Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

21
Out22

Jornalistas fazem ato em defesa da democracia e debate sobre voto evangélico (charges curralzinho)

Talis Andrade

cercadinho montro.jpeg

 

 

A relevância nestas eleições do voto evangélico e a defesa do jornalismo e da democracia são temas de dois eventos, organizados por entidades de jornalistas relacionados às eleições. O primeiro deles, pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, avaliará em que proporção a população evangélica está no centro do debate eleitoral deste ano. Isso em razão da sua relevância numérica e, principalmente, por ser por ela que a extrema direita se aproveita da chamada pauta de costumes para implementar sua agenda ultraconservadora.

A organização do debate avalia que as eleições deste ano podem ser definidas como “um plebiscito entre a civilização e a barbárie”. “(A população evangélica foi) decisiva em 2018, na eleição que alçou o fascista Jair Bolsonaro ao poder impulsionada por uma impiedosa máquina de mentiras e desinformação fortemente calcada em temas como costumes e religião, a escolha eleitoral de milhões de brasileiros pode não estar selada como antes”, afirma o Barão, em nota.

Três especialistas participaram do debate sobre o voto evangélico: A pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), Romi Bencke; o sociólogo e líder ecumênico metodista Anivaldo Padilha; e o repórter autor do livro O Reino – A história de Edir Macedo e uma biografia da Igreja Universal, vencedor de 10 prêmios de jornalismo pelo conjunto de sua obra, Gilberto Nascimento

 

O reino: A história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal  (Portuguese Edition) eBook : Nascimento, Gilberto: Amazon.de: Kindle-Shop

 

Jornalismo e democracia

bolsonaro contra jornalista.jpg

cativeiro prisão jornalista Alex Falco.jpg

 

 

Entidades jornalísticas e organizações que defendem a liberdade de imprensa e os direitos humanos, entre elas a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), realizaram, na noite desta terça-feira (27/09), um ato em defesa das e dos profissionais de imprensa e da Democracia, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na zona oeste de São Paulo.

“Estamos reunidos aqui hoje porque o jornalismo e a própria democracia estão sob forte ataque nos últimos anos. E essa gravíssima situação chegou agora ao ápice. Estamos aqui juntos para dizer que basta!”, afirmou Paulo Zocchi, vice-presidente da FENAJ, que discursou em nome das 16 entidades organizadores do evento.

“Em situações normais, o jornalismo não é, nem poderia ser, uma profissão de risco. Mas no Brasil, nos últimos anos, a violência contra profissionais é preocupação constante e crescente de nossa categoria”, disse Zocchi.

Segundo Zocchi, os profissionais são agredidos pelo poder de Estado, notadamente pela Polícia Militar; são perseguidos judicialmente, e aí se inclui infelizmente até mesmo o Supremo Tribunal Federal; e também são agredidos, em grande medida, por Bolsonaro e por apoiadores incentivados pelas ações do presidente.

O dirigente sindical citou levantamento da FENAJ de acordo com o qual, em 2018, foram registrados 135 casos de agressões a jornalistas, contra 430 em 2021. “Com Bolsonaro no governo, há três vezes mais agressões a jornalistas do que havia antes. É mais do que uma por dia! Desde que chegou à Presidência, ele é o principal agressor: em 2021, Bolsonaro realizou 147 agressões a jornalistas, 34% do total nacional”, destacou.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registrou 353 ataques a jornalistas entre o início deste ano e a semana passada. Outra entidade do setor, a Repórteres Sem Fronteiras, contabilizou no primeiro mês de campanha eleitoral mais de 2,8 milhões postagens com conteúdos ofensivos a jornalistas brasileiros.

 

A repórter da Folha de S. Paulo, Patrícia Campos Mello, participou do evento e fez relatos sobre as agressões que tem sofrido nos últimos anos. Ela foi vítima de ataques sexistas de Bolsonaro.

Patrícia é autora de uma série de reportagens que revelou um esquema de contratação de empresas para realizar disparos em massa durante as eleições de 2018, que fizeram dela alvo preferencial de bolsonaristas nas redes sociais.

“É muito estranho que, desde 2018, nós jornalistas, nós repórteres, tenhamo-nos transformado em alvo. Em um país democrático, supostamente democrático, que tem um governo eleito democraticamente, mas que a imprensa se transformou em um alvo, especialmente as mulheres”, disse Patrícia.

Ela lembrou os ataques que recebeu, entre eles, ligações, e ameaças de agressão física. Ela também recebeu muitas mensagens com conteúdo pornográfico.

O Negócio do Jair - Juliana Dal Piva - Grupo Companhia das Letras

Além de Patrícia, Bianca Santana, Juliana dal Piva, Flávia Oliveira, Carla Vilhena e outras jornalistas de diversos veículos de todo o Brasil participaram do evento com depoimentos em vídeo.

As profissionais contaram alguns dos casos de ataques sofridos e falaram sobre as consequências das agressões. Medo de exercer a profissão, depressão, e danos a saúde mental, foram alguns dos efeitos relatados.

