobre o uso do Banco Nacional Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) para financiar a Apsen Farmacêutica, empresa de Renato Spallicci, apoiador do presidente Jair Bolsonaro.

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Segundo a publicação, a empresa recebeu um valor sete vezes maior do que seu crédito liberado nos últimos 16 anos.

O primeiro acordo, assinado em fevereiro de 2020, prevê financiamento de até R$ 94,8 milhões para o "plano de investimentos em inovação" da companhia. Desse montante, o banco desembolsou R$ 20 milhões em março do ano passado.

Já o segundo financiamento, de R$ 58,9 milhões, foi assinado em junho para "ampliar a capacidade produtiva e de embalagem no complexo industrial da Apsen, em São Paulo".

Presidente Jair Bolsonaro, com pacote de remédio a base de hidroxicloroquina na mão, participa da cerimônia de posse do ministro da Saúde, general Eduardo Pauzello, no salão nobre do Palácio do Planalto, em Brasília (DF)

Os recursos aprovados nesse acordo ainda não foram liberados pelo BNDES. As informações constam no site da instituição, que usa recursos públicos para oferecer empréstimos com juros abaixo dos praticados pelo mercado.

Vale lembrar que Jair Bolsonaro foi um dos maiores defensores do medicamento para tratar a COVID-19, mesmo sem haver eficácia comprovada.

Neste cenário, a publicação enfatiza que as vendas de hidroxicloroquina –usada no tratamento contra malária e doenças reumáticas–, ajudaram a Apsen a alcançar faturamento recorde no ano passado, próximo de R$ 1 bilhão, uma alta de 18% em relação ao ano anterior.

A Apsen é a líder do mercado nacional de hidroxicloroquina e a maior beneficiada pela comercialização recorde do produto em 2020. Sua medicação está no mercado há 19 anos e respondeu por 78% das vendas no ano passado.

A empresa sustenta que não usou o financiamento público na fabricação do remédio, mas confirma que pediu os empréstimos para investir em projetos de "expansão da empresa e linhas de produtos".

e produtos".

​A empresa também afirmou que Spallicci não tem relação pessoal com o presidente e que eles nunca se encontraram. Questionada sobre a aprovação recorde de empréstimos em 2020, a farmacêutica disse que demandou financiamentos para investir em pesquisa de novos produtos e na área industrial, "com o objetivo de preparar as áreas produtivas para suportar o plano de lançamentos dos próximos anos".

Outra fabricante de hidroxicloroquina que recebeu empréstimos do BNDES em 2020 foi a EMS. A companhia recebeu R$ 23 milhões do banco público em maio para investir em duas frentes: na implantação de uma fábrica de medicamentos oncológicos (R$ 7 milhões) e na ampliação de sua linha industrial (R$ 16 milhões). O apoio total pode chegar a R$ 123 milhões.

Sputnik Brasil
Exército pagou 167% mais caro por insumo da cloroquina; PGR investiga superfaturamento sptnkne.ws/DEet
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08
Set20

Lula: Discurso da Independência ou Morte do Brasil

Talis Andrade

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Minhas amigas e meus amigos.

Nos últimos meses uma tristeza infinita vem apertando meu coração. O Brasil está vivendo um dos piores períodos de sua história.

Com 130 mil mortos e quatro milhões de pessoas contaminadas, estamos despencando em uma crise sanitária, social, econômica e ambiental nunca vista.

Mais de duzentos milhões de brasileiras e brasileiros acordam, todos os dias, sem saber se seus parentes, amigos ou eles próprios estarão saudáveis e vivos à noite.

A esmagadora maioria dos mortos pelo Coronavírus é de pobres, pretos, pessoas vulneráveis que o Estado abandonou.

Na maior e mais rica cidade do país, as mortes pelo Covid-19 são 60% mais altas entre pretos e pardos da periferia, segundo os dados das autoridades sanitárias.

Cada um desses mortos que o governo federal trata com desdém tinha nome, sobrenome, endereço. Tinha pai, mãe, irmão, filho, marido, esposa, amigos. Dói saber que dezenas de milhares de brasileiras e brasileiros não puderam se despedir de seus entes queridos. Eu sei o que é essa dor.

Teria sido possível, sim, evitar tantas mortes.

Estamos entregues a um governo que não dá valor à vida e banaliza a morte. Um governo insensível, irresponsável e incompetente, que desrespeitou as normas da Organização Mundial de Saúde e converteu o Coronavírus em uma arma de destruição em massa.

Os recursos que poderiam estar sendo usados para salvar vidas foram destinados a pagar juros ao sistema financeiro.

O Conselho Monetário Nacional acaba de anunciar que vai sacar mais de 300 bilhões de reais dos lucros das reservas que nossos governos deixaram.

