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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

10
Fev19

Bolsonaro manda Abin espionar bispos e cardeais e traça combate à Igreja Católica

Talis Andrade

Francis, Lib Theol.jpg

 

247 - Na visão do bolsonarismo, a Igreja é uma tradicional aliada do PT e está se organizando para liderar debates em conjunto com a esquerda. O alerta ao governo veio de informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chefiada pelo general Heleno, e dos comandos militares. Os relatos são de encontros recentes de cardeais brasileiros com o papa Francisco para discutir o Sínodo sobre Amazônia, que reunirá em Roma, no mês de outubro, bispos de todos os continentes.

bispo.jpg

 

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo destaca que, "durante 23 dias, o Vaticano vai discutir a situação da Amazônia e tratar de temas considerados pelo governo brasileiro como uma 'agenda da esquerda. O debate irá abordar a situação de povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas. 'Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí', disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que comanda a contraofensiva."

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A matéria ainda informa que "com base em documentos que circularam no Planalto, militares do GSI avaliaram que os setores da Igreja aliados a movimentos sociais e partidos de esquerda, integrantes do chamado 'clero progressista', pretenderiam aproveitar o Sínodo para criticar o governo Bolsonaro e obter impacto internacional. 'Achamos que isso é interferência em assunto interno do Brasil', disse Heleno. Escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitoram a presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em paróquias e dioceses."

O governador do Maranhão, Flávio Dino, usou sua conta no Twitter, neste domingo (10), para criticar a postura do governo brasileiro, que, através da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chefiada pelo general Heleno, e dos comandos militares, espiona os bispos membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 

"Se de fato o governo federal estiver espionando e tratando a CNBB como 'inimiga interna', estamos diante de um dos maiores escândalos deste começo de ano. Inaceitável a volta da 'doutrina da segurança nacional' da ditadura", denunciou o governador.  

Flávio Dino@FlavioDino
 

Se de fato o governo federal estiver espionando e tratando a CNBB como “inimiga interna”, estamos diante de um dos maiores escândalos deste começo de ano. Inaceitável a volta da “doutrina da segurança nacional” da ditadura.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, também usou sua conta no Twitter para condenar a espionagem do governo Bolsonaro.
 

"Governo Bolsonaro usa a ABIN para espionar reuniões de bispos da CNBB sobre a defesa da Amazônia, que seriam "agenda de esquerda" e "ingerência externa". A saudade da ditadura se transforma em reencontro com velhas práticas", disse.

Guilherme Boulos@GuilhermeBoulos
 

Governo Bolsonaro usa a ABIN para espionar reuniões de bispos da CNBB sobre a defesa da Amazônia, que seriam "agenda de esquerda" e "ingerência externa". A saudade da ditadura se transforma em reencontro com velhas práticas.

 

Ironizando a situação, Fernando Haddad disparou: "Vaticano comuna: Bolsonaro vê Igreja Católica como opositora, por discutir temas considerados de esquerda, como situação de povos indígenas e quilombolas, e mudanças climáticas"

Fernando Haddad@Haddad_Fernando
 

Vaticano comuna: Bolsonaro vê Igreja Católica como opositora, por discutir temas considerados de esquerda, como situação de povos indígenas e quilombolas, e mudanças climáticas. “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse Gal. Heleno.https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,planalto-ve-igreja-catolica-como-potencial-opositora,70002714758?utm_source=estadao:twitter&utm_medium=link 

Planalto vê Igreja Católica como potencial opositora - Política - Estadão

Abin e comandos militares relataram articulação de cardeais para o Sínodo sobre Amazônia, reunião no Vaticano que governo trata como parte da ‘agenda da esquerda’

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franklimberg funai .jpg

 

 
 
 
22
Jan18

O maior projeto de ouro a céu aberto

Talis Andrade

São costumeiras as respostas como parte de uma propaganda entreguista:

- O Brasil não tem ouro.

- Não tem diamantes.

- Não tem nióbio.

- Não tem ilhas.

- A Vale dá prejuízo aos piratas que compraram a empresa nas quermesses de FHC 

 

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Favela na Floresta da Belo Sun no Pará (Foto: Iuri Barcelos/Agência Pública)
 
 

À espera de Belo Sun

Indígenas Juruna veem o peixe rarear em seu território enquanto o maior projeto de ouro a céu aberto do Brasil se aproxima; documento dos Juruna exige o direito à consulta prévia, previsto em tratado internacional em vigor no país desde 2003. Leia aqui

16
Dez17

A ponte sem futuro do cerco das universidades e do entreguismo da Amazônia, dos rios, das barragens, das hidroelétricas, das mineradoras e o holocausto das nações indígenas

Talis Andrade

Senador José Porfírio, Pará, Amazônia: altíssimo risco


Um projeto que pode ser mais destruidor do que Belo Monte está em disputa no Xingu e os brasileiros não estão nem aí

 

Belo Monte.jpg

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte. RODRIGO STUCKERT

 

 

por Eliane Brum

---

 

O município de Senador José Porfírio é sede do maior projeto de mineração de ouro a céu aberto, proposto por uma corporação canadense, a Belo Sun. É liderado por um prefeito do PSDB, Dirceu Biancardi, que em 29 de novembro trancou professores, alunos e convidados dentro de um auditório da Universidade Federal do Pará, em Belém, impedindo o debate acadêmico e transformando o lugar em palanque para defender a mineradora canadense. De 2013 a 2017, o desmatamento no município aumentou mais de 500%. Parte deste aumento é atribuído por analistas a outro megaempreendimento: a hidrelétrica de Belo Monte. E, para completar este quadro, a atual secretária do Meio Ambiente do município, Zelma Campos, está ameaçada de morte.


A disputa em torno de Belo Sun deveria estar no centro do debate público no Brasil. Mas não está. O que acontece na Amazônia tem efeitos no clima do país e do planeta, mas a Amazônia segue longe demais. Como tão poucos se importam, os violentos se sentem à vontade para agir violentamente, quem discorda é repelido ou mesmo ameaçado e a tensão tornou-se um estado permanente na região.

 

O que acontece hoje na área que a mineradora Belo Sun quer se instalar e no município de José Porfírio é o retrato de um cotidiano de exceção que vai estendendo raízes cada vez mais longas, a ponto de um prefeito do qual a maioria do Brasil nunca ouvira falar interditar o debate de uma universidade federal na capital do Pará. E também um país em que outras cisões, cuidadosamente articuladas, estão em curso.

 

O momento é grave e os brasileiros, do sul ao norte, precisam compreender algo que deveria ser ensinado nas escolas: na Amazônia, acontece primeiro.

 

Hoje, Belo Monte converteu-se numa obra ligada à corrupção, à violência contra os povos da floresta e à devastação da Amazônia. Altamira, a principal afetada pela construção da barragem, tornou-se a cidade (com mais de 100 mil habitantes) mais violenta do Brasil. À Belo Monte já está colado um significado negativo. Mas enquanto ela foi construída, os que denunciavam os acordos e as violações eram chamados de “inimigos do progresso” e a maior parte da população brasileira ou defendeu a hidrelétrica ou se omitiu.

 

O agravante é que a história se repete num governo dominado pelos que se chamam de “ruralistas”, fiadores de um presidente denunciado duas vezes e salvo duas vezes por um Congresso corrupto. Se os atos de exceção têm se repetido no centro-sul do país, é possível alcançar o tamanho da desenvoltura de grileiros e desmatadores na região amazônica.

 

Sobre Belo Monte, ainda se podia alegar que era uma obra para produzir um bem público – energia –, embora já estava bastante claro que o objetivo principal era outro.

 

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Dirceu Biancardi (PSDB), prefeito de Senador José Porfírio, afirma aos povos indígenas, na audiência pública para debater Belo Sun: "Eu considero vocês seres humanos igual eu". Igual ao torturador major Curió LILO CLARETO

 

[Transcrevi trechos iniciais da reportagem. Leia com a perdida brasilidade. O golpista Dirceu Biancardi simboliza a Polícia Federal que cerca as universidades e promove o suicídio de um reitor.

 

Belo Sun, uma nova versão do coronel Curió, tortuturador e assassino da ditadura militar, prefeito do garimpo da pelada Serra Pelada, cujo ouro foi transportado de avião. Ouro que pegou o mesmo sumiço dos que defenderam Belo Monte, neste instante que Michel Temer promove os leilões quermesses de todas as hidroelétricas.

 

O entreguismo das hidroelétricas significa a posse estrangeira de rios e represas. 

 

 

 

 

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