Daniela Cristóvão, da Comissão de Liberdade de Imprensa da OAB, também esteve no evento e afirmou que quando um jornalista é ameaçado no desenvolvimento da sua profissão a cidadania de todos está ameaçada.

Na mesma linha ocorreu a participação de Ana Amélia, advogada e membro do grupo Prerrogativas. “A liberdade de imprensa é essencial ao jornalismo. Não existe democracia sem a liberdade de imprensa e sem o papel essencial, sério, informativo do jornalista”, disse.

“A principal aliada é a imprensa na luta pelos direitos humanos”, disse Ariel de Castro, do Tortura Nunca Mais. “Imagina o que acontece com os jornalistas que estão na periferia, no interior, que não estão em grandes órgãos de imprensa. E o assédio judicial?”, questiona.

O evento foi organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), FENAJ, Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Abraji, Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Repórteres sem Fronteiras (RSF), Instituto Vladimir Herzog, Associação Profissão Jornalista (ApJor), Barão de Itararé, Intervozes, Fotógrafas e Fotógrafos Pela Democracia, Associação Paulista dos Jornalistas Veteranos, Centro Acadêmico Vladimir Herzog e Centro Acadêmico Benevides Paixão.

venicius cercadinho jornalistas.jpg

palhaços cercadinho planalto.jpg

cercadinho palhaço_gabrielrenner.jpg

cercadinho com dois palhaços.jpg

banana cercadinho bolsonaropalhacocariocaToni.jpg

adnael- palhaços cercadinho.jpg

g20 bolsonaro cercadinho.jpeg

cercadinho.jpg

bolsonaro no cercadinho.jpg

 

10
Set22

Torcida do Flamengo xinga Bolsonaro e Cláudio Castro no Maracanã lotado (galeria de charges)

Talis Andrade

ImageImage

Pra aonde Bolsonaro vai

Cláudio Castro vai 

vai atrás

 

Com quem?
Com quem?
Com quem será
Que Aristides vai casar?

Loiro, moreno
Careca, cabeludo
Rei, ladrão
Polícia, capitão

Estrelinha do meu coração

Qual cor?
Qual cor?
Qual cor será
Do vestido que usar?

Preto, branco
Rosa, azul
Verde, amarelo
Laranja ou caramelo

 
Estrelinha do meu coração


Aonde?
Aonde?
Aonde será
Que Aristides vai morar?

Casa, apartamento
Chiqueiro, galinheiro
Igreja, castelo
Barraca ou cemitério

Estrelinha do meu coração
 

Entre gritos tímidos de "mito", vindos de alguns camarotes, e xingamentos pesados, da maioria do público que está nas arquibancadas do Maracanã, o presidente Jair Bolsonaro chegou ao principal estádio do Rio pouco depois das 21h para assistir à partida entre Flamengo e Velez Sarsfield, válida pela semifinal da Libertadores.

A maior parte do público que lota o Maracanã recepcionou o presidente aos gritos de "Ei, Bolsonaro, vai tomar (...)". O presidente se posicionou em um dos camarotes ao lado do governador do Rio, Cláudio Castro. Os dois concorrem à reeleição em seus cargos pelo PL.

O ministro das Comunicações, Fabio Faria, e da Justiça, Anderson Torres, também estão no camarote.

ImageImage

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Image

ImageImage

Image

 

31
Jul22

Com quem estão os evangélicos?

Talis Andrade

www.brasil247.com - { imgCaption }}

 

por Jair de Souza

Com a divulgação da enquete eleitoral do Datafolha ontem (28/07/2022), pudemos constatar que o ex-presidente Lula continua disparado em primeiro lugar na preferência dos eleitores brasileiros, estando com mais de 18 pontos percentuais à frente do candidato bolsonarista, que busca se reeleger.

É verdade que os números da pesquisa apenas revelam o desejo da imensa maioria de nossa população de sair do estado calamitoso em que o bolsonarismo lançou a nação. Portanto, nada mais natural do que Lula aparecer com a perspectiva de vencer a disputa já no primeiro turno, o que representaria uma grande vitória para as forças democráticas e populares de nosso país.

No entanto, o que, sim, deveria causar espanto é observar que dentre aqueles que persistem em manter-se fiel ao atual regime e aceitam sua reeleição está uma boa parcela dos cristãos evangélicos. Embora a identificação deste setor religioso com o bolsonarismo já não seja tão expressiva como outrora foi, os dados indicam que ainda há uma maioria de evangélicos que estaria propensa a aceitar a continuidade deste governo.

Se levarmos em consideração que a figura de Jesus está intrinsecamente associada aos interesses e à luta dos setores sociais mais carentes em sua busca por uma vida mais digna, mais justa e sem miséria, como é possível que haja gente autodenominada evangélica-cristã que ainda defende o bolsonarismo?