Seria compreensível se essa fortuna fosse destinada a socorrer o trabalhador desempregado ou a manter o auxílio emergencial de 600 reais enquanto durar a pandemia.

Mas isso não passa pela cabeça dos economistas do governo. Eles já anunciaram que esse dinheiro vai ser usado para pagar os juros da dívida pública!

Nas mãos dessa gente, a Saúde pública é maltratada  em todos os seus aspectos.

A substituição da direção do Ministério da Saúde por militares sem experiência médica ou sanitária é apenas a ponta de um iceberg. Em uma escalada autoritária, o governo transferiu centenas de militares da ativa e da reserva para a administração federal, inclusive em muitos postos-chave, fazendo lembrar os tempos sombrios da ditadura.

O mais grave de tudo isso é que Bolsonaro aproveita o sofrimento coletivo para, sorrateiramente, cometer um crime de lesa-pátria.

Um crime politicamente imprescritível, o maior crime que um governante pode cometer contra seu país e seu povo: abrir mão da soberania nacional.

Não foi por acaso que escolhi para falar com vocês neste 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil, quando celebramos o nascimento do nosso país como nação soberana.

Soberania significa independência, autonomia, liberdade. O contrário disso é dependência, servidão, submissão.

Ao longo de minha vida sempre lutei pela liberdade.

Liberdade de imprensa, liberdade de opinião, liberdade de manifestação e de organização, liberdade sindical, liberdade de iniciativa.

É importante lembrar que não haverá liberdade se o próprio país não for livre.

Renunciar à soberania é subordinar o bem-estar e a segurança do nosso povo aos interesses de outros países.

A garantia da soberania nacional não se resume à importantíssima missão de resguardar nossas fronteiras terrestres e marítimas e nosso espaço aéreo. Supõe também defender nosso povo, nossas riquezas minerais, cuidar das nossas florestas, nossos rios, nossa água.

Na Amazônia devemos estar presentes com cientistas, antropólogos e pesquisadores dedicados a estudar a fauna e a flora e a empregar esse conhecimento na farmacologia, na nutrição e em todos os campos da ciência – respeitando a cultura e a organização social dos povos indígenas.

O governo atual subordina o Brasil aos Estados Unidos de maneira humilhante, e submete nossos soldados e nossos diplomatas a situações vexatórias. E ainda ameaça envolver o país em aventuras militares contra nossos vizinhos, contrariando a própria Constituição, para atender os interesses econômicos e estratégico-militares norte-americanos.

A submissão do Brasil aos interesses militares de Washington foi escancarada pelo próprio presidente ao nomear um oficial general das Forças Armadas Brasileiras para servir no Comando Militar Sul dos Estados Unidos, sob as ordens de um oficial americano.

Em outro atentado à soberania nacional, o atual governo assinou com os Estados Unidos um acordo que coloca a Base Aeroespacial de Alcântara sob o controle de funcionários norte-americanos e que priva o Brasil de acesso à tecnologia, mesmo de terceiros países.

Quem quiser saber os verdadeiros objetivos do governo não precisa consultar manuais secretos da Abin ou do serviço de inteligência do Exército.

A resposta está todos os dias no Diário Oficial, em cada ato, em cada decisão, em cada iniciativa do presidente e de seus assessores, banqueiros e especuladores que ele chamou para dirigir nossa economia.

Instituições centenárias, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, que se confundem com a história do desenvolvimento do país, estão sendo esquartejadas e fatiadas – ou simplesmente vendidas a preço vil.

Bancos públicos não foram criados para enriquecer famílias. Eles são instrumentos do progresso. Financiam a casa do pobre, a agricultura familiar, as obras de saneamento, a infraestrutura essencial ao desenvolvimento.

Se olharmos para o setor energético, veremos uma política de terra arrasada igualmente predadora.

Depois de colocar à venda por valores ridículos as reservas do Pré-Sal, o governo desmantela a Petrobrás. Venderam a distribuidora e os gasodutos foram alienados. As refinarias estão sendo esquartejadas. Quando só restarem os cacos, chegarão as grandes multinacionais para arrematar o que tiver sobrado de uma empresa estratégica para a soberania do Brasil.

Meia dúzia de multinacionais ameaçam a renda de centenas de bilhões de reais do petróleo do Pré-Sal – recursos que constituiriam um fundo soberano para financiar uma revolução educacional e científica.

A Embraer, um dos maiores trunfos do nosso desenvolvimento tecnológico, só escapou da sanha entreguista em função das dificuldades da empresa que iria adquiri-la, a Boeing, profundamente ligada ao complexo industrial militar dos Estados Unidos.

O desmanche não termina aí.

