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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

22
Abr20

As ameaças à humanidade são cada vez mais existenciais.

Talis Andrade

 

 

 

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VI - O direito universal à respiração

Por Achille Mbembe

_ _ _



O processo foi mil vezes intentado. Podemos recitar de olhos fechados as principais acusações. Seja a destruição da biosfera, o resgate das mentes pela tecnociência, a desintegração das resistências, os reiterados ataques contra a razão, a crescente cretinice das mentalidades, ou a ascensão dos determinismos (genéticos, neural, biológico, ambiental), as ameaças à humanidade são cada vez mais existenciais.

De todos estes perigos, o maior será que toda e qualquer forma de vida se torne impossível. Entre quem sonha transferir a nossa consciência para máquinas e quem está persuadido de que a próxima mutação da espécie reside na emancipação da nossa pandilha biológica, a diferença é insignificante. A tentação eugenista não desapareceu. Pelo contrário, está na base dos recentes progressos das ciências e da tecnologia.

Entretanto, esta paragem repentina surge, não da história, mas de algo ainda difícil de entender. Por ser forçada, esta interrupção não é um feito da nossa vontade. É, de diversas formas, simultaneamente imprevista e imprevisível. Ora, é de uma interrupção voluntária, consciente e plenamente consentida que precisamos, de outro modo pouco restará. Restará somente uma série ininterrupta de acontecimentos imprevistos.

Se, de fato, a Covid-19 é a expressão espetacular do impasse planetário em que se encontra a humanidade, então não se trata senão, nem mais nem menos, de recompormos uma Terra habitável, porque ela oferecerá a todos a possibilidade de uma vida respirável. Trata-se, pois, de recuperar os recursos do nosso mundo com o fim de forjar novas terras. A humanidade e a biosfera estão ligadas. Uma não tem futuro sem a outra. Seremos capazes de redescobrir a nossa pertença à mesma espécie e o nosso inquebrável vínculo à totalidade do vivo? Talvez esta seja a derradeira questão, antes que a porta se feche para sempre.


*Publicado originalmente em 'AOC media - Analyse Opinion Critique' | Tradução de Mariana Pinto dos Santos e Marta Lança para o site BUALA

***

1.Achille Mbembe et Felwine Sarr, Politique des temps, Philippe Rey, 2019, p. 8-9.

2.O mais recente livro do autor tem precisamente este título, Brutalisme, ed. La Découverte, 2019. (N.T.)


3.Achille Mbembe, Políticas da Inimizade, Antígona, 2016.

4.Alexandre Friederich, H . Vers une civilisation 0.0, Editions Allia, 2020, p. 50.

5.Sarah Vanuxem, La propriété de la Terre, Wildproject, 2018; e Marin Schaffner, Un sol commun. Lutter, habiter, penser, Wildproject, 2019.

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