Não seria necessário grandes estudos ou esforços intelectuais para dar-se conta de que o bolsonarismo expressa visões diametralmente opostas a tudo o que Jesus sempre propugnou ao longo de toda sua vida. O que poderia haver de comum entre essa ideologia miliciano-fascista e as pregações de Jesus encontradas em seu legado de vida?

Todo cristão com um mínimo de leitura sabe que Jesus nunca se dispôs a acatar nada sem questionamento tão somente por estar presente nos livros do Velho Testamento. Tanto assim que, em várias situações dos relatos de sua vida, Jesus pode ser visto rejeitando, corrigindo ou retificando conceitos ou determinações até então tidos como de validade universal em escritos bíblicos pré-cristãos.

Nos textos que relatam os passos trilhados por Jesus no tempo em que ele conviveu entre nós como um ser humano comum, o que encontramos é sua profunda identificação com as aspirações e os sentimentos do povo mais humilde e nunca com os setores mais abastados da sociedade.

Em primeiro lugar, não podemos nos esquecer de que Jesus sempre foi reconhecido como um pacifista, um inimigo da violência armada, um defensor ardoroso da paz. É inadmissível que sua imagem possa ser relacionada à bandidagem miliciano-fascista que caracteriza o bolsonarismo e expressa toda a podridão humana contra a qual Jesus lutou a vida toda.

Nos evangelhos que tratam de sua vida, não há uma passagem sequer na qual Jesus apareça tomando o lado dos ricos em contra dos mais pobres. Nunca Jesus foi visto apregoando ou praticando discriminações racistas ou homofóbicas. Jamais o encontramos defendendo posturas egoístas e individualistas, sem se preocupar com o conjunto das necessidades de seu povo. Jesus combateu permanentemente o uso e a manipulação da fé que visasse ao enriquecimento dos poderosos em detrimento das maiorias trabalhadoras. Inexistem casos em que Jesus esteja empunhando armas e fazendo uso da violência para sobrepor seus interesses individuais aos da maioria de sua gente. Em outras palavras, Jesus nunca adotou como suas as maneiras de agir e pensar que são típicas dos bolsonaristas da atualidade.

O que vemos claramente nos Evangelhos é um Jesus constantemente atuando em sintonia com as aspirações dos trabalhadores e combatendo a exploração a que são submetidos. Jesus aparece condenando a avareza e o egoísmo; Jesus é visto recriminando a hipocrisia dos falsos moralistas; Jesus se mostra resoluto na determinação de impedir a exploração da fé para enriquecimento de religiosos falastrões e oportunistas.

De tudo o que vimos mais acima, ficamos com a convicção de que há uma profunda contradição entre ser evangélico de verdade e ser apoiador do bolsonarismo. O bolsonarismo é uma ideologia nefasta, antipopular, racista e discriminadora em geral. Ou seja, o bolsonarismo contém muito mais características que se chocam com aquilo que a figura de Jesus pode representar. Portanto, não há como justificar uma defesa dessa ideologia e a manutenção de sua gestão de governo dentro de uma perspectiva de um seguidor de Jesus.

O bolsonarismo é fragrantemente contrário aos interesses das maiorias trabalhadoras do Brasil e, consequentemente, nada pode ter a ver com os ensinamentos ministrados por Jesus em sua vida. É dever moral de todos os que se considerem cristãos de verdade, independentemente de sua religião específica, cobrar daqueles que se considerem seguidores de Jesus uma postura que corresponda à luta e aos desejos por ele demonstrados quando por aqui esteve. E, decididamente, o bolsonarismo está do lado oposto disto.

As relações entre Edir Macedo e Bolsonaro

 
 
28
Jan22

Marcha negacionista e derrota de Bolsonaro

Talis Andrade

queiroga .jpeg

 

CRUEL SABOTAGEM DA MINISTRA DAMARES À VACINAÇÃO INFANTIL PARA AGRADAR O HERODES TROPICAL

 

Editorial do site Vermelho

 
Dizia o jornalista, escritor e humorista Aparício Torelly, o “Barão de Itararé” (1895-1971): “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”. Talvez esta seja a melhor síntese para nossos sentimentos e expectativas diante da postura do governo Jair Bolsonaro frente à pandemia de Covid-19. Não faltam pretextos para o presidente reorientar o discurso e as práticas negacionistas de sua gestão, que tanto mal causou ao povo desde o início da crise sanitária. E, no entanto, gestores federais – e o próprio Bolsonaro – seguem relativizando a pandemia, propagando fake news e pondo em risco a vida dos brasileiros.