O furor privatista do governo pretende vender, na bacia das almas, a maior empresa de geração de energia da América Latina, a Eletrobrás, uma gigante com 164 usinas – duas delas termonucleares – responsável por quase 40% da energia consumida no Brasil.

A demolição das universidades, da educação e o desmonte das instituições de apoio à ciência e à tecnologia, promovidos pelo governo, são ameaça real e concreta à nossa soberania.

Um país que não produz conhecimento, que persegue seus professores e pesquisadores, que corta bolsas de pesquisas e nega o ensino superior à maioria de sua população está condenado à pobreza e à eterna submissão.

A obsessão destrutiva desse governo deixou a cultura nacional entregue a uma sucessão de aventureiros. Artistas e intelectuais clamam pela salvação da Casa de Ruy Barbosa, da Funarte, da Ancine. A Cinemateca Brasileira, onde está depositado um século da memória do cinema nacional, corre o sério risco de ter o mesmo destino trágico do Museu Nacional

Minhas amigas e meus amigos.

No isolamento da quarentena tenho refletido muito sobre o Brasil e sobre mim mesmo, sobre meus erros e acertos e sobre o papel que ainda pode me caber na luta do nosso povo por melhores condições de vida.

Decidi me concentrar, ao lado de vocês, na reconstrução do Brasil como Nação independente, com instituições democráticas, sem privilégios oligárquicos e autoritários. Um verdadeiro Estado Democrático e de Direito, com fundamento na soberania popular. Uma Nação voltada para a igualdade e o pluralismo. Uma Nação inserida numa nova ordem internacional baseada no multilateralismo, na cooperação e na democracia, integrada na América do Sul e solidária com outras nações em desenvolvimento.

O Brasil que quero reconstruir com vocês é uma Nação comprometida com a libertação do nosso povo, dos trabalhadores e dos excluídos.

Dentro de um mês vou fazer 75 anos.

Olhando para trás, só posso agradecer a Deus, que foi muito generoso comigo. Tenho que agradecer à minha mãe, dona Lindu, por ter feito de um pau-de-arara sem diploma um trabalhador orgulhoso, que um dia viraria presidente da República. Por ter feito de mim um homem sem rancor, sem ódios.

Eu sou o menino que desmentiu a lógica, que saiu do porão social e chegou ao andar de cima sem pedir permissão a ninguém, só ao povo.

Não entrei pela porta dos fundos, entrei pela rampa principal. E isso os poderosos jamais perdoaram.

Reservaram para mim o papel de figurante, mas virei protagonista pelas mãos dos trabalhadores brasileiros.

Assumi o governo disposto a mostrar que o povo cabia, sim, no orçamento. Mais do que isso, provei que o povo é um extraordinário patrimônio, uma enorme riqueza. Com o povo o Brasil progride, se enriquece, se fortalece, se torna um país soberano e justo.

Um país em que a riqueza produzida por todos seja distribuída para todos – mas em primeiro lugar para os explorados, os oprimidos, os excluídos.

Todos os avanços que fizemos sofreram encarniçada oposição das forças conservadoras, aliadas a interesses de outras potências.

Eles nunca se conformaram em ver o Brasil como um país independente e solidário com seus vizinhos latino-americanos e caribenhos, com os países africanos, com as nações em desenvolvimento.

É aí, nessas conquistas dos trabalhadores, nesse progresso dos pobres, no fim da subserviência, é aí que está a raiz do golpe de 2016.

Aí está a raiz dos processos armados contra mim, da minha prisão ilegal e da proibição da minha candidatura em 2018. Processos que – agora todo mundo sabe – contaram com a criminosa colaboração secreta de organismos de inteligência norte-americanos.

Ao tirar 40 milhões de brasileiros da miséria, nós fizemos uma revolução neste país. Uma revolução pacífica, sem tiros nem prisões.

Ao ver que esse processo de ascensão social dos pobres iria continuar, que a afirmação de nossa soberania não iria ter volta, os que se julgam donos do Brasil, aqui dentro e lá fora, resolveram dar um basta. 

Nasce aí o apoio dado pelas elites conservadoras a Bolsonaro.

Aceitaram como natural sua fuga dos debates. Derramaram rios de dinheiro na indústria das fake news. Fecharam os olhos para seu passado aterrador. Fingiram ignorar seu discurso em defesa da tortura e a apologia pública que ele fez do estupro.

As eleições de 2018 jogaram o Brasil em um pesadelo que parece não ter fim.

Com ascensão de Bolsonaro, milicianos, atravessadores de negócios e matadores de aluguel saíram das páginas policiais e apareceram nas colunas políticas.

Como nos filmes de terror, as oligarquias brasileiras pariram um monstrengo que agora não conseguem controlar, mas que continuarão a sustentar enquanto seus interesses estiverem sendo atendidos.

