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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Fev21

“Fachin foi coisa de Deus”, disse Deltan Dallagnol subchefe da lava jato

Talis Andrade

Deltan Dallagnol: "Aha, Uhu, o Fachin é nosso" - O CORRESPONDENTE

 

Por Kiko Nogueira

Novas mensagens entre procuradores da República mostram que a Lava Jato confiava no ministro Edson Fachin para resolver seus problemas.

Os diálogos foram apreendidos pela PF na Operação Spoofing e enviados pela defesa de Lula ao ministro Ricardo Lewandowski nesta segunda-feira, dia 22.

No dia 2 de fevereiro de 2017, um dos integrantes da força faz um alerta a Dallagnol.

“Te liguei mais pra te preparar sobre a morte da Marisa Letícia: acredito que o PT está planejando como capitalizar sobre a morte dela e também acredito que eles irão colocar a culpa em vocês e principalmente em você”, escreve.

“Vão com certeza rsrsrs”, responde Deltan. “Fachin foi coisa de Deus”.

A mulher do ex-presidente tinha 66 anos e estava internada depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral hemorrágico provocado pelo rompimento de um aneurisma.

Matéria do Intercept já registrava o deboche lavajatista sobre a morte de Marisa. “Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal”, afirmava Deltan.

Também já se conhecia, através do Intercept, o teor de uma manifestação de Deltan no grupo do Telegram depois de um encontro com o magistrado no Supremo em 13 de julho de 2015.

“Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”, vibrou.

Edson Fachin substituiu Teori Zavascki como relator da Lava Jato no Supremo.

Na última edicação da Veja, deixou clara sua posição — absurda para um juiz, acrescente-se — pró-Moro e cia.

“O contexto é preocupante: forma-se uma frente ampla contra a democracia e a favor da não apuração nem punição a quem se imputa, no devido processo, a prática de delitos como corrupção, lavagem de direito e organização criminosa”, declarou.

Publicado no DCM /PRERRÔ

29
Jan21

Abraji repudia ataque chulo de Bolsonaro ao trabalho da imprensa

Talis Andrade

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Nesta quarta-feira (27.jan.2021), durante um evento fechado em uma churrascaria de Brasília com a presença de artistas e servidores públicos, o presidente da República, Jair Bolsonaro, usou palavras de baixo calão para reclamar da cobertura da imprensa sobre gastos públicos com alimentos e bebidas: 

“Quando vejo a imprensa me atacar, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado, vai (sic) para puta que o pariu. Imprensa de merda essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí, vocês não, vocês da imprensa, essa lata de leite condensado."

O comentário ofensivo foi aplaudido por vários apoiadores que não usavam máscaras, inclusive por um ministro de Estado, o chanceler Ernesto Araújo, um servidor público que desonra com o gesto a instituição que representa.

Desde que assumiu o cargo, Bolsonaro construiu um ambiente de hostilidade diário contra a imprensa. Segundo levantamento divulgado ontem (26.jan.2021) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o presidente foi responsável por 175 ataques a veículos e a profissionais. No início da semana, a organização internacional Repórteres sem Fronteiras anunciou 580 ataques à imprensa brasileira em 2020 promovidos por pessoas ligadas ao presidente. A Abraji monitora diariamente os discursos de ódio propagados pelo presidente e seus filhos.

É aviltante que um chefe de governo se expresse de forma tão baixa ao se dirigir à imprensa. Denota falta de educação, compostura e respeito com a sociedade. O ataque tosco mostra mais uma vez que Bolsonaro ultrapassou limites da civilidade. Usar palavrões para livrar-se do debate público é uma estratégia de governantes apequenados, que não têm a dimensão do cargo que ocupam nem respeito pelo direito que todo cidadão, jornalistas inclusive, têm de inquirir funcionários públicos.

Diretoria da Abraji, 27 de janeiro de 2021.

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28
Nov20

Virgem santa, marido de Marta Suplicy diz que Boulos "arrumou Covid para fugir do debate"

Talis Andrade

Marta Suplicy - 28/04/2015 - Poder - Fotografia - Folha de S.Paulo

 

 

“Valha Me Deus, Senhor São Bento, Boulos arrumou Covid para fugir de debate… Seria trucidade e desmascarado… Eita Boulos picareta”, escreveu ele no grupo Política Viva Políticos.

A informação foi divulgada por Vera Magalhães no site BRPolítico, do Estadão, que revelou prints da coversa. 

