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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

09
Abr22

Irmão e primo da senadora Rose de Freitas são presos em operação contra corrupção na Codesa

Talis Andrade

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Operação investiga desvio de recursos em contratos da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Senadora Rose de Freitas foi alvo de mandado de busca e apreensão

 

 

O irmão e o primo da senadora Rose de Freitas foram presos na Operação Corsários. 

"De repente, não mais que de repente", diria o poeta Vinicius de Moraes, o irmão Edward Dickson de Freitas e o primo Ricardo Saiter Mota passaran a vassoura na revista da casa da senadora. Ficou tudo lidinho. Tudo limpinho e branquinho que nem bundinha de anjo. E o irmão e o primo criaram novas asas para, livres e soltos, novos vôos.

A senadora mudou o discurso, e só faz o que manda o senador Ciro Nogueira. Nem preciso dizer que a operação parou.Arquivo para Charges - Página 8 de 135 - Sindicato dos Bancários de Porto  Alegre e Região

 

Operação Corsários

Segundo a PF, a operação teve o objetivo de investigar uma organização criminosa que atuava na Codesa entre os anos de 2015 e 2018, direcionando certames e desviando recursos públicos dos contratos firmados com as prestadoras de serviços.

Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e 10 mandados de busca e apreensão em residências e empresas de Vitória, Cariacica, Serra e Brasília. Também houve o sequestro de bens e valores, além da prisão em flagrante de um dos investigados por porte ilegal de armas.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em razão do indício de envolvimento de pessoa com prerrogativa de foro. O ministro Kassio Nunes Marques autorizou os mandados.

De acordo com a polícia, a Operação Corsários teve início com o recebimento de denúncia de exigência de vantagens ilícitas por servidores da Codesa em contrato de locação de veículos.

As apurações, segundo a PF, revelaram a existência de uma organização criminosa infiltrada na empresa pública, por meio da indicação de pessoas de confiança do grupo para postos chaves, permitindo dessa forma a interferência nos certames, o superfaturamento e desvio dos valores pagos nos contratos subsequentes.

Para receber os recursos desviados, de acordo com as investigações, o grupo investigado utilizava um escritório de advocacia, responsável por simular a prestação de serviços advocatícios para lastrear a movimentação dos valores. As investigações revelaram ainda que a lavagem do dinheiro ilegal também acontecia por meio da compra de imóveis de luxo e do pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.

 

A PF informou que a investigação contou com a colaboração da atual gestão da Codesa, que em auditoria realizada estima que somente em dois dos contratos auditados a organização criminosa pode ter desviado cerca de R$ 9 milhões.

 

Nota da senadora divulgada no dia da operação

 

Senadora Rose de Freitas — Foto: Bernardo Coutinho/ A Gazeta

"Fui surpreendida hoje, às 9h, pelo mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Nunes Marques, do STF, no meu apartamento funcional onde resido, em Brasília.

Desconheço, até o momento, as razões do mandado e reafirmo não ter cometido qualquer ato ilícito ao longo dos oito mandatos exercidos na vida pública.

Fui igualmente surpreendida pelas prisões de meu irmão e de meu assessor, realizadas no estado do Espírito Santo.

 

Confio no reestabelecimento da verdade e na apuração das possíveis motivações que ensejaram tamanha agressão. Identifico claramente uma tentativa de desabonar minha honra e dignidade.

Não cederei a pressões de qualquer natureza, venham de onde vierem. Providências legais cabíveis estão sendo tomadas para que os fatos sejam devidamente esclarecidos e apurados. Sempre exerci com coragem, ética e dedicado trabalho os mandatos que honradamente recebi do povo do Espírito Santo.

Todos os demais esclarecimentos serão prestados pelos nossos advogados, que se pronunciarão oportunamente."

Esse oportunamente já dura um bom tempo. 

Informa a Gazeta: Ricardo Saiter é secretário parlamentar do gabinete de Rose. Pelos bons serviços prestados, no passado e presente, ganhava em maio de 2021 o salário de R$ 17.992,56. 