Um dado escandaloso ilustra essa conivência: nos quatro primeiros meses da pandemia, quarenta bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 170 bilhões de reais.

Enquanto isso, a massa salarial dos empregados caiu 15% em um ano, o maior tombo já registrado pelo IBGE. Para impedir que os trabalhadores possam se defender dessa pilhagem, o governo asfixia os sindicatos, enfraquece as centrais sindicais e ameaça fechar as portas da Justiça do Trabalho. Querem quebrar a coluna vertebral do movimento sindical, o que nem a ditadura conseguiu.

Violentaram a Constituição de 1988. Repudiaram as práticas democráticas. Implantaram um autoritarismo obscurantista, que destruiu as conquistas sociais alcançadas em décadas de lutas. Abandonaram uma política externa altiva e ativa, em favor de uma submissão vergonhosa e humilhante.

Este é o verdadeiro e ameaçador retrato do Brasil de hoje.

Tamanha calamidade terá que ser enfrentada com um novo contrato social que defenda os direitos e a renda do povo trabalhador.

Minhas queridas e meus queridos.

Minha longa vida, aí incluídos os quase dois anos que passei em uma prisão injusta e ilegal, me ensinou muito.

Mas tudo o que fui, tudo o que aprendi cabe num grão de milho se essa experiência não for colocada a serviço dos trabalhadores.

É inaceitável que 10% da população vivam à custa da miséria de 90% do povo.

Jamais haverá crescimento e paz social em nosso país enquanto a riqueza produzida por todos for parar nas contas bancárias de meia dúzia de privilegiados.

Jamais haverá crescimento e paz social se as políticas públicas e as instituições não tratarem com equidade a todos brasileiros.

É inaceitável que os trabalhadores brasileiros continuem sofrendo os impactos perversos da desigualdade social. Não podemos admitir que nossa juventude negra tenha suas vidas marcadas por uma violência que beira genocídio.

Desde que vi, naquele terrível vídeo, os 8 minutos e 43 segundos de agonia de George Floyd, não paro de me perguntar: quantos George Floyd nós tivemos no Brasil? Quantos brasileiros perderam a vida por não serem brancos? Vidas negras importam, sim. Mas isso vale para o mundo, para os Estados Unidos e vale para o Brasil.

É intolerável que nações indígenas tenham suas terras invadidas e saqueadas e suas culturas destruídas. O Brasil que queremos é o do marechal Rondon e dos irmãos Villas-Boas, não o dos grileiros e dos devastadores de florestas.

Temos um governo que quer matar as mais belas virtudes do nosso povo, como a generosidade, o amor à paz e a tolerância.

O povo não quer comprar revólveres nem cartuchos de carabina. O povo quer comprar comida.

Temos que combater com firmeza a violência impune contra as mulheres. Não podemos aceitar que um ser humano seja estigmatizado por seu gênero. Repudiamos o escárnio público com os quilombolas. Condenamos o preconceito que trata como seres inferiores pobres que vivem nas periferias das grandes cidades.

Até quando conviveremos com tanta discriminação, tanta intolerância, tanto ódio?

Meus amigos e minhas amigas,

Para reconstruirmos o Brasil pós pandemia, precisamos de um novo contrato social entre todos os brasileiros.

Um contrato social que garanta a todos o direito de viver em paz e harmonia. Em que todos tenhamos as mesmas possiblidades de crescer, onde nossa economia esteja a serviço de todos e não de uma pequena minoria. E no qual sejam respeitados nossos tesouros naturais, como o Cerrado, o Pantanal, a Amazônia Azul e a Mata Atlântica.

O alicerce desse contrato social tem que ser o símbolo e a base do regime democrático: o voto. É através do exercício do voto, livre de manipulações e fake news, que devem ser formados os governos e ser feitas as grandes escolhas e as opções fundamentais da sociedade.

Através dessa reconstrução, lastreada no voto, teremos um Brasil um democrático, soberano, respeitador dos direitos humanos e das diferenças de opinião, protetor do meio ambiente e das minorias e defensor de sua própria soberania.

Um Brasil de todos e para todos.

Se estivermos unidos em torno disso poderemos superar esse momento dramático.

O essencial hoje é vencer a pandemia, defender a vida e a saúde do povo. É pôr fim a esse desgoverno e acabar com o teto de gastos que deixa o Estado brasileiro de joelhos diante do capital financeiro nacional e internacional.

Nessa empreitada árdua, mas essencial, eu me coloco à disposição do povo brasileiro, especialmente dos trabalhadores e dos excluídos.

Minhas amigas e meus amigos.

Queremos um Brasil em que haja trabalho para todos.