Eleita senadora, Marta Suplicy tira alguns dias de folga na Bahia com novo  namorado : Blog do Eliomar

 Ele tá de mão boba e pezinho direito. Marta de corpo inteiro desfilando pra Covas

 

28
Nov20

Para melar a campanha de baixarias, a turma do Melo inventou que Manuela tinha tatuagens de Fídel, de Che

Talis Andrade

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A turma do Melo inventou tatuagens e outras estórias, de quem não tem programa de governo, para melar com baixarias a campanha idealista e séria e dígna de Manuela. Campanha de esperança de quem acredita no futuro, de que lutará para tirar Porto Alegre do abandono. 

Pararam com os fake news, depois que a imprensa internacional revelou estes dias as tatuagens de Maradona, comunista, e amigo de Che Guevara, de Fídel, de Hugo Chávez. Eles pararam de mandar o eleitor de esquerda para Venezuela e Cuba, países hermanos da Argentina de Maradona.

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MARADONA IMORTAL

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por Urariano Mota

Quando soube ontem da morte de Maradona, senti um abalo, que me deixou sem compreender a emoção. Foi como um sentido de perda pessoal, semelhante à perda de um amigo, cuja partida sentimos sempre como uma parte de nós que se vai e se esvai. Maradona, um amigo, que coisa mais contraditória. E por quê? Havia em mim, como na maioria dos brasileiros, um sentimento de rivalidade por seu brilho, ao qual sempre contrapomos o de Pelé. Maior é Pelé, Pelé é o maior jogador do mundo! O mais brilhante, genial é Pelé, etc. etc. Coisa sobre a qual o coração da gente protesta.

E por quê? Eu e amigos alcançamos uma idade em que a compreensão se torna mais elástica. Isso não é bem condescendência. Talvez seja uma ciência da experiência. Mas no abalo do peito, nos olhos cuja umidade eu reprimia, havia também uma ciência da idade. O tempo que acumulamos nos deixou todos mais emotivos. Vezes há em que de repente embargamos a voz, viramos o rosto de lado envergonhados por cedermos de modo tão imprevisível às lágrimas. E fiquei sem explicação, como um sentimento expresso no soneto de Camões:  

“ferida que dói e não se sente;
um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer”.

Mas depois compreendi. A razão que o peito agitava é que estava guardada na memória mais que uma absurda rivalidade entre dois gênios do futebol. Maradona era, foi um daqueles atletas fora da alienação política. Ele esteve sempre ao lado da esquerda, contra a corrente, contra o conforto da conformação. Então vi as fotos da tatuagem de Che no seu ombro, a de Fidel na perna esquerda, e suas declarações em defesa de Lula e Dilma, a favor  de Hugo Chaves e de Maduro. Nisso residia o meu abalo no peito, a emoção pelo Pibe.  Então pude ver sem olhos de rivalidade, então pude ver como um cidadão do mundo o seu belíssimo segundo gol contra a seleção inglesa. 

 

https://www.youtube.com/watch?v=1wVho3I0NtU&feature=emb_logo 

Meu Deus, um craque desses é do mundo, é da confraternização universal, está além da conflagração. Quase há um grito oculto neste gol: “abaixo o imperialismo inglês!”.

E vi, e soube algumas das suas declarações, que o sentimento adivinhou e não sabia:

"Eu não quero que Havelange diga que me quer como um pai. Eu não sou um filho da puta.  

Me dei conta depois que as dores de barriga da minha mãe eram porque ela não comia para dar de comer aos filhos.

Eu cresci em um bairro privado de Buenos Aires. Privado de luz, privado de água, privado de telefone."

Então pude compreender com olhos da razão aquilo que o sentimento viu antes. E mais sereno, agora posso dizer que a morte de Maradona deixa na gente algumas reflexões. No espaço dos seus 60 anos, ele cresceu, amadureceu para o gênio que foi, sofreu e se redimiu no campo com brilho único. E  em posições políticas que desejavam mudar o mundo. 

E por isso ele se tornou imortal. E procuro esclarecer de que gênero com perguntas do meu  romance “A mais longa duração da juventude” num trecho: 

“o que faremos da imortalidade? O que plantaremos no lugar do que é efêmero, que retira do próximo fim o seu gozo? Como teremos a saciedade sem a fome? Seria a imortalidade o paraíso sem o seu contrário, uma duração eterna do que é fluido e fugaz? Será como uma estrada que leva a lugar nenhum, uma reta de asfalto infindo sem marcos e placas de cidades?,,,” 

E mais:

“Nós alcançamos a imortalidade, isto é, o que transcende a sobrevivência ao breve, porque a imortalidade não é a permanência de matusaléns decrépitos, nós só a alcançamos pelo que foi mortal, mortal, e sempre mortal não morreu. A imortalidade é isto, o trompete de Louis Armstrong, a voz de Ella Fitzgerald”, o jogo e vida de Maradona.  