Dois episódios recentes ilustram a irresponsabilidade do bolsonarismo. Um deles diz respeito à vacinação infantil. Em 12 de dezembro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a aplicação de duas doses de uma vacina da Pfizer contra Covid-19 específica para crianças de 5 a 11 anos. Nos Estados Unidos e na União Europeia, bem como em diversos países da América Latina, as agências regulatórias de saúde já haviam emitido autorização similar.
Mas, diferentemente de outros governantes, Bolsonaro esnobou a deliberação e retardou a busca do imunizante da Pfizer, a exemplo do que já fizera desde agosto de 2020 em relação às vacinas para adultos. Primeiro, o presidente anunciou que pais e responsáveis precisariam assinar um termo de responsabilidade para vacinar as crianças – e que a prescrição médica em postos de vacinação deveria ser cobrada. Dias depois, Bolsonaro afirmou que daria publicidade ao nome de servidores da Anvisa envolvidos na medida – o que, segundo o chefe da agência, Antonio Barra Torres, está por trás das 170 ameaças de morte, agressão e violência recebidas por esses servidores.

Para atrasar ainda mais a nova fase de imunização, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, organizou uma consulta pública e promoveu uma audiência para debater a medida da Anvisa. Porém, ao verem que tanto a consulta quanto a audiência revelaram amplíssimo apoio à vacinação infantil, o governo não recuou. Bolsonaro mentiu sobre a mortalidade da Covid em crianças e atacou, sem provas, os responsáveis pela autorização. “Você vai vacinar o teu filho contra algo que o jovem por si só, uma vez pegando o vírus, a possibilidade dele morrer é quase zero? O que que está por trás disso?”, declarou o presidente em 6 de janeiro. “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina?”

Entre inverdades, ilações deturpadas e difamação, Bolsonaro tentou justificar o injustificável. Até aquela data, 308 crianças entre 5 e 11 anos já haviam morrido em decorrência do novo coronavírus no Brasil. Segundo Marco Aurélio Sáfadi, da Sociedade Brasileira de Pediatria, nenhuma doença passível de prevenção por vacina “vitimou tantas crianças como a Covid-19”.

A provocação do governo foi tão acintosa que a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime que pede a investigação de Bolsonaro e de Queiroga por prevaricação e atentado às vidas dos servidores da Anvisa. Trata-se de uma praxe porque, a rigor, a apuração do caso está nas mãos do Ministério Público. De resto, a batalha foi perdida por Bolsonaro, que não foi endossado nem pela população, nem por governadores.

Pesquisa PoderData divulgada em 21 de janeiro mostra que a maioria do povo brasileiro rejeita essa gestão marcada pelo sadismo e pela desumanidade: 53% avaliam o governo como “ruim” ou “péssimo”, mais que o dobro dos que julgam o governo “ótimo” ou “bom” (25%). Duas semanas antes, levantamento do mesmo instituto apontou que apenas 16% dos pais e mães não pretendem vacinar os filhos contra o novo coronavírus, ante 71% que aderem à vacinação infantil.

Outro marco do desvario negacionista do governo ocorreu na última sexta-feira (21). Nota técnica do Ministério da Saúde, assinada por Helio Angotti, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, questionava as vacinas contra a covid-19. Conforme o documento, os imunizantes não tinham “demonstração de efetividade em estudos controlados e randomizados”, nem “demonstração de segurança em estudos experimentais e observacionais adequados”. Em compensação, Angotti atestava a suposta eficácia da hidroxicloroquina. Recomendava-se, assim, o “kit Covid”.

A barbaridade foi tanta que o próprio governo não endossou de imediato a nota. “O Ministério da Saúde esclarece que em nenhum momento afirmou que o referido fármaco é seguro para tratamento da Covid-19, nem questionou a segurança das vacinas, que é atestada pela agência reguladora”, afirmou a pasta. Na terça-feira (25), o ministério prometeu tirar a nota técnica do ar e publicar outra, “com mais clareza”. Ainda assim, a Frente Parlamentar Observatório da Pandemia, instalada no Senado, deve convidar o secretário Angotti para prestar esclarecimentos. O ministro Queiroga também deve ser chamado e, além da nota, será inquirido sobre o apagão de dados da pandemia e o atraso da vacinação das crianças.
 
O Senado – vale lembrar – já deu contribuições efetivas para deter a marcha negacionista do bolsonarismo. Por uma série de atitudes imprudentes, ilegais e criminosas do governo – sem contar as omissões –, o relatório final da CPI da Covid-19, aprovado em novembro, pediu a responsabilização do presidente, de ministros e ex-ministros da Saúde, gestores federais e parceiros dessa cruzada pela morte. Os senadores responsabilizaram diretamente Bolsonaro por nove crimes na pandemia – e alguns deles podem levá-lo até a julgamento em tribunais internacionais.

Nada disso parece ter inibido esses mensageiros da morte, conforme evidenciam os novos episódios. Nem mesmo as 623 mil vidas perdidas no País em menos de dois anos – uma média diária de quase mil mortes – devido à pandemia são capazes de sensibilizar o governo. Mas algo mudou: à comoção em torno dessas mortes se somou a indignação com o recorrente desprezo pessoal de Bolsonaro e a criminosa negligência de seu governo. Enquanto nega a ciência e a vida, Bolsonaro derrete. Suas posições antivacina e anticiência foram desmoralizadas pela população. O próximo passo é tirá-lo do poder, julgá-lo por seus crimes e condená-lo exemplarmente. A marcha bolsonarista fracassou.
 