Estamos falando de construir um Estado de bem-estar social que promova a igualdade de direitos, em que a riqueza produzida pelo trabalho coletivo seja devolvida à população segundo as necessidades de cada um.

Um Estado justo, igualitário e independente, que dê oportunidades para os trabalhadores, os mais pobres e os excluídos.

Esse Brasil dos nossos sonhos pode estar mais próximo do que aparenta.

Até os profetas de Wall Street e da City de Londres já decretaram que o capitalismo, tal como o mundo o conhece, está com os dias contados. Levaram séculos para descobrir uma verdade inquestionável que os pobres conhecem desde que nasceram: o que sustenta o capitalismo não é o capital. Somos nós, os trabalhadores.

É nessas horas que me vem à cabeça esta frase que li num livro de Victor Hugo, escrito há um século e meio, e que todo trabalhador deveria levar no bolso, escrita em um pedacinho de papel, para jamais esquecer:

“É do inferno dos pobres que é feito o paraíso dos ricos…”

Nenhuma solução, porém, terá sentido sem o povo trabalhador como protagonista. Assim como a maioria dos brasileiros, não acredito e não aceito os chamados pactos “pelo alto”, com as elites. Quem vive do próprio trabalho não quer pagar a conta dos acertos políticos feitos no andar de cima.

Por isso quero reafirmar algumas certezas pessoais:

• Não apoio, não aceito e não subscrevo qualquer solução que não tenha a participação efetiva dos trabalhadores.

• Não contem comigo para qualquer acordo em que o povo seja mero coadjuvante.

• Mais do que nunca, estou convencido de que a luta pela igualdade social passa, sim, por um processo que obrigue os ricos a pagar impostos proporcionais às suas rendas e suas fortunas.

E esse Brasil, minhas amigas e meus amigos, está ao alcance das nossas mãos.

Posso afirmar isso olhando nos olhos de cada um e de cada uma de vocês. Nós provamos ao mundo que o sonho de um país justo e soberano pode sim, se tornar realidade.

Eu sei – vocês sabem – que podemos, de novo, fazer do Brasil o país dos nossos sonhos.

E dizer, do fundo do meu coração: estou aqui. Vamos juntos reconstruir o Brasil.

Ainda temos um longo caminho a percorrer juntos.

Fiquem firmes, porque juntos nós somos fortes.

Viveremos e venceremos.

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20
Fev20

BNDES

Talis Andrade

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5 - Tofolli está certo: a Lava Jato destruiu a indústria do Brasil

por Marlon de Souza

 

 

Historicamente o principal instrumento de desenvolvimento da indústria brasileira é o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) que financia a inovação e investimento de plantas industriais produtivas a juro subsidiado, bem abaixo do mercado. Como parte da política anti-indústria do governo Bolsonaro o BNDES desde o início do atual governo tem suas linhas de financiamento desmontadas e as operações executadas no governos Lula/Dilma atacadas e descreditadas publicamente.

Cumprindo com a promessa de campanha eleitoral de 2018 o BNDES no governo Bolsonaro contratou auditoria para desvendar a suposta caixa-preta de operações feitas entre 2005 e 2018. Foram contratados dois escritórios de advocacia; um estrangeiro com sede em Nova York e outro no Rio de Janeiro para investigar a “chamada caixa-preta do BNDES”. Conforme apurou o jornal Estado de São Paulo uma auditoria de seis páginas no BNDES que não apontou evidência alguma de corrupção gastou R$ 48 milhões - R$ 6 milhões por página.

Mobilizada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, a campanha sobre supostas irregularidades no banco tinha como alvo atingir os governos do PT - Lula e Dilma, não só não encontrou nenhum desvio como agora o valor gasto pelo atual governo na auditoria de R$ 48 milhões é questionada pelo Ministério Público (MPTCU) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). O pedido é assinado pelo sub-procurador-geral do MPTCU Lucas Rocha Furtado e requer informações se a contratação da auditoria está de acordo com a legislação brasileira e se o valor do contrato está condizente com o praticado no mercado.

O próprio ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht em entrevista a Folha de São Paulo publicada em dezembro do ano passado afirmou que quando realizava uma obra em outro país o “BNDES financiava conteúdo nacional, geração de trabalho no Brasil”, explicou. Sobre o porto de Cuba, por exemplo, Odebrtecht explicou que o contrato do financiamento do BNDES obrigava aquele país a importar do Brasil a “estrutura metálica, maquinário, produtos com conteúdo nacional”. Isto derruba o argumento de que o BNDES financiava projetos no exterior, o dinheiro ficava no Brasil, gerava empregos aqui. Odebrecht ressaltou ainda na entrevista que o presidente Lula apresentava de forma institucional e enquanto estadista as empresas brasileiras no exterior no mesmo patamar de competitividade e concorrência sem privilegiar nenhuma. [ Continua ]

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22
Jan20

Quem fará a auditoria na auditoria do BNDES?