Ele foi canhoto no campo e fora do campo. Ele foi canhoto por chutar de esquerda e canhoto na política. Canhoto também no que existia de desajeitado, no uso e abuso de substâncias para diminuir a dor. E lembro de Cartola na canção O Mundo é um Moinho. Num dos versos o nosso compositor canta “em cada esquina cai um pouco a tua vida”. Assim foi a sua pessoa e gênio que não cabia em si. 

Os jornais falam que Maradona estava ansioso, deprimido e angustiado nos últimos dias.  Que a sua esperança era voltar para Cuba, a terra onde recebeu  a mais ampla solidariedade e tratamento de hermano para hermano. Mas a última dor chegou antes. Então fica isto, para sempre: 

Maradona imortal no futebol, no cidadão político, no homem alto, altíssimo,  fora do campo, quando abraçava e amava as referências socialistas. Ele foi mais que um tango. Para mim, mais que um deus. Um homem, enfim. 

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27
Nov20

Sentindo eleição ameaçada, direita apela para ódio e terrorismo eleitoral

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

Com a divulgação de pesquisas sobre o 2º turno, o pânico tomou conta dos comitês de Brunos Covas/PSDB em São Paulo e de Sebastião Melo/MDB em Porto Alegre.

Tanto na capital paulista como na gaúcha, levantamentos indicam queda das intenções de votos nos candidatos da oligarquia dominante, e crescimento das candidaturas de esquerda de Guilherme Boulos/PSOL e Manuela D’Ávila/PCdoB/PT.

A disputa avança dramaticamente nestas 2 cidades na reta final de campanha, e o resultado do próximo domingo [29/11] tende a ser parelho em ambas.

Em São Paulo e em Porto Alegre observa-se o amontoo automático do chamado centro político, mais direita e mais extrema-direita bolsonarista para enfrentar as candidaturas de esquerda apoiadas pela centro-esquerda.

É interessante notar como os xingamentos e as brigas selvagens entre os candidatos e partidos do bloco conservador magicamente desapareceram. Agora, todos atuam em ordem unida para enfrentar o que consideram ser o inimigo comum – a esquerda e o campo progressista.

Para a oligarquia racista, o relevante não é apresentar propostas concretas para enfrentar problemas como finanças municipais, desemprego, moradia, saúde, educação, creches, saneamento básico, Plano Diretor e o desenvolvimento da cidade. A única obsessão deles é impedir que a esquerda vença para promover mudanças profundas no governo.

Está claro que a oligarquia não se junta a favor de um plano para a cidade. Eles apenas se amontoam em aglomerados reacionários para combater a esquerda. Não sem histeria, bradam contra a “ameaça comunista”, como se estivessem na Guerra Fria.

Até há alguns dias, as campanhas de Covas/PSDB em São Paulo e de Melo/MDB em Porto Alegre simulavam civilidade em público, ao mesmo tempo em que promoviam toda sorte de vilania e patifaria no subterrâneo das redes sociais e do WhatsApp.

Com os números das pesquisas recentes, contudo, as campanhas deles passaram a apelar para o ódio e o terrorismo abertos, inclusive promovendo sectarismo religioso na propaganda eleitoral.

Nos últimos dias começaram circular vídeos com sionistas defendendo o voto em Covas e acusando Boulos de antissemita. Na mesma linha, cristãos conservadores [católicos e evangélicos] transformaram igrejas, cultos e templos religiosos em comitês eleitorais do Covas, a partir dos quais proferem toda sorte de infâmias e demonizam Boulos.

O próprio Covas, talvez desesperado com o risco da derrota, parece esquecer que a disputa é para o governo da cidade de São Paulo, mas mesmo assim provoca Boulos a responder acerca de problemas de Cuba e da Venezuela …

Em Porto Alegre a chapa do Melo/MDB, integrada pelo fundador e coordenador do MBL no Rio Grande do Sul [Ricardo Gomes/DEM], é especializada em industrializar mentiras, ataques e baixarias.

Desde o 1º turno, Manuela tem sido alvo da pistolagem e banditismo político deste bando da direita extremista – mais detalhes aqui. A campanha dela derrubou na justiça mais de 530 mil publicações ofensivas, notícias falsas e calúnias no facebook.

Agora circula um áudio com relato da reunião do Ricardo Gomes com o poderoso sindicato patronal da construção civil, o SINDUSCON, no qual empresários são conclamados a votar no Melo, “porque se entrar essa vadia aí vai ser um problema muito sério para a cidade”.

Os programas de TV do Melo também ficaram mais violentos e apelativos. Melo finalmente saiu do esconderijo das redes e passou a atacar Manuela na TV e nas entrevistas. O candidato da direita racista tenta assustar a população com uma retórica anticomunista e antipetista, para infundir medo e pavor nos eleitores da Manuela.

