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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Out21

Bolsonaro chora, desafia Espinosa, entristece o país e faz promessa absurda 

Talis Andrade

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por Reinaldo Azevedo

Não duvido de que Jair Bolsonaro seja um homem torturado por seus fantasmas. E o maior deles ganha corpo todos os dias — e fantasmagoria não é, mas realidade: sua atribuição é governar o Brasil. E ele não tem a mais remota noção do que fazer. Toma decisões sobre temas que desconhece de modo absoluto. E por isso ele diz chorar em segredo quando teria motivos episódicos até para rir. Deve mesmo se trancar no banheiro em desespero.

Nesta quinta, o presidente participou de um culto evangélico da igreja Comunidade das Nações. E afirmou o seguinte:

"Cada vez mais, nós sabemos o que devemos fazer. Para onde devemos direcionar as nossas forças. Quantas vezes eu choro no banheiro em casa! Minha esposa [Michelle Bolsonaro] nunca viu. Ela acha que eu sou o machão dos machões. Em parte acho que ela tem razão até".

Não seria um Bolsonaro autêntico, claro!, se não exaltasse suas supostas qualidades viris até quando se mostra um tantinho vulnerável, o que não é estranho à sua trajetória. Já fez isso outras vezes. Líderes de corte messiânico buscam, esporadicamente, demonstrar um lado frágil para despertar a solidariedade alheia.

Ele tentou explicar as lágrimas que diz verter:

"O que me faz agir dessa maneira? Eu não sou mais um deputado. Se ele [um deputado] errar um voto, pode não influenciar em nada. Um voto em 513. Mas uma decisão minha mal tomada, muita gente sofre. Mexe na Bolsa, no dólar, no preço do combustível".

O presidente demorou para perceber que seus atos e palavras mexem com os preços. Entre as razões que explicam o dólar na estratosfera, com todas as suas consequências deletérias, está a sua espantosa irresponsabilidade. E, acreditem, não foi diferente nesta quinta, em pleno culto. Já volto ao ponto. Quero me fixar um pouco no choro — e na ausência de riso.

MOTIVOS PARA RIR

Bolsonaro governa um país em que mais de 600 mil pessoas morreram de covid-19. Parte dessas mortes, todos sabemos, transitaram no orbital que vai da incompetência do governo às decisões dolosas, uma vez que autoridades sabiam que estavam recomendando -- e distribuindo -- remédios comprovadamente ineficazes, além de sabotar os esforços em favor da vacinação e das medidas protetivas. Tudo isso é conhecido.

Ainda assim, a despeito desses desastres, o país já conta com mais de 100 milhões de indivíduos com vacinação completa. Passam de 150 milhões os que receberam a primeira dose, e contaminações e mortes estão em declínio.

O presidente da República — e é possível que qualquer outro em seu lugar o fizesse — poderia tentar chamar para si esses números vistosos, ainda que fosse uma apropriação indébita porque a vacinação, na prática, lhe foi imposta. Mesmo assim, ele poderia comemorar, ao menos, a retração da pandemia em solo nativo porque isso, afinal, salva vidas.

Mas ele faz o contrário. Declara que não vai se vacinar, põe a eficácia dos imunizantes em dúvida, reafirma seu compromisso com drogas comprovadamente ineficazes e ataca todas as medidas sanitárias que foram e ainda são tomadas para evitar a contaminação.

Bolsonaro parece incapaz de sentir, genuinamente, o que Espinosa chama em "Ética" de "afetos de alegria", ainda que "afetos de tristeza" sejam, às vezes, necessários, diz o filósofo, para conter os excessos — havendo, pois, tristezas que podem ser boas e alegrias que podem ser más. Mas convenham: isso sabemos todos pela experiência.

Penso, no entanto, na "alegria" da forma como a definiu Espinosa: aquilo que aumenta a nossa potência de agir, o que também precisa ser disciplinado, sendo a tristeza o que diminui essa potência. Bolsonaro não é apenas um homem quase sempre furioso e em guerra com o mundo — incluindo qualquer forma de saber. Por que chora no banheiro ao pensar, segundo diz, nas suas graves responsabilidades? Porque o mundo como é, na sua complexidade, revela a sua impotência. E, como resta evidente, ele senega a aprender — inclusive com a experiência.