Talis Andrade

 

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por Leonardo Attuch

É preciso abrir a caixa-preta do BNDES. Não aquela imaginada por Jair Bolsonaro, mas sim a da atual gestão do banco de fomento, que, sob o comando de Gustavo Montezano, contratou, por nada menos que R$ 48 milhões, um escritório de advocacia nos Estados Unidos para realizar um trabalho absolutamente inútil: investigar corrupção nos negócios realizados com a JBS (aquela empresa que, supostamente, seria do Lulinha)

O valor foi pago a um escritório estrangeiro, o Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, que, por não entender absolutamente nada do assunto, subcontratou outro brasileiro, o Levy & Salomão. Ou seja: só por essa intermediação nos Estados Unidos o negócio já seria suspeito. O mais impressionante é que o trabalho teve apenas oito páginas, ou seja, custou R$ 6 milhões por cada lauda produzida. Como diria o ex-presidente Lula, "nunca antes na história do País", tanto dinheiro foi gasto por tão pouco.

O trabalho era inútil porque qualquer pessoa minimamente informada saberia que os investimentos do BNDES na JBS estiveram entre os melhores negócios já realizados pelo banco. O banco investiu R$ 8 bilhões por uma participação acionária que hoje vale mais de R$ 14 bilhões. E antes mesmo de Montezano ter sido colocado no banco, outros dois presidentes, Paulo Rabello de Castro, no governo Temer, e Joaquim Levy, sob Bolsonaro, já haviam atestado que não havia caixa-preta. Muito pelo contrário.

No entanto, Montezano contratou o escritório internacional para tentar atender ao desejo de mistificação do chefe Bolsonaro, que ataca o BNDES justamente porque seu projeto econômico visa destruir todos os instrumentos que podem vir a ser utilizados para um política de desenvolvimento nacional. O resultado foi um monumental desperdício de dinheiro público, que agora coloca o Brasil diante da seguinte questão: quem vai realizar a auditoria da auditoria no BNDES? Quem vai abrir essa verdadeira caixa-preta?

 

11
Dez19

Acusação sem base levará Petrobras a pagar indenizações milionárias a servidores

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

 

A notícia, publicada agora em O Globo, de que a Petrobras enviará duas mil cartas com pedidos de desculpas a servidores investigados durante o processo de histeria da Lava Jato vai submeter, com certeza, a estatal ao pagamento de indenizações milionárias por danos morais a seus funcionários.

Afinal, pedido de desculpas pressupõe culpa, como admitiu o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, ao dizer, no Dia de Combate à Corrupção, que:

Em vez de investigar e punir as pessoas que realmente cometiam atos dolosos, inocentes foram perseguidos. Resultado disso é que estamos entregando cerca de duas mil cartas pedindo desculpas às pessoas envolvidas e a seus familiares pelos danos causados. Por isso, aproveito esta oportunidade para pedir desculpas pessoalmente, como presidente da companhia, em nome da Petrobras a todos aqueles que foram injustiçados e seus familiares’

Basta isso para comprovar que pelo menos 2 mil profissionais sofreram dano moral – reconhecido – no processo de caça às bruxas que, à sombra da Lava Jato, instaurou-se na Petrobras.

É o que em direito chama-se “in re ipsa”, o dano moral independe de qualquer outra comprovação.

Não são ações da Justiça, o que ainda poderia dar cobertura a ideia de que foi uma ação judicial: foi administrativa, discricionária, com burocratas escolhendo quem deveria ir para o pelourinho para “provar sua inocência”.

Vai acontecer o mesmo no BNDES, pode apostar.

Cada um de nós, contribuintes, terá de pagar estas inevitáveis indenizações que, tendo em vista o padrão salarial dos ofendidos, não será barata, ainda mais acrescidas dos juros de mora e correção devidos, segundo súmula do STF, desde a data destes eventos.

E serão dezenas ou centenas de milhões, pode ter certeza.

Mas não sai do bolso de quem fez isso, não é?

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07
Dez19

A quem servirá o pacote de Paulo Guedes para reativar a economia brasileira?

Talis Andrade

Segundo o super-ministro do governo de ocupação, faltam mais de uma centena de empresas públicas para serem descartadas

 

 

bolonaro entreguismo amazonia riquezas nióbio pet

 


PAULO CANNABRAVA FILHO
Diálogos do Sul 

 

Paulo Guedes, o superministro de Economia do governo de ocupação, ao anunciar o pacote “para reativar a economia", afirmou que é preciso acelerar o processo de privatização. Faltam, segundo ele, mais de uma centena de empresas públicas para serem descartadas.