É arriscado predizer alguma tendência de resultado no próximo 29 de novembro, dadas as incertezas das pesquisas, que acertam cada vez menos os prognósticos.

Mas, por outro lado, o comportamento desesperado dos candidatos da direita bolsonarista e bolsonarizada – em São Paulo e em Porto Alegre – autoriza supor-se que são bem realistas os “riscos” de vitória da esquerda e do campo progressista em São Paulo com Boulos, e em Porto Alegre com Manuela.Image

 
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27
Nov20

Sem feminismo não há democracia

Talis Andrade

Ataques a candidatas se estedem a apoiadoras no segundo turno

Manuela D’Avila (PCdoB), que disputa a prefeitura de Porto Alegre, continua sendo a candidata mais atacada, revela monitoramento de violência política de gênero nas redes

por Jamile Santana 

ATENÇÃO: A reportagem mostra trechos explícitos de conteúdo misógino e racista. Optamos por não censurá-los porque achamos importante exemplificar como o debate é violento nas redes, como a violência política contra mulheres se espalha pelas redes e é sexista em suas formas, quais termos são frequentemente utilizados e como podemos identificá-la.

Ao chegar no segundo turno na disputa pela Prefeitura de Porto Alegre, Manuela D’Ávila (PCdoB) assumiu a liderança de um ranking lamentável: é, de longe, a candidata no País que mais recebeu ofensas no Twitter e no Instagram durante os últimos dias da campanha eleitoral. E no segundo turno, além de ser alvo de xingamentos que fazem alusões a sua intelectualidade, ideologia política, saúde mental ou aos aspectos morais de sua vida, a  violência política de gênero se estendeu também às suas apoiadoras.  

Ao declarar publicamente seu apoio à Manuela no dia 17 de novembro, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (REDE) recebeu, em dois dias, ao menos 150 comentários ofensivos, uma média de 3 tuítes com xingamento por hora. Foi chamada de “velha” com termos pejorativos como “múmia” e “tartaruga”, e também de “feia” e “hipócrita”.

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Os tuítes ofensivos foram identificados na segunda etapa do MonitorA, projeto da Revista AzMina junto ao InternetLab, que coleta e analisa comentários direcionados a candidatas de todos os espectros políticos para compreender as dinâmicas da violência política de gênero durante as eleições. Entre os dias 15 e 18 de novembro, foram coletados 347,4 mil tuítes que citam 58 candidatas e candidatos que disputam o segundo turno em municípios de 13 estados do País. Foram monitoradas 20 candidatas a prefeita e seus opositores, além de 15 vice-prefeitas e três candidatos à prefeitura. Desses, 109,4 mil tuítes eram direcionados às candidatas, e 8 mil tinham algum termo ofensivo. Entre 2.390 tuítes com termos ofensivos que tinham uma ou mais curtidas ou retweets, 17,3% (415) eram ofensas diretas às candidatas. Manuela D’Ávila é alvo em 90% dos ataques realizados no período analisado.

Leia Mais: “Gorda”, “porca”, “burra”: candidatas recebem mais de 40 xingamentos por dia no Twitter durante campanha eleitoral

 

Sebastião Melo mela a campanha

de Manuela com baixarias

Tem foto de Manuela com tatuagens que ela não possui.

Para Fernanda Mallak, doutoranda em sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e consultora na Tewá 225, trata-se de uma resposta machista ao ingresso de mulheres de forma ativa na política: Manuela D’Avila, por exemplo, não só chegou ao segundo turno como derrotou nas urnas o atual prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan Júnior (PSDB). 

Sua presença política também foi construída ao longo do tempo. Foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita em 2004 e eleita deputada federal em 2006 e reeleita em 2010, alcançando recordes de votação. Mas nas ofensas identificadas pelo MonitorA não há qualquer menção ou crítica sobre sua atuação nestes cargos. 

“A sociedade moderna, de uma forma geral, tem prerrogativas do controle dos corpos, por vários instrumentos e técnicas, que definem onde nós podemos acessar, e onde somos bloqueados, enquanto indivíduos. E quando se trata de corpos de mulheres, o espaço público, historicamente foi bloqueado”, diz a socióloga. “Estamos vivendo um  momento interessante  em que as mulheres passam a ocupar esses espaços que historicamente foram ocupados pelos homens. E aí, fazendo uma análise a partir deste prisma, a violência e o assédio têm sido utilizados como uma forma de tentar bloquear esse acesso”. 