Image
 

Capa do jornal Folha de S.Paulo 28/01/2022

 

Damares sugere Disque-Denúncia para antivacinas relatarem 'discriminação'

Ministra encaminhou documento assinado por representantes da pasta a outros ministérios

 


por Patrick Vaz - Estado de Minas
 
O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, chefiado por Damares Alves, emitiu uma nota técnica se opondo ao passaporte vacinal e à obrigatoriedade de vacinação de crianças contra a COVID-19.
 
No comunicado, obtido pelo jornal Folha de São Paulo, o ministério coloca o Disque 100 à disposição de pessoas antivacinas que passem por "discriminação". As denúncias serão encaminhadas aos órgãos competentes, "a fim de que os direitos humanos de cada cidadão possam ser protegidos e defendidos".
A ministra encaminhou a outros ministérios o documento assinado por três secretários e um diretor da pasta. A nota técnica diz que "medidas imperativas de vacinação como condição para acesso a direitos humanos e fundamentais podem ferir dispositivos constitucionais e diretrizes internacionais".
 

Conforme Damares Alves, a exigência da vacinação contra a COVID-19 acarreta em "violação de direitos humanos e fundamentais". A nota ainda destaca que "para todo cidadão que porventura se encontrar em situação de violação de direitos, por qualquer motivo, bem como por conta de atos normativos ou outras medidas de autoridades e gestores públicos, ou, ainda, por discriminação em estabelecimentos particulares, está disponível o canal de denúncias, que pode ser acessado por meio do Disque 100".

O ministério não se coloca contra a vacinação de crianças contra a COVID-19, mas ressalta que a família deve ter proteção especial por parte do estado.

"A vacina pediátrica autorizada pela Anvisa, apesar de fazer parte do Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a COVID-19, enquanto não constar no Programa Nacional de Imunização, ou no calendário básico de vacinação da criança, não será obrigatória, e os pais ou responsáveis têm autonomia sobre a decisão de aplicá-la ou não em seus filhos ou tutelados", destacou a nota técnica.

 
28
Dez21

TCU determina que empresa dos Estados Unidos revele quanto pagou a Moro

Talis Andrade

Image

Ministério Público pediu investigação da prática de 'porta giratória', quando uma pessoa vira lobista em área em que atuava anteriormente como servidor público

 

O Tribunal de Contas da União determinou que a Alvarez & Marsal revele quanto pagou a Sergio Moro antes de ele ingressar na política. O ministro Bruno Dantas acatou o pedido do Ministério Público e pretende descobrir se houve conflito de interesses na relação entre o ex-ministro e a consultoria, que trabalhou no processo de recuperação da Odebrecht. Como juiz da Lava Jato, Moro chegou a decretar prisões de executivos da construtora. Agora o TCU investiga se houve prática de “porta giratória” – quando alguém passa a atuar como consultor privado na mesma área em que prestava serviço público. Moro nega ter trabalhado para a Odebrecht.Image

Folha de S.Paulo @folha

TCU determina que empresa revele quanto pagou a Moro Ministério Público pediu investigação da prática de 'porta giratória', quando uma pessoa vira lobista ou consultor em área em que atuava anteriormente como servidor público @monicabergamo

Fausto Macedo
@fausto_macedo
Bruno Dantas também pede que empresa para a qual ex-juiz da Operação Lava Jato trabalhou antes de se lançar na politica, filiado ao Podemos, detalhe processos de recuperação judicial em que atuou desde 2013
Image
João Batista Jr.
@joao_batistajr
Há alguns meses, quando Moro passou a fazer um road show em busca de clientes para a Alvarez e Marsal, questionei a empresa sobre o valor de seus honorários. Não quiseram falar, sob o argumento de ser uma empresa privada e tal.
23
Dez21

Véio da Havan censura chargista Nando Motta

Talis Andrade

monstro laerte coutinho.jpeg

 

Dono da Havan quer calar o chargista Nando Motta

 

De autoria do Grupo de Chargistas

 

Mais uma vez a imprensa e, destacadamente, os cartunistas brasileiros, são vítimas de um ataque antidemocrático e contrário à liberdade de expressão. Desta vez o autor da violência é o empresário Luciano Hang, proprietário da rede de lojas Havan, que abriu junto à Justiça de Santa Catarina processo contra o ilustrador Nando Motta por conta de uma charge publicada pelo artista no site Brasil 247. A ação cobra indenização de R$ 50 mil por danos morais e a retirada do desenho do ar. A charge criticava a postura pública de Luciano Hang mostrado como um personagem do cinema de terror.

Em 2020 o cartunista Renato Aroeira foi vítima de igual tentativa de intimidação por parte do Ministério da Justiça que pediu a abertura de inquérito para investigar uma de suas charges onde associava a atitude do presidente Jair Bolsonaro ao nazismo. Na ocasião o cartunista recebeu a solidariedade de centenas de desenhistas que, incentivado pelo grupo da Revista Pirralha organizou o movimento Charge Continuada que foi, inclusive, agraciado com o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos com uma categoria criada exclusivamente, o “Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado”, que homenageou Aroeira e o movimento “Charge Continuada” com 109 chargistas que também inscreveram trabalhos relacionados ao movimento. (veja mais informações AQUI).