AS CHUVAS E A TARIFA

Prestem atenção a duas frases de Bolsonaro, que traduzem o exato contrário da experiência que ele vive: "Cada vez mais, nós sabemos o que devemos fazer. Para onde devemos direcionar as nossas forças." Não é preciso ser muito bidu para perceber que assume um tom milenarista, missionário, embora o profeta se negue a anunciar o mundo revelado. É preciso acreditar nele.

Antes de falar no culto, já havia reclamado numa entrevista de rádio: "Aumentou o preço da gasolina? Culpa de Bolsonaro! Aumentou o preço do gás? Culpa de Bolsonaro!" E aí especulou se não seria o caso de privatizar a Petrobras. Não que ele tenha umum projeto para isso. Não que seu governo tenha feito essa escolha. Não que que isso seja um plano. No seu mundo sem alegrias — exceção feita às reiterações de suas ideias estreitas —, fala em privatizações como forma de excluir-se da culpa e da responsabilidade. É pura expressão de irracionalidade. E a razão é o maior dos "sentimentos de alegria".

Aos fiéis, Bolsonaro resolveu falar sobre a tarifa de energia e as chuvas. Disse:

"Meu bom Deus nos ajudou agora com chuva. Estávamos na iminência de um colapso. Não podíamos transmitir pânico à sociedade. Dói a gente autorizar o ministro Bento [Albuquerque], das Minas e Energia: 'Decreta bandeira vermelha'. Dói no coração! Sabemos das dificuldades da energia elétrica. Vou pedir para ele -- pedir não, determinar -- que ele volte para a bandeira normal no mês que vem".

Pela ordem! Vige no país a "Bandeira de Escassez Hídrica", que é mais cara do que a vermelha, anunciada há meros dois meses. As chuvas de agora, um tantinho acima das expectativas, estão muito longe de tirar o país do quadro, como diz o nome, de "escassez". Não há especialista na área que descarte o risco de racionamento ou mesmo de apagões.

Mudar a bandeira não decorre da vontade do presidente. Para tanto, criou-se a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg). Ela tem competência para tomar medidas excepcionais, orientando-se por estudos da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). É pouco provável que a Câmara faça o que ele quer. Se o fizer, a crise se agrava. Lá nas alturas daquele mundo complexo que o presidente não alcança — o que o entristece e diminui a sua potência de agir —, há os investimentos com vistas ao futuro. Mas como investir se falta o mais básico de todos os insumos: energia? O que o presidente da República tem a oferecer? Conversa mole e promessas irrealizáveis.

CONCLUO

Não duvido, não, de que Bolsonaro chore. Deve até acontecer com frequência. Certamente é um sofrimento adicional que não consiga reduzir o Brasil ao tamanho de seus afetos de tristeza. Que isso passe! Afinal, entre as suas heranças, há milhares de cadáveres. E os que choraram seus mortos sabiam o motivo de sua dor.

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01
Set21

Xadrez das saídas possíveis para Bolsonaro

Talis Andrade

Não haverá mais espaço para blefar. Depois do desfile de tanques velhos, de não conseguir mobilizar as FFAAs e o Congresso contra o STF, esgotaram-se todos os factoides. Terão que aparecer fatos novos. E quais seriam?

 

 

por Luis Nassif /Jornal GGN

 

Peça 1 – o maior pavor de Bolsonaro

O maior pavor de Bolsonaro atende pelo nome de Alexandre Moraes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Dele provavelmente sairá a ordem de prisão de Eduardo Bolsonaro, provavelmente depois que a Justiça do Rio de Janeiro decretar a de Carlos Bolsonaro, por crimes relacionados ao gabinete do ódio. Mais à frente, provavelmente sairá do Pleno ou da 2a Turma a ordem de prisão de Flávio Bolsonaro, por crimes diversos, envolvendo não apenas as rachadinhas, mas enriquecimento ilícito.