No segundo turno, além dos tuítes que usam o termo “comunista” de forma pejorativa, para tentar  descredibilizar intelectualmente a candidata, os xingamentos passaram a ser ainda mais ofensivos: “lixo”, “bandida” e “vagabunda” estão entre as palavras mais usadas nos xingamentos. Há muitas citações também ao termo “abortista”, como se defender a legalização do aborto desqualificasse Manuela.

Manuela 65
@ManuelaDavila
O machismo, a violência política e a mentira não vão vencer! Nós mulheres seguiremos na luta para ocupar todos os espaços

27
Nov20

Desinformação e violência na política: as armas contra Manuela D'Ávila

Talis Andrade

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Revolução Laura: Reflexões sobre maternidade e resistência | Amazon.com.br

 

Helena Martins

Manuela D'Ávila (PCdoB), que despontou nestas eleições como favorita na disputa pela prefeitura de Porto Alegre, enfrenta mais um momento desafiante em sua trajetória política. De acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 24, Sebastião Melo (MDB) tem 49% e Manuela, 42%. Quando considerados os votos válidos, são 54% e 46%, respectivamente. A margem de erro, os sempre imponderáveis últimos dias de campanha e o resultado concreto das urnas podem levar a mudanças, claro. Mas contra Manuela, que terminou o primeiro turno apenas 2% atrás do adversário, pesam as campanhas de desinformação com teor explicitamente misógino.

Nas redes, crescem ataques pessoais combinados a conteúdos que buscam gerar medo na sociedade, a partir da mobilização de temas como o comunismo. O machismo fica nítido ao se observar o que circula em plataformas como o WhatsApp contra Manuela, imagens que opto por não expor aqui para reduzir a circulação da desinformação, ainda que sejam facilmente encontradas na internet. Muitas expõem e manipulam fotos da candidata, com ênfase em seu corpo e rosto. A aparência é o foco dos ataques. Tenta-se imputar a ideia de irresponsável. Em uma montagem são acrescidas tatuagens com rostos de líderes como Che Guevara e Lênin e uma frase que questiona o que seria a prefeitura liderada por ela. É feito também contraponto com o que seria a mulher ideal. Manuela tem tido sua imagem frequentemente comparada à de Michele Bolsonaro. Esta, sim, é apresentada como "recatada e do lar".

Uma postagem afirma que Manuela trocou 'o crucifixo no ânus por um escapulário católico' e agora, apenas por ser campanha eleitoral, vale-se de 'roupas recatadas'. Há ainda uso de uma fotografia de Manuela aos 15 anos, acompanhada do seu pai, insinuando que se tratava de seu namorado. Em outra, aparece a adolescente sozinha. A exposição vem acompanhada de uma legenda dizendo que Manuela odeia a foto, e convidando os outros a divulgá-la com o intuito de atacar a sua aparência "Só de marra vamos compartilhá-los ao máximo", diz o texto.

No Twitter, circula áudio atribuído à coordenação da campanha de Sebastião Melo (MDB), que lidera as pesquisas de intenção de voto no segundo turno da disputa à prefeitura de Porto Alegre, em que Manuela é chamada de "vadia". Divulgado pelo ativista Luiz Muller e por veículos como a Fórum, no áudio diz-se que: "Se entrar essa vadia ai vai ser um problema muito sério para a cidade". A autoria não foi confirmada.

Ataques envolvendo corrupção, suposta ditadura venezuelana e atrocidades atribuídas a regimes comunistas são lançados contra a candidata. Exemplo disso, circula boato de que ela teria sido presa por conta da delação da Odebrecht, processo já arquivado pelo Ministério Público. Com mais de 130 mil visualizações em apenas sete horas de disponibilização na segunda, 23, vídeo do canal Giro de Notícias intitulado "A PRISÃO DE MANUELA D'AVILA, O MAIOR ATAQUE DA MÍDIA NO BRASIL, POLÍCIA FAZ LIMPEZA". O conteúdo também está sendo compartilhado no WastApp, de acordo com o Radar da agência de verificação Aos Fatos.

Uma hashtag #ManuzuelaNão sintetiza essa vertente de ataques. Após o assassinato de João Alberto Freitas, morto por asfixia por seguranças do Carrefour, e os protestos em repúdio à execução na última sexta-feira, 20, Manuela também passou a ser responsabilizada. É o caso do conteúdo apresentado como notícia no portal Terra Brasil Notícias, que tem como lema "Deus acima de tudo e de todos". Link que destaca o título "Irresponsável: Comunista Manuela D'Ávila usou redes sociais para convocar protestos que terminaram em violência" tem sido compartilhado, assim como post adulterado de Manuela sobre o caso, no qual ela convocaria os protestos.1 - Captura do portal Terra Brasil Notícias - Captura do portal Terra Brasil Notícias

Captura de tela da divulgação de uma notícia do portal Terra Brasil Notícias sobre Manuela Imagem: Captura do portal Terra Brasil Notícias

 

Merece destaque o uso de adjetivo não só pejorativo, como contrário ao que o patriarcalismo diz ser esperado de uma mulher (responsabilidade, cuidado). Não é o mesmo tipo de ataque que vemos, por exemplo, no caso de Guilherme Boulos (PSOL), na disputa para a prefeitura de São Paulo.