Charge do Lute em analogia ao pirata vivido no mundo da ficção e o pirata  do mundo real encontrado na polític… | Piratas do caribe, Caricaturas,  Politica brasileira

26
Ago21

O governador, e não o Exército, deve impor autoridade para evitar motins

Talis Andrade

 

golpe berrante gado .jpeg

 

por Moisés Mendes /Jornalistas pela Democracia

- - -

Está disseminada a tese de que o Exército deve intervir, não se sabe como, no processo de politização das polícias militares que fazem militância pró-golpe e ameaçam com motins.

Toda a argumentação nessa linha é um equívoco, se examinada sob o ponto de vista das obviedades constitucionais ou sob o olhar subjetivo da política.

Nesse caso, o que orienta atitudes e ações é o poder da política, estúpido. Tentar evitar motins é tarefa de quem tem representação determinada pela democracia.

Dizem alguns que as PMs, como são forças auxiliares do Exército para situações excepcionais em que são convocadas a intervir, precisam estar sob a vigilância dos militares.

Não podem e não devem. A Constituição, que permite tantas hermenêuticas, como diria o jurista da esquina, é muito clara. Está escrito no parágrafo sexto do artigo 144, que trata da segurança pública:

“As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios”.

A abordagem profilática e informal, diante da ameaça de motins, pode até envolver os militares, pela natural interlocução entre fardados.

Mas a intervenção primeira, formal, legal e política, no sentido de conter a ameaça de motins e insubordinações, deve ser dos governadores.

Todos sabemos, inclusive o soldado e o cabo do jipe de Eduardo Bolsonaro, que Exército e PMs têm vínculos umbilicais pelo caráter das suas funções e por suas histórias. Mas nada mais além disso, no sentido de tentar enxergar atribuições nos militares na tutela das PMs.

Quem nomeia comandos, quem trata de orçamentos e prioridades e delibera sobre ações das PMs são os governadores.

Quem destitui um coronel de um posto de comando, como João Doria fez agora com o oficial de Sorocaba que sugeria apoio a manifestações golpistas, é o governador.

Nenhuma outra autoridade ou instituição pode usurpar da prerrogativa dos políticos que fazem a gestão dos Estados ou achar que essa é uma responsabilidade a ser terceirizada.

Quem tem convivência cotidiana com as polícias militares e conhece a realidade das atividades da segurança, inclusive as protegidas pelas sombras e até por arbitrariedades, é o governador.

O governador é quem tem autoridade para mandar frear desmandos, a partir da intervenção em comandos que passarão então a ser investigados por seus atos. É seu dever, mais do que um direito, como chefe das PMs.

Mas o Exército e as outras duas armas devem estar atentas aos movimentos das polícias porque pode acontecer aqui o que aconteceu na Bolívia. Lá, a Polícia Nacional, sob comando federal, passou a dar ordens aos generais antes do golpe de novembro de 2019.

golpe bolivia.png

bolívia nacionalismo entreguismo.jpg

 

Foram as polícias, com os civis golpistas, que empurraram generais acovardados a escrever e ler a nota com a advertência a Evo Morales, para que o presidente renunciasse. A Polícia Nacional impôs a desordem dos motins aos generais.

golpe pazu.jpg

 

Que se publique de novo aqui essa informação já muito repetida: todos estão presos, os chefes da polícia e os comandantes das três armas (o então chefe das Forças Armadas, general Williams Kaliman, está foragido).

Se fosse preciso fazer um resumo, essa seria uma síntese para o atual momento: que as Forças Armadas tentem contribuir para evitar o pior, se acham que devem, mas sem pretender substituir os governadores e sem nunca sugerir que poderão estar ao lado de quem incentiva e promove motins.  

Hoje, quem tem o poder de impor previamente a ordem e intervir para que depois os amotinados sejam punidos pela Justiça, mesmo em seus primeiros ensaios, é o governador.

Se eles têm autoridade real e moral, com histórico e coragem para essa tarefa, aí já é outra história.

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