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O CORRESPONDENTE

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O CORRESPONDENTE

08
Nov23

A guerra de Israel contra a infância

Talis Andrade
Banksy

 

Os que sobrevivem, muitos deles feridos e mutilados, vivem com o terror de verem seus amiguinhos mortos, esmagados sob os escombros.

Israel quer inscrever nas mentes dos palestinos as imagens da morte brutal das crianças para que estes nunca se esqueçam de que devem obedecer ao mando e à vontade de tão feroz punidor. A principalidade desta guerra não se radica em motivações econômicas ou políticas, mas puramente na vendeta cruel.

Na vendeta israelense, os aspectos políticos e jurídicos da guerra são ignorados. Israel move esta guerra desconsiderando o direito internacional, a Carta de Direitos da ONU, os tribunais internacionais e a própria regulamentação dos crimes de guerra. Israel se move pelo puro desejo de matar, de derramar sangue inocente, como forma de punir os supostos e os reais culpados. Para Israel, todos os palestinos são culpados e o Hamas é o especificamente culpado.

Somente portadores de vontades totalitárias se entregam a guerras de vingança. Os inimigos dos vingadores são reduzidos a meros instrumentos, são desumanizados, coisificados para que seus corpos fiquem inteiramente disponíveis aos designíos da vontade absoluta de dispor totalmente do outro.

É espantoso que os líderes ocidentais aceitem esta guerra de vingança de Israel sob a falsa cobertura do seu direito de se defender. Ninguém nega esse direito. Mas esse direito foi transformado em autorização sem limites para assassinar crianças, mulheres, idosos e civis. Foi transformado em direito de assassinar a infância e a inocência.

O que querem as crianças palestinas? Querem simplesmente viver, brincar, se divertirem. Tudo isso lhes foi roubado, como foram roubadas as terras de seus antepassados. Os que sobrevivem, muitos deles feridos e mutilados, vivem com o terror de verem seus amiguinhos mortos, esmagados sob os escombros.

O que querem as mães palestinas? Querem ver os seus filhos alegres brincado entre oliveiras, apanhando as olorosas romãs orvalhadas, crescerem felizes e seguros. Mas o que veem as mães palestinas? Décadas de tormentos, de deslocamentos, de perda das terras e das casas. Veem seus filhos amedrontados. E agora precisam retirar seus filhos feridos ou mortos de sob os escombros, removendo blocos e lajes despedaçados pelas bombas com suas próprias mãos. Não ouvem risadas e vozes felizes. Ouvem gritos de dor, os terríveis lamentos dos que choram seus mortos e olham os riachos de sangue dos seus filhos escorrendo nas ruas, entre ferro retorcido, cimento transformado em pó.

As crianças sobreviventes, milhares delas feridas, não encontram nem o peito e nem o colo de suas mães. Não ouvem canções de ninar para dormir. Ouvem apenas gritos de desespero de desconhecidos e o barulho horripilante da tempestade de fogo e bombas que vem dos céus.

Como pode isto acontecer? Como podem os líderes ocidentais deixar que isto aconteça? Não estão apenas deixando. São cúmplices desses crimes impiedosos.  Suas almas estão apodrecidas e exalam a mesma podridão da civilização ocidental judaico-cristã. Esta mesma civilização que assassinou os princípios de justiça que estavam nas bases dos textos religiosos.

Esta mesma civilização judaico-cristã que é cínica e covarde. Que assassinou e exterminou povos originários em quase todo o mundo. Que roubou riquezas em todos os lugares. Que sequestrou os africanos para escravizá-los, açoitá-los e assassiná-los nas Américas. Essa mesma civilização que ergue seus impérios de riquezas à custa do suor e do sangue dos trabalhadores. Esta mesma civilização que, com sua sede assassina insaciável, extermina as espécies e destrói a natureza.

É o cinismo putrefato desta civilização que ceifa a cabeça do universalismo, que decapita os direitos humanos, que debocha do direito internacional. Esta civilização é a mentora do assassinato de crianças, mulheres e idosos em Gaza. Qualquer população atacada pelas guerras, geralmente tem lugares para fugir. Em Gaza não. Em Gaza tudo está fechado. Em Gaza, a única alternativa é morrer. Ali morrem mães que só queriam acalentar seus filhos e morrem crianças que só queriam viver.

Gaza e a falência moral dos EUA e de Israel, por Aldo Fornazieri

A história pode ser escrita e reescrita, pode ser contada de várias maneiras, mas o seu juízo sempre tem um sentido universal.

O ocidente e o terrorismo na Palestina, por Aldo Fornazieri

Sentimos horror pela violência terrorista do Hamas contra judeus. Mas o que sentimos pelo terror a que os palestinos vêm sendo submetidos?

12
Out23

O ocidente e o terrorismo na Palestina

Talis Andrade
Banksy
 

 

Sentimos horror pela violência terrorista do Hamas contra judeus. Mas o que sentimos pelo terror a que os palestinos vêm sendo submetidos?

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