A violência de gênero é explícita - ataques a candidatos homens são diferentes

O mesmo site Terra Brasil Notícias publicou: "Boulos" vira motivo de piadas nas redes após dizer que problema da previdência é número baixo de funcionários públicos". No Twitter, ganhou repercussão tweet em que Boulos teria escrito defender abrigar moradores de rua na casa de quem tem quartos vagos, o qual foi postado por uma conta falsa. Ainda no primeiro turno, como abordado aqui, acusação falsa de que teria contratado empresas fantasmas ganhou lastro. São, pois, temas relacionados ao conteúdo político, não aos atributos pessoais, muito menos ao corpo do candidato.

Embora se tratem ambos de políticos que abraçam visões de mundo de esquerda, há uma abordagem diferente, que leva a crítica para a dimensão pessoal no caso das campanhas arquitetadas contra Manuela. É o que vemos no texto também identificado pela Aos Fatos em grupos do WhatsApp: "A comunista patricinha, no primeiro turno vinha 'pagar de boa moça', acusava os adversários de fazer campanha suja contra ela, a mesma inclusive em seus lixos de propagandas na teve, disse que ela era contra isso, pois tinha projeto. Como todo mundo sabe, ELA TRAÍ, e agora ELA vem fazer no horário eleitoral a mesma coisa que ela julgava errado antes. Assim é o PT, PSOL, PCdoB e PDT, usam mulheres, usam vidas negras, usam todo mundo para chegar no poder. E você vai cai nisso, ou vai dar um "tapa de luva" nestes lixos e votando 15 em Melo".

O compartilhamento do link e a referência à "traição" mostram ainda a retroalimentação que se dá entre as mídias e também expressa como as violências contra as mulheres na política são recorrentes e perpetuadas, inclusive pela ausência de responsabilização. Como costuma ocorrer nas campanhas de desinformação, as agressões na rede são alimentadas por amplificadores, como o candidato Rodrigo Maroni (Pros), que no último debate do primeiro turno disse que Manuela "mentia e dissimulava". "Tu é patricinha mimada, poderia estar comprando bolsa no shopping. Se eu fosse abrir a boca, eu não acabaria com a carreira, mas com tua vida, Manuela", afirmou. No primeiro debate entre candidatos, Maroni, ex-noivo da pcdobista, também havia desferido ataques machistas contra ela, acusando-a de traição, o que foi amplamente repercutido na mídia.Por Que Lutamos - Um livro sobre amor e liberdade Em Portugues do Brasil:  Amazon.es: Manuela DAvila: Libros

O impacto eleitoral das campanhas de desinformação

Dadas a opacidade das plataformas digitais e a diversidade de canais de comunicação, é difícil precisar o volume dos ataques e seus impactos. Entretanto, a resposta judicial, sempre menor do que o que realmente ocorre, pois as investigações dependem dos conteúdos serem encontrados e denunciados, permite-nos traçar contornos do quadro. Ainda no primeiro turno, quando Manuela aparecia na liderança das pesquisas de intenção de votos, a Justiça Eleitoral determinou que Facebook, Instagram, Twitter e YouTube retirassem do ar meio milhão de compartilhamentos de conteúdo falso contra ela. O somatório refere-se a apenas dez postagens denunciadas. Não é inexpressivo.

Some-se a isso ainda o fato de campanhas de desinformação contra Manuela serem antigas e permanentes. Após dividir chapa com Fernando Haddad (PT) à presidência da República nas eleições de 2018, marcadas pelo fenômeno da desinformação e intolerância nas redes sociais, Manuela chegou a criar o instituto E Se Fosse Você?, uma organização não-governamental, e lançou o livro "E Se Fosse Você? Sobrevivendo às redes de ódio e fake news".

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Estas campanhas desinformativas podem ajudar a explicar a alta rejeição de Manuela - 38%, de acordo com a pesquisa Ibope de 14 de novembro, um dia antes do primeiro turno. Em uma curta campanha eleitoral, mitigar efeitos ou mesmo mudar entendimentos acerca da candidata não é tarefa fácil, ainda mais quando a artilharia inimiga não dá trégua. Essa perseguição já era apontada como empecilho para a corrida eleitoral de 2020. Em artigo publicado neste Observatório em 31 de outubro, Céli Pinto sentenciava que o segundo turno em Porto Alegre contaria com a participação de Manuela e que não seria fácil. Entre os motivos, o fato de a candidata ser vítima desse tipo de violência política.

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Não é difícil concluir, e este Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher (25/11) vem para nos alertar mais sobre isso: campanhas de desinformação permeadas por misoginia são as principais armas utilizadas contra Manuela D'Ávila. Elas representam um grande entrave para que a parlamentar, que já acumula mandatos e experiência política, consiga alcançar a prefeitura de Porto Alegre. Uma situação que evidencia a violência que atravessa as vidas das mulheres que ocupam a política. Muitas têm seus corpos enfatizados, seus atos ignorados, suas opiniões diminuídas, seus espaços cortados. Com menos de uma semana para o pleito, parece difícil que haja tempo e condições para reverter a situação, até porque ela tem raízes na cultura e nas instituições.Bahia Notícias / Cultura / Notícia / Manuela d'Ávila lança novo livro em  Salvador na próxima segunda-feira - 05/11/2019

Livros

Manuela D'Ávila tem três livros publicados. O primeiro, Revolução Laura, foi lançado em março de 2019, e consiste num relato de suas experiências pessoais e políticas, vividas desde o nascimento de sua filha. Após o lançamento, percorreu o Brasil proferindo palestras.

O segundo livro, Por que lutamos?, foi lançado pela editora Planeta em outubro de 2019. Voltado para meninas e jovens. A publicação aborda didaticamente o feminismo.

Em agosto de 2020, Manuela lançou seu terceiro livro, E se fosse você?, sobre redes de ódio e notícias falsas, contando com o prefácio de Felipe NetoNa publicação, ela aborda casos de figuras públicas alvo das redes de produção de notícias falsas e conta como lida com esse tipo de conteúdo difamatório elaborado a seu respeito.

27
Fev20

Cheiro de golpe no ar

Talis Andrade

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por Frei Betto

O ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), sugeriu, em 19 de fevereiro, que o povo deve ir às ruas “contra a chantagem do Congresso”. Bastou este aceno autoritário para os aliados do presidente convocarem manifestação para o domingo, 15 de março.

Ora, quando uma autoridade do Poder Executivo convoca uma manifestação contrária a outro Poder da República, no caso o Legislativo, isso é gravíssimo e sinaliza conspiração golpista ou, sem rodeios, o fechamento do Congresso. Tomara que o Poder Judiciário, representado pelo STF, proíba tal manifestação, pois caso contrário correrá o risco de assinar o fechamento de suas portas.

O protesto a favor do governo será na mesma data em que, há cinco anos, ocorreu a maior das manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Foi com uma escalada de manifestações prévias, como a Marcha com Deus e a Família pela Liberdade, que os militares prepararam o golpe de 1964 que derrubou João Goulart, presidente constitucional e democraticamente eleito.

O sonho de todo político com vocação para caudilho ou ditador, avesso ao regime democrático, é governar pela supressão de todas as vias institucionais entre ele e o povo. Uma via direta, sem intermediação dos poderes Legislativo e Judiciário, hoje facilitada pelas redes digitais.

Autoconvencido de que só ele sabe discernir o que convém ou não à nação, o autocrata despreza o sistema partidário, trata os políticos como seus serviçais, e se relaciona com a Constituição como o terrorista islâmico com o Alcorão. Ele ouve, mas não escuta; fala, mas não dialoga; age, mas não reflete. Seu pendor absolutista é, hoje, facilitado pelas redes digitais, por meio das quais faz chegar à população sua vontade e determinações.

Frente a um povo despolitizado, desprovido de consciência crítica, o déspota emite suas opiniões como se fossem leis. Seus adeptos, movidos pelo senso de “servidão voluntária”, na expressão da La Boétie, o erigem à condição de “mito”, aquele que se torna paradigma, referência acima de qualquer suspeita ou juízo.

O caudilho sabe que, sem apoio popular, seu futuro político corre o risco de virar mero sonho. Para evitá-lo, recorre ao  recurso de armar mãos e espíritos. Liberar o porte e a posse de armas, e plantar no coração e na mente de seus adeptos o ódio mortal a seus inimigos, reais ou imaginários. Essa segunda medida se efetiva pela descontextualização política, como se a conjuntura, os princípios constitucionais e o consenso entre os seus pares poucos importassem.