Ao tomar conhecimento da atitude de Luciano Hang o cartunista Aroeira se manifestou junto à revista PIRRALHA e propôs uma ação semelhante a da Charge Continuada para defender Nando Reis. A seguir seu depoimento:

Eles não aprendem. Não entendem.www.brasil247.com - { imgCaption }}

O Véio da Havan (aliás, mais novo que eu), o Luciano Hang, está processando o chargista Nando Motta. Por causa de uma piada… O que passa na cabeça de alguém que quer processar uma piada? Que quer proibir uma charge? Sim, passa exatamente isso que todo mundo pensou. O Nando não cometeu nenhum crime: apenas desenhou  – de maneira brilhante, como sempre –   o que ele viu. E o que ele viu foi o óbvio: Luciano Hang é um monstro. Um monstro terrível, um dos vários que estão aí à solta… Mas é ridículo. Um monstro muito ridículo. Tão ridículo que processa chargistas. Bem, Lulu… A má notícia é que somos muuuuuuitos. E a charge continuada… Continua. Agora pra assombrar você, Véi…

Renato Aroeira

Portanto, prestamos nossa solidariedade a Nando Motta, protestando contra a atitude arbitrária e intimidatória do empresário Luciano Hang e apoiando a proposta apresentada por Aroeira, Desta forma, conclamamos desenhistas a participarem de mais uma Charge Continuada.

A ideia por trás da chargeImage

A inspiração para a charge de Nando Motta veio de informações amplamente divulgadas pela imprensa e redes sociais onde ficava claro a postura negacionista de Luciano Hang diante da gravidade da pandemia da Covid-19. Além disso, Hang foi convocado a depor na CPI do Senado sobre a pandemia onde fez afirmações que deram margem a colocar em dúvida a seriedade do tratamento à que foi submetida sua própria mãe – vítima da Covid que veio a falecer (veja um resumo das declarações AQUI).

Luciano Hang é um dos maiores e prósperos empresários brasileiros. Frequentador assíduo do noticiário, sabidamente defende ideias conservadoras e é um dos maiores aliados e propagandistas do atual governo Bolsonaro. Como figura pública personalidade de destaque, suas ações estão sujeitas a questionamentos e críticas por parte de diversos agentes sociais – sejam jornalistas, políticos ou… cartunistas. Tal é a natureza de uma sociedade organizada democraticamente.

 

Ataques a liberdade de imprensa

 

Image

A Federação Nacional dos Jornalistas em seu Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2020 (último publicado) demonstra que em plena pandemia provocada pelo novo coronavírus foi registrada uma explosão de casos de violência que atingem a imprensa e os jornalistas. Foram 428 casos de ataques – incluindo dois assassinatos – o que representa um aumento de 105,77% em relação a 2019. (Veja o relatório AQUI).

 
 
Image
 
Image
28
Out21

Relatório da CPI repercute na mídia mundial

Talis Andrade

genocídio por latuff.jpg

 

 

por Altamiro Borges

A aprovação no Senado do relatório da CPI do Genocídio repercutiu com força na imprensa mundial. O jornal britânico The Guardian, por exemplo, destacou que a "comissão vota para apoiar a pressão e manter o presidente como responsável por muitas das mais de 600.000 mortes de Covid no Brasil". O também britânico The Times foi ainda mais incisivo: “Comissão conclui que o presidente de extrema-direita expôs deliberadamente o Brasil ao coronavírus”. 

Já o jornal francês Le Monde elencou os crimes do fascista nativo na gestão da pandemia, mas afirmou não acreditar em maiores consequências do relatório. "Apesar de sua adoção, é improvável que resulte em impeachment". Outro veículo francês, o Libération, também destacou o pedido de indiciamento de Jair Bolsonaro por “crime contra a humanidade” ao “expor deliberadamente” os brasileiros à “contaminação em massa”. 

O diário espanhol El País informou que "o relatório final estima que a 'estratégia macabra' do governo causou 120.000 mortes evitáveis". O assunto também foi pauta dos jornais argentinos Clarín e Página 12, dos portugueses Diário de Notícias e Público e do alemão Süddeutsche Zeitung e nas principais agências internacionais de notícia. 

Destaque nas agências internacionais

A Associated Press, que tem seus despachos reproduzidos em mais de 16,8 mil sites noticiosos pelo mundo, afirmou que “a votação por 7 a 4 na terça-feira foi o auge de uma investigação do comitê de seis meses sobre a forma como o governo está lidando com a pandemia”. “A CPI aprovou formalmente relatório pedindo aos promotores que julguem Bolsonaro por acusações que vão de charlatanismo e incitação ao crime ao uso indevido de fundos públicos e crimes contra a humanidade e, ao fazê-lo, responsabilizam-no por muitas das mais de 600.000 mortes de Covid-19 no Brasil”. 