Mas o pior não é isso. O pior é a entrega do petróleo e querer transformar a Petrobras em mera extratora de óleo, em igualdade com as estrangeiras nas jazidas brasileiras.

A próxima vítima, anunciou o próprio presidente do governo de ocupação, será a Eletrobrás. Pra vender barato já fatiaram e venderam quase tudo da estatal. Você imagina o quando de recursos humanos e materiais se necessita para construir uma hidroelétrica de grande porte como o Complexo de Urubupunga, no noroeste de São Paulo. Pois agora, é uma empresa estrangeira que sem ter investido nada assume o controle da geradora e tudo o que ela significa. E é outra empresa estrangeira que leva a energia lá gerada até sua casa. O seu salário diminui, o mínimo congela e a conta de luz, de água, de gás, da gasolina e do álcool aumentam todos os dias.

O pacote do Guedes foi encaminhado diretamente ao Senado. É para desconfiar das intenções pois, como é de praxe, esse tipo de projeto começa a tramitar pela Câmara, primeiro nas comissões técnicas, só depois de aprovado em Plenário é que vai para o Senado. Por que essa inversão? Ele não esconde que tem pressa… quer equilibrar as contas até 2026.

Pra enfrentar o problema de falta de dinheiro para sustentar máquina pública, no lugar de mexer nos privilégios, cortar daqueles que ganham mais, anuncia cortar daqueles que ganham menos e que são, precisamente, os que fazem a máquina funcionar.

Ele anunciou claramente que quer reduzir salários e a carga horária do funcionalismo. Demite e corta o salário dos que ficam. Claro, o objetivo é o Estado Mínimo até que não havendo mais Estado o déficit, claro será zero. É o raciocínio de Von Mises, o austríaco do radicalismo neoliberal que prega o fim do Estado e inspira o Guedes.

Se colocasse um teto de R$ 20 mil a todos os servidores de alto e médio escalão, quanto se economizaria? Se cortassem as mordomias, como fizeram no México, quando se economizaria? Lá, o servidor público se tiver que utilizar um automóvel para cumprir sua atividade fim, usa o veículo de uma frota comum para todos e vai pra casa no seu próprio automóvel.

Em contraste, aqui, Guedes pretende tirar R$ 28 bilhões do orçamento em dois anos, 25%, um quarto disso, a custas da pele do servidor público. O cara até parece que enlouqueceu. Num acesso de euforia, anunciou que quer proibir o servidor público de ter filiação partidária. Alguém precisa mandar esse cara ler a Constituição e a Carta dos Direitos Humanos da ONU. Rápido, senão….

As maldades não param aí.

Como boa parte do orçamento da União é atado, ou seja, obriga a reservar um percentagem à saúde e a educação, o senhor Guedes simplesmente conseguiu desobrigar a União. Paga a conta dos gastos supérfluos, como juros dos empréstimos e mordomias, e tira do essencial para o povo. Vai tirar dinheiro também dos Fundos Públicos… R$ 220 bilhões em depósitos, ou seja, dinheiro vivo, como para o Fundo para o Desenvolvimento do Ensino Universitário, que paga pesquisas avançadas, são desviados para outros fins.

Até o pescador artesanal terá que ressarcir o tesouro pelo que recebe no período de defeso, quando no período de desova é proibido a pesca para que não desapareça a espécie. O pescador recebe uma ajuda financeira para assegurar sobrevivência de sua família. Pois bem, agora o pescador terá que pagar para ter o defeso. Para receber aquela miséria, de meio salário mínimo, ele terá que dar pro governo 7,5% de um Salário Mínimo.

Esses mesmos 7,5% serão descontados do salário desemprego. Argumentam que com isso poderão financiar o programa de emprego para jovens de 19 a 29 anos. Dizem que esse programa custará R$ 12 bilhões e o trabalhador terá que pagar R$ 10 bilhões. São muito bonzinhos, não são?

E como se não bastasse, congelou a Salário Mínimo que já era uma merreca ajustado pela inflação, agora nem isso.

Dá a impressão de que eles decidiram acabar com a pobreza no país da maneira mais simples… matando de fome os pobres. Já não tinham saúde, educação, moradia…. que morram, pois. Vamos nos juntar aos 600 milhões de famintos que vivem na África.

Nenhuma medida para penalizar os sonegadores, aos que obtém lucros abusivos na especulação financeira. Segundo o Sonegômeetro, com a sonegação fiscal o Tesouro deixa de arrecadar cerca de R$ 500 bilhões por ano, porém, com o faturamento não declarado pelas empresas essa perda ultrapassa R$ 2 trilhões por ano.

Nenhuma medida para controlar a venda ilegal de madeira da Amazônia, dois crimes de uma só vez: ecológico (desmatamento), e fiscal (venda ilegal não faturada). Ao contrário de proteger as matas nativas o governo de ocupação anuncia que vai permitir a exploração (derrubada) das árvores nativas para exportação. Hoje só é permitido exportar troncos de árvores exóticas como o Pinus e o Eucalipto.

Até onde vai a safadeza dessa gente que tomaram conta até do BNDS e querem, se não extingui-lo, para que não atrapalhe a banca privada, desfigurá-lo completamente. O BNDS foi criado para promover o desenvolvimento como banco de investimento. O único que garantia recursos para grandes projetos e também para pequenos empreendimentos, emprestando dinheiro a juros subsidiados. A partir do governo Temer, resultado de um golpe de estado, o BNDES nas mãos de financistas passou a atuar como um banco privado. Em meados de novembro, nas mãos da turma do Guedes, anunciou um lucro de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, 70% mais que no ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro um lucro de R$ 16,5 bilhões.

Também a Caixa, o segundo maior banco público, está ameaçada de ser privatizada. Começaram retirando funções que lhe eram típicas, como a administração e operação das Loterias, a de depositária do Fundo de Garantia e financiamento da casa própria a longo prazo e juros subsidiados, ao alcance do trabalhador e fazendo-a funcionar como um banco privado em busca de lucros e especulação financeira.

A função das Caixa Econômicas, no mundo inteiro, é recolher a poupança do trabalhador, administrá-la e dar em troca facilidades para momentos de dificuldade, ou de felicidade na hora da compra da casa própria. E também aplicar os recursos em projetos que beneficiam os poupadores, na área de saúde e educação.

Na Alemanha, onde o capitalismo funciona, há caixas econômicas municipais. Elas recolhem a poupança da população local e aplicam em infraestrutura pra melhorar o nível de vida das pessoas.

O que vão fazer com esse dinheiro?

Daqueles R$ 16 bilhões de lucro do BNDS, R$ 4,6 bilhões já foram designados para ajudar o governo a pagar as contas. Todo o país colocado a serviço de sustentar a máquina, principalmente os trabalhadores e os mais pobres. No total o banco deverá passar R$ 132 bilhões para o governo. Em vez de financiar o setor produtivo, tudo se volatiza na voragem dos financistas que só pensam em déficit fiscal e fazer os ricos ganharem cada vez mais dinheiro.

O que é pior, é que todas essas medidas estão sendo aplicadas como um trator deixando terra arrasada, sem maiores discussões com a sociedade. De fato, chama a atenção o abuso de Medidas Provisórias ditadas pelo governo de ocupação precisamente nos setores mais sensíveis.

Vale perguntar. O que é mais indecente, governar através de MPs ou o fato de que se permita MPs. Essa é uma excrescência herdada da ditadura. A medida decretada pelo Executivo entra em vigor antes de ser apreciada pelo Legislativo. Então pra que legislativo? Ela deixa de vigorar se não for aprovada em 120 dias, mas pode ser devolvida e parmanecer em vigor outros 120 dias. Se for aprovada perde validade. Em oito meses o governo de ocupação já editou 37 MPs e apenas nove foram rejeitadas. É mais um fator de insegurança jurídica que precisa ser eliminado.

E com o maior cinismo dos prepotentes, o ministro Guedes disse, nos Estados Unidos, que se houver no Brasil manifestações de protesto contra as medidas econômicas como as que estão ocorrendo no Chile, haverá um novo AI-5. O que é isso? Um golpe dentro do golpe?

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Bom! Esses fatos, muito graves pela repercussão que têm na vida de cada cidadã suscitam reflexão. O que temos como cenário?

Uma sociedade de consumo (consumo exacerbado pela mídia) abandonou o capitalismo clássico (trabalho-produção-consumo) para uma financeirização suicida. O capital improdutivo como define o nosso professor Ladislau Dowbor.

Como sair dessa enrascada?

Os capitalistas que geraram a crise é que têm obrigação de assumir a responsabilidade pela crise e iniciar um novo ciclo de um capitalismo produtivo.

É imperioso e vital. Caso não o façam, as coisas poderão sair do controle e impor-se o caos.

Reassumir o capitalismo produtivo é como reviver e atualizar o ciclo desenvolvimentista iniciado na Era Vargas. Um um novo keinesiaismo como propunha Celso Furtado.

Tudo de mal que tem ocorrido no país desde 1980 tem uma só origem: a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro. Não é exagero dizer que só o capitalismo salva.

Já há essa percepção mundo afora.

O Manifesto da Gife que nós publicamos no domingo passado (organização que reúne o que há de mais representativo do capitalismo no Brasil) é um grito de alerta provocado por essa percepção. Veja você mesmo se não é, lendo o manifesto aqui.

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