Dotado da uma intuição impetuosa e de agressividade incontida, o autocrata fragmenta seu discurso, adota um vocabulário chulo, desdenha a coerência, troca o atacado pelo varejo, a floresta pelas árvores, e cria um deus à sua imagem e semelhança. Ele não tem outra proposta ou programa que não seja se perpetuar no poder e transformar sua vontade em lei. Por isso suas medidas provisórias têm o peso de definitivas.

Onde andam os partidos de oposição, as centrais sindicais, os movimentos populares? Se o desemprego afeta mais de 11 milhões de pessoas; a economia retrocede; a saúde e a educação estão sucateadas; e 165 milhões de brasileiros sobrevivem com renda mensal inferior a dois salários mínimos; qual a razão de tamanha inércia daqueles que deveriam manifestar a sua indignação diante deste governo?

Convém ter em mente o poema de Eduardo Alves da Costa, equivocadamente atribuído a Maiakóvski: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim./ E não dizemos nada./ Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada./ Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta./ E já não podemos dizer nada”.

21
Fev20

Brasil se converteu em nação de patifes com os Bolsonaro, diz Veríssimo

Talis Andrade

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“O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotadas nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida”, diz Veríssimo. Vivemos a era da bestialidade, de glorificação da burrice, da mentira como realidade paralela a ser vivida por esses apoiadores pobres de Bolsonaro, que acham que fazem parte do banquete, mas que comem apenas as sobras dos senhores que sentam a mesa de Bolsonaro.

“Apatifar, nos diz o Aurélio, significa tornar desprezível, aviltar, envilecer. Pessoas se apatifam, nações inteiras podem se apatifar, ou serem apatifadas”, diz o escritor Luis Fernando Verissimo, em coluna publicada nesta quinta-feira no jornal O Globo.

“É impossível observar o Brasil de hoje sem a sensação de estar assistindo a uma pantomima tragicômica, à decomposição de um Estado que, dissessem o que dissessem de governos anteriores – inclusive os lamentáveis -, mantinha, pelo menos, a linha, o que é mais do que se pode dizer da atuação de Bolsonaro & Filhos no palco do poder”, afirma.

O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotadas nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida. Apatifam-nos pelo exemplo. Milícias armadas impõem sua lei do mais forte e mais assassinos com licença tácita para matar. Há uma guerra aberta com a área de cultura e a ameaça de um retrocesso obscurantista nas prioridades de um governo que ainda não aceitou Copérnico, o que dirá Darwin. Aumentam os cortes de gastos sociais, além de cortes em direitos históricos dos trabalhadores. Aumenta a defloração da Amazônia. Aumentam as ameaças à imprensa”, aponta ainda o escritor.

”E aumenta a suspeita de que, na Universidade de Chicago, o Paulo Guedes só assistiu às aulas de bobagens para dizer, caso a economia não deslanche.” completou Veríssimo, para criticar o fato da economia não decolar com Guedes.

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20
Fev20

Brasil se converteu em nação de patifes com os Bolsonaro, diz Veríssimo

Talis Andrade

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“O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotadas nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida”, diz Veríssimo. Vivemos a era da bestialidade, de glorificação da burrice, da mentira como realidade paralela a ser vivida por esses apoiadores pobres de Bolsonaro, que acham que fazem parte do banquete, mas que comem apenas as sobras dos senhores que sentam a mesa de Bolsonaro.

“Apatifar, nos diz o Aurélio, significa tornar desprezível, aviltar, envilecer. Pessoas se apatifam, nações inteiras podem se apatifar, ou serem apatifadas”, diz o escritor Luis Fernando Verissimo, em coluna publicada nesta quinta-feira no jornal O Globo.

“É impossível observar o Brasil de hoje sem a sensação de estar assistindo a uma pantomima tragicômica, à decomposição de um Estado que, dissessem o que dissessem de governos anteriores – inclusive os lamentáveis -, mantinha, pelo menos, a linha, o que é mais do que se pode dizer da atuação de Bolsonaro & Filhos no palco do poder”, afirma.

O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotadas nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida. Apatifam-nos pelo exemplo. Milícias armadas impõem sua lei do mais forte e mais assassinos com licença tácita para matar. Há uma guerra aberta com a área de cultura e a ameaça de um retrocesso obscurantista nas prioridades de um governo que ainda não aceitou Copérnico, o que dirá Darwin. Aumentam os cortes de gastos sociais, além de cortes em direitos históricos dos trabalhadores. Aumenta a defloração da Amazônia. Aumentam as ameaças à imprensa”, aponta ainda o escritor.

”E aumenta a suspeita de que, na Universidade de Chicago, o Paulo Guedes só assistiu às aulas de bobagens para dizer, caso a economia não deslanche.” completou Veríssimo, para criticar o fato da economia não decolar com Guedes.

 

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