Mais à frente, ou impichado, ou derrotado nas urnas, será a vez da condenação e provável prisão do próprio Bolsonaro.

Este é o pesadelo recorrente de Bolsonaro que, mais de uma vez, tem demonstrado um medo pânico desse destino manifesto.

Todos os seus atos devem ser analisados sob esta ótica: como anular a ofensiva do Supremo.

 

Peça 2 – o fracasso dos golpes convencionais

De início, Bolsonaro tentou um auto-golpe militar, com a história do “meu Exército”, ou “minhas Forças Armadas”. Não colou. Acabou demitindo o Ministro da Defesa legalista e colocando em seu lugar o general Braga Neto.

O máximo que conseguiu foi a criação de um álibi para atacar o Congresso – o discurso do senador Omar Aziz sobre militares suspeitos – para atacar o Congresso, que resultou em uma carta articulada por Braga Neto, e assinada pelos três ministros militares. Pensava em pressionar a CPI e, por tabela, o Supremo. Não colou. Houve uma crítica generalizada contra a carta, a convocação de Braga Neto à Câmara onde ouviu de um deputado do PT, Paulo Teixeira, que, se tentasse boicotar as eleições, seria preso.

O STF pagou para ver, a própria CPI pagou para ver e Bolsonaro não tinha cartas para mostrar.

 

Peça 3 – a aliança com o Centrão

Em franco desespero, entregou-se completamente ao Centrão. Passou a ele o comando da Casa Civil, entregou o controle total do orçamento, vai entregar mais ministérios.

Foi suficiente para barrar qualquer intenção de abertura de impeachment, mas foi insuficiente para deter a armada Alexandre Moraes e a CPI do Covid.

Para ampliar seu desgosto, a popularidade está se esvaindo e Bolsonaro sabe que a crise de energia trará um desgaste enorme pela frente, ao qual se somarão os desgastes com o fracasso da luta contra a pandemia, e os aumentos da inflação e dos combustíveis.

Ao mesmo tempo, a cada sessão a CPI dos Precatórios continua demolindo a imagem do governo. Será sucedida pela CPI das FakeNews, ai envolvendo diretamente os filhos de Bolsonaro.

Nesse ínterim, as instituições continuaram cercando os radicais. A CPI das Fakenews obrigou a prestar depoimentos o general Ramos e o próprio MInistro da Justiça. O STF ordenou a prisão de youtubers e deputados terroristas. O Ministério da Saúde teve que cancelar as operações de compra de vacinas e assim pior diante, uma derrota atrás de outra.

 

Peça 4 – a armadilha da radicalização

Depois de tantos lances mal sucedidos, restou claro para Bolsonaro que sua última arma é a mobilização dos seus radicais. Daí o fato de ter levantado uma série de temas mobilizadores para sua base.

O bolsonarismo raiz está restrito a três grupos:

1. Ruralistas e garimpeiros, de olho nas terras indígenas.

2. Evangélicos e terraplanistas em geral.

3. As milícias propriamente ditas e as bases de policiais militares estaduais.

Para mantê-los mobilizados, Bolsonaro empunha três bandeiras:

1. A história do voto impresso, peça central para conseguir fraudar ou colocar em dúvida as próximas eleições.

2. Os ataques ao Supremo, apresentado como o grande inimigo da liberdade.

3. A discussão, no âmbito do Supremo, sobre o destino das reservas indígenas.

Mesmo assim, não se trata de tarefa comezinha atender à sede de violência desses três grupos.

O relacionamento de Bolsonaro com sua base exige uma radicalização progressiva. Não pode haver recuo, não pode demonstrar nenhum sinal de fraqueza, sob risco da base debandar. E aí entra em uma armadilha com apenas um desfecho possível.

Bolsonaro ameaça verbalmente o Supremo. 

A resposta tem sido medidas objetivas de punição dos radicais. 

Bolsonaro não pode repetir o movimento anterior, pelo fato do blefe ter sido desmascarado. 

Sua única alternativa é dobrar a aposta, num fenômeno típico do priapismo político que não pode nunca terminar em empate.

Dobrando a aposta, torna-se mais suscetível às reações do Supremo que, no limite, poderá levar ao impeachment.

Nessa roda viva, Bolsonaro criou seu Dia D, as manifestações de 7 de Setembro.

 

Peça 5 – 7 de Setembro, o dia D

A única maneira de segurar o Supremo seria através de um golpe. E golpe só pode ser dado com o endosso das instituições. As duas instituições centrais já pularam foram: Forças Armadas e o Congresso do Centrão.

Sem as armas institucionais, aparentemente, Bolsonaro jogou todas suas fichas nas manifestações de 7 de Setembro. Mas o que ocorrerá no dia 8?

As manifestações terão dois resultados: ou ser muito bem sucedido, ou fracasso. Mesmo se for um sucesso, cinco dias depois haverá as manifestações da oposição, fazendo o mesmo barulho. Jogadas teatrais, como motociatas ou ajuntamento de pessoas em locais específicos – avenida Paulista ou Praça dos Três Poderes – não colam mais. Cada vez mais são aglomerações isoladas, já que as pesquisas de opinião mostram o esvaziamento gradativo do bolsonarismo.

Qual o passo seguinte, então? cha inexorável rumo ao fim?

Tente raciocinar com a cabeça de Bolsonaro.

Na quadra atual, não haverá mais espaço para blefar. Depois do desfile de tranques de guerra velhos, de ameaças diárias, de não conseguir mobilizar FFAAs e Congresso contra o STF, esgotaram-se todos os factoides possíveis. Terão que aparecer fatos novos. E quais seriam?

1. Ações localizadas de violência, tentando criar um clima de insegurança nacional capaz de justificar a convocação da Força Nacional.

Será um gesto de desespero, contra o qual há anticorpos. O Ministro Ricardo Lewandowski previu essa possibilidade e alertou que, uma tentativa nessa direção poderia ser enquadrada em crime inafiançável.

2. Atentados isolados

Sem haver necessariamente palavras de ordem, estímulos indiretos para a ação dos seus radicais.

3. Um incêndio de Reichstag

Refiro-me, no caso, ao incêndio do Reichstag, preparado por Hitler, atribuído à esquerda e que serviu de motivação para a tomada do poder pelo nazismo.

 
28
Ago21

Família Bolsonaro multiplica dinheiro

Talis Andrade

Mansão de Flávio Bolsonaro: Valor do imóvel é três vezes maior do que o patrimônio declarado pelo senador em 2018. Leia aquiCapa da revista ISTOÉ 27/08/2021

Manuela D'Ávila questionou a inexplicável mudança de Jair Renan, filho de Jair Bolsonaro, e Ana Cristina Valle, sua ex-mulher, para uma mansão de R$ 3,2 milhões, sem que qualquer um dos dois disponha de renda para isso, o que evidencia que o clã Bolsonaro dispõe de mecanismos clandestinos para pagar suas despesas. Confira:

@ManuelaDavila
O misterioso caso da multiplicação de dinheiro da família Bolsonaro. O filho 04 e Ana Cristina Valle, sua ex-mulher, se mudaram para uma mansão de R$ 3,2 milhões em Brasília. O imóvel foi comprado em nome de um corretor q segue vivendo em uma casa modesta num bairro distante.Ex de Bolsonaro e filho 04 Jair Renan se mudam para mansão de R$ 3,2  milhões em Brasília - Famosos - Extra Online
LULA2022 
@DaysePirralha
Replying to
Ana Cristina Valle é ex do "seu jair" e mãe do 04. Ela é assessora parlamentar e ganha 6.200 por mês. O aluguel dessa Mansão é de 15 Mil. Detalhe: o imóvel foi comprado dias antes por um homem que mora numa casa modesta. E aí? Já sacou que a Mansão não é alugada e...

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