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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

20
Jul22

"Vergonha internacional", "vexame": militares reagem aos ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas

Talis Andrade

Image

 

Apesar de o ministro da Defesa estar alinhado a Bolsonaro, militares da ativa e da reserva querem distância dos arroubos golpistas de Bolsonaro

 

 

247 - Militares de alta patente ouvidos por Carla Araújo, do UOL, classificaram como "vergonha internacional" e "vexame" a reunião de Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores que teve como objetivo principal atacar as urnas eletrônicas e colocar sob suspeita o sistema eleitoral brasileiro.

Apesar do alinhamento do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ao discurso bolsonarista, as Forças Armadas seguem independentes, garante um general da ativa. Paulo Sérgio, que foi chefe do Exército, 'mudou de emprego' ao aceitar ser ministro de Bolsonaro, diz o general. 

Paulo Sérgio sabe que as Forças Armadas são instituições de Estado, e não de governo, garante o militar.

O ministro da Defesa esteve na reunião de Bolsonaro e estava pronto para também discursar, mas não foi requisitado pelo chefe do Executivo. Para um militar de alta patente, o ministro se livrou de passar vergonha. "Ninguém merece ficar atrelado a uma vergonha internacional".Image

Um general da reserva deixou claro: "a gente não quer participar deste vexame".

Os comandantes do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, da Marinha, almirante-de-esquadra Almir Garnier Santos, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista Junior, foram convidados para participar do evento, mas não compareceram.

O que se fala nos quartéis é que as Forças Armadas respeitarão o nome que for eleito pelo povo para a Presidência da República.

 

03
Fev22

Nara, militares e bolsonarismo (vídeos)

Talis Andrade

tortura morte ditadura ossário de bolsonaro.jpg

 

por Cristina Serra

- - -

A entrevista do comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, à Folha, ofende os fatos e a lógica. Baptista repete a ladainha de que “a política não entrará nos nossos quartéis” e que os militares sempre prestarão continência “a qualquer comandante supremo das Forças Armadas”.

Para ser levado a sério, ele teria que explicar com clareza, e não com ambiguidades e recados mal disfarçados, a nota intimidatória do ministério da Defesa à CPI da Covid no Senado e o tuíte do alto comando do Exército, publicado por Villas Bôas, em 2018, com ameaças ao STF, na véspera da votação do habeas corpus de Lula.

Bolsonarista raiz, Baptista compara a presença de militares no atual governo à atuação de acadêmicos nos mandatos de FHC e à de sindicalistas na era Lula. Cinismo ou ignorância?

Para dimensionar o necessário debate sobre o papel dos fardados na democracia, trago argumentos do historiador Manuel Domingos Neto, um dos maiores estudiosos do tema no Brasil, em artigo publicado no portal “A Terra é Redonda”. O professor toca num dos nervos centrais da questão: a dependência tecnológica das nossas FAs de fornecedores de armas e equipamentos “que não defendem o Brasil, mas reforçam o poderio de potências imperiais”.

Sem romper essa dependência, o que esperar dos militares quando – e se – voltarem aos quarteis? Segue Domingos Neto: “Formar novos Bolsonaros, Helenos, Villas Bôas, Pazuellos, Etchegoyens ou coisa pior?” Continuarão os homens armados a arrogar-se a condição de “pais da pátria”, “estigmatizando os que lutaram por mudanças sociais?” Manterão suas “operações de garantia da lei, que beneficia os de cima, e da ordem, que massacra os de baixo?”

Para ampliar a discussão, sugiro ainda a série “O Canto Livre de Nara Leão”, que resgata momento de luminosa coragem da cantora. Em plena ditadura, ela diagnosticou sem meias palavras: “Esse exército não serve para nada”. Nara, atualíssima, cinco décadas depois.

23
Nov21

Hipótese de que FAB ajudou Olavo de Carvalho a fugir de intimação da PF é plausível e precisa ser investigada

Talis Andrade

aroeira fuga olavo.jpg

 

 

Denúncia é grave, tem fundamento, e pode envolver diretamente o presidente da República

 

por Joaquim de Carvalho

A hipótese de que Olavo de Carvalho deixou o Brasil em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) às pressas, para não depor à Polícia Federal, faz todo sentido, e é preciso ser investigada.

Atribuindo a informação a uma fonte “com boas ligações em Brasília", a escritora Daniela Abade descreveu no Twitter os voos do Legacy prefixo VC99B, número de cauda FAB2582, entre os dias 11 e 14 de novembro.

Dia 11 foi a data em que Olavo de Carvalho deixou, repentinamente a clínica Saint Marie, em São Paulo, onde estava internado havia alguns meses. E 13 foi a data em que um avião da FAB pousou no aeroporto Mac Arthur, de Long Island, Nova York.

Daniela diz que o avião que fez o pouso em Nova York teria decolado de São Paulo às 12h38 do dia 13. Essa informação é incorreta, de acordo com os próprios vídeos que ela posta com o deslocamento da aeronave captado pelos radares.

Mas esse equívoco não invalida a hipótese que Daniela levanta, com base na sua fonte de Brasília. O radar capta o movimento da aeronave a partir de um ponto de Goiás, que ela afirma ser o município de São Gabriel, e o aplicativo registra o horário 03h38 (UTC).

UTC é a sigla de Coordinated Universal Time, o horário de referência no mundo. No fuso brasileiro (três horas a menos), seria 00h38 (meia-noite e 38 minutos). Como o voo teria tido origem em São Paulo, é provável que a decolagem tenha se dado cerca de uma hora antes, às 23h38 do dia 12 aproximadamente.

Daniela explica que a Aeronáutica impôs sigilo nesse voo — portanto, as informações que levantou tiveram como base a sua fonte e dados disponíveis nos aplicativos que rastreiam voos no mundo todo.

O avião da FAB chegou ao aeroporto de Long Island (código ISP), às 13h45 (UTC), 10h45 no relógio brasileiro. É um aeroporto menor, usado para voos domésticos, e aí está um indício de que tenha servido mesmo para levar Olavo de Carvalho. Desse aeroporto saem voos para Petersburg, no Estado da Virgínia, onde mora o guru do bolsonarismo.

No dia seguinte, a aeronave já estava no aeroporto JFK, também em Nova York, onde o ministro Fábio Faria embarcou para viagens em território americano — ele esteve inclusive em Austin, Texas, onde se encontrou com o empresário Elon Musk.

Daniela enfatizou em suas postagens que Olavo de Carvalho teria voado no avião de Fábio Faria, o que permitiu a ele fazer um desmentido agressivo: 

"FAKE NEWS!! Não conheço Olavo de Carvalho, nunca o vi na vida e não fui de FAB para os EUA. Irresponsabilidade soltar maluquices na imprensa sem checar. É preciso investigar e punir esses devaneios que se espalham irresponsavelmente”, disse, num post no Twitter em que marcou as contas do Supremo Tribunal Federal e Polícia Federal, certamente tentando se antecipar à abertura de qualquer investigação.

O que o ministro diz não é mentira, a se considerar que Olavo tenha mesmo sido levado neste avião para os EUA. De fato, Fábio Faria não foi para os EUA em avião da FAB.

A própria Daniela informa que Fábio Faria só entrou no avião em Nova York, depois que veio de Glasgow, na Escócia, onde tinha participado da COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. 

Fábio Faria poderia saber que o avião que partiu do Brasil para servi-lo a partir de Nova York teria trazido como passageiro Olavo de Carvalho? Talvez sim, mas pode dizer que não, e é difícil contestá-lo.

Na hipótese de que o avião da FAB tenha mesmo servido a Olavo de Carvalho, a responsabilidade maior é de quem autorizou a viagem sigilosa a partir do Brasil, com um passageiro que não é agente público e estava se furtando ao cumprimento de uma intimação da Polícia Federal.

Olavo de Carvalho estava obrigado a depor no inquérito sobre atos antidemocráticos aberto no STF, sob responsabilidade de Alexandre de Moraes. 

O ministro da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, tem responsabilidade no caso? Certamente (repita-se: na hipótese de que Olavo foi mesmo o passageiro do voo).

Mas é improvável que o tenente-brigadeiro Baptista Junior tomasse uma decisão dessas sem que houvesse pelo menos o conhecimento de seu superior hierárquico, Jair Bolsonaro, que é quem tem relação antiga e direta com Olavo de Carvalho.

O guru do bolsonarismo, tão presente nas redes sociais, ainda não se manifestou sobre a informação divulgada por Daniela Abade. Mas falou sobre sua saída do Brasil, numa vídeo postado em 16 de novembro, três dias depois do pouso do avião da FAB em Long Island.

“Estou em casa, a mesma de sempre. A história é muito breve: eu estava no hospital e me ofereceram um voo repentino. Eu fui, entrei no avião e viemos para cá”, declarou, sem mencionar a intimação da PF e sem dizer quem lhe deu carona.

A filha mais velha de Olavo de Carvalho, que é rompida com ele e acompanha o desdobramento da revelação de Daniela Abade, acha que a história tem fundamento.

"Até porque ele disse dia 8 ou 9 de outubro que estava aguardando outra cirurgia, sair assim correndo sem fazer a cirurgia foi muito estranho. E provavelmente ele estava com medo de ir em voo de linha pelo fato da Polícia Federal tê-lo intimado”, afirmou Heloisa de Carvalho.

A Polícia Federal tem caminhos para verificar se a Aeronáutica serviu para ajudar um investigado a se furtar do cumprimento de uma intimação. O primeiro passo é levantar quem viajou no Legacy prefixo VC99B, número de cauda FAB2582, entre os dias 11 e 13. Mas, além disso, pode verificar câmeras do aeroporto e ouvir testemunhas. É o primeiro passo.

PIZZOLATO Henrique
@HenriquePIZZOL2
 
 
11
Abr21

Há mais do que crimes de responsabilidade à mercê de uma CPI, há crimes contra pessoas

Talis Andrade

BOLSONARO-CENTRO-ESPIRITA- desaparecidos ditadura.

 

Tal coleção de crimes talvez encontre comparação nos abutres que agiram em porões da ditadura

por Janio de Freitas/ Folha

Os 61 mortos por asfixia à falta de oxigênio por si sós justificam a CPI que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, precisou ser obrigado pelo Supremo a instalar. Esse horror sofrido em hospitais do Amazonas está envolto por quantidade tão torrencial de horrores que uma CPI é insuficiente para dar-lhes as devidas respostas.

Apesar de tantos fatos e dados à sua disposição, com fartura de comprovações já prontas e públicas, a mera possibilidade da CPI nos força a encarar outra tragédia: no Brasil de 4.000 mortos de Covid por dia, não se conta com seriedade nem para evitar-nos a dúvida de que a CPI busque, de fato, as responsabilidades pelo morticínio, as quais já conhecemos na prática.

A reação imediata dos contrariados é a esperável, mas também traz sua incógnita. O choque iniciado com o STF soma-se ao jogo duro do governo, sobre os parlamentares, para dominar tudo que se refira à CPI. Disso decorre um potencial alto de agravamento e de incidentes sob a nova, e ainda mal conhecida, disposição de forças derivada das alterações em ministérios e em cargos e correntes militares.

As juras de respeito à Constituição são unânimes nos que entram e nos que saem. Inúteis já porque nenhum diria o contrário. Ainda porque o passado atesta essa inutilidade. E, no caso da Defesa, não se pode esquecer que o general Braga Netto estava no centro do governo, onde aceitou ou contribuiu para os desmandos do desvario dito presidencial. Logo que nomeado, adotou uma prevenção significativa: excluiu da nota de celebração do golpe a caracterização das Forças Armadas como instituição do Estado. Não do governo.

comandante da Força Aérea, brigadeiro Baptista Jr., já está identificado como ativo bolsonarista nas redes sociais. Ministro da Justiça, o delegado Anderson Torres e seu escolhido para diretor da PF têm relevância à parte. O primeiro vê em Bolsonaro nada menos do que um enviado de Deus: “Quis Deus, presidente Bolsonaro, que esta condução em momento tão crítico estivesse em vossas mãos”. Imagine-se a obediência devida a um enviado.

O outro, delegado Paulo Maiurino, tem anos de atividade em política capazes, se desejar, de enriquecer a carreira de intervenções políticas da PF. Iniciada no governo Fernando Henrique pelo delegado Argílio Monteiro, depois recompensado com a candidatura (derrotada) a deputado federal pelo PSDB, foi o tempo do dinheiro “plantado” no Maranhão, dos caixotes de dólares “mandados de Cuba para Lula”, e outras fraudes, sempre a serviço das candidaturas de José Serra. Na Lava Jato a PF enriqueceu muito a sua tradição.

Com essas e mais peças, como a AGU entregue ao pastor extremado André Mendonça, está claro tratar-se de parte de um dispositivo político e armado. A pandemia e a mortandade não são preocupações. Nem dentro da própria Presidência, onde se aproximam de 500 os servidores colhidos pela Covid, com taxa de contaminação 13% maior que a nacional. E lá, para ilustrar a possível CPI, a “ordem do presidente” continua a ser “contra lockdown” (aspas para o ministro Marcelo Queiroga), contra máscaras e vacina, e pela cloroquina.

Antes mesmo de determinada pelo ministro Barroso, a possibilidade da CPI iniciou a discussão de táticas para dela poupar Bolsonaro. Será resguardar o agente principal da calamidade. O vírus leva à morte porque esse é papel que a natureza lhe deu. Bolsonaro fez e faz o mesmo por deslealdade ao papel que lhe foi dado e aos que o deram. E, de quebra, ao restante do país.

Há mais do que crimes de responsabilidade, numerosos, à mercê de uma CPI.

Há crimes contra pessoas. Há crimes contra a humanidade. Tal coleção de crimes talvez encontre comparação nos abutres que agiram em porões da ditadura. Ou talvez só se compare aos primórdios da ocupação territorial, com a escravização e as mortandades em massa. O choque não descansa: são 4.000 mortos por dia.

É razoável suspeitar que não haja, nem sequer em número próprio de uma CPI, gente com caráter para enfrentar uma criminalidade assim e ao que a ampare, como o ódio e a facilitação de armas letais.

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