Já a agência Reuters, que tem seus textos replicados em 2.629 veículos de comunicação de várias partes do planeta, informou que “uma comissão investigativa aprovou relatório que pede que o presidente Jair Bolsonaro seja indiciado por nove crimes relacionados ao tratamento da pandemia do coronavírus, incluindo crimes contra a humanidade”.

Aras não poderá se omitir com relatório da CPI

 
 
26
Ago21

CPI, corrupção fardada e o papel da imprensa

Talis Andrade

morte covid ceifa.jpg

 

 

por Álisson Coelho /ObjETHOS

- - -

Desde 1979 o Brasil, enquanto nação, tem reafirmado uma decisão fundamental para entendermos o buraco em que nos metemos. Desde a Lei da Anistia temos renunciado coletivamente ao nosso direito de punir aqueles que representavam o Estado pelos muitos crimes cometidos pela ditadura militar (1964-1985). Acreditamos verdadeiramente que esquecer os nossos traumas era a melhor solução para recomeçarmos, algo que qualquer psicólogo diria que é uma péssima decisão. Não há como ler o Brasil de Bolsonaro sem ter esse ponto como premissa fundamental.

Vivemos os efeitos de traumas não superados, lembranças horríveis que vão se alterando até que tenhamos reescrito porcamente nossa história para, então, romantizarmos um período de barbárie. Dentre os muitos efeitos que essa decisão gerou na sociedade brasileira está um mito que começa a cair (ao menos um): o de que não há corrupção em governos militares.

O combate à corrupção foi uma das bandeiras do golpe de 1964 (parece familiar, não?). Demonstrações públicas de honestidade eram alardeadas pelos presidentes fardados, mas por trás das aparências, corruptores e representantes do governo aparelharam a roubalheira começando pelo jogo do bicho até as grandes obras governamentais, passando pelo crescimento vertiginoso das empreiteiras nacionais (ainda mais familiar). A Super tem um bom texto sobre o tema.

A corrupção no Ministério da Saúde veste farda

O monstrengo anticorrupção gestado no Brasil na última década, que de anticorrupção tem pouco, mas de conservador tem muito, aproveitou-se enormemente do mito da honestidade verde oliva. E foi assim que parimos um governo militar eleito pelo voto (em urnas eletrônicas, diga-se de passagem). Nos primeiros dois anos de governo da extrema-direita cada crise havia sido respondida com mais militares nos ministérios, e esses não são nem de longe o problema maior. Os escalões inferiores da máquina pública foram completamente ocupados por militares. São mais de 6 mil fardados ocupando cargos civis no governo Bolsonaro, em funções onde, de fato, as decisões cotidianas do governo são tomadas.

O que a CPI da Pandemia tem conseguido mostrar é que os militares não mudaram em nada desde que deixaram provisoriamente o poder. Ao ocupar a máquina pública tomaram para si os velhos esquemas operados por civis e inovaram, passaram a criar as suas próprias formas de roubar dinheiro público. A corrupção no Ministério da Saúde veste farda.

O que muda

Se os militares mudaram pouco desde o fim da ditadura, é certo que o cenário é bem diferente hoje daquele visto entre 1964 e 1985. E nesse contexto a imprensa tem um papel fundamental. CPIs são, via de regra, shows midiáticos, palanques eleitorais, picadeiros em que senadores, deputados ou vereadores se aproveitam do espaço midiático para garantir alguns votos. No entanto, no meio da cacofonia, do negacionismo e dos silêncios vistos em muitas sessões, as investigações apresentaram um desfile militar ainda mais deprimente do que aquele realizado pela esquadrilha terrestre da fumaça no último dia 10 de agosto.

São sargentos, tenentes, coronéis (muitos coronéis, chega a ser confuso) e até um cabo da PM de Minas Gerais implicados nos escândalos. Sob o comando do general da ativa Eduardo Pazuello, o homem que não entendia a pressa das pessoas por vacinas, militares das mais diferentes forças e patentes negociaram vacinas e propinas com a tranquilidade de quem vê milhares de pessoas morrendo todos os dias. Pensando bem faz sentido, considerando que matar não é exatamente um tabu para os militares.

Até aqui a imprensa tem cumprido um papel importante em amplificar as descobertas da comissão. Sem a censura, que os acobertou durante a ditadura, os militares veem seus crimes estampados no horário nobre. É necessário, no entanto, que o jornalismo aprofunde os indícios que têm sido apresentados. Mais do que jornalismo de investigação, é necessário um jornalismo investigativo que amplie as luzes sobre os desvios de conduta de civis e militares durante a condução das políticas públicas relacionadas à pandemia.

A organização e a reorganização da narrativa

Contar a história da pandemia no Brasil não é e não será tarefa das mais fáceis. Quando iniciada a CPI da Pandemia, a impressão é de que ela serviria apenas para organizar a narrativa dos descaminhos do governo Bolsonaro na (não) condução do combate à Covid. A linha a ser seguida era bastante clara: mostrar o absurdo do investimento no chamado tratamento precoce, a aposta bolsonarista na imunidade de rebanho por contágio, a incompetência na compra de vacinas, a falta de um comando nacional na condução das políticas sanitárias e o descaso mesclado com incompetência do governo na crise de oxigênio em Manaus.

Organizada essa narrativa, tendo ela toda documentada, a CPI já teria cumprido uma missão extremamente importante. Com o passar do tempo, no entanto, a CPI acabou podendo prometer mais. Os indícios de corrupção no governo tiveram duplo efeito. Se por um lado a sociedade passou a dedicar ainda mais atenção às investigações, por outro os senadores parecem ter ficado confusos com a profusão de linhas de investigação.

Essa confusão tem feito com que cada vez menos pessoas falem e acompanhem a CPI nas redes, algo fundamental para dar visibilidade aos trabalhos. É certo que as liminares do Supremo Tribunal Federal que garantem aos depoentes a prerrogativa do silêncio não ajudam, mas é preciso que os senadores que comandam os trabalhos encontrem uma linha de condução mais eficiente.

Chegado o estágio final dos trabalhos da comissão é preciso reorganizar a narrativa, tarefa que compete tanto aos senadores quanto à imprensa. Primeiro, retomando a lista acima dos descaminhos claros e conhecidos, mas que precisam ser documentados e organizados de forma clara para a sociedade. Em seguida, desmembrando os diferentes casos de corrupção, apresentando as provas recolhidas e apontando responsabilidades. A reorganização de todas essas narrativas é fundamental ante o risco cada vez maior de que a sociedade perceba a CPI como perda de tempo e de recursos públicos, algo que já tem sido orquestrado pelas redes bolsonaristas.

Reorganizadas as diferentes narrativas que nos trouxeram até a calamidade em que vivemos, a partir dos dados já disponíveis, a bola volta a ser do jornalismo. É preciso aprofundar as investigações, ir além da função de divulgador de investigações já realizadas. Há farto material já coletado, mas é certo que há muito mais por ser descoberto e essa é uma tarefa também do jornalismo, especialmente em um governo que aparelhou as instituições de investigação do Estado. E que dessa vez nós, enquanto nação, tenhamos a sabedoria de não escolher o esquecimento. Sabemos que os custos de optar por esse caminho são altos demais.

morte covid.jpg

25
Ago21

Insurreição das PMs têm aval de Bolsonaro

Talis Andrade

 

nojo democracia.jpeg

 

por Fernando Brito
- - -
 
Nas várias notícias sobre a reação de altos oficiais das Forças Armadas, coletadas em consultas de ex-presidentes da República, publicadas no final de semana pelos jornais, negando a possibilidade de uma insurreição militar no país, há uma ressalva, como registra o Estadão:

Os chefes militares, porém, externaram preocupação de que o presidente e seus aliados tentem fazer isso – e tenham sucesso – com as Polícias Militares. 

O risco de rompimento da cadeia de comando nas PMs é monitorado pelas Forças Armadas.

Não é preciso informações em off para ver o que acontece.

O vídeo divulgado hoje pelo Coronel reformado Ricardo Nascimento de Mello Araújo convocando policiais de São Paulo a participarem de atos a favor do presidente Jair Bolsonaro no dia 7 de setembro, feriado da Independência, é a evidência de que Jair Bolsonaro insufla a natureza paramilitar dos atos de seus apoiadores.

Mello Araújo, ex-comandante da Rota paulista, aposentado aos 48 anos – que maravilha, não é? – convoca os policiais militares (diz ele que os “veteranos”) para lutarem ao lado de Bolsonaro como em Canudos e nas “revoluções de 32 e 64” e pede que se leve as bandeiras das unidades militares para o ato bolsonarista.

Para quem não sabe, Araújo é o queridinho de Bolsonaro, que vai pessoalmente dar apoio à sua ação na Ceagesp, onde grupos irregulares de segurança “resolvem” disputas dobre locais de comerciantes e acesso de caminhões.

Qualquer semelhança com a ação de grupos nas comunidades da zona Oeste do Rio de Janeiro correm por conta da imaginação do leitor que quiser assistir a abordagem das “patrulhas” de Araújo na Ceagesp, publicadas pela Carta Capital.

Incapaz de colher apoio para um golpe militar, Bolsonaro se volta para uma ação policial-militar, para a qual construiu contato direto com as tropas, como tenta construir, com suas maratonas de formatura de cadetes e sargentos nas Forças Armadas.

O silêncio das Forças Armadas diante dos abusos as vai colocando numa situação impensável, a mesma que o “Filho 03” expressou um dia contra o STF.

A qualquer hora o comando do Exército vai ser enquadrado por um cabo e um soldado, mas não de jipe.

De camburão.